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Brazilian Journal of Otorhinolaryngology

Print version ISSN 1808-8694

Braz. j. otorhinolaryngol. vol.78 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1808-86942012000100010 

ORIGINAL ARTICLE

 

Correlação entre resultado do exame vestibular e queixas psicológicas autorrelatadas de pacientes com sintomas vestibulares

 

 

Léia Gonçalves GurgelI; Michelle Ramos DouradoII; Taís de Campos MoreiraIII; Adriana Jung SerafiniIV; Isabela Hoffmeister MenegottoV; Caroline Tozzi ReppoldVI; Cristina Loureiro Chaves SolderaVII

IGraduação (Fonoaudióloga, mestranda do programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde - UFCSPA)
IIGraduação (Fonoaudióloga - UFCSPA)
IIIMestrado (Fonoaudióloga, supervisora do serviço VIVAVOZ - UFCSPA)
IVDoutorado (Psicologa, Professora adjunta da UFCSPA)
VDoutorado (Fonoaudióloga, professora adjunta do departamento de fonoaudiologia da UFCSPA)
VIDoutorado (Psicologa, professora adjunta da UFCSPA. Bolsista Produtividade do CNPQ.)
VIIMestrado (Fonoaudióloga, professora assistente do departamento de fonoaudiologia da UFCSPA, Doutoranda em Gerontologia Biomedica - IGG/ PUCRS.)

 

 


RESUMO

Fatores cognitivos e emocionais podem afetar o equilíbrio, portanto, condições psiquiátricas são comuns em pacientes otoneurológicos. O tratamento dado ao sujeito vertiginoso pode ser mais influenciado pelo sofrimento e comportamento da doença do que pela gravidade da patologia orgânica.
OBJETIVO: Este estudo teve como objetivo verificar a associação entre os resultados do exame vestibular e queixa psicológica autorrelatada, em indivíduos atendidos no ano de 2009, no serviço de audiologia de um hospital em Porto Alegre.
MATERIAL E MÉTODO: Foi realizado um estudo retrospectivo, descritivo-exploratório, consultando-se a base de dados dos softwares VecWin® e VecWin® 2 da marca Neurograff®. Foram investigados os resultados do exame vestibular, as queixas referentes aos sintomas psicológicos relatados espontaneamente e idade, sexo e queixa de vertigem e/ou tontura. O trabalho foi realizado em três etapas: agrupamento, exclusão/inclusão e quantificação.
CONCLUSÃO: A faixa etária da amostra, o sexo e a presença ou ausência de vertigem e/ou tontura não foram variáveis de influência sobre o resultado do exame vestibular. Houve associação significativa entre a presença de queixa psicológica autorrelatada e o resultado normal do exame vestibular. Assim, é fundamental que os profissionais deem atenção às questões psicológicas relatadas pelo indivíduo na ocasião da anamnese vestibular.

Palavras-chave: eletronistagmografia, fonoaudiologia, psicopatologia, vertigem.


 

 

INTRODUÇÃO

A otoneurologia é a ciência que estuda os sistemas auditivo e vestibular e suas relações com o sistema nervoso central (SNC)1. A vestibulometria é constituída por um conjunto de procedimentos que avaliam a função do equilíbrio corporal. A vectoeletronistagmografia computadorizada (VENG) é uma etapa da vestibulometria e é o método utilizado para o registro dos movimentos oculares direta ou indiretamente relacionados com a função vestibular2. A VENG determina a direção do nistagmo e calcula a velocidade da sua componente lenta, parâmetro fundamental na avaliação da função labiríntica2.

Desordens vestibulares causam prejuízos significativos nas habilidades dos indivíduos, que podem requerer assistência para tarefas simples que antes executavam normalmente em suas vidas3. Dentre as desordens vestibulares, encontram-se: vestibulopatias periféricas, que compreendem as afecções de orelha interna e/ou do ramo vestibular do oitavo nervo craniano; e vestibulopatias centrais, que compreendem estruturas, núcleos, vias e interrelações vestibulares no sistema nervoso central4.

