SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.17 número4Avaliação dos Portos Públicos Brasileiros: Gestão Baseada em Valor índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


BBR. Brazilian Business Review

versão On-line ISSN 1808-2386

BBR, Braz. Bus. Rev. vol.17 no.4 Vitória jul./ago. 2020  Epub 31-Jul-2020

https://doi.org/10.15728/bbr.2020.17.4.6 

Artigo

Estrutura Intelectual dos Estudos em Andamento em Escolas de Negócios

1Universidade Nove de Julho, São Paulo, SP, Brasil


RESUMO

Examinamos a pesquisa existente nas Escolas de Negócios (EN) na tentativa de entender as influências estruturais e intelectuais na pesquisa convencional, bem como a evolução e as tendências da pesquisa. Por meio de um estudo bibliométrico de cocitação e pareamento bibliográfico, apoiado em análises fatoriais e de rede, de uma amostra de 493 artigos, examinamos 76 artigos selecionados e suas referências. Os resultados indicam que as críticas feitas às EN influenciaram os trabalhos principais. Encontramos três fontes principais de críticas no nível intelectual: Lacuna entre Teoria e Prática, Relevância Social e Currículos e Prática. Nos principais trabalhos identificamos seis tópicos diferentes: Relevância da EN, Relevância do Ensino, Relevância para a Prática, Relevância do Curriculo, Evolução e Influência da EN, e Reputação. Através de nossa pesquisa bibliométrica, contribuímos para a pesquisa das EN de duas maneiras. Permitiu a identificação de trabalhos e temas que influenciaram as reflexões nas EN, pois influenciaram a pesquisa em andamento e, consequentemente, as tendências da pesquisa. Além disso, os resultados servem como orientações possíveis para os gerentes da EN.

PALAVRAS-CHAVE Relevância das Escolas de Negócios; Bibliometria; Estratégia das Escolas de Negócios

ABSTRACT

We examined the extant research on Business Schools (B-Schools) in an attempt to understand the intellectual structural influences in mainstream research, as well as the evolution and trends in research. Through a bibliometric study of co-citation and bibliographic coupling, supported by factor and network analyses of a sample of 493 articles, we examined 76 selected articles and their references. The results indicate that critiques of B-Schools influenced mainstream works. We found three primary sources of criticism at the intellectual level: Theory and Practice Gap, Social Relevance, and Curricula and Practice. The mainstream works identified six different topics: B-School Relevance, Teaching Relevance, Relevance to Practice, Curricula Relevance, B-School Evolution, and Influence, and Reputation. The longitudinal analysis identified four trends: Relevance to Practice, Social Relevance, Academic-Practitioner Divide, and Teaching Relevance. Through our bibliometric research, we contribute to the B-Schools research in two ways. It enabled the identification of works and themes that influenced reflections on B-Schools, as they influenced the ongoing research, and consequently, the research trends. Furthermore, the results serve as possible orientations for B-School managers.

KEYWORDS Business Schools relevance; Bibliometrics; Business Schools Strategy

1. INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, houve uma proliferação de novos cursos nas Escolas de Negócios (EN), especialmente no Master of Business Administration (MBA) (Collet & Vives, 2013). O Brasil seguiu essa tendência, pela proliferação de programas de MBA desde os anos 90, com a crença entre profissionais e recrutadores de que um diploma de MBA faz parte dos critérios para o sucesso profissional (Wood Jr. & Cruz, 2014). As EN são classificadas em termos de legitimidade (Collet & Vives, 2013), pela sua influência nas escolhas dos estudantes (Sauder & Lancaster, 2006), nas decisões dos empregadores e em sua reputação de excelência (Dichev, 1999). A proliferação das EN e dos programas MBA é um fenômeno importante, que justifica um melhor entendimento dos estudos realizados e dos caminhos seguidos pelas pesquisas.

Há uma crescente conscientização de que o estudo de fenômenos é importante para o papel e a importância da pesquisa, para fornecer uma resposta aos problemas cotidianos e possibilitar o aprendizado nas organizações (Doh, 2015). A pesquisa baseada em fenômenos tem como foco a compreensão de um fenômeno no mundo real (Von Krogh et al., 2012). Como mencionado anteriormente, a compreensão do fenômeno das EN, pelo seu crescimento, e pela influência nas pessoas e empresas, é importante. Muito foi escrito, mas uma breve pesquisa indica que não existem estudos disponíveis que tenham procurado entender a base desta pesquisa e sua evolução intelectual.

As EN têm sido severamente criticadas por falta de relevância para a prática, e por não contribuírem efetivamente para a carreira dos estudantes (Pfeffer e Fong, 2004). Adicionalmente, foram colocadas preocupações sobre o desalinhamento curricular em relação, por exemplo, às soft skills (Navarro, 2008), bem como pelas falhas em preparar líderes e gerentes profissionais (Bennis e O´Toole, 2005) adequadamente. Apesar da oportunidade para a área de administração assumir a liderança na pesquisa da EN - “as escolas de negócios estão perdendo porque, relativamente, pouco se concentram nos trabalhos dessa área” (Arbaugh, 2016, p. 238). Autores que discutem relevância também questionam a falta de suporte teórico e trabalho empírico em relação às críticas e soluções (Augier e March, 2011; Corley e Gioia, 2011; Bartunek e Rynes, 2014). Sendo assim, é necessária uma investigação mais aprofundada para entender melhor (Gioia e Corley, 2002) a pesquisa de gestão que foi realizada e os caminhos que essa pesquisa seguiu.

Para entender esse fenômeno e sua evolução, realizamos um estudo bibliométrico de cocitação e de pareamento bibliográfico. Os estudos bibliométricos de cocitação permitem a análise das referências em artigos em um determinado campo para descrever o conteúdo e a evolução da pesquisa nesse campo. O pareamento mede a frequência com que dois documentos em uma amostra compartilham pelo menos uma referência comum. Esse tipo de estudo investiga a sobreposição de bibliografias (Vogel e Güttel, 2013; Zupic e Čater, 2015) e identifica as tendências de pesquisa no campo em questão. A cocitação e o pareamento bibliográfico foram realizados até 2015, utilizando a análise de 76 artigos e 38 referências para a cocitação.

Nossas descobertas nos permitem mostrar esquematicamente a influência da base intelectual da pesquisa das EN e sua influência na pesquisa predominante. A relevância das EN continua a ser estudada e discutida. A lacuna entre a teoria e a influência na prática tem impactado os estudos relacionados com a prática. A relevância social das EN é revista em sua evolução e influência. A relevância social é crescente pela presença de profissionais experientes do mercado, mas não reduziu as preocupações com o ensino nas EN e os estudos sobre técnicas de ensino.

Apresentamos duas contribuições principais para a pesquisa das EN. Identificamos os trabalhos e os temas que influenciaram a pesquisa em andamento. Também identificamos as tendências de pesquisa das EN. Nosso trabalho não apenas melhora a compreensão do fenômeno, mas também apresenta oportunidades para futuros estudos sobre as EN. Nossas descobertas oferecem algumas orientações práticas para os gerentes das EN.

2. MÉTODO E TÉCNICAS DE PESQUISA

2.1. Procedimentos de coleta de dados

Os dados foram coletados no banco de dados da ISI Web of Science. Todas as revistas de negócios e administração disponíveis foram consideradas. A palavra-chave “escola* de negócio*” foi usada no campo Tópico do banco de dados para selecionar os artigos. O asterisco (*) foi utilizado para que qualquer variação da redação pudesse ser considerada. O resultado da pesquisa foi examinado para verificar se todos os artigos da amostra eram importantes para as análises. A amostra final considerou toda a pesquisa no banco de dados e continha 493 artigos publicados em 19 periódicos (Tabela 1).

Tabela 1. Revistas e número de artigos selecionados 

Periódico Fator de Impacto 2017 Total de artigos na amostra % amostra
Harvard Business Review 4,374 178 36
Academy of Management Learning and Education 2,866 146 29
British Journal of Management 3,059 34 6
Organization Science 3,027 24 4
Journal of Management Studies 5,329 23 4
Academy of Management Journal 6,700 14 2
Academy of Management Review 8,855 14 2
California Management Review 3,302 14 2
Organization 2,701 13 2
Long Range Planning 3,221 10 2
Administration Science Quarterly 5,878 6 1
Journal of Management 8,080 4 0
Academy of Management Annals 9,281 3 0
Academy of Management Perspectives 4,686 3 0
Asia Pacific Journal of Management 2,474 2 0
Management Science 3,544 2 0
Business Strategy and the Environment 5,355 1 0
Management and Organizational Review 1,462 1 0
Strategic Management Journal 5,482 1 0
493 100

Fonte: Elaborado pelos autores.

Para reduzir o viés e garantir a validade e a confiabilidade dos estudos selecionados, estabelecemos critérios para a seleção da amostra final (Vogel e Güttel, 2013). Os trabalhos tinham que ter as Escolas de Negócios (EN) como tema central. Os autores leram o título, o resumo e a introdução de cada documento para validar a amostra independentemente. Alguns documentos foram lidos na íntegra para esclarecer eventuais dúvidas. Obtivemos um coeficiente de Cohen-Kappa de 0,93 de acordo entre os autores.

A bibliometria ajuda a controlar vieses trazidos pela subjetividade usual em revisões qualitativas realizadas sem a ajuda de ferramentas empíricas (Ramos-Rodrigues e Ruiz-Navarro, 2004). Além disso, por meio de análises estatísticas, grandes quantidades de dados bibliográficos podem ser consideradas, trazendo um escopo mais amplo do que em revisões puramente qualitativas. (Vogel e Güttel, 2013; Zupic e Čater, 2015). A bibliometria pode ser usada como uma etapa anterior para orientar a análise durante a revisão sistemática. Neste estudo, foram utilizadas duas técnicas bibliométricas, cocitação e pareamento bibliográfico.

A cocitação permite medir a frequência na qual um par de artigos é citado em conjunto (McCain, 1990). É útil para detectar mudanças paradigmáticas e escolas de pensamento (Zupic e Čater, 2015).

O pareamento é uma medida de similaridade com base na frequência em que dois documentos da amostra compartilham pelo menos uma referência comum, ou seja, os documentos de uma amostra são agrupados de acordo com a sobreposição de suas bibliografias (Vogel e Güttel, 2013; Zupic e Čater, 2015). Quanto maior o número de referências compartilhadas por dois documentos na amostra, maior a semelhança entre eles (Vogel e Güttel, 2013).

A análise de cocitação foi realizada primeiro. Com o auxílio do Bibexcel, foi gerada uma matriz de coocorrência (Bernard e Ryan, 2010) das referências de cada par de artigos da amostra. A análise de cocitação foi realizada utilizando as referências da amostra de artigos utilizados para o pareamento. Para executar o pareamento, reduzimos nossa amostra em apenas os artigos com pelo menos seis pareamentos (laços ≥ 6) e com pelo menos um documento (nó ≥ 1). A amostra reduzida resultante foi composta por 76 artigos.

Esse procedimento nos permitiu verificar as estruturas intelectuais que influenciam especificamente a agenda atual de pesquisa representada por esses artigos. Para a análise do pareamento, utilizando a mesma amostra de 76 artigos, foi realizada uma análise fatorial exploratória, com o objetivo de agrupar os artigos por sua similaridade. Realizamos uma análise de citação das referências usadas na amostra (link do arquivo: https://drive.google.com/file/d/16-KfNKpXdbhhTxRHdrV2pvBRjoSY4x0s/view?usp=sharing).

