SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.76 issue5Pilocarpine used to treat xerostomia in patients submitted to radioactive iodine therapy: a pilot studyHyperproliferation markers in ear canal epidermis author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Article

Indicators

Related links

Share


Brazilian Journal of Otorhinolaryngology

Print version ISSN 1808-8694

Braz. j. otorhinolaryngol. (Impr.) vol.76 no.5 São Paulo Sept./Oct. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1808-86942010000500022 

ORIGINAL ARTICLE

 

Perfil dos limiares audiométricos e curvas timpanométricas de idosos

 

 

Tatiana Marques GuerraI; Lucimar Pires EstevanovicI; Marcela de Ávila Meira CavalcanteII; Rafaela Carolina Lopez SilvaIII; Izabel Cristina Campolina MirandaIV; Victor Gandra QuintasV

IFonoaudióloga, Especializanda em Audiologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
IIGraduanda em Fonoaudiologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
IIIMestre em Fonoaudiologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Professora Assistente do Curso de Fonoaudiologia e da Especialização em Audiologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
IVDoutora em Linguístca pela Universidade Federal de Minas Gerais, Professora Titular do Curso de Fonoaudiologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
VFonoaudiólogo, Mestrando em Distúrbios da Comunicação Humana pela Universidade Federal de Santa Maria - RS

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Traçar o perfil audiológico dos idosos atendidos em uma clínica escola da cidade de Belo Horizonte.
MÉTODOS: Foram analisados todos os prontuários de pacientes que realizaram avaliação audiológica no período de Abril de 2004 a Agosto de 2007 em um Centro Clínico de Fonoaudiologia da cidade de Belo Horizonte.
RESULTADOS: Foram analisados 313 exames audiológicos de pacientes acima de 60 anos de idade. Os resultados das avaliações audiológicas quanto ao tipo da perda auditiva foram: limiares auditivos dentro dos padrões de normalidade - 22,28%; perda auditiva neurossensorial - 60,62%; perda auditiva mista - 14,70%, perda auditiva condutiva - 2,40%. O grau variou de normal a profundo. Quanto à timpanometria, prevaleceu com 83,22% a curva tipo A, sendo que os demais tipos de curvas obtiveram um total de 16,3%. A porcentagem dos indivíduos que não realizou o exame foi de 0,48%. Dos pacientes que apresentaram perda auditiva foram unilaterais 1,76% e 98,24% bilaterais.
CONCLUSÕES: Foi constatada uma maior prevalência de perda auditiva do tipo neurossensorial, sendo que o grau de perda variou de leve a profundo, com maior prevalência do grau moderado.

Palavras-chave: audiometria, audição, fonoaudiologia, idoso, presbiacusia.


 

 

INTRODUÇÃO

A deficiência auditiva é a incapacidade parcial ou total de audição, podendo estar relacionada com o nascimento, com doenças adquiridas, traumas acústicos, uso de drogas ototóxicas ou com o decorrer da idade. Essa alteração pode atingir qualquer faixa etária. A criança que apresenta perda auditiva pode apresentar dificuldades no seu desenvolvimento, enquanto uma pessoa idosa apresenta deficit auditivo natural com o passar dos anos, chamado de presbiacusia1-2.

O aumento da qualidade de vida, as melhorias nas condições de saúde e o controle das doenças crônicas e infecciosas levam ao aumento da população com idade avançada. Porém, os efeitos do processo de envelhecimento sobre as capacidades sensoriais não mudaram, levando ao surgimento de patologias decorrentes desse envelhecimento, como é o caso da deficiência auditiva que ocorre nos idosos2.

A deficiência auditiva é uma das deficiências sensoriais com maior impacto na vida das pessoas, pois elimina ou reduz a capacidade da pessoa se comunicar de maneira efetiva. Dessa forma ocorre uma redução na inteligibilidade de fala, comprometendo sua comunicação verbal, interferindo no recebimento das informações, formando e expressando suas ideias. Além disso, ocorre o isolamento, reduz a socialização, apresenta uma intolerância a sons de moderada à alta intensidade1-3.

A presbiacusia é o envelhecimento natural do ouvido humano, ou seja, um distúrbio da audição associado à degeneração da cóclea, que afeta principalmente a parte basal, prejudicando a percepção auditiva das frequências altas ao decorrer da idade1-4.

Os idosos apresentam como principais sintomas da presbiacusia: dificuldade em participar de conversas ou de falar ao telefone, em compreender as palavras, em localizar uma fonte sonora, em ouvir alarmes, telefone, campainha da porta, veículos se aproximando e necessidade de aumentar o volume da televisão ou rádio1-2,5.

