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Brazilian Journal of Otorhinolaryngology

Print version ISSN 1808-8694On-line version ISSN 1808-8686

Braz. j. otorhinolaryngol. vol.81 no.4 São Paulo July/Aug. 2015

http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2014.07.017 

Artigos Originais

Níveis elevados de pressão sonora: limiares dos reflexos estapedianos e queixas auditivas de trabalhadores expostos

Alexandre Scalli Mathias Duarte* 

Ronny Tah Yen Ng2 

Guilherme Machado de Carvalho2 

Alexandre Caixeta Guimarães2 

Laiza Araujo Mohana Pinheiro2 

Everardo Andrade da Costa2 

Reinaldo Jordão Gusmão2 

2Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas (FCM-UNICAMP), Campinas, SP, Brasil


RESUMO

INTRODUÇÃO:

A avaliação clínico-ocupacional de trabalhadores expostos a ruído é dificultada pela discrepância entre queixas auditivas e resultados dos exames audiológicos. Este estudo pretende avaliar limiares dos reflexos estapedianos contralaterais em sujeitos expostos a níveis elevados de pressão sonora, relacionando-os com queixas auditivas.

MÉTODO:

Estudo clínico retrospectivo que analisou 364 trabalhadores e seus limiares de reflexos estapedianos contralaterais, relacionado-os com queixas auditivas, idades e tempos de exposição ao ruído.

RESULTADOS:

Dos trabalhadores avaliados, com idades de 18 a 50 anos (média 39,6) e tempos de exposição entre um e 38 anos (média 17,3); 15,1% (55) tinham queixa de perda auditiva bilateral, 38,5% (140) zumbidos bilaterais, 52,8% (192) irritação ao ouvir sons intensos e 47,2% (172) dificuldades para reconhecer a fala. As variáveis: perda auditiva, dificuldade para reconhecimento da fala, zumbidos, faixa etária e tempo de exposição ao ruído não se relacionaram significativamente com limiares dos reflexos estapedianos, mas todas as queixas apresentaram relação estatisticamente significante com o recrutamento de Metz nas frequências de 3000 e 4000 Hz, bilateralmente.

CONCLUSÃO:

Não houve relações significativas entre limiares dos reflexos estapedianos e queixas auditivas.

Palavras-Chave: Efeitos do ruído; Ruído ocupacional; Perda auditiva provocada por ruído; Reflexo acústico; Estapédio; Audiologia

ABSTRACT

INTRODUCTION:

The clinical evaluation of subjects with occupational noise exposure has been difficult due to the discrepancy between auditory complaints and auditory test results. This study aimed to evaluate the contralateral acoustic reflex thresholds of workers exposed to high levels of noise, and to compare these results to the subjects' auditory complaints.

METHODS:

This clinical retrospective study evaluated 364 workers between 1998 and 2005; their contralateral acoustic reflexes were compared to auditory complaints, age, and noise exposure time by chi-squared, Fisher's, and Spearman's tests.

RESULTS:

The workers' age ranged from 18 to 50 years (mean = 39.6), and noise exposure time from one to 38 years (mean = 17.3). We found that 15.1% (55) of the workers had bilateral hearing loss, 38.5% (140) had bilateral tinnitus, 52.8% (192) had abnormal sensitivity to loud sounds, and 47.2% (172) had speech recognition impairment. The variables hearing loss, speech recognition impairment, tinnitus, age group, and noise exposure time did not show relationship with acoustic reflex thresholds; however, all complaints demonstrated a statistically significant relationship with Metz recruitment at 3000 and 4000 Hz bilaterally.

CONCLUSION:

There was no significance relationship between auditory complaints and acoustic reflexes.

Key words: Noise, occupational; Hearing loss, noise-induced; Reflex, acoustic

Introdução

A PAIR (Perda Auditiva Induzida por Ruído) caracteriza-se pela diminuição gradual da acuidade auditiva, decorrente da exposição continuada a níveis elevados de pressão sonora.

As principais características da PAIR são a perda auditiva sensorioneural, bilateral na maioria das vezes e a irreversibilidade da mesma. A sua história natural mostra, inicialmente, o acometimento dos limiares auditivos em uma ou mais frequências da faixa de 3.000 a 6.000 Hz, formando o característico entalhe. As frequências mais altas e mais baixas poderão levar mais tempo para serem afetadas. Há variabilidade na sua evolução, devido à suscetibilidade individual, sendo mais acentuada nos 10 a 15 anos iniciais de exposição, com diminuição após esse período, tendendo a uma estabilização.1

Estudos histológicos em humanos mostraram que as células sensoriais da cóclea mais lesadas na PAIR correspondem à faixa de frequência de 3.000 a 6.000 Hz, na espira basal da cóclea, a cerca de 8 a 14 mm da janela oval. As alterações provocadas pela exposição ao ruído vão desde pequenas alterações nas células ciliadas até a ausência completa do órgão espiral.1 , 2

Por se tratar de uma afecção predominantemente coclear, o portador de PAIR pode apresentar redução da audição, irritabilidade a sons intensos, zumbidos, além de comprometimento na inteligibilidade de fala, principalmente em situações com ruídos competidores. Vale atentar que doenças retrococleares mais comumente afetam a inteligibilidade da fala.3

Mas a exposição a ruído pode acarretar, também, ao trabalhador, alterações psicossociais importantes, que interferem na qualidade de vida, como estresse, ansiedade e comprometimento nas relações sociais e no desempenho das atividades de vida diária.2

O diagnóstico da PAIR só pode ser estabelecido por meio de um conjunto de procedimentos que envolvem a anamnese clínica, história ocupacional, exame físico, avaliação audiológica e, quando necessário, exames complementares.4

A avaliação audiológica é realizada basicamente por meio de audiometria tonal liminar, logoaudiometria e imitanciometria. Este último é um exame de grande importância clínica, que avalia o sistema tímpano-ossicular e o reflexo acústico, de forma rápida e objetiva.

