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Coluna/Columna

Print version ISSN 1808-1851

Coluna/Columna vol.12 no.1 São Paulo  2013

http://dx.doi.org/10.1590/S1808-18512013000100008 

ARTIGO ORIGINAL ORIGINAL ARTICLE ARTÍCULO ORIGINAL

 

Tradução e adaptação transcultural para a língua portuguesa do "Swiss Spinal Stenosis Questionnaire"

 

Translation and cross-cultural adaptation to portuguese of "Swiss Spinal Stenosis Questionnaire"

 

Traducción transcultural y adaptación al portugués de "Swiss Spinal Stenosis Questionnaire"

 

 

Thiago Leonardi AzuagaI; Paulo Tadeu Maia CavaliII; Marcelo Ítalo Risso NetoII; Guilherme Rebechi ZuianiII; Wagner PasqualiniII; Ivan Guidolin VeigaII;Élcio LandimIII

IMédico Ortopedista e Traumatologista, Especializando em Cirurgia da Coluna Vertebral da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) – Campinas SP, Brasil
IIMédico Assistente do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da FCM (Unicamp) – Campinas, SP, Brasil
IIIProfessor Doutor do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da FCM (Unicamp) e Chefe do Grupo de Cirurgia de Coluna – Campinas, SP, Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Traduzir e adaptar transculturalmente para a língua portuguesa o questionário Swiss Spinal Stenosis Questionnaire.
MÉTODO: 1) tradução inicial; 2) retrotradução; 3) pré – teste; 4) teste definitivo.
RESULTADOS: Aplicamos a versão em português em 27 pacientes com estenose vertebral. Foram realizadas mudanças de termos e expressões que não foram entendidas pelos pacientes durante o pré-teste e realizada a versão final em consenso. A versão final do questionário foi aplicada com 100% de entendimento pelos pacientes.
CONCLUSÃO: Disponibiliza-se assim a versão final em português do Swiss Spinal Stenosis Questionnaire. A validação desta versão já está em desenvolvimento.

Descritores: Coluna vertebral; Estenose espinal; Tradução; Questionários.


ABSTRACT

OBJECTIVE: Translate and culturally adapt to Brazilian-Portuguese the "Swiss Spinal Stenosis Questionnaire".
METHOD: 1) initial translation; 2) back-translation; 3) pre-test; 4) final test.
RESULTS: The Brazilian- Portuguese version was administered to 27 patients with spinal stenosis. Changes were made to terms and expressions that were not understood by patients during the pre-test, and the final version was drawn up in consensus. This final version was applied again, resulting in 100% of patients understanding.
CONCLUSION: Therefore, the final version is available from the Swiss Spinal Stenosis Questionnaire in Brazilian-Portuguese. The validation of this version is already in progress.

Keywords: Spine, Spinal stenosis; Translation; Questionnaires.


RESUMEN

OBJETIVO: Traducir y adaptar culturalmente para el portugués de Brasil al "Swiss Spinal Stenosis Questionnaire".
MÉTODO: 1) traducción inicial, 2) retrotraducción, 3) pre - test y 4) teste final.
RESULTADOS: La versión en portugués de Brasil fue administrada a 27 pacientes con estenosis espinal. Se hicieron cambios a los términos y expresiones que no fueron comprendidas por los pacientes durante el pre-test y la versión final se completó en consenso. El cuestionario final fue aplicado con un 100% de comprensión de los pacientes.
CONCLUSIÓN: Por lo tanto, la versión final del cuestionario de la estenosis espinal suizo. La validación de esta versión está ya en progreso.

Descriptores: Columna vertebral; Estenosis Espinal; Traducctión; Cuestionarios.


 

 

INTRODUÇÃO

A estenose vertebral, definida como estreitamento do canal vertebral, recesso lateral ou dos forames neurais devido a hipertrofia de qualquer estrutura osteocartilaginosa e ligamentar que pode resultar em compressão neurológica ou vascular em um ou mais níveis, foi descrita por Verbiest em 19541,2.

A incidência de estenose lombar aumenta durante a quinta década de vida e varia de 1,7% a 8%3, sem predominância por sexo.

Estenose vertebral é um processo dinâmico e progressivo, pode ser melhor compreendida com as mudanças patológicas que ocorrem durante o envelhecimento. A compressão pode ocorrer em uma ou mais regiões anatômicas: central, recesso lateral, foraminal ou extra-foraminal. Como etiologia temos: congênita, adquirida ou mista4. A forma degenerativa é a mais comum, onde as alterações osteoartríticas, como diminuição da altura e protusão do disco intervertebral, espessamento do ligamento amarelo, formações osteofitárias, espondilolistese degenerativa e hipertrofia das articulações zigoapofisárias, resultam em diminuição da área do canal vertebral. Existem três formas de canal vertebral: redonda, oval e em trevo. A forma em trevo esta presente na maioria dos casos sintomáticos5.

