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Brazilian Journal of Otorhinolaryngology

Print version ISSN 1808-8694

Braz. j. otorhinolaryngol. (Impr.) vol.75 no.6 São Paulo Nov./Dec. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S1808-86942009000600021 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

O cigarro como um fator de risco para alterações auditivas

 

 

Carolina Pamplona PaschoalI; Marisa Frasson de AzevedoII

IMestre em ciências pela Universidade Federal de São Paulo, Fonoaudióloga
IIDoutora em distúrbios da comunicação humana pela Universidade Federal de São Paulo, Professora adjunta e vice-chefe da disciplina dos distúrbios da audição da Universidade Federal de São Paulo. Universidade Federal de São Paulo

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O tabagismo é um problema de saúde pública e ainda não se sabe ao certo sua relação com problemas auditivos.
OBJETIVO:Verificar o efeito do cigarro nos limiares audiométricos, na ocorrência das emissões otoacústicas e na inibição das mesmas pelo sistema eferente olivococlear medial.
MATERIAL E MÉTODO: 144 adultos de ambos os sexos, entre 20 a 31 anos, fumantes e não fumantes, foram submetidos a audiometria convencional e de alta frequência, emissões otoacústicas por estímulo transiente e a pesquisa do efeito de supressão.
RESULTADOS: O grupo de fumantes apresentou limiares auditivos piores nas frequências 12500Hz na orelha direita e 14000Hz em ambas orelhas. Nas emissões otoacústicas apresentou nível de resposta menor nas frequências de 1000Hz em ambas orelhas e 4000Hz na orelha esquerda. O grupo de fumantes também apresentou maior número de casos com disfunção coclear e queixa de zumbido.
CONCLUSÃO: Os resultados do estudo sugerem que o cigarro tem um efeito nocivo no sistema auditivo.

Palavras-chave: audiometria, emissões otoacústicas espontâneas, perda auditiva de alta frequência, tabagismo, zumbido.


 

 

INTRODUÇÃO

O tabagismo é um sério problema de saúde pública. Diversos estudos já demonstraram seus malefícios. Os fumantes, em confronto com os que nunca fumaram, têm um risco maior de contrair infecções respiratórias bacterianas e viróticas agudas e crônicas; câncer de boca, laringe, esôfago, pâncreas, rim e bexiga; doenças circulatórias como arteriosclerose, aneurisma da aorta, acidentes vasculares cerebrais e distúrbios em vários órgãos¹.

A toxidade do cigarro é diretamente proporcional ao número de cigarros fumados e inversamente proporcional à idade com que a pessoa se inicia no vício2.

Na literatura é possível encontramos estudos que demonstram que o fumo é considerado um fator de risco para desenvolver perdas auditivas condutivas3,4 e neurossensoriais5-8, e os resultados descritos são diversos.

Na Califórnia, encontraram-se limiares auditivos elevados na frequência de 4000Hz nos fumantes5, enquanto na Malásia foi na frequência de 6000Hz6. Outra pesquisa concluiu que trabalhadores fumantes, com a exposição ao ruído, tem maior pré-disposição a adquirir perda auditiva nas frequências de 3000 e 4000Hz7.

Após um estudo longitudinal, foi relatado que o risco de adquirir uma perda auditiva, principalmente nas frequências altas, é diretamente proporcional ao número de cigarros por dia e ao tempo de fumante6,8. Os indivíduos ex-fumantes apresentam uma tendência a adquirir perdas auditivas nas frequências altas, o que sugere que o efeito provocado pelo cigarro na audição é acumulativo e permanente8.

Um trabalho com animais de laboratório mostrou a danificação da cóclea após a exposição à fumaça do cigarro9. Outra pesquisa com animais identificou receptores da nicotina nas células ciliadas, o que sugere que o cigarro pode ter um efeito ototóxico direto na funcionalidade destas células, diminuindo a potencialidade de ação do órgão neurotransmissor da audição10. Com a redução de oxigênio disponível para o órgão de Corti, há uma diminuição da energia necessária para a cóclea e, assim pode aumentar o número de lesões de células ciliadas9,11,12.