Com a imitanciometria, é possível avaliar a mobilidade da membrana timpânica e as condições da orelha média, função tubária e a pesquisa do reflexo estapediano.

O reflexo estapediano indica que houve a contração do músculo do estapédio, quando o sistema é estimulado com som súbito e intenso. A análise deste reflexo permite verificar a ocorrência do recrutamento de Metz, nas cocleopatias e da adaptação patológica, nas afecções retrococleares.5 , 6

A medida do reflexo acústico é realizada habitualmente nas frequências de 500, 1.000; 2.000 e 4.000 Hz e a intensidade necessária para desencadeá-lo em indivíduos com audição normal, segundo vários autores, estaria na faixa entre 70 a 100 dB NA.7

Na rotina audiológica, o reflexo na frequência de 3.000 Hz não costuma ser avaliado e para isso não se tem uma explicação, dada à importância desta frequência na percepção da fala e nos exames audiométricos de pessoas expostas a ruído intenso. Uma aplicação importante da medição do reflexo acústico é a avaliação do fenômeno coclear de crescimento anormal da sensação de intensidade (recrutamento).5 - 8

O limiar do reflexo estapediano contralateral em níveis de sensação inferiores a 60 dB NS ocorre em orelhas com lesões cocleares e é sugestivo de recrutamento. A pesquisa do recrutamento objetivo de Metz se faz pela medida do nível de sensação (NS), ou seja, pela comparação entre o nível do limiar do reflexo acústico e o nível do limiar audiométrico, em cada frequência.5 - 8

A interpretação do reflexo do estapédio tem grande importância no diagnóstico clínico. Entretanto, a literatura não tem esclarecido o que seus valores representam em relação às queixas auditivas, tais como a perda auditiva, a irritabilidade a sons intensos, zumbidos e dificuldade de percepção de fala.

O presente estudo pretende avaliar os limiares dos reflexos estapedianos contralateral nas frequências de 500; 1.000; 2.000; 3.000 e 4.000 Hz, em sujeitos expostos a níveis elevados de pressão sonora, relacionando esses resultados com as queixas auditivas citadas por eles. As comparações serão feitas tanto com os valores absolutos dos limiares do reflexo, quanto com a ocorrência do recrutamento de Metz, aferido pelos respectivos níveis de sensação (diferença entre o limiar do reflexo e o limiar audiométrico), para cada frequência.

Método

Foram examinados prontuários médicos de trabalhadores expostos a níveis elevados de pressão sonora e foram levantados seus dados sócio-demográficos, queixas auditivas, exames audiométricos e imitanciométricos. Foram, então, analisadas as relações entre as queixas auditivas, idades, tempos de exposição ao ruído e os resultados dos exames imitanciométricos convencionais.

Como a perda auditiva induzida pelo ruído tende a estabilizar os limiares auditivos depois dos 15 anos de exposição, para esta análise, os sujeitos foram categorizados em dois grupos: com menos de 16 anos de exposição a ruído e com 16 ou mais anos de exposição a ruído.1

Nas análises comparativas, os limiares dos reflexos estapedianos foram categorizados em três faixas: iguais ou menores que 100 dB, de 105 a 120 dB e ausência de reflexos. As diferenças entre os limiares dos reflexos e os tonais foram categorizadas duas faixas: ≤ 60 dB (sugerem recrutamento de Metz) e > 60 dB (sem recrutamento).

Foi ainda realizada uma busca em dados de base de pesquisa do PubMed/MedLinee Scopus com os Mesh Terms: "Perda Auditiva Provocada por Ruído; Ruído Ocupacional; Testes Auditivos; Testes de Impedância Acústica; Detecção de Recrutamento Audiológico; Hearing Loss; Noise-Induced; Noise Occupational; Hearing Tests; Acoustic Impedance Tests; Recruitment Detection, Audiologic", nas línguas inglesa e portuguesa, sem limite de tempo.

Sujeitos - critérios de inclusão e exclusão

Foram analisados prontuários clínicos de 364 trabalhadores atendidos no Ambulatório de Otorrinolaringologia Ocupa cional de hospital universitário, entre 1998 e 2005, de 18 a 50 anos de idade, de ambos os sexos, de diversas categorias profissionais e variados tempos de exposição a ruído ocupacional, com exames audiométricos normais ou sugestivos de perda auditiva induzida pelo ruído, timpanogramas normais (tipo A) e presença de reflexos estapedianos contralaterais.

Foram excluídos da pesquisa os prontuários de trabalhadores com exposição ocupacional atual ou pregressa a produtos químicos, com antecedentes de distúrbios de orelha média, com uso atual ou pregresso de medicamentos ototóxicos, com antecedentes de trauma acústico, de face, de pescoço, de coluna cervical e traumatismo crânio-encefálico e portadores de diabetes, hipertensão arterial, insuficiência renal e tireopatias.

