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Arquivos do Instituto Biológico

versão impressa ISSN 0020-3653versão On-line ISSN 1808-1657

Arq. Inst. Biol. vol.82  São Paulo  2015  Epub 07-Abr-2015

https://doi.org/10.1590/1808-1657000352013 

Scientific Article

Ocorrência e perfil de resistencia antimicrobiana de sorotipos de Salmonella spp. isolados de aviários do Paraná, Brasil

Occurrence and antimicrobial resistance profile of Salmonella spp. serotypes isolated from poultry farms in Paraná, Brazil

Jessica Angela Pandini 1  

Fabiana Gisele da Silva Pinto 1   *  

Jessica Maronezzi Muller 2  

Laís Dayane Weber 1  

Alexandre Carvalho de Moura 3  

1Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Laboratório de Microbiologia e Biotecnologia; Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) – Cascavel (PR), Brasil

2Mercolab – Cascavel (PR), Brasil

3Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Realeza (PR), Brasil


RESUMO

O presente estudo foi conduzido para verificar o perfil de resistência de diferentes sorotipos de Salmonella spp. isolados em aviários de frango de corte frente a agentes antimicrobianos. Foram processados 342 suabes de arrasto provenientes de granjas avícolas do oeste do Paraná, no período de janeiro de 2010 a janeiro de 2011, sendo isoladas 39 amostras de Salmonella spp. Os sorotipos mais frequentes foram: S. Heidelberg, S. Mbandaka, S. Newport, S. Schwarzengrund, S. Enteritidis, S. Livingstone, S. Orion, S. Give e S. Infantis. A determinação do perfil de resistência para os 19 sorotipos de Salmonella identificados foi realizada em relação a 12 antimicrobianos comerciais. Os resultados indicam que 51% dos sorotipos de Salmonella apresentaram resistência a um ou mais antimicrobianos, com 12 diferentes padrões de resistência. O maior percentual de resistência foi verificado à tetraciclina (30,8%), e o menor à gentamicina e cloranfenicol (2,6%). Os níveis de resistência indicam que os antimicrobianos devem ser utilizados nos aviários de forma mais prudente, buscando, assim, minimizar a disseminação de cepas resistentes.

Palavras-Chave: suscetibilidade antimicrobiana; produção avícola; salmonelose aviária; frango de corte

ABSTRACT

Te present study was carried to verify the resistance profile of different Salmonella spp. serotypes isolated from a poultry broiler house against antimicrobial agents. Tree-hundred and forty two drag swabs from poultry farms in western Paraná were processed in the period from January 2010 to January 2011, and 39 Salmonella spp. Strains were isolated. The serovars were mostly: S. Heidelberg, S. Mbandaka, S. Newport, S. Schwarzengrund, S. Enteritidis, S. Livingstone, S. Orion, S. Give and S. Infantis. The determination of the resistance profile to the 19 identified Salmonella serotypes was evaluated against 12 antimicrobial commercials. The results indicate that 51% of Salmonella serotypes showed resistance to on or more antimicrobials, with 12 different resistance patterns. The highest percentage of resistance was related to tetracycline (30,8%) and the lowest one to gentamicin and chloramphenicol (2,6%). The resistance levels indicate that antimicrobials should be used on poultry farms more carefuly, thus seeking to minimize the spread of resistant strains.

Key words: antimicrobial susceptibility; poultry production; avian salmonellosis; broiler

INTRODUÇÃO

A avicultura brasileira destaca-se como uma das mais produtivas no cenário mundial, sendo o Brasil o maior exportador e o terceiro maior produtor de carnes de frango do mundo. Isso implica em atender as exigências do mercado consumidor no quesito de sanidade avícola e qualidade dos alimentos (Kottwitz et al, 2012).

O rápido crescimento da indústria avícola proporcionou uma fonte de proteína rapidamente disponibilizada e de custo reduzido, mas também aumentou a taxa de infecção das aves (Silva, 1998). Entre os patógenos veiculados na avicultura destacam-se os do gênero Salmonella (Silva; Duarte, 2002). Essas bactérias estão amplamente difundidas na natureza e são as maiores responsáveis por toxinfecções alimentares em humanos (Teixeira; Lima, 2008), além de provocarem perda de produtividade no setor avícola, devido ao aumento de mortalidade e contaminação de produtos para o consumo humano (Santos; Turnes, 2005).

