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Intercom: Revista Brasileira de Ciências da Comunicação

Print version ISSN 1809-5844On-line version ISSN 1980-3508

Intercom, Rev. Bras. Ciênc. Comun. vol.39 no.2 São Paulo May/Aug. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/1809-58442016210 

Artigos

COMUNICAÇÃO, DIREITO À INFORMAÇÃO E CIDADANIA

Blogs como canais alternativos de comunicação para o renascimento do parto

Blogs como canales alternativos de comunicación para el renacimiento del parto

Lia Hecker Luz1 

Vânia de Vasconcelos Gico2 

1Universidade de Coimbra, Centro de Estudos Sociais. Núcleo de Estudos sobre Democracia, Cidadania e Direito. Coimbra, Portugal

2Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais. Natal - RN, Brasil

Resumo

Aplicando-se a sociologia das ausências e da sociologia das emergências, investiga-se a blogosfera brasileira da humanização do parto composta por blogs mantidos por mulheres ativistas. A partir da análise qualitativa de um blog expressivo desse universo, explora-se como os Sites de Redes Sociais (SNS, por sua sigla em inglês) estão sendo usados enquanto canais alternativos de comunicação e informação para facilitar ações coletivas e o engajamento civil. Conclui-se que as ferramentas da Internet têm permitido uma mobilização inédita em prol do renascimento do parto, de forma a garantir um atendimento mais humano e menos violento, baseado em evidências científicas.

Palavras chave: Humanização do parto; Sites de Redes Sociais (SNS); Blogs; Comunicação alternativa

Resumen

Aplicándose la sociología de las ausencias y de la sociología de las emergencias, investigase la blogosfera brasileña para la humanización del parto compuesta por blogs mantenidos por mujeres activistas. A partir del análisis cualitativa de un blog expresivo de eso universo, explorase como los Sitios de Redes Sociales (SNS, por su sigla en inglés) están siendo usadas como canales alternativos de comunicación e información para facilitar acciones colectivas e la participación civil. Concluyese que las herramientas de la Internet ten permitido una movilización inédita en favor del renacimiento del parto, garantizando una asistencia más humana y menos violenta, basada en evidencias científicas.

Palabras clave: Humanización del parto; Sitios de Redes Sociales (SNS); Blogs; Comunicación alternativa

Introdução

Aplicando-se a sociologia das ausências e da sociologia das emergências (SANTOS, 2002, 2003) investiga-se a blogosfera brasileira da humanização do parto composta por blogs mantidos por mulheres ativistas. A partir da análise qualitativa de um blog expressivo desse universo, explora-se como os Sites de Redes Sociais, que aqui serão abreviadas como SNS, por sua denominação original do inglês Social Network (Web)Sites, estão sendo usados enquanto canais alternativos de comunicação e informação para facilitar ações coletivas e o engajamento civil na busca pelo renascimento do parto, garantindo uma assistência obstétrica mais humana e menos violenta, baseada em evidências científicas.

Antes de partirmos para a definição de SNS, apresentamos resumidamente a sociologia das ausências e a sociologia das emergências, utilizadas como base metodológica nesta pesquisa. A primeira é uma investigação que visa demonstrar que o que não existe é, na verdade, ativamente produzido como tal, como uma alternativa não credível ao que existe, enquanto a segunda consiste na ampliação simbólica de sinais, pistas e tendências latentes que, mesmo dispersas, embrionárias e fragmentadas, apontam para novas constelações de sentido no que respeita a compreensão e a transformação do mundo. No caso do parto, hoje institucionalizado, hospitalizado e, cada vez mais medicalizado e cirúrgico, como será debatido neste artigo, esse duplo procedimento consiste, sucintamente, em retirar do ostracismo o parto normal e natural, visto enquanto evento fisiológico, centrado no protagonismo e na autonomia da mulher, tornando-o uma possibilidade concreta.

