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Arquivos do Instituto Biológico

versão impressa ISSN 0020-3653versão On-line ISSN 1808-1657

Arq. Inst. Biol. vol.83  São Paulo  2016  Epub 19-Abr-2016

http://dx.doi.org/10.1590/1808-1657000242014 

Scientific Article

Compatibilidade de isolados de Beauveria bassiana a inseticidas, herbicidas e maturadores em condições de laboratório

Compatibility of Beauveria bassiana in the laboratory for insecticides, herbicides and ripeners

André Felipe Fregonesi1 

Dinalva Alves Mochi1  * 

Antonio Carlos Monteiro1 

1Departamento de Produção Vegetal, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Universidade Estadual Paulista (Unesp) - Jaboticabal (SP), Brasil.

RESUMO:

Foram avaliadas as diferenças de toxicidade de inseticidas, herbicidas e maturadores para os isolados AM 09, JAB 07, IBCB 07 e JAB 46 de Beauveria bassiana, por intermédio de experimentos realizados em meio de cultura. Os isolados foram inoculados em meio de batata, dextrose e ágar (BDA) contendo os agroquímicos. Foram avaliados a germinação, o crescimento e a esporulação e, com base nesses parâmetros, fez-se a classificação toxicológica dos agroquímicos para cada isolado. O inseticida Actara 250 WG(r) foi considerado compatível com AM 09, moderadamente tóxico para JAB 07 e tóxico para IBCB 07 e JAB 46. O Regente WG 800(r) foi considerado compatível com todos os isolados, já o Temik 150(r) se mostrou tóxico. Quanto aos herbicidas, o produto Glifosato Nortox(r) foi considerado compatível com AM 09, moderadamente tóxico para IBCB 07 e JAB 46 e tóxico para JAB 07. Plateau(r) foi classificado como moderadamente tóxico para AM 09 e JAB 07 e tóxico para IBCB 07 e JAB 46. Contain(r), DMA(r), Karmex(r), Sencor 480(r) e Velpar-K(r) foram classificados como tóxicos para todos os isolados. Tratando-se dos maturadores, tanto Curavial K(r) quanto Moddus(r) se mostraram tóxicos para todos os isolados. Os resultados revelaram que há variação entre os isolados de B. bassiana quanto à toxicidade dos agroquímicos. AM 09 foi o mais tolerante à ação tóxica dos produtos. A germinação sofreu menor efeito do que o crescimento e a esporulação, e JAB 07 foi o isolado menos afetado pelos agroquímicos com relação a esse parâmetro.

PALAVRAS-CHAVE: agroquímicos; controle biológico; entomopatógeno; variabilidade genética; toxicidade.

ABSTRACT:

The differences in the toxicity of pesticides, herbicides and ripeners for isolates AM 09, JAB 07, IBCB 07 e JAB 46 of Beauveria bassiana were evaluated through experiments conducted in culture medium. The isolates were cultured on potato dextrose agar (PDA) containing agrochemicals. Germination, growth and sporulation were evaluated and, based on these parameters, the toxicological classification of pesticides for each isolate was made. The insecticide Actara(r) was considered compatible with AM 09, moderately toxic for JAB 07 and toxic for IBCB 07 and JAB 46. Regente WG 800(r) was considered compatible with all isolates, while Temik 150(r) showed to be toxic. In relation to the herbicides, the product Glifosato Nortox(r) was considered compatible with AM 09, moderately toxic for IBCB 07 and JAB 46 and toxic for JAB 07. Plateau(r) was classified as moderately toxic for AM 09 and JAB 07, and toxic for IBCB 07 and JAB 46. Contain(r), DMA(r), Karmex(r), Sencor 480(r) e Velpar-K(r) were classified as toxic for all isolates. In the case of ripeners, both Curavial K(r) and Moddus(r) showed to be toxic for all the isolates. The results revealed that there is variation between isolates of B. bassiana regarding the toxicity profile of agrochemicals. AM 09 was the most tolerant to the toxic action of the products. Germination suffered minor effect than growth and sporulation, and JAB 07 was the isolate less affected by agrochemicals with regard to this parameter.

KEYWORDS: pesticides; biological control; entomopathogen; genetic variability; toxicity.