Para a análise do pareamento, foi utilizada a matriz de coocorrência gerada, complementada pela análise fatorial e pelo diagrama de rede. O primeiro empregava rotação Varimax (Lin e Cheng, 2010). Foram consideradas cargas fatoriais de aproximadamente 0,4 ou mais (Guerrazzi et al. 2015).

Todos os artigos que compõem cada fator, para análises de pareamento e de cocitação, foram lidos de forma a compreender o seu conjunto de conteúdos. Utilizamos um segundo método de agrupamento para aumentar a robustez (Zupic & Čater, 2015). A análise de rede permite a visualização da estrutura intelectual de um campo por meio de um diagrama de rede, com “nós” representando publicações e “laços” representando sua relação de compartilhamento. Portanto, os fatores foram usados e se sobrepuseram no diagrama de redes fornecido pelo software Ucinet (Lin e Cheng, 2010). A rede mostra a proximidade entre os artigos e suas conexões, representando o relacionamento e a dimensão do número de artigos juntos.

Também relatamos densidade, coesão e centralidade, métricas usuais para análise de rede (Vogel e Güttel, 2013). A densidade representa a extensão em que um fator possui bases conceituais comuns, e seu valor máximo é obtido quando todos os elos possíveis entre as referências do mesmo fator são esgotados (Vogel & Güttel, 2013). É um indicador interno do fator. Na cocitação, a densidade máxima indica que as referências agrupadas no mesmo fator têm independência na expressão de uma abordagem, pois são referenciadas em conjunto. No pareamento bibliográfico, indica-se que os itens de um fator, tendo o foco definido pelo agrupamento, empregam referências comuns.

Coesão é semelhante à densidade de um fator, mas considera a sua interconexão com outros grupos, indicando o grau de independência que do fator (Wasserman & Faust, 1994). É um indicador entre fatores. Tanto para a citação quanto para a pareamento bibliográfico, a coesão complementa a explicação da densidade com relação ao poder de convergência entre itens do mesmo fator. Centralidade de rede indica agrupamentos formados em torno dos artigos mais citados. É medida pelo número de links que cada item estabelece na rede; portanto, quanto mais links, mais central o item. Abrange toda a rede. A centralidade destaca a relevância do trabalho em toda a rede, pois é mais citado em conjunto com outro (cocitando), ou compartilha referências em grande número com outros artigos (pareamento).

Com o objetivo de investigar a influência da estrutura da literatura nos trabalhos em andamento sobre as EN, realizamos uma análise entre os resultados de cocitação e pareamento. Para atingir esse objetivo, foi criada uma matriz de coocorrência para as referências que constituem os fatores de cocitação e para os artigos da análise de pareamento. Nessa matriz, as referências de cocitação foram as linhas, e os artigos de pareamento foram as colunas, ambas agrupadas nos fatores previamente obtidos. O cruzamento entre linhas e colunas foi binarizado, e o preenchemos com “1” se tal referência foi usada em qualquer um dos artigos e “0” se não. Essa matriz possibilitou avaliar as influências das raízes intelectuais (cocitação) nas pesquisas atuais (pareamento), e apresentar os valores e as relações graficamente (Figura 1).

Fonte: Elaborado pelos autores.

Figura 1. Estrutura intelectual e pesquisa predominante em Escolas de Negócios. 

Para verificar as influências das referências (cocitação) nos artigos (pareamento), realizamos a análise cruzada das referências neles. Por constituírem artigos e referências e essas estruturas serem a abordagem de um artigo, essa análise possibilita avaliar a influência direta entre as abordagens básicas com os fluxos de pesquisa utilizados para investigar nosso tema.

3. ESTRUTURA INTELECTUAL E ESTUDOS EM CURSO EM ESCOLAS DE NEGÓCIOS

A influência da estrutura intelectual na pesquisa predominante sobre Escolas de Negócios (EN) está apresentada na Figura 1. Essa figura, que está orientando nossa revisão, foi criada por meio dos resultados da análise bibliométrica disponível no Apêndice 1. Preservamos a identificação dos fatores dos resultados, onde CC são fatores da cocitação e BC do pareamento.

A Figura 1 apresenta esquematicamente a principal influência entre os fatores os quais servem como base intelectual e que iniciaram estudos em EN e pesquisas mais recentes (discussões em andamento). Os artigos constituintes da base intelectual da década de 1980 a meados da década de 2000 são principalmente artigos conceituais, embora alguns sejam qualitativos, com críticas às escolas de ensino médio. Há uma crítica predominante às EN, a lacuna de teoria e prática (fator CC1), com estudiosos questionando a relevância da pesquisa e de práticas de consultoria para os profissionais. Esse fator tem um impacto secundário sobre os outros na base da estrutura intelectual. De certa forma, é um desafio repensar a relevância dos serviços prestados pelas EN e sua relevância para a sociedade (fator CC2), e através de currículos e sua aplicabilidade na prática (fator CC3). Até certo ponto, os fatores questionam os gerentes que estão sendo treinados nas EN, a relevância de seu papel e a importância do que ensinam. No entanto, a preocupação sobre como ensinar não é enfatizada. Deve-se ressaltar que, durante esse período, a maioria dos artigos focou nas EN na América do Norte e no Reino Unido.

A relevância das EN para o mercado (CC3) continua sendo estudada e discutida (Fator BC1), bem como relacionada à sua busca por legitimidade e reputação. Como a lacuna entre a teoria e a prática (CC1), considerando sua relação com a prática (fator BC3). A relevância social das EN é revisada em sua evolução e influência (BC5). Apesar do uso de profissionais experientes do mercado (Fator BC4), também foram levantadas preocupações sobre o ensino nas EN e sobre como as técnicas de ensino são usadas nesse sentido (Fator BC2), para serem relevantes socialmente (Fator CC2). Cada um dos fatores será mais explorado.

3.1. Estrutura intelectual nas Escolas de Negócios

O fator CC1 foi rotulado como “Teoria e Prática”. As obras centrais da rede estão presentes nesse fator: Starkey e Madan (2001); Van de Ven e Johnson (2006); Van de Ven (2007). Esses artigos apresentam argumentos sobre a falta de relevância da pesquisa das EN para a prática.

Os autores desse fator argumentam que o conhecimento é cada vez mais produzido e distribuído socialmente (Gibbons et al. 1994) e, por conseguinte, por sua natureza, a pesquisa em gestão deve ser aplicada (Tranfield e Starkey, 1998). O foco principal está na necessidade de repensar a ciência (Nowotny et al. 2001) e desenvolver o vínculo entre teoria e prática (Hambrick, 1994). Isso cria uma discussão sobre o modelo kuhniano de ciência normal (Kuhn, 1962), e da pesquisa de solução de problemas, que é mais distribuída socialmente (Gibbons et al. 1994; Tranfield & Starkey, 1998; Anderson, Herriot & Hodgkinson, 2001). Shapiro, Kirkman e Courtney (2007) acrescentam que tal lacuna deve ser interpretada como resultado de dois problemas de tradução distintos: “perdido antes da tradução”, onde o conhecimento produzido não tem chance de causar impacto na prática e um “perdido na tradução” - onde a produção de conhecimento não é adequadamente traduzida em prática.

No entanto, a criação de conhecimento é um processo complexo (Grey, 2001) e deve ser considerado em diferentes paradigmas (Pfeffer, 1993), com um pensamento de rigor científico no elo entre teoria e prática (Van de Ven, 2007). Contudo, a fraca união entre teoria e prática é posta em causa, com vários estudos considerados de pouca relevância para os gerentes (Van de Ven & Johnson, 2006). Os princípios das evidências de pesquisa devem ser traduzidos em prática para resolver problemas organizacionais (Rousseau, 2006) e ajudar a treinar gerentes para lidar com desafios reais ao longo de suas carreiras (Leavitt, 1989). Nas EN, os gerentes devem colaborar com seus conhecimentos (Starkey & Madan, 2001).

O fator CC2 é denominado “Relevância Social”. Os artigos reforçam a relevância e o papel social das EN, e as críticas ao impacto das classificações e acreditações nelas (Navarro, 2008; Gioia & Corley, 2002; Adler e Harzing, 2009). Preocupações com a relevância e o papel social das EN não são novas (Cheit, 1985; Gordon & Howell, 1958). A necessidade de mudança é enfatizada pelos autores desse fator, que defendem tendências a serem consideradas em relação à oferta e à demanda na educação dos gerentes (Friga, Bettis e Sullivan, 2003). Há um apelo para que as EN tenham relevância social que considere uma perspectiva global, o desenvolvimento de liderança e habilidades sociais e maior integração de disciplinas para melhorar as habilidades de tomada de decisão (Datar et al., 2010; Bennis & O’Toole, 2005 ) Alega-se que as EN deveriam ser mais relevantes para os profissionais (Porter & McKibbin1988).

O fato de certas teorias serem tratadas como práticas reais, independentemente de seu impacto social, tem sido questionado (Ferraro, Pfeffer e Sutton, 2005; Ghoshal, 2005). Os escândalos éticos provocados pelos gerentes das organizações mostram que as EN precisam começar a considerar aspectos éticos e ir além do foco nos resultados financeiros (Ghoshal, 2005; Bennis & O´Toole, 2005). Mudar o currículo nas EN deve significar integração multidisciplinar (Navarro, 2008; Bennis e O´Toole, 2005; Porter e McKibbin, 1988) e o desenvolvimento das EN como fóruns para cidadãos e locais para construir redes sociais (Starkey e Tiratsoo, 2007).

Nós rotulamos o Fator CC3 como “Currículos e Prática”. As EN são criticadas por causa da pressão para alcançar resultados financeiros (Khurana, 2007), promovidas pela crença do aluno de que o que é ensinado nas EN ajudará o crescimento pessoal e profissional de um indivíduo (Pfeffer & Fong, 2004). A relação com a prática é necessária (Mintzberg & Gosling, 2002; Rynes, Bartunek & Daft, 2001). Eles defendem a necessidade de criar conhecimento para o gerenciamento (Starkey, Hatchuel e Tempest, 2004). Além disso, os currículos devem abordar problemas reais (Pfeffer e Fong, 2004; Starkey e Tempest, 2009) e focar no desenvolvimento de competências dos gerentes (Rubin e Dierdorff, 2009). As EN devem considerar a experiência e o significado no processo de aprendizagem, que transcende a sala de aula (Mintzberg e Gosling, 2002). Implica mudanças na maneira como os gerentes são ensinados (Mintzberg, 2004), por exemplo, mediante o ensino baseado em evidências (Pfeffer & Sutton, 2007) que permite “decisões gerenciais e práticas organizacionais informadas pelas melhores evidências científicas disponíveis” (Rousseau e McCarthy, 2007, p. 84). As EN devem considerar o equilíbrio entre a aquisição de conhecimento através da pesquisa e a exploração do conhecimento por meio da instrução (Trieschmann et al., 2000).