Estenose lombar é uma causa comum de lombalgia e de dor nas pernas na população mais idosa6, existe uma dissociação entre a sintomatologia apresentada pelo paciente e os exames de imagem, ou seja, um paciente com uma estenose discreta pode apresentar uma dor importante, sendo necessário portanto o uso de questionários específicos para uma melhor avaliação quanto ao tipo de tratamento, conservador ou cirúrgico. Apesar da lombalgia ser um dos primeiros sintomas a aparecer, dor nas pernas é o sintoma mais comum, presente em 80% dos pacientes com esta patologia6.

Um grande número de questionários de qualidade de vida relacionados a saúde, foram desenvolvidos nos últimos anos, sendo instrumentos fundamentais nas análises das pesquisas científicas. Em 1996 Stucki et al.7 criaram um questionário específico para estenose vertebral, o Swiss Spinal Stenosis Questionnaire (SSS) que consiste em três subescalas: gravidade dos sintomas, função física e grau de satisfação com cirurgia. As questões referentes a gravidade dos sintomas, 1 a 7 do Anexo 1, são subdivididos em questões sobre dor (1 a 4) e sobre sintomas neuroisquêmicos (5 a 7), as questões de 8 a 12 da Anexo 1 são referentes à função física, e as questões de 13 a 18 da Anexo 1 são sobre a satisfação com procedimento cirúrgico.

Cada questão na subescala da gravidade dos sintomas (questões 1 a 7) deve receber de 1 a 5 pontos de acordo com a resposta dada e cada questão nas subescalas de função física (questões de 8 a 12) e de satisfação com a cirurgia (questões de 13 a 18) deve receber de 1 a 4 pontos também de acordo com a resposta apresentada. O resultado final do questionário é expresso como uma porcentagem do valor máximo possível e quanto maior o escore, pior o quadro clínico.

O Swiss Spinal Stenosis Questionnaire é um dos questionários mais reprodutíveis8 e considerado pela North American Spine Society (NASS) como o melhor e mais específico questionário para estenose lombar9. Para utilizar este questionário em outras culturas, os itens devem ser traduzidos e adaptados culturalmente para manter sua validade10,11. Esta adaptação cultural para uso em outro país, cultura e/ou idioma precisa de um método para a tradução e equivalência do questionário original11, para tanto utilizamos os métodos propostos por Guillemin et al12.

Este estudo tem por objetivo realizar a tradução e adaptação transcultural para a língua portuguesa com adaptação para a população brasileira do Swiss Spinal Stenosis Questionnaire, utilizado para estenose lombar.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

O método de tradução e validação transcultural para a língua portuguesa do "Swiss Spinal Stenosis Questionnaire" consistiu dos critérios descritos por Guillemin et al, descrito a seguir.

Tradução Inicial

A versão original em inglês do "Swiss Spinal Stenosis Questionnaire" foi traduzido para a língua portuguesa por dois tradutores juramentados, independentes e qualificados. Formado um comitê com cinco ortopedistas, sendo quatro especialistas em cirurgia da coluna e um especializando em cirurgia da coluna. O comitê avaliou as duas traduções realizadas, analisando cada item do questionário, para observar possíveis distorções e sua aplicabilidade à realidade dos pacientes. Após essa análise, a versão número 1 em português foi obtida.

Retrotradução

Foi realizado a tradução para o idioma original, da versão número 1, por outros dois tradutores independentes, nativos da língua inglesa, com conhecido dos dois idiomas (português e inglês) e sem conhecimento do objetivo do estudo. Essas duas traduções foram avaliadas pelo comitê, para análise de discrepâncias e divergências entre as versões. Com isto chegamos a versão número dois em português.

Pré-teste

Aplicamos a versão número 2, que manteve as características conceituais do questionário original, a fim de verificar a equivalência da versão final do questionário e avaliar erros cometidos durante a tradução do mesmo.

Vinte e sete pacientes com diagnóstico de estenose do canal vertebral, sendo vinte e dois pré-operatório e cinco submetidos a procedimento cirúrgico, foram submetidos à aplicação da versão número 2, para avaliação da compreensão do questionário.

Como todas as questões e termos foram bem compreendidos, a versão número 2 em português tornou-se a versão final do questionário traduzido.

Teste Definitivo

Reaplicamos a versão final nos mesmos pacientes selecionados.