Alguns indivíduos fumantes apresentam a queixa do zumbido, o que pode sugerir uma alteração periférica ou central. A ocorrência do zumbido está relacionada com o tabagismo, porém esta relação é indireta já que o zumbido é uma manifestação dos indivíduos fumantes com perda auditiva11.

De acordo, então, com a literatura o tabagismo é responsável por déficit de oxigenação no sangue, obstruções vasculares e alteração na viscosidade sanguínea, podendo ter um efeito ototóxico na audição. Mas não se sabe ao certo o quanto isto interfere no sistema auditivo. Há controvérsias se o cigarro pode realmente ser considerado como um fator de risco para desenvolver alterações auditivas.

Existem diversos exames para avaliar o sistema auditivo periférico. A audiometria tonal convencional permite a investigação dos tons puros nas frequências de 250 a 8000Hz. Já a audiometria tonal de alta frequência avalia a audição nas frequências acima de 8000Hz e auxilia na investigação das respostas basais da cóclea. Uma das principais aplicações clínicas da audiometria de alta frequência é a monitorização da audição, afinal é uma ferramenta valiosa na investigação precoce do comprometimento auditivo13.

A avaliação das emissões otoacústicas possibilita uma pesquisa direta do mecanismo de amplificação coclear das células ciliadas externas, sua presença significa integridade de orelha média e presença normal da atividade de mecanismos biológicos ativos dentro da cóclea. A inervação eferente é composta por um grande número de fibras formando o sistema eferente medial e lateral. O sistema eferente medial está envolvido na inervação das células ciliadas externas, enquanto que o sistema lateral está relacionado às células ciliadas internas. A liberação da acetilcolina na fenda sináptica, por meio do trato eferente olivococlear medial, modula os movimento das células ciliadas externas14-16.

Um método de investigação do funcionamento do sistema olivococlear eferente é a comparação do nível de resposta das emissões otoacústicas por estímulo transiente sem e com a presença da estimulação auditiva contralateral. O sistema de funcionamento normal das vias auditivas eferentes apresentará uma diminuição no nível de resposta das emissões otoacústicas com a presença da estimulação auditiva contralateral. O responsável por este efeito é o trato olivococlear medial, que por meio de sinapses nas células ciliadas externas na cóclea, atenua o ganho da amplificação coclear e reduz a movimentação da membrana coclear. Este método possibilita a avaliação da influência da atividade neural eferente na cóclea17.

Sendo assim, este estudo se propõe a verificar a hipótese de que o cigarro possa ter um efeito nocivo na audição e provoque alterações nos limiares audiométricos, na ocorrência das emissões otoacústicas por estímulo transiente e na inibição das mesmas pelo sistema eferente olivococlear medial.

 

MATERIAL E MÉTODO

Este trabalho foi realizado em um ambulatório de audiologia com a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP0447/05). Estudantes universitários que preencheram os pré-requisitos deste estudo foram convidados a participar. Todos os sujeitos envolvidos na pesquisa leram o termo de consentimento sobre a realização e divulgação da mesma, conforme resolução 196/96.

Neste trabalho foram avaliados os limiares auditivos (nível de audição nas frequências de 250 a 16000Hz), a função de células ciliadas externas e o sistema eferente olivococlear medial em 144 adultos de ambos os sexos, na faixa etária de 20 a 31 anos, sendo 72 indivíduos fumantes e 72 não fumantes, pareados por sexo e idade.

Para este estudo, foram considerados fumantes aqueles indivíduos que fumam cinco ou mais cigarros por dia, há um ano ou mais conforme proposto por Cruickshanks et al. (1998)18.

Foram excluídos do estudo os ex-fumantes, os indivíduos com alteração de orelha média, e indivíduos com queixas de alteração metabólica, alteração hormonal, perda auditiva induzida por ruído e perda auditiva induzida por drogas ototóxicas e/ou quimioterápicas de acordo com anamnese (entrevista).

