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BBR. Brazilian Business Review

versão On-line ISSN 1808-2386

BBR, Braz. Bus. Rev. vol.17 no.3 Vitória maio/jun. 2020  Epub 03-Jul-2020

https://doi.org/10.15728/bbr.2020.17.3.6 

Artigo

Conservadorismo Contábil e Cultura Nacional

Pollyanna Gracy Wronski1 
http://orcid.org/0000-0002-4428-7010

Roberto Carlos Klann2 
http://orcid.org/0000-0002-3498-0938

1Centro de Ensino Superior de Realeza, Realeza, PR, Brasil

2Universidade Regional de Blumenau, Blumenau, SC, Brasil


RESUMO

O presente estudo teve como objetivo avaliar a influência das dimensões culturais de Hofstede (2017) no nível de conservadorismo contábil de empresas de diferentes países. Com base em dados da Thomson Reuters e uma amostra final de 54.484 observações (32 países), a análise compreendeu o período de 2010 a 2016 e fez uso do modelo de Ball e Shivakumar (2005) para mensurar o conservadorismo contábil. Quando analisada cada dimensão cultural individualmente, foi observado que empresas de países com cultura mais individualista relacionaram-se negativamente com o conservadorismo contábil, enquanto países com orientação ao longo prazo apresentaram comportamento oposto, conforme as hipóteses de pesquisa. De maneira geral, conclui-se que a cultura nacional pode impactar a qualidade das informações contábeis, influenciando para um maior ou menor grau de conservadorismo contábil. Uma das principais contribuições deste estudo é a compreensão de que fatores culturais intrínsecos dentro de cada nação podem influenciar na qualidade da informação contábil.

Palavras-chave: Conservadorismo contábil; Qualidade da Informação Contábil; Cultura Nacional; Dimensões Culturais

ABSTRACT

The following study intends to evaluate the influence of Hofstede’s cultural dimension (2017) on a corporation from several countries’ accounting conservatism scale. Based on Thomson Reuters’ data and a final sample of 54,484 observations (32 countries), the analysis was made over a period from 2010 to 2016 and was based off on Ball and Shivakumar’s work (2005) in measuring accounting conservatism. When analyzing each cultural dimension individually, it was noted that companies from countries that have an individualistic culture would engage in bad accounting conservatism, while companies with a long term orientation exhibited the opposite attitude, according to the survey’s scenario. In general, the conclusion is that the national culture can impact accounting information quality, impacting on a larger or lesser extent for accounting conservatism. One of the main contributions of this study is the comprehension that the intrinsic cultural factors of each nation can influence the quality of the accounting information.

Keywords: Accounting Conservatism; Accounting Information Quality; National Culture; Cultural Dimensions

1. INTRODUÇÃO

Este estudo analisa a influência da cultura nacional, especificamente das dimensões culturais de Hofstede (2017), no nível de conservadorismo contábil de empresas de diferentes países. Procurou-se testar empiricamente a abordagem teórica proposta por Gray (1988), de que a cultura influencia o desenvolvimento da Contabilidade, o que pode ocorrer de maneira distinta em cada país.

Pesquisas que verifiquem a diversidade cultural dos países nos negócios, empresas e na Contabilidade são apontadas como de grande importância por diversos estudos nacionais e internacionais (Gray, 1988; Weffort, 2005; Chand, 2012; Riahi & Omn, 2013; Kitching, Mashruwala & Pevzner, 2016; Rodrigues et al., 2017), pois contribuem ao identificar divergências e semelhanças na forma de realização da contabilidade nos países estudados.

Portanto, este estudo traz outra perspectiva de análise sobre a qualidade da informação contábil, cujo foco muitas vezes recai sobre os problemas de agência, ao abordar um aspecto exógeno, da cultura dos países, como capaz de influenciar os níveis de conservadorismo contábil apresentados por empresas ao redor do mundo.

O conservadorismo contábil pode influenciar a qualidade da informação contábil (QIC) ao melhorar o controle interno das organizações (Goh & Li, 2011), funcionar como um mecanismo de governança corporativa, reduzindo o comportamento oportunista dos gestores (Watts, 2003), contrabalançar o excesso de otimismo dos gestores na superestimação dos lucros, a qual é mais perigosa do que a sua subestimação em termos de penalidades em sua divulgação (Hendriksen & Van Breda, 1999), ou reduzir a discricionariedade e a subjetividade dos administradores no momento da divulgação do lucro contábil (Ball, Kothari & Robin, 2000).

Por outro lado, pode enviesar o reconhecimento dos fatos contábeis, reduzindo a QIC, pois sua prática aumenta a assimetria informacional dos contratos, elevando os custos de capital externo e favorecendo o aumento da restrição financeira das empresas que necessitam captar recursos (Hendriksen & Van Breda, 1999).

Diversos fatores podem afetar a utilização do conservadorismo contábil nas demonstrações contábeis, como a adoção de um novo padrão contábil (Santana & Klann, 2016); a concentração de votos (Sarlo Neto, Rodrigo & Almeida, 2010), pois os acordos realizados entre os acionistas impactam na diminuição do nível do conservadorismo das empresas; bem como a própria cultura, visto que a formação histórica de cada país, o nível de controle do governo, a estrutura da propriedade empresarial, juntamente com a influência cultural recebida são possíveis causas das diferentes práticas contábeis utilizadas por diferentes países (Cieslewicz, 2014).

O termo cultura equivale a um conjunto de significados e signos construídos dentro de uma sociedade, na qual os indivíduos que a ela pertencem relacionam-se entre si. Esse conjunto abrange as formas de trabalho, lazer e moradia, a linguagem, a religião, a culinária, as relações de poder, estrutura da família, sistemas sociais, entre outros (Chaui, 2008). Para Hofstede (1980), a cultura não consiste em algo que possa ser herdado, e sim adquirido por meio do ambiente social no qual o homem se insere. Pode ser construída, reconstruída e transformada mediante a necessidade do ambiente, pois não se relaciona somente com um indivíduo, mas com toda a organização na qual ele está inserido (Hofstede, 1980; 1991; 2001).

A Contabilidade influencia os ambientes sociais e culturais onde se insere, e a cultura é percebida como um elemento fundamental para a compreensão das normas e valores que regem esses ambientes (Hopwood & Miller, 1994). Desta maneira, as diferenças culturais entre os indivíduos podem afetar as relações dentro da organização, e quanto maior elas forem, mais díspares são as práticas administrativas, organizacionais e estratégicas (Ariño & De La Torre, 1998).