3.2. Estudos em andamento nas Escolas de Negócios

O fator BC1 é rotulado como “Relevância das EN”. O desafio proposto pelos autores desse fator é preparar as pessoas com as competências necessárias para o mercado e a sociedade (Walsh, 2011). As EN enfatizam a teoria em detrimento da relevância para a prática (McGrath, 2007). Algumas críticas argumentam que as EN não podem desempenhar esse importante papel na preparação de líderes (Benjamin & O’Reilly, 2011) e, portanto, não fazem diferença em suas carreiras (Pfeffer & Fong, 2004). Outros enfatizam que a liderança desenvolvida nas EN reflete valores e ações negativas sem preocupação para a sociedade, e que há uma necessidade de diversidade de gênero para executivos mais humanizados (McTiernan & Flynn, 2011). As EN são os espaços de trabalho em potencial, não apenas para melhorar o conhecimento, mas também para influenciar a identidade dos gerentes para essa liderança humanizada (Petriglieri &Petriglieri, 2010; Petriglieri, Wood, & Petriglieri, 2011).

Para superar essas críticas, vários modelos foram propostos (Ferlie, McGivern, & Moraes, 2010; Thomas & Wilson, 2011): a “Ágora” como uma plataforma aberta para discussão e desenvolvimento (ver Starkey e Tiratsoo, 2007); as escolas no modelo profissional (ver Bennis & O’Toole, 2005); e o modelo de interesse público da escola de negócios para o interesse da sociedade (Ferlie, McGivern e De Moraes, 2010).

Alguns autores sugeriram que as EN precisam revisar seus propósitos, currículos e pedagogia, apesar da forma organizacional institucionalizada e buscar legitimidade que iniba a mudança (ver Wilson & McKiernan, 2011). O desafio da relevância é uma questão de competências comportamentais (Rubin & Dierdorff, 2011), que são valorizadas pelas organizações (Safon, 2007). Isso significa que a natureza do conhecimento produzido e ensinado nas EN deve ser revista (Chia & Holt, 2008), e o impacto acadêmico deve ser avaliado não apenas via publicações acadêmicas, mas também pelo impacto nos alunos (Morgerson e Nahrgang, 2008).

Os autores fazem várias sugestões, como a inclusão de disciplinas como ciências humanas (Bennis & O´Toole, 2005; Schoemaker, 2008), exigindo um currículo de ensino distinto e uma abordagem pedagógica (Harrison, Leitch, & Chia, 2007). Vaara e Fay (2011; 2012), por exemplo, apresentaram uma perspectiva bourdieusiana para a educação em administração. O desenvolvimento de habilidades de liderança (Kork, 2011) deve incluir ética nos negócios (Rutherford et al., 2012), tomada de decisão (Henisz, 2011) e sustentabilidade (Slater, Dixon e Fowler, 2010) e como atuar em mercados emergentes (Dhanaraj & Khanna, 2011 ), apoiada pela gerência baseada em evidências (Charlier, Brown, & Rynes, 2011) no currículo da EN.

No entanto, alguns autores contestam as críticas à relevância das EN, por exemplo, como colocam Pfeffer e Fong (2004). O’Brien et al. argumentam que “a pesquisa realizada nas escolas de negócios é relevante e valiosa para os profissionais, como evidenciado pelo considerável valor econômico de longo prazo adicionado aos salários dos estudantes de MBA.” (O’Brien et al. 2010, p.648).

Além disso, Slater, Dixon e Fowler (2010) argumentam que executivos formados nas EN apresentam resultados positivos em relação à sustentabilidade. Arbaugh (2010) defende que o artigo de Peng e Dess (2010) “não apenas desafia a noção de que a bolsa de gestão é deficiente, mas argumenta que, de fato, os sistemas e mecanismos de avaliação atualmente existentes para avaliar o valor de nossas publicações têm um papel positivo, motivando-nos a produzir um trabalho melhor do que o que poderíamos ter de outra forma” (Arbaugh, 2010, p. 280).

O fator BC3 foi nomeado “Relevância para a prática”. A discussão da relevância é importante nos EUA e no Reino Unido (Butler, Delaney, & Spoelstra, 2015), mas no Fator 3 é um foco diferente do Fator BC1. Parece ser o foco da pesquisa do Reino Unido que discute a divisão praticantes-academia e avalia possíveis remédios. Alguns autores afirmam que a pesquisa não é relevante para a prática (McKelvey, 2006). Bell, den Ouden e Ziggers argumentaram que “não é construído sobre um consenso mínimo de crenças paradigmáticas, resultando em [...] uma lacuna acadêmica, nem capaz de fornecer aos profissionais respostas adequadas, o que chamamos de lacuna de relevância gerencial”. Bell et al. 2006, p. 1615).

Outros autores defendem a pesquisa e acreditam que ela pode ser relevante na prática (Sandberg e Tsoukas, 2011). Uma ideia central é alcançar o engajamento e a colaboração entre acadêmicos e profissionais (Hughes et al. 2011; ver cocitação Fator CC1 para Van de Ven, 2007, Van de Ven & Johnson, 2006; Starkey & Madan, 2001). A colaboração entre acadêmicos e profissionais seria uma possibilidade para a cocriação de conhecimentos relevantes (Antonacopoulou, 2010). Essa relação, apesar de outras tensões, deve considerar a necessidade de pesquisas imparciais contra os resultados de curto prazo exigidos pelos profissionais (Tushman et al. 2007). Portanto, alguns autores defendem que a divisão praticantes-academia permanecerá sem solução, pois ciência e prática têm significados diferentes para pesquisadores e profissionais (Kieser & Leiner, 2009; 2011; Nicolai & Seidl, 2010). Kieser e Leiner (2009) argumentam que a relação entre acadêmicos e profissionais não seria adequada para a pesquisa, mas seria viável para resolver problemas práticos. Os acadêmicos podem orientar-se para os profissionais “de maneira a contrariar sua identidade acadêmica e seu espírito de pesquisa” (Butler, Delaney, & Spoelstra, 2015, p. 732).

Em geral, os autores concordam com a lacuna de relevância da pesquisa e a necessidade de entender melhor o constructo relevância (Priem e Rosenstein, 2000; Learmonth, Lockett e Dowd, 2012; Parnell et al., 2012). Isso levou os autores a discutir a sugestão de possíveis remédios e sua eficácia. Isso é destacado na discussão do Reino Unido sobre alternativas metodológicas ao conhecimento do Modo 1 (Knights, 2008), como o Modo 2 (Stiles, 2004; Knights, 2008) e, outras possibilidades, como pesquisa no Modo 3, bolsa de estudos engajada, ciência pragmática e gerenciamento baseado em evidências (Romme et al. 2015).

O fator BC4 foi identificado como “Relevância Curricular”. O fator tem uma baixa variância explicada com 5,17%. Aqui, as EN são questionadas sobre sua falta de relevância para a prática de negócios, e os autores defendem modelos que trazem prática para o aluno, como nas escolas de medicina (Pfeffer & Fong, 2004). Pfeffer e Fong observaram que isso “implica focar a pesquisa em fenômenos e problemas de importância duradoura e construir currículos que são avaliados, em parte, pela forma como eles realmente preparam os alunos para serem eficazes na prática da profissão.” (Pfeffer & Fong, 2004).

Isso implica um programa curricular mais próximo dos desafios da vida real que os profissionais enfrentam e o desenvolvimento de competências para suas atividades profissionais (Navarro, 2006, 2008). Clinebell e Clinebell (2008) argumentam que existem dois desafios enfrentados pelas EN: a escassez de professores com Doutorado e a falta de relevância. Um dos remédios para solucionar isso seria resolver as tensões relativas à integração e uso de professores executivos ou professores qualificados com experiência profissional.

O fator BC5 foi identificado como “Evolução e influência das EN”. Aqui, o reconhecimento da evolução das EN aparece nas discussões entre os autores (Augier & March, 2005; 2007; Augier & Teece, 2005; Khurana & Spender, 2012), bem como na discussão de teorias da moda (Abrahamson, 1996; Bort & Kieser, 2011). A evolução das EN mostrou uma transição da pesquisa conduzida pelo mundo real, para a pesquisa dirigida pela teoria, quase desapegada de seus problemas e contextos (Augier & March, 2005; 2007; Augier & Teece, 2005; Khurana & Spender, 2012). A evolução reflete o ideal de Simon, onde “conhecimento da prática” e “conhecimento das disciplinas” estão integrados (Khurana & Spender, 2012). As EN são onde estão os pesquisadores e os pesquisadores criam moda (Bort & Kieser, 2011). As EN devem ser os principais responsáveis pela criação de teorias da moda. Os acadêmicos devem pesquisar e aprender como estabelecer as teorias da moda (Abrahamson, 1996).

O fator BC6 é denominado “Reputação”. Esse fator inclui estudos que direta (Baden-Fuller, Ravazzolo, & Schweizer, 2000) ou indiretamente consideram a influência dos rankings nas EN (Rindova, et al. 2005; Macdonald & Kam, 2007; Rindova, Williamson, & Petkova, 2010). Os rankings da mídia, que incluem os MBAs das EN, têm uma forte influência na reputação e, consequentemente, na possibilidade de cobrar taxas de prêmio (Rindova et al. 2005). O efeito indireto dos rankings de periódicos nas publicações (Rindova et al. 2005; Macdonald & Kam, 2007) e nos trabalhos de pesquisa também é reconhecido (Ofori-Dankwa & Julian, 2005). As EN, como parte de uma IES, também sofreriam o efeito desse relacionamento (Rindova et al. 2005). A pesquisa dos autores Rindova et al. (2005) forneceu apoio empírico para o efeito positivo da pesquisa acadêmica na reputação das EN.

O fator BC2 foi nomeado “Relevância no Ensino” com o objetivo de fazer a diferença para a sociedade (Tsui, 2013; Walsh, 2012). A maioria dos artigos se concentra no ensino de administração; ferramentas de teste (Wright, Paroutis, & Blettner, 2013); estudando gestão baseada em evidências (Trank, 2014; Gamble & Jelley, 2014; Klimoski & Amos, 2012); design thinking (Glen, Suciu, & Baughn, 2014); ou combinando ciência do design com realismo crítico (Willmott, 2012). Outros artigos enfocam gerenciamento e sustentabilidade (Shrivastava, Ivanaj, & Persson, 2013; Aguinis et al. 2014; Akrivou e Bradbury-Huang, 2015); abordar as preocupações sobre como as EN estão ensinando gestão (Knights & Clarke, 2014; Costigan & Brink, 2015); e, fazendo sugestões para melhorar o ensino (Waddock & Lozano, 2013).

Outros autores questionam as métricas usadas para avaliar o desempenho acadêmico e o paradoxo da legitimidade que as EN enfrentam (Alajoutsijarvi, Juusola, & Siltaoja, 2015). Como mencionado por Aguinis et al. (2014), a “maioria das pesquisas sobre impacto acadêmico se concentrou quase exclusivamente em uma parte interessada específica e em um tipo de medida: acadêmicos e citações.” (Aguinis et al. 2014, p. 624).

4. DISCUSSÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por intermédio da nossa pesquisa estudo, contribuímos para a pesquisa das Escolas de Negócios (EN) de duas maneiras. Primeiro, possibilitou a identificação de trabalhos e temas que influenciaram as reflexões nas EN. Segundo, ao apresentar a sua influência a pesquisa em andamento e, consequentemente, as tendências da pesquisa (Figura 1). Além disso, os resultados servem como orientações práticas para os gerentes das EN.