Procedimento de Avaliação para o estudo:

1. Anamnese, entrevista realizada diretamente com o paciente por meio de perguntas simples e respostas "sim", "não" e "especifique" (quando necessário).

2. Medidas de imitância acústica para verificar integridade de orelha média. Foi utilizado o equipamento AZ-7 da marca Interacoustics. As curvas foram classificadas de acordo com JERGER (1970) em A, Ad, Ar, B, C. Foram incluídos no estudo indivíduos que apresentaram curvas timpanométricas do tipo A.

3. Audiometria convencional (250 a 8000Hz) e audiometria de alta frequência (10000 a 16000Hz). Este exame foi realizado em uma cabina acústica com audiômetro GSI 61 (Grason Stadler), estando de acordo com os seguintes padrões: ANSI S3.6-1989; ANSI S3.43-1992; IEC 645-1 (1992); IEC 645-2 (1993); UL 544. Para a audiometria convencional foram utilizados fones Telephonics TDH-50P com impedância de 80 ohms e, para as altas frequências, fone Sennheiser HDA-200 com impedância de 40 ohms.

4. Emissões otoacústicas por estímulo transiente (EOAT). Exame realizado em ambiente silencioso, com o indivíduo quieto em uma cabina acústica, e com a sonda bem adaptada. Foi utilizado o programa de Fullmenu (20ms) do ILO292 Otodynamic Analyser, versão 4.2. As respostas foram consideradas presentes quando apresentaram 3 dB acima do ruído nas bandas 1000, 2000, 3000 e 4000 Hz (Dolhen et al., 1991). A pesquisa do efeito de supressão foi realizada utilizando estímulo clique linear de 65 dBpeNPS e com a introdução de um ruído branco (White Noise) de 60 dB NPS na orelha contralateral, com fone TDH-39 do audiômetro MAICO MA-17, padrão ANSI-69. A supressão foi considerada presente quando havia redução maior ou igual a 0,5 dB da amplitude de resposta das EOAT com a presença de ruído contralateral quando comparadas as EOAT sem ruído contralateral (Collet et al.,1990).

Os dados obtidos pelo grupo de fumantes (F) foram comparados com os dados obtidos pelo grupo de não fumantes (NF). Na análise do resultado do grupo de fumantes (F) foi levado em consideração o número de cigarros fumados por dia e o tempo de fumante. Seguindo a proposta de outro estudo18, utilizou-se o termo "maçosanos", que corresponde ao número de cigarros fumados por dia, dividido por 20 (quantidade de cigarros em um maço), multiplicado pelo número de anos de fumante. Assim, foi possível quantificar o tempo de tabagismo.

Para a análise estatística foram utilizados testes não paramétricos para comprovar se havia diferença significante entre fumantes e não fumantes em relação: à ocorrência de zumbido; ao nível de audição para frequências de 250 a 8000 Hz (audiometria convencional); ao nível de audição para frequência de 10000; 12500; 14000 e 16000Hz (audiometria de alta frequência); ao nível de resposta de EOAT; à ocorrência de supressão. Os testes utilizados foram t-Student, Mann-Whitney e teste de igualdade de duas proporções.

Com o intuito de verificar se há alguma relação dos resultados encontrados na audiometria de alta frequência com o tempo de fumante foi feito um estudo da correlação entre "maços-anos" e os resultados da audiometria de alta frequência. Os testes utilizados nesta análise estatística foram correlação de Spearman e teste para o coeficiente de correlação. Para a Correlação de Spearman foi utilizada a seguinte escala de classificação: 0% a 20% - péssima; 20% a 40% - ruim; 40% a 60% - regular; 60% a 80% - boa; 80% a 100% - ótima.

Neste trabalho foi levado em consideração o nível de significância de 0,05 (5%).

 

RESULTADOS

Neste trabalho foram avaliados 144 adultos de ambos os sexos, na faixa etária de 20 a 31 anos sendo 72 indivíduos fumantes (F) e 72 não fumantes (NF) pareados por sexo e idade.