INTRODUÇÃO

Dentre os micro-organismos inimigos naturais de insetos, o fungo entomopatogênico Beauveria bassiana (Bals.)Vuill.destaca-se por possuir maior potencial de uso em culturas agrícolas (Tamai et al., 2002). No Brasil, B. bassiana pode ser utilizada para o controle de diversos insetos-praga, como o ácaro rajado (Tetranychus urticae) , as cochonilhas (Dactylopius coccus ), os cupins (Coptotermes sp.), o moleque-da-bananeira (Cosmopolites sordidus ), a mosca branca (Bemisia tabaci - Faria; Magalhães, 2001), a broca da cana-de-açúcar (Diatraea saccharalis - Svedese et al., 2013), etc.

O fungo B. bassiana está presente naturalmente no ar e principalmente no solo e, além de possuir forte ação sobre pragas, seu sistema de produção e aplicação em grande escala é bastante simples (Alves; Pereira, apud Tamai et al., 2002), porém sua eficiência pode ser afetada pelo uso de agroquímicos (Alves et al., 1998).

Dessa maneira, torna-se necessária uma busca por produtos químicos mais seletivos para se utilizar em plantações, com o intuito de não diminuírem ou eliminarem as funções naturais dos entomopatógenos ou até promoverem uma associação benéfica quando utilizados de maneira concomitante, contribuindo, assim, para um controle de determinada praga mais efetivo (Cavalcanti et al., 2002).

Os fungos entomopatogênicos apresentam grande variabilidade genética, assim sendo, é possível que alguns isolados de uma mesma espécie sejam sensíveis a determinados agroquímicos, enquanto outros sejam compatíveis com eles (Tanzini et al., 2002). No entanto, esse aspecto foi pouco explorado, e novos estudos precisam ser conduzidos com o intuito de melhor investigá-lo.

O presente trabalho teve por objetivo verificar a existência de possíveis diferenças de toxicidade de alguns agroquímicos para diversos isolados do fungo Beauveria bassiana em experimentos realizados em meio de cultura.

MATERIAIS E MÉTODOS

Foram utilizados os seguintes isolados de B. bassiana (sensu lato ): AM 09, obtido de Deois incompleta (cigarrinha-das-pastagens) em Manaus (AM); JAB 07, obtido de Musca domestica na cidade de Jaboticabal (SP); IBCB 07, obtido de Anthonomus grandis (bicudo-do-algodoeiro) no município de Piracicaba (SP); e JAB 46, obtido do solo no município de Jaboticabal (SP). Os isolados forammantidos em culturas estoque na coleção do Laboratório de Microbiologia do Departamento de Produção Vegetal da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Para a utilização nos ensaios, foram cultivados em placas de Petri contendo meio de cultura composto por batata, dextrose e ágar (BDA), mantidos em estufa a 27 ± 1ºC, em ausência de luz, durante 20 dias.

Os herbicidas, inseticidas e maturadores, com diferentes ingredientes ativos, estão descritos na Tabela 1 e foram usados nos bioensaios nas doses máximas recomendadas pelos fabricantes.

Tabela 1: Descrição dos agroquímicos usados em diferentes culturas e avaliados quanto a compatibilidade com isolados de Beauveria bassiana. 

Fonte: Agrofi (2011). *Dose máxima do produto comercial recomendada pelo fabricante. **Volume médio entre os volumes máximo e mínimo recomendado pelo fabricante, com exceção de Temik 150(r) para o qual foi empregado volume de calda de 300 L.

Para a realização dos ensaios, usou-se o meio BDA contendo os agroquímicos. Calculou-se a quantidade de cada produto agroquímico necessária para obter, por mililitro de meio de cultura, a mesma concentração de ingrediente ativo usada na calda aplicada em campo. Os agroquímicos foram adicionados ao meio na temperatura entre 45 e 50ºC para evitar possíveis alterações de suas propriedades. Placas contendo o meio BDA isento de produtos foram usadas como controle. Depois de vertido o meio nas placas de Petri, foi realizada a inoculação do fungo por repicagem em ponto central por meio de agulha de platina que foi imersa em suspensão contendo 107 conídios mL-1, obtida de colônias cultivadas nas condições já especificadas. Em seguida, as placas de Petri foram armazenadas em estufa a 27 ± 1ºC, em ausência de luz, durante 15 dias.

O desempenho dos diversos isolados de B. bassiana foi avaliado por meio da germinação dos conídios, do crescimento vegetativo do fungo e da esporulação.

A germinação foi avaliada por meio de microcultivo em lâmina e exame direto ao microscópio óptico segundo metodologia descrita por Francisco et al. (2006). Para cada tratamento (agroquímico), foram realizadas três repetições (lâminas) para cada um dos isolados. A avaliação do crescimento foi realizada a cada 3 dias, do 3º ao 15º dias após a inoculação, medindo-se, em milímetros, 2 diâmetros perpendiculares da colônia previamente marcados na parte externa do fundo da placa de Petri. Cada placa correspondeu a uma repetição e, para cada agroquímico, foram feitas quatro placas.