As análises fatorial e de rede nos permitiram detectar os tópicos preferencialmente estudados, e sua relação com os estudos que servem de base para a pesquisa atual. Por intermédio da determinação estrutura intelectual, poderíamos dizer que todo o campo está respondendo à chamada de trabalhos de Gioia e Corley (2002) e Pfeffer e Fong (2004), questionando a relevância das EN para a prática. A relevância das EN é questionada em relação à diferença entre teoria e prática, relevância social e adequação dos currículos à prática. Esses temas impactaram a pesquisa atual sobre as EN.

O estudo das EN foi motivado pela lacuna teoria-prática - uma questão de relevância. A diferença de relevância pode ser dividida em duas frentes: o questionamento da relevância da pesquisa para a prática e o questionamento da possibilidade de entregar o conhecimento produzido aos gerentes. Isso levanta a questão da necessidade de rigor e relevância na cocriação de conhecimento com os profissionais. O questionamento do papel e da relevância das EN pode ser dividido em dois tópicos de influência. Um deles é questionar o papel social das EN que solicitam considerar sua missão principal, preparar os gerentes de uma maneira que tenha um impacto positivo em suas carreiras e um efeito positivo na sociedade. Outro, e também um tópico relacionado, é a relevância do ensino nas EN - ensino para o crescimento pessoal e sua relação com a prática. É necessário se concentrar não apenas em novos conteúdos, como também no desenvolvimento de competências pessoais. Para fazer isso, novas formas de pedagogia são necessárias e precisarão transcender para a sala de aula. O desafio não é apenas adquirir conhecimento da pesquisa, mas explorá-lo através da prática.

A relevância das EN continua sendo questionada. Os autores continuam a questionar por que as EN não formaram líderes e fizeram a diferença nas carreiras dos gerentes. Eles afirmam que, para que as EN sejam relevantes para a sociedade, elas devem ser um lugar para influenciar os gerentes e desenvolver uma liderança mais humanizada. A principal diferença da estrutura intelectual é que, mesmo em artigos conceituais e em alguns estudos de caso, autores sobre esse tópico oferecem sugestões para contornar as críticas. Eles reforçam a necessidade de revisar o conteúdo e focar no desenvolvimento de competências dos gerentes. Está relacionado à influência de classificações positivas ou negativas da mídia em relação ao esforço das EN em ganhar legitimidade e melhorar sua reputação.

Apesar da pertinência das críticas, esses trabalhos foram predominantemente ensaios que influenciam os principais trabalhos sobre as EN. Esperávamos encontrar artigos discutindo a gestão das EN e os fatores institucionais no mainstream. Não estamos dizendo que esses estudos não existem, mas não pareciam predominantes em nossa seleção. A prática da gestão influenciaria as escolhas da EN e o uso de seus recursos e a escolha do curso de ação.

Considerando a afirmação de Gioia e Corley (2002), as forças externas influenciarão as decisões gerenciais e, a nosso ver, influenciarão todos os tópicos que apresentamos neste trabalho. Embora muitas outras frentes de pesquisa possam surgir na agenda proposta a partir dos resultados deste estudo, acreditamos que os tópicos de pesquisa sugeridos e a revisão da influência dos rankings e da avaliação acadêmica ajudariam as EN a ganhar mais relevância e aumentar sua importância para os alunos e sociedade.

Argumentamos que as EN precisam se tornar relevantes para o mercado e a sociedade. Elas devem produzir resultados relevantes de pesquisa e se preocupar em preparar os alunos para o mercado, usando professores e técnicas de ensino adequadas. No entanto, em sua busca pela legitimidade, as EN tendem a se tornar homogêneas em relação ao conteúdo de seu ensino, concentrando-se em modismos gerenciais devido a pressões isomórficas (coercitivas, miméticas e normativas) decorrentes das acreditações e classificações que desejam alcançar. Trabalhos como o de Wilson e McKiernan (2011) nos permitem sugerir que estudos futuros avaliem a influência de pressões isomórficas na escolha estratégica de gestores de EN e na adaptação de recursos. Seria interessante entender a hierarquia das pressões isomórficas nas EN no processo de buscar legitimidade e ganhar reputação.

A proliferação mundial de programas de MBA desde os anos 90 (Collet & Vives, 2013) sugere a necessidade de não apenas incluir uma perspectiva internacional nos programas de MBA (Dhanaraj & Khanna, 2011), mas também de entender a competição internacional de estudantes, colaboração internacional e EN de países emergentes.

As EN precisam alinhar seus currículos considerando as mudanças na sociedade e as necessidades dos alunos. Elas devem ser um local para nutrir valores positivos e preparar líderes. Isso representa um desafio, não somente em termos de conteúdo, mas ainda de professores, profissionais e desafios pedagógicos.

A chamada para o alinhamento curricular com a realidade e os desafios da sociedade deve ser investigada, considerando eventualmente a necessidade de desenvolver líderes e gerentes para uma realidade nova e futura, não considerando disciplinas, mas desenvolvendo reflexão e competências críticas (Benjamin & O’Reilly, 2011). Exige novas formas pedagógicas de ensino que estão sendo desenvolvidas e usadas nos cursos de graduação para educação executiva (Scafuto et al. 2017), além de outras chamadas (Charlier, Brown, & Rynes, 2011).

Um segundo fluxo significativo na pesquisa das EN é a Relevância para a Prática, que está diretamente relacionada à discussão sobre difusão ou transferência de conhecimento e a divisão acadêmico-profissional. Os estudiosos do Reino Unido parecem se dedicar mais a essa discussão. Pensamos que o engajamento acadêmico-profissional é uma área promissora para futuras pesquisas (Van de Ven & Johnson, 2006). Estudos futuros devem continuar investigando as possibilidades dos modos de pesquisa de desenvolvimento do conhecimento (Stiles, 2004; Knights, 2008; Romme et al. 2015), mesmo com as possíveis tensões entre o sistema de pensamento dos praticantes e estudiosos (Kieser & Leiner, 2011; Nicolai & Seidl, 2010). Outra possível investigação está considerando o envolvimento de acadêmicos em áreas executivas, como consultoria de negócios (Butler, Delaney, & Spoelstra, 2015). É importante que as EN voltem a ser as geradoras dos modismos gerenciais (Abrahamson, 1996), respondendo ao apelo de Hambrick (1994) de aumentar a autopromoção dos acadêmicos.

Um tópico emergente e independente consequente é o ensino de relevância, que parece ser predominante e de interesse entre os estudiosos americanos. Esses artigos se concentram na discussão de taxas e métodos de ensino, com uma importante discussão sobre gerenciamento baseado em evidências. Nossa percepção, no entanto, é que essa pesquisa, que deve se concentrar em aplicações empíricas, parece permanecer casuística e conceitual. Nossas observações nos levaram a concordar que a pesquisa nas EN precisa se tornar um campo estruturado de estudo. No entanto, em seu estado atual, parece não ter suporte empírico e teórico (Augier & March, 2011; Corley & Gioia, 2011; Bartunek & Rynes, 2014).

Os estudos recomendam mais pesquisas para entender melhor o fenômeno. Geralmente, o fenômeno parece exigir mais estudos empíricos em contextos distintos, inclusive fora dos EUA e da Europa em economias emergentes (Dhanaraj & Khanna, 2011). A relevância para a prática parece testar as propostas dos ensaios e trabalhos conceituais predominantes.

Outra contribuição é o método único utilizado neste artigo, especialmente a junção das análises de cocitação e pareamento, que parecem proporcionar uma possibilidade para futuros estudos bibliométricos, possibilitando uma melhor compreensão de campos e fenômenos.

Este estudo apresenta limitações quanto ao método, pois é um estudo bibliométrico. Estudos futuros podem incluir o banco de dados Scopus. Essa base contém vários periódicos de ensino superior que não estão incluídos na base usada para o presente estudo. No entanto, a maioria dos periódicos mencionados não está diretamente relacionada à gestão, que era o nosso foco, mas principalmente à sociologia da educação. Outra limitação foi o uso da palavra-chave para pesquisa. A verificação de palavras-chave complementares atenuou essa limitação nos artigos selecionados que não resultaram em alteração significativa da amostra. Outras possíveis limitações foram atenuadas pelo uso de dois métodos complementares de análise (fator e rede) e pela realização de um estudo conjunto de cocitação e pareamento.

O estudo das EN, apesar de seu crescimento, ainda pode ser considerado recente, visto que a maioria dos artigos foi publicada há menos de 30 anos. Pode-se dizer que, devido à existência de muitos campos relacionados a críticas, compreender o comportamento estratégico das EN através de sua importância e influência sobre os executivos exigirá muito estudo adicional. Como previsto por Gioia e Corley (2002), na primeira edição da AMLE, “a transformação circense das EN de substância em imagem, [é] um fenômeno que merece nossa compreensão e engajamento proativo”. Pela importância do tópico e os autores que emergem de nosso estudo, precisamos aprimorar a questão levantada pelo falecido Prof. Arbaugh: “Onde estão os estudiosos dedicados da aprendizagem e educação em administração?” (Arbaugh, 2016, p. 230), neste caso, EN. A importância, e acima de tudo, o benefício potencial de ter EN relevantes, considerando pesquisa e ensino, para preparar e ter uma influência positiva sobre futuros líderes, é fundamental para ter pesquisadores engajados e dedicados.

REFERÊNCIAS

Abrahamson, E. (1996). Management Fashion. Academy of Management Review, 21(1), 254-285. [ Links ]

Adler, N. & Harzing, A., (2009). When Knowledge Wins: Transcending the sense and nonsense of academic rankings. Academy of Management Learning and Education, 8(1), 72-95. [ Links ]

Aguinis, H., Bradley, K. J., & Brodersen, A. (2014). Industrial-organizational psychologists in business schools: Brain drain or eye opener? Industrial and Organizational Psychology: Perspectives on Science and Practice, 7(3), 284-303. [ Links ]

Akrivou, K., & Bradbury-Huang, H. (2015). Educating integrated catalysts: Transforming business schools Toward ethics and sustainability. Academy of Management Learning and Education, 14(2), 222-240. [ Links ]

Alajoutsijärvi, K., Juusola, K. & Siltaoja, M. (2015). The Legitimacy paradox of Business Schools: Losing by gaining? Academy of Management Learning and Education, 14(2), 277-291. [ Links ]

Alferoff, C. & Knights, D. (2009). Making and Mending your Nets: Managing Relevance, Participation and Uncertainty in Academic-Practitioner Knowledge Networks. British Journal of Management, 20(1), 125-142. [ Links ]

Anderson, N., Herriot, P. & Hodgkinson, G. P. (2001). The practitioner-researcher divides in industrial, work and organizational psychology. Journal of Occupational and Organizational Psychology, 74(4), 391-411. [ Links ]

Antonacopoulou, E.P. (2010), Making the Business School More ‘Critical’: Reflexive Critique Based on Phronesis as a Foundation for Impact. British Journal of Management, 21(Special Issue), s6-s25. [ Links ]

Arbaugh, J. (2010). Do undergraduates and MBAs differ online? Initial conclusions from the literature. Journal of Leadership and Organizational Studies, 17(2), 129-142. [ Links ]

Arbaugh, J. (2016). Where are the dedicated scholars of management learning and education? Management Learning, 47, 230-240. [ Links ]