Procedimentos

Foram consideradas, para esta análise, as seguintes queixas: a perda auditiva bilateral; a dificuldade de percepção de fala, em situações de escuta desfavorável; a irritação com sons intensos e a presença de acúfenos bilaterais.

Os resultados dos reflexos estapedianos contralaterais do exame imitanciométrico foram relacionados com as queixas auditivas e com as idades e tempos de exposição dos trabalhadores, tanto por seus valores absolutos (níveis de audição) quanto pelas diferenças entre seus limiares e os limiares audiométricos tonais (níveis de sensação). Foi considerada a ocorrência do recrutamento de Metz, quando o nível de sensação estivesse menor que 60 dB.5 - 8

Nas análises comparativas, os limiares dos reflexos estapedianos foram categorizados em três faixas: iguais ou menores que 100 dB, de 105 a 120 dB e ausência de reflexos. As diferenças entre os limiares dos reflexos e os tonais foram categorizadas duas faixas: menores que 60 dB (sugerem recrutamento de Metz) e maiores que 60 dB (sem recrutamento).

Optamos por descrever a tabela completa de análise apenas das situações em que houve relação estatisticamente significante nos dados analisados.

Análise estatística

O perfil da amostra foi descrito através de tabelas de frequência das variáveis categóricas (categoria profissional e queixas auditivas) e estatísticas descritivas das variáveis contínuas (idade, tempo de exposição a ruído e limiares dos reflexos estapedianos).

Para analisar a relação entre as variáveis categóricas, foram utilizados os testes Qui-Quadrado ou o exato de Fisher (para valores esperados menores que cinco). Para analisar a relação entre as variáveis contínuas foi utilizado o coeficiente de correlação de Spearman.

O nível de significância adotado para os testes estatísticos foi de 5% (p < 0,05).

Para análise estatística foi utilizado o programa computacional "The SAS System for Windows 8.02, SAS Institute Inc. 1999-2001, Cary, NC, USA".

Aspectos éticos

Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da Pesquisa da instituição, sob o nº 794/2005.

Resultados

Foram analisados os prontuários médicos de 364 trabalhadores de ambos os sexos. 316 pertenciam à categoria dos metalúrgicos (86,8%) e os demais (13,2%) a diversas outras (alimentícia, refinaria de petróleo, eletrônica, química, lavanderia, cosméticos e telefonia).

As idades dos trabalhadores variaram de 18 a 50 anos (mediana 40 anos, média 39,6 e desvio-padrão 7,25). Para esta análise os sujeitos foram categorizados em dois grupos: com menos de 40 anos e com 40 anos ou mais (tabela 1).

Tabela 1. Distribuição dos trabalhadores por faixa etária e tempo de exposição (n = 364 

Anos Frequência Porcentagem
Idade < 40 163 44,8%
≥ 40 201 55,2%
Tempo de exposição < 16 136 37,4%
≥ 16 228 62,6%

Todos os trabalhadores estiveram expostos ao ruído ocupacional, no mínimo um ano e no máximo 38 anos (mediana 18 anos, média 17,3 e desvio-padrão 8,1) (tabela 1).

Verificou-se que apenas 15,1% dos trabalhadores (55) tinham queixa de perda auditiva bilateral. Para a presente análise, não foram consideradas as queixas de perda auditiva unilateral. Verificou-se, também, que 38,5% dos trabalhadores (140) apresentaram queixa de zumbidos bilaterais. Para a presente análise, não foram consideradas as queixas de zumbido unilateral. Mais da metade dos trabalhadores tinha irritação ao ouvir sons intensos (52,8%) e quase a metade deles acusava dificuldades para reconhecer a fala em situações do dia-a-dia (47,2% [AG1]) (tabela 2).

Tabela 2. Distribuição dos trabalhadores pelas queixas auditivas (n = 364) 

Queixas auditivas
Perda auditiva
Bilateral 55 15,1%
Direita 44 12,1%
Esquerda 40 10,9%
Ausente 225 61,9%
Zumbidos
Bilateral 140 38,5%
Direita 11 3%
Esquerda 18 4,9%
Ausente 195 53,6%
Irritação com sons intensos
Presente 192 52,8%
Ausente 172 47,2%
Dificuldades para entender a fala
Presente 172 47,2%
Ausente 192 52,8%

Os limares dos reflexos estapedianos contralaterais variaram de 75 a 120 dB na aferência direita e de 65 a 120 dB, na aferência esquerda. As médias dos limiares dos reflexos estapedianos contralaterais variaram de 91,3 dB em 500 Hz a 97,0 dB, em 4.000 Hz, na aferência direita e de 91,2 dB em 500 Hz a 97,5 dB, em 4.000 Hz, na aferência esquerda. Verificou-se uma tendência de aumento de valores absolutos e da variabilidade, com o aumento do valor das frequências (tabela 3).