Conforme Gray (1988), a cultura influencia o desenvolvimento da Contabilidade nas empresas, além de impactar em suas práticas de forma distinta de país para país. A literatura, por sua vez, reconhece a influência do fator cultura na Contabilidade e não exclui os eventuais impactos que pode causar nos relatórios financeiros (Justino, Albuquerque, Quirós & Rodrigues 2017).

Desta maneira, as divergências entre os países ganham espaço como objeto de investigação, e a realização desses estudos torna-se importante porque permite a visualização dos fatores ambientais que descrevem as divergências na Contabilidade (Verma, 1998). Com base nas predições teóricas que apontam uma relação entre a cultura nacional e a Contabilidade, formulou-se então a seguinte pergunta de pesquisa: qual a influência da cultura nacional no nível de conservadorismo contábil das empresas? A fim de responder à pergunta de pesquisa, este estudo tem como objetivo geral avaliar a influência das dimensões culturais de Hofstede (2017) no nível de conservadorismo contábil de empresas de diferentes países.

De maneira geral, os resultados apontam elevada dispersão em relação ao nível de conservadorismo contábil observado nas empresas analisadas. Além disso, tais empresas são provenientes, na maior parte, de países com maior distância do poder, com uma cultura mais preocupada com valores femininos e coletivos, com maior aversão a situações de incerteza, uma cultura orientada para o longo prazo e com menor score para indulgência. Em relação à influência da cultura no conservadorismo contábil, os resultados mostram que empresas de países mais individualistas e de caráter indulgente podem apresentar práticas contábeis menos conservadoras, enquanto aquelas de países com cultura de maior orientação ao longo prazo apresentam comportamento mais conservador.

Em uma perspectiva teórica, a realização deste estudo visa contribuir com investigações sobre a QIC, buscando ampliar os limites do conhecimento a respeito dos fatores culturais que podem influenciar a existência e o nível do conservadorismo contábil em diferentes países. Este estudo lança luz para a discussão da influência das normas contábeis na qualidade da informação contábil, ao evidenciar que fatores externos às empresas, como a cultura do país, podem influenciar o nível de conservadorismo contábil nas demonstrações contábeis de empresas de diversos países.

Essa questão deve ser levada em conta por órgãos reguladores, na sua busca por maior comparabilidade das informações contábeis em âmbito internacional, bem como por analistas e investidores, ao analisar empresas de diferentes países. Os resultados deste estudo apontam que tais empresas podem apresentar níveis diferenciados de qualidade da informação contábil, ainda que ambas utilizem as normas contábeis internacionais ou os padrões contábeis norte-americanos, por exemplo.

Quanto ao avanço na literatura, os pressupostos de Gray (1988) em relação ao conservadorismo contábil e à cultura nacional já foram analisados por diversos autores (Schultz & Lopez, 2001; Doupnik & Richter, 2004; Doupnik & Riccio, 2006; Tsakumis, 2007), mas apenas na forma de experimentos e entrevistas, que avaliaram as interpretações e julgamentos de profissionais da contabilidade. Este estudo avança ao utilizar dados extraídos de demonstrações contábeis, assim como Salter e Lewis (2011), que já apresentaram o julgamento dos preparadores no momento de sua elaboração.

O diferencial deste estudo em relação ao de Salter e Lewis (2011) é que este utilizou 32 países e considerou as seis dimensões culturais de Hofstede (2017), enquanto aquele contou com 14 países e analisou apenas três dimensões culturais.

2. REFERENCIAL TEÓRICO E FUNDAMENTAÇÃO DAS HIPÓTESES DA PESQUISA

Watts (2003) afirma que a prática do conservadorismo tem sua origem no século XIX, pois os profissionais de contabilidade precisavam provisionar todas as perdas prováveis das empresas antes de realizar qualquer distribuição do seu patrimônio. No entanto, para Basu (1997), sua origem é do século XV e, mesmo ante inúmeras críticas frente ao seu uso, o conservadorismo ainda tem sido muito utilizado nas últimas três décadas (Watts, 2003).

Gray (1980) define o conservadorismo como a preferência no uso de uma abordagem cautelosa para mensuração dos eventos futuros em oposição ao mercado competitivo e otimista, como forma de prevenção dos riscos. Seu conceito de conservadorismo foi bifurcado em dois subconceitos, o conservadorismo condicional e o conservadorismo incondicional (Beaver & Ryan, 2005).

O conservadorismo condicional representa o reconhecimento enviesado das más notícias, ocorrendo mais antecipadamente do que as boas notícias (Basu, 1997; Ahmed et al., 2000; Ball et al., 2000; Ball & Shivakumar, 2005; Brown Jr, He & Teitel, 2006). Sua utilização favorece a produção de informações mais transparentes e fiéis aos investidores, sem que elas sejam otimistas em excesso (Lopes, 2002). A condição assimétrica trazida pela prática, no reconhecimento de ganhos e perdas beneficia os utilizadores das demonstrações contábeis, sendo essencial para mitigar os hábitos oportunistas dos gestores (Watts, 2003).

O conservadorismo incondicional decorre da escolha entre duas formas de mensuração e reconhecimento de eventos, sendo as duas igualmente válidas, em que se opta por aquela que resulte na menor avaliação do patrimônio. Tem em sua base a incerteza, já que afeta a continuidade das empresas em relação às futuras demandas (Hendriksen & Van Breda, 1999). Neste estudo, o foco está voltado para o conservadorismo condicional, capturado a partir do modelo de Ball e Shivakumar (2005).

O conservadorismo contábil, como característica da QIC, tem sido amplamente investigado no meio acadêmico, com pesquisadores procurando observar quais fatores são determinantes para sua utilização. Um dos primeiros que consideraram a cultura como variável impactante para a presença do conservadorismo entre países foi Gray (1988). A partir de concepções teóricas, o autor relacionou o conservadorismo com os desejos e necessidades de uma cultura, de maneira que se o país objetivar a redução de incertezas e ser menos individualista, evidenciará uma tendência maior em ser conservador.

O estudo de Gray (1988) contemplou três das quatro dimensões identificadas por Hofstede (1980) até então: a aversão à incerteza (AVER), o individualismo versus o coletivismo (IND) e a masculinidade versus feminilidade (MASC). O autor sustentou teoricamente que países com maior AVER, mais coletivistas e com valores femininos eram mais conservadores na preparação de seus demonstrativos contábeis.