Enquanto a sociologia das ausências expande o domínio das experiências sociais já disponíveis, a sociologia das emergências expande o domínio das experiências sociais possíveis. As duas sociologias estão estreitamente associadas, visto que quanto mais experiências estiverem hoje disponíveis no mundo mais experiências são possíveis no futuro. Quanto mais ampla for a realidade credível, mais vasto é o campo dos sinais ou pistas credíveis e dos futuros possíveis e concretos (SANTOS, 2002, p.258).

Aqui, propomos realizar uma dupla espiral da sociologia das ausências e da sociologia das emergências, inscrita, de um lado, em experiências de conhecimentos, e de outro, em experiências de comunicação e informação, ao mostrar o movimento que se articula, na blogosfera brasileira, entre mulheres que defendem e dão visibilidade a iniciativas de recuperação do parto natural e humanizado. Contrapor o parto natural à institucionalização da saúde da mulher é promover um diálogo entre o modelo tecnocrático e os modelos humanista e holístico de assistência obstétrica, segundo tipificação proposta por Davis-Floyd (2001). Trazer à luz essas leituras não hegemônicas da saúde reprodutiva a partir de blogs, por sua vez, consiste em contrapor a mídia massiva aos SNS, enquanto canais alternativos de comunicação e informação.

Na definição proposta por Boyd e Ellison (2007), os Social Networks Sites (SNS) são serviços de base digital que permitem a indivíduos: construir um perfil público ou semipúblico dentro de um sistema delimitado; articular uma lista de usuários com quem compartilham conexões; e ver e atravessar suas listas de conexões com a de outros dentro do sistema. Interpretando tal definição, Recuero (2009) propõe que os SNS podem ser entendidos como aqueles sistemas que permitem a construção de uma persona por meio de um perfil ou página pessoal; a interação por meio de comentários; e a exposição pública da rede social de cada ator.

Surgidos a partir da década de 1990, os SNS foram tornando mais complexos e horizontalizados os fluxos informacionais, possibilitando o pensamento crítico e facilitando novas formas de engajamento civil. Nesse sentido, ao permitirem uma divulgação mais fácil e muitas vezes sem custo de informações, os meios eletrônicos ampliam o acesso e o escopo de penetração dos temas divulgados digitalmente. Por conta disso, cada vez mais os movimentos sociais vêm buscando os SNS como canais de comunicação e informação para se mobilizarem, organizarem e discutirem alternativas que consideram fundamentais, fazendo com que suas ações sejam reconhecidas globalmente.

Conforme pontua Juris (2005), ativistas ao redor do mundo vêm se utilizando das novas tecnologias digitais oferecidas pelas SNS para coordenarem ações, criarem e fortalecerem suas redes e manifestarem seus ideais, de forma que é possível afirmar que o uso recorrente desses sites como canais alternativos de comunicação e informação vem contribuindo para o desenvolvimento dos movimentos sociais e para a criação de alianças entre eles, apesar da enorme heterogeneidade de causas.

Além disso, acrescenta o referido autor, por possibilitarem um aumento significativo na velocidade, na flexibilidade e no alcance dos fluxos informacionais, permitindo a comunicação a distância em tempo real, os SNS também oferecem a infraestrutura tecnológica para a emergência de movimentos sociais com base digital. São ativistas que fazem uso efetivo das novas tecnologias como formas alternativas e táticas de comunicação, expressando seus valores e ideais, tanto em terrenos físicos quanto virtuais, por meio de formas horizontais de colaboração digital.

Nesse sentido, Gervais (2015) destaca haver um número crescente de trabalhos que focam na relação entre SNS e movimentos sociais, lembrando que a Internet impulsiona o ativismo ao oferecer recursos para a participação aberta, a difusão de informações e a promoção e o estabelecimento de um senso de identidade coletiva e de comunidade. Ao utilizar esses canais comunicativos digitais, novos atores, como as mulheres que defendem uma assistência obstétrica mais respeitosa e baseada em evidências científicas, saem do ostracismo para se tornarem conhecidos. Neste estudo, analisa-se como se dá o ativismo pela humanização do parto no Brasil a partir do uso dos blogs como canais alternativos de comunicação e informação.