Augier, M. & March, J. (2007). The Pursuit of relevance in management education. California Management Review, 49(3), 129-146. [ Links ]

Augier, M. & March, J. (2011). The roots, rituals, and rhetorics of change: North American business schools after the Second World War. Stanford, CA: Stanford Business Books. [ Links ]

Augier, M. & Teece, D. J. (2005). Na economics perspective on intellectual capital. In B Marr (Ed) Perspectives on Intellectual Capital, Oxford: Elsevier. [ Links ]

Augier, M., March, J. & Sullivan, B. N. (2005). Notes on the evolution of a research community: Organization Studies in Anglophone North America, 1945-2000. Organization Science, 16 (1), 85-95. [ Links ]

Baden-Fuller, C., Ravazzolo, F. & Schweizer, T. (2000). Making and measuring reputations: the research ranking of European business schools. Long Range Planning, 33(5), 621-650. [ Links ]

Bartunek, J. & Rynes, S. (2014). Academics and practitioners are alike and unlike: The paradoxes of academic-practitioner relationships. Journal of Management, 40, 1181-1201. [ Links ]

Bell, J. Den Ouden, B., & Ziggers, G. (2006). Dynamics of cooperation: At the brink of irrelevance. Journal of Management, 43(7), 1607-1619. [ Links ]

Benjamin, B. & O’Reilly, C. (2011). Becoming a leader: Early career challenges faced by MBA Graduates. Academy of Management Learning and Education, 10(3), 452-472. [ Links ]

Bennis, W. & O’Toole, J. (2005). How business schools lost their way. Harvard Business Review, 83, 96-104. [ Links ]

Bernard, H. & Ryan, G. (2010). Analyzing qualitative data: Systematic approaches. Thousand Oaks: Sage Publications, Inc. [ Links ]

Bort, S. & Kieser, A. (2011). Fashion in organization theory: An empirical analysis of the diffusion of theoretical concepts. Organization Studies, 32(5), 655-681. [ Links ]

Butler, N., Delaney, H. & Spoelstra, S. (2015). Problematizing “Relevance” in the Business School: The Case of Leadership Studies. British Journal of Management, 26, 731-744. [ Links ]

Charlier, S., Brown, K. & Rynes, S. (2011). Teaching evidence-based management in MBA programs: What evidence is there? Academy of Management Learning and Education, 10(2), 222-236. [ Links ]

Cheit, E. (1985). Business Schools and Their Critics. California Management Review. 27(3), 43-62. [ Links ]

Chia, R. & Holt, R. (2008). The nature of knowledge in business schools. Academy of Management Learning and Education, 7(4), 471-486. [ Links ]

Clinebell, S. & Clinebell, J.M. (2008). The tension in business education between academic rigor and real-world relevance: The role of executive professors. Academy of Management Learning and Education, 7(1), 99-107. [ Links ]

Collet, F. & Vives, L. (2013). From preeminence to prominence: The fall of U.S. Business Schools and the rise of European and Asian Business Schools in the Financial Times Global MBA Rankings. Academy of Management Learning and Education, 12(4), 540-563. [ Links ]

Corley, K. & Gioia, D. (2011). Building theory about theory building: What constitutes a theoretical contribution? Academy of Management Review, 36, 12-32. [ Links ]

Costigan, R. & Brink, K. (2015). On the prevalence of linear versus nonlinear thinking in undergraduate business education: A lot of rhetoric, not enough evidence. Journal of Management and Organization, 21(4), 535-547. [ Links ]

Datar, S., Garvin, D. & Cullen, P., (2010). Rethinking the MBA: Business Education at a Crossroads. Boston, MA: Harvard Business Press. [ Links ]

Dhanaraj, C. & Khanna, T. (2011). Transforming mental models on emerging markets. Academy of Management Learning and Education, 10(4), 684-701. [ Links ]

Dichev, I. (1999). How good are business school rankings? Journal of Business, 72(2), 201-213. [ Links ]

Doh, J. (2015). Why we need phenomenon-based research in international business. Journal of World Business, 50(4), 609-611. [ Links ]

Ferlie, E., McGivern, G., & De Moraes, A. (2010). Developing a Public Interest School of Management. British Journal of Management, 21(S1), 60-70. [ Links ]

Ferraro, F., Pfeffer, J. & Sutton, R. (2005). Economics language and assumptions: How theories can become selffulfilling. Academy of Management Review, 30(1), 8-24. [ Links ]

Friga, P., Bettis, R. & Sullivan, R., (2003). Changes in graduate management education and new business school strategies for the 21st century. Academy of Management Learning and Education, 2(3), 233-249. [ Links ]

Gamble, E. & Jelley, R. (2014). The case for competition: Learning about evidence-based management through case competition. Academy of Management Learning Education, 13(3), 433-445. [ Links ]

Ghoshal, S. (2005). Bad management theories are destroying good management practices. Academy of Learning Education, 4(1), 75-91. [ Links ]

Gibbons, M., Limoges, C., Nowotny, H., Schwartzman, S., Seot, P. and Trow, M., (1994). The new production of knowledge: The dynamics of science and research in contemporary societies. SAGE, London. [ Links ]

Gioia, D. & Corley, K. (2002). Being Good Versus Looking Good: Business School Rankings and the Circean transformation from substance to image. Academy of Management Learning and Education, 1, 107-120. [ Links ]

Glen, R., Suciu, C. & Baughn, C. (2014). The Need for Design Thinking in Business School. Academy of Management Learning and Education, 13(4), 653-667. [ Links ]

Gordon, R. & Howell, J. (1958). Higher Education for Business. Columbia University Press. [ Links ]

Grey, C. (2001). Re-imagining Relevance: A Response to Starkey and Madan. British Journal of Management, 12(SI), 527-S32. [ Links ]

Grey, C. (2004). Reinventing Business Schools: The Contribution of Critical Management Education. Academy of Management Learning and Education, 3(2), 178-186. [ Links ]

Guerrazzi, L., Brandão, M., Campos Junior, H. & Lourenço, C. (2015). Pesquisa em marketing e estratégia nos principais periódicos internacionais: um estudo bibliométrico sobre publicações no século XXI. Revista Ibero-Americana de Estratégia, 14(1), 7-27. [ Links ]

Hambrick, D. (1994). What if the Academy actually mattered? Academy of Management Review, 19(1), 11-16. [ Links ]

Harrison, R., Leitch, C. & Chia, R. (2007). Developing paradigmatic awareness in university Business Schools: The challenge for executive education. Academy of Management Learning and Education, 6(3), 332-343. [ Links ]

Henisz, W. (2011). Leveraging the Financial Crisis to Fulfill the Promise of Progressive Management. Academy of Management Learning and Education, 10(2), 298-321. [ Links ]

Hodgkinson, G. & Starkey, K. (2011). Not Simply Returning to the Same Answer Over and Over Again: Reframing Relevance. British Journal of Management, 22(3), 355-369. [ Links ]

Hughes, T., D. Bence, L. Grisoni, N. O’Regan & D. Wornham (2011). Scholarship that matters: academic-practitioner engagement in business and management. Academy of Management Learning and Education, 10(1), 40-57. [ Links ]

Kark, R. (2011). Games managers play: Play as a form of leadership development. Academy of Management Learning and Education, 10(3), 507-527. [ Links ]

Khurana, R. & Spender, J. C. (2012). Herbert A. Simon on what ails business schools: more than a problem in organizational design. Journal of Management Studies, 49(3), 619-639. [ Links ]

Khurana, R. (2007). From higher aims to hired hands: the social transformation of American business schools and the unfulfilled promise of management as profession. Princeton: Princeton University Press. [ Links ]

Kieser, A. & Leiner, L. (2009) Why the rigour-relevance gap in management research is unbridgeable. Journal of Management Studies, 46(3), 516-533. [ Links ]

Kieser, A. & Leiner, L. (2011). On the Social Construction of Relevance: A Rejoinder. Journal of Management Studies, 48(4), 891-898. [ Links ]

Kieser, A. & Leiner, L. (2011). On the social construction of relevance: A rejoinder. Journal of Management Studies, 48, 891-898. [ Links ]

Klimoski, R. & Amos, B. (2012). Practicing. Evidence-Based Education in Leadership Development. Academy of Management Learning and Education, 11(4), 685-702. [ Links ]

Knights, D. & Clarke, C. (2014). It’s a bittersweet symphony, this life: Fragile academic selves and insecure identities at work. Organization Studies, 35(3), 335-357. [ Links ]

Knights, D. (2008). Myopic Rhetorics: Reflecting Epistemologically and Ethically on The Demand for Relevance in Organizational and Management Research. Academy of Management Learning and Education, 7(4), 537-552. [ Links ]

Knights, D. (2008). Myopic rhetorics: Reflecting epistemologically and ethically on the demand for relevance in organizational and management research. Academy of Management Learning and Education, 7, 537-552. [ Links ]

Kuhn, T., (1962). The Structure of Scientific Revolutions. Chicago: The University of Chicago Press. [ Links ]

Learmonth, M., Lockett, A. & K. Dowd (2012). Towards scholarship that matters: the usefulness of useless research and the uselessness of useful research. British Journal of Management, 23(1), 35-44. [ Links ]

Leavitt, H., (1989). Educating our MBAs: On teaching what we haven’t taught. California Management Review, 31(3), 38-50. [ Links ]

Lin, T. & Cheng, Y. (2010). Exploring the knowledge network of strategic alliance research: A co-citation analysis. International Journal of Electronic Business Management, 8(2), 152-160. [ Links ]

Macdonald, S. & Kam, J. (2007). Ring a ring o’ roses: Quality journals and gamesmanship in management studies. Journal of Management Studies, 44(4), 640-655. [ Links ]

McCain, K. (1990). Mapping authors in intellectual space: A technical overview. Journal of the American Society for Information Science, 41(6), 433-443. [ Links ]

McGrath, M. (2007). School bullying: tools for avoiding harm and liability. Thousand Oaks: Corwin Press. [ Links ]

McKelvey, B. (2006). Comment on Van De Ven and Johnson’s ‘Engaged Scholarship’: Nice Try, But . Academy of Management Review, 31(4), 822-829. [ Links ]

McTiernan, S. & Flynn, P. M. (2011). “Perfect storm” on the horizon for women business school deans? Academy of Management Learning and Education, 10(2), 323-339. [ Links ]

Mintzberg, H. & Gosling, J. (2002). Educating managers beyond borders. Academy of Management Learning and Education, 1(1), 64-76. [ Links ]

Mintzberg, H. (2004). Managers Not MBAs: A Hard Look at the Soft Practice of Managing and Management Development. San Francisco: Berrett-Koehler. [ Links ]

Morgeson, F. P., & Nahrgang, J. D. (2008). Same as It Ever Was: Recognizing Stability in the Business Week Rankings. Academy of Management Learning and Education, 7(1), 26-41. [ Links ]

Navarro, P. (2006). The Well-Timed Strategy: Managing the Business Cycle for Competitive Advantage. Upper Saddle River: Wharton School Publishing. [ Links ]

Navarro, P. (2008). The MBA core curricula of top-ranked U.S. business schools: A study in failure? Academy of Management Learning and Education, 7(1), 108-123. [ Links ]

