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Brazilian Journal of Otorhinolaryngology

Print version ISSN 1808-8694

Braz. j. otorhinolaryngol. (Impr.) vol.76 no.5 São Paulo Sept./Oct. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1808-86942010000500012 

ORIGINAL ARTICLE

 

Caracterização da triagem auditiva neonatal da Clínica Limiar em Porto Velho - Rondônia

 

 

Marilia Silva e Nunes BotelhoI; Virgínia Braz da SilvaII; Luana da Silva ArrudaIII; Isabel Cristiane KuniyoshiIV; Lourdes Lebre Redes de OliveiraV; Anderson Souza de OliveiraVI

IEspecialista, Docente
IIEspecialista, Docente
IIIGraduada, Fonoaudióloga
IVMestre, Docente
VGraduada, Fonoaudióloga
VIGraduado, Fonoaudiólogo

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Triagem auditiva neonatal de rotina é capaz de detectar precocemente alterações auditivas que poderão interferir na vida do indivíduo.
OBJETIVO: Caracterizar o programa de triagem auditiva neonatal em uma população de neonatos.
MATERIAL E MÉTODO: Estudo de coorte histórico longitudinal. Levantamento no banco de dados da clínica responsável pela triagem auditiva neonatal na cidade Porto Velho-RO do período de fevereiro de 2004 a outubro de 2006.
RESULTADOS: Dos 6889 recém-nascidos cadastrados, 5700 (82,7%) passaram e 1189 (17,3%) falharam na primeira etapa da triagem. Dos que falharam 900 (75,7%) compareceram para o reteste. Dentre estes, 15 (0,22%) recémnascidos tiveram deficiência auditiva confirmada. A deficiência auditiva mais prevalente foi à perda auditiva neural com 46,7% dos casos confirmados, tendo como indicador de risco mais prevalente a hiperbilirrubinemia.
CONCLUSÃO: A hiperbilirrubinemia apresentou maior prevalência dentre os indicadores de risco encontrados nos recém-nascidos com deficiência auditiva confirmada. A prevalência de perda auditiva observada é de dois recém-nascidos para cada 1000 nascidos. Observa-se ainda uma correlação estatisticamente significante entre a perda auditiva neural com o indicador de risco hiperbilirrubinemia e perda auditiva neurossensorial com a etiologia desconhecida.

Palavras-chave: audição, recém-nascido, surdez, triagem.


 

 

INTRODUÇÃO

A audição talvez seja o principal meio de contato do homem com o meio exterior, pelo menos no que diz respeito à interação básica que possibilita o desenvolvimento da linguagem e do intelecto. Para isto, a natureza dotou o homem de um notável sistema de captação, magnificação, percepção, discriminação e interpretação do som. E é nesta ordem que se faz todo o processamento da energia sonora desde o momento em que ela chega ao pavilhão auricular até o córtex cerebral1.

Um dos principais distúrbios que podem interferir no desenvolvimento da linguagem e da fala é a deficiência auditiva. A American Speech-Language-Hearing Association considera que a deficiência auditiva representa 60% dos distúrbios da comunicação2.

As deficiências auditivas podem ser classificadas quanto ao momento em que elas ocorrem. Se a perda auditiva se dá antes ou durante o nascimento, é chamada perda auditiva congênita e se ocorre após o nascimento é chamada perda auditiva adquirida3. A perda auditiva é a deficiência congênita mais frequente e mais prevalente dentre aquelas rotineiramente triadas em programas de saúde preventiva4.

Segundo o Comitê Brasileiro de Perdas Auditivas na Infância5, a incidência de perda auditiva bilateral significante em neonatos saudáveis é estimada entre 1 a 3 neonatos em cada 1000 nascimentos e em cerca de 2 a 4 em 1000 nos provenientes de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Em 1994, o Joint Committee on Infant Hearing (JCIH)6 estabeleceu como meta a detecção universal de perdas auditivas em crianças, Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU), e o desenvolvimento de pesquisas para detectá-las, a fim de tornar possível uma intervenção precoce.