Para Hofstede (1980), a dimensão de AVER relaciona-se com o nível de estresse de uma sociedade diante de um futuro desconhecido. Logo, essa dimensão não trata de um comportamento social, mas de uma busca do homem pela verdade e indica, culturalmente, até que ponto os membros de uma sociedade se encontram confortáveis ou desconfortáveis em situações diferentes e desconhecidas. Ao tratar da AVER, Gray (1988) afirma que essa dimensão é a que mais se relaciona, positivamente, com o conservadorismo contábil. Assim, a preferência pela adoção de medidas mais conservadoras frente aos lucros é consistente com um cenário de alta AVER (H1), pois uma preocupação com a prudência e a segurança conduz à adoção de abordagens cautelosas no reconhecimento de eventos futuros.

A dimensão do IND é caracterizada por Hofstede (1980) como a integração de indivíduos em grupos primários e revela o grau de integração dos indivíduos dentro de um grupo. Em uma organização individualista, seus membros possuem uma visão mais competitiva, mais assertiva, e não existem laços entre os seus componentes, cada um cuida de si e de sua família imediata. Já na visão coletivista, desde o nascimento é percebida uma integração e coesão entre os grupos na sociedade, a visão de família é mais alargada, estendendo-se a tios, tias e avós, e o sentido do coletivo não tem sentido político, referindo-se ao Estado, mas tem relação com o grupo.

O individualismo definido por Hofstede (1980) pode ser ligado ao excesso de confiança do indivíduo, ou seja, em sociedades com alto IND, mais decisões são tomadas pelo indivíduo impulsionadas por excesso de confiança (Chaui, 2008).

Gray (1988) relacionou o conservadorismo contábil à dimensão cultural do IND, observando que sociedades mais individualistas possuem menor conservadorismo contábil (H2). Tal relação negativa também foi verificada por Salter e Niswander (1995) e Salter e Lewis (2011), enquanto Sudarwan e Fogarty (1996) observaram relações positivas entre o IND e o conservadorismo contábil em estudo na Indonésia.

A dimensão MASC relaciona, conforme Hofstede (1980), a divisão de papéis emocionais entre homens e mulheres, que podem refletir visões diferentes dentro de uma sociedade. Consoante o autor, as mulheres diferem menos entre as sociedades que os homens, sendo que elas conservam valores como a modéstia e o carinho, já os homens são mais assertivos e competitivos. O polo assertivo tem sido chamado de “masculino”, enquanto o modesto e atencioso, de polo “feminino” (Hofstede, 1998).

Para Gray (1988), a MASC associa-se de forma negativa ao conservadorismo, porquanto sociedades masculinas mais competitivas buscam mais resultados, desempenho e eficiência, exercendo maior influência sobre os gestores e preparadores das demonstrações contábeis, que nesse caso tenderiam a apresentar um viés menos conservador na apuração dos resultados (H3). Alinhados aos pressupostos descritos por Gray (1988) estão os resultados encontrados por Salter e Niswander (1995) e Salter e Lewis (2011), enquanto Sudarwan e Fogarty (1996) não encontraram relação significativa entre essas variáveis.

Hofstede (1980) identifica os problemas que envolvem a desigualdade humana dentro da dimensão distância do poder (DP), a qual reflete a medida com que os membros com menor poder dentro das organizações aceitam e até mesmo esperam que o poder seja distribuído de forma desigual. Goodwin, Goodwin e Fiedler (2000) identificaram que indivíduos de países com índice elevado de DP mostraram-se menos propensos a se envolverem com a prática de gerenciamento de resultados, representando um retrato mais fiel e realista da empresa.

Almeida, Lopes e Corrar (2011) apontam que quanto maior o GR, menor será o grau de conservadorismo contábil observado. Desta maneira, supondo uma relação negativa entre o GR e uma alta DP e uma relação também negativa entre o GR e o conservadorismo contábil, supõe-se uma relação positiva entre a alta DP e a prática do conservadorismo contábil (H4).

A quinta dimensão identificada por Hofstede et al. (2008), orientação em longo prazo versus orientação em curto prazo (OLP), relaciona a escolha do foco para os esforços das pessoas: o futuro ou o presente e o passado. Para o autor, uma sociedade focada em valores culturais que se preocupa com uma OLP apresenta uma visão voltada para o futuro, poupa economicamente e apresenta valores como persistência e austeridade, diferentemente da orientação em curto prazo, cujo foco volta-se ao passado e ao presente.

Desta forma, em uma sociedade cujos valores se voltam a uma orientação em curto prazo, os resultados mais importantes são aqueles percebidos e evidenciados em curto prazo. Assim, no contexto apresentado, quanto maior a OLP de uma determinada sociedade ou país, maior será o grau de conservadorismo apresentado por ele (H5).

A sexta dimensão descrita por Hofstede, Hofstede e Minkov (2010), indulgência versus restrição (INDUL), ainda não foi escopo de estudos na literatura contábil que envolvam a prática do conservadorismo contábil. Esses autores definem essa dimensão como uma tendência de os indivíduos se permitirem desfrutar de desenhos humanos, aproveitando a vida.

Relacionando a dimensão com a prática do conservadorismo, acredita-se que sociedades mais indulgentes, mais propensas a aproveitar a vida, são menos conservadoras, pois, conforme Gray (1988), o conservadorismo se caracteriza pelo uso da prudência e da cautela, em que os contabilistas mais conservadores optam por uma contabilidade mais cautelosa, a fim de lidar com a incerteza de eventos futuros (H6).

Com base no exposto, apresenta-se na Figura 1 o comportamento esperado para o conservadorismo contábil nas empresas analisadas em relação a cada dimensão da cultura nacional dos países.

Fonte: elaboração própria

Figura 1. Conservadorismo e Cultura Nacional 

Espera-se que as dimensões de aversão à incerteza (AVER), distância do poder (DP) e orientação para o longo prazo (OLP) estejam relacionadas positivamente aos níveis de conservadorismo contábil, enquanto o individualismo (IND), a masculinidade (MASC) e a indulgência (INDUL) apresentem comportamento inverso.

No entanto, nem a literatura prévia nem este estudo analisam a interdependência dessas dimensões culturais e seu efeito sobre o conservadorismo contábil. Apesar dessa limitação, é possível pressupor que a dimensão cultural mais forte de uma determinada nação possa se sobrepor às demais em relação ao conservadorismo contábil.

Por exemplo, presume-se que um país extremamente masculino, ainda que tenha traços culturais moderados de aversão à incerteza, tenderá a um comportamento menos conservador. Por outro lado, um país com elevada distância do poder, ainda que tenha traços de individualismo, por exemplo, tenderá a um maior conservadorismo contábil. Portanto, o arranjo cultural entre as dimensões em cada nação pode ser bastante diverso, o que implica possíveis diferentes efeitos sobre o conservadorismo contábil em cada país.