Entre as manifestações ou sintomas vestibulares, estão a tontura e/ou o desequilíbrio, que atingem cerca de 10% da população mundial3. A tontura e o desequilíbrio são apontados como a queixa mais comum, após os 65 anos de idade, e representam 5% a 10% das visitas médicas ao ano3. Um dos motivos que faz da tontura um sintoma tão frequente é a sua diversidade etiológica, que pode incluir, além de causas labirínticas, fatores cardiovasculares, neurológicos (como esclerose múltipla, tumores, epilepsia, ataques isquêmicos e intoxicação por drogas) e exclusivamente psicogênicos, entre outros5,6. O conjunto de perturbações físicas e emocionais que envolvem a tontura pode provocar prejuízos funcionais intensos, comprometendo as atividades profissionais, sociais e domésticas do paciente3. Muitas vezes, alterações vestibulares são também acompanhadas por alterações auditivas e distúrbios neurovegetativos, como náuseas, vômitos, sudorese intensa e palidez1.

A relação entre ansiedade e equilíbrio se vale da premissa de que os distúrbios do equilíbrio e os transtornos de ansiedade compartilham circuitos centrais neurais, envolvendo componentes monoaminérgicos. Esses circuitos estão centrados sobre uma rede do núcleo parabraquial, que é um local de convergência do sistema vestibular e de processamento da informação visceral, envolvendo, também, sintomas de evitação, ansiedade e medo7.

Diante disso, é importante ressaltar que a queixa é o primeiro momento de contato entre paciente e profissional e diz respeito aos conteúdos manifestos e conscientes relacionados ao sintoma apresentado. A entrevista inicial do exame vestibular deve configurar-se como um espaço de escuta e acolhimento, que favoreça ao paciente, além de enunciar a sua queixa, falar também sobre o sofrimento relacionado a ela8. O tratamento dado ao sujeito vertiginoso pode ser mais influenciado pelo sofrimento e comportamento da doença do que pela gravidade da patologia orgânica3. Desta forma, a relevância desta pesquisa é evidenciada pela alta proporção de pacientes otoneurológicos que apresentam distúrbios psicológicos3. Neste estudo, objetivou-se verificar a associação entre resultados do exame vestibular e queixas psicológicas relatadas de maneira espontânea (autorrelato), em indivíduos atendidos de janeiro a dezembro de 2009, no serviço de audiologia de um hospital em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

 

MATERIAL E MÉTODO

Este estudo, cuja amostra de conveniência foi composta pelos dados armazenados de 304 indivíduos, configura-se como retrospectivo e descritivo-exploratório. A coleta foi realizada entre janeiro e julho de 2010. Esta pesquisa foi aprovada pelos Comitês de Ética em Pesquisa das instituições envolvidas, sob os números 341/10 e 10/597. O estudo foi realizado a partir de pesquisa em banco de dados. Por esse motivo, não foi necessário que os sujeitos assinassem termo de consentimento. Os pesquisadores foram autorizados pelos Comitês de Ética em Pesquisa das instituições a utilizar e divulgar os dados incluídos na amostra deste estudo.

Para a coleta de dados, consultou-se a base de dados dos softwares VecWin® e VecWin® 2, utilizados para registro e análise dos exames de vectoeletronistagmografia no serviço em questão. O equipamento da vectoeletronistagmografia computadorizada utilizado é da marca Neurograff® Eletromedicina Ind. & Com. Ltda., que inclui um software específico (VecWin®) e uma barra luminosa com a qual são apresentados os estímulos visuais9. O software VecWin® é embutido na memória do computador e registra dados da anamnese, capta e grava os diferentes reflexos vestíbulo-óculo-motores resultantes da estimulação visual10.

As anamneses e os exames foram realizados pela mesma fonoaudióloga, que registrava os dados, durante a realização do exame, nos softwares VecWin® ou VecWin® 2. O paciente não era questionado diretamente sobre as queixas psicológicas e essas, quando ocorriam, eram relatadas de maneira espontânea e registradas pela examinadora tanto durante a anamnese como em qualquer momento da avaliação. Neste estudo, foram coletados dados referentes à idade, sexo, queixa de tontura e/ou vertigem, queixas autorrelatadas referentes aos sintomas psicológicos e os resultados do exame vestibular.

