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Coluna/Columna

Print version ISSN 1808-1851

Coluna/Columna vol.8 no.4 São Paulo Oct/Dec. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S1808-18512009000400002 

ARTIGO ORIGINAL ORIGINAL ARTICLE

 

Correção da cifose de Scheuermann: estudo comparativo da fixação híbrida com ganchos e parafusos versus fixação apenas com parafusos

 

Correction of Scheuermann kyphosis: comparative study of hybrid fixation using hooks and screws versus screw-only fixation

 

Corrección de la cifosis de Scheuermann: estudio comparativo de la fijación híbrida con ganchos y tornillos versus fijación solo con tornillos

 

 

Enguer Beraldo GarciaI; Sebastião Vasconcelos de SouzaII; Roberto Garcia GonçalvesIII; Ramon Teodoro SilveiraIII; Eduardo Beraldo GarciaIII; Liliane Faria GarciaIV; Juliana Faria GarciaIV

IDoutor, Professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais - FCMMG - Belo Horizonte (MG), Brasil
IIMédico Residente (R4) do Grupo de Coluna Vertebral do Serviço de Ortopedia e Traumatologia da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte - Belo Horizonte (MG), Brasil
IIIAssistente do Grupo de Coluna Vertebral do Serviço de Ortopedia e Traumatologia da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte - Belo Horizonte (MG), Brasil
IVAcadêmicas de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais - FCMMG - Belo Horizonte (MG), Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVOS: avaliar o grau de correção da cifose de Scheuermann, em 6 pacientes que se submeteram à instrumentação híbrida composta por ganchos e parafusos (H) e 17 fixados apenas com parafusos (P).
MÉTODOS: 23 pacientes, com cifose de Scheuermann, submetidos a tratamento cirúrgico por dupla via com início pela via anterior, seguido pela via posterior. Do conjunto de pacientes, 6 foram operados com fixação híbrida e 17 com uso exclusivo de parafusos pediculares. O tratamento cirúrgico foi indicado para cifose rígida, variando de 60º e 105º e portadores do sinal de Risser acima de 4.
RESULTADOS: observou-se, no Grupo H, cifose pré-operatória média de 84,17º e no pós-operatório de 47,5º. No Grupo P, a média de cifose no pré-operatório era de 80,35º e, no pós-operatório, de 33,53º.
CONCLUSÃO: concluiu-se que os dois tipos de fixação apresentaram resultados muito satisfatórios, contudo, sendo ainda superior quando fixados só com parafusos.

Descritores: Cifose/cirurgia; Coluna vertebral/patologia; Doença de Scheuermann; Dispositivos de fixação ortopédica; Parafusos ósseos; Procedimentos ortopédicos/instrumentação


ABSTRACT

OBJECTIVE: to evaluate the degree of correction of Sheuermann kyphosis, in 6 patients who were submitted to surgery using hybrid instrumentation comprised of hooks and screws (H), and 17 patients undergoing screw-only fixation (P).
METHODS: 23 patients with Scheuermann kyphosis were submitted to surgical treatment using anterior and posterior approach. In the present study, we indicated surgical treatment for rigid kyphosis, varying between 60º and 105º. All patients presented a Risser signal above 4. Liberation and Fusion were realized through anterior approach, followed by fixation, deformity correction, and arthrodesis through posterior approach.
RESULTS: in Group H, a preoperative kyphosis of 84.17º and a postoperative of 47.5º were observed. In Group P, a preoperative kyphosis of 80.35º and postoperative of 33.53º were observed.
CONCLUSION: it was concluded that both types of fixation presented very satisfactory results, with screw only fixation being superior.

Keywords: Kyphosis/surgery; Spine/pathology; Scheuermann disease; Orthopedic fixation devices; Bone screws; Orthopedic procedures/instrumentation


RESUMEN

OBJETIVO: evaluar el grado de corrección de la cifosis de Scheuermann, en seis pacientes que se sometieron a la instrumentación híbrida compuesta por ganchos y tornillos (H) y 17 fijados solamente con tornillos (P).
MÉTODOS: fueron veintitrés pacientes, con cifosis de Scheuermann, sometidos al tratamiento quirúrgico por dupla vía con inicio por la vía anterior seguido por la posterior. Del conjunto de pacientes, 6 fueron operados con fijación híbrida y 17 con uso exclusivo de tornillos pediculares. El tratamiento quirúrgico fue indicado para cifosis rígida, variando de 60º a 105º y portadores de la Señal de Risser por encima de 4.
RESULTADOS: se observó, en el Grupo H, una cifosis preoperatoria promedio de 84.17º y en el postoperatorio de 47.5º. En el Grupo P el promedio de la cifosis en el preoperatorio era de 80.35º y en el postoperatorio de 33.53º.
CONCLUSIÓN: los dos tipos de fijación presentaron resultados muy satisfactorios; no obstante, fue superior con la fijación solo con tornillos.