Blogs como canais alternativos de comunicação para o renascimento do parto

Caracterizado pela publicação de entradas - as postagens, ou posts - em ordem cronológica inversa, com a mais recente em destaque, os blogs se tornaram populares a partir de 1999, quando foi lançado o primeiro software gratuito para criação desses espaços. A rápida florescência de espaços que se seguiu foi fertilizada por uma série de eventos externos que inspiraram essa prática comunicacional, dentre os quais se destacam ataques terroristas, eventos políticos diversos e desastres naturais (HERRING et al., 2006).

Mais especificamente, o reconhecimento massivo dos blogs começou em 2001, com a divulgação de opiniões e informações sobre os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 que não eram encontradas na imprensa massiva, e estendeu-se em 2003, com a guerra liderada pelos Estados Unidos contra o Iraque. Em meados de 2008, havia centenas de milhares de blogs ao redor do mundo. Portanto, num intervalo de um pouco mais de uma década, os blogs saíram da relativa obscuridade para ganhar imensa popularidade (HERRING et al., 2006;HERRING, 2010).

Esse novo canal de comunicação mediado pelo computador ganhou popularidade, em parte, por permitir aos indivíduos publicarem conteúdo facilmente e sem custo para uma potencial vasta audiência na Internet, e em parte por ser mais flexível e interativo do que formatos prévios de comunicação, servindo "acima de tudo, para toda sorte de ator social interessado em criar um capital simbólico e, assim, melhor valorizar-se no mercado cultural, desta forma podendo participar de um lugar de comunicação bastante horizontalizado e que se amplia dia a dia" (BOLAÑO; BRITTOS, 2010, p.242).

Conforme assevera Lévy (2002, p.53), "[...] as pessoas que frequentam várias comunidades virtuais fazem passar, de uma para outra, as informações que consideram pertinentes" de maneira que é possível pensar, com o aumento dos usos dos blogs, a possibilidade de transformação do mundo social a partir da organização dos indivíduos/ blogueiros em redes, expressando antagonismos e modificando a representação do mundo que contribui para a sua própria realidade.

Por meio da interação com outros internautas, os blogueiros propõem outra forma de comunicação potencialmente mais criativa e democrática, à medida que tais tecnologias possibilitam maior interatividade, diálogo e pluralismo de ideias na rede, dando mais visibilidade e liberdade de expressão aos sufocados pelos aparatos de controle.

Destarte, os SNS poderiam ser vistos como esfera pública, na medida que promovem a participação. Por meio do acesso, da interatividade e da conexão em rede, possibilitam a criação de novas práticas culturais, ampliando e fortalecendo os laços de pertencimento entre cidadãos com interesses comuns e favorecendo a troca de informações entre os grupos locais e globais. Mas será que esse cenário de maior democratização da informação proporcionado pelos SNS representa uma possibilidade de empoderamento que pode contribuir para o renascimento do parto, virada paradigmática que se faz necessária para que se adotem modelos de atendimento mais centrados no protagonismo da mulher e que respeitem a fisiologia do parto?

Utilizamos o termo renascimento em alusão à obra O renascimento do parto, na qual o médico francês Michel Odent (2005) descreve sua experiência inédita em prestar um serviço de atendimento ao parto respeitoso e, ao mesmo tempo seguro, na maternidade do hospital da pequena cidade de Pithiviers, a cerca de cem quilômetros de Paris. Também é uma referência ao documentário brasileiro homônimo (O RENASCIMENTO..., 2013), que questiona o alarmante número de cesarianas realizadas no Brasil.

