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Brazilian Journal of Otorhinolaryngology

Print version ISSN 1808-8694

Braz. j. otorhinolaryngol. vol.78 no.4 São Paulo July/Aug. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1808-86942012000400017 

ORIGINAL ARTICLE

 

Prevalência de alterações das células ciliadas externas em estudantes de uma escola do Distrito Federal

 

 

Valéria Gomes da SilvaI; André Luiz Lopes SampaioII; Carlos Augusto Costa Pires de OliveiraIII; Pedro Luiz TauilIV; Glaucia Magalhães Brito JansenV

IMestrado (Fonoaudióloga)
IIDoutorado (Médico Associado do Setor de Implante Coclear da Universidade de Brasília, Brasil)
IIIDoutorado (Professor Titular da Universidade de Brasília, Brasil)
IVDoutorado (Professor do Programa de Pós-graduação em Medicina Tropical da faculdade de Medicina da Universidade de Brasília)
VPós-graduação em Audiologia (Fonoaudióloga)

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Os jovens estão cada vez mais expostos à música alta, que pode prejudicar a audição. O teste das Emissões Otoacústicas, por ser mais sensível à exposição ao ruído, permite detectar precocemente alterações cocleares.
OBJETIVO: Investigar a prevalência de lesão das células ciliadas externas por meio do teste de emissões otoacústicas em uma amostra de estudantes.
MATERIAL E MÉTODO: Foram realizados os testes de emissões otoacústicas por estímulo transiente e por produto de distorção em 134 indivíduos. Os exames foram analisados de acordo com o critério "passa/falha". Tipo de estudo: Estudo seccional descritivo de prevalência.
RESULTADOS: Dos 134 participantes, 80,6% apresentaram emissões otoacústicas transiente alteradas, sendo a maioria do gênero masculino; 97,8% apresentaram emissões otoacústicas produto de distorção alterada e 79,9% apresentaram alteração tanto em transiente quanto em produto de distorção, sendo a maioria do gênero masculino e, ainda, 94,0% relataram fazer uso de fones de ouvido; e 82,8% declararam frequentar lugar com música amplificada.
CONCLUSÃO: A alta prevalência de testes alterados pode indicar precocemente uma disfunção coclear e, pelo alto número de participantes que relatou exposição à música alta, há a suspeita de que esse hábito pode estar provocando as alterações cocleares.

Palavras-chave: células ciliadas auditivas externas, perda auditiva provocada por ruído, saúde do adolescente.


 

 

INTRODUÇÃO

Muito se tem falado, em toda a mídia, sobre a audição e sobre as possíveis perdas auditivas em pessoas jovens provocadas por exposição ao ruído.

Independentemente do local, em atividades rotineiras ou de lazer, estamos sempre expostos aos mais diferentes ruídos e, entre os jovens, essa exposição vem aumentando cada vez mais. O que muitos podem não saber é que, apesar de esporádicas, essas exposições são responsáveis por grandes malefícios ao ser humano, alterando seu bem-estar físico e mental1.

O aparelho auditivo humano é extremamente vulnerável à ação do ruído, o qual pode atingir níveis de intensidade elevados, capazes de prejudicar a audição e a saúde em geral2.

Dos agentes nocivos à audição humana, o ruído está sendo citado como um dos agressores que contribuem para o elevado índice de deficiência auditiva e um dos principais causadores de perdas auditivas do tipo neurossensoriais em indivíduos adultos3-5. Entre os jovens, contudo, esses dados ainda estão em estudo.

A ideia de que a perda auditiva por exposição a ruídos está ligada somente aos adultos (idosos) ou que é peculiar a fatores ocupacionais deve ser reavaliada. Já foi observado que jovens com quadro de perda auditiva apresentam audiogramas característicos de perda por exposição ao ruído6,7.

É comum, por exemplo, o uso de fones de ouvido, e esse hábito pode ser observado com maior frequência entre os jovens, que cada vez mais usam esse dispositivo como entretenimento em seus momentos de lazer. Outras práticas de lazer apreciadas pela maioria dos jovens podem estar prejudicando sua saúde auditiva, tais como ouvir música em volumes altos em casa ou no carro; usar fones de ouvido dos celulares e dos Media Players, mais conhecidos como MP3 Players; estar sempre em shows musicais, boates e academias. Essas atividades podem ser prazerosas, porém, são consideradas nocivas à audição quando realizadas sem moderação8.

A avaliação e o monitoramento das perdas auditivas, geralmente, são feitos por meio da audiometria tonal limiar. Contudo, as Emissões Otoacústicas (EOA), por serem mais sensíveis à exposição ao ruído, permitem a detecção precoce de alterações cocleares antes mesmo de serem observadas pela audiometria tonal. Elas possibilitam uma avaliação específica da funcionalidade das células ciliadas externas. Trata-se de um exame não invasivo, sensível ao estado coclear e que não oferece riscos ou desconforto; é rápido, indolor e de fácil aplicabilidade2,9-11.

Levando em consideração os efeitos do ruído sobre a cóclea e o caráter preventivo das Emissões Otoacústicas Evocadas no monitoramento auditivo, foi motivada a execução do presente trabalho com o objetivo de avaliar o funcionamento das Células Ciliadas Externas por meio do exame de emissões otoacústicas em um grupo de estudantes do Distrito Federal e determinar a prevalência de exames alterados nesta amostra.

 

MATERIAL E MÉTODO

O presente estudo de prevalência, do tipo seccional descritivo, foi aprovado pelo Comitê de Ética, sob o protocolo nº 060/2008.

Utilizou-se uma amostra de conveniência composta por 144 estudantes, de ambos os gêneros, do Ensino Médio de uma escola particular do Distrito Federal, selecionados aleatoriamente durante o período de abril a maio de 2010. Foram excluídos 10 indivíduos que apresentaram problemas de orelha média; portanto, a coleta de dados se deu com os 134 restantes, sendo 56 masculinos e 78 femininos, na faixa etária entre 14 e 19 anos.

Os critérios de inclusão foram: não apresentar queixas e/ou sintomas de doenças otológicas; não apresentar história prévia de perda auditiva; não estar sob o uso de medicamentos ototóxicos; não fazer uso de aparelho de amplificação sonora individual (AASI); não apresentar problemas de orelha média e externa, tais como presença de cerúmen ou infecções. A fim de determinar a inclusão ou a possível exclusão dos sujeitos no presente estudo, eles foram questionados por intermédio de um protocolo de seleção/inventário composto por perguntas referentes aos critérios apresentados, hábitos auditivos, doenças da orelha, perda de audição, entre outros.

A coleta de dados foi feita nas dependências da instituição. Foi realizada inspeção do conduto auditivo para visualização de possível presença de cerúmen e outros agentes que pudessem interferir na realização do exame. Em seguida, os participantes foram submetidos aos exames de emissões otoacústicas evocadas por estímulo transiente e por produto de distorção, utilizando o equipamento portátil marca MAICO, modelo ERO-SCAN, ano de fabricação 2006. Os exames foram realizados em ambiente silencioso e a primeira orelha testada foi o lado direito.

Para o teste de Emissões Otoacústicas Evocadas por Estímulo Transiente, foram considerados normais e/ou "PASSA" os resultados que apresentaram valores de amplitude igual ou superior a -12 e relação sinal/ruído igual ou superior a 6 dB em todas as 6 (seis) frequências testadas (1,5 KHz - 4 KHz). Para Emissões Otoacústicas Evocadas por Estímulo Produto de Distorção, foram considerados normais e/ou "PASSA" os resultados que apresentaram amplitude igual ou superior a -5 e relação sinal/ruído igual ou superior a 6 dB em todas as 6 (seis) frequências testadas (2 KHz - 12 KHz). No estudo das emissões otoacústicas transientes e produto de distorção associadamente, o resultado dos exames foi classificado como "Falha" quando tanto EOAT quanto EOAPD apresentavam alteração em pelo menos uma das orelhas.

Quanto à análise estatística, as variáveis estudadas foram: amplitude do sinal, relação sinal/ruído, gênero e lado da orelha. Os dados dos resultados foram reportados apresentando-se: média, valor mínimo e máximo, desvio padrão e valor absoluto (n).

As possíveis diferenças entre as médias de idade dos participantes de cada gênero foram investigadas com o teste t de Student. Para a análise da prevalência dos resultados dos exames de EOAT e de EOAPD no critério "Passa/Falha", segundo o gênero, em ambas as orelhas, foi utilizado o teste chi-quadrado (teste exato de Fisher).

As comparações das médias de amplitude e da relação sinal/ruído entre os gêneros, em cada lado da orelha e em cada frequência, foram feitas com o teste ANOVA de desenho misto, com os fatores gênero (dois níveis, fator entre sujeitos), Orelha (dois níveis, medida repetida) e Frequência (seis níveis). Investigou-se se existiam diferenças estatisticamente significativas entre as médias dos resultados. Utilizou-se o método de Greenhouse-Geisser para a correção dos desvios da esfericidade. Foram aplicadas análises pos hoc para investigar as interações de até dois fatores.

A correlação entre a prevalência de falhas para amplitude do sinal em cada lado da orelha e a frequência analisada nas EOAT foi avaliada com o Teste de Correlação de Pearson. O mesmo teste foi utilizado para a análise da relação sinal/ruído e, também, para a amplitude do sinal e a relação sinal/ruído das EOAPD.

A associação entre a prevalência de falhas nos dois testes (EOAT e EOAPD) com o gênero dos participantes foi analisada com o teste chi-quadrado (teste exato de Fisher). O mesmo teste foi utilizado para avaliar a associação entre a variável gênero e a exposição à música amplificada. O nível de significância estatística foi estabelecido em 5% (p = 0,05). Todos os testes foram bicaudais.

Para o estudo de prevalência, o tamanho da amostra foi calculado para um grau de confiança de 95%, e a prevalência estimada de alterações das CCE de 90% resultou em 121.

 

RESULTADOS

Na análise dos resultados das emissões otoacústicas transientes em relação ao critério "Passa/Falha", observou-se que apenas 19,4% (26) dos participantes passaram em ambas as orelhas; 29,9% (40) passaram na orelha esquerda; 29,1% (39) passaram na orelha direita; 80,6% (108) falharam em ambas as orelhas; 70,1% (94) falharam na orelha esquerda; e 70,9% (95) falharam na orelha direita.

Ao avaliar a prevalência geral dos resultados dos testes de emissões otoacústicas transientes segundo o gênero, observou-se que, do total de mulheres, 28,2% (22) passaram e 71,8% (56) falharam. Do total de homens, 7,1% (quatro) passaram e 92,9% (52) falharam. Analisando o total de alterações/falhas, nota-se que (108) 80,6% dos sujeitos falharam nas EOAT.

Foi encontrada diferença estatisticamente significativa entre o gênero dos participantes e a presença de alterações no teste de EOAT. A porcentagem de homens que apresentaram falha no exame foi significativamente superior à porcentagem de mulheres que apresentaram essa alteração (p = 0,003).

Houve diferença estatisticamente significante quando comparada a distribuição dos valores de amplitude do sinal das EOAT entre os gêneros, sendo que os participantes do gênero feminino apresentaram amplitude do sinal maior que os do gênero masculino (p < 0,001) (Figura 1).

 

 

Pelo teste estatístico ANOVA de medidas repetidas, foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre as médias de amplitude do sinal das EOAT das orelhas direita e esquerda (p = 0,009). Em média, as amplitudes registradas na orelha direita foram maiores que na orelha esquerda (Figura 2).

 

 

Houve diferença estatisticamente significante quando comparada a distribuição dos valores de relação S/R das EOAT entre os gêneros, sendo que os participantes do gênero feminino apresentaram relação S/R maior que o gênero masculino (p < 0,001) (Figura 3). Foi demonstrada, também, diferença estatisticamente significativa entre as relações sinal/ruído registradas nas orelhas direita e esquerda (p = 0,022). As médias da relação S/R foram significativamente superiores na orelha direita (Figura 4).

 

 

 

 

A análise da porcentagem de falhas encontradas nos testes das EOAT relacionadas à amplitude do sinal, em cada frequência e em cada lado da orelha, mostrou correlação linear positiva entre frequência e porcentagem de falhas na orelha esquerda (p = 0,004) e na orelha direita (p = 0,003), evidenciando uma tendência de que, quanto maior a frequência, maior o número de falhas. Da mesma forma, na avaliação da relação S/R também foi encontrada relação entre frequência avaliada e porcentagem de falhas em cada orelha. Tanto para a orelha esquerda (p = 0,042) como para a orelha direita (p = 0,001) foi observada tendência de aumento de falhas à medida que as frequências foram aumentando.

Na análise dos resultados das emissões otoacústicas produto de distorção em relação ao critério "Passa/Falha", observou-se que 2,2% (três) dos participantes passaram em ambas as orelhas; 8,2% (11) passaram na orelha esquerda; e 7,5% (10) passaram na orelha direita. Já 97,8% (131) falharam em ambas as orelhas; 91,8% (123) falharam na orelha esquerda; e 92,5% (124) na orelha direita.

Quanto à prevalência dos resultados dos testes das EOAPD segundo o critério passa/falha e o gênero, notou-se que nenhum participante do gênero masculino passou neste teste e que apenas 3,8% (três) dos participantes do gênero feminino passaram. Quando consideradas as alterações encontradas, ou seja, "Falha" nos exames de EOAPD, notou-se que 97,8% (131) dos participantes falharam em pelo menos uma orelha. Não houve diferença estatisticamente significativa entre a variável gênero e a presença de alterações nas EOAPD (p = 0,256).

Considerando-se a análise da amplitude do sinal e da relação sinal/ruído nas emissões otoacústicas produto de distorção, verificou-se que na análise das amplitudes do sinal por banda de frequência na orelha esquerda, as menores médias encontraram-se nas frequências de 8 e 12 KHz. Já na relação sinal/ruído na mesma orelha, foi possível notar-se que a maioria está dentro do padrão de normalidade, com exceção da frequência de 12 KHz. Na mesma análise, porém, na orelha direita, observa-se resultado semelhante ao serem consideradas as médias de amplitudes e a relação sinal/ruído por banda de frequência, visto que os menores valores estão presentes também nas frequências de 8 e 12 KHz para amplitudes e 12 KHz para relação S/R, sendo que, na orelha direita, a amplitude e a relação S/R em 12 KHz encontram-se fora do padrão de normalidade.

Houve diferença estatisticamente significante quando comparada a distribuição dos valores de amplitude do sinal das EOAPD entre os gêneros, sendo que os participantes do gênero feminino apresentaram amplitude do sinal maior que o gênero masculino (p < 0,007) (Figura 5).

 

 

Foi encontrada diferença estatisticamente significativa entre as médias das amplitudes do sinal das EOAPD das orelhas direita e esquerda (p = 0,017). As médias de amplitude do sinal registradas na orelha direita foram significativamente maiores que as médias da orelha esquerda (Figura 6).

 

 

Houve diferença estatisticamente significante quando comparada a distribuição dos valores de relação S/R das EOAPD entre os gêneros, sendo que os participantes do gênero feminino apresentaram relação S/R maior que o gênero masculino (p < 0,013) (Figura 7). Já com relação à lateralidade, não houve diferença estatisticamente significativa entre as orelhas (p = 0,499) (Figura 8).

 

 

 

 

A análise da porcentagem de falhas encontradas nos testes das EOAPD relacionadas à amplitude do sinal em cada frequência e em cada lado da orelha mostrou relação estatisticamente significativa entre a frequência avaliada e a porcentagem de falhas na orelha esquerda (p = 0,008) e na orelha direita (p = 0,003), mostrando tendência de que, quanto maior a frequência, maior foi o número de falhas. O mesmo ocorreu na avaliação da relação S/R. Tanto na orelha direita como na orelha esquerda foi encontrada uma tendência de aumento de falhas à medida que as frequências foram aumentando.

O estudo das emissões otoacústicas transientes e produto de distorção associadamente resultou em: dos 134 participantes, 79,9% (107) falharam tanto em EOAT quanto em EOAPD em pelo menos uma orelha. Do total de mulheres (78), 29,5% (23) passaram e 70,5% (55) falharam. E, do total de homens, (56), 7,1% (quatro) passaram e 92,9% (52) falharam.

Testou-se a possível associação entre o gênero dos participantes e a presença de Falha. Pelo teste do chi-quadrado, a porcentagem de homens com exames classificados como Falha foi superior à porcentagem de mulheres na mesma categoria de resultado (p = 0,002).

Quanto à exposição à música amplificada, dos 134 participantes, 94,0% (126) usam fones de ouvido, e 82,8% (111) relataram frequentar algum tipo de lugar com música amplificada. Não houve associação estatisticamente significante entre a variável gênero e o uso de fones de ouvido (p = 0,278), entre gênero e frequência a lugar com música amplificada (p = 0,163), nem entre uso de fones de ouvido e frequência a lugar com música amplificada (p = 625).

 

DISCUSSÃO

Alguns autores já fizeram referência à sensibilidade das EOAT em detectar alterações sutis na cóclea, advindas da exposição ao ruído2,12,13. A presença de EOAT indica que a maioria dos limiares está dentro dos padrões de normalidade e, por outro lado, a sua ausência pode indicar um comprometimento inicial das CCE14. Como se acredita ser a casuística composta por jovens com audição normal, a sensibilidade da avaliação das EOAT foi um fator considerável.

Esperava-se um número menor de alterações. Apesar de os adolescentes não terem sido avaliados audiometricamente, supondo-se que tinham limiares auditivos dentro dos padrões de normalidade, os percentuais encontrados mostraram que a ausência de EOAT pode ocorrer mesmo com limiares auditivos supostamente normais.

Já foram encontrados percentuais mais elevados de normalidade que os verificados na presente pesquisa, porém, o critério de avaliação adotado pelos autores foi menos rigoroso que o aqui empregado, pois eles levaram em consideração apenas a relação sinal/ruído15.

Verificou-se que os registros da amplitude do sinal do teste de EOAT, tanto na orelha direita como na orelha esquerda, apresentaram-se, em grande maioria, com valores negativos. Em consequência, as médias das amplitudes do sinal em ambas as orelhas tiveram, também, valores negativos em quase todas as bandas de frequência, com exceção apenas de 1.500 Hz.

Em razão da uniformidade de registros da amplitude do sinal do teste de EOAT com valores negativos encontrados, inferiu-se que este dado foi uma característica da energia do espectro das EOAT, mensurada pelo aparelho de emissões otoacústicas usado, tendo em vista que há a recomendação de um valor negativo para amplitude mínima de -12 dBNPS. Corroborando os achados deste estudo, outros autores também verificaram amplitudes de EOAT com valores negativos15,16.

A amplitude do sinal das EOAT pode variar em função de idade, gênero e lado e sofre interferência do nível de ruídos externos (ambientais) ou internos (do indivíduo) e do nível de pressão sonora do estímulo. No que se refere à idade, quanto maior, menor será a amplitude de resposta, situando-se em torno de 20 dB nos recém-nascidos, 10 dB nos adultos jovens e 6 dB nos idosos17. Este estudo não aplicou essa avaliação, por ter sido constituído por indivíduos com distribuição de idade homogênea.

Foi encontrada correlação entre o aumento das frequências e diminuição dos registros das amplitudes do sinal, aspecto também visto em outra pesquisa15. O decréscimo dos registros das EOAT, nas altas frequências, pode estar relacionado às propriedades de filtragem da orelha média e também à curta latência, apresentada nas altas frequências, o que dificulta o registro delas pelo microfone do equipamento18.

Na literatura científica pesquisada, não foram encontradas outras referências com este mesmo critério de análise, ou com registros de amplitudes do sinal de EOAT negativas. Então, acredita-se que a descrição desses achados poderá contribuir como fonte de dados para outros estudos que venham analisar a energia total do espectro das amplitudes do sinal, ou que utilizem o mesmo analisador de EOA desta pesquisa.

A análise comparativa das médias das amplitudes do sinal do teste das EOAT das orelhas direitas e esquerdas demonstrou que as amplitudes do sinal registradas foram maiores na orelha direita e no gênero feminino. Isso corrobora com a literatura, quando relata que as amplitudes das EOAT são maiores na orelha direita e no gênero feminino também17.

Alguns autores descreveram que as amplitudes das EOAT podem ser maiores na orelha direita, devido à influência das Emissões Otoacústicas Espontâneas que, apesar de serem geralmente bilaterais, ao se apresentarem unilateralmente, são mais frequentes na orelha direita17,19. Porém, nas pesquisas consultadas, nenhum estudo fez referência à assimetria na mensuração da energia do espectro das EOAT. Nos demais trabalhos, a observação foi no sentido de que, de uma forma geral, o comportamento das EOAT mostrou equivalência entre as orelhas2,14,20-22.

Nesta pesquisa, a frequência de 1 KHz não foi incluída na avaliação, porém, foram avaliadas as frequências a partir de1,5 KHz, tendo-se observado que as maiores médias de amplitudes ocorreram em 1,5 e 2 KHz. De acordo com a literatura, as maiores amplitudes da EOAT obtidas nos adultos encontram-se nas frequências de 1 e 2 KHz, enquanto nos neonatos situam-se entre 3 e 4 KHz, e essas diferenças são atribuídas aos efeitos do tamanho da orelha externa e média, das características de ressonância do meato acústico externo e da presença de emissões otoacústicas espontâneas que reforçariam determinadas frequências17.

Neste trabalho, os valores registrados na relação sinal/ruído mostraram-se positivos na maioria das frequências. Tal como as amplitudes das EOAT, os valores da relação sinal/ruído diferenciaram-se na frequência de 4 KHz em ambas as orelhas. A frequência de 4 KHz foi a que apresentou o menor valor de relação sinal/ruído, reforçando, dessa forma, a hipótese que retrata a dificuldade de se registrar as EOAT em frequência alta, devido às propriedades da orelha média e à curta latência dessas frequências18.

De acordo com o critério "Passa/Falha" estabelecido na presente pesquisa, os resultados das EOAPD também demonstraram alto percentual de "Falha". A prevalência de alterações de emissões por produto de distorção na orelha direita foi de 92,5% e, na orelha esquerda, de 91,8%, obtendo-se um total de 97,8% de falhas.

Outra pesquisa, realizada com sujeitos expostos à música alta após atividade esportiva, encontrou percentuais mais elevados de normalidade (75%) que os verificados neste estudo (2,2%). Porém, não foi relatado com precisão o critério de avaliação adotado23.

Já outro estudo com adolescentes revelou um percentual significativo de alterações (63%)24. Mesmo assim, os resultados deste estudo foram superiores aos demais, havendo grande diferença de percentuais na comparação dos achados da presente pesquisa com os dos estudos aqui citados. Possivelmente, também, devido às divergências metodológicas.

Por outro lado, acredita-se que essa diferença deva-se ao fato de ter sido usado um critério muito rígido e utilizada uma avaliação com altas frequências, considerando que o maior número de alterações ocorreu na frequência de 12 KHz. No entanto, esse achado pode estar indicando, de forma precoce, uma disfunção coclear.

Constatou-se que as médias das amplitudes das EOAPD diminuíram com o aumento da frequência; achado observado, também, em outros estudos15,25. Apesar de já ter sido referenciada a dificuldade de registro de frequências altas para as EOAT18, acredita-se que, no caso das EOAPD, também há alguma correspondência com a propriedade de curta latência das frequências altas, dificultando a captação destas pelo microfone do analisador de EOA.

Neste estudo, as médias das amplitudes da orelha direita foram significativamente maiores que as da orelha esquerda. Como ocorreu nas amplitudes das EOAT, ao analisar as orelhas esquerda e direita, os valores das amplitudes das EOAPD nas bandas de frequências de 8 e 12 KHz foram significativamente menores do que as amplitudes das demais frequências.

Considerou-se a hipótese de que as menores amplitudes encontradas possam ser sugestivas de um comprometimento inicial do funcionamento coclear; já que as menores amplitudes do sinal e relação S/R ocorreram justamente nas altas frequências. Pode-se considerar a hipótese de que tais regiões cocleares podem ser afetadas pelo ruído26. Apesar de não terem sido encontradas outras justificativas para esse fato, não se pode considerar este dado isoladamente. Propõe-se que novos estudos sejam realizados para investigação de possíveis registros das amplitudes absolutas das EOAPD, em sujeitos utilizando altas frequências (acima de 8 KHz).

Pode-se observar que as médias da relação sinal/ruído foram maiores nas frequências abaixo de 12 KHz, com exceção de 8 KHz. Em ambas as orelhas, a frequência de 12 KHz apresentou média de relação S/R inferior às demais, atingindo média de 4,1 na orelha esquerda e de 4,5 na orelha direita.

Pode-se, assim, levantar a hipótese de que esse achado está relacionado ao início de um possível comprometimento coclear nos adolescentes, tendo em vista que outra pesquisa27 também constatou que frequências mais altas foram as mais afetadas pela ação deletéria da exposição ao ruído.

Assim como nas EOAT, a prevalência de "falha" nas EOAPD foi analisada por orelha e gênero e vinculada à verificação dos dois critérios: amplitude do sinal e relação Sinal/Ruído em todas as seis bandas de frequência.

A vantagem das EOAPD é a maior especificidade de frequência, podendo-se avaliar a função coclear desde a espira basal até a apical. As respostas em frequências baixas são mais difíceis de se medir pela presença de ruídos externos (ambientais) e internos (do paciente), o que pôde ser notado na frequência de 2 KHz, em que o valor de relação S/R foi menor. Esse tipo de emissão fornece informações mais precisas para as frequências altas (acima de 2 KHz). Em geral, a resposta em 8 KHz não é boa, pela necessidade de um alto-falante com maior voltagem, que aumenta a distorção17. Neste estudo, foi observado esse decréscimo na resposta em 8 KHz e acredita-se que essa ocorrência tenha relação com o que foi citado.

No estudo das EOAT e EOAPD associadamente, percebeu-se que o percentual de alterações "falhas" foi surpreendentemente alto (79,9), havendo pouca variação entre as orelhas. Constatou-se, então, ao se confrontar os resultados deste estudo, que os percentuais de ocorrência de alterações, tanto de EOAT quanto de EOAPD, podem apresentar grande variabilidade. Supõe-se que essa diversidade possa estar relacionada aos aspectos metodológicos, aos parâmetros utilizados e aos critérios selecionados para análise.

As supostas alterações de células ciliadas externas encontradas nos exames de EOAT e EOAPD não são suficientes para alterar os limiares audiométricos; pois lesões de até 30% das Células Ciliadas Externas, com Células Cicliadas Internas íntegras, podem ocorrer antes que qualquer perda auditiva seja detectada19,28.

Portanto, as EOA são eficientes para avaliar precocemente a função coclear (CCE) em sujeitos expostos a ruído, sem que tenha sido diagnosticada perda auditiva. Sugere-se que esse exame seja adicionado na rotina clínica para complementar o diagnóstico de alterações cocleares nos indivíduos expostos ao ruído como, por exemplo, aqueles que fazem uso de música amplificada.

Nesta pesquisa, os resultados relacionados à exposição dos adolescentes à música amplificada sugerem que a cultura atual da juventude não parece preocupar-se com os efeitos nocivos da música alta, o que se confirma pela alta prevalência de exposição à música alta.

Ao serem questionados quanto ao hábito de usar fones de ouvido e de frequentar lugares com música amplificada, a maioria, ou melhor, quase que a totalidade dos adolescentes, declararam ter esse hábito. Cento e vinte seis (94,0%) disseram usar fones de ouvido, e 111 (82,8%) frequentam algum tipo de lugar com música amplificada. Em outra pesquisa, observou-se que, o uso de fones de ouvido foi menor (76%), comparado à frequência a lugares com música amplificada: (91%)24.

A música é um som prazeroso ao ouvido humano; contudo, este ruído possui potencial para ser considerado prejudicial. Os sons prazerosos, como a música, apesar de serem menos prejudiciais, se comparados aos sons considerados não prazerosos, como os ruídos industriais/ocupacionais, não deixam de ser um fator de risco para perdas auditivas29. Os resultados encontrados neste estudo podem refletir a falta de conscientização dos jovens sobre a problemática deste tipo de ruído e seus efeitos.

trabalho, foram levantados somente os hábitos referentes ao uso de fones de ouvido e o de frequentar lugares com música amplificada. Todavia, há estudos que abordaram outros tipos de hábitos (como praticar esportes, tocar instrumentos musicais, frequentar academias, entre outros), em que a população jovem está inserida8,30. No entanto, o hábito de escutar música utilizando fones de ouvido é o mais comum entre os jovens. Os achados desta pesquisa confirmam esses dados, quando revelam que o número de adolescentes que relataram usar fones de ouvido foi maior que a frequência a lugares com música amplificada, corroborando o que vem sendo encontrado na literatura31,32 no sentido de que esse comportamento está cada vez mais comum entre os adolescentes, podendo ser um risco para a audição.

 

CONCLUSÃO

De acordo com os resultados desta investigação, pode ser concluído que uma alta porcentagem dos adolescentes avaliados apresentou alterações nas emissões otoacústicas, tanto em transiente quanto em produto de distorção em pelo menos uma das orelhas. As amplitudes registradas foram maiores no gênero feminino e na orelha direita em ambos os testes e a prevalência de falhas foi maior entre os homens. Quanto à exposição à música amplificada, a maioria dos adolescentes fazem uso de fones de ouvido e frequentam ambientes com música amplificada.

 

REFERÊNCIAS

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Endereço para correspondência:
Valéria Gomes da Silva
Quadra 301, conj. 8, apto. 1003. Residencial Casa Bella
Águas Claras - DF. Brasil. CEP: 71902-180

Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gestão de Publicações) da BJORL em 26 de fevereiro de 2012. cod. 9059
Artigo aceito em 31 de março de 2012