Em 1998 foi criado o Grupo de Apoio a Triagem Auditiva Neonatal Universal (GATANU), sob a coordenação da fonoaudióloga Mônica Jubran Chapchap, com o objetivo de operacionalizar a TANU no Brasil. A partir de então iniciou as discussões para a formação de um Comitê que elaborasse resoluções sobre a TANU4.

A primeira resolução do Comitê Brasileiro sobre Perdas Auditivas na Infância (CBPAI)5 foi elaborada em 29/11/1999 e uma de suas recomendações é a implantação da triagem auditiva neonatal universal (TANU) para todas as crianças do nascimento até os três meses de idade.

A realização da triagem auditiva neonatal (TAN) de rotina é a única estratégia capaz de detectar precocemente alterações auditivas que poderão interferir na qualidade de vida do indivíduo. O processo de detecção de alterações auditivas deve começar com a triagem auditiva neonatal, acompanhada do diagnóstico, protetização e intervenção precoce. Os primeiros 6 meses de vida são decisivos para o desenvolvimento futuro da criança deficiente auditiva4.

A Academia Americana de Pediatria recomenda a utilização de métodos eletrofisiológicos nos programas de TAN como o potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE) e as emissões otoacústicas evocadas (EOAE)6-8. Para que se possa fazer o diagnóstico precoce, os recém-nascidos considerados de risco para deficiência auditiva ou não, devem realizar a TAN nas primeiras 48 horas de vida, ou antes, da alta hospitalar4,5,7.

A técnica mais empregada e recomendada na Triagem Auditiva Neonatal tem sido a de Emissões Otoacústicas Evocadas Transientes por utilizar estímulos acústicos de fraca intensidade, abranger uma vasta gama de frequências e por finalizar o registro, num curto período de tempo, geralmente em torno de um minuto por orelha9.

O PEATE visa detectar perdas auditivas leves e profundas, condutivas ou neurossensoriais, uni ou bilaterais. Trata-se de um procedimento não invasivo com sensibilidade e especificidade adequadas para exame em recém-nascidos, informando não só o limiar eletrofisiológico, como também a maturidade neurológica que é um indicador importante, considerando se assim o número crescente de recém-nascidos pré-termos encontrado nas unidades neonatais10.

O diagnóstico, com intervenção precoce poderá contribuir de forma efetiva para melhorar o desenvolvimento da criança, se for seguido de um programa de habilitação adequada11.

Para um monitoramento de qualidade na triagem auditiva neonatal é necessário que se tenham profissionais qualificados, controle e calibração dos procedimentos testados, sistema de banco de dados, planejamento e avaliação dos procedimentos12.

Diante da ausência de um programa de triagem auditiva neonatal, na cidade de Porto Velho, a Clínica Limiar implantou o primeiro programa de TAN em agosto de 2002, no Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro. A Limiar é uma clínica conveniada com o Sistema Único de Saúde (SUS) especializada em diagnóstico e reabilitação da audição, prestando serviços fonoaudiológicos para a sociedade rondoniense desde agosto 2001.

A equipe do programa de TAN em Porto Velho era composta inicialmente por duas fonoaudiólogas e duas secretárias e não havia banco de dados implantado para o gerenciamento dos dados da TAN. Atualmente a equipe conta com quatro secretárias, dez fonoaudiólogos, dois médicos otorrinolaringologistas, uma assistente social, um pediatra, um neurologista e uma psicóloga. Após muitos anos verificou-se a necessidade de implantar o banco de dados que permitisse o acesso efetivo dos dados e o acompanhamento das crianças que falham na TAN.

O protocolo utilizado pelo programa é o sugerido pelo GATANU (Grupo de Apoio a Triagem Auditiva Neonatal Universal)4

O atendimento aos recém-nascidos provenientes da UTI neonatal e do alojamento conjunto acontece antes da alta hospitalar em todos os dias da semana.

Diante das considerações acima e na ausência de dados epidemiológicos sobre a deficiência auditiva na infância, na cidade Porto Velho, o presente estudo teve como objetivo caracterizar o programa de triagem auditiva neonatal desenvolvido pela Clínica Limiar em Porto Velho-RO.