O longa-metragem, que alcançou a meta de crowdfunding estimada para 60 dias em apenas três, foi amplamente divulgado nos SNS desde antes do seu lançamento, em agosto de 2013. Exibido em sessões especiais em salas comerciais, em congressos, nas universidades, em festivais de cinema e em diversos outros espaços, o documentário ajudou a levar e intensificar a reflexão sobre a assistência obstétrica brasileira para dentro do ambiente médico, hospitalar, acadêmico, econômico, social, cultural e político.

Cabe salientar que, entre outras características, a assistência obstétrica brasileira é marcada pela hospitalização do parto e pelo uso rotineiro de uma cascata de intervenções não respaldadas pela medicina baseada em evidências. Além disso, o país tem um dos mais altos índices de cesariana do mundo, com mais da metade dos nascimentos já ocorrendo por meio da cirurgia, um percentual mais de três vezes superior aos 15% recomendados pela OMS (1996) (RATTNER et al., 2012).

Em razão desse cenário, as mulheres brasileiras inevitavelmente têm sido alvo da chamada violência obstétrica, cujo conceito internacional define qualquer ato ou intervenção direcionado à mulher grávida, parturiente ou puérpera (que deu à luz recentemente), ou ao seu bebê, praticado sem o consentimento explícito e informado da mulher e/ou em desrespeito a sua autonomia, integridade física e mental, aos seus sentimentos, opções e preferências (D'GREGORIO, 2010).

Produzido como ausência, o direito da mulher sobre o seu próprio parto é uma das principais bandeiras desse movimento feminino que cresce a cada dia no Brasil, por meio dos SNS. Por trás da blogosfera de humanização do parto, estão mulheres que se articulam, movidas por uma grande contrariedade e insatisfação em relação à institucionalização do corpo feminino e à violência obstétrica, com o objetivo de mostrar e consolidar novas alternativas ao atual modelo tecnocrático de assistência obstétrica (DAVIS-FLOYD, 1992, 2001), tais como: o parto normal humanizado, com o mínimo de intervenções possíveis, e o parto domiciliar planejado.

Nos embrenhamos no Movimento de Humanização do Parto (MHP) para analisar como as ativistas se utilizam das ferramentas digitais para avançar na luta por uma assistência obstétrica mais humana. Na perspectiva de desvelar como ocorre essa mobilização, foi empreendida viagem virtual pela blogosfera brasileira, em trajetória percorrida a partir do blog Cientista que virou mãe1, escolhido como foco de análise por sua grande visibilidade e credibilidade junto ao MHP, destacando-se entre os demais previamente selecionados a partir de critérios como popularidade, pertinência, relevância e periodicidade de atualizações.

Inicialmente, um grupo de aproximadamente dez espaços virtuais foi visitado rotineiramente durante cerca de seis meses, até dezembro de 2013, quando se optou por restringir o lócus da pesquisa a um único blog que fosse representacional da blogosfera pela humanização do parto, permitindo um maior detalhamento da realidade investigada. Na ocasião, após a realização de leituras flutuantes, optou-se por restringir o lócus de pesquisa ao Cientista que virou mãe, por entender que o mesmo, dando conta do fenômeno coletivo, poderia revelar particularidades, se analisado profunda e exaustivamente, possivelmente enriquecendo os resultados da pesquisa.

A autora do referido espaço virtual, a bióloga paulista Ligia Moreiras Sena, é doutoranda em Saúde Coletiva na UFSC, onde pesquisa aquela que considera uma das formas mais simbólicas, opressoras e cruéis de violência: a violência obstétrica institucional, cometida contra a mulher no momento do nascimento dos filhos. Em 2009, quando engravidou de sua filha Clara, encontrou apoio para sua opção de tentar um parto domiciliar planejado nos SNS, tornando-se ativista pela humanização do parto e redirecionando seu antigo blog à temática e a outras questões relacionadas à maternidade.