O trabalho ocorreu em três etapas: coleta e agrupamento, inclusão/exclusão e análise/quantificação. Primeiramente, houve a coleta de todas as informações registradas na base de dados do software, e o agrupamento em cinco categorias: sexo, idade, queixa de vertigem e/ou tontura, queixas psicológicas relatadas espontaneamente, resultados ao exame vestibular. Os dados referentes às queixas psicológicas foram categorizados, conforme estudo anterior, e segundo as palavras dos próprios pacientes em: angústia, depressão, medo, ansiedade e distúrbios de memória11 e a eles foram acrescentados outros parâmetros encontrados após a análise do banco de dados, como: estresse12, desânimo12, irritabilidade12, pânico13, insegurança14 e desconforto15, em função da ocorrência dessas queixas psicológicas específicas autorrelatadas na amostra estudada. Esses últimos foram estabelecidos por meio da análise de Bardin16, que se refere à análise de conteúdo (estudo das figuras de linguagem, reticências, entrelinhas, manifesto...) do discurso. É um conjunto de técnicas de análise das comunicações que leva em conta a subjetividade humana e os significados atribuídos pelo sujeito da pesquisa. Visa obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos, indicadores quantitativos ou não, que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) das mensagens16.

Na segunda etapa, foram incluídos os dados de todos os indivíduos que realizaram o exame vestibular entre janeiro e dezembro de 2009, totalizando 315 sujeitos. Foram excluídos 11 destes, por terem exames inconclusivos ou não terem a anamnese completa registrada, totalizando uma amostra final de 304 indivíduos.

Na última etapa, realizou-se a análise estatística dos dados obtidos, por meio do programa Statistical Package for the Social Science (SPSS), versão 18.0. Para avaliar a associação entre os resultados do exame vestibular com grupo etário, sexo, queixa de vertigem e/ou tontura e queixa psicológica autorrelatada, foi utilizado o teste de associação Qui-Quadrado, com nível de significância de 5% (p = 0,05). Com relação aos exames vestibulares, foram considerados alterados aqueles cujos resultados apontaram: síndrome vestibular periférica deficitária (SVPD), síndrome vestibular periférica irritativa (SVPI), incluindo aqueles cuja única alteração era o resultado positivo às provas de posicionamento, ou síndrome vestibular central (SVC).

 

RESULTADOS

Do total de 304 indivíduos incluídos neste estudo, 23% tinham idade compreendida entre 41 e 50 anos. Nesta pesquisa, a média de idade dos participantes foi de 50,77 anos.

A amostra foi composta por 72,7% de indivíduos do sexo feminino. A queixa de tontura/vertigem foi relatada por 93,8% da amostra estudada, porém apenas 12,5% dos indivíduos apresentaram queixa psicológica autorrelatada. A Tabela 1 mostra que, apesar de 94,7% dos indivíduos que relataram espontaneamente queixa psicológica referirem queixa de tontura e/ou vertigem, não houve associação significativa (p>0,05) entre esses achados (Tabela 1).

 

 

Observa-se que 19 pacientes não apresentavam queixa de tontura/vertigem. Estes tiveram indicação para realização do exame vestibular em função de apresentarem outras queixas auditivas, como zumbido e perda auditiva.

Do total de 304 indivíduos, 61,3% tiveram alteração ao exame vestibular. A Tabela 2 apresenta a associação entre o resultado do exame vestibular e o sexo da amostra. Verificou-se que 38% dos indivíduos do sexo feminino e 40% do sexo masculino apresentaram resultado normal ao exame vestibular, sendo que não houve associação significativa entre sexo e resultado do exame (p>0,05). Dos 187 indivíduos que tiveram resultado do exame vestibular alterado, 97 tinham acima de 50 anos de idade. Não houve associação significativa entre idade e resultado do exame vestibular (p >0,05), conforme observado na Tabela 3.