 

MATERIAL E MÉTODO

Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade sob protocolo nº 322/08.

Estudo de coorte histórico longitudinal.

Os dados utilizados para fins deste estudo foram coletados no banco de dados da Clínica de Avaliação e Reabilitação da Audição - LIMIAR por esta Instituição ser a responsável pela triagem auditiva neonatal na cidade de Porto Velho, estado de Rondônia. Os dados coletados são referentes ao período de fevereiro de 2004 a outubro de 2006. A amostra deste estudo é de 6889 pacientes cadastrados, atendidos no Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro.

O software utilizado pela clínica para o banco de dados é o HITRACK 3.5, que tem como objetivo gerenciar os dados da TAN. Nesse software podem ser obtidos: o número de recém-nascidos (RN) triados do alojamento conjunto e dos recém-nascidos provenientes da UTI neonatal, o número de RN que passou e falhou na triagem, número de encaminhamentos ao diagnóstico, indicadores de risco apresentado pelos RN cadastrados, número de RN que apresentou diagnóstico de perda auditiva, seu tipo e grau de acometimento.

Os dados coletados foram submetidos a tratamento estatístico, no qual foram utilizados os testes de Igualdade de Duas Proporções, Qui-quadrado e o Teste de Fischer. Definiu-se como significância (quanto se admite errar nas conclusões estatísticas, ou seja, o erro estatístico que se comete nas análises) de 0,05 (5%). Todos os intervalos de confiança construídos ao longo do trabalho foram com 95% de confiança estatística.

 

RESULTADOS

Estão cadastrados no banco de dados da triagem auditiva neonatal de Porto Velho-RO 6889 RN, referentes ao período de fevereiro de 2004 a outubro de 2006, sendo 5271 RN (76,5%) do alojamento conjunto e 1618 RN (23,5%) provenientes da UTI neonatal. Dos 6889 (100%) RN cadastrados, 5700 (82,7%) passaram na triagem com Emissões Otoacústicas Evocadas Transientes e 1189 (17,3%) foram encaminhados para o reteste (Tabela 1).

 

 

Dentre os 1189 (100%) RN que falharam na triagem com EOA, 900 (75,7%) compareceram para o reteste e 289 RN (24,3%) não compareceram para o reteste (Tabela 2).

 

 

Do total de 6889 RN (100%) cadastrados, 15 RN (0,22%) tiveram a deficiência auditiva (DA) confirmada, sendo 2 RN (0,03%) do alojamento conjunto e 13 RN (0,19%) proveniente da UTI neonatal (Tabela 3). Na nossa amostra tivemos uma prevalência de 0,22% de deficiência auditiva confirmada.

 

 

Dos 15 RN (100%) que tiveram a deficiência auditiva confirmada, 7 RN (46,7%) apresentaram perda auditiva neural, 2 RN (13,3%) apresentaram perda auditiva condutiva e 6 RN (40%) apresentaram perda auditiva neurossensorial (Tabela 4). Segundo a análise estatística, não pode ser considerado diferente o percentual de perda auditiva neural da perda auditiva neurossensorial.

 

 

Na Tabela 5 encontram-se expostos os resultados referentes aos indicadores de risco dos 15 RN com DA confirmada, onde podemos observar que o indicador de risco mais prevalente foi "hiperbilirrubinemia" com cinco RN (33,3%), seguido de anóxia com dois RN (13,3%), causa desconhecida com dois RN (13,3%), má formação com dois RN (13,3%), hereditariedade com um RN (6,7%), prematuridade/baixo peso com um RN (6,7%), síndrome com um RN (6,7%) e infecção congênita (6,7%). Ao compararmos o indicador de risco hiperbilirrubinemia com os outros indicadores averiguamos que não houve diferença estatisticamente significante entre eles. No entanto, a hiperbilirrubinemia mostrou-se como um indicador de risco estatisticamente significativo (p-valor<0,001) nas perdas auditivas neurais (Tabela 6).