Antes da apresentação dos dados referente aos resultados dos procedimentos aplicados no estudo (audiometria convencional e alta frequência, EOAT com e sem a presença de ruído contralateral), destaca-se um dado coletado na anamnese (entrevista): a ocorrência de zumbido.

A ocorrência de zumbido nos grupos de fumantes (F) foi de 40,3% (29 indivíduos) e de não fumantes (NF) foi de 11,1% (8 indivíduos). Para análise estatística foi utilizado o teste t-Student sendo o valor encontrado <0,001 (p<0,001).

Os limiares médios obtidos na audiometria convencional, frequências de 250 a 8000Hz tiveram médias entre 2,01 e 6,39 (dBNA), medianas entre 0 a 5 (dBNA) e desvios padrões entre 2,61 e 4,72 sendo os limiares do grupo de fumantes piores para todas as frequências em relação ao grupo de não fumantes. Os resultados da análise estatística (teste Mann-Whitney) não foram significantes, com exceção da frequência de 8000Hz na orelha esquerda que o p foi igual a 0,016 (grupo F: média 4,51; mediana 5; desvio padrão 3,48 - grupo NF: média 3,26; mediana 2,5; desvio padrão 3,86).

Procurou-se verificar se havia correlação entre os limiares da audiometria convencional e a ocorrência de zumbido. Para esta análise os resultados entre sujeitos com e sem zumbido foram comparados utilizando o teste Mann-Whitney. Na orelha direita, os sujeitos com queixas de zumbido apresentaram limiares piores. Os valores da análise estatística para as frequências de 250, 500, 1000, 4000, 6000 e 8000Hz foram menores que 0,001 (p<0,001), para a frequência de 2000Hz foi de 0,011 (p=0,011) e para frequência de 3000Hz foi de 0,008 (p=0,008). Na orelha esquerda, os sujeitos com queixas de zumbido também apresentaram limiares piores, sendo os valores da análise estatística para todas as frequências avaliadas (de 250 a 8000Hz) menores que 0,001 (p<0,001).

Os limiares médios obtidos na audiometria de alta frequência (média e mediana) e o desvio padrão destes valores dos indivíduos fumantes (F) e dos indivíduos não fumantes (NF) estão apresentados na Tabela 1. O resultado da análise estatística (teste Mann-Whitney) encontra-se à direita da Tabela.

Procurou-se verificar se havia correlação entre os limiares da audiometria de alta frequência e a ocorrência de zumbido. Para esta análise os resultados entre sujeitos com e sem zumbido foram comparados utilizando o teste Mann-Whitney. Na orelha direita, os sujeitos com queixas de zumbido apresentaram limiares piores. Os valores da análise estatística para as frequências de 10000, 12500 e 16000 foram menores que 0,001 (p<0,001), para a frequência de 14000Hz foi de 0,002 (p=0,002). Na orelha esquerda, os sujeitos com queixas de zumbido também apresentaram limiares piores, sendo os valores da análise estatística para todas as frequências avaliadas (de 10000 a 16000) menores que 0,001 (p<0,001).

As emissões otoacústicas por estímulo transiente (EOAT) foram analisadas estatisticamente nos dois grupos (fumantes e não fumantes) levando em consideração a ocorrência (Tabela 2 - orelha direita e Tabela 3 - orelha esquerda) e os valores do nível de resposta geral (RG) e por banda de frequência (1000 a 4000Hz) das EOAT (Tabela 4 - orelha direita e Tabela 5 - orelha esquerda), utilizando o teste Mann-Whitney.

A ocorrência de indivíduos com limiares auditivos tonais até 25 dB NA na audiometria convencional (250 a 8000Hz) e ausência de emissões otoacústicas por estímulo transiente, caracterizada como disfunção coclear, no grupo de fumantes foi de 13,9% (10 indivíduos) e no grupo de não fumantes foi de 2,8% (2 indivíduos). Para a análise estatística foi utilizado o teste de igualdade de duas proporções e o valor encontrado foi de 0,016 (p=0,016).