 

 

 

 

Observou-se que, dos 285 indivíduos com queixa de tontura e/ou vertigem, 177 apresentaram resultado alterado ao exame vestibular e 108 tiveram resultado normal. A associação entre a presença de queixa de tontura e/ou vertigem com o resultado do exame vestibular mais uma vez não foi significativa (p>0,05) (Tabela 4).

 

 

A Tabela 5 mostra que 55,3% dos indivíduos que autorrelataram queixa psicológica apresentaram resultado normal ao exame vestibular. Houve, nesse caso, associação significativa entre a presença de queixa psicológica autorrelatada e o resultado normal do exame vestibular (p=0,019).

 

 

DISCUSSÃO

Em estudos relacionados a questões vestibulares e queixa psicológica, observa-se que a maioria dos indivíduos encontra-se na faixa etária compreendida entre 41 e 50 anos17-19, dado que corrobora os achados da presente pesquisa. Estima-se que a prevalência das alterações do equilíbrio e episódios de vertigem representem 5% a 10% das visitas médicas ao ano, e acometam 40% das pessoas com idade acima de 40 anos20. Há forte relação entre vertigens e desordens psicológicas em adultos e idosos3,21,22.

Concordando com os resultados deste estudo, em que 72,7% da amostra foi composta por indivíduos do sexo feminino, outras pesquisas apontam a mulher como mais suscetível do que o homem às alterações otoneurológicas2,18,23. Afirma-se que, no sexo feminino, a prevalência de tontura é maior, chegando à proporção de 2:124. A presença de estados emocionais negativos autorrelatados (principalmente estresse) pode estar associada à alteração do equilíbrio dinâmico dos adultos jovens, independentemente de sexo e idade25.

Com relação às questões psicológicas, verificou-se neste estudo que 94,7% dos indivíduos com queixa espontânea de sintomas psicológicos também referiram queixa de tontura e/ou vertigem. Observa-se na literatura que mesmo quando o sintoma psicológico faz parte do protocolo de avaliação, há concomitância de sintomas psicológicos com queixa de vertigem e/ou tontura em 56,38% dos casos, sendo considerados, em ordem decrescente, a angústia, a ansiedade, o medo, a depressão e os distúrbios de memória11. O sintoma psíquico seria a representação atual de conflitos do passado, vivenciados de forma traumática e podendo ser reativados, explicando o aparecimento da vertigem11.

O resultado normal do exame vestibular associado à queixa de tontura e/ou vertigem foi observado em 37,9% da amostra. A ausência de alterações no exame vestibular, apesar da presença de queixa labiríntica, pode ser explicada quando há pouco comprometimento do aparelho vestibular ou quando já ocorreu recuperação do mesmo17.

No presente estudo, observou-se em 55,3% dos indivíduos pesquisados a associação significativa entre o autorrelato de queixa psicológica e o resultado normal do exame vestibular. Sabe-se que quando o sintoma vestibular é proveniente de alterações em outros órgãos, como doenças neurológicas e/ou problemas psíquicos, a tontura ocorre sem o comprometimento funcional do sistema vestibular17, o que pode explicar a normalidade ao exame. No caso da vertigem exclusivamente psicogênica, não ocorrem alterações no sistema vestibular e, consequentemente, o resultado da VENG encontra-se normal. Porém, deve-se considerar a sensibilidade diagnóstica da VENG, que revela resultados normais em 40% dos pacientes com hipótese diagnóstica de alteração labiríntica26,27. As condições psiquiátricas são frequentes em pacientes com queixas otoneurológicas, sendo os transtornos de ansiedade particularmente comuns28.