A esporulação foi avaliada no 15º dia de incubação, coletando-se de cada placa (repetição) uma amostra do centro, uma da porção mediana e uma da periferia da colônia, por meio de um furador de rolha metálico de 8 mm de diâmetro, previamente esterilizado. Para cada tratamento, foram feitas quatro placas. Cada amostra foi transferida individualmente para tubo de ensaio com 10 mL de uma solução 1:1 de NaCl (0,089% p v-1) e Tween 80(r) (0,1% v v-1). Após a remoção dos conídios por vigorosa agitação em um agitador elétrico de tubos, foi realizada a contagem ao microscópio óptico em câmara de Neubauer, utilizando diluições da suspensão quando necessário. Com base nos valores obtidos e considerando o diâmetro médio das colônias, calculou-se a quantidade de conídios produzidos pela colônia.

O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado (DIC). Os dados foram submetidos à análise de variância pelo teste F e as médias, comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade pelo programa ESTAT(r) (1994) (Sistemas de Análises Estatísticas), versão 2.0.

Para determinação da compatibilidade, calculou-se o Índice Biológico (IB) descrito por Rossi-Zalaf et al. (2008), que permite a classificação dos produtos em classes, de acordo com o efeito observado nos parâmetros avaliados. O cálculo desse índice foi pela fórmula: IB = [47 (CV) + 43 (ESP) + 10 (GER)]/100; na qual: IB = índice biológico; CV = porcentagem de crescimento vegetativo da colônia após 15 dias, em relação à testemunha; ESP = porcentagem de esporulação após 15 dias, em relação à testemunha; e GER = porcentagem de germinação dos conídios após 15 horas, em relação à testemunha. Os valores calculados de IB foram comparados com os seguintes limites estabelecidos: 0 a 41 - tóxico (T); 42 a 66 - moderadamente tóxico (MT); > 66 - compatível (C).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O inseticida Temik 150(r) (não aparecem os resultados de aldivarbe nas tabelas) afetou todos os isolados de B. bassiana , inibindo completamente a germinação, o crescimento e a esporulação. Portanto, o valor do índice biológico foi zero, classificando o agroquímico como tóxico para todos os isolados testados. Esse resultado ratifica o obtido por Botelho; Monteiro (2011), que utilizaram o mesmo produto químico, o qual provocou a completa inibição do isolado IBCB 66 de B. bassiana , resultando na mesma classificação toxicológica.

Actara 250 WG(r) afetou o desenvolvimento dos isolados IBCB 07 e JAB 46, porém não ocorreu mudança significativa na esporulação de AM 09 e na germinação de JAB 07. Apesar de ter reduzido o crescimento vegetativo desses dois isolados, o produto foi classificado como compatível com AM 09, moderadamente tóxico para JAB 07 e tóxico para IBCB 07 e JAB 46 (Tabela 2). Em trabalho semelhante, Gassen et al. (2008) e Botelho; Monteiro (2011) classificaram Actara 250 WG(r) como compatível com o isolado IBCB 66 de B. bassiana . Segundo Carlile et al. (2001), esse tipo de variação pode ocorrer naturalmente, pois isolados obtidos de diferentes origens provavelmente adquirem, ao longo do tempo, características genéticas específicas que as distinguem dos demais isolados da mesma espécie. De acordo com os mesmos autores, a germinação é iniciada quando as condições do meio são favoráveis para o crescimento vegetativo, porém, algumas linhagens possuem a característica de germinarem em condições desfavoráveis. Sendo assim, essa é uma possível explicação para os bons resultados obtidos na germinação dos conídios do isolado JAB 07. Com isso, os isolados AM 09 e JAB 07 podem ser utilizados em uma possível estratégia de uso associado com Actara 250 WG(r) na agricultura, sendo uma alternativa com grande potencial de uso para pragas de difícil controle (Cavalcanti et al., 2002).

Tabela 2: Desempenho de isolados de Beauveria bassiana cultivados em meio contendo inseticidas nas doses recomendadas pelos fabricantes, valores do índice biológico e classificação dos produtos quanto a toxicidade ao fungo. 

Médias seguidas de mesma letra, na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey (p ≥0,05); C.V.: coeficiente de variação; **significativo a 1% de probabilidade; *significativo a 5% de probabilidade, ns: não significativo.