Procurou-se verificar se havia correlação entre a ocorrência de zumbido e a ocorrência das emissões otoacústicas por estímulo transiente (EOAT). Para esta análise os resultados entre sujeitos com e sem zumbido foram comparados utilizando o teste t-Student. Esta comparação foi feita nos dois grupos (fumantes e não fumantes) separadamente. No grupo de fumantes, dos 62 indivíduos com EOAT presentes, 30,6% (19 indivíduos) apresentavam queixa de zumbido e 69,4% (43 indivíduos) não, enquanto que dos 10 indivíduos com EOAT ausentes, 100% (10 indivíduos) apresentaram queixa de zumbido. No grupo de não fumantes, dos 70 indivíduos com EOAT presentes, 8,6% (6 indivíduos) deles apresentavam queixa de zumbido e 91,4% (64 indivíduos) não, enquanto que dos 2 indivíduos com EOAT ausentes, 100% (2 indivíduos) apresentaram queixa de zumbido. A análise estatística encontrou um valor de 0,032 para o grupo de fumantes e 0,003 para o grupo de não fumantes.

Com a presença de ruído contralateral durante a EOAT observou-se a redução no nível de resposta das emissões otoacústicas (supressão) em 100% dos casos em ambos os grupos. As diferenças médias entre a resposta geral das emissões otoacústicas sem e com ruído contralateral (supressão) nos grupos fumantes e não fumantes estão apresentadas na Tabela 6. A análise estatística (teste Mann-Whitney) está apresentada na parte inferior da Tabela.

Com o intuito de verificar se há alguma relação dos resultados encontrados na audiometria de alta frequência com o tempo de fumante foi feito um estudo da correlação entre "maços-anos" e os resultados da audiometria de alta frequência (Tabela 7). Os testes utilizados nesta análise estatística foram correlação de Spearman e teste para o coeficiente de correlação. O Gráfico 1 ilustra estas correlações, nas frequências de 10000 a 16000Hz, na orelha direita e orelha esquerda, respectivamente.

 

DISCUSSÃO

Os resultados obtidos no estudo serão discutidos de acordo com a disposição apresentada acima.

Em relação ao zumbido o grupo de fumantes apresentou uma maior ocorrência com diferença estatisticamente significante. O zumbido é uma sensação sonora produzida na ausência de fonte externa geradora de som. É sem dúvida uma das principais manifestações otológicas encontradas na prática clínica19.

Na literatura encontram-se diversas hipóteses que tentam explicar o mecanismo de geração do zumbido. Alguns autores referem que o zumbido é um sintoma frequente em situações em que ocorre disfunção na cóclea, principalmente nas estruturas neuroepiteliais do órgão de Corti 20.

Uma teoria relata que a lesão de células ciliadas externas pode provocar o aumento nos disparos das mesmas, estimulando as fibras nervosas de modo semelhante ao som real, o que reduziria a inibição realizada pelo Sistema Nervoso Central (SNC) e provocaria uma maior atividade neuronal espontânea no sistema auditivo21.

A ideia de o zumbido ser gerado em uma porção da membrana basilar, na qual há preservação de células ciliadas internas e lesão de células ciliadas externas, pode explicar a ocorrência do zumbido em indivíduos com audição normal. Os danos difusos de até 30% de células ciliadas externas podem ocorrer sem que haja perda auditiva detectável22.

A avaliação audiológica de pacientes com zumbido deveria consistir em: pesquisa dos limiares audiométricos, incluindo as frequências acima de 8.000Hz, imitanciometria e emissões otoacústicas, para que se tenha um diagnóstico mais preciso23.

No presente estudo, estes exames foram realizados com o objetivo de tentar esclarecer os efeitos que o cigarro pode causar no sistema auditivo. Porém, com o resultado apresentado no estudo em que há uma maior ocorrência de zumbido no grupo de fumantes, surgiu a dúvida se o cigarro pode ser considerado uma causa direta do zumbido ou se o zumbido ocorre devido às alterações auditivas que o cigarro pode estar provocando.