 

 

 

 

Na UTI neonatal foi identificado maior percentual de deficiência auditiva em relação ao alojamento, sendo este dado estatisticamente significante (Tabela 7).

 

 

DISCUSSÃO

A implantação do banco de dados por meio do software HITRACK 3.5 teve início no ano de 2008 e, portanto, observamos que o processamento dos dados referentes aos seis anos de triagem auditiva neonatal encontra-se em fase inicial.

Segundo o National Center for Hearing Assessment and Management Utah State University (NCHAM) uma operação efetiva da informação é vital para o sucesso do programa de detecção e intervenção precoce da surdez. O processo de detecção, diagnóstico e intervenção é dependente do acesso rápido à informação, o que é garantido pelo banco de dados do software HITRACK13.

Observou-se que o programa da TAN em Porto Velho/RO segue as recomendações da literatura, e a avaliação e o atendimento de uma criança com perda auditiva são realizados por uma equipe multidisciplinar4,5,7.

Segundo o Comitê Brasileiro sobre Perdas Auditivas na Infância (CBPAI)5, os índices de falha podem variar de 5 a 20% quando a triagem é realizada com EOAE nas primeiras 24 horas de vida, caindo para 3% quando realizado entre 24 e 48 horas de vida. No presente estudo, 1189 (17,3%) dos RN cadastrados falharam na triagem na primeira etapa do programa da TAN (que acontece antes da alta hospitalar nas primeiras 24 horas de vida), estando compatível com a literatura5,7.

Um estudo realizado com 50 recém-nascidos durante o primeiro dia de vida e 80 durante o segundo dia, demonstrou que no segundo dia de vida há uma melhora significativa do teste e menos incidência de artefatos, concluindo que o segundo dia de vida é o momento mais apropriado para a triagem auditiva neonatal com EOA14.

Em outro estudo realizado em 2000 foi observado melhora significativa no índice de "passa" na TAN pós-limpeza do meato com retirada do vérnix. Também detectaram diminuição da mobilidade da membrana timpânica em 22,7% das orelhas testadas, demonstrando efeito significante no índice de "falha" na triagem auditiva15.

No presente estudo, 1189 RN (100%) que falharam na primeira etapa, 900 (75,7%) compareceram para o reteste, apresentando um índice superior aos obtidos em outro estudo que foi de aproximadamente 70%16. 0 índice de evasão do programa foi de 289 RN (24,3%), este dado relevante pode estar relacionado às frequentes orientações dadas pelos profissionais envolvidos na saúde infantil aos pais/responsáveis, a respeito da TAN e a importância da saúde auditiva para o desenvolvimento da linguagem. Outros autores17 observaram que o índice de evasão diminuiu de 85% para 25% após reforço nas orientações oferecidas por todos os profissionais envolvidos na TAN.

A incidência de perda auditiva bilateral significante em neonatos saudáveis é estimada de 1 a 3 neonatos em cada 1000 nascimentos4-6. A deficiência auditiva é a doença mais frequente encontrada no período neonatal, quando comparada a outras patologias7-9. Em nossa amostra tivemos uma prevalência de dois neonatos com deficiência auditiva confirmada para cada 1000 nascimentos, o que demonstra possuir índices estatisticamente iguais aos da literatura4-6 (Tabela 3).

Foi observado em nosso estudo que dos 15 RN (100%) com perda auditiva confirmada o tipo de DA mais prevalente foi perda auditiva neural em sete RN (46,7%), mas que segundo a análise estatística (Tabela 4), não pode ser considerado diferente do percentual de perda auditiva neurossensorial em seis RN (40%). Observou-se que este percentual representa 0.1% de perda auditiva neural e 0,09% de perda auditiva neurossensorial quando comparado com o total de RN cadastrados (6889 RN). Segundo a literatura, RN com indicadores de risco para deficiência auditiva, independente de serem RN a termo ou pré-termo têm maiores possibilidades de apresentarem deficiência auditiva neurossensorial18.