A primeira aproximação formal ao referido espaço digital, deu-se pela leitura de todas as postagens publicadas desde o momento de lançamento do blog, em 26 de maio de 2009, quando o mesmo ainda era intitulado Intensa, a Mente, até 31 de dezembro de 2013, perfazendo quatro anos e sete meses de publicações, somando um total de quase 450 postagens. Destas, foram selecionadas as 131 postagens que se relacionavam à temática da humanização do parto para compor o corpus. Para a análise qualitativa dos dados, procedeu-se a uma leitura minuciosa dos textos, a partir da qual puderam ser elaboradas fichas catalográficas individuais, em planilhas do programa Excel.

As referidas fichas foram lidas, inicialmente em ordem cronológica inversa, conhecendo-se, assim: 1) primeiro o desfecho e, após, a semeadura e o desenrolar das ações pela humanização do parto; e 2) primeiro a cientista, mãe e ativista Ligia Sena e, depois, a blogueira só na versão cientista e como se deu sua inserção nos outros universos. Num segundo momento, a leitura percorreu caminho inverso, começando pela postagem mais antiga até alcançar a mais atual, a qual foi seguida, mais uma vez, pela leitura da ordem cronológica inversa.

Foi esse processo de ida e vinda que possibilitou uma melhor contextualização dos fatos e uma melhor percepção da relevância dos dados na análise, os quais permitiram identificar uma peculiaridade determinante para a compreensão do território de pesquisa: a assistência obstétrica contemporânea fundamenta-se no intrigante paradoxo de supervalorizar o rigor científico, no campo ideológico, e basicamente desvalorizar seus resultados, no campo prático, em detrimento do louvor à tecnologia.

Tal cenário baseia-se, principalmente, em duas fortes raízes: a lógica mercantil da sociedade de consumo globalizada, e a monocultura do tempo linear. A monocultura do tempo linear produz ausências na medida em que se sustenta na premissa básica de que a história tem sentido e direção únicos e conhecidos, os quais, pontua Boaventura de S. Santos (2002, 2003), têm sido formulados de diversas formas nos últimos duzentos anos: progresso, revolução, modernização, desenvolvimento, crescimento, globalização.

No campo da assistência obstétrica contemporânea, portanto, não é apenas o comprometimento da biomedicina com os interesses (ou a lógica mercantil) da indústria farmacêutica, de equipamentos médicos e da saúde suplementar que ajuda a explicar por que a maioria dos procedimentos de rotina em obstetrícia no trabalho de parto e parto continua a ser usado sem respaldo científico; é também, entre outros aspectos, o viés ideológico do progresso da técnica que mantém como corriqueiras práticas desaconselhadas pela medicina baseada em evidências, construindo ausências de conhecimento para a população.

Aqui, porém, o principal trabalho de tradução/diálogo entre experiências de conhecimento sobre assistência obstétrica não é somente entre a ciência e outras formas de saber marginalizadas, visto a ciência, ela própria, estar numa condição de invisibilidade na prática obstétrica, ainda que valorizada em teoria; é também entre todas as formas de saber marginalizadas desse território - a ciência entre elas -, e a assistência obstétrica tecnocrática, que se tornou hegemônica nas sociedades ocidentais.

Essa preferência pela tecnologia, em detrimento da medicina baseada em evidências, tem trazido como consequência altas taxas de parto vaginal com intervenções e de cesarianas, causando mais mortalidade, morbidade e experiências não satisfatórias de parto para o binômio mãe-bebê. É um sistema que vem contribuindo, portanto, para a escalada da violência obstétrica, temática que mobilizou diversas ações de ciberativismo entre as blogueiras durante o período analisado.

Retomando, esta engloba a violência física, moral e emocional que profissionais de saúde exercem contra a mulher que vai dar à luz, seja durante a gestação, durante o trabalho de parto, no próprio parto ou ainda no pós-parto, incluindo xingamentos, humilhações, piadas de mau gosto, escárnio, ironias e, também, procedimentos dolorosos, exposição física, contenção, impedimento de ser acompanhada por alguém, entre outros questões.