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Por meio da base de dados Thomson Reuters®, a população do estudo foi composta por 8.769 empresas de capital aberto, de 32 países, com dados extraídos no período de 2010 a 2016, totalizando 61.383 observações. Foram excluídos da amostra outliers (acima de 3 desvios-padrão) e empresas com Ativo Total inferior a US$ 100 mil, conforme detalhado na Tabela 1:

Tabela 1. Empresas que compõem a amostra 

Descrição Empresas Observações % População
População 8.769 61.383 100%
(-) Exclusão outliers (acima de 3 desvios-padrão) (29) (201) 0,3%
(-) Empresas com Ativo Total < US$ 100 mil (942) (6.698) 10,9%
(=) Amostra final 7.798 54.484 88,8%
País População Amostra % % da Amostra
Observações Empresas Observações Empresas
1 EUA 1.099 157 1.095 157 99,6% 2,0%
2 Brasil 1.519 217 1.400 200 92,2% 2,6%
3 Canadá 5.068 724 1.808 259 35,7% 3,3%
4 México 546 78 546 78 100,0% 1,0%
5 Argentina 280 40 254 37 90,7% 0,5%
6 Colômbia 301 43 287 41 95,3% 0,5%
7 Chile 693 99 636 91 91,8% 1,2%
8 Peru 616 88 582 84 94,5% 1,1%
9 China 11.739 1.677 11.679 1.670 99,5% 21,4%
10 Japão 1.547 221 1.537 220 99,4% 2,8%
11 Índia 147 21 147 21 100,0% 0,3%
12 Coreia do Sul 8.806 1.258 8.790 1.257 99,8% 16,1%
13 Indonésia 1.197 171 1.136 163 94,9% 2,1%
14 Arábia Saudita 623 89 556 80 89,2% 1,0%
15 Taiwan 9.471 1.353 9.282 1.332 98,0% 17,0%
16 Tailândia 2.429 347 2.316 331 95,3% 4,2%
17 Filipinas 588 84 576 83 98,0% 1,1%
18 Cingapura 2.128 304 1.623 232 76,3% 3,0%
19 Nigéria 266 38 237 34 89,1% 0,4%
20 Egito 322 46 292 42 90,7% 0,5%
21 África do Sul 420 60 381 55 90,7% 0,7%
22 Marrocos 98 14 91 13 92,9% 0,2%
23 Alemanha 1.981 283 1.160 166 58,6% 2,1%
24 Reino Unido 896 128 888 127 99,1% 1,6%
25 França 2.268 324 1.294 185 57,1% 2,4%
26 Itália 1.008 144 851 122 84,4% 1,6%
27 Rússia 1.358 194 1.357 194 99,9% 2,5%
28 Turquia 1.127 161 1.126 161 99,9% 2,1%
29 Holanda 364 52 286 41 78,6% 0,5%
30 Suíça 686 98 592 85 86,3% 1,1%
31 Polônia 1.351 193 1.346 193 99,6% 2,5%
32 Bélgica 441 63 333 48 75,5% 0,6%
Total 61.383 8.769 54.484 7.798 88,8% 100%

Fonte: Dados da Pesquisa.

Na Tabela 2 demonstram-se os scores de cada país integrante da amostra, para cada uma das seis dimensões pesquisadas por Hofstede, os quais foram identificados em pesquisas desenvolvidas pelo autor dentro dos países, por meio de questionários aplicados.

Tabela 2. Dimensões Culturais de Hofstede - Score dos Países da Amostra 

País DP IND MASC AVER OLP INDUL
EUA 40 91 62 46 26 68
Brasil 69 38 49 76 44 59
Canadá 39 80 52 48 36 68
México 81 30 69 82 24 97
Argentina 49 46 56 86 20 62
Colômbia 67 13 64 80 13 83
Chile 63 23 28 86 31 68
Peru 64 16 42 87 25 46
China 80 20 66 30 87 24
Japão 54 46 95 92 88 42
Índia 77 48 46 40 51 26
Coreia do Sul 60 18 39 85 100 29
Indonésia 78 14 46 48 62 38
Arábia Saudita 95 35 60 80 36 52
Taiwan 58 17 45 69 93 49
Tailândia 64 20 34 64 32 45
Filipinas 94 32 64 44 27 42
Cingapura 74 20 48 8 72 46
Nigéria 80 30 60 55 13 84
Egito 70 25 45 80 7 4
África do Sul 49 65 63 49 34 63
Marrocos 70 46 53 68 14 25
Alemanha 35 67 66 65 83 40
Reino Unido 35 89 66 35 51 69
França 68 71 43 83 63 48
Itália 50 76 70 75 61 30
Rússia 93 39 36 95 81 20
Turquia 66 37 45 85 46 49
Holanda 38 80 14 53 67 68
Suíça 34 68 70 58 74 66
Polônia 68 60 64 93 38 29
Bélgica 65 75 54 94 82 57

Fonte: Hofstede (2017).

Medida de 0 a 100, uma pontuação elevada na dimensão DP, indica o quanto esse país aceita a distância entre os membros de uma sociedade/organização, e os indivíduos esperam que os membros mais poderosos lhes sirvam de guias em seu trabalho. Para essa dimensão, o país que recebeu maior pontuação foi a Arábia Saudita (95); já a Suíça apresentou menor score.

A Coreia do Sul foi o país que apresentou maior pontuação (100) na dimensão OLP. Na verdade, precisa-se destacar que o país atingiu a pontuação máxima na escala de Hofstede e, segundo o autor, isso se dá em função de a Coreia ser uma das sociedades mais de longo prazo e pragmáticas do mundo.

Os scores para a dimensão INDUL também apresentaram divergências importantes, e o país com maior pontuação, que indica a disposição ‘aproveitar a vida’, foi o México (97), enquanto a menor pontuação foi identificada no Egito (4). A pontuação verificada no México indica uma tendência cultural do país definitiva para a indulgência, mostra uma vontade de realizar seus impulsos, apresentando atitude positiva e tendência ao otimismo.

Para a mensuração do conservadorismo condicional, foi utilizado o modelo de Ball e Shivakumar (2005), que mede a assimetria de reconhecimento entre ganhos (boas notícias) e perdas (más notícias). A partir dele, o conservadorismo é avaliado em função da ocorrência de reversão dos resultados contábeis, o que possibilita a identificação de componentes transitórios dos ganhos ou perdas. Nesse contexto, verifica-se que a menor frequência de reconhecimento de perda oportuna está associada à menor qualidade das demonstrações contábeis.