Verificamos que o indicador mais prevalente foi "hiperbilirrubinemia" com 33,3% dos casos diagnosticados, o que representa 0,09% do total de RN cadastrados. Recém-nascidos com nível de bilirrubina elevado que exigem transfusão sanguínea apresentam risco de deficiência auditiva neurossensorial10.

Um estudo retrospectivo de 1032 pacientes pediátricos com perda auditiva revelou 67 casos (6,5%) de hiperbilirrubinemia grave no período neonatal, 30 desses pacientes tiveram hiperbilirrubinemia neonatal identificável como o único indicador de risco para perda auditiva. Em 26 dos 30 casos (87%), as emissões otoacústicas (OAEs) estavam ausentes, enquanto que nos quatro casos (13%) restantes foram detectadas emissões, apesar de ausência de resposta no PEATE19.

A causa da neuropatia auditiva por vezes é desconhecida, entretanto, as seguintes condições podem ser associadas com neuropatia auditiva pediátrica: hiperbilirrubinemia, doenças neurodegenerativas, hidrocefalia, entre outras patologia20. No presente estudo a hiperbilirrubinemia mostrou-se como um indicador de risco estatisticamente significativo nas perdas auditivas neurais (Tabela 6).

Vários autores relatam que as crianças com maior risco de apresentar perda auditiva na triagem são aquelas com antecedente familiar de perda auditiva congênita, má formação craniofacial, baixo peso ao nascimento, anóxia, síndromes, permanência em UTI por mais de 24 horas, hiperbilirrubinemia e etiologia desconhecida4,5,8,10. Tais relatos vêm de encontro com os nossos achados, onde observamos a presença de perda auditiva associado à etiologia desconhecida (13,3%), a anóxia (13,3%), má formação craniofacial (13,3%), hereditariedade (6,7%), prematuridade/baixo peso (6,7%) e infecção congênita (6,7%).

No alojamento conjunto foram identificados dois RN com DA de etiologia desconhecida, dado estatisticamente significante, que justifica a necessidade da TAN universal4-8(Tabela 6).

Na UTI neonatal foi identificado maior número de DA (13 RN) por se tratar de uma população com indicadores de risco para surdez. Esse dado é estatisticamente significante quando comparado ao resultado encontrado no alojamento conjunto (Tabela 7).

 

CONCLUSÃO

O índice de recém-nascidos que passaram na primeira etapa da triagem é de 82,7% (5700) e os que falharam é de 17,3% (1189). Observa-se que dos 1189 RN (100%) que foram encaminhados para o reteste obteve-se uma evasão de 24,3% (289).

A prevalência de perda auditiva observada é de dois RN para cada 1000 nascidos.

A hiperbilirrubinemia apresenta maior prevalência dentre os indicadores de risco encontrados nos RN com deficiência auditiva confirmada. Observa-se ainda uma correlação estatisticamente significante entre a perda auditiva neural e o indicador de risco hiperbilirrubinemia e perda auditiva neurossensorial com etiologia desconhecida.

Os indicadores de risco para surdez dos casos diagnosticados com perda auditiva foi a hiperbilirrubinemia, etiologia desconhecida, anóxia, má formação craniofacial, hereditariedade, prematuridade/baixo peso, síndrome e infecção congênita.

Salienta-se a partir deste estudo a necessidade do PEATE na TAN de RN de risco para surdez e o acompanhamento das crianças com diagnóstico de DA confirmada. Os profissionais envolvidos nos programas de TAN devem se preocupar com a utilização de um banco de dados, para que possamos no futuro, aqui no Brasil, desenvolver um estudo multicêntrico sobre a deficiência auditiva na infância.

 

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Endereço para correspondência:
Virgínia Braz da Silva
Rua Dom Pedro II 637 sala 1101 Centro
76801-910 Porto Velho RO

Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gestão de Publicações) da BJORL em 4 de outubro de 2009. cod. 6691
Artigo aceito em 19 de dezembro de 2009.

 

 

Faculdade São Lucas de Porto Velho - Rondônia.