Alguns autores referem que o cigarro influencia indiretamente no surgimento do zumbido. Afinal, o cigarro é um fator de risco para perda auditiva, principalmente nas altas frequências, e estes indivíduos fumantes com perda auditiva apresentam uma maior incidência de zumbido do que os indivíduos não fumantes11.

Na tentativa de entender melhor a relação entre o cigarro, o zumbido e as alterações auditivas, foi feita a análise do zumbido com os dados encontrados na avaliação audiológica. Neste caso os grupos foram separados e comparou-se os limiares auditivos das frequências de 250 a 16000Hz e a presença das emissões otoacústicas por estímulo transiente nos indivíduos com e sem zumbido.

Constatou-se, então, que tanto no grupo de fumantes quanto no grupo de não fumantes os indivíduos com zumbido apresentaram limiares auditivos das frequências de 250 a 8000Hz piores e maior incidência da ausência das emissões, com diferença estatisticamente significante, quando comparados com os indivíduos sem zumbido. Lembrando que entre os grupos (fumantes e não fumantes) os limiares auditivos (de 250 a 8000Hz) não apresentaram diferenças significantes, estes achados sugerem, assim como o encontrado na literatura11, que o cigarro não está relacionado diretamente com o zumbido e que o zumbido ocorre devido às alterações auditivas apresentadas. Quer dizer, o zumbido deve ser considerado como uma manifestação (um sintoma) referente às alterações do sistema auditivo.

Porém, com relação aos limiares audiométricos das frequências de 10000 a 16000Hz, os resultados mostraram que os indivíduos com zumbido apresentaram limiares auditivos piores que os indivíduos sem zumbido, mas esta diferença foi significante apenas entre os indivíduos do grupo de fumantes. Lembrando que o grupo de fumantes apresentou limiares auditivos piores para estas frequências com relação ao grupo de não fumantes, pode-se pensar que, talvez, o cigarro potencialize o efeito do zumbido.

Com relação aos resultados dos procedimentos (audiometria convencional e alta frequência, EOAT e supressão das EOAT) utilizados no estudo, na audiometria convencional (250 a 8000Hz), somente para a frequência de 8000Hz na orelha esquerda houve diferença estatisticamente significante nos limiares auditivos médios, nos quais o grupo de fumantes apresentou um valor maior do que o grupo de não fumantes. Já na audiometria de alta frequência, os fumantes apresentaram limiares piores para todas as frequências, sendo esta diferença estatisticamente significante nas frequências de 12500 Hz na orelha direita e 14000 Hz em ambas as orelhas (Tabela 1).

De acordo com a descrição da fisiologia coclear, cada frequência específica da onda sonora, por meio de energia mecânica, estimula determinada região da cóclea. Esta estimulação é mais próxima à região basal da cóclea quanto mais alta a frequência do estímulo auditivo. Acredita-se, então, que a audiometria convencional, nas frequências de 250 a 8000Hz, avalia predominantemente a porção medial do órgão espiral, enquanto que a audiometria de alta frequência avalia predominantemente a porção basal do mesmo órgão24.

Diferentemente da audiometria tonal convencional, não foi ainda estabelecido um padrão de normalidade para os limiares de audibilidade na audiometria de alta frequência. Entretanto, observamos semelhança entre os resultados do grupo de não fumantes do atual estudo (grupo controle) e os relatos na literatura13,25.

A literatura pesquisada refere que a audiometria de alta frequência tem grande importância na detecção precoce de perdas auditivas neurossensoriais e na monitorização da audição em casos de uso de drogas ototóxicas, insuficiência renal, presbiacusia e exposição frequente ao ruído. Acredita-se que uma alteração inicial nas altas frequências possa anteceder uma perda auditiva nas frequências convencionais13,23.

