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Arquivos do Instituto Biológico

Print version ISSN 0020-3653On-line version ISSN 1808-1657

Arq. Inst. Biol. vol.82  São Paulo  2015  Epub Apr 07, 2015

http://dx.doi.org/10.1590/1808-1657000072013 

Scientific Communication

Padrão físico-químico e microbiológico da água de nascentes e poços rasos de propriedades rurais da região sudoeste do Paraná

Physico-chemical and microbiological standards of water springs and shallow wells on rural properties in the southwest region of Paraná

Débora Daneluz 1  

Dinéia Tessaro 1   * 

1Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) – Dois Vizinhos (PR), Brasil

RESUMO

Este trabalho avalia a qualidade da água em propriedades rurais do município de Dois Vizinhos, Paraná, por meio de analises físico-químicas e microbiológicas. Foram analisadas 90 amostras, sendo 45 provenientes de nascentes e 45 de poços rasos, quanto aos parâmetros pH, temperatura, turbidez, coliformes totais e termotolerantes. Das 90 amostras analisadas, 23 atenderam à legislação vigente, enquanto que 67 estavam em desacordo, logo, inapropriadas para o consumo humano e animal, representando fator de risco à saúde.

Palavras-Chave: coliformes totais; coliformes termotolerantes; potabilidade de água

ABSTRACT

This study evaluates the quality of water in rural farms of Dois Vizinhos, Paraná, Brazil, by physico-chemical and microbiological analyses. A total of 90 samples were analysed, 45 from water springs and 45 from shallow wells, regarding the following parameters: pH, temperature, turbidity, total and thermotolerant coliforms. Of the 90 samples analysed, 23 met the current legislation, while 67 disagreeded with it, being unsuitable for human and animal consumption and a health risk factor.

Key words: total coliforms; thermotolerant coliforms; water potability

A qualidade da água para consumo humano é de grande importância, e suas características microbiológicas e físico-químicas definem sua aceitabilidade pois, quando contaminada, constitui fator de risco para toda a sociedade (Germano; Germano, 2001). Associado à baixa qualidade, a disponibilidade desse recurso também é preocupante, tornando-se cada vez mais reduzida a quantidade de mananciais de água em condições de vazão e qualidade compatíveis com o abastecimento da população.

Diante dessas preocupações, a água vem sendo discutida quanto ao seu uso, manutenção, quantidade e qualidade para consumo, pois encontra-se sujeita à depreciação de suas características em virtude do crescimento urbano, industrial e rural mal planejado (Silva; Ueno, 2008). A interferência nos recursos hídricos em áreas rurais é agravada por fatores como os esgotos domésticos e industriais, resíduos sólidos e fertilizantes utilizados na agricultura, podendo comprometer sua qualidade, tornando-as impróprias para consumo humano (Silva; Araújo, 2003). Sendo assim, faz-se necessário o monitoramento constante de sua qualidade, especialmente no meio rural, onde a população, em sua maioria, não é abastecida por empresas de saneamento e a água advém de sistemas alternativos de abastecimento, normalmente sem receber qualquer tipo de tratamento prévio (Pnud, 2006).

No meio rural, o risco de doenças por água contaminada é alto, devido à presença de micro-organismos patogênicos, como Escherichia coli, oriundos principalmente de fossas e pastagens (Amaral et al., 2003). Os micro-organismos mais utilizados para indicar contaminação fecal de humanos ou animais são os coliformes, cuja presença torna a água imprópria para consumo humano. Água potável, portanto, é aquela livre de E. coli ou coliformes termotolerantes, sendo recomendada sua ausência em 100 mL (Fortuna et al., 2007).

Nesse sentido, esta comunicação científica tem por objetivo avaliar a qualidade microbiológica e físico-química da água de poços rasos e nascentes de propriedades rurais do município de Dois Vizinhos, Paraná.

Em julho e agosto de 2012, na área rural do município de Dois Vizinhos, Paraná (latitude de 25°44'S, longitude de 53°04'W e altitude de 520 m), foram selecionadas fontes de água para consumo humano, sendo amostradas 45 nascentes e 45 poços rasos, totalizando 90 amostras. As amostras foram coletadas em frascos estéreis de 100 mL, seguindo os padrões que evitassem a contaminação, sendo a temperatura determinada no ato da coleta com auxílio de termômetro digital. Em seguida, as amostras foram identificadas quanto à origem, acondicionadas em caixas térmicas e levadas ao laboratório, sendo processadas e analisadas no mesmo dia da coleta.

O pH foi determinado com peagâmetro digital e a turbidez foi obtida com turbidímetro, sendo os resultados expressos em unidade nefelométricas de turbidez (UNT). Foram realizadas, ainda, análises de coliformes totais e termotolerantes utilizando a técnica de tubos múltiplos e contagem pela técnica de número mais provável (NMP). Foram também realizados testes confirmatórios para coliformes totais e termotolerantes utilizando os meios verde brilhante (VB) e Escherichia coli (EC) (Silva Júnior, 2002).