Descriptores: Cifosis/cirugía; Columna vertebral/patologia; Enfermedad de Scheuermann; Dispositivos de fijación ortopédica; Tornillos óseos; Procedimientos ortopédicos/instrumentación


 

 

INTRODUÇÃO

A literatura aponta a cifose por Scheuermann como uma patologia estrutural da coluna torácica ou toracolombar, que acomete 0,4 a 8,3% da população geral, sendo que existem inúmeras hipóteses diagnósticas1.

Segundo Scheuermann, a cifose resultaria da necrose avascular da apófise anular do corpo vertebral2. Schmorl3 acreditava que a hérnia do disco intravertebral, por meio da placa de crescimento, produzia cifose.

Sorensen1, em 1964, estabeleceu o critério para o diagnóstico da cifose tipo Scheuermann, com presença de acunhamento de 5º ou mais, em três vértebras adjacentes.

A correção da cifose por Scheuermann foi iniciada com o instrumental de Harrington, em 19624. Em 1978, foi introduzido o instrumental de Eduardo Luque5 e, em 1984, Yves Cotrel e Jean Dubousset propuseram a correção da cifose utilizando múltiplos ganchos6. Atualmente, sedimentou-se a ideia da fixação segmentar incluindo as três colunas por meio de parafusos transpediculares7-9.

O objetivo do presente estudo foi avaliar o grau de correção da cifose de Scheuermann em seis pacientes que se submeteram à instrumentação híbrida versus outros 18 pacientes fixados apenas com parafusos.

 

MÉTODOS

Vinte e três pacientes com cifose de Scheuermann, atendidos entre Agosto de 2002 e Dezembro de 2008 pelo Grupo de Coluna da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, foram submetidos a tratamento cirúrgico por via anterior e posterior combinadas. Os pacientes foram divididos em dois grupos: um com seis pacientes, que se submeteram à instrumentação híbrida, com ganchos e parafusos, identificado como Grupo H; e outro (Grupo P) com 17 pacientes, nos quais foi aplicada a instrumentação apenas com parafusos (Tabela 1).

No presente estudo, indicou-se o tratamento cirúrgico na cifose rígida, variando entre 60 e 105º. Todos os pacientes apresentavam sinal de Risser acima de 4.

Realizou-se a liberação e a fusão anterior e, em seguida fixação, correção da deformidade e artrodese por via posterior em todos os casos.

A técnica constou de anestesia geral, com intubação seletiva. Realizou-se o acesso anterior, com mais frequência à direita, com objetivo de mobilização vertebral e artrose anterior com fragmento de parte da costela ressecada, em cerca de quatro a seis discos.

Cerca de duas semanas entre os tempos cirúrgicos, executou-se o acesso posterior para correção da deformidade. Usou-se sistema de fixação de terceira geração, composto por parafusos transpediculares de cabeça longa, que era quebrada no final do procedimento tipo Spinecall®, hastes, clamps, sistema de bloqueio e dispositivo transverso. Associaram-se osteotomia das facetas articulares, liberação extensa e artrose posterior com enxertia óssea da própria coluna.

O pós-operatório imediato no CTI, entre 12 e 24 horas, foi seguido de internação hospitalar por dois a quatro dias, em cada procedimento. Todos os pacientes utilizaram o colete Milwaukee por quatro meses neste período.

Na avaliação estatística da cifose (pré e pós-operatório), foi utilizado o teste não-paramétrico de Wilcoxon®10.

Em relação à análise estatística dos dois tipos de fixação, usou-se o teste não-paramétrico de Mann-Whitney® para a comparação dos valores centrais entre as categorias11.

Em todos os testes estatísticos utilizados, foi considerado um nível de significância de 5%. Dessa forma, são consideradas associações estatisticamente significativas aquelas cujo valor p<0,05.

 

RESULTADOS

Integra esta pesquisa uma amostra de 23 pacientes com cifose de Scheuermann, formando dois grupos, um com 6 (26,00%) casos, denominado Grupo H, e outro com 17 (74%), Grupo P (Tabela 1, Gráfico 1).

 

 

Em relação à variável do nível da fixação, o Gráfico 2 referencia que cerca de 60,85% da amostra concentra-se nos seguintes seguimentos: 5 (21,70%) em T2/L1; 4 (17,40%) em T1/T12; 3 (13,05%) em T2/L2; 2 (8,70%) em T2/T12.

 

 

Realizaram-se as estatísticas descritivas, por grupo de tratamento, para comparar a variável "cifose pré-operatória" e "cifose pós-operatória" entre os pacientes operados. Evidenciou-se que a média da idade é semelhante e que a cifose média no pré-operatório foi igual nos dois grupos (H e P). Observou-se, também, que a cifose média no pós-operatório foi maior no contingente da instrumentação híbrida (Grupo H), bem como o desvio padrão (Tabela 2, Gráfico 3).

 

 

Avaliou-se o grau de correção da cifose de Scheuermann nos seis pacientes do Grupo H versus os 17 do Grupo P, que apresentaram melhor correção da deformidade, como demonstrado na Tabela 2, no Gráfico 3 e nas Figuras 1, 2, 3 e 4.