ΔNIit= α0 + α1DΔNIit-1+ α2ΔNIit-1+ α3DΔNIit-1 × ΔNIit-1+ ɛt (1)

Em que:

ΔNI it : variação no lucro operacional contábil da empresa i do ano t-1 para o t ponderada pelo valor do ativo total no início do ano t;

ΔNI it-1 : variação no lucro operacional contábil da empresa i do ano t-2 para o t-1 ponderada pelo valor do ativo total no início do ano t-1;

NI it-1 : variável dummy assumindo valor 1 se ΔNIit-1<0, e 0 nos demais casos;

ɛ t : erro da regressão.

Inicialmente, a equação 1 foi rodada para cada país, separadamente, a fim de identificar o conservadorismo presente na amostra. Conforme o modelo, testado para cada país, o adiamento no reconhecimento dos ganhos econômicos para quando houver fluxo de caixa permite que os ganhos sejam reconhecidos como um componente persistente do lucro contábil, que tem tendência a não ser revertido e que implica α2 ser igual a zero. No entanto, quando os ganhos são reconhecidos de forma oportuna, passam a ser vistos como um fator de aumento no componente transitório do lucro, com tendência a serem revertidos em períodos seguintes, o que é percebido por meio de α2<0.

Por sua vez, o reconhecimento das perdas é visualizado como diminuições transitórias do resultado, onde α2 + α3 < 0, e se as perdas forem reconhecidas de forma mais oportuna que os ganhos, considerada como proxy do conservadorismo contábil condicional, então α3< 0 (Ball & Shivakumar, 2005). Para melhor visualização dos dados, a variável dependente foi invertida, assim, nesse contexto, α3 > 0 indica prática contábil conservadora.

Para mensurar o efeito da cultura nacional no conservadorismo contábil, o modelo de Ball e Shivakumar (2005) foi ajustado pelas variáveis de cultura nacional, representadas na Equação 2 pela sigla CULT, que representa o score de cada dimensão obtido pelo país na pesquisa de Hofstede.

ΔNIit = α0 + α1 DΔNIit-1 + α2ΔNIit-1+ α3 DΔNIit-1 × ΔNIit-1+ α4CULTit + α5CULTit × DΔNIit-1 + α6CULTit × ΔNIit-1 + α7CULTit × DΔNIit-1 × ΔNIit-1+ ɛit (2)

A equação 2, que abrange cada uma das seis dimensões culturais do modelo de Hofstede, foi testada separadamente para cada dimensão, utilizando observações no período de 2010 a 2016. Nessa equação, as variáveis de interesse são α6 e α7. A identificação do reconhecimento oportuno de perdas econômicas relacionadas a cada dimensão cultural implica que estas são reconhecidas com diminuição dos lucros transitórios verificado em α6+ α7<0. A hipótese da existência do conservadorismo relacionado a cada uma das dimensões culturais testadas, que indica que as perdas econômicas são reconhecidas mais rapidamente do que os ganhos, resulta em α7<0. Assim sendo, α6 refere-se ao reconhecimento antecipado dos ganhos, e α7 à relação entre o conservadorismo contábil e a dimensão cultural pesquisada.

Como variáveis de controle foram utilizadas IFRS (1 para empresas adotantes e zero caso contrário) e tamanho (log do Ativo Total). A adoção das IFRS pelos países pode influenciar o nível de conservadorismo contábil das empresas, portanto, seria prudente, ao comparar tais níveis entre as empresas da amostra, considerar um possível efeito das IFRS. Quanto ao tamanho, trata-se de uma variável de controle comum nos estudos sobre conservadorismo contábil.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1. Estatística descritiva

Apresenta-se inicialmente a estatística descritiva das variáveis Lucro Operacional Líquido (NI) e Ativo Total (AT), utilizadas no modelo de Ball e Shivakumar (2005), além das variáveis de cultura nacional, representadas pelas dimensões culturais de Hofstede: distância do poder (DP), individualismo versus coletivismo (IND), masculinidade versus feminilidade (MASC), aversão à incerteza (AVER), orientação em longo prazo versus orientação em curto prazo (OLP) e indulgência versus restrição (INDUL), conforme a Tabela 3:

Tabela 3. Estatística descritiva das variáveis do estudo 

Variável Observações Média Desvio Padrão Mínimo Máximo
NI (em milhões $) 54.484 459 17.074 -45.560 1.651.000
AT (em milhões $) 54.484 5.544 190.363 0,0001 17.050.000
ΔNIit 54.484 0,1384 0,1741 -7,7243 7,3173
DΔNIit-1 - α1 (dummy) 54.484 0,4353 - 0 1
ΔNIit-1 - α2 54.484 0,123 0,4121 -50,3689 45,0253
DΔNIit-1*ΔNIit-1 - α3 54.484 0,0081 0,0901 -2,1178 5,7973
DP 54.484 64,8577 17,2174 34 95
IND 54.484 31,8028 22,1399 13 91
MASC 54.484 52,5225 14,0807 14 95
AVER 54.484 62,0197 23,936 8 95
OLP 54.484 73,5542 25,9956 7 100
INDUL 54.484 40,7075 16,1610 4 97

Legenda: NI: Lucro operacional líquido; AT: Ativo total; ΔNIit: variação no lucro líquido contábil da empresa i do ano t-1 para o t ponderada pelo valor do ativo total no início do ano t;DΔNIit-1: dummy para a variação do lucro líquido contábil da empresa i do ano t-1 para o ano t, se indicar variação negativa, assume valor 1 se ΔNIit<0, e 0 nos demais casos;: variação no lucro líquido contábil da empresa i do ano t-2 para o t-1 ponderada pelo valor do ativo total no início do ano t-1.

Fonte: Dados da Pesquisa.

Observa-se uma variação positiva do lucro líquido (ΔNIit) no período analisado, e isso em linhas gerais indica que a lucratividade das empresas vem melhorando no período, mesmo com uma presente discrepância entre as empresas (desvio-padrão superior à média). As variáveis Lucro Operacional Líquido (NI) e Ativo Total (AT) foram utilizadas para calcular a ΔNIit e demonstram elevada dispersão, o que é compreensível em função de os dados serem provenientes de empresas de 32 países e de nove setores distintos.

A variável DΔNIit-1 indica que em torno de 44% das empresas pesquisadas apresentam variação negativa no lucro relatado, o que está em linha com a média positiva encontrada para a variação do lucro (ΔNIit), pois a maioria das empresas (56%) apurou variação positiva em seus resultados no período analisado.

A variável (DΔNIit-1*ΔNIit-1) designa o grau de conservadorismo adotado pelas empresas analisadas, observado por meio do coeficiente α3 do modelo de conservadorismo de Ball e Shivakumar (2005). A média da variável conservadorismo foi de 0,0081, com desvio-padrão elevado em relação à média, indicando elevada dispersão dos dados dessa variável.