Tabela 3. Distribuição das médias dos limiares dos reflexos estapedianos contralaterais 

Frequências Aferência direita Aferência esquerda
n Médias (dB) DP n Médias (dB) DP
Limiares dos reflexos 500 364 91,3 7,6 364 91,2 7,3
1000 364 91,7 6,5 364 91,9 7,0
2000 363 92,0 7,0 364 92,2 7,4
3000 355 94,0 8,9 352 93,9 8,6
4000 312 97,0 9,9 319 97,5 10,1
Diferenças dos reflexos 500 364 81,2 8,9 364 81,4 9,1
1000 364 82,5 8,9 364 83,0 9,5
2000 363 80,4 11,7 364 80,0 11,3
3000 355 74,5 14,7 352 72,2 14,3
4000 312 69,5 15,9 319 67,4 15,3

As diferenças entre os limiares dos reflexos e os limiares tonais variaram de 30 a 120 dB, à direita e de 30 a 115 dB, à esquerda. As médias das diferenças entre os limiares dos reflexos e os limiares tonais diminuíram de 81,2 dB em 500 Hz a 69,5 dB em 4.000 Hz, na aferência direita e de 81,4 dB em 500 Hz a 67,4 dB em 4.000 Hz, na aferência esquerda. Verificou-se uma tendência de diminuição das diferenças e de aumento da variabilidade, com o aumento do valor das frequências (tabela 3).

Só houve relação significativa entre a queixa de perda auditiva e limiares dos reflexos para as frequências de 4.000 Hz na orelha direita e 2.000 Hz na orelha esquerda (tabela 4).

Tabela 4. Comparação entre a queixa de perda auditiva bilateral e os limiares dos reflexos estapedianos contralaterais (n = 364) 

Limiares dos Reflexos < 100 dB > 100 dB Ausência de reflexo
Perda auditiva Sem queixa Com queixa Sem queixa Com queixa Sem queixa Com queixa p-valor
Direita
500 Hz 285 (92,2%) 53 (96,4%) 24 (7,8%) 2 (3,6%) - - 0,397a
1.000 Hz 294 (95,1%) 53 (96,4%) 15 (4,9%) 2 (3,6%) - - 1,000a
2.000 Hz 286 (92,6%) 51 (92,7%) 22 (7,1%) 4 (7,3%) 1 (0,3%) - 1,000a
3.000 Hz 254 (82,2%) 41 (74,6%) 48 (15,5%) 12 (21,8%) 7 (2,3%) 2 (3,6%) 0,404b
4.000 Hz 209 (67,6%) 30 (54,5%) 62 (20,1%) 11 (20,0%) 38 (12,3%) 14 (25,5%) 0,032b
Esquerda
500 Hz 289 (93,5%) 53 (96,3%) 20 (6,5%) 2 (3,7%) - - 0,551a
1.000 Hz 292 (94,5%) 52 (94,5%) 17 (5,5%) 3 (5,5%) - - 1,000a
2.000 Hz 290 (93,8%) 47 (85,4%) 19 (6,2%) 8 (14,6%) - - 0,045a
3.000 Hz 255 (82,5%) 42 (76,3%) 46 (14,9%) 9 (16,4%) 8 (2,6%) 4 (7,3%) 0,184b
4.000 Hz 199 (64,4%) 27 (49,1%) 75 (24,3%) 18 (32,7%) 35 (11,3%) 10 (18,2%) 0,089b

a Teste exato de Fisher. b Teste Qui-Quadrado. Os valores significativos estão destacados em negrito.

A relação entre a queixa de perda auditiva e a presença do recrutamento de Metz foi significante em todas as frequências, exceto em 500 Hz, na aferência esquerda (tabela 5).

Tabela 5. Comparação entre a queixa de perda auditiva e a presença do recrutamento de Metz 

Diferenças dos limiares < 60 dB > 60 dB
Perda
auditiva
n Sem queixa Com queixa Sem queixa Com queixa p-valor
Direita
500 Hz 364 5 (1,6%) 6 (10,9%) 304 (98,4%) 49 (89,1%) 0,002a
1.000 Hz 364 0 (0,0%) 3 (5,5%) 309 (100,0%) 52 (94,5%) 0,003a
2.000 Hz 363 13 (4,2%) 11 (20,0%) 295 (95,8%) 44 (80,0%) 0,001a
3.000 Hz 355 50 (16,6%) 25 (47,2%) 252 (83,4%) 28 (52,8%) < 0,001b
4.000 Hz 313 89 (32,7%) 23 (56,1%) 183 (67,3%) 18 (43,9%) 0,004b
Esquerda
500 Hz 364 7 (2,3%) 4 (7,3%) 302 (97,7%) 51 (92,7%) 0,068a
1.000 Hz 364 1 (0,3%) 5 (9,1%) 308 (99,7%) 50 (90,9%) < 0,001a
2.000 Hz 364 14 (4,5%) 13 (23,6%) 295 (95,5%) 42 (76,4%) < 0,001a
3.000 Hz 352 60 (19,9%) 25 (49,0%) 241 (80,1%) 26 (51,0%) < 0,001b
4.000 Hz 319 103 (37,6%) 26 (57,8%) 171 (62,4%) 19 (42,2%) 0,011b

a Teste exato de Fisher. b Teste Qui-Quadrado. Os valores significativos estão destacados em negrito.

Houve relação entre a dificuldade para reconhecimento da fala em locais de escuta desfavorável e a presença do recrutamento de Metz (tabela 6).