 

 

 

 

 

 

 

 

Observou-se que o Grupo P, fixado apenas com parafusos, apresentou maior correção da cifose.

 

DISCUSSÃO

O tratamento cirúrgico da cifose de Scheuermann apresenta divergência entre os autores. Tribus12 indica tratamento cirúrgico para curvas de 75º; já Lowe13 considera que adolescentes com curvas de 80º são candidatos à cirurgia.

No presente estudo, indicou-se tratamento cirúrgico para cifose entre 60 e 105º, com sinal de Risser acima de 4, associados à dor resistente aos tratamentos clínicos e tronco com desequilíbrio anterior.

A eficácia do procedimento cirúrgico utilizando a via combinada na doença de Scheuermann está bem documentada na literatura. Em 1975, Bradford et al.14 foram os primeiros a mencionar essa técnica. Herndon et al.15 aparecem na vanguarda ao estudarem os resultados de uma abordagem combinada, avaliando 13 pacientes submetidos às fusões anterior e posterior na doença de Scheuermann. Bradford et al.16 recomendaram uma abordagem combinada anterior e posterior para curvas de 70º.

De Jonge et al.17, em 2001, relataram uma casuística de oito pacientes com cifose por Scheuermann grave e rígida, operados por via anterior e posterior, usando instrumental de Cotrel-Dubousset. Apresentavam cifose média no pré-operatório de 86º e, no pós-operatório, de 44º. No seguimento de cinco anos, ocorreu perda média de 4,6º apontando resultados satisfatórios.

Macedo et al.18, em 2008, relataram tratamento cirúrgico da cifose de Scheuermann usando liberação e fusão anterior por toracotomia aberta seguida por instrumentação posterior, com sistema de parafuso pedicular vertebral. Mostraram numa série de 19 pacientes, com resultados eficientes.

Lim et al.9 apresentaram uma revisão de 23 pacientes com cifose de Scheuermann submetidos a tratamento cirúrgico. Utilizaram instrumentação posterior multissegmentar híbrida, com ou sem fusão anterior, que era dependente da flexibilidade da cifose. A cifose média pré-operatória era de 83º e, no pós-operatório, de 46º. Concluíram que o instrumental oferece segurança e bons resultados.

Geck et al.8, em 2007, obtiveram resultado satisfatório na abordagem de 17 casos de cifose por Scheuermann, usando acesso posterior e fixação transpedicular curta, associado a osteotomias de ponte.

Em 2006, Lee et al.7 realizaram um estudo comparativo entre um grupo de 21 pacientes com cifose torácica, devido à doença de Scheuermann, operados por via anterior e posterior e fixação transpedicular e outro grupo de 18 pacientes submetidos apenas à correção transpedicular por via posterior. Observaram bons resultados e menores complicações neste grupo.

No paciente de número 15, realizou-se apenas acesso posterior com boa correção e estabilização, o que aponta para possibilidade do uso de apenas acesso posterior nas cifoses mais flexíveis e considerando também a possibilidade de uma liberação mais acurada e até mesmo do emprego das osteotomias.

Avaliou-se o grau de correção da cifose de Scheuermann, em seis pacientes tipo H versus 17 do tipo P; estes apresentaram melhor correção da deformidade como pode ser visto na Tabela 2, Gráfico 3 e Figuras 1 a 4.

Observa-se que o Grupo P tem maior braço de alavanca, por isso proporcionou maior mobilização da coluna, resultando em maior correção da cifose.

 

CONCLUSÃO

Concluiu-se que os dois tipos de fixação apresentaram resultados satisfatórios, contudo, sendo superior, quando fixado só com parafusos.

 

REFERÊNCIAS

1. Sorensen KH. Scheuermann' juvenile kyphosis: clinical appearances, radiography, aetiology and prognosis. Copenhagen: Munksgaard; 1964.         [ Links ]

2. Scheuermann H. Kyphosis dorsalis juvenilis. Ugeskr Laeger. 1920;82:385.         [ Links ]

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4. Harrington PR. Treatment of scoliosis. Correction and internal fixation by spine instrumentation. J Bone Joint Surg Am. 1962; 44A:591-610.         [ Links ]

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6. Cotrel Y, Dubousset J. Nouvelle technique d'osteosynthèse rachidienne segmentaire par voie postérieure. Rev Chir Orthop Reparatrice Appar Mot. 1984;70(6):489-94.         [ Links ]

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Correspondência
Enguer Beraldo Garcia
Avenida Francisco Sales, 427 - Floresta
CEP: 30150-220 - Belo Horizonte (MG), Brasil
Tel: (31) 3224-0512 e (31) 3222-6262
E-mail: enguerbg@gmail.com.br

Recebido: 8/6/2009
Aprovado: 25/9/2009

 

 

Trabalho realizado pelo Grupo de Coluna Vertebral do Serviço de Ortopedia e Traumatologia da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, vinculado ao Centro de Pós-graduação da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e ao Instituto da Coluna Vertebral de Belo Horizonte - Belo Horizonte (MG), Brasil.
Não há conflitos de interesse.

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