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Fisioterapia e Pesquisa

versão impressa ISSN 1809-2950

Fisioter. Pesqui. vol.16 no.3 São Paulo jul./set. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S1809-29502009000300013 

PESQUISA ORIGINAL ORIGINAL RESEARCH

 

Associação da qualidade de vida com dor, ansiedade e depressão

 

Association of quality of life with pain, anxiety and depression

 

 

Cristina CapelaI; Amélia Pasqual MarquesII; Ana AssumpçãoIII; Juliana Ferreira SauerIV; Alane Bento CavalcanteV; Suellen Decario ChalotV

IFisioterapeuta Ms
IIProfa. Dra. associada do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação do Fofito/FMUSP
IIIFisioterapeuta; doutoranda em Fisiopatologia Experimental no Fofito/FMUSP
IVFisioterapeuta; mestranda em Ciências da Reabilitação no Fofito/FMUSP
VFisioterapeutas

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O objetivo deste estudo foi verificar associação entre qualidade de vida relacionada à saúde e dor, ansiedade e depressão em indivíduos de 35 a 60 anos. Foram avaliados 304 indivíduos (244 mulheres, 60 homens) com queixa de dor, divididos em três grupos segundo a característica da dor: dor difusa e crônica (DDC), dor regional (DR) e dor esporádica (DE). A intensidade da dor foi avaliada por uma escala visual analógica, ansiedade pelo Inventário de Ansiedade Traço-Estado, depressão pela escala de depressão de Beck e a qualidade de vida (QV), pelo questionário Short-Form Health Survey - SF-36. A média de idade foi 49,1±6,8 anos; 80,3% eram do sexo feminino; e 35% da amostra referiu dor difusa e crônica. Os resultados mostram que o grupo DDC apresentou os sintomas mais intensos de dor, ansiedade, depressão e pior qualidade de vida, seguido pelos grupos DR e DE, com diferença estatisticamente significante (p<0,001). A correlação entre qualidade de vida e depressão foi forte (r=-0,73) e moderada entre qualidade de vida e dor (r=-0,41), entre QV e ansiedade-traço (r=-0,65), e entre QV e ansiedade-estado (r=-0,58) (p<0,0001). Os indivíduos com dor difusa e crônica foram pois os que apresentaram os sintomas mais intensos e pior qualidade de vida; e esta mostrou-se correlacionada negativamente à depressão, dor e ansiedade.

Descritores: Ansiedade; Depressão; Dor; Qualidade de vida


ABSTRACT

The aim of this study was to establish associations between quality of life and pain, anxiety, and depression, in subjects aged 35 to 60 years old. Three hundred and four subjects were evaluated and divided into three groups according to pain features: chronic and widespread pain (CWP), local pain (LP), and sporadic pain (SP) groups. Pain intensity was assessed by means of a visual analog scale (VAS); anxiety by the State-trait anxiety inventory; depression, by the Beck depression scale; and quality of life, by the Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey. Subjects mean age was 49.1±6.8 years old; 80.3% were women; and 35% of the sample reported chronic widespread pain. Results show that the CWP group presented more intense pain, anxiety and depression, as well as worst quality of life, followed by LP and SP groups (p<0.001). A strong correlation was found between quality of life and depression (r=-0.73), and moderate ones between quality of life and pain (r=-0.41), anxiety-trait (r=-0.65) and anxiety-state (r=-0.58) (p<0.0001). Subjects with Data show negative correlation for quality of life and the variables assessed and the CWP group reported the most intense symptoms.

Key words: Anxiety; Depression, Pain; Quality of life


 

 

INTRODUÇÃO

A qualidade de vida relacionada à saúde pode ser definida como a percepção de um indivíduo sobre sua própria condição de bem-estar nas esferas do trabalho, cultura e valores, incluindo seus objetivos, expectativas e interesses pessoais1.

Como a dor crônica musculoesquelética representa uma importante causa de redução da funcionalidade dos pacientes acometidos, é um fator determinante para o comprometimento da qualidade de vida de um individuo2. Estudos mostram que ansiedade e depressão freqüentemente coexistem com dor crônica3,4 e, quando associados, comprometem mais intensamente a qualidade de vida.

A hipótese deste estudo é a de que há associação entre qualidade de vida e dor, ansiedade e depressão; e quanto mais intensos os sintomas, pior é a qualidade de vida. Este estudo teve pois como objetivo avaliar a associação entre qualidade de vida, dor, ansiedade e depressão em indivíduos de 35 a 60 anos.