Porém, como bem adverte a blogueira, ativista e pesquisadora Ligia Moreiras Sena, ainda há muitas dúvidas em relação ao conceito, inclusive entre algumas mulheres que sofreram suas consequências e não a viram como um problema, mas como sendo naturais. Trata-se, portanto, de uma violência que muitas vezes também ocorre sob o disfarce de normalidade, podendo ser atribuída, na opinião da blogueira, à grande parte das mulheres que adentram as instituições de saúde para dar à luz e acabam vivenciando procedimentos de rotina, que, em realidade, não deveriam ser rotina (OMS, 1996; RATTNER; AMORIM; KATZ, 2013; DAVIS-FLOYD et al., 2009; ODENT, 2005, 2002; BRASIL, 2011).

[...] existem formas de violência que vão além da força e que podem ser ainda mais agressivas ou opressoras. São formas sutis e simbólicas, que se escondem no interior das instituições. Muitas vezes, por serem tão comuns e frequentes, não são vistas como violência, são vistas como ROTINA (SENA, 2012a).

O ponto de partida para o envolvimento da blogueira ativista com o tema foi a divulgação de um dos resultados da pesquisa Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado (FUNDAÇÃO..., 2010), que percorreu 170 municípios brasileiros para conhecer a evolução do pensamento e do papel das mulheres no país: uma em cada quatro mulheres (25%) relata ter sofrido algum tipo de violência na hora do parto.

Divulgados pela grande imprensa (FOLHA..., 2011), os achados da pesquisa chocam Ligia Moreiras Sena, despertando seu interesse pela violência institucional na assistência obstétrica, tanto como ativista quanto como acadêmica, dando-lhe coragem para abandonar sua carreira de doutora em farmacologia, com um pós-doutorado em andamento, para ingressar no doutorado do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para pesquisar a temática.

Conforme relata, ao tomar conhecimento dos resultados da pesquisa, os coletivos femininos começam a se mobilizar em termos de circulação de informação, denúncia da situação da assistência obstétrica brasileira, reivindicação de direitos e discussão sobre o assunto. "E as mídias sociais apareceram como fator catalisador crucial para todas as ações que se seguiram" (SENA, 2012b).

Em 25 de novembro de 2011, Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher, realiza-se a primeira blogagem coletiva, intitulada Violência Obstétrica é Violência Contra a Mulher, quando muitas outras blogueiras publicam, cada qual em seu espaço virtual, textos autorais livres sobre a questão. Nesse dia, na condição de acadêmica, Ligia lança nos SNS convite à participação em sua pesquisa de doutorado sobre a violência obstétrica na percepção das mulheres que a viveram. Ao explicar seu interesse e a relevância do tema, e solicitar ajuda do coletivo na divulgação da sua pesquisa, Ligia atinge centenas de mulheres que se inscrevem para serem entrevistadas.

Essa pesquisa surgiu da minha indignação. E de conseguir me colocar no lugar dessas mulheres. De compreender que sofreram, que foram negligenciadas. E de ter a convicção de que elas precisam ser ouvidas. Há muito mais violência e desrespeito nas instituições de saúde, sendo cometidos contra mulheres, do que se pode imaginar. [...] Se você se sentiu desrespeitada, de alguma maneira, em seu parto e quiser dar o seu depoimento, participe desta pesquisa. [...] Há outras formas de você ajudar [...] Se você tem um blog, site, perfil no Facebook [...] me ajude a divulgar. Quanto mais mulheres participarem, mais saberemos sobre a qualidade do atendimento que as mulheres têm recebido em seus partos (SENA, 2011).

A segunda ação de ciberativismo coletivo, a pesquisa informal Teste da Violência Obstétrica, é lançada no Dia Internacional da Mulher, em 8 de Março de 2012, pelos blogs Cientista que virou mãe, Parto no Brasil2 e Mamíferas3. Divulgada por outros 74 blogs, a iniciativa tem como objetivo levantar dados sobre o tema, problematizar a questão e levar os resultados a uma instância que ajude a incluir, nos serviços oficiais de denúncia, a violência obstétrica como forma de violência contra a mulher.