Nicolai, A. & Seidl, D. (2010), That’s relevant! different forms of practical relevance in management science. Organization Studies, 31(9-10), 1257-1285. [ Links ]

Nowotny, H., Scott, P. & Gibbons, M. (2001). Re-thinking science: Knowledge and the public in an age of uncertainty. Cambridge: Polity Press. [ Links ]

Ofori-Dankwa, J. & Julian, S.D. (2005). From thought to theory to school: The role Of contextual factors in the evolution of schools of management thought. Organization Studies, 26 (9), 1307-1329. [ Links ]

O’Brien, J., Drnevich, P., Russell, C. & Armstrong, C. (2010). Does Business School research add economic value for students? Academy of Management Learning and Education, 9(4), 638-651. [ Links ]

Parnell, G., Bresnick, T., Tani, S. & Johnson, E. (2012). Decision analysis soft skills, in Handbook of Decision Analysis, Hoboken: John Wiley and Sons, Inc. [ Links ]

Peng, M. & Dess, G. (2010). In the spirit of scholarship. Academy of Management Learning and Education, 9(2), 282-98. [ Links ]

Petriglieri, G. & Petriglieri, J. (2010). Identity Workspaces: The Case of Business Schools. Academy of Learning Education, 9(1), 44-60. [ Links ]

Petriglieri, G. & Petriglieri, J. (2015). Can Business Schools Humanize Leadership? Academy of Learning Education, 14(4), 625-647. [ Links ]

Petriglieri, G., Wood, J. & Petriglieri, J. (2011). Up Close and Personal: Building Foundations for Leaders’ Development Through the Personalization of Management Learning. Academy of Management Learning and Education, 10(3), 430-450. [ Links ]

Pfeffer, J. & Fong, C. (2004). The business school “business”: some lessons from the US experience. Journal of Management Studies, 41(8), 1501-1520. [ Links ]

Pfeffer, J. (1993). Barriers to the Advance of Organizational Science: Paradigm Development as a Dependent Variable. Academy of Management Review, 18(4), 599-620. [ Links ]

Pfeffer, J. (2005). Why Do Bad Management Theories Persist? A Comment on Ghoshal. Academy of Learning and Education, 4(1), 96-100. [ Links ]

Porter, L. & McKibbin, L. (1988). Management Education and Development: Drift or Thrust into the 21st Century? New York: McGrawHill. [ Links ]

Priem, L. R. & Rosenstein, J. (2000). Is Organization Theory obvious to practitioners? A test of one established theory. Organization Science, 11(5), 509-522. [ Links ]

Ramos-Rodriguez, A., & Ruiz-Navarro, J. (2004). Changes in the intellectual structure of strategic management research: A bibliometric study of the Strategic Management Journal, 1980-2000. Strategic Management Journal, 25(10), 981-1004. [ Links ]

Rindova, V., Williamson, I., & Petkova, A. 2010. When is reputation an asset? Reflections on theory and methods in two studies of business schools. Journal of Management, 36(3), 610-619. [ Links ]

Rindova, V., Williamson, I., Petkova, A., & Sever, J. (2005). Being good or being known: An empirical examination of the dimensions, antecedents, and consequences of organizational reputation. Academy of Management Journal, 48(6), 1033-1049. [ Links ]

Romme, A., Avenier, M.-J., Denyer, D., Hodgkinson, G., Pandza, K., Starkey, K. & Worren, N. (2015), Towards Common Ground and Trading Zones in Management Research and Practice. British Journal of Management, 26(3), 544-559. [ Links ]

Rousseau, D. & McCarthy, S. (2007). Educating managers from an evidence-based perspective. Academy of Management Learning & Education, 16(6), 84-101. [ Links ]

Rousseau, D. (2006). Is there such a thing as “evidence-based management”? Academy of Management Review, 31(2), 256-269. [ Links ]

Rubin, R. & Dierdorff, E. (2009). How relevant is the MBA? Assessing the alignment of required curricula and required managerial competencies. Academy of Management Learning and Education, 8(2), 208-224. [ Links ]

Rubin, R. & Dierdorff, E. (2011). On the road to Abilene: Time to manage agreement about MBA curricular relevance. Academy of Management Learning and Education, 10(1), 48-61. [ Links ]

Rutherford, S., Mann, M.E., Wahl, E. & Ammann, C. (2012). Comment on: “Erroneous Model Field Representations in Multiple Pseudoproxy Studies: Corrections and Implications” by Jason E. Smerdon, Alexey Kaplan and Daniel E. Amrhein, Journal Climate, 26, 3482-3484. [ Links ]

Rynes, S., Bartunek, J. & Daft, R. (2001). Across the Great Divide: Knowledge Creation and Transfer between Practitioners and Academics. Academy Management Journal, 44(2), 340-355. [ Links ]

Safón, V. (2007). Factors that influence recruiters’ choice of b-schools and their MBA graduates: Evidence and implications for b-schools. Academy of Management Learning & Education, 6(2), 217-233. [ Links ]

Sandberg, J. & Tsoukas, H. (2011). Grasping the logic of practice: Theorizing through practical rationality. Academy of Management Review, 36(2), 338-360. [ Links ]

Sauder, M., & Lancaster, R. (2006). Do rankings matter? The effects of U.S. News and World Report rankings on the admissions process of law schools. Law and Society Review, 40(1), 105-134. [ Links ]

Scafuto, I., Serra, F., Mangini, E., Maccari, E. & Ruas, R. (2017). The impact of flipped classroom in MBA’s evaluation. Education + Training, 59, 914-928 [ Links ]

Schoemaker, P. (2008), Rethinking management education: the future challenges of Business. California Management Review, 50(3), 119-39. [ Links ]

Serra, F., Ferreira, M. & Almeida, M. (2013). Organizational decline: a yet largely neglected topic in organizational studies. Management Research: The Journal of the Iberoamerican Academy of Management, 11(2), 133-156. [ Links ]

Shrivastava, P., Ivanaj, S. & Persson, S. (2013) Transdisciplinary Study of Sustainable Enterprise, Journal of the Business Strategy and the Environment, 22(4), 230-244. [ Links ]

Simon, H. (1967). The business school: A problem in organizational design. Journal of Management Studies, 4(1), 1-16. [ Links ]

Slater, D. J. & Dixon-Fowler, H. R. (2010). The future of the planet in the hands of MBAs: An examination of CEO MBA education and corporate environmental Performance. Academy of Management Learning and Education, 9(3), 429-441. [ Links ]

Starkey, K. & Madan, P. (2001). Bridging the Relevance Gap: Aligning Stakeholders in the future of management research. British Journal of Management, 12(SI), 3-26. [ Links ]

Starkey, K. & Tempest, S. (2009). The winter of our discontent: The design challenge for business schools. Academy of Management Learning and Education, 8(4), 576-586. [ Links ]

Starkey, K. & Tiratsoo, N. (2007). The Business School and the Bottom Line. Cambridge: Cambridge University Press. [ Links ]

Starkey, K., Hatchuel, A. & Tempest, S. (2004). Rethinking the Business School. Journal of Management Studies, 41(8), 1521-1531. [ Links ]

Stiles, D.R. (2004). Narcissus revisited: The values of management academics and their role in Business School strategies. UK and Canada: British Journal of Management, 15(2), 157-175. [ Links ]

Thomas, H. & Wilson, A. (2011). Physics envy, cognitive legitimacy or practical relevance: dilemmas in the evolution of management research in the UK. British Journal of Management, 22(3), 443-456. [ Links ]

Tranfield, D. & Starkey, K. (1998). The Nature, Social Organization and Promotion of Management Research: Towards Policy. British Journal of Management, 9(4), 341-353. [ Links ]

Trank, C. (2014). Reading evidence-based management: The possibilities of interpretation. Academy of Management Learning and Education, 13(3), 381-395. [ Links ]

Trieschmann, J., Dennis, A., Northcraft, G. & Nieme Jr., A. (2000). Serving constituencies. In, Business Schools: M.B.A. program versus research performance. Academy of Management Journal, 43(6), 1130-1141. [ Links ]

Tsui, A. (2013). The spirit of science and socially responsible scholarship. Management and Organization Review, 9(3), 375-394. [ Links ]

Tushman, M., Fenollosa, A., McGrath, D., O’Reilly, C. & Kleinbaum, A. (2007). Relevance and rigor: Executive education as a lever in shaping practice and research. Academy of Management Learning and Education, 6(3), 345-365. [ Links ]

Vaara, E. & Fay, E. (2011). How can a Bourdieusian perspective aid the analysis of MBA education? Academy of Management Learning and Education, 1(10), 27-39. [ Links ]

Vaara, E., & Fay, E. (2012). Reproduction and change on the global scale: A Bourdieusian perspective on management education. Journal of Management Studies, 49(6), 1023-1051. [ Links ]

Van de Ven, A. (2007). Engaged Scholarship: A Guide for Organizational and Social Research. New York: Oxford University Press. [ Links ]

Van de Ven, A., & Johnson, P. (2006). Knowledge for theory and practice. Academy of Management Review, 31, 802-821. [ Links ]

Vogel, R., & Güttel, W. (2013). The dynamic capability view in strategic management: a bibliometric review. International Journal of Management Reviews, 15(4), 426-446. [ Links ]

Von Krogh, G., Rossi-Lamastra, C., & Haefliger, S. (2012). Phenomenon-based research in management and organization science: When is it rigorous and does it matter? Long Range Planning, 45(4), 277-298. [ Links ]

Waddock, S. & Lozano, J. (2013). Developing more holistic management education: Lessons learned from two programs. Academy of Management Learning and Education, 12(2), 265-284. [ Links ]

Walsh, M. (2012). Conceptualizing classroom interactional competence. Novitas-Royal Research on Youth and Language, 6(1), 1-14. [ Links ]

Walsh, S. (2011). Exploring Classroom Discourse: Language in Action. London: Routledge. [ Links ]

Wasserman, S. & Faust, K. (1994). Social Network Analysis Methods and Applications. Cambridge: Cambridge University Press . [ Links ]

Willmott, H. (2012). Reframing Relevance as ‘Social Usefulness’: A Comment on Hodgkinson and Starkey’s ‘Not Simply Returning to the Same Answer Over and Over Again’. British Journal of Management, 23(4), 598-604. [ Links ]

Wilson, D., & McKiernan, P. (2011). Global mimicry: putting strategic choice back on the business school agenda. British Journal of Management, 22(3), 457-469. [ Links ]

Wood Jr., T., & Cruz, J. (2014). MBAs: Cinco Discursos em Busca de uma Nova Narrativa. Cadernos EBAPE.BR, 12(1), 26-44. [ Links ]

Wright, R., Paroutis, S. & Blettner, D. (2013). How useful are the strategic tools we teach in Business Schools? Journal of Management Studies, 50(1), 92-152. [ Links ]

Zupic, I., & Čater, T. (2015). Bibliometric methods in management and organization. Organizational Research Methods, 18(3), 429-472. [ Links ]

APÊNDICE 1. RESULTADOS BIBLIOMÉTRICOS

Análise de cocitação

A análise fatorial para a cocitação (Tabela A1.1) das referências do pareamento permitiu identificar três fatores responsáveis por 64,3% da variância explicada, sendo o primeiro fator dominante. Os fatores nomeados são: Fator CC1: Lacuna de Teoria e Prática; Fator CC2: Relevância Social; Fator CC3: Currículos e Prática. Os trabalhos incluídos na cocitação são predominantemente conceituais e em ensaios ou livros.