Pacientes

Participaram deste estudo vinte e sete pacientes com estenose do canal vertebral lombar acompanhados no ambulatório de Cirurgia da Coluna do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Critérios de Inclusão

Pacientes de 50 a 80 anos, independentemente de sexo e raça, apresentando sintomas de claudicação neurogênica uni ou bilateral (definida por dor nas nádegas ou membros inferiores causadas por ortostatismo ou deambulação e melhora com repouso ou com flexão do tronco) com diagnóstico de estenose lombar por tomografia computadorizada e/ou ressonância magnética.

Aplicação do questionários

O questionário foi aplicado nos pacientes pelo coordenador do trabalho, por entrevista simples. Os itens foram lidos pelo pesquisador para os pacientes e estes deveriam responder se compreendiam e comentar o que entenderam de cada item. Com isto obtivemos uma nova versão modificada e atualizada, tornando-se esta a versão brasileira do "Swiss Spinal Stenosis Questionnaire".

 

RESULTADOS

Chegamos a versão de consenso após encontro dos tradutores juramentados e pesquisadores. Durante a fase de retrotradução, tradutores e pesquisadores avaliaram e compararam as três versões (original, consensual e retrotraduções). Foram realizadas algumas alterações gramaticais para manter equivalência entre as palavras, idiomas e adaptação transcultural.

Como houve entendimento por todos os pacientes no que diz respeito à semântica da versão de consenso, esta tornou-se a versão final para língua portuguesa do Swiss Spinal Stenosis Questionnaire com adaptação para a população brasileira.

O tempo médio de aplicação do questionário foi de 7,5 minutos, variando entre cinco e dez minutos. A versão original, traduções, retrotraduções e versão de consenso se encontra no Anexo 1.

 

DISCUSSÃO

Devido o aumento da expectativa de vida, com o envelhecimento da população e com melhores métodos diagnósticos, houve um aumento no número de pacientes diagnosticados com estenose lombar.

Claudicação neurogênica é um dos primeiros sintomas, causando dor lombar baixa, nádegas e pernas, além de parestesia e fraqueza, o que dificulta para o paciente deambular. A quantidade de cirurgias para estenose vertebral tem aumentado nas últimas décadas e tende a aumentar com o envelhecimento a população13.

O tratamento de estenose lombar pode ser indicado e avaliado por questionários que levam em conta dor, satisfação e incapacidade8, como o Swiss Spinal Stenosis Questionnaire, SF-36, Oswestry Disability Index (ODI), Roland Morris, entre outros.

O SSS, já considerado pela NASS como o melhor e mais específico questionário para estenose lombar, tem vantagem em relação aos outros. O SF-36, um dos mais utilizados para avaliação da saúde em geral e qualidade de vida, apresenta 36 questões, divididas em componentes físico e mental, não avalia déficit neurológico como o SSS (questões 5 a 7). O ODI também é um dos instrumentos mais utilizados para avaliar função espinhal, avalia dor e atividade física, porém como o SF-36 não avalia déficit neurológico.

O SSS tem a capacidade de avaliar essas variáveis que esses outros protocolos avaliam, com a vantagem de avaliar a parte neurológica, apresentar uma seção específica para avaliação pós-operatória, ser de fácil entendimento e fácil reprodutibilidade.

Estes questionários são realizados na língua inglesa e do nosso ponto de vista e de acordo com a literatura12 necessitam de adaptação para utilização em uma população de outra cultura, mantendo a equivalência semântica e não apenas literal durante o processo de tradução. Para isso adotamos o método proposto por Guillemin et al.12, após a tradução transcultural, 100% dos pacientes compreenderam os itens.

 

CONCLUSÃO

Com a elaboração da versão brasileira do Swiss Spinal Stenosis Questionnaire, temos um questionário específico para estenose lombar, traduzido e adaptado à cultura brasileira.

 

REFERÊNCIAS

1. Sirvanci M, Bhatia M, Ganiyusufoglu KA, Duran C, Tezer M, Ozturk C, et al. Degenerative lumbar spinal stenosis: correlation with Oswestry Disability Index and MR imaging. Eur Spine J. 2008;17(5):679-85.         [ Links ]

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Correspondência:
Departamento de Ortopedia e Traumatologia – Unicamp.
Rua Tessália Vieira de Camargo, 126, Cidade Universitária "Zeferino Vaz" - Barão Geraldo
Campinas, SP. Brasil. CEP 13083-887.
mrisso@me.com / thiazuaga@gmail.com

 

 

Trabalho realizado no Ambulatório de Coluna do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Campinas, São Paulo, Brasil.

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