O produto químico Regente WG 800(r) inibiu o crescimento de todos os isolados, porém não afetou a esporulação de JAB 07 e JAB 46 (Tabela 2). Em testes de compatibilidade desse produto com B. bassiana, Batista Filho et al. (1996) também verificaram efeito desse inseticida sobre o crescimento das colônias e ausência de grandes variações na esporulação. Com referência à germinação, houve inibição em três dos isolados, porém, não houve diferença significativa na germinação de JAB 07 em relação ao controle (Tabela 2). É comum aparecerem diferenças genéticas entre isolados da mesma espécie que foram obtidos de origens distintas, apresentando diferentes respostas (Fernandes et al., 2009). Com base no afirmado por Carlile et al. (2001), é provável que o isolado JAB 07 adquiriu características que lhe permitam germinar em certas condições desfavoráveis do meio ao seu redor. O Regente WG 800(r) foi classificado como compatível com todos os isolados estudados, podendo ser utilizado na agricultura em associação com eles. Tal resultado está de acordo com o obtido por Moino Jr.; Alves (1998), que verificaram alta seletividade de Regente WG 800(r) para B. bassiana.

O herbicida DMA(r) inibiu completamente os isolados testados. Resultados de completa inibição desse produto também foram encontrados por outros autores (Andaló et al., 2004; Botelho; Monteiro, 2011); com isso os índices biológicos foram zero, classificando esse produto como tóxico para todos os isolados de B. bassiana avaliados. Andaló et al. (2004) e Botelho; Monteiro (2011) também classificaram esse produto como tóxico para B. bassiana , sugerindo, assim, a existência de grande risco ou impacto para o fungo na utilização indiscriminada desse herbicida.

Os herbicidas Karmex(r), Sencor 480(r) e Velpar-K(r) prejudicaram a germinação, o crescimento e a esporulação, resultando, para cada um desses produtos, efeitos semelhantes em todos os isolados analisados. Os índices biológicos foram muito baixos e semelhantes, não divergindo, de maneira considerável, de um para outro. Sendo assim, esses produtos foram classificados como tóxicos, não ocorrendo variação alguma entre os quatro isolados (Tabela 3). Andaló et al. (2004) encontraram os mesmos efeitos para B. bassiana utilizando Karmex(r).

Tabela 3: Desempenho de isolados de Beauveria bassiana cultivados em meio contendo herbicidas nas doses recomendadas pelos fabricantes, valores do índice biológico e classificação dos produtos quanto a toxicidade ao fungo. 

Médias seguidas de mesma letra, na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey (p≥0,05); C.V.: coeficiente de variação; **significativo a 1% de probabilidade.

Em relação ao Sencor(r), Kos; Celar (2013) também observaram efeito nocivo desse agroquímico para B. bassiana . Contudo, Botelho; Monteiro (2011) encontraram pouca diferença na germinação, no crescimento e na esporulação do isolado IBCB 66 de B. bassiana em comparação com a testemunha. Entretanto, em sua pesquisa, a dose máxima utilizada foi a metade da dose utilizada no presente trabalho, sendo esse o provável fator da diferença de resultado para o mesmo produto, já que, de acordo com Tanzini et al. (2002), a ação dos produtos químicos sobre os entomopatógenos pode variar de acordo com a dose utilizada.

O crescimento e a esporulação de todos os isolados foram significativamente afetados pelo produto Contain(r). A germinação também sofreu diminuição por causa do produto, porém, para o isolado JAB 07, não houve diferença em relação ao controle (Tabela 4). Botelho; Monteiro (2011) encontraram padrão semelhante de inibição causada por esse produto no isolado IBCB 66 de B. bassiana . O fato da germinação de JAB 07 ter sido o parâmetro menos afetado foi encontrado para outros produtos no presente trabalho e, de acordo com Carlile et al. (2001), essa variação pode ocorrer naturalmente entre isolados de mesma espécie. Apesar de resultar um produto tóxico para todos os isolados, na dose avaliada, os índices biológicos dos isolados, obtidos para o herbicida Contain(r), estão próximos do estabelecido para classificar o produto como moderadamente tóxico (Tabela 4). Com isso, é possível que esse produto possa ser aplicado na agricultura sem alterar o desenvolvimento natural de B. bassiana , já que a toxicidade de um produto in vitro nem sempre indica a sua toxicidade em campo, mas sim a possibilidade de ocorrência de efeito tóxico (Moino Jr.; Alves, 1998), pois, afinal, as condições de laboratório não refletem com rigor as condições naturais de campo (Mochi et al., 2005).