Tabela 6. Comparação entre dificuldade de reconhecer a fala e a presença do recrutamento de Metz 

Diferenças dos reflexos < 60 dB > 60 dB
Reconhec. de fala n Sem queixa Com queixa Sem queixa Com queixa p-valor
Direita
500 Hz 364 2 (1,0%) 9 (5,2%) 190 (99,0%) 163 (94,8%) 0,020b
1.000 Hz 364 0 (0,0%) 3 (1,7%) 192 (100,0%) 169 (98,3%) 0,105a
2.000 Hz 363 2 (1,1%) 22 (12,8%) 189 (98,9%) 150 (87,2%) < 0,001b
3.000 Hz 355 23 (12,1%) 52 (31,5%) 167 (87,9%) 113 (68,5%) < 0,001b
4.000 Hz 313 44 (25,3%) 68 (48,9%) 130 (74,7%) 71 (51,1%) < 0,001b
Esquerda
500 Hz 364 4 (2,1%) 7 (4,1%) 188 (97,9%) 165 (95,9%) 0,269b
1.000 Hz 364 1 (0,5%) 5 (2,9%) 191 (99,5%) 167 (97,1%) 0,105a
2.000 Hz 364 4 (2,1%) 23 (13,4%) 188 (97,9%) 149 (86,6%) < 0,001b
3.000 Hz 352 25 (13,2%) 60 (36,8%) 164 (86,8%) 103 (63,2%) < 0,001b
4.000 Hz 319 60 (34,3%) 69 (47,9%) 115 (65,7%) 75 (52,1%) 0,014b

a Teste exato de Fisher. b Teste Qui-Quadrado. Os valores significativos estão destacados em negrito.

A comparação entre irritação com sons intensos e os valores absolutos dos limiares dos reflexos estapedianos contralaterais não demonstrou significância, em todas as apresentações, exceto em 1.000 Hz da aferência direita (p = 0,048) (tabela 7).

Tabela 7. Comparação entre irritação com sons intensos e os limiares dos reflexos estapedianos contralaterais (n = 364) 

Limiares dos Reflexos < 100 dB > 100 dB Ausência de reflexo
Irritação com sons intensos Sem queixa Com queixa Sem queixa Com queixa Sem queixa Com queixa p-valor
Direita
500 Hz 156 (90,7%) 182 (94,8%) 16 (9,3%) 10 (5,2%) - - 0,130b
1.000 Hz 160 (93,0%) 187 (97,4%) 12 (7,0%) 5 (2,6%) - - 0,048b
2.000 Hz 158 (91,8%) 179 (93,2%) 13 (7,6%) 13 (6,8%) 1 (0,6%) 0 (0,0%) 0,684a
3.000 Hz 137 (79,7%) 158 (82,3%) 31 (18,0%) 29 (15,1%) 4 (2,3%) 5 (2,6%) 0,766a
4.000 Hz 117 (68,0%) 122 (63,5%) 34 (19,8%) 39 (20,3%) 21 (12,2%) 31 (16,2%) 0,529b
Esquerda
500 Hz 159 (92,4%) 183 (95,3%) 13 (7,6%) 9 (4,7%) - - 0,251b
1.000 Hz 161 (93,6%) 183 (95,3%) 11 (6,4%) 9 (4,7%) - - 0,475b
2.000 Hz 162 (94,2%) 175 (91,2%) 10 (5,8%) 17 (8,8%) - - 0,269b
3.000 Hz 145 (84,3%) 152 (79,1%) 22 (12,8%) 33 (17,2%) 5 (2,9%) 7 (3,7%) 0,448b
4.000 Hz 112 (65,1%) 114 (59,4%) 41 (23,8%) 52 (27,1%) 19 (11,1%) 26 (13,5%) 0,519b

a Teste exato de Fisher. b Teste Qui-Quadrado. Os valores significativos estão destacados em negrito.

A comparação entre irritação com sons intensos e a ocorrência de recrutamento de Metz mostrou significância com os reflexos em 3.000 e 4.000 Hz, bilateralmente (tabela 8).

Tabela 8. Comparação entre irritação com sons intensos e a ocorrência de recrutamento de Metz 

Diferenças dos reflexos < 60 dB > 60 dB
Irritação com sons intensos n Sem queixa Com queixa Sem queixa Com queixa p-valor
Direita
500 Hz 364 3 (1,7%) 8 (4,2%) 169 (98,3%) 184 (95,8%) 0,178b
1.000 Hz 364 0 (0,0%) 3 (1,6%) 172 (100,0%) 189 (98,4%) 0,250a
2.000 Hz 363 7 (4,1%) 17 (8,8%) 164 (95,9%) 175 (91,2%) 0,068b
3.000 Hz 355 27 (16,1%) 48 (25,7%) 141 (83,9%) 139 (74,3%) 0,027b
4.000 Hz 313 39 (25,8%) 73 (45,1%) 112 (74,2%) 89 (54,9%) < 0,001b
Esquerda
500 Hz 364 4 (2,3%) 7 (3,7%) 168 (97,7%) 185 (96,3%) 0,463b
1.000 Hz 364 2 (1,2%) 4 (2,1%) 170 (98,8%) 188 (97,9%) 0,688a
2.000 Hz 364 11 (6,4%) 16 (8,3%) 161 (93,6%) 176 (91,7%) 0,481b
3.000 Hz 352 29 (17,4%) 56 (30,3%) 138 (82,6%) 129 (69,7%) 0,005b
4.000 Hz 319 51 (33,3%) 78 (47,0%) 102 (66,7%) 88 (53,0%) 0,013b

a Teste exato de Fisher. b Teste Qui-Quadrado. Os valores significativos estão destacados em negrito.