Os scores das dimensões culturais de Hofstede apresentam menor discrepância e, com base na média das variáveis de cultura, infere-se que as empresas analisadas são provenientes na maior parte de países com maior DP, com uma cultura mais preocupada com valores femininos e coletivos, com maior aversão a situações de incerteza, revelam uma preocupação maior com o futuro, com uma cultura orientada para o longo prazo e com menos aptidão para aproveitar a vida (menor score para indulgência).

Foram realizados testes de correlação de Pearson e Spearman, conforme apresenta a Tabela 4:

Tabela 4. Análise de Correlação de Pearson (abaixo da diagonal) e de Spearman (acima da diagonal) 

NI AT ΔNIit α1 α2 α3 DP IND MASC AVER OLP INDUL
NI 1 0,580 0,249 -0,217 0,125 0,057 -0,003 0,030 -0,155 0,254 0,036 -0,0497
AT 0,884 1 -0,038 0,026 -0,036 -0,013 -0,028 -0,008 -0,303 0,431 0,144 -0,1072
ΔNIit -0,000 -0,003 1 -0,854 -0,089 -0,136 0,010 0,009 0,037 -0,032 -0,016 -0,002
a1 -0,001 0,006 -0,327 1 0,047 0,141 -0,016 -0,024 -0,047 0,040 0,028 0,0064
a2 -0,001 -0,001 0,048 0,014 1 0,604 0,026 -0,012 0,037 -0,044 0,004 -0,0199
a3 -0,003 -0,004 -0,198 0,103 0,218 1 -0,012 -0,019 -0,009 0,003 0,012 0,0136
DP 0,047 0,049 -0,000 -0,007 0,011 -0,008 1 0,003 0,159 -0,283 -0,183 -0,6209
IND 0,013 0,014 -0,015 -0,008 -0,019 -0,004 -0,524 1 0,406 -0,054 -0,647 0,1072
MASC -0,028 -0,03 0,011 -0,042 0,002 -0,004 0,099 0,28 1 -0,524 -0,256 -0,1381
AVER 0,033 0,036 -0,014 0,036 -0,009 -0,001 -0,282 0,070 -0,293 1 0,201 0,1684
OLP 0,004 0,004 0,008 0,013 0,011 -0,005 0,065 -0,493 -0,038 -0,014 1 -0,3208
INDUL -0,029 -0,031 0,006 -0,006 -0,011 0,009 0,511 0,439 -0,080 0,129 -0,546 1

Obs.: valores em negrito significativos a 95%.

Fonte: Dados da Pesquisa.

O maior coeficiente de correlação de Pearson entre as dimensões culturais foi observado entre as variáveis DP e IND (-0,5239) e DP e INDUL (0,511). A correlação encontrada, abaixo de 0,6, pode ser considerada fraca, indica que culturas mais individualistas aceitam menos a concentração de poder, enquanto culturas que aceitam tal concentração estão alinhadas com questões de aproveitar a vida (indulgência).

Para a correlação de Spearman, os coeficientes mais expressivos foram identificados entre as variáveis OLP e IND (-0,6471) e INDUL e DP (-0,6209), ambas consideradas moderadas. Indicam que culturas mais individualistas têm visão mais para o curto prazo, bem como culturas mais indulgentes não aceitariam a concentração de poder.

4.2. Identificação do nível do conservadorismo contábil nas empresas

Antes da identificação do nível de conservadorismo contábil foram realizados testes de pressupostos dos modelos de regressão, como o de multicolinearidade (Variance Inflation Factors- VIF) e de heteroscedasticidade (Teste de Wald Modificado). O primeiro foi atendido, com fatores variando de 1,01 a 1,06. O segundo apontou problema de heteroscedasticidade, corrigido com regressão por erros robustos. Todas as regressões (OLS) foram realizadas controlando-se os efeitos fixos de indústria (setor), país e ano. Os resultados encontram-se na Tabela 5.

Tabela 5. Resultados do modelo original de conservadorismo contábil e com adição de variáveis de controle tamanho da empresa e adoção das IFRS 

Variáveis Sinal Esperado Modelo 1 Modelo 2 Modelo 3
DΔNIit-1 +/- -0.025*** -0.048*** -0.029***
(0.003) (0.009) (0.003)
ΔNIit-1 + -0.095*** -0.351*** -0.150***
(0.034) (0.116) (0.013)
DΔNIit-1*ΔNIit-1 + 0.140*** 0.294** 0.162***
(0.045) (0.123) (0.016)
CONTR +/- 0.000 -0.023***
(0.000) (0.004)
CONTR * DΔNIit-1 +/- 0.003*** 0.015***
(0.001) (0.005)
CONTR * ΔNIit-1 + 0.029** 0.114***
(0.014) (0.038)
CONTR * DΔNIit-1*ΔNIit-1 + -0.015 0.081
(0.015) (0.062)
Constante +/- -0.007 -0.034** -0.008
(0.005) (0.013) (0.005)
Observações 54,484 54,484 54,484
R2 0.042 0.067 0.066
FE setor-país-ano Sim Sim Sim

Robust standard errors in parentheses; *** p<0.01, ** p<0.05, * p<0.1

Modelo 1: Original; Modelo 2: com variável de controle Tamanho da empresa; Modelo 3: com variável de controle IFRS.

Legenda :ΔNIit: variação no lucro líquido contábil da empresa i do ano t-1 para o t ponderada pelo valor do ativo total no início do ano t;DΔNIit-1:dummy para a variação do lucro líquido contábil da empresa i do ano t-1 para o ano t, se indicar variação negativa, assume valor 1 se ΔNIit<0, e 0 nos demais casos; ΔNIit-1: variação no lucro líquido contábil da empresa i do ano t-2 para o t-1 ponderada pelo valor do ativo total no início do ano t-1. CONTR: variável de controle Tamanho (Ativo Total - AT) e IFRS.

Fonte: Dados da pesquisa.

Conforme apresentado na Tabela 5, constata-se que há uma tendência das empresas que compuseram a amostra a reconhecerem mais oportunamente as perdas econômicas do que os ganhos. Tal tendência é verificada em função da diminuição transitória dos ganhos através do coeficiente α3 (0,140), e ressalta-se ainda a significância dos coeficientes α2 e α3, o que possibilita a confirmação estatística do comportamento conservador das empresas analisadas.

Para aprofundar a análise do conservadorismo contábil das empresas, foi inserido no modelo proposto por Ball e Shivakumar (2005) o tamanho da empresa (log AT) e a adoção das IFRS como variáveis de controle. Nos dois casos, os resultados em relação ao conservadorismo (α3) são consistentes com o modelo original, com relação positiva e significativa, embora o α7 não tenha se mostrado significativo, não sendo possível inferir sobre a influência do tamanho e da adoção das IFRS no nível de conservadorismo das empresas da amostra.