Em pouco mais de 40 dias, 1.966 mulheres respondem ao teste. Os resultados mostram que mais de 31% das mulheres sentiram-se frustradas por não terem tido o parto como haviam sonhado e que quase 17% delas sentiram raiva logo após o nascimento dos seus bebês por terem sido mal atendidas. São dados que apontam que centenas de mulheres tiveram a alegria do parto roubada pela equipe de saúde:

[...] quase a metade das mulheres relataram terem sido vítimas de uma forma de violência; menos da metade se sentiu segura durante seu parto; 356 mulheres se sentiram ameaçadas pela equipe de saúde; 466 tiveram seu períneo cortado; 420 não puderam se movimentar, mesmo querendo; o médico ou o enfermeiro subiu em cima da barriga de 382 mulheres, para empurrar o bebê para baixo; e 1.029 mulheres não puderam segurar seus filhos no colo depois do nascimento [...] (SENA, 2012a).

Em outubro daquele ano, uma postagem coletiva dos blogs Cientista que virou mãe e Parto no Brasil convida as mulheres a gravar e enviar vídeos caseiros com seus depoimentos sobre violência obstétrica para que o vídeo documentário Violência obstétrica: a voz das brasileiras4 pudesse ser produzido, contando com o esforço de divulgação de 70 blogs.

Lançado em 17 de novembro de 2012, como parte das comunicações científicas coordenadas do Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, realizado em Porto Alegre, o vídeo documentário é disponibilizado para ser divulgado e compartilhado nos SNS em 25 de novembro de 2012 - quando se celebra o Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher -, alcançando grande repercussão.

Na tarde de domingo, com 12 horas de divulgação, contabilizamos cerca de 600 visualizações na página do vídeo no Youtube. Na manhã do dia seguinte, ultrapassou as 9.000 visualizações. Na terça-feira, com mais de 12 mil, tornou-se o terceiro vídeo mais popular na categoria 'Sem fins lucrativos/Ativismo' do Youtube - o que nos deixou pasmas [...] (SENA, 2012c).

Finalmente, em 25 de novembro de 2013, Ligia abre espaço em seu blog para divulgar uma iniciativa cujo objetivo também é dar voz às mulheres que passaram por violência obstétrica. Trata-se do documentário A dor além do parto5, produzido por Letícia Campos Guedes, Amanda Rizério, Nathália Machado Couto e Raísa Cruz, como trabalho de conclusão de curso da Universidade Católica de Brasília, disponibilizando o link para o mesmo.

Considerações finais

Nesta investigação, confirmam-se resultados anteriores sobre como o uso dos SNS enquanto canais alternativos de comunicação e informação vêm se constituindo em formas de resistência ao pensamento único neoliberal (LUZ, 2014, 2010; e LUZ; MORIGI, 2011). Utilizados como canais de organização coletiva contra o sistema de poder estabelecido e de contestação contra a produção de invisibilidades, os SNS vêm se consolidando como uma das principais linhas de atuação dos grupos do lado de lá da linha abissal (CASTELLS, 2013; SANTOS, 2007).

No caso específico da violência obstétrica, estas têm permitido uma mobilização inédita em prol do respeito aos direitos reprodutivos das mulheres no Brasil. Outrora ainda incipientes, as discussões sobre o tema no país estão sendo alavancadas pelo uso de estratégias de ciberativismo coletivo, ao dar voz efetiva às brasileiras que passaram por situações de violência obstétrica, tornando tais violências mais conhecidas, discutidas e evidentes. Desnaturalizando-as dessa maneira.