 

METODOLOGIA

Este é um estudo transversal, que foi aprovado pela Comissão de Ética para Análise de Projetos de Pesquisa do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo; todos os participantes forneceram seu consentimento por escrito.

Os participantes do estudo foram recrutados mediante um levantamento dos indivíduos cadastrados nas nove Unidades Básicas de Saúde do Município de Embu, em São Paulo, simultaneamente ao estudo da prevalência de fibromialgia numa população de baixa renda5. Dos 2.269 indivíduos que tinham telefone, 768 puderam ser contatados, inquiridos acerca de queixa de dor e, caso respondessem afirmativamente, convidados a participar de uma avaliação na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência. Destes, 304 compareceram e se submeteram à avaliação de dor, ansiedade, depressão e qualidade de vida.

Após a avaliação os participantes foram divididos em três grupos: grupo dor esporádica (DE, n=47); grupo dor localizada ou regional (DR, n=151); e grupo dor difusa e crônica (DDC, n=106). A dor foi considerada esporádica quando não era constante; dor regional, em um ou poucos locais no corpo; e dor difusa e crônica, quando preenchia os critérios de classificação do Colégio Americano de Reumatologia6.

Procedimentos

As avaliações foram aplicadas por um pesquisador previamente treinado e, dada a dificuldade de leitura por parte de alguns participantes, os questionários foram aplicados individualmente: as questões foram lidas e assinaladas pelo pesquisador, de acordo com as respostas fornecidas pelos participantes, evitando erros de preenchimento ou de interpretação das questões.

A intensidade da dor foi avaliada por uma escala analógica visual (EVA), que consiste em uma régua de 10 centímetros onde o indivíduo marca um ponto de acordo com seu nível de dor, sendo que o extremo zero corresponde a "ausência de dor" e o extremo 10, a "dor insuportável".

O nível de ansiedade foi avaliado pelo inventário de ansiedade traço-estado (Idate) de Spielberger7. Este é composto por duas escalas distintas: ansiedade-traço e ansiedade-estado; cada uma consiste em 20 afirmações, sobre como o participante se sente em geral e no momento da avaliação, a cuja concordância pode ser atribuído um escore de 1 a 4. A pontuação em cada questionário varia de 20 a 80 e escores altos indicam níveis mais altos de ansiedade; índices menores que 33 indicam ansiedade baixa, entre 33 e 49 ansiedade média, e maiores de 49, alto nível de ansiedade.

O nível de depressão foi avaliado pela escala de depressão de Beck, na sua versão validada para a língua portuguesa por Gorenstein & Andrade8. Esse instrumento é formado por 21 itens sobre sintomas depressivos e para cada um há quatro alternativas de grau de intensidade. A escala tem boas propriedades psicométricas, incluindo alta consistência interna9. O escore máximo é 63; valores de 0 a 10 indicam ausência de depressão, depressão leve entre 11 e 19, moderada entre 20 e 25 e grave acima de 26.

A qualidade de vida relacionada à saúde foi avaliada pelo Medical Outcome Study Short-Form 36 Health Survey (SF-36) validado para a língua portuguesa por Ciconelli et al.10. Contém 36 questões agrupadas em oito domínios: capacidade funcional, aspectos físicos, dor, estado geral de saúde, vitalidade, aspectos sociais, emocionais e saúde mental. Os valores variam de 0 a 100 e, quanto mais altos, melhor qualidade de vida indicam.

Análise estatística

Para verificar a normalidade dos dados, foi aplicado o teste de Kolmogorov-Smirnov. Para comparação entre os grupos DE, DR e DDC foi utilizada a análise de variância de fator único para cada instrumento. Nos dados com distribuição normal, foi aplicado o teste Anova unidirecional e, quando não havia distribuição normal, foi utilizado o teste Anova de Kruskal-Wallis. O teste de correlação de Spearman foi utilizado para verificar correlações entre as variáveis, sendo adotada a seguinte classificação, para valores positivos e negativos: correlação forte, r>0,70; moderada, 0,30<r<0,70; e fraca, 0,1<r<0,30. O nível de significância foi fixado em 5%.

 

RESULTADOS

A Tabela 1 mostra as características demográficas de cada grupo. Do total da amostra, 244 são mulheres (80,3%), com média de idade de 49,1±6,8 anos; 214 são casados, 121 trabalham fora, 81 são donas-de-casa e apenas quatro têm curso superior.