No gênero Salmonella estão incluídos mais de 2.500 sorotipos, e a predominância deles varia conforme espécie, região e época. No Brasil, os sorotipos mais encontrados em aves são: Enteritidis, Typhimurium, Heidelberg, Agona e Mbandaka (Back, 2004).

Em saúde pública, as salmonelas destacam-se com grande importância pela sua ampla e variada ocorrência no homem e em animais, sendo que as aves ocupam o ponto central na epidemiologia das salmoneloses entéricas, representando um reservatório de grande importância sanitária e difícil controle (Rodrigues, 2005).

Uma opção para o controle dessa enfermidade é o uso de agentes antimicrobianos para o tratamento de doenças, bem como na produção animal, como promotores de crescimento (Oliveira et al, 2005). Porém, o uso extensivo desses produtos em animais destinados à alimentação humana é uma das prováveis causas da emergência de cepas de Salmonella resistentes (Silva; Duarte 2002), ocasionando obstáculos aos procedimentos clínicos, além de aumentar os custos do tratamento e das doenças na população humana (Lima et al., 2009).

Diversas pesquisas vêm sendo realizadas com o intuito de avaliar o perfil de resistência antimicrobiana de Salmonella spp. isoladas de aves e seus produtos frente a agentes antimicrobianos. Nesse sentido, destacam-se estudos em que foram encontrados isolados de Salmonella spp. com elevadas taxas de resistência no Brasil (Cortez et al.,2006; Cardoso et al, 2006; Ribeiro et al., 2006; Duarte et al., 2009; Souza et al, 2010), assim como na Espanha (Carramiñana et al, 2004), Lituânia (Ruzauskas et al, 2005), Estados Unidos (Alali et al, 2010) e Grécia (Sakaridis et al, 2011).

A sensibilidade de Salmonella spp. aos antimicrobianos depende do sorotipo, conforme já demonstrado por estudos que revelam diferenças signifcativas no perfil de resistência entre diferentes sorotipos de Salmonella spp. (Mürmann et al, 2008; Carramiñana et al., 2004). Todos os sorotipos de Salmonella podem ser considerados patogênicos ao homem, porém, alguns fatores de virulência parecem estar presentes em um número limitado deles. Desta forma, a sorotipagem e a avaliação do perfil de resistência antimicrobiana constituem importantes ferramentas para investigações epidemiológicas e para o estabelecimento de estratégias eficientes para o uso adequado dos antibióticos (Tessmann et al, 2008).

O objetivo deste trabalho foi avaliar a ocorrência e o perfil de resistência de sorotipos de Salmonella isolados de suabes de arrasto de aves do estado do Paraná frente à ação de antimicrobianos comerciais.

MATERIAL E MÉTODOS

No período de janeiro de 2010 a janeiro de 2011 foram processadas 342 amostras de suabes de arrasto provenientes de granjas de corte localizadas no estado do Paraná, sendo 39 dessas amostras positivas para Salmonella spp. As amostras foram isoladas utilizando o método microbiológico de acordo com a portaria n° 08, da Secretaria de Defesa Agropecuária/Ministério da Agricultura do Abastecimento e Reforma Agrária – Brasil, de 23 de janeiro de 1995 (Brasil, 1995). A sorotipagem das cepas de Salmonella spp. foi realizada no Laboratório de Enterobactérias, Departamento de Bacteriologia, Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Rio de Janeiro, Brasil.

A suscetibilidade aos antimicrobianos foi avaliada por meio da técnica de disco-difusão de Kirby-Bauer (Bauer et al, 1966), conforme recomendações do “Clinical and Laboratory Standards Institute" (Clsi, 2007). Os agentes antimicrobianos (Laborclin) testados foram: Ampicilina (10 μg), Ácido nalidíxico (30 μg), Cefalotina (30 μg), Cloranfenicol (30 μg), Ciprofloxacina (5 μg), Estreptomicina (10 μg), Gentamicina (10 μg), Imipenem (10 μg), Norfoxacina (10 μg), Tobramicina (10 μg), Tetraciclina (30 μg) e Trimetoprim-sulfametoxazol (25 μg).