Tabela 4: Desempenho de isolados de Beauveria bassiana cultivados em meio contendo herbicidas nas doses recomendadas pelos fabricantes, valores do índice biológico e classificação dos produtos quanto a toxicidade ao fungo. 

Médias seguidas de mesma letra, na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey (p ≥0,05); C.V.: coeficiente de variação; **significativo a 1% de probabilidade; *significativo a 5% de probabilidade, ns: não significativo.

O glifosato Nortox(r) inibiu significativamente a germinação de todos os isolados, mas, para JAB 07, o efeito inibitório foi acentuadamente menor, já que 82% dos conídios germinaram. Quanto ao crescimento, o menor efeito ocorreu sobre o isolado AM 09, mas a ação inibitória foi observada para todos os isolados, que tiveram crescimento significativamente menor que no controle. A esporulação de IBCB 07 não foi significativamente afetada, mas esse fato não foi observado para os demais isolados. Os dados sugerem que o isolado IBCB 07 realizou um esforço reprodutivo na tentativa de deixar descendentes, não afetando potencialmente a produção de conídios (Moino Jr.; Alves, 1998). O herbicida mostrou-se compatível com AM 09, moderadamente tóxico para IBCB 07 e JAB 46 e tóxico para JAB 07, resultando grande variação entre os isolados (Tabela 4). De acordo com Batista Filho et al. (2001), é normal que essa diferença de efeito ocorra, pois a toxicidade de produtos químicos pode variar para os diferentes isolados devido as suas diferenças de sensibilidade.

O herbicida Plateau(r) não inibiu a germinação de JAB 07 e IBCB 07 e teve pequeno efeito nos isolados AM 09 e JAB 46 (Tabela 4). Esse resultado é de extrema importância para o Manejo Integrado de Pragas (MIP), pois a germinação dos conídios é o evento responsável pelo início do processo de penetração do entomopatógeno no hospedeiro (Alves; Lecuona, 1998). O isolado JAB 07 conseguiu novamente germinar em condições adversas do meio, revelando considerável tolerância para essa característica, ou seja, um meio adverso.

Entretanto, o produto afetou consideravelmente o crescimento e a esporulação de todos os isolados (Tabela 4). Como consequência, Plateau(r) foi considerado um produto moderadamente tóxico para AM 09 e JAB 07 e tóxico para IBCB 07 e JAB 46. Portanto, ocorreu considerável variação entre os isolados, sendo que os possíveis danos causados por esse herbicida em B. bassiana , quando aplicado na agricultura na dose avaliada, provavelmente vão depender da sensibilidade do isolado do entomopatógeno que estiver sendo utilizado (Ghini; Kimati, 2000).

O desenvolvimento de B. bassiana foi severamente afetado pelo maturador Moddus(r), que provocou a total inibição de todos os isolados, resultando índice biológico zero. Já o produto Curavial(r) também inibiu de maneira substancial o crescimento e, principalmente, a esporulação, porém, o efeito tóxico sobre a germinação de AM 09, JAB 07 e JAB 46 foi menos severo (Tabela 5). Esse é um importante aspecto a ser considerado, uma vez que a germinação do conídio inicia o processo de penetração do fungo no hospedeiro (Alves; Lecuona, 1998). Os valores do índice biológico para os isolados variaram entre 23 e 28.

As avaliações de toxicidade revelaram que tanto Moddus(r) quanto Curavial(r) foram classificados como tóxicos para todos os isolados. O único trabalho encontrado na literatura envolvendo a ação tóxica de maturadores para fungos entomopatogênicos foi o de Botelho; Monteiro (2011), que obtiveram resultado semelhante para o isolado IBCB 66 de B. bassiana .

Tabela 5: Desempenho de isolados de Beauveria bassiana cultivados em meio contendo o maturador Curavial(r) na dose recomendada pelo fabricante, valores do índice biológico e classificação do produto quanto a toxicidade ao fungo. 

Médias seguidas de mesma letra, na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey (p ≥0,05); C.V.: coeficiente de variação; **significativo a 1% de probabilidade.

CONCLUSÕES

Com base nos resultados do presente trabalho, pode-se concluir que há variação entre os isolados de B. bassiana quanto à toxicidade dos agroquímicos avaliados. O isolado AM 09 se mostrou o mais tolerante, pois apresentou os menores índices biológicos quando submetido à ação dos produtos. A germinação sofreu menor efeito tóxico do que o crescimento e a esporulação, sendo JAB 07 o isolado menos afetado em relação a esse parâmetro.

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Recebido: 11 de Março de 2014; Aceito: 09 de Dezembro de 2015

*Autor correspondente: dmochi@hotmail.com

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