 

 

Os resultados da avaliação de dor, ansiedade e depressão, bem como da qualidade de vida, são apresentados na Tabela 2. Nos três parâmetros avaliados - dor, ansiedade e depressão - os valores mais altos correspondem ao grupo DDC e os menores ao grupo DE, com diferença significante (p<0,001). Quanto à qualidade de vida, novamente os escores médios mais baixos correspondem ao grupo DDC, com valores estatisticamente significantes (p<0,001).

 

 

Na verificação de correlações entre qualidade de vida versus dor, ansiedade e depressão, foi encontrada correlação negativa entre a QV e todas as variáveis, sendo forte QV vs depressão (r=-0,732) e moderadas as demais: QV vs dor, r=-0,545; QV vs ansiedade-traço, r=-0,650; e QV vs ansiedade-estado, r=-0,619 (p<0,0001).

 

DISCUSSÃO

Os resultados mostram que há uma correlação negativa entre a qualidade de vida e dor, ansiedade e depressão, ou seja, quanto maior a intensidade desses sintomas, pior é a qualidade de vida dos indivíduos. Este estudo aponta ainda que os sintomas são mais intensos no grupo com dor de característica difusa e crônica.

As condições crônicas em geral provocam grande comprometimento da qualidade de vida e melhorá-la torna-se tão importante quanto melhorar o quadro clínico dos pacientes11. Diferentes instrumentos para avaliação da qualidade de vida relacionada à saúde são utilizados, fornecendo informações importantes sobre as impressões pessoais de um indivíduo, que muitas vezes um exame clínico não seria capaz de detectar12.

A dor, e em especial a dor crônica, é hoje considerada um importante problema de saúde pública, pois atinge a população adulta com alta prevalência13-21, sendo uma das principais causas de incapacidade temporária ou permanente para o trabalho22. Estudos já mostraram que a dor é o mais persistente sintoma relatado nos serviços de saúde que oferecem os primeiros cuidados23,24 e é freqüentemente acompanhada por sintomas de depressão e ansiedade3,25.

Bair et al.4 encontraram que a dor musculoesquelética é mais incapacitante quando associada à depressão e ansiedade; esses pacientes tinham escores mais baixos nos domínios vitalidade, percepção de saúde geral e função social, apresentando pior qualidade de vida quando comparados a pacientes que apresentavam somente dor. Andersson et al.26 constataram que 55% da população estudada apresentava dor persistente nos últimos três meses e em 13% as queixas de dor estavam relacionadas à redução da capacidade funcional; e, tal como no presente estudo, os que apresentavam dor difusa eram mais depressivos e tinham pior qualidade de vida.

A depressão é um dos problemas de saúde mental mais comuns e está presente em 10 a 15 % dos pacientes, podendo gerar importante incapacidade e piora da qualidade de vida. Segundo Berber et al.27, a depressão pode influenciar negativamente a qualidade de vida dos pacientes por aumentar a sensação de dor e incapacidade, tornando a adesão a tratamento mais difícil e piorando a qualidade das relações sociais. O paciente apresenta tendência ao isolamento e sentimentos de derrota e frustração.

 

Figura 1

 

No presente estudo, os resultados mostram que o grupo com dor difusa e crônica tem índices mais elevados de depressão quando comparado aos grupos DR e DE, mostrando uma associação entre intensidade de dor e depressão (Tabela 2).

É importante salientar que 80,3% da amostra do presente estudo é composta por mulheres - e, no grupo de dor difusa e crônica, elas representam 92% (nos demais grupos, elas são 77% no DR e 64% no DE). No estudo de Poleshuck et al.28, os autores verificaram que mulheres têm maior risco tanto para dor quanto para depressão do que homens mas, segundo eles, ainda são pouco conhecidas a freqüência e as implicações da dor e depressão entre mulheres. Elliott et al.2 sugerem que a depressão é o principal obstáculo ao alívio da dor.