A presbiacusia é definida como uma perda auditiva neurossensorial, com o grau podendo variar de leve a profundo tanto nas frequências baixas quanto nas frequências altas, apresenta início gradual e progressivo, de forma simétrica, descendente e bilateral para sons em frequências altas (3 a 8KHz), muitas vezes acompanhada por dificuldades no reconhecimento de fala6-10.

De acordo com o que foi relatado anteriormente, a presbiacusia apresenta, em suas características, uma configuração descendente, sendo descrita desta forma pelo critério de classificação do grau da perda auditiva de um estudo americano11. Porém, neste estudo, vamos abordar o critério de classificação de um trabalho brasileiro10.

A avaliação audiológica do indivíduo idoso deve envolver exames subjetivos e objetivos a fim de definir os seus limiares audiológicos. Assim, devem ser observados alguns fatores, como a compreensão e a execução das ordens dadas ao paciente para obter um resultado preciso sobre o uso funcional da audição e da compreensão. Deve haver certeza sobre as ordens dadas ao paciente e verificar se estão sendo compreendidas, pois as implicações linguísticas estão diretamente relacionadas ao grau da perda auditiva que pode variar entre uma perda leve a severa12-13.

Os achados audiológicos descritos na literatura mostram a prevalência das curvas timpanométricas do tipo A, cuja configuração representa normalidade ou alteração do tipo neurossensorial, como por exemplo, a presbiacusia14.

Uma vez percebida que a população idosa brasileira, nos últimos anos, vem crescendo em proporções maiores que os demais segmentos etários15, são necessários a investigação e estudo para melhorar a qualidade de vida desse grupo da população.

Assim, com base na literatura pesquisada, este estudo tem por objetivo traçar o perfil audiológico, de acordo com o limiar auditivo e o tipo de curva timpanométrica dos pacientes idosos que realizaram a avaliação auditiva em Centro Clínico de Fonoaudiologia.

 

MATERIAL E MÉTODO

O presente estudo foi realizado após aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa da Instituição de ensino onde o trabalho seria realizado, sob o parecer 0107.0.213.000-07. Desta forma, foi realizado o levantamento dos dados de acordo com os prontuários de exames auditivos, realizados na instituição, pelos alunos da graduação sob orientação de professor fonoaudiólogo responsável, no período de Agosto de 2004 a Agosto de 2007, totalizando 313 avaliações audiológicas, e 626 orelhas.

Todas as avaliações foram realizadas utilizando-se os seguintes equipamentos: Audiômetro Midimate 622 e o Imitanciômetro AZ7, para a pesquisa do limiar auditivo para pesquisa do tipo de curva timpanométrica, respectivamente.

A idade mínima encontrada foi de 60 anos e idade máxima de 94 anos, com média de 69,82 anos. Esta idade foi selecionada para que houvesse uma maior homogeneidade da amostra, bem como a maior demanda do setor onde foi realizada a pesquisa.

Pelo critério de classificação utilizado16, considerouse frequências baixas (0,25, 0,5, 1 e 2 KHz) e frequências altas (3, 4, 6 e 8 KHz), sendo o tipo e grau de perda auditiva analisada a partir da média de cada uma delas. Desta forma, como o número de orelhas eram de 626, houve um total de 1252 eventos, já que cada tipo de frequência (altas e baixas) foi analisado separadamente.

Para a Imitanciometria foi utilizado o critério de classificação das curvas timpanométricas17, que classifica curva tipo A - pressão entre +50 e -70 daPa com complacência entre 0,3 e 1,3 ml; curva tipo As - pressão entre +50 e -70 daPa com complacência abaixo de 0,3 ml; curva tipo Ad - pressão entre +50 e -70 daPa com complacência acima de 1,3 ml; curva tipo C - pressão abaixo de -70 daPa com complacência entre 0,3 e 1,3 ml; curva tipo B - não existe pico de máxima complacência.

O presente estudo foi realizado por bases estatísticas que caracterizam a sua qualidade intrínseca: a sensibilidade e a especificidade. Os achados foram descritos por análise de frequência e ocorrência, através de Tabelas e gráficos descritivos.

 

RESULTADOS

Em grande parte dos sujeitos (pouco mais de 60%) houve limiares auditivos de frequência baixa mais elevados que os limiares auditivos nas frequências altas, caracterizando uma curva do tipo descendente.

Quanto ao tipo de perda auditiva, o resultado da análise estatística revelou que 60,78% da população pesquisada apresentam perda auditiva neurossensorial, 14,70% apresentam perda auditiva mista, 2,40% apresentam perda auditiva condutiva e 22,12% dos indivíduos apresentam limiares auditivos dentro dos padrões de normalidade (Tabela 1).