4.3. Análise da relação entre as dimensões da cultura nacional e o conservadorismo contábil

De maneira geral, segundo Salter e Lewis (2011), a presença do conservadorismo contábil pode ser relacionada a diferenças entre países, sendo que estas podem ser provenientes de valores culturais. O estudo de Salter e Lewis (2011) corrobora os pressupostos de Gray (1988) e Doupnik e Tsakumis (2004), que apresentam que a cultura se relaciona com aplicação mais conservadora de regras contábeis nas demonstrações contábeis.

Dessa forma, uma análise individual da influência de cada uma das dimensões culturais descritas por Hofstede (2017) é apresentada na Tabela 6.

Tabela 6. Resultados da relação entre conservadorismo contábil e as dimensões culturais 

Variáveis Modelo 1 Modelo 2 Modelo 3 Modelo 4 Modelo 5 Modelo 6
DΔNIit-1 -0.013* -0.026*** -0.050*** -0.057*** -0.044*** 0.001
(0.007) (0.005) (0.012) (0.010) (0.006) (0.007)
ΔNIit-1 -0.116 -0.182*** -0.226*** -0.224*** -0.154*** -0.074
(0.075) (0.050) (0.054) (0.103) (0.055) (0.053)
DΔNIit-1*ΔNIit-1 0.127 0.247*** 0.311 0.173 0.035 0.463***
(0.117) (0.079) (0.215) (0.137) (0.084) (0.141)
CULT 0.000 0.000 0.001 -0.001*** 0.000*** 0.001**
(0.000) (0.000) (0.001) (0.000) (0.000) (0.000)
CULT *DΔNIit-1 0.000* 0.000 0.001** 0.001*** 0.000*** 0.000***
(0.000) (0.000) (0.000) (0.000) (0.000) (0.000)
CULT *ΔNIit-1 0.000 0.004** 0.003*** 0.002 0.001 0.000
(0.001) (0.002) (0.001) (0.001) (0.001) (0.001)
CULT *DΔNIit-1*ΔNIit-1 0.000 -0.004** -0.004 0.000 0.004** -0.005**
(0.002) (0.002) (0.004) (0.002) (0.002) (0.002)
Constante -0.003 -0.044 -0.060 0.028** 0.006 -0.075**
(0.010) (0.028) (0.037) (0.014) (0.008) (0.029)
Observações 54,484 54,484 54,484 54,484 54,484 54,484
R2 0.042 0.048 0.049 0.045 0.060 0.055
FE setor-país-ano Sim Sim Sim Sim Sim Sim

Robust standard errors in parentheses; *** p<0.01, ** p<0.05, * p<0.1

Legenda: CULT: dimensões culturais; AVER: score da dimensão cultural aversão à incerteza (Mod. 1); IND: individualismo versus coletivismo (Mod. 2); MASC: score da dimensão cultural masculinidade versus feminilidade (Mod. 3); DP: score da dimensão cultura distância do poder (Mod. 4); OLP: score da dimensão cultural orientação em longo prazo versus orientação em curto prazo (Mod. 5); INDUL: score da dimensão cultural indulgência versus restrição (Mod. 6).

Fonte: Dados da pesquisa.

Os resultados evidenciam a existência de uma relação positiva entre a AVER e o conservadorismo contábil, no entanto não permitem afirmar que a AVER pode influenciá-lo, pois α7 não apresenta significância. O mesmo acontece com o coeficiente α6, que trata do reconhecimento antecipado dos ganhos, de maneira que este também não se mostrou significativo.

Esse resultado vai de encontro ao proposto por Gray (1988), o qual aponta que o conservadorismo contábil pode ser veiculado à AVER, pois a preferência por uma contabilidade mais conservadora na medição dos lucros é coerente com a forte AVER, devido a uma preocupação com a segurança e necessidade de adoção de uma postura cautelosa ao lidar com a incerteza em eventos futuros.

Em relação à H1, que pressupunha uma relação positiva entre a dimensão cultural AVER e a prática do conservadorismo contábil, os resultados permitiram rejeitar a hipótese. Tal resultado é contrário ao observado por Salter e Niswander (1995), Sudarwan e Fogarty (1996), Schultz e Lopez (2001) e Lima et al. (2016). No entanto, cabe destacar que essas pesquisas se basearam, geralmente, na opinião de auditores e contadores, ao invés de trabalhar com dados sobre conservadorismo diretamente.

Ao verificar os resultados da relação entre o conservadorismo e a dimensão IND, o coeficiente α7 (-0,0038) indica uma relação negativa entre as variáveis com significância de 5%, o que permite inferir que quanto menos individualistas são as empresas componentes da amostra, maior é o nível de conservadorismo contábil observado.

Os resultados do estudo vão ao encontro dos achados de Gray (1988), que afirma que empresas presentes em países menos individualistas apresentam maior conservadorismo contábil. Por outro lado, esses resultados são contrários aos achados da pesquisa de Salter e Lewis (2011), que confirmou uma forte relação positiva entre valores societários de IND e o conservadorismo incondicional, diferentemente do observado no estudo realizado. No entanto, cabe destacar que neste estudo foi abordado o conservadorismo condicional, diferentemente do estudo de Salter e Lewis (2011), o que pode justificar os resultados contraditórios encontrados.

Quanto à H2, que previa uma relação negativa entre o IND e o conservadorismo contábil, os resultados não permitem rejeitar a H2, o que vai ao encontro dos estudos de Doupnik e Tsakumis (2004) e Salter e Lewis (2011), bem como o sustentado por Gray (1988). No entanto, quando excluídas as empresas chinesas, da Coreia do Sul e de Taiwan, a relação passa a ser positiva, indicando que empresas de países mais individualistas seriam mais conservadoras, e isso vai contra a predição teórica. Esse resultado também foi encontrado por Sudarwan e Fogarty (1996) com empresas da Indonésia, um país com baixo índice de IND em um ambiente de mudança de padrões contábeis.

Para a MASC, os resultados da Tabela 6 indicam uma relação negativa entre o conservadorismo contábil e empresas de países com características culturais mais masculinas (α7 = -0,0036), todavia, sem significância estatística. O coeficiente α6 (-0,003), significativo a 1%, permite identificar uma relação negativa entre a MASC e o reconhecimento antecipado dos ganhos, o que pode ser explicado pela própria limitação imposta muitas vezes pelas normas contábeis para tal.