A comparação entre a queixa de zumbidos bilaterais e os valores absolutos dos limiares dos reflexos estapedianos contralaterais não demonstrou relação significativa em todas as frequências, de ambos os lados.

A comparação entre a queixa de zumbidos e a presença de recrutamento de Metzdemonstrou relação significativa nas frequências de 3.000 e 4.000 Hz bilateralmente (tabela 9).

Tabela 9. Comparação entre zumbidos bilaterais e a ocorrência do recrutamento de Metz (n = 364) 

Diferenças dos reflexos < 60 dB > 60 dB
Zumbidos N Sem queixa Com queixa Sem queixa Com queixa p-valor
Direita
500 Hz 364 4 (1,8%) 7 (5,0%) 220 (98,2%) 133 (95,0%) 0,114a
1.000 Hz 364 0 (0,0%) 3 (2,1%) 224 (100,0%) 137 (97,9%) 0,056a
2.000 Hz 363 5 (2,2%) 19 (13,6%) 218 (97,8%) 121 (86,4%) < 0,001b
3.000 Hz 355 31 (14,2%) 44 (32,1%) 187 (85,8%) 193 (67,9%) < 0,001b
4.000 Hz 313 51 (26,8%) 61 (49,6%) 139 (73,2%) 62 (50,4%) < 0,001b
Esquerda
500 Hz 364 5 (2,2%) 6 (4,3%) 219 (97,8%) 134 (95,7%) 0,347a
1.000 Hz 364 2 (0,9%) 4 (2,9%) 222 (99,1%) 136 (97,1%) 0,210a
2.000 Hz 364 13 (5,8%) 14 (10,0%) 211 (94,2%) 126 (90,0%) 0,137b
3.000 Hz 352 41 (19,0%) 44 (32,4%) 175 (81,0%) 92 (67,6%) 0,004b
4.000 Hz 319 64 (32,7%) 65 (52,9%) 132 (67,3%) 58 (47,2%) < 0,001b

a Teste exato de Fisher. b Teste Qui-Quadrado. Os valores significativos estão destacados em negrito.

Não houve relação significante entre a faixa etária e os limiares dos reflexos estapedianos contralaterais e entre a faixa etária e a ausência do reflexo estapediano.

Houve relação significativa entre a faixa etária e a presença do recrutamento de Metz, com os reflexos em 3.000 e 4.000 Hz bilateralmente (tabela 10).

Tabela 10. Comparação entre faixa etária dos trabalhadores e a ocorrência do recrutamento de Metz 

Diferenças dos reflexos < 60 dB > 60 dB
Faixa etária n < 40 anos ≥ 40 anos < 40 anos ≥ 40 anos p-valor
Direita
500 Hz 364 4 (2,5%) 7 (3,5%) 159 (97,6%) 194 (96,5%) 0,761a
1.000 Hz 364 2 (1,2%) 1 (0,5%) 161 (98,8%) 200 (99,5%) 0,589a
2.000 Hz 363 6 (3,7%) 18 (9,0%) 156 (96,3%) 183 (91,0%) 0,043a
3.000 Hz 355 24 (15,0%) 51 (26,1%) 136 (85,0%) 144 (73,9%) 0,010b
4.000 Hz 313 32 (21,9%) 80 (47,9%) 114 (78,1%) 871 (52,1%) < 0,001b
Esquerda
500 Hz 364 5 (3,1%) 6 (3,0%) 158 (96,9%) 195 (97,0%) 1,000a
1.000 Hz 364 3 (1,8%) 3 (1,5%) 160 (98,2%) 198 (98,5%) 1,000a
2.000 Hz 364 9 (5,5%) 18 (9,0%) 154 (94,5%) 183 (91,0%) 0,214b
3.000 Hz 352 23 (14,6%) 62 (32,0%) 135 (85,4%) 132 (68,0%) < 0,001b
4.000 Hz 319 44 (29,7%) 85 (49,7%) 104 (70,3%) 86 (50,3%) < 0,001b

a Teste Exato de Fisher. b Teste Qui-Quadrado. Os valores significativos estão destacados em negrito.

Houve relação significativa entre reflexos estapediano em 4.000 Hz e tempo de exposição ao ruído, bilateralmente (tabela 11).

Tabela 11. Comparação entre tempo de exposição a ruído e os limiares dos reflexos estapedianos contralaterais (n = 364) 

Limiares dos Reflexos < 100 dB > 100 dB Ausência de reflexo
Tempo de exposição < 15 anos > 15 anos < 15 anos > 15 anos < 15 anos > 15 anos p-valor
Direita
500 Hz 123 (90,4%) 215 (94,3%) 13 (9,6%) 13 (5,7%) - - 0,167b
1.000 Hz 126 (92,7%) 221 (96,9%) 10 (7,3%) 7 (3,1%) - - 0,061b
2.000 Hz 127 (93,4%) 210 (92,1%) 8 (5,9%) 18 (7,9%) 1 (0,7%) 0 (0,0%) 0,330a
3.000 Hz 117 (86,0%) 178 (78,1%) 16 (11,8%) 44 (19,3%) 3 (2,2%) 6 (2,6%) 0,160b
4.000 Hz 99 (72,8%) 140 (61,4%) 27 (19,9%) 46 (20,2%) 10 (7,3%) 42 (18,4%) 0,011b
Esquerda
500 Hz 125 (91,9%) 217 (95,2%) 11 (8,1%) 11 (4,8%) - - 0,206b
1.000 Hz 126 (92,7%) 218 (95,6%) 10 (7,3%) 10 (4,4%) - - 0,230b
2.000 Hz 129 (94,9%) 208 (91,2%) 7 (5,1%) 20 (8,8%) - - 0,202b
3.000 Hz 118 (86,8%) 179 (78,5%) 17 (12,5%) 38 (16,7%) 1 (0,7%) 11 (4,8%) 0,049b
4.000 Hz 93 (68,4%) 133 (58,3%) 35 (25,7%) 58 (25,5%) 8 (5,9%) 37 (16,2%) 0,013b

a Teste exato de Fisher. b Teste Qui-Quadrado. Os valores significativos estão destacados em negrito.