Poucas pesquisas são encontradas na literatura que relacionam o fumo com alterações auditivas. Os estudos encontrados referem resultados diversos, provavelmente, devido às divergentes metodologias. Além disso, há outros fatores que deveriam ser levados em consideração nestas pesquisas que envolvem o hábito de fumar, mas que são difíceis de serem mensurados. A quantidade de nicotina e monóxido de carbono absorvida pelos tabagistas depende de inúmeros fatores tais como características do cigarro, taxa de consumo e hábito de cada indivíduo (frequência de tragos, profundidade e duração da inalação da fumaça)26.

A exposição ao ruído não foi objeto de estudo desta pesquisa, mas vale ressaltar que estudos mostram que indivíduos fumantes expostos ao ruído apresentaram uma maior probabilidade a adquirirem uma perda auditiva (do tipo PAIR) do que os indivíduos não fumantes expostos ao mesmo nível de ruído7,27,28. Na mesma linha de pensamento, alguns autores referem que o monóxido de carbono (CO) potencializa os efeitos provocados por níveis de ruídos que sozinhos não produziriam nenhuma mudança nos limiares auditivos. Em estudo com animais os autores puderam observar danos cocleares concentrados na região mais basal da cóclea, correspondendo às altas frequências tanto nos animais que foram expostos apenas ao ruído quanto àqueles expostos ao ruído e simultaneamente ao monóxido de carbono, entretanto os animais que foram expostos a ambos apresentaram um número maior de células ciliadas lesionadas, e o comprometimento era maior nas internas. No caso da exposição isolada de monóxido de carbono, não foi observada alteração das células ciliadas externas e internas29.

Um estudo longitudinal com indivíduos idosos, na tentativa de relacionar a presbiacusia com o tabagismo, referiu que há comprometimento na frequência de 8000Hz30. Enquanto que um trabalho similar encontrou maior comprometimento da audição na frequência de 6000Hz nos idosos fumantes6. Já um estudo com jovens refere que o cigarro tem um efeito prejudicial na audição, comprometendo a frequência de 4000Hz, e que este efeito é maior quanto mais alta a dose-dependente do fumante8.

Na literatura pesquisada não foi encontrado nenhum estudo que utilizasse a audiometria de alta frequência (acima de 8000Hz) como forma de avaliação de indivíduos fumantes. Entretanto, no atual estudo o procedimento foi utilizado sabendo de sua importância na detecção precoce de problemas auditivos. O comprometimento somente das altas frequências, como foi encontrado do presente estudo, pode sugerir um início de perda auditiva neurossensorial nos indivíduos fumantes, que futuramente apresentarão perda auditiva nas frequências convencionais. É importante ressaltar também que os limiares auditivos na audiometria de alta frequência dos fumantes mostraram uma relação direta com a dose dependente, em que os limiares auditivos pioravam quanto maior a quantidade/tempo de fumo (Tabela 7, Gráfico 1). Ou seja, provavelmente, o efeito do cigarro inicia-se na região mais basal da cóclea, afetando as altas frequências, e este efeito é permanente e progressivo.

Com relação às emissões otoacústicas por estímulo transiente e a supressão das mesmas, o grupo de fumantes apresentou, neste estudo, menores níveis de resposta das emissões otoacústicas sendo estatisticamente significante nas frequências de 1000Hz em ambas orelhas e 4000Hz na orelha esquerda e maior valor da supressão das emissões otoacústicas (Tabelas 2-6). Além disso, maior ocorrência de casos com disfunção coclear (audiometria convencional normal e emissões otoacústicas ausentes) também com diferença estatisticamente significante.

As emissões otoacústicas é um exame considerado simples e rápido capaz de avaliar a mobilidade das células ciliadas externas. Estas células são as responsáveis pela movimentação da membrana basilar por meio de contrações rápidas e lentas, provocando assim a amplificação coclear15.