Agindo coletivamente, as ativistas pela humanização do parto formam uma esfera pública mais forte e visível, e com mais probabilidade de desafiar o discurso dominante. Nesse sentido, destaca-se, em específico: as postagens coletivas, textos autorais publicados nos espaços pessoais em data pré determinada, geralmente celebrativa, para alcançar uma maior mobilização em torno do assunto; o compartilhamento fácil e virtualmente sem custo de informações, o que pode possibilitar uma disseminação de conteúdos de longo alcance e instantânea; e os canais para troca de mensagens entre pessoas ou grupos, possibilitando a fácil articulação e a organização de mobilizações.

Com o Teste da Violência Obstétrica, por exemplo, as blogueiras que lançaram a ação coletiva em tela alcançam expressiva participação de quase duas mil mulheres, conseguindo dar grande visibilidade à temática nos SNS e atingindo as mídias tradicionais (NORDI, 2012). Aproveitando a repercussão, disponibilizam, em conjunto com a divulgação dos resultados, cartilhas, capítulos de livros e folders com o intuito de divulgar as estratégias e os métodos cientificamente comprovados para a proteção e a segurança das mulheres na assistência obstétrica.

Cabe salientar que a mobilização surgida nos sites de redes sociais (SNS) também deixa o universo digital para adentrar na esfera acadêmica - espaço onde a temática da humanização do parto já vem sendo muito discutida -, quando da apresentação dos resultados do Teste da Violência Obstétrica e do lançamento do documentário Violência obstétrica: a voz das brasileiras, ambos realizados a partir das plataformas digitais, no mais importante encontro nacional em Saúde Coletiva, o Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, no caso em sua 10ª edição, realizado em Porto Alegre, em novembro de 2012.

Desta forma, pode-se afirmar que os SNS, em geral, e os blogs, em particular, têm se configurado em canais com grande potencial contra-hegemônico para o renascimento do parto e a desnaturalização da violência obstétrica, na medida em que suas autoras estão se utilizando de suas ferramentas digitais para facilitar ações coletivas e o engajamento civil na mobilização por uma assistência ao parto mais humanizada e menos violenta, dando maior visibilidade a temática, ao tirá-la da obscuridade.

Finalmente, este estudo sinaliza que, para trazer à luz exemplos de modelos mais humanos e holísticos de assistência obstétrica, é preciso focar justamente nesses canais alternativos de comunicação e informação, visto que a imprensa massiva costuma alinharse, ela própria, aos interesses mercadológicos, estando mais preocupada em atingir melhores resultados econômicos do que com sua tradicional missão jornalística de esclarecer os fatos e promover a formação de uma opinião pública e a construção de uma sociedade mais cidadã.

Referências

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Recebido: 11 de Junho de 2015; Aceito: 22 de Janeiro de 2016

Lia Hecker Luz

É pós-doutoranda no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, Portugal, sob a supervisão do prof. Dr. Boaventura de Sousa Santos (Bolsista Capes Proc. n. 0913-15-4). Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (PPGCS/UFRN), com estágio de doutoramento no Centro de Estudos Sociais (CES), é mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. É pesquisadora do Observatório Boa-Ventura de Estudos Sociais, uma parceria entre PPGCS/UFRN e CES. E-mail: liahluz@gmail.com

Vânia de Vasconcelos Gico

Doutora em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Pós-Doutorado em Sociologia da Cultura, Criação e Gestão do Conhecimento e Antropologia Cultural pela Universidade Nova de Lisboa, Portugal. Professora e Pesquisadora Associada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (PPGCS-UFRN). Líder do Grupo de Pesquisa Cultura, Política e Educação-CNPq, na Linha de Pesquisa: "Complexidade, Cultura, Pensamento Social", sob temas das Ciências Sociais e Saúde, Educação, Memória e Sociedade, Itinerários Intelectuais, Educação Jurídica e Biodireito. Coordena, desde 2004, o Observatório Boa-Ventura de Estudos Sociais (UFRN), a partir de Acordo Inter-Institucional entre a UFRN e o Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, desenvolvendo inserção internacional nas Redes de Pesquisa, Intercâmbio entre pesquisadores, estudantes e publicações em parceria internacional. E-mail: vaniagico@gmail.com

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