Neste estudo, os indivíduos com DDC apresentaram níveis mais elevados de ansiedade quando comparados aos dos demais grupos. Um estudo de McWilliams et al.29 constatou que a ansiedade estava presente em 35% das pessoas com dor crônica vs 18% da população em geral; e resultados semelhantes foram encontrados por Strine et al.30 que, em um estudo com moradores saudáveis, verificaram que 15% dos sujeitos relataram sintomas de ansiedade freqüente. Observaram ainda que sujeitos com níveis mais altos de ansiedade relatam dor, distúrbios do sono e angústia/aflição mental freqüente, além de fumarem e beberem mais, serem mais obesos e sedentários. Para Macfarlane et al.31, a ansiedade está associada à dor difusa e crônica; e os autores sugerem que médicos reumatologistas deveriam encaminhar os pacientes a uma avaliação de desordem mental, a fim de verificar se os sintomas relatados são de caráter físico ou psicossomático.

Ainda, neste estudo pôde-se verificar que os indivíduos com dor difusa e crônica têm pior qualidade de vida quando comparados aos que apresentam dor regional ou esporádica. Elliott et al.2 concluíram que o SF-36 pode ser uma ferramenta clínica útil para avaliar a qualidade de vida em pacientes com dor crônica e também encontraram correlação entre depressão e dor difusa e crônica. Achados semelhantes foram encontrados no presente estudo, onde os pacientes com dor difusa e crônica tiveram piores escores do SF-36 e níveis mais altos nos sintomas avaliados (dor, ansiedade e depressão).

Para Rojas et al.32, que avaliaram a qualidade de vida em uma amostra populacional na Colômbia bastante semelhante à nossa, os resultados sugerem qualidade de vida substancialmente pior em indivíduos com dor difusa e crônica, sendo a depressão o principal fator predisponente a isso. Achado semelhante foi encontrado por Martinez et al.33, para quem a dor difusa e crônica impõe um impacto negativo na qualidade de vida dos indivíduos. Manchikati et al.34 observaram, em indivíduos com dor lombar crônica, significativa correlação entre dor e ansiedade e entre dor e depressão, interferindo diretamente na qualidade de vida.

O achado deste estudo, em que mais de um terço da amostra (35%) apresentou dor difusa e crônica, com predominância do sexo feminino, é compatível com a literatura, segundo a qual pertencer ao sexo feminino pode ser um fator predisponente - e freqüentemente relacionado - à presença de dor. Acredita-se que essa relação esteja fundamentada tanto em fatores biológicos hormonais35 quanto sociais36. Bergman et al.19 também verificaram maior associação da dor com o sexo feminino e sugere que isso se deva ao fato de elas residirem em áreas socialmente comprometidas e se dedicarem a trabalhos manuais, que exigem maior esforço físico. A exemplo do estudo de Bergman et al.19, a maior proporção de mulheres no presente estudo pode ser atribuída a sua maior procura por serviços de saúde do que os homens e seu predomínio no trabalho doméstico, tornando-as mais disponíveis ao contato telefônico residencial.

Nossa hipótese é que a alta prevalência de dor difusa e crônica pode estar relacionada à presença de vários fatores predisponentes agindo concomitantemente na população avaliada. Segundo a literatura, gênero feminino, baixa escolaridade, ocupações não-remuneradas ou que envolvem muito esforço físico (domésticas, do lar, trabalhadores da construção civil, entre outros) são fatores de risco para a dor37 e tais fatores são característicos da população de nosso estudo5.

Os achados do presente estudo apontam para a necessidade de programas de intervenção elaborados por equipes multidisciplinares, de modo a aliviar os sintomas, em especial a dor, e conseqüentemente melhorar a qualidade de vida. Sugere-se ainda atuação preventiva de modo a evitar o agravamento do quadro, uma vez que os dois grupos com dor menos intensa também já apresentam sintomas de ansiedade e depressão, além de prejuízos na qualidade de vida.

 

CONCLUSÃO

Dentre os moradores do Embu com queixa de dor, o grupo com dor difusa e crônica, que representou 35% da amostra, apresentou sintomas mais intensos de dor, depressão e ansiedade, além do maior comprometimento da qualidade de vida. Foi encontrada uma associação negativa entra a qualidade de vida e dor, ansiedade e depressão, ou seja, quanto mais intensos os sintomas, pior é a qualidade de vida.

 

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Endereço para correspondência:
Amélia Pasqual Marques
Centro de Docência e Pesquisa Fofito/FMUSP
R. Cipotânea 51 Cidade Universitária
05360-000
São Paulo SP
e-mail: pasqual@usp.br

Apresentação: maio 2009
Aceito para publicação: jul. 2009

 

 

Estudo desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação do Fofito/FMUSP - Depto. de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil

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