Houve relação significativa entre o recrutamento de Metz e mais de 15 anos de exposição, assim como entre a ausência de recrutamento e 15 ou menos anos de exposição, em 3.000 e 4.000 Hz, de ambos os lados (tabela 12).

Tabela 12. Comparação entre o tempo de exposição dos trabalhadores a ruído e a ocorrência do recrutamento de Metz 

Diferenças dos reflexos < 60 dB > 60 dB
Tempo de exposição n < 15 anos > 15 anos < 15 anos > 15 anos p-valor
Direita
500 Hz 364 4 (2,9%) 7 (3,1%) 132 (97,1%) 221 (96,9%) 1,000a
1.000 Hz 364 2 (1,5%) 1 (0,4%) 134 (98,5%) 227 (99,6%) 0,559a
2.000 Hz 363 7 (5,2%) 17 (7,5%) 128 (94,8%) 211 (92,5%) 0,400b
3.000 Hz 355 20 (15,0%) 55 (24,8%) 113 (85,0%) 167 (75,2%) 0,030b
4.000 Hz 313 26 (20,6%) 86 (46,0%) 100 (79,4%) 101 (54,0%) < 0,001b
Esquerda
500 Hz 364 5 (3,7%) 6 (2,6%) 131 (96,3%) 222 (97,4%) 0,753a
1.000 Hz 364 2 (1,5%) 4 (1,7%) 134 (98,5%) 224 (98,3%) 1,000a
2.000 Hz 364 9 (6,6%) 18 (7,9%) 127 (93,4%) 210 (92,1%) 0,653b
3.000 Hz 352 22 (16,3%) 63 (29,0%) 113 (83,7%) 154 (71,0%) 0,009b
4.000 Hz 319 42 (32,8%) 87 (45,6%) 86 (67,2%) 104 (54,4%) 0,023b

a Teste Exato de Fisher. b Teste Qui-Quadrado. Os valores significativos estão destacados em negrito.

Foi feita a análise das correlações entre faixas etárias e tempos de exposição e os resultados foram significativos em todas as frequências e médias (coeficiente de correlação de Spearman, p > 0,05; n = 188).

Discussão

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 10% da população mundial é expostas a níveis de pressão sonora que podem potencialmente levar a perda auditiva induzida pelo ruído e a considera um problema de saúde pública e há dados nos Estados Unidos da América de que a PAIR é a doença ocupacional mais comum.9

A revisão da literatura específica, tanto nas buscas pelo PubMed quanto pelo Scopus, não mostra trabalhos semelhantes, comparando queixas auditivas com reflexo estapediano e recrutamento de Metz em trabalhadores com perda auditiva induzida pelo ruído.10 - 12 A partir dessa fato atenta-se para a importância dos dados apresentados no trabalho, porém fica difícil o confronto dessas informações com a literatura médica de outros países do mundo.

A análise comparativa entre a queixa de dificuldade para reconhecer a fala e as diferenças entre os limiares dos reflexos estapedianos e dos audiométricos tonais mostrou que a presença do recrutamento de Metz (diferença menor que 65 dB) foi significante entre os queixosos em 2.000 Hz, 3.000 Hz e 4.000 Hz, bilateralmente e em 500 Hz da aferência direita (tabela 6). Segundo Costa et al., a dificuldade de reconhecimento de fala nos pacientes com perda auditiva induzida pelo ruído é mais consistente e pronunciada quando a audiometria de fala para monossílabos é testada com mascaramento por fala competitiva.10

A relação entre a queixa de perda auditiva e os limiares dos reflexos estapedianos só foi significativa para a ausência de queixa e os reflexos iguais ou menores que 100 dB em 4.000 Hz, à direita e em 2.000 Hz, à esquerda.

Só houve relação significativa entre a ausência de queixa de perda auditiva e limiares dos reflexos iguais ou menores que 100 dB em 4.000 Hz, à direita (p = 0,032) e em 2.000 Hz, à esquerda (p = 0,045).

Só houve relação significativa entre a presença de queixa de perda auditiva e limiares dos reflexos acima de 100 dB em 2.000 Hz, à esquerda e entre presença da queixa e ausência do reflexo estapediano em 4.000 Hz, à direita (p = 0,032).

Em ambas as situações, houve uma tendência levemente significante (p = 0,045 e 0,032; respectivamente). Em todas as demais situações, não houve relação significativa entre a queixa de perda auditiva e os limiares dos reflexos estapedianos contralaterais (tabela 4).

A relação entre a queixa de perda auditiva e a presença do recrutamento de Metz foi significante em todas as apresentações, exceto em 500 Hz, na aferência esquerda, mesmo assim, com uma tendência levemente significante (p = 0,068) (tabela 5). O recrutamento de Metz teve relação ainda com idade acima de 40 anos e tempo de exposição acima de 16 anos.