Analisando a Tabela 1, verificaram-se que, das 45 amostras de água de nascentes, apenas 7 (15,55%) apresentaram ausência de coliformes termotolerantes, enquanto que para a água de poços rasos, 19 (42,22%) atenderam aos padrões de qualidade. Logo, apenas 28,8% do total de amostras analisadas seguem o padrão ditado pela Portaria n° 518/2004 do Ministério da Saúde (Brasil, 2004), a qual define que para águas provindas de nascentes, poços e minas que não receberam nenhum tratamento antes de serem consumidas, é tolerada a presença de coliformes totais, desde que estejam ausentes os termotolerantes. Considerando os resultados obtidos nas contagens de coliformes termotolerantes, comparados com o padrão exigido, pode-se afirmar que as amostras avaliadas apresentaram baixa qualidade higiênico-sanitária.

Tabela 1 Resultados das análises microbiológicas de água de nascentes e poços rasos. 

Amostra Nascentes (NMP/100mL) Poços rasos (NMP/100mL)
CT CF E. coli CT CF E. coli
01 1,2 × 102 3,3 × 101 2,8 × 101 Ausente Ausente Ausente
02 2,9 × 101 2,5 × 101 2,5 × 101 3,1 × 101 2,0 × 101 2,0 × 101
03 1,7 × 102 1,7 × 102 1,7 × 102 4,7 × 101 4,5 × 101 4,5 × 101
04 4,4 × 101 1,7 × 101 1,7 × 101 2,9 × 102 2,8 × 102 2,8 × 102
05 1,2 × 102 7,0 × 101 6,5 × 101 2,0 × 102 1,8 × 102 1,8 × 102
06 1,5 × 101 1,5 × 101 1,3 × 101 2,2 × 101 1,8 × 101 1,8 × 101
07 4,3 × 101 4,3 × 101 4,2 × 101 Ausente Ausente Ausente
08 4,5 × 101 4,5 × 101 4,5 × 101 5,3 × 101 5,3 × 101 5,3 × 101
09 1,2 × 103 1,2 × 103 1,2 × 103 Ausente Ausente Ausente
10 1,2 × 102 6,8 × 101 6,8 × 101 7,0 × 101 7,0 × 101 7,0 × 101
1 1 1,8 × 103 1,2 × 103 1,2 × 103 2,4 × 101 2,1 × 101 2,1 × 101
12 1,2 × 102 7,0 × 101 7,0 × 101 1,7 × 102 6,1 × 101 6,1 × 101
13 Ausente Ausente Ausente 7,0 × 101 2,6 × 101 2,6 × 101
14 2,8 × 101 1,3 × 101 1,3 × 101 7,0 × 101 7,0 × 101 7,0 × 101
15 1,4 × 101 7,8 × 101 7,8 × 101 Ausente Ausente Ausente
16 Ausente Ausente Ausente 7,9 × 101 1,0 × 101 1,0 × 101
17 4,8 × 102 4,3 × 102 4,3 × 102 3,3 × 101 1,3 × 101 1,3 × 101
18 1,4 × 101 1,2 × 101 1,2 × 101 13x101 Ausente Ausente
19 3,3 × 101 1,3 × 101 1,3 × 101 Ausente Ausente Ausente
20 1,8 × 101 1,8 × 101 1,8 × 101 Ausente Ausente Ausente
21 2,0 × 10° 2,0 × 10° 2,0 × 10° 6,8 × 101 3,2 × 101 3,2 × 101
22 4,5 × 101 2,6 × 101 2,6 × 101 Ausente Ausente Ausente
23 8,0 × 10° 4,0 × 10° 4,0 × 10° 2,0 × 101 1,5 × 101 1,5 × 101
24 2,9 × 102 6,3 × 101 6,3 × 101 1,1x101 Ausente Ausente
25 1,2 × 103 7,0 × 102 7,0 × 102 3,6 × 101 3,6 × 101 3,6 × 101
26 3,7 × 101 3,6 × 101 3,6 × 101 1,7 × 101 1,5 × 101 1,5 × 101
27 5,4 × 102 2,2 × 102 2,2 × 102 Ausente Ausente Ausente
28 2,9 × 102 2,9 × 102 2,9 × 102 1,2 × 101 4,8 × 10° 4,8 × 10°
29 5,6 × 101 5,6 × 101 5,6 × 101 2,6 × 101 7,3 × 10° 7,3 × 10°
30 6,0 × 10° 6 × 10° 6,0 × 10° 3,7 × 101 Ausente Ausente
31 9,4 × 101 9,4 × 101 9,4 × 101 Ausente Ausente Ausente
32 3,2 × 101 1,9 × 101 1,9 × 101 1,2 × 103 Ausente Ausente
33 1,5 × 101 1,5 × 101 1,5 × 101 2,7 × 101 Ausente Ausente
34 Ausente Ausente Ausente > 2,3 × 103 > 2,3 × 103 > 2,3 × 103
35 Ausente Ausente Ausente 2,0 × 101 Ausente Ausente
36 7,0 × 101 3,7 × 101 3,7 × 101 1,7 × 101 Ausente Ausente
37 1,2 × 103 1,2 × 103 1,2 × 103 3,3 × 101 Ausente Ausente
38 1,2 × 103 7,0 × 102 7,0 × 102 6,0 × 101 4,2 × 101 4,2 × 101
39 2,9 × 102 6,3 × 101 6,3 × 101 1,9 × 101 1,7 × 101 1,7 × 101
40 2,9 × 102 2,9 × 102 2,9 × 102 3,7 × 101 3,7 × 101 3,7 × 101
41 5,4 × 102 2,2 × 102 2,2 × 102 Ausente Ausente Ausente
42 3,7 × 101 3,6 × 101 3,6 × 101 Ausente Ausente Ausente
43 Ausente Ausente Ausente 3,7 × 101 1,4 × 101 1,4 × 101
44 Ausente Ausente Ausente 7,0 × 101 4,4 × 101 4,4 × 101
45 Ausente Ausente Ausente 3,5 × 101 3,1 × 101 3,1 × 101