Tabela A1.1. Análise fatorial da cocitação 

Referências Cargas Fatoriais
CC1 Lacuna entre a Teoria e a Prática CC2 Relevância Social CC3 Currículo e Prática
Nowotny et al., 2001 ,886 ,056 ,170
Anderson et al., 2001 ,825 ,103 ,034
Tranfield & Starkey, 1998 ,823 ,193 -,007
Gibbons et al., 1994 ,821 -,088 ,345
Grey, 2001 ,806 -,113 ,338
Pfeffer, 1993 ,782 ,106 -,109
Shapiro et al., 2007 ,660 -,178 ,585
Van de Ven & Johnson, 2006 ,657 ,432 -,027
Starkey & Madan, 2001 ,651 ,274 ,034
Van de Vem, 2007 ,635 ,366 ,044
Rousseau, 2006 ,598 ,562 ,072
Hambrick, 1994 ,584 ,390 ,399
Kuhn, 1962 ,514 ,310 ,469
Leavitt, 1989 ,492 ,484 ,427
Ghoshal, 2005 ,195 ,840 ,114
Adler & Harzing, 2009 ,061 ,824 ,226
Ferraro et al., 2005 ,251 ,791 ,207
Bennis & O’Toole, 2005 ,194 ,755 -,059
Gioia & Corley, 2002 ,076 ,729 ,477
Cheit, 1985 ,023 ,716 ,159
Starkey & Tiratsoo, 2007 ,406 ,664 ,064
Datar et al., 2010 ,031 ,647 ,221
Friga et al., 2003 ,101 ,641 ,285
Porter & McKibbin, 1988 ,445 ,613 ,221
Gordon & Howell, 1958 ,213 ,579 ,522
Navarro, 2008 -,138 ,528 ,386
Pfeffer & Fong, 2004 ,256 ,152 ,892
Pfeffer & Sutton, 2007 ,321 ,035 ,880
Pfeffer & Fong, 2004 ,125 ,364 ,845
Starkey & Tempest, 2009 -,108 ,044 ,777
Rubin & Dierdorff, 2009 -,174 ,189 ,708
Mintzberg & Gosling, 2002 ,501 ,201 ,651
Trieschmann et al., 2000 ,019 ,137 ,619
Mintzberg, 2004 ,316 ,412 ,607
Khurana, 2007 ,242 ,451 ,591
Starkey et al., 2004 -,012 ,410 ,579
Rynes et al., 2001 ,374 ,118 ,556
Rousseau & McCarthy, 2007 ,120 ,345 ,496

Nota: As referências completas estão disponíveis em https://drive.google.com/file/d/1iFNj0bRD1znifs6z1d4VRM2e-a9CmoFb/view?usp=sharing

Fonte: Elaborado pelos autores.

Para selecionar o número de artigos, apresentado na Tabela A1.1, usamos a lei da bibliometria de Lotka na análise de citações (link do arquivo: https://drive.google.com/file/d/1ed7BUQw0F11E6GJIQUc_9IAyR38BjmO_/view?usp=sharing). Indica que um número relativamente pequeno de artigos citados (cerca de 5%) seria representativo da estrutura intelectual que influencia o tema (Nath e Jackson, 1991). A amostra selecionada de 44 referências foi reduzida para 38 devido a ajustes durante o procedimento de análise fatorial. Os artigos da amostra selecionada apresentados na Tabela I.1 no Arquivo Complementar no link anterior, correspondem a 603 citações em 6200 citações nos 76 artigos referenciados (aproximadamente 10% das citações).

A rede de cocitação bibliográfica na Figura A1.1 mostra os links entre os artigos da amostra. A Tabela A.1.2 mostra a variação explicada da análise fatorial e a densidade e coesão de cada um dos fatores identificados na rede.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Figura A1.1. Rede de cocitação. 

Tabela A1.2. Análise fatorial de co-citação e métricas de rede 

Cocitação Trabalhos Densidade Coesão % Variância explicada % Variância acumulada KMO Bartlett
CC1 14 0,85 1,58 40,94 40,94
CC2 12 0,71 1,16 13,02 53,96
CC3 12 0,41 0,79 10,34 64,30
Total 38 0,48 0,000

Fonte: Elaborado pelos autores.

O fator CC1 foi rotulado como “Teoria e Prática”. Contém 14 obras. Os artigos mostram uma alta densidade na rede, sugerindo que as referências são predominantemente compartilhadas no mesmo fator (Figura A1.1). A baixa coesão indica que esse fator se conecta aos outros (Tabela A1.2).

O fator CC2, denominado “Relevância Social”, é representado por 12 trabalhos (Tabela A1.1). Este fator mostra uma densidade relativamente alta entre as obras. As referências são predominantemente compartilhadas no mesmo fator, com um corpo relativamente homogêneo (Figura A1.1). A baixa coesão indica que esse fator se conecta aos outros (Tabela A1.2).

Nós rotulamos o Fator CC3 como “Currículos e Prática”. Esse fator é composto por 12 artigos que geralmente criticam os currículos e o conteúdo do ensino nas EN (Tabela A1.1). Os artigos mostraram um corpo de literatura relativamente heterogêneo (Figura A1.1) pela medida de densidade relativamente baixa (Tabela A1.2). A baixa coesão indica a conexão desse fator com outros.

Pareamento Bibliográfico (BC)

Os 6 fatores foram identificados (Tabela A1.3). A rede de pareamento bibliográfico na Figura A1.2 mostra os nós, que são os artigos da amostra, e as linhas, que representam suas referências compartilhadas. A rede mostra dois clusters, um formado pelo fator BC2 e o segundo pelos fatores BC1, BC3, BC4, BC5 e BC6. Então, assumindo que uma ordem lógica foi observada na rede, é possível inferir que o fator BC1- “Relevância da EN” e o fator BC3 - “Relevância para a Prática” são os fatores centrais da discussão, pois são relacionados a outros fatores e claramente possuem maior densidade. Esses são os fatores da análise fatorial com mais artigos. Esses fatores estão ligados aos desafios que as EN enfrentam em relação ao mercado e à relevância de suas pesquisas, respectivamente. Outro aspecto que justifica esses fatores serem os mais centrais é que eles incluem os três artigos com o mais alto grau de centralidade. Isso significa que eles são pareados a muitos artigos e têm pontos em comum com eles, o que significa que suas abordagens são predominantes na rede. No fator BC1, existem dois artigos com um alto grau de centralidade. O primeiro é Petriglieri e Petriglieri (2015), com 282 pareamentos, nos quais os autores abordam o ensino da liderança nas EN. A segunda é a de McTiernan e Flynn (2011), com 281 pareamentos, nos quais os autores abordam as críticas às EN na perspectiva de seus reitores e suas características pessoais. O fator BC3 contém o artigo de Hughes et al., (2011), com a maior centralidade dos três, com 286 pareamentos.

Tabela A1.3. Análise fatorial do pareamento  

Referências Cargas Fatoriais
BC1 Relevância da EN BC2 Relevância do Ensino BC3 elevância para a Prática BC4 elevância do Currículo BC5 Evolução e Influência das EN BC6 Reputação
a133 - Benjamin et al., 2011 AMLE ,870 -,097 ,180 -,066 ,056 -,034
a147 - Henisz, 2011 AMLE ,850 -,119 ,109 ,070 -,012 -,005
a188 - Arbaugh, 2010 AMLE ,818 -,044 -,013 ,263 -,121 -,021
a165 - Rubin & Dierdorff, 2011 AMLE ,800 -,145 ,125 ,130 ,043 ,003
a155 - Walsh, 2011 AMR ,791 -,160 ,236 ,013 ,097 ,129
a149 - McTiernan & Flynn, 2011 AMLE ,753 -,204 ,125 ,078 ,082 -,033
a189 - Peng & Dess, 2010 AMLE ,752 ,006 ,235 ,038 ,032 ,144
a127 - Dhanaraj & Khanna, 2011 AMLE ,749 -,091 -,048 ,126 -,033 ,003
a318 - Safon, 2007 AMLE ,732 ,155 ,080 ,220 -,021 ,211
a171 - O’Brien et al., 2010 AMLE ,716 -,115 ,218 ,006 ,105 ,074
a132 - Petriglieri et al., 2011 AMLE ,709 ,124 ,019 -,335 ,072 -,220
a178 - Slater et al., 2010 AMLE ,707 -,152 ,028 ,248 -,020 -,074
a195 - Petriglieri & Petriglieri, 2010 AMLE ,670 ,249 -,011 -,353 ,035 -,222
a280 - Morgeson & Nahrgang, 2008 AMLE ,669 ,001 -,013 ,200 -,108 ,389
a146 - Charlier et al., 2011 AMLE ,665 -,182 ,380 -,043 ,145 ,089
a198 - Ferlie et al., 2010 BJM ,661 ,001 ,478 ,020 -,111 -,083
a138 - Thomas & Wilson, 2011 BJM ,629 -,214 ,402 -,070 -,057 ,014
a380 - Pfeffer & Fong, 2004 JMS ,626 ,014 ,244 ,460 -,070 -,078
a307 - Harrison et al., 2007 AMLE ,610 ,123 ,493 ,290 ,051 -,147
a284 - Schoemaker, 2008 CMR ,595 ,134 ,293 ,280 ,323 -,056
a298 - McGrath, 2007 AMJ ,591 ,147 ,306 ,142 ,092 ,310
a247 - Chia & Holt, 2008 AMLE ,589 ,084 ,389 ,077 ,179 -,049
a139 - Wilson & McKiernan, 2011 BJM ,527 -,218 ,180 -,079 -,052 ,260
a160 - Vaara & Fay, 2011 AMLE ,514 -,085 ,072 ,072 ,009 ,002
a104 - Vaara & Fay, 2012 JME ,475 -,131 ,075 ,083 ,038 ,013
a134 - Kark, 2011 AMLE ,441 ,149 -,120 -,345 -,010 -,253
a106 - Rutherford et al., 2012 AMLE ,430 -,157 -,142 ,414 ,025 -,020
a11 - Petriglieri & Petriglieri, 2015 AMLE ,395 ,276 -,006 -,029 -,161 -,173
a83 - Wright et al., 2013 JMS -,172 ,898 ,097 ,105 -,025 ,031
a27 - Trank, 2014 AMLE -,037 ,888 ,033 ,042 ,070 ,025
a67 - Shrivastava et al., 2013 BSE -,220 ,872 ,148 ,155 ,012 ,087
a94 - Walsh, 2012 ASQ -,064 ,868 -,099 -,089 -,119 -,117
a89 - Willmott, 2012 BJM -,142 ,834 ,158 ,061 -,053 ,052
a86 - Klimoski & Amos, 2012 AMLE ,064 ,801 -,123 -,196 ,018 -,170
a62 - Waddock & Lozano, 2013 AMLE -,043 ,791 -,144 -,023 -,150 -,133
a70 - Tsui, 2013 AMR -,220 ,761 -,056 ,067 -,133 -,032
a25 - Glen et al., 2014 AMLE -,070 ,723 -,070 ,018 ,248 -,136
a29 - Gamble & Jelley, 2014 AMLE -,187 ,691 ,267 ,241 ,133 ,193
a18 - Alajoutsijärvi et al., 2015 AMLE -,037 ,656 ,035 -,109 ,150 -,082
a24 - Aguinis et al., 2014 PSP -,181 ,636 ,144 ,005 ,023 ,048
a16 - Akrivou & Bradbury-Huang, 2015 AMLE ,346 ,574 -,037 -,302 ,033 -,272
a17 - Costigan et al., 2015 AMLE ,207 ,539 -,183 -,143 -,013 -,212
a43 - Knights & Clarke, 2014 OS -,010 ,466 -,128 -,202 -,122 -,141
a388 - Stiles, 2004 BJM -,084 ,105 ,850 ,045 ,008 ,025
a243 - Alferoff & Knights, 2009 BJM -,034 ,090 ,784 ,039 -,083 -,020
a117 - Learmonth et al., 2012 BJM ,117 -,250 ,778 -,130 -,039 -,077
a248 - Knights, 2008 AMLE ,225 ,047 ,755 ,089 -,059 -,047
a239 - Kieser & Leiner, 2009 JMS -,046 ,367 ,712 ,225 ,302 ,129
a135 - Hodgkinson & Starkey, 2011 BJM ,289 -,208 ,678 -,115 -,017 -,076
a161 - Hughes et al., 2011 AMLE ,338 -,153 ,659 -,035 -,064 -,110
a152 - Kieser & Leiner, 2011 JMS ,375 -,125 ,656 -,173 ,132 ,107
a336 - McKelvey, 2006 AMR ,414 ,255 ,636 ,145 ,201 -,059
a156 - Sandberg & Tsoukas, 2011 AMR ,474 -,146 ,597 -,212 ,131 -,050
a112 - Parnell et al., 2012 BJM ,414 -,214 ,593 ,063 -,024 -,139
a196 - Antonacopoulou, 2010 BJM ,466 -,086 ,586 -,080 ,057 -,035
a12 - Butler et al., 2015 BJM ,161 ,523 ,585 ,022 ,081 ,117
a335 - Bell et al., 2006 JMS ,278 ,291 ,575 ,218 ,401 ,055
a14 - Romme et al., 2015 BJM -,134 ,530 ,562 ,207 ,108 ,075
a308 - Tushman et al., 2007 AMLE ,318 ,258 ,556 ,271 ,331 -,049
a183 - Nicolai & Seidl, 2010 OS ,419 -,124 ,530 ,010 ,190 -,061
a421 - Priem & Rosenstein, 2000 OS ,029 ,105 ,456 ,321 ,448 -,004
a282 - Clinebell & Clinebell, 2008 AMLE ,491 ,149 ,018 ,652 ,253 -,004
a404 - Pfeffer & Fong, 2004 AMLE ,266 -,010 ,237 ,642 ,212 -,037
a345 - Navarro, 2006 AMLE ,066 -,029 -,028 ,532 ,050 -,130
a283 - Navarro, 2008 AMLE ,298 -,099 -,074 ,493 ,104 -,055
a354 - Augier & Teece, 2005 CMR -,027 ,018 -,092 ,054 ,709 -,115
a378 - Augier et al., 2005 OS -,097 -,041 ,007 ,120 ,680 ,001
a326 - Augier & March, 2007 CMR ,333 ,290 ,301 ,328 ,544 -,046
a153 - Bort et al., 2011 OS ,296 -,266 ,089 -,109 ,501 ,299
a109 - Khurana & Spender, 2012 JMS ,464 -,289 ,198 ,044 ,501 ,020
a449 - Abrahamson, 1996 AMR -,148 ,179 ,428 ,170 ,483 ,215
a420 - Baden-Fuller et al., 2000 LRP ,024 -,086 -,172 -,062 -,057 ,743
a366 - Ofori-Dankwa & Julian, 2005 OS ,026 -,029 ,112 -,051 ,389 ,709
a193 - Rindova et al., 2010 JM ,006 -,032 -,140 -,056 -,091 ,664
a322 - MacDonald & Kam, 2007 JMS ,009 -,080 ,125 -,093 ,068 ,589
a352 - Rindova et al., 2005 AMJ ,069 -,117 -,146 ,029 -,082 ,508