Entretanto, a presença de um transtorno psiquiátrico não exclui a possibilidade de haver um distúrbio do equilíbrio, sendo o inverso também verdadeiro28. Sintomas psicológicos, como ansiedade, depressão e medo, podem ser causa, consequência ou podem coexistir com as crises de vertigem11,29. Contudo, não foram encontrados estudos na literatura compulsada que verificassem a associação entre os resultados do exame vestibular e a queixa psicológica autorrelatada. Distúrbios do equilíbrio e queixas de tonturas estão associados a níveis elevados de ansiedade30. A prevalência dos diagnósticos de transtornos de ansiedade (principalmente transtorno do pânico e agorafobia) entre pacientes atendidos em clínicas especializadas para distúrbios de equilíbrio é significativamente mais elevada do que na população geral30-33. O indivíduo com tontura habitualmente relata consequências somatopsíquicas da vertigem, causada por desordens vestibulares, como dificuldade de concentração mental, perda de memória e fadiga. A insegurança física gerada pela tontura e pelo desequilíbrio conduz à insegurança psíquica, irritabilidade, perda de autoconfiança, ansiedade, depressão ou pânico, sentimento de estar fora da realidade e despersonalização19.

No estudo de Mc Kenna et al.34, observou-se que 42% dos pacientes em ambulatórios de otoneurologia (com tontura, zumbido e perda auditiva) necessitavam de assistência psicológica. No estudo de Jozefowicz-Korczynska et al.35, observou-se que o aspecto psicológico também foi amplamente mencionado em relação à manifestação do sintoma vestibular. Essa patologia vestibular pode, também, afetar o alinhamento adequado da cabeça e do corpo (devido às tentativas do paciente em evitar movimentos de cabeça ou quedas) e os limites de estabilidade, ou seja, a área em que os indivíduos se percebem mais seguros. Um descompasso entre o real e a percepção dos limites de estabilidade ocorre com frequência naqueles indivíduos ansiosos que temem a queda e, portanto, acabam restringindo desnecessariamente os movimentos do seu corpo36. Dentro deste quadro, a ansiedade e a prevenção situacional que caracterizam o desconforto ao movimento podem ser uma estratégia compensatória que tem a função normal de evitar a exposição a situações potencialmente perigosas7. A presença de disfunções vestibulares pode resultar em aumento compensatório na sensibilidade visual, proprioceptiva e no equilíbrio, facilitando o desenvolvimento de medo de altura e agorafobia19.

Como limitações do estudo, ressalta-se que diversos fatores não considerados podem estar relacionados a alterações vestibulares, como o uso de medicamentos (antiinflamatórios, diuréticos, quimioterápicos, antibióticos e psicotrópicos), que podem provocar lesões ou interferir no funcionamento do aparelho vestibular, assim como na cóclea, podendo levar à sensação de vertigem e tontura, principalmente no caso de superdosagem17. As alterações metabólicas, neurológicas, cardiovasculares, degenerativas, infecciosas, inflamatórias, traumatismos, sintomas otoneurológicos, como zumbido e hipoacusia, antecedentes familiares, entre outros, podem levar à vertigem e/ou tontura35,37. Sugere-se que em estudos posteriores essas questões sejam consideradas, bem como sejam realizadas novas pesquisas que determinem os principais quadros psicológicos concomitantes à queixa de vertigem em pacientes otoneurológicos11.

Para a avaliação da relação causal entre ansiedade e sintomas vestibulares, sugere-se a realização de um estudo com abordagem longitudinal, podendo-se acompanhar prospectivamente os indivíduos e examinar o desenvolvimento dos sintomas34. Sinais como a depressão devem ser investigados como possível sintoma psicológico associado ao estresse e à tontura e devem ser igualmente considerados no diagnóstico, na terapêutica e no prognóstico dos pacientes otoneurológicos12.

 

CONCLUSÃO

A faixa etária da amostra estudada, bem como o sexo e a presença ou ausência de vertigem e/ou tontura, não foram variáveis de influência sobre o resultado do exame vestibular. Houve associação estatisticamente significativa entre a presença de queixa psicológica autorrelatada e o resultado normal no exame vestibular. O resultado da VENG pode estar normal nos casos em que a vertigem é exclusivamente psicogênica pois, geralmente, não ocorrem alterações no sistema vestibular.

 

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Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gestão de Publicações) da BJORL em 13 de fevereiro de 2011. cod. 7574
Artigo aceito em 16 de agosto de 2011.