Segundo as proposições de Gray (1988), a MASC apresenta uma relação negativa com o conservadorismo, pois empresas de países culturalmente mais masculinos apresentam-se mais competitivas e buscam mais por resultados, desempenho, o que implica uma maior influência sobre os gestores e preparadores das demonstrações contábeis, o que, no contexto, resultaria em uma tendência de apresentar um viés menos conservador na demonstração de seus resultados. No entanto, tal relação não pode ser confirmada no presente estudo.

A relação negativa entre a MASC e o conservadorismo prevista na H3 foi rejeitada, devido ao coeficiente não se apresentar significativo, com exceção do modelo em que a variável MASC foi capturada por meio de uma dummy (> 50 = 1). Tal resultado contraria as proposições de Gray (1988) e os achados de Salter e Niswander (1995), os quais apontam que sociedades mais femininas são mais conservadoras.

Para a relação entre o conservadorismo e a DP era esperada uma relação positiva, de maneira que, quanto maior o conservadorismo contábil apresentado pelas empresas componentes da amostra, maior seria o nível de DP observado.

Ao relacionar o conservadorismo com a DP, por meio da análise do coeficiente α7 (Tabela 6), não é possível confirmar a relação esperada, em razão da não significância estatística do resultado e do sinal contrário apresentado pelo coeficiente. O mesmo acontece ao analisar o coeficiente α6, que se apresenta positivo, confirmando a relação esperada, no entanto sem significância estatística.

Para a DP esperava-se uma relação positiva com o conservadorismo contábil, descrita na H4.Contudo, os resultados do estudo levaram à rejeição da hipótese, em função da inexistência de significância estatística entre as variáveis, bem como do sinal contrário do coeficiente. Esse resultado vai de encontro ao estudo de Sudarwan e Fogarty (1996), realizado na Indonésia, país que possui um alto score para a DP (78); bem como a pesquisa de Lima et al. (2016), com operadores de contabilidade brasileiros, que também apresentaram um alto índice para essa dimensão (69).

A relação positiva esperada entre as variáveis, que indica que quanto maior a OLP presente na cultura das empresas, maior seria o nível do conservadorismo contábil, é confirmada mediante a análise do coeficiente α7 (0,0038), que se mostra significativo a 5%. A análise do coeficiente α6 (0,0010), contudo, não confirma a relação positiva da dimensão com o reconhecimento antecipado dos ganhos, pois o coeficiente não apresenta significância estatística. Os resultados da pesquisa corroboram os encontrados por Radebaugh e Gray (2002), que apontaram que o conservadorismo contábil é influenciado positivamente por essa dimensão cultural.

Quanto à OLP, conforme expresso na hipótese H5, era esperada uma relação positiva. Apenas quando retiradas as empresas da China, Coreia do Sul e Taiwan o resultado não se mostrou significativo. tal dimensão não foi relacionada em estudos anteriores com a prática do conservadorismo contábil. Portanto, esse resultado é importante na medida em que testa empiricamente uma proposição teórica e, pelo menos para a amostra total, encontra confirmação empírica.

De acordo com Hofstede, Hofstede e Minkov (2010), a indulgência envolve uma tendência de os indivíduos pertencentes a uma sociedade se permitirem desfrutar de desenhos humanos, aproveitando a vida. Desta maneira, sociedades com pontuação maior nessa dimensão tendem a ser menos conservadoras. Logo, a partir da análise do coeficiente α7 (-0,004), a amostra pesquisada confirma o efeito esperado, de forma que a INDUL é associada negativamente ao conservadorismo contábil, com significância estatística de 5%.

Para a última dimensão testada no estudo, a INDUL, esperava-se uma relação negativa com o conservadorismo contábil, conforme a H6. Com base nos resultados, não se pode rejeitar a H6 (com exceção dos modelos com variáveis de controle da Tabela 5, que não foram significativos), confirmando-se a predição teórica de que empresas de sociedades mais indulgentes adotam práticas contábeis menos conservadoras.

De maneira geral, pode-se inferir que empresas de países mais individualistas e de caráter indulgente podem apresentar práticas contábeis menos conservadoras, enquanto aquelas de países com cultura de maior OLP apresentam comportamento inverso (mais conservador).

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo teve como objetivo avaliar a influência das dimensões culturais de Hofstede (2017) no nível de conservadorismo contábil de empresas de diferentes países. Para tal, realizou-se uma pesquisa com amostra de 7.798 empresas e 54.484 observações, extraídas de 32 países.

A realização deste estudo buscou evidências empíricas que pudessem contribuir para a reflexão e discussão sobre a QIC. Entender como o conservadorismo apresenta-se nas demonstrações contábeis é importante porque auxilia na análise econômico-financeira das empresas, contribui para os processos regulatórios da contabilidade, além de promover a emissão de demonstrações contábeis de maior qualidade.

Em síntese, por meio dos achados deste estudo e corroborando o exposto na literatura, conclui-se que a informação contábil sofre influência de fatores culturais provenientes de seu país. Especificamente no caso deste estudo, conclui-se que determinadas dimensões culturais, principalmente o IND, a OLP e a INDUL estão relacionadas à prática do conservadorismo contábil das empresas analisadas, a primeira e a última negativamente.

Uma das principais implicações deste estudo é que a comparabilidade das demonstrações contábeis de empresas de diferentes países pode não ser uma tarefa simples de ser alcançada, ainda que utilizadas normas contábeis padrões, como as IFRS, por exemplo, em função das diferenças culturais entre os países que afetam a QIC.

Outra importante implicação do estudo é que a análise da qualidade da contabilidade em âmbito internacional, especificamente no caso do conservadorismo contábil, tem que levar em conta fatores culturais de cada país, que deveriam ser considerados pelos respectivos órgãos normatizadores nacionais, a fim de produzir normas contábeis mais adequadas à realidade de cada nação.

Por fim, é importante destacar que o estudo possui limitações. A primeira é a suposição de perenidade da cultura nacional. Nesse sentido, como recomendações para futuros estudos, pode ser interessante considerar que a cultura nacional de um país pode ser alterada em longo prazo. Assim, estudos com horizonte temporais mais longos poderiam identificar as mudanças culturais dos países e como isso afetaria a QIC em longo prazo.

Outra limitação do estudo consiste em não considerar diferenças regionais dentro de cada país. Assim, um ponto a ser discutido em pesquisas futuras é a condição de que mesmo dentro de um único país podem existir culturas diferentes e estas podem influenciar de modo distinto o conservadorismo contábil.

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Recebido: 18 de Janeiro de 2019; Revisado: 20 de Maio de 2019; Aceito: 26 de Setembro de 2019; Publicado: 20 de Abril de 2020

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