CT: coliformes totais; CF: coliformes fecais.

Esses resultados indicam que a água dos poços e nascentes podem ter sido contaminadas possivelmente com o conteúdo de fossas ou dejetos animas. O manejo inadequado dos dejetos animais ou de fossas sépticas pode levar à contaminação da água por micro-organismos de origem fecal, Escherichia coli e enterococos, que podem ser carreados do solo para fontes de água superficiais, como córregos e represas, ou sofrerem percolação, podendo atingir lençóis de água subsuperficial ou pouco profundos, causando contaminação da água, principalmente em época de alta pluviosidade (Cogger, 1988).

Em trabalho semelhante ao atual, estudo desenvolvido por Colvara et al. (2009), ao avaliar a qualidade de águas subterrâneas de poços artesianos no sul do Rio Grande do Sul, observou que 100% das amostras estavam contaminadas por coliformes totais e 70% delas apresentavam coliformes termotolerantes. Os autores ressaltaram que vários fatores podem ser responsáveis pela contaminação: falta de manutenção do reservatório; localização inadequada do poço; e falta de cuidado e higiene com a água antes do consumo.

Resultado similar é relatado por Amaral et al. (2003) em estudo desenvolvido na região nordeste do estado de São Paulo que, analisando a água para consumo humano em propriedades rurais, verificaram que aproximadamente 96% das amostras de água de poços rasos analisadas apresentavam-se impróprias para o consumo humano, representando fator de risco à saúde, tendo em vista a altas concentrações encontradas.

Em estudo realizado por Nunes et al.(2010), avaliando aspectos microbiológicos e físico-químicos de águas de poços rasos da região de Jaboticabal, São Paulo, verificaram-se que, das 35 propriedades rurais avaliadas abastecidas por poços, 42,8% apresentavam contaminação fecal decorrente da presença de Escherichia coli, com média igual a 2,1 x 102 NMP. 100 m.L−1. A Escherichia coli é um micro-organismo considerado como o mais importante indicador de poluição fecal das águas (Dawson; Sartory, 2000) e, portanto, de risco à saúde quando se consome água em que ele está presente. Desse modo, a utilização de fontes alternativas de água pela população rural a expõe a doenças de veiculação hídrica, pois não há conhecimento dessas populações sobre a falta de qualidade sanitária da água consumida sem nenhum tipo de tratamento associado à falsa ideia de que a água subterrânea seja potável, além da falta de condições sanitárias satisfatórias na zona rural (Queiroz et al., 2002).

Em relação à turbidez (Tabela 2), das 90 amostras analisadas, apenas 46 (51,10%) atendem à exigência ideal de 1,0 UTN. Outras 42 amostras (46,70%) estão dentro do limite de tolerância de 5,0 UTN, enquanto que 2 (2,20%) estão acima desse valor, considerado o máximo aceitável. Resultado semelhante foi descrito por Nunes et al. (2010), os quais verificaram que dentre as 35 propriedades rurais, 45,7% estavam fora do padrão de potabilidade quanto a esse parâmetro. É importante destacar que, para garantir a qualidade microbiológica da água, o padrão de turbidez deve ser monitorado, pois a presença de patógenos como, por exemplo, Cryptosporidium spp., tem sido associada à turbidez, de forma que, quanto maior a turbidez da água, maior a possibilidade de se encontrar o parasita (Medema et al., 1998).