 

 

Quanto ao grau das perdas auditivas, constatamos que estas foram de leve a profunda, sendo a de maior prevalência a de grau moderado (Tabela 2).

Dos 77,88% dos idosos que apresentam perda auditiva, 1,76% de perdas auditivas são unilaterais e 98,24% de perdas auditivas bilaterais.

Quanto às configurações audiométricas das perdas auditivas neurossensoriais, pode se observar que 61,66% dos indivíduos apresentam configuração audiológica sugestiva de presbiacusia, ou seja, bilateral, simétrica e descendente, de grau variando de leve a severo.

No quadro a seguir temos os limiares auditivos dentro do padrão de normalidade.

 

 

Já na Tabela 3 estão os tipos e graus de perdas auditivas por orelha nas frequências altas e baixas.

 

 

Na Tabela 4 observam-se os achados imitanciométricos da população pesquisada. A curva timpanométrica do Tipo A esteve presente em 83,22% das orelhas (521), enquanto 16,3% (102) apresentaram os demais tipos de curvas timpanométricas ("AD, AS, B, C") e 0,48% das orelhas (03) não realizaram Imitanciometria.

 

 

DISCUSSÃO

Com o aumento da qualidade de vida, as melhorias nas condições de saúde e o controle das doenças crônicas e infecciosas proporcionam o aumento da população com idade avançada. Porém, os efeitos do processo de envelhecimento sobre as capacidades sensoriais não mudaram, levando ao surgimento de doenças decorrentes desse envelhecimento, como é o caso da deficiência auditiva que ocorre nos idosos, chamada de presbiacusia, que apresenta como característica uma perda auditiva neurossensorial bilateral, simétrica, descendente e progressiva1-13,18-20.

De acordo com a bibliografia encontrada, foi observado que o percentual de perdas auditivas neurossensoriais presentes nos indivíduos idosos está compatível com o presente estudo. Um estudo1 descreve que foram pesquisados 260 idosos, onde 64,23% apresentaram perda auditiva do tipo neurossensorial. Dentre os 331 indivíduos acima de 60 anos vistos em outra pesquisa14, 81% apresentavam perda auditiva do tipo neurossensorial. Estes resultados corroboram os encontrados no presente trabalho.

Através dos protocolos verificados, os idosos que apresentavam perdas auditivas, 98,24% foram bilaterais, o que é confirmado pela literatura consultada, que encontrou prevalência de perdas auditivas em ambas as orelhas na população estudada1,13-15,18-20.

Observando os dados quanto aos tipos de curvas timpanométricas, verificou-se que 83,22% das orelhas pesquisadas apresentam curva do tipo A. Em uma pesquisa14 os autores encontraram 78,85% de curva Tipo A em idosos, sendo, portanto, valores muito próximos.

Em relação à configuração audiométrica, 61,66% dos indivíduos pesquisados apresentavam perda auditivas características de presbiacusia, ou seja, bilaterais de grau leve a severo, descendente, estando compatível com a literatura, pois essa relata que a presbiacusia é caracterizada por uma perda auditiva neurossensorial, simétrica, descendente e bilateral para sons em frequências altas (3 a 8 KHz) e acompanhada por dificuldades no reconhecimento de fala1,6-10;13-15,18-21.

É importante salientar que a presbiacusia é uma ordem natural, fazendo parte da vida dos seres humanos, e ocorre de acordo com o processo do envelhecimento1-10, entretanto, muitos idosos podem conviver com esta perda, dependendo do tipo e do grau ocorrente, e mesmo em casos mais graves existem meios que permitem uma melhora na qualidade de vida desta população.

 

CONCLUSÃO

Após a realização desta pesquisa, com idosos acompanhados em uma clínica escola, foi constatada, portanto, uma maior prevalência de perda auditiva do tipo neurossensorial, sendo que o grau de perda variou de leve a profundo, com maior prevalência do grau moderado. Ainda, as frequências altas mostraram-se mais afetadas, em comparação com as frequências baixas, em grande parte dos sujeitos, caracterizando curvas audiométricas descendentes, típicas de presbiacusia. Vale ainda destacar que a curva timpanométrica mais encontrada foi a do Tipo A.