Pela análise dos resultados pode-se destacar que houve relação significativa entre as queixas de perda auditiva, dificuldades para reconhecer a fala, irritação com sons intensos, zumbidos, faixa etária, tempo de exposição e a ocorrência de recrutamento de Metz, em 3.000 e 4.000 Hz, bilateralmente. Apesar da relação estatística não se pode concluir sobre alguma relação de causa efeito dessas variáveis.

A comparação entre irritação com sons intensos e os valores absolutos dos limiares dos reflexos estapedianos contralaterais não demonstrou significância, em todas as apresentações, exceto em 1.000 Hz da aferência direita (p = 0,048) (tabela 7).

A comparação entre irritação com sons intensos e a ocorrência de recrutamento de Metz mostrou significância com os reflexos em 3.000 e 4.000 Hz, bilateralmente (tabela 8).

A comparação entre a queixa de zumbidos bilaterais e os valores absolutos dos limiares dos reflexos estapedianos contralaterais não demonstrou relação significativa em todas as frequências, de ambos os lados. Não houve, também, relação significativa entre a queixa de zumbidos e a ausência de reflexos estapedianos.

A comparação entre a queixa de zumbidos e a presença de recrutamento de Metzdemonstrou relação significativa nas frequências de 3.000 e 4.000 Hz, bilateralmente e em 2.000 Hz, na aferência direita (tabela 9).

Não houve relação significante entre o fato dos sujeitos estarem abaixo ou acima dos 40 anos de idade e os limiares dos reflexos estapedianos contralaterais, em todas as frequências e de ambos os lados. Não houve, também, relação significante entre a faixa etária dos sujeitos e a ausência do reflexo estapediano.

Houve relação significativa entre a faixa etária e a presença do recrutamento de Metz, com os reflexos em 2.000, 3.000 e 4.000 Hz da aferência direita e em 3.000 e 4.000 Hz da aferência esquerda (tabela 10).

Houve relação significativa entre reflexos iguais ou abaixo de 100 dB e sujeitos com 15 anos ou menos de exposição, em 4.000 Hz, bilateralmente. Houve, também, relação significativa entre ausência de reflexo estapediano e mais de 15 anos de exposição, em 4.000 Hz, bilateralmente (tabela 11).

Houve relação significativa entre o recrutamento de Metz e mais de 15 anos de exposição, assim como entre a ausência de recrutamento e 15 ou menos anos de exposição, em 3.000 e 4.000 Hz, de ambos os lados (tabela 12).

A evolução tem programado os seres humanos para estar ciente de sons como possíveis fontes de perigo.13 O ruído pode ser considerado como um som indesejável que se em níveis elevados e após uma exposição prolongada pode levar a problemas de saúde auditivos e não auditivos.

A perda auditiva induzida pelo ruído continua a ser altamente prevalente no ambiente de trabalho, mas é cada vez mais causada por exposição aos ruídos sociais presentes na nossa vida cotidiana, por exemplo, uso de aparelhos sonoros digitais.9 , 14

A exposição aos ruídos ocupacionais ou não está cada vez mais relacionada a problemas de saúde auditivos (perda auditiva, zumbido, dificuldade de entendimento de fala e hiperacusia) e não auditivos (irritação, distúrbios do sono doenças cardiovasculares, e diminuição da capacidade cognitiva em crianças).15 - 19

Nos últimos cinco anos, vários estudos e avanços melhoraram a compreensão das causas e fatores da susceptibilidade à perda auditiva induzida por ruído. Um conceito amplamente aceito é que a PAIR resulta da interação de fatores genéticos e ambientais.20 , 21

O entendimento dos mecanismos fisiopatológicos envolvendo células ciliadas e danos no nervo auditivo tem aumentado substancialmente e várias orientações terapêuticas têm sido recentemente exploradas. Medicamentos orais para proteger contra a perda auditiva induzida por ruído deverão tornar-se disponível nos próximos anos.9 , 22 - 24

Conclusões

Não houve relação significativa entre os valores absolutos dos limiares dos reflexos estapedianos e as queixas de perda auditiva, irritação com sons intensos, zumbidos e faixa etária.

Pode-se destacar a relação significativa entre as queixas de perda auditiva, dificuldades para reconhecer a fala, irritação com sons intensos, zumbidos, faixa etária (acima dos 40 anos), tempo de exposição (maior que 15 anos) e a ocorrência de recrutamento de Metz, em 3.000 e 4.000 Hz, bilateralmente. Não se pode concluir sobre a relação de causa e efeito dessas variáveis.

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Como citar este artigo: Duarte ASM, Ng RTY, de Carvalho GM, Guimarães AC, Pinheiro LAM, da Costa EA, et al. High levels of sound pressure: acoustic reflex thresholds and auditory complaints of workers with noise exposure. Braz J Otorhinolaryngol. 2015;81:374-83.

☆☆ Instituição: Disciplina de Otorrinolaringologia, Cabeça e Pescoço da Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas (FCM-UNICAMP), Campinas, SP, Brasil.

Recebido: 27 de Janeiro de 2014; Aceito: 22 de Julho de 2014

* Autor para correspondência. E-mail: alexandresmduarte@gmail.com (A.S.M. Duarte).

Conflitos de interesse Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

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