Os resultados obtidos foram comparados aos da tabela padrão do documento M100-S17 (Clinical and Laboratory Standards Institute – Clsi, 2007). Foram utilizadas cepas referências do American Type Culture Collection e do Instituto Adolfo Lutz, sendo elas: ATCC Escherichia coli 25922, ATCC Salmonella Enteritidis 13076, ATCC Salmonella Typhimurium 14028, IAL Salmonella Gallinarum 1138, IAL Salmonella Pullorum 1217 e IAL Salmonella Heidelberg 1149.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Do total de 342 suabes de arrasto analisados, 39 amostras (11,4%) foram positivas para Salmonella, sendo identificados 19 diferentes sorotipos. De todas as amostras isoladas, verificou-se que o sorotipo S. Heidelberg apresentou a maior frequência, (12,82%), seguido de S. Mbandaka e S. Newport, com frequências de 10,25%, e S. Schwarzengrund, S. Enteritidis, S. Livingstone e S. Orion, com 7,70% de frequência cada (Tabela 1).

Tabela 1 perfil de resistência de sorovares de Salmonella isolados de granjas avícolas no período de Janeiro de 2010 à Janeiro de 2011 no Oeste do Paraná. 

Sorotipos testados N° de amostras % Número de sorovares resistentes aos antimicrobianos
AMP NAL CEF CLO CIP EST GEN IPM NOR TOB TET SUT
S. Heildelberg 5 12,82 2 5 2 1 1 3 1
S. Mbandaka 4 10,25 1
S. Newport 4 10,25 1 1 1
S. Shwarzengrund 3 7,70
S. Enteritidis 3 7,70 3
S. Livingstone 3 7,70
S. Orion 3 7,70 1
S. Give 2 5,12 1 1 2 1
S. Infantis 2 5,12 2 1 2 1 2 2
S. Montevideo 1 2,56
S. Agona 1 2,56
S. Cubana 1 2,56
S. Gafsa 1 2,56 1 1 1 1 1 1
S. Idikan 1 2,56 1
S. Lexington 1 2,56 1
S. Muenchen 1 2,56
S. Saintpaul 1 2,56 1 1
S. Typhimurium 1 2,56 1 1 1 1
S. Havana 1 2,56
S. Enteritidis ATCC 13076
S. Gallinarum IAL 1138
S. Heidelberg IAL 1149
S. Pullorum IAL 1217
S. Typhimurium ATCC 14028
Escherichia coli ATCC 25922
Total 39 8 11 9 1 4 1 12 5
20,5 28 23,7 2,56 10,2 2,56 30,7 12,8
100 20,5 28,2 23,1 2,6 0 10,3 2,6 0 0 0 30,8 12,8
AMP: Ampicilina; NAL: Ácido nalidíxico; CEF: Cefalotina; CLO: Cloranfenicol; CIP: Ciprofoxacina; EST: Estreptomicina; GEN: Gentamicina;
IPM: Imipenem; NOR: Norfoxacina; TOB: Tobramicina; TET: Tetraciclina; SUT: Trimetoprim-sulfametoxazol.

Quando o presente estudo é comparado a outros, realizados em diferentes Estados, observa-se predominância do sorotipo Enteritidis, na maioria deles. Andreatti Filho et al. (2009) pesquisaram amostras de produtos avícolas no estado de São Paulo e constataram que 69% dos isolados de Salmonella pertenciam ao sorotipo Enteritidis. Cortez et al. (2006) isolaram Salmonella de abatedouros de aves e encontraram maior predominância de S. Kentucky (35,4%) e S. Enteritidis (20,8%). Duarte et al. (2009) identifcaram 11 diferentes sorotipos de Salmonella, sendo o sorotipo Enteritidis o mais abundante (25%). Boni et al. (2011) verifcaram predominância dos sorotipos Typhimurium e Enteritidis (60%) do total de amostras coletadas em aviários e abatedouros de frangos de corte.

Kottwitz et al. (2010), avaliando o perfil epidemiológico de surtos de salmonelose no estado do Paraná ocorridos entre o período de 1999 e 2008, obtiveram resultados na sorotipagem de Salmonella spp. em relação aos isolados de pacientes com prevalência do sorotipo Enteritidis (83,3%), sendo que os sorotipos London, Mbandaka, Newport e Oranienburg representaram 5,8%.

Os resultados da presente pesquisa do teste de suscetibilidade aos agentes antimicrobianos demonstraram que os sorotipos de Salmonella apresentaram maior resistência à tetraciclina (30,8%) e ao ácido nalidíxico (28,2%), seguido de cefalotina (23,0%) e ampicilina (20,5%). Somente quatro antimicrobianos mostraram-se eficientes para todas as amostras, sendo eles: cloranfenicol egentamicina (com um resistente) e ciprofoxacina, norfoxacina, tobramicina e imipenem, sem resistência. Esses dados corroboram a pesquisa realizada por Duarte et al. (2009), que avaliaram a suscetibilidade de Salmonella spp. isoladas de carcaças de frango de corte e verifcaram que 31,6% das amostras foram resistentes à tetraciclina, e 21% ao ácido nalidíxico.