Portanto, de acordo com este trabalho, foi possível verificar o perfil da audição dos idosos em uma dada população, permitindo, assim, um vislumbre da presente qualidade de vida das pessoas na faixa etária aqui pesquisada, já que foi constatada maior prevalência de perda auditiva do tipo neurossensorial com o grau de perda variando de leve a profundo, com maior prevalência do grau moderado.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Amaral LCG, Sena APRC. Perfil Audiológico dos Pacientes da Terceira Idade Atendidos no Núcleo de Atenção Médica Integrada da Universidade de Fortaleza. Fono Atual. 2004;7(27): 58-64.         [ Links ]

2. Soncine F, Costa MJ, Oliveira TMT. Perfil Audiológico de Indivíduos na faixa etária entre 50 e 60 anos. Fono Atual. 2004;7(28):21-9.         [ Links ]

3. Baraldi GS, Almeida LC, Borges ACC. Evolução da perda auditiva no decorrer do envelhecimento. Braz J Otorhinolaryngol. 2007;73(1):64-70.         [ Links ]

4. Sousa MGC, Russo ICP. Audição e percepção da perda auditiva em idosos. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2009;14(2):241-6.         [ Links ]

5. Calais LL, Borges ACLC, Baraldi GS, Almeida LC. Queixas e preocupações otológicas e as dificuldades de comunicação de indivíduos idosos. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2008;13(1):12-9.         [ Links ]

6. Marques ACO, Koziowski L, Marques JM. Reabilitação auditiva no Idoso. Rev Bras Otorrinolaringol. 2004;70(6):1-7.         [ Links ]

7. Neves VT, Feitosa AMG. Envelhecimento do Processamento Temporal Auditivo. Psic Teor e Pesq. 2002;18(3):1-15.         [ Links ]

8. Almeida EOC, Costa CB, Oliveira SRT. Umeoka MTH. Audiometria Tonal e Emissões Otoacústicas-Produtos de Distorção em Pacientes Tratados com Cisplatina. Arq Int Otorrinolaringol. 2006;10(3):1-7.         [ Links ]

9. Kwitko A. Avaliação da Perda Auditiva Ocupacional e da Presbiacusia: Uma Aplicação da Análise de Componentes Principais. Acta Awho. 1997;16(2):54-65.         [ Links ]

10. Russo ICP. Distúrbios da audição: A presbiacusia. In: Russo ICP, Ribeiro A. Intervenção fonoaudiológica na terceira idade. Rio de Janeiro: Revinter; 1999. p. 51-79.         [ Links ]

11. Lloyd LL, Kaplan H. Audiometric interpretation: a manual of basic audiometry: Press, 1978.         [ Links ]

12. Veras RP, Mattos LC. Audiologia do Envelhecimento: Revisão da Literatura e Perspectivas Atuais. Braz J Otorhinolaryngol. 2007;73(1):128-34.         [ Links ]

14. Jurca APK, Pinheiro FCC, Martins KC, Herrera LF, Colleone LM, Saes SO. Estudo do Perfil Audiológico de Pacientes com Idade Acima de 60 anos. Salusvita. 2002;21(1):51-8.         [ Links ]

15. Scheffer JC, Fialho IM, Scholze AS. Itinerários de cura e cuidado de idosos com perda auditiva. Saúde Soc. São Paulo. 2009;18(3):537-48.         [ Links ]

16. Monmensoh-Santos TM, Russo ICP, Bahilo-Neves CS, Botelho DL, F. Martins-Dias FA, Rodrugues FL, et. Al. Estudo Comparativo dos Critérios Utilizados na Classificação do Grau de Perda Auditiva. Anais do IX Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia. Vitória (ES), 2001.         [ Links ]

17. Jerger J. Clinical experience with impedance audiometry. Arch Otolaryng. 1970.         [ Links ]

18. Vitale RF, Andrade F, Quintanilha R. O Papel do Fator da Necrose Tumoral Alfa no Processo de Erosão Óssea Presente no Colesteatoma Adquirido da Orelha Média. Braz J Otorhinolaryngol. 2007;73(1):123-7.         [ Links ]

19. Ruschel CV, Carvalho CR, Guarinello AC. A Eficiência de um Programa de Reabilitação Audiológica em Idosos com Presbiacusia em seus Familiares. Rev Soc Brás Fonoaudiol. 2007;12(2):95-8.         [ Links ]

20. Costa KRS. Estudo de Avaliações Audiológicas de Sujeitos Atendidos numa Clínica Universitária. Fono Atual. 2002;6(20):31-8.         [ Links ]

21. Fuess VLR, Cerchiari DP. Estudo da Hipertensão Arterial Sistêmica e do Diabetes Mellitus como Fatores Agravantes da Presbiacusia. Arq Int Otorrinolaringol. 2003;7(2)116-21.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Tatiana Marques Guerra
Rua Lavras 935
Belo Horizonte MG 32.330-010

Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gestão de Publicações) da BJORL em 24 de novembro de 2009. cod. 6795
Artigo aceito em 25 de junho de 2010.

 

 

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais