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Brazilian Journal of Otorhinolaryngology

Print version ISSN 1808-8694

Braz. j. otorhinolaryngol. vol.78 no.4 São Paulo July/Aug. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1808-86942012000400027 

CASE REPORT

 

Tumor miofibroblástico inflamatório de osso temporal

 

 

Gustavo Latorre SamencattiI; Felipe Costa NeivaII; José Ricardo Gurgel TestaIII

IEspecializando em ORL
IIMédico Otorrinolaringologista (pós-graduando (mestrando) do Departamento de Otorrinolaringologia e Cabeça e Pescoço da UNIFESP)
IIIDoutor em Ciências pela UNIFESP (Professor Adjunto do Departamento de Otorrinolaringologia e Cabeça e Pescoço pela UNIFESP)

Endereço para correspondência

 

 


Palavras-chave: granuloma de células plasmáticas, neoplasias da base do crânio, orelha média, osso temporal, sobrevida.


 

 

INTRODUÇÃO

O tumor miofibroblástico inflamatório (TMI) é uma proliferação pseudoneoplásica benigna, de etiologia desconhecida, que acomete, principalmente, trato gastrointestinal, fígado e pulmão. Poucos casos são relatados na literatura sobre sua ocorrência em osso temporal, sendo este o segundo com invasão encefálica.

 

APRESENTAÇÃO DO CASO

Este estudo relata uma paciente do sexo feminino, 59 anos, que apresentava queixa de vertigem e surdez súbita esquerda havia 1 mês. Ao exame físico, apresentava membrana timpânica íntegra e hiperemiada.

Foi solicitada audiometria, que evidenciou perda auditiva mista grave à esquerda. Na tomografia (TC) do osso temporal esquerdo, observou-se um material com densidade de partes moles que ocupava a região epitimpânica e do antro mastoídeo, com preservação da cadeia ossicular e esporão de Chausse; porém, com erosão do canal semicircular lateral (Figura 1A).

 


 

Optou-se pela realização de timpanomastoidectomia à esquerda, na qual foi observada tumoração em antro mastoídeo de aspecto granulomatoso e infiltrativo, sendo realizada biópsia excisional da lesão (Figura 1B). Não foram constatados sinais de extensão da lesão pelo tégmem mastoídeo para região intracraniana. No estudo anatomopatológico, chegou-se ao diagnóstico de TMI.

Após 3 meses da timpanomastoidectomia, a paciente apresentou intensa cefaleia com episódio convulsivo. Solicitou-se ressonância magnética (RM) de crânio, que constatou lesão junto à meninge da fossa média, hipercaptante ao gadolíneo, que invadia lobo temporal esquerdo, causando grande edema cerebral adjacente (Figura 1C-D). Realizado tratamento conservador com deflazacort por tempo indeterminado, com controle do crescimento tumoral e redução do edema cerebral até o momento.

 

DISCUSSÃO

TMI é uma lesão pseudossarcomatosa distinta de etiologia desconhecida1, que ocorre em tecidos moles e vísceras, mais incidente na criança e no adulto jovem2. O TMI de osso temporal é de difícil diagnóstico, pois possui variedade de diagnósticos diferenciais, como otite externa maligna, osteomielite bacteriana necrotizante, osteomielite fúngica, colesteatoma, doenças granulomatosas, outras neoplasias primárias e metástases. A TC e RM são de fundamental importância na delimitação da lesão, pela sua capacidade de destruição do osso temporal e invasão intracraniana3,4.

Williamsom et al.5 publicaram, em 2003, revisão de 10 casos de TMI de osso temporal. Realizaram, em nove casos, a remoção cirúrgica total e, em um caso, subtotal. Administrou-se corticoterapia a dois casos, um por tumor residual e outro por envolvimento meníngeo. No caso com tumor residual, optou-se, também, pela radioterapia5.

Santaolalla-Montoya et al.6 publicaram, em 2008, caso de um homem de 75 anos de idade com TMI em osso temporal, com invasão de base de crânio e acometimento dos pares cranianos VI, X, XI e XII. Submetido à timpanomastoidectomia, paciente evoluiu com erosão de dura-máter e invasão de fossa craniana posterior, vindo a óbito posteriormente.

Não há consenso sobre o melhor tratamento do TMI do osso temporal; porém, tem-se optado pela remoção cirúrgica do tumor sempre que possível, reservando a corticoterapia e radioterapia para os casos inoperáveis. A opção pelo uso dos corticoides no controle do edema cerebral e da sintomatologia tem-se mostrado efetiva a curto prazo; porém, não impede a progressão a doença. O uso da radioterapia é controverso, pois além dos efeitos colaterais e do prognóstico reservado destes pacientes, não se provou incremento da sobrevida5.

Observa-se aumento do número de casos desse tumor no osso temporal nos últimos 10 anos, e sua etiologia ainda permanece incerta5. O relato deste caso se justifica pela sua raridade, sendo o segundo relato de invasão intracraniana e o primeiro com sobrevida de mais de 1 ano da paciente com a doença.

 

COMENTÁRIOS FINAIS

Resumindo, o TMI de osso temporal é raro e representa uma entidade clínico-patológica distinta. Apesar da benignidade, geralmente tem característica destrutiva, com envolvimento de orelha média e interna, podendo levar à erosão óssea do tégmem mastoídeo e consequente invasão intracraniana.

 

REFERÊNCIAS

1. Ereño C, López JI, Grande J, Santaolalla F, Bilbao FJ. Inflammatory myofibroblastic tumor of the larynx. J Laryngol Otol. 2001;115(10):856-8.         [ Links ]

2. Corsi A, Ciofalo A, Leonardi M, Zambetti G, Bosman C. Recurrent inflammatory myofibroblastic tumor of the glottis mimicking malignancy. Am J Otolarynlol. 1997;18(2):121-6.         [ Links ]

3. Patel PC, Pellitteri PK, Vrabec DP, Szymanski M. Tumefactive fibroinflammatory lesion of the head and neck originating in the infratemporal fossa. Am J Otolaryngol. 1998;19(3):216-9.         [ Links ]

4. Gasparotti R, Zanetti D, Bolzoni A, Gamba P, Morassi ML, Ungari M. Inflammatory myofibroblastic tumor of the temporal bone. AJNR Am J Neuroradiol. 2003;24(10):2092-6.         [ Links ]

5. Williamson RA, Paueksakon P, Coker NJ. Inflammatory pseudotumor of the temporal bone. Otol Neurotol. 2003;24(5):818-22.         [ Links ]

6. Santaolalla-Montoya F, Ereño C, Zabala A, Carrasco A, Martínez-Ibargüen A, Sánchez-Fernández JM. Inflammatory myofibroblastic tumor of the temporal bone: a histologically nonmalignant lesion with fatal outcome. Skull Base. 2008;18(5):339-43.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Gustavo Latorre Samencatti
Rua Agostinho Rodrigues Filho, 350, apto 171B, Vila Clementino
São Paulo - SP. CEP: 04026-040

Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gestão de Publicações) da BJORL em 14 de junho de 2011. cod. 8301
Artigo aceito em 25 de setembro de 2011

 

 

UNIFESP