No presente trabalho, em relação ao ácido nalidíxico foi encontrado um padrão de resistência de 28,2%. Kottwitz et al. (2012)avaliaram o perfil de resistência de Salmonella a antimicrobianos e verifcaram que 26,3% das amostras foram resistentes a este antimicrobiano. Já Souza et al. (2010) pesquisaram a suscetibilidade antimicrobiana de 16 sorotipos de Salmonella e obtiveram 45% das amostras resistentes ao ácido nalidíxico.

Resistência à ampicilina e à cefalotina foi observada em 20,5 e 23,7% dos casos, respectivamente (Tabela 1). Corona et al. (2012) estudaram o perfil de resistência antimicrobiana em cepas de Samonella enterica isoladas de carnes de aves importadas e relataram um índice de 25% de resistência para ampicilina. Diferentemente, Cortez et al. (2006) e Santos et al. (2000) avaliaram o perfil de resistência antimicrobiana de cepas de Salmonella e encontraram um índice de resistência de 75% para cefalotina.

Os sorotipos de Salmonella analisados no presente estudo apresentaram resistência para sulfazotrim e estreptomicina, de 12,82 e 10,2%, respectivamente (Tabela 1). Duarte et al. (2009), avaliando a suscetibilidade antimicrobiana de Salmonella spp. em carcaças de frango congeladas, relataram um índice de 73,7% de resistência de sorotipos de Salmonella à estreptomicina. Já Antunes et al. (2003) estudaram a resistência antimicrobiana de Salmonella em produtos de aves e obtiveram um resultado de 39% de resistência para este antimicrobiano.

Em relação ao cloranfenicol, somente o sorotipo S. Heidelberg apresentou-se resistente. Para a gentamicina foi observada resistência somente em S. Gafsa (Tabela 1). Estes dados assemelham-se à pesquisa realizada por Ribeiro et al. (2006), que observaram 100% de suscetibilidade ao cloranfenicol nos sorotipos de Salmonellas spp. testados. Porém, foram inferiores ao resultados obtidos por Cortez et al. (2006), que encontraram 27% de resistência para cloranfenicol e 3,45% para gentamicina.

Para os demais antimicrobianos, ciprofoxacina, imipenem, norfoxacina, tobramicina, os sorotipos de Salmonella foram 100% suscetíveis. Dados semelhantes foram observados por Souza et al. (2010), sendo que todos os sorotipos de Salmonella spp. testados apresentaram-se sensíveis à ciprofoxacina, norfoxacina canamicina e enrofoxacina. Também foram semelhantes aos resultados de Ribeiro et al. (2006), com 8,8% de amostras resistentes de Salmonella Hadar à enrofoxacina, 3,8% à Ciprofloxacina e 100% de suscetibilidade à norfoxacina. Cardoso et al. (2006) encontraram resultados de 100% de suscetibilidade de Salmonella Enteritidis à Ciprofloxacina e norfoxacina, e 3,75% de resistência para enrofoxacina.

A Tabela 2 apresenta a distribuição dos padrões de resistência aos antimicrobianos dos sorotipos de Salmonella isolados de suabes de arrasto. De maneira geral, foram observados nas amostras quatro padrões de resistência única e oito padrões de multirresistência, variando de dois a seis antimicrobianos. O sorotipo Gafsa apresentou multirresistência a seis antimicrobianos, sendo eles: Tetraciclina, Estreptomicina, Cefalotina, Sulfazotrim, Gentamicina e Ampicilina. Dez sorotipos apresentaram-se suscetíveis a todos os antimicrobianos testados, sendo eles: Agona, Livingstone, Mbandaka, Muenchen, Newport, Shwarzengrund, Cubana, Havana, Orion e Montevideo.

Tabela 2 Distribuição dos padrões de resistência a antimicrobianos de sorotipos de Salmonella isolados de suabes de arrasto. 