Um método de investigação do funcionamento do sistema olivococlear eferente é a comparação do nível de resposta das emissões otoacústicas por estímulo transiente sem e com a presença da estimulação auditiva contralateral. O sistema de funcionamento normal das vias auditivas eferentes apresentará uma diminuição no nível de resposta das emissões otoacústicas com a presença da estimulação auditiva contralateral. O responsável por este efeito é o sistema eferente olivococlear medial, que por meio de sinapses nas células ciliadas externas na cóclea, atenua o ganho da amplificação coclear e reduz a movimentação da membrana coclear. Este método possibilita a avaliação da influência da atividade neural eferente na cóclea17.

Um estudo, após a realização de exames de emissões otoacústicas e potencial evocado de tronco encefálico em 10 indivíduos não fumantes com audição normal bilateralmente após a administração da nicotina, percebeu que a nicotina interfere na transmissão neural da informação auditiva, e referiu que o efeito da nicotina nos centros neurais altos pode ter efeito inibitório eferente nas células ciliadas externas, isto devido à aceleração da acetilcolina, que é o neurotransmissor da eferência do sistema auditivo31. Isto explicaria o aumento do efeito da supressão nos indivíduos fumantes.

Uma pesquisa utilizou o Potencial Evocado Auditivo de Média Latência como meio de avaliação do efeito do cigarro e sua abstinência no sistema auditivo. Esta pesquisa observou um efeito positivo do cigarro no sistema auditivo central quando os fumantes mantinham sua rotina de fumo, sugerindo um efeito de aceleração do processamento neural. Em contrapartida, a abstinência ao cigarro provocou um efeito negativo, sugerindo um desequilíbrio do sistema auditivo central32.

A diminuição no nível de resposta das emissões otoacústicas e o aumento no valor da supressão das mesmas sugerem que o cigarro pode ter efeitos diferentes no sistema auditivo periférico e central. Para esclarecer melhor esta ideia talvez fosse necessário saber mais sobre a composição do cigarro e os possíveis efeitos de cada uma das substâncias.

A literatura pesquisada descreve algumas hipóteses sobre o efeito do cigarro no sistema auditivo. Estudos acreditam que as células ciliadas externas possuem receptores da nicotina, sugerindo que o cigarro pode ter um efeito ototóxico direto na funcionalidade destas células9,10. Outra ideia é a de que a toxicidade do cigarro provoca uma redução de oxigênio na base da cóclea, provocando, portanto, lesões degenerativas do órgão de Corti8. Após autores observarem em animais de laboratório que foram expostos ao monóxido de carbono lesão de células ciliadas externas e internas, porém com alteração maior nas externas, eles concluíram que o monóxido de carbono causa danos cocleares concentrados na região mais basal da cóclea30. Outro estudo refere que a nicotina modifica as características do sangue, e estas modificações prejudicam a irrigação de parte da cóclea. A artéria coclear termina sua irrigação onde estão localizadas as células ciliadas internas, por conta disso o cigarro provocará predominantemente perdas auditivas progressivas, com prejuízo inicial nas altas freqências12.

Para entender sobre os efeitos do cigarro no sistema auditivo, outros estudos devem ser realizados, principalmente, utilizando procedimentos de avaliação que possam detectar as alterações auditivas precocemente, como audiometria de alta frequência, emissões otoacústicas e potencial evocado auditivo. Seria interessante se fosse possível mensurar os níveis das substâncias da composição do cigarro no sangue e tentar relacionar, separadamente, cada uma das substâncias com as possíveis alterações auditivas.

 

CONCLUSÕES

Este estudo sugere que o cigarro tem um efeito nocivo na audição, afinal o grupo de fumantes apresentou piores limiares auditivos nas altas frequências (acima de 8000Hz), menores valores de nível de resposta das emissões otoacústicas por estímulo transiente e maiores valores de supressão quando comparado ao grupo de não fumantes. Além disso, o grupo de fumantes apresentou um número maior de indivíduos com queixa de zumbido e com ocorrência de disfunção coclear.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Endereço para correspondência:
Carolina Pamplona Paschoal
R. Harmonia 972 apto 72
São Paulo SP 05435001

Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gestão de Publicações) da BJORL em 28 de novembro de 2008. cod. 6153.
Artigo aceito em 21 de março de 2009.
Fapesp.

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