Tabela 2 Análises físico-químicas de água de nascentes e poços rasos. 

Amosira Nascentes Poços rasos
pH T(°C) Turbidez pH T(°C) Turbidez
1 6,8 22,0 2,33 7,4 22,0 0,53
2 6,3 22,3 1,29 7,4 21,6 3,75
3 6,4 24,0 2,77 7,1 23,0 2,55
4 6,5 25,0 0,97 6,4 23,1 4,95
5 6,4 23,8 2,49 6,8 22,8 0,45
6 6,9 25,0 0,38 6,9 22,4 1,64
7 6,4 26,0 0,31 7,2 21,0 0,26
8 6,8 23,0 0,24 6,4 24,0 0,30
9 6,7 23,5 7,25 7,0 22,9 1,15
10 6,8 25,1 0,33 7,2 24,1 0,64
1 1 6,9 24,6 0,20 6,5 22,9 0,46
12 7,1 24,0 0,42 7,0 23,4 0,32
13 7,2 24,0 2,23 6,9 22,1 0,43
14 6,9 22,0 1,47 6,9 22,0 0,61
15 6,8 23,0 1,32 7,1 23,0 0,42
16 6,5 22,0 1,51 6,6 23,0 0,36
17 6,3 24,5 1,28 6,4 23,1 0,40
18 6,4 23,0 0,54 7,2 24,0 1,03
19 6,5 23,2 2,42 7,2 24,3 1,08
20 6,5 22,0 0,73 7,1 23,0 1,81
21 6,3 22,3 0,30 6,8 23,6 2,95
22 6,6 24,3 0,36 6,9 24,0 1,44
23 6,4 25,0 0,32 7,2 23,5 1,72
24 6,8 25,0 0,29 7,0 22,0 1,55
25 6,9 26,0 0,25 6,8 23,7 2,97
26 6,4 25,1 0,31 7,0 23,6 0,25
27 6,1 21,0 1,31 7,1 24,0 0,39
28 6,4 21,9 0,75 6,5 22,0 0,47
29 6,3 22,9 1,33 7,2 21,9 0,56
30 6,7 24,6 3,23 7,3 22,1 0,42
31 6,9 25,3 1,56 7,5 25,0 0,71
32 7,2 23,7 4,83 6,8 24,6 0,41
33 7,0 24,2 3,06 6,9 24,5 0,26
34 8,3 24,7 3,20 7,4 25,2 6,92
35 8,2 24,3 1,06 6,7 24,0 0,28
36 7,9 26,2 0,85 6,7 22,4 0,30
37 8,1 26,7 0,99 6,6 24,6 0,46
38 6,9 24,8 1,09 7,4 23,0 2,00
39 6,7 23,8 0,60 7,2 22,5 2,05
40 7,6 24,8 0,64 7,7 24,3 0,67
41 7,5 24,7 0,81 7,2 23,6 1,03
42 7,0 22,1 2,31 7,0 23,6 1,18
43 6,9 24,0 1,06 6,4 22,2 1,24
44 6,8 24,5 1,63 6,9 23,4 1,36
45 7,2 25,0 0,53 6,5 24,2 3,39

Segundo a Portaria n° 518/2004, não existem valores limites para o padrão temperatura. No entanto, essas análises foram realizadas observando-se valores entre 21 e 26,7 °C. Essa análise e o conhecimento da variação desses resultados são de grande importância, pois a temperatura influencia os processos biológicos, reações químicas e bioquímicas, bem como a solubilidade dos gases dissolvidos e sais minerais na água (Macedo, 2004).

O valor do pH é importante, pois apresenta forte relação com o crescimento bacteriano, uma vez que para a maioria das bactérias o pH ótimo para seu desenvolvimento oscila entre 6,5 e 7,5 (Soares; Maia, 1999). Segundo a Portaria n° 518/2004, recomenda-se que o pH da água para consumo humano mantenha-se na faixa de 6,0 a 9,5, sendo que nas amostras avaliadas o pH variou entre 6,1 e 8,3, atendendo, portanto, à legislação vigente. Resultados semelhantes foram descritos por Machado et al. (2012), que avaliaram os parâmetros físico-químicos da água de nascentes na cidade de Avaré no estado de São Paulo, destacando que, das 60 amostras avaliadas, todas atenderam à legislação quanto a esse parâmetro.

Diante do exposto, fica evidente que o consumo de água de poços rasos e nascentes na situação avaliada pode representar risco à saúde publica, uma vez que elevado percentual das amostras encontra-se em desacordo com a legislação vigente, não apresentando condições de potabilidade, sendo, portanto, capaz de transmitir enfermidades de veiculação hídrica.

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Received: January 17, 2013; Accepted: October 06, 2014

* Autor correspondente: dtessaro@utfpr.edu.br

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