Perfil N° de amostras Sorotipo (número de amostras)
Suscetíveis 19 S. Agona (1), S. Livingstone (3),
S. Mbandaka (3), S. Muenchen (1),
S. Newport (3), S. Shwarzengrund (3),
S. Cubana (1), S. Havana (1), S. Orion (2),
S. Montevideo (1),
NAL 5 S. Heidelberg (2), S. Enteritidis (3),
CEF 1 S. Lexington (1)
TET 3 S. Mbandaka (1), S. Give (1), S. Idikan (1)
EST 1 S. Orion (1)
CEF, AMP 1 S. Saintpaul (1)
NAL, TET, SUT 1 S. Newport (1),
NAL, TET, CEF, AMP 3 S. Typhimurium (1), S. Heidelberg (2),
TET, CEF, SUT, AMP 1 S. Give (1)
CLO, NAL, TET, EST, SUT 1 S. Heidelberg (1)
TET, EST, CEF, SUT, AMP 1 S. Infantis (1)
NAL, TET, CEF, SUT, AMP 1 S. Infantis (1)
TET, EST, CEF, SUT, GEN, AMP 1 S. Gafsa (1)
NAL: Ácido nalidíxico; CEF: Cefalotina; TET: Tetraciclina; EST: Estreptomicina; AMP: Ampicilina; SUT: Trimetoprim-sulfametoxazol; CLO: Cloranfenicol; GEN: Gentamicina.

A múltipla resistência foi observada em 25,6% das amostras testadas, sendo que 48,8% (19) foram suscetíveis a todos os agentes antimicrobianoS. Cortez et al. (2006) observaram que 24 (14%) das amostras de Salmonella isoladas de abatedouros de aves apresentaram resistência a sete antimicrobianos. Duarte et al. (2009)relataram que 6 (31,5%) das 19 amostras de Salmonella testadas foram resistentes a mais de um antimicrobiano. Corona et al. (2012) estudaram a resistência antimicrobiana de cepas de Salmonella Enteritidis isoladas de carnes de aves, e verifcaram que 6 (21,4%) das 28 amostras testadas apresentaram padrão de múltipla resistência. Tessmann et al. (2008) avaliaram o perfil de sensibilidade de Salmonella isoladas de carne suína comercializada em Pelotas (RS) a diferentes antimicrobianos e relataram que 39,1% dos isolados apresentaram-se multirresistentes.

De maneira geral, observaram-se que os sorotipos mais prevalentes foram Heildelberg, Mbandaka e Newport (Tabela 1), sendo que os sorotipos Heildelberg, Infantis e Gafsa apresentaram maior índice de múltipla resistência (Tabela 2).

O aumento da resistência antimicrobiana pode ser veiculado ao uso intensivo de antimicrobianos como promotores de crescimento na produção animal e posterior disseminação dos genes que carreiam esta resistência a outros micro-organismos (Wegener et al., 1999). A importância do uso de forma mais prudente de antimicrobianos ou da substituição dos antimicrobianos sintéticos existentes por antimicrobianos alternativos naturais, assim como o monitoramento constante de Salmonella na cadeia avícola, leva a contribuir com a saúde pública no sentido de reduzir a pressão seletiva e a evitar a emergência e a disseminação de sorotipos resistentes, mantendo o espectro de ação e a efcácia clínica desses antimicrobianos.

Os resultados obtidos apontam para a necessidade de melhora na qualidade de medidas profláticas para o controle de Salmonell a no setor avícola, e que a resistência destes micro-organismos vem se mostrando cada vez maior, o que é considerado alarmante. O uso responsável dos agentes antimicrobianos baseado na compreensão dos mecanismos de resistência bacteriana, bem como a busca por agentes antimicrobianos alternativos, constituem medidas efcazes para o controle e prevenção destes patógenos.

CONCLUSÕES

Verifcaram-seque das 39 cepas positivas de Salmonella foram identificados 19 diferentes sorotipos, sendo o sorovar predominante Heidelberg, seguido de S.Mbandaka. Em relação à suscetibilidade a agentes antimicrobianos, 51,3% das cepas testadas apresentaram resistência a um ou mais agentes. Observaram-se 100% de sensibilidade dos sorovares de Salmonella aos antimicrobianos ciprofloxascina, norfoxacina, tobramicina e imipenem. Os sorovares apresentaram maior percentual de sensibilidade (30,8%) à tetraciclina e menor à gentamicina e cloranfenicol (2,6%).

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Recebido: 09 de Maio de 2013; Aceito: 20 de Outubro de 2014

* Autor correspondente: fabiana.pinto@unioeste.br

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