Nota: As referências completas estão disponíveis em <https://drive.google.com/file/d/1iFNj0bRD1znifs6z1d4VRM2e-a9CmoFb/view?usp=sharing>

Fonte: Elaborado pelos autores.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Figura A1.2. Diagrama da rede de pareamento bibliométrico. 

Devido à centralidade dos fatores BC1 e BC3, percebe-se que eles se comunicam com os outros fatores, apoiando as demais discussões. Ele está conectado ao fator BC4 - “Relevância Curricular”, que está vinculado ao fator BC2 - “Relevância do Ensino” e ao fator BC6 - “Reputação” - suas características e influências. Enquanto isso, nos fatores BC1, BC3 e BC5 - “Evolução e influência das EN”, os autores baseiam suas discussões na evolução das EN. O modo como as EN evoluíram as distanciou das necessidades do mercado e da sociedade. As escolas estão sob pressão para realizar pesquisas mais teóricas, que têm pouca influência nos fenômenos cotidianos e na realidade com a qual os gerentes de empresas lidam na prática. Isso levou a questões levantadas em relação a esta pesquisa e sua relação com o ensino de administração, abordado no fator BC2. Essa relação é intermediada pela preparação dos alunos para o mercado. Assim, a crítica é que, se as EN alegam preparar os alunos para o mercado, qual é ou deveria ser seu principal objetivo, por que eles estão realizando pesquisas que não estão de acordo com esta proposta? Isso resultou em uma crise de reputação, discutida por um número significativo de autores, especialmente no fator BC 6.

O fator BC1 tem o maior número de artigos, com 28 (Tabela A1.3). Nós o rotulamos como “Relevância da EN”. O fator tem a maior variância explicada, com 25,48% (Tabela A1.4), representando a predominância do fluxo. O fator mostra um corpo de literatura homogêneo, considerando as medidas de alta densidade. A coesão relativamente baixa (Tabela A1.4) e as cargas cruzadas (Tabela A1.3) indicam a conexão desse fator com outros (Figura A1.2).

O fator BC3 possui o segundo maior número de artigos, com 18 (Tabela A1.3). Esse fator foi denominado “Relevância para a prática”. Esse fator, ao contrário do fator BC1, tem predomínio da BJM, com 7 artigos (Tabela A1.3). No entanto, apenas dois artigos AMLE estão presentes no fator C33. O fator tem uma variação explicada de 8,27% (Tabela A1.4). O fator mostra um corpo homogêneo de literatura com foco na divisão acadêmico-profissional. Considerando as medidas de alta densidade, a baixa coesão relativa (Tabela A1.4) e as cargas cruzadas (Tabela A1.3) indicam a conexão desse fator a outros (Figura A1.2).

Tabela A1.4. Métricas da análise fatorial e da rede de pareamento bibliográfico 

Pareamento Trabalhos Densidade Coesão % Variância explicada % Variância acumulada KMO Bartlett
BC1 28 0,91 1,90 25,48 25,48
BC2 15 0,85 4,70 14,59 40,06
BC3 18 0,93 1,72 8,27 48,34
BC4 4 1,00 6,38 5,17 53,51
BC5 6 0,93 2,01 3,89 57,40
BC6 5 0,90 3,72 2,98 60,38
Total 38 0,57 0,000

Fonte: Elaborado pelos autores.

O fator BC4 possui apenas 4 artigos (Tabela A1.3) e acha adequado rotulá-lo de “Relevância Curricular”. O fator tem uma baixa variância explicada com 5,17% (Tabela A1.4). O fator BC5, com 6 artigos (Tabela A1.3), foi identificado como “Evolução e influência das EN”. O fator tem uma baixa variância explicada com 3,89% (Tabela A1.4).

O fator BC6 possui 5 artigos (Tabela A1.3) e é denominado “Reputação”. Esse fator está relacionado ao fator BC1 e apresenta algumas evidências positivas da relevância das EN. Apresenta a menor variância explicada em 2,98% (Tabela A1.4) e mostra um corpo de literatura homogêneo (Figura A1.2), considerando as medidas de alta densidade. A baixa coesão relativa (Tabela A1.4) e as cargas cruzadas (Tabela A1.3) também indicam a conexão desse fator com outros.

O fator BC2 possui um elevado número de artigos (15) (Tabela A1.3) e foi nomeado “Relevância para o Ensino”. A rede de pareamento bibliográfico mostra que o fator BC2 está mais isolado no canto direito da Figura A1.2. Isso se justifica porque o fator discute como a gestão é ensinada e se concentra mais em ferramentas e metodologias de ensino. Esse fator considera aspectos referentes às críticas ao ensino de gestão e às metodologias empregadas. A discussão central é sempre a mesma: as EN evoluíram de tal maneira que as pesquisas que realizam não são muito relevantes para o mercado, mesmo que proponham preparar os alunos para os desafios que enfrentarão em suas carreiras.

Nos outros fatores, especialmente no lado esquerdo da rede, que começa com os fatores centrais (1 e 3), os autores demonstram preocupação sobre como aliar teoria e prática. nas salas de aula das EN. No lado direito da Figura A1.2, a necessidade de as EN se aproximarem das empresas é discutida no fator BC2.

Integrando os resultados de cocitação e pareamento bibliográfico

Para construir as relações intrafatores, interpretamos as cargas cruzadas a partir da análise fatorial, do formato da rede e de suas métricas, bem como da leitura dos artigos. Para apoiar nossas leituras sobre a relação dos fatores de cocitação, com os fatores de pareamento bibliográfico, calculamos o compartilhamento de referências dos fatores de cocitação nos artigos dos fatores de pareamento bibliográfico. Os resultados são apresentados na Tabela A1.5 e na Figura A1.3. Na Tabela A1.5, quanto mais escura a célula, maior é a relação entre os fatores de cocitação e pareamento. Esses resultados nos permitiram integrar a cocitação e o pareamento bibliográfico. Juntamente com as cargas cruzadas e as métricas de rede, conseguimos preparar a Figura 1 que orientou nossa revisão.

Tabela A1.5. Influência das referências dos fatores da cocitação nos fatores de pareamento bibliográfico 

Fator Cocitação
CC1 CC2 CC3
Pareamento BC1 7 26 37
BC2 8 24 25
BC3 45 14 18
BC4 5 23 5
BC5 8 18 7
BC6 4 2 6

Fonte: Elaborado pelos autores.

Fonte: Elaborado pelos autores.

Figura A1.3. Representação influência das referências dos fatores da cocitação nos fatores de pareamento bibliográfico. 

Recebido: 13 de Agosto de 2019; Revisado: 19 de Outubro de 2019; Aceito: 09 de Dezembro de 2019; Publicado: 15 de Junho de 2020

isabelscafuto@gmail.com

fernandorserra@gmail.com

luizguerrazzi@gmail.com

emersonmaccari@gmail.com

CONTRIBUIÇÕES DE AUTORIA

Todos os autores contribuíram para a concepção, desenho, aquisição, análise e interpretação dos dados, bem como para a revisão da versão final do trabalho.

CONFLITO DE INTERESSE

Os autores declaram não ter conflito de interesses em relação ao artigo.

Creative Commons License This is an open-access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution License