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Intercom: Revista Brasileira de Ciências da Comunicação

versão impressa ISSN 1809-5844versão On-line ISSN 1980-3508

Intercom, Rev. Bras. Ciênc. Comun. vol.41 no.1 São Paulo jan./abr. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1809-5844201818 

Artigos

Expressividade em Jornalismo: interfaces entre Comunicação, Fonoaudiologia e Educação

Expresividad en Periodismo: interfaces entre Comunicación, Fonoaudiología y Educación

Regina Zanella Penteado1 
http://orcid.org/0000-0002-2357-9380

Marcia Reami Pechula1 
http://orcid.org/0000-0002-0443-5250

1Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Instituto de Biociências, Programa de Pós-Graduação em Educação. Rio Claro – SP, Brasil

Resumo

O artigo aborda a expressividade na formação do jornalista nas interfaces Comunicação, Fonoaudiologia e Educação. Tem por objetivo dar visibilidade à expressividade em Jornalismo como dimensão da educação e da formação em Comunicação na contemporaneidade. O percurso metodológico envolve tematizar a expressividade em três instâncias: na historicidade da prática fonoaudiológica com jornalistas; na caracterização das ações em processos educacionais na formação de jornalistas; e na problematização das concepções e práticas, com questionamento das contribuições no que concerne à educação. O estudo subsidia uma compreensão ampliada da expressividade na formação em Jornalismo: que se possa dizer interativa, dialógica e criativa, com capacidades de desabilitar dispositivos de homogeneização e de espetacularização, além de agenciar processos de singularização, de subjetivação e de profissionalização.

Palavras-chave Comunicação; Educação; Expressividade; Jornalismo; Fonoaudiologia

Resumen

El artículo aborda la expresividad en la formación del periodista en las interfaces Comunicación, Fonoaudiología y Educación. Tiene por objetivo dar visibilidad a la expresividad en Periodismo como dimensión de la educación y de la formación en Comunicación en la contemporaneidad. El recorrido metodológico involucra tematizar la expresividad en tres instancias: en la historicidad de la práctica fonoaudiológica con periodistas; en la caracterización de las acciones en procesos educativos en la formación de periodistas; y en la problematización de las concepciones y prácticas, con cuestionamiento de las contribuciones en lo que concierne a la educación. El estudio subsidia una comprensión ampliada de la expresividad en la formación en Periodismo: que se pueda decir interactiva, dialógica y creativa, con capacidades de deshabilitar dispositivos de homogeneización y de espectacularización, además de agenciar procesos de singularización, de subjetivación y de profesionalización.

Palabras-clave Comunicación; Educación; Expresividad; Periodismo; Fonoaudiología

Introdução

Com o ambiente da cultura midiática, para o trabalho jornalístico é necessária a ampliação/diversificação de habilidades comunicacionais e expressivas, diante do contexto de novas tecnologias, equipamentos móveis, conexões em rede, multiplataformas, convergência de suportes, que têm características de multimidialidade, transmidialidade e polivalência. Além de formação cultural e domínio das técnicas de produção de linguagem, o jornalista precisa desempenhar diversas funções para lidar com novos formatos dos programas, cenários, narrativas, dinâmicas de apresentação e demais fatores dos processos de construção/produção/apresentação da notícia e de produtos/programas (REIMBERG, 2013; OLIVEIRA; FONSECA; FIGARO, 2016).

No telejornalismo, os modelos tradicionais de programas, com as formas expressivas a eles correspondentes, já não contemplam a totalidade das demandas e necessidades expressivas dos repórteres e apresentadores (em cenário único e fixo de bancada, mantendo posturas de tronco, cabeça e olhar alinhados à frente e mãos segurando folhas de lauda e/ou uma caneta; e repórter posicionado em pé, de frente para a câmera, segurando microfone de mão e gesticulando com a outra mão). Novas dinâmicas de apresentação da notícia colocam o corpo inteiro do repórter ou apresentador sob demanda expressiva e passam a envolver processos interativos diretos, mediados e/ou virtuais que levam a diferentes formas de acomodação, posturas, posições, movimentos e deslocamentos, simultaneamente com o emprego dos recursos verbais, vocais e não verbais; de modo que a expressividade passa a integrar necessidades educacionais e formativas do jornalista (SILVA; PENTEADO, 2014).

A expressividade passa a ser importante na formação do jornalista. Ressaltamos que tal compreensão não se encontra restrita à atuação em telejornalismo; que ela se aplica ao trabalho jornalístico de coberturas em outros suportes: jornalismo impresso, radiojornalismo, webjornalismo, assessorias de imprensa e outros.

Diante disso, este artigo tem por objetivo dar visibilidade à expressividade em Jornalismo como dimensão da educação e formação em Comunicação na contemporaneidade.

Os procedimentos metodológicos envolvem, primeiramente, a apresentação de como a expressividade é entendida pela Fonoaudiologia e quais os recursos que a compõem. Na sequência, a expressividade é tematizada em três instâncias: na historicidade da prática fonoaudiológica com jornalistas; na caracterização das ações em processos educacionais na formação de jornalistas; e na problematização das concepções e práticas, com questionamentos sobre as contribuições paradoxais no campo da Educação e indicativos para ampliação da atuação fonoaudiológica com jornalistas.

O estudo representa ação incomum, já que os diálogos entre o Jornalismo, a Educação e a Fonoaudiologia propiciam deslocamentos do olhar e recontextualizações que implicam desconfortos, provocações e tensões. Contudo, entendemos que esse percurso (com percalços) se faz necessário para instaurar olhar sobre a questão da expressividade e a discussão do seu status no Jornalismo e nos processos formativos de profissionais de comunicação.

A expressividade e seus recursos

Na perspectiva da Fonoaudiologia, a expressividade integra aspectos e recursos verbais, vocais, não verbais e pausas. Os recursos verbais são as palavras, a seleção dos vocábulos, a construção frasal, o texto. Os recursos vocais compreendem qualidade vocal, tipos de voz e os parâmetros e recursos vocais, tais como pitch (sensação de frequência); loudness (sensação de intensidade); velocidade; articulação; ressonância; modulação; coordenação pneumofonoarticulatória1. Os recursos não verbais englobam o corpo: dizem respeito a posturas, posições, movimentos, deslocamentos, danças, gestos, olhares, expressões faciais e articulatórias; meneios de cabeça, aparência física e indumentária. As pausas silenciosas contribuem para a delimitação de turnos de fala e produção de sentidos (KYRILLOS, 2005; COTES; KYRILLOS, 2011; KYRILLOS; TEIXEIRA, 2014).

Os recursos verbais, vocais e não verbais da expressividade devem ser apresentados harmonicamente, de forma coerente, concordante e complementar. Os recursos vocais e não verbais contribuem para valorizar o texto verbal, além disso, cabe à expressividade ocorrer em condição de interação e sincronismo entre os recursos vocais e não verbais, que devem ser coexpressivos – apresentar coerência semântica entre sentido e gestos corporais/vocais – e ser cotemporais. Outros aspectos a serem observados e desenvolvidos nos jornalistas: a postura corporal em base estável e coluna ereta; realização de gestos na linha da cintura; microfone de mão seguro na altura do peito; expressão facial modificada de acordo com o texto ou conteúdo; clareza articulatória (COTES; KYRILLOS, 2011).

É desejável a adequação dos recursos vocais, com a finalidade de buscar a voz preferida para o telejornalista: voz grave, intensidade média, ressonância difusa, articulação precisa, regionalismos minimizados, velocidade média, emprego de pausas expressivas e modulação variável conforme o conteúdo semântico e perfis do programa e da emissora. Além disso, a expressividade no telejornalismo costuma ser conjugada com necessidades de agilidade, improviso, desenvoltura e interpretação para transmitir clareza, naturalidade, autenticidade, originalidade, espontaneidade e credibilidade no processo de construção da notícia (COTES; KYRILLOS, 2011; KRYLLOS; TEIXEIRA, 2014).

Elementos da historicidade das práticas fonoaudiológicas com jornalistas no Brasil

É interessante assinalar que priorizamos as experiências da Fonoaudiologia em decorrência desta área apresentar literatura acerca da temática, enquanto que, no campo do Jornalismo, os estudos mostram escassez de obras que abordem expressividade (RITA, 2011).

No Brasil, a fonoaudióloga Glorinha Beuttenmüller foi a pioneira na atuação junto a jornalistas da Rede Globo, no Rio de Janeiro, nas décadas de 1970 e 1980 – primeiramente atendendo apresentadores com problemas de voz e, depois, atuando em projeto da emissora para “minimizar” as “distorções” e os sotaques para “uniformizar” a fala de repórteres e locutores das afiliadas regionais (BEUTTENMÜLLER, 2009).

No final da década de 1980, e na década de 1990, houve expansão de pesquisas na área de voz profissional em contextos clínicos ou de assessorias envolvendo jornalistas da Rede Globo e afiliadas, com propósito de “substituição” do padrão de voz impostada por comunicação mais natural.

A Fonoaudiologia expandiu sua atuação de assessoria a jornalistas em emissoras de todo o país e, na década de 2000, essas experiências foram compiladas na série “Fonoaudiologia e Telejornalismo” (KYRILLOS, 2003; FEIJÓ; KYRILLOS, 2004; GAMA; KYRILLOS; FEIJÓ, 2005). No mesmo período, outra obra orientava acerca da expressividade com base em situações simuladas de apresentação e reportagens em modelo tradicional (KYRILLOS; COTES; FEIJÓ, 2003). Já no ano 2005, uma obra voltada para a expressividade abarcava diferentes categorias de profissionais da voz (KYRILLOS, 2005), sendo dois capítulos com jornalistas: relato de oficina de leitura e narração (STIER; COSTA NETO, 2005) e os efeitos do estresse na fala ao vivo (COELHO, 2005).

Anos depois, alguns livros da área fonoaudiológica tiveram capítulos dedicados exclusivamente para a atuação com jornalistas (COTES; KYRILLOS, 2011; KYRILLOS; TEIXEIRA, 2014).

Todas essas publicações acabam por referenciar a formação e a atuação do fonoaudiólogo nas interfaces com a prática jornalística. Desse modo, o que se entende por expressividade na literatura fonoaudiológica nacional foi se constituindo a partir de experiências originárias de um campo, de uma ambientação, de determinadas condições e relações do trabalho, de demandas e necessidades, de uma conjuntura “específica” e “restrita” de experiências de pesquisa e trabalho de assessoria de algumas profissionais a uma empresa majoritária.

Desta forma, a própria historicidade do trabalho com expressividade de jornalistas no país contribuiu para a afirmação de modelos tradicionais de programas telejornalísticos condizentes com estilos e padrões priorizados pela Rede Globo. Entendemos que a expressividade “proposta” na literatura deve ser vista com cautela, como “uma” das possibilidades; e “adequada” a “um” dos contextos “possíveis” e a um “certo” modelo.

É pertinente levantar algumas questões, mesmo que as respostas extrapolem os limites desse artigo: até que ponto a historicidade da Fonoaudiologia com o Jornalismo no Brasil não acaba por determinar a primazia de posicionamentos, posturas, movimentos, gestos vocais e corporais configurados e padronizados pelos modelos tradicionais de telejornais e de apresentação do noticiário que correspondem àqueles empregados na emissora junto à qual as experiências originárias se deram? E se o percurso e a história fossem outros? E se os estudos iniciais da Fonoaudiologia em práticas jornalísticas tivessem como cenário e contexto outras empresas de comunicação que não a Rede Globo; e/ou se os sujeitos envolvidos nas ações respondessem a outras formas de se fazer jornalismo e/ou atuassem em diferentes formatos de programas telejornalísticos que não o tradicional? Aquilo que se teria construído como referencial de expressividade seria diferente do proposto pela literatura como expressividade “preferida”? Haveria outras formas/perspectivas ou potenciais/possibilidades de se conceber a expressividade do jornalista? Essas questões podem instigar estudos futuros.

Entendemos que conhecer a origem das práticas fonoaudiológicas com jornalistas no país, de certo modo, auxilia a compreensão da concepção de expressividade que vem orientando as ações, bem como o entendimento das repercussões nas práticas educacionais fonoaudiológicas na formação de jornalistas. Prosseguimos problematizando a expressividade com potencial de integrar conteúdos e ementas de disciplinas curriculares nos cursos de Jornalismo.

Formação jornalística: caracterização das ações de expressividade

Penteado e Guirardi (2017) apresentam uma revisão da literatura referente à atuação fonoaudiológica com a expressividade em práticas educacionais e processos de formação de jornalistas. O estudo mostra que essa literatura é escassa e incipiente, com apenas sete publicações datadas a partir de 2008; e, também, identifica que as experiências estão ambientadas em Universidades e são referentes a ações de projetos de pesquisa ou de extensão, sujeitas aos limites de seleção de participantes, de prazos de execução e de recursos – foi identificada uma única situação de disciplina curricular em curso de graduação em Jornalismo. Nota-se que o período das publicações identificadas pelas autoras é coincidente com a quebra da obrigatoriedade do diploma de graduação em Jornalismo, pelo Supremo Tribunal Federal (STF); de modo que acompanha a caminhada da identidade profissional do jornalista, marcada pela tensão entre competência técnica e atividade intelectual humanista (PEREIRA; MAIA, 2016).

O acesso às publicações selecionadas por Penteado e Guirardi (2017) permite perceber que ocorre uma uniformidade do trabalho com expressividade: estão fundamentadas na mesma literatura (KYRILLOS, 2003; KYRILLOS; COTES; FEIJÓ, 2003; FEIJÓ; KYRILLOS, 2004; GAMA; KYRILLOS; FEIJÓ, 2005; KYRILLOS, 2005). Autores como Neiva, Gama e Teixeira (2016) chegam a explicitar que essa literatura não somente é balizadora das análises e avaliações da expressividade realizadas, como configura perfil comunicativo “preferido” para o telejornalismo, em relação ao qual se “deve adequar” e/ou “melhorar”. As ações acabam por afirmar, manter e reproduzir, de maneira indiscriminada, os mesmos modelos e padrões da mesma empresa. Mas, com isso, não acabam colaborando para ajustar uma situação específica na condição de torná-la hegemônica? Afinal, ao considerar a historicidade descrita, pode-se entender que quando se fala de expressividade “preferida”, seria para o jornalismo, para o jornalista, ou por/para determinados modelos de programas e empresa de comunicação?

O estudo de Penteado e Guirardi (2017) também possibilita visualizar que a expressividade vem sendo considerada com diferenças sobre seus recursos: o enfoque recai nos recursos vocais nas sete publicações; e menor atenção é destinada aos recursos não-verbais, contemplados em somente quatro delas (AZEVEDO; FERREIRA; KYRILLOS, 2009; PENTEADO; TREVISAN; GONÇALVES, 2010; PENTEADO; SANTOS, 2015; NEIVA; GAMA; TEIXEIRA, 2016).

Nesta direção, cabe observar que a comunicação não-verbal pode influenciar mais de 90% da expressividade na relação dialógica sendo, portanto, aspecto relevante no processo comunicacional – apesar de uma revisão (SANTOS; ANDRADA E SILVA, 2016) mostrar poucas publicações fonoaudiológicas sobre o aspecto não verbal em profissionais da voz, com apenas três voltadas para jornalistas. Distancia-se a prática do discurso que preconiza a expressividade como linguagem a ser contemplada com leitura abrangente e integradora dos seus recursos (FERREIRA, 2005).

A expressividade tem sido considerada com fins de aprimoramento vocal e comunicacional, sem implicações no sentido formativo e educacional e, tão pouco, de profissionalização.

O registro de poucas experiências de trabalho com a expressividade na formação inicial do jornalista mostra que os cursos de Jornalismo ainda não atentaram para a expressividade e sua importância formativa para o jornalista. Fica evidente o descompasso em relação às novas demandas e mudanças do trabalho jornalístico – que envolvem habilidades comunicacionais e expressivas dos profissionais.

A contextualização feita mostra a necessidade de reformulações curriculares para inserir disciplinas e conteúdos referentes à expressividade. O momento histórico é oportuno, pois os cursos encontram-se mobilizados em processos de reformulação curricular balizados pelas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Jornalismo (CNE/CES, 2013).

Paradoxos da expressividade no processo de construção da notícia

O que dizer de uma expressividade “preferida” para o jornalista, quando se trata de pensar as forças e as tensões do processo de produção da notícia? O Jornalismo é um campo heterônomo e sujeito às pressões políticas, sociais, econômicas e comerciais. Ao mesmo tempo, exerce pressão e ação sobre outros campos, interferindo e modificando relações de força e de poder e afetando o que ali se faz e produz (BOURDIEU, 1997).

Para Charaudeau (2013), o processo de produção da notícia considera uma complexidade que demanda a sua compreensão como instância midiática, cuja construção interpela efeitos imaginários e decorre de escolhas organizacionais, dos atores envolvidos e de suas formas de engajamento na zona de instanciação do discurso midiático, como também das possibilidades de inventividade no trato com a notícia. São várias as formas de comunicação autoritária e as intenções de dominação nos conteúdos midiáticos: a predominância da noção de notícia que expressa verdade dos fatos (quando o que se pode encontrar seria no máximo indicação de versões); o argumento da neutralidade, que nega e contraria a dimensão humana da atividade jornalística naquilo que pode ser passional, parcial, emocional e comportar interesses; a “escuta” dos especialistas que, em nome da pluralidade, contribuem para que o jornalista saia de cena enquanto outros falam por ele (SOUSA, 2007).

O jornalista está sujeito a formas de controle, regulação e disciplinamento que repercutem no trabalho e na sua vida. Uma análise de discursos de textos e manuais para jornalistas, publicados no Brasil, entre 1940 e 1990, aponta para configuração do profissional como trabalhador disciplinado, normatizado, controlado e enquadrado a partir de dispositivos que envolvem: valorização da técnica e de ideários de isenção; imparcialidade e objetividade; estratégias de disposição do tempo e da experiência; controle das percepções; disciplinamento dos corpos, do olhar e da escrita; delimitação da informação-opinião e redução da autonomia, em nome de produtividade, padronização e uniformização da produção (BIROLI, 2007).

Autores como Markham (2012) ressaltam que o dinamismo, a fluidez e a expressividade na prática jornalística estão relacionados com a criatividade e ambivalência exercidas nas relações de poder e de profissionalização do jornalismo. Para tanto, deve-se levar em conta a complexidade do processo de construção da notícia, os vários atores sociais nele envolvidos e a possibilidade de vozes que ele permite representar.

Temos percepção de que, quando se considera o processo de produção da notícia, a ideia de expressividade “preferida” vai, gradativamente, se distanciando da realidade do trabalho jornalístico. É indispensável questionar que: a) o fato/notícia se substancia no texto/na mensagem apresentado por elementos de imagens e textos para serem lidos, narrados, locucionados; b) o teor do vocábulo, do texto ou mensagem (recurso verbal) é que determina a adequação e o ajuste dos demais recursos (vocais, não verbais) de expressividade do jornalista; c) a expressividade do jornalista deve sempre responder à desejável condição de coexpressividade ou de interação, sincronismo, harmonia, coerência, concordância e complementaridade entre os recursos verbais, vocais e não verbais. Como integrante da linguagem, a expressividade interfere na construção/reconstrução/desconstrução da notícia.

A expressividade não se coloca, portanto, apenas a serviço da “afirmação” ou “confirmação” do texto/mensagem (como pressupõe a lógica da coexpressividade e do enfoque instrumental/funcional/comunicacional que, inclusive, desmerece o trabalho do jornalista quando reduz sua participação à função de locutor). Essa compreensão minimiza as possibilidades de singularização e subjetivação de repórteres, apresentadores, entrevistadores no processo de produção da notícia, contribuindo também para a precarização do trabalho e desvalorização do jornalista como profissional.

Em contrapartida, e diferentemente do observado na literatura, a expressividade poderia ter potencial de ação na construção/reconstrução/desconstrução da notícia em sua textualidade e narrativa (considerando que o texto não é composto somente por palavras escritas, mas também por elementos sonoros, recursos vocais e imagéticos, e imagens dos recursos não verbais – o que valoriza e potencializa os possíveis efeitos dos recursos vocais e não verbais da expressividade). Diante de tais elementos, a Fonoaudiologia contribui para a formação de uma cultura relacionada à expressividade com propensão paradoxal, por ser capaz de:

a) Melhorar a preparação, a formação e a qualificação dos jornalistas no tocante às suas habilidades e possibilidades comunicativas, sob um enfoque instrumental/funcional/comunicacional;

b) Atuar como mais um dos dispositivos de controle, de disciplinamento e de aprisionamento das vias de singularização e de subjetivação do trabalhador jornalista, que agem pela linguagem e valorização da técnica e de processos de uniformização, normalização, neutralização, homogeneização, indiferenciação, equalização, enquadramento e padronização de modo a acarretar a precarização do trabalho, tal como os discursos investigados por Biroli (2007). Atuando como um desses dispositivos, a expressividade poderia: I – limitar as suas potencialidades em se fazer sujeito, pela linguagem, no processo de produção da notícia (REIMBERG, 2013); II – restringir as possibilidades criadoras e de exercício reflexivo, crítico e responsável do jornalista, em interpretar a notícia de maneira a produzir um discurso permeado por diversas vozes e arejado com argumentos de diferentes pontos de vista (FIGARO, 2013); III – dificultar os particularismos, as singularidades e as diferenças necessárias em favorecimento dos processos civilizatórios e de humanização (BIROLI, 2007), indo, assim, na contramão de um processo formativo/educacional.

Por uma compreensão ampliada da expressividade na formação de jornalistas

Há, portanto, uma dimensão educativa e formativa relacionada com a cultura de expressividade ainda inexplorada. Os limites do trabalho com a expressividade não estão em instrumentalizar uma comunicação. Eles podem ser estendidos para além desta assertiva. Trata-se de pensar uma expressividade que contribua para uma comunicação que possibilite a educação, que viabilize a inserção do homem no contexto da história e a sua integração na cultura, em configurar processos ativos do sujeito, com e em sua realidade (CITELLI, 2010).

Por meio dos recursos vocais e não verbais da expressividade, alguns elementos e conteúdos da mensagem verbal são destacados/valorizados/afirmados e outros subestimados/desvalorizados/negados; atenções são atraídas ou dispersas; percepções, afetos, sensibilidades e efeitos de sentidos diversos são provocados; imaginários são acessados, expressos, afirmados, reforçados; trilhas ou caminhos de leituras são favorecidos/indicados ou dispersos/bloqueados. A expressividade, portanto, tem potencial para ser trabalhada na produção de sentidos e de subjetivação próprios da narrativa jornalística para além da “clareza”, “naturalidade” e “espontaneidade” que, mesmo importantes, podem ser insuficientes para a complexidade do trabalho de produção e divulgação da notícia.

A literatura sobre experiências fonoaudiológicas em processos de formação de jornalistas precisa ser revisitada e ampliados os estudos sobre a concepção de expressividade. Para novas investigações, sugerimos: que os recursos expressivos possibilitem aos jornalistas oposição e resistência ao conformismo e à submissão do sistema; que a expressividade configure via para propiciar relações homem/mundo, texto/contexto e linguagem/realidade; ou que favoreça a articulação de processos de percepção e de diálogo do sujeito com a vida, a sociedade, a cultura, a historicidade, leituras e desvelamentos de mundo. Que as potencialidades sejam educadoras e formativas com atos de vinculação, criação, percepção, construção de sentidos, significação, diálogo, reflexão, discussão, crítica, decisão, dinamização, problematização, mudança, transformação, autonomia, emancipação e humanização (FREIRE, 2003). Que as experiências de expressividade assumam potencial criativo com capacidades de desabilitar dispositivos de homogeneização e de espetacularização para agenciar processos de singularização e subjetivação.

Quando o jornalista emprega recursos expressivos verbais e não verbais em “desarmonia” com os recursos verbais seria, mesmo, e sempre, uma “inadequação” a ser banida? Na prática expressiva, isso seria evidenciado quando, por exemplo, recursos vocais e não verbais fossem acionados para romper com a esperada condição de “coexpressividade”, interação, sincronismo, harmonia, coerência, concordância, complementaridade.

Há que se considerar, por exemplo, a possibilidade de que um jornalista apresentador de programa de telejornalismo ou de radiojornalismo venha a empregar os seus recursos expressivos vocais (qualidade vocal, pausa, silêncio, ruído inspiratório, mudanças de ritmo, modulação, articulação, ressonância) e/ou os seus recursos não verbais (mudanças de postura, gestos manuais, meneios de cabeça, movimentos de olhos, sobrancelhas e lábios, riso e outros) de maneira que eles não se apresentem em “coexpressividade” com o texto editorial. Isso implica a produção de tensões provocativas para ironizar, desconfiar, discordar, negar, confrontar, criticar, questionar, desmentir, contradizer, inserir outras vozes e pontos de vista, produzir efeitos como de estranhamento, surpresa, chamar a atenção sobre algum fato ou tópico, além de suscitar outras formas de percepções sobre a notícia/mensagem/texto. Nesse caso, a opção em romper com a “coexpressividade” pode ser, justamente, aquela que viabiliza uma expressividade real, quando a expressividade, ela mesma, se mostra transformadora das verdades estabelecidas e dos sentidos convencionais das coisas, reveladora de outras verdades e desveladora do mundo.

A expressividade pode ser mais um lugar de envolvimento e engajamento do jornalista com a notícia. Isso resultaria, por exemplo, na valorização da figura do jornalista apresentador, comumente reduzida à condição de locutor, ou seja, na direção da sua potencialização explorada nos papéis do jornalista (descritor-comentador, mediador, revelador, narrador, animador, intérprete dos acontecimentos e/ou educador da opinião pública), os quais, evidentemente, implicam escolhas, riscos, conflitos, responsabilidade e profissionalismo (CHARAUDEAU, 2013).

A expressividade poderia representar mais uma via (ou linha de fuga?) informativa para contribuir nos processos de singularização, subjetivação e de profissionalização no Jornalismo, pois consideramos que a profissão tem função constitutiva na subjetividade do indivíduo e que as ações de linguagem constroem o estatuto do jornalista e traduzem os conflitos que a categoria enfrenta na organização profissional e que envolvem questões de ética e autonomia profissional, em que pesam questões como da verdade e da coragem da verdade – especialmente nas práticas jornalísticas mais desafiadoras (CHARAUDEAU, 2013; MAGALHÃES, 2008).

As práticas de expressividade nos processos educacionais de alunos de Comunicação podem configurar experiências estéticas: convite para trabalhos de análise, crítica, reflexão e interpretação que ultrapassem os sentidos já postos e possibilitem discutir outros pontos de vista e uma forma de envolvimento que configure processo de fruição que favoreça a construção de novos olhares, sentidos e formas de percepção; abrindo espaços para a autonomia, o reposicionamento do sujeito e das suas formas de pensar, de significar e de dizer sobre o mundo (ANJOS; LUCIANO, 2016).

A expressividade, por integrar os gestos corporais, poderia vir a ser considerada dimensão performativa na prática jornalística permitindo, na instância midiática do processo de produção da notícia, que o jornalista tome consciência das potencialidades do corpo como ato estético disparador de experiências significativas. Eis a perspectiva: atuar na formação de sujeitos e promover a captação de sentidos e a realização/atualização do possível, ressoando outros modos e outras configurações de ser no tecido social.

Conteúdos relacionados à linguagem oral e à expressividade poderiam ser trabalhados nas graduações em Jornalismo, com disciplina específica de caráter teórico/prático ministrada por fonoaudiólogo(a), com o objetivo de: propiciar reflexões, análises críticas e práticas de expressividade em contextos formativos envolvendo processos comunicativos e interativos vinculados às funções, demandas e situações de trabalho do jornalista com diferentes recursos, tecnologias e suportes. Além de favorecer o desempenho expressivo dos alunos nas demais disciplinas, potenciais de aproximação, articulação e contribuição, a disciplina específica cumpriria os objetivos da Resolução CNE/CES 2013, particularmente no que consta do Art. 2º. I e Art. 5º. I f: “dominar a expressão oral e atender às necessidades de informação e de expressão dialógica dos indivíduos e da sociedade”.

Considerações Finais

Demonstramos a necessidade de expansão dos estudos que focalizem as experiências de trabalho com a expressividade na formação de jornalistas e indicamos que uma compreensão ampliada da expressividade como linguagem e implicada ao ser-fazer do profissional de comunicação pode potencializar avanços na atuação fonoaudiológica com jornalistas e na intensificação das práticas educacionais neste campo – que ainda são escassas. São muitos desafios a serem enfrentados para que a expressividade seja valorizada no contexto educacional e formativo e profissional dos jornalistas.

A temática da expressividade, no contexto do trabalho e da formação do comunicador social, engloba outras facetas ainda inexploradas e que, inclusive, convergem para processos de profissionalização. Neste sentido, um passo importante já será dado se a expressividade puder ser trabalhada com uma concepção interativa, dialógica e criativa, que tenha capacidades de desabilitar dispositivos de homogeneização e de espetacularização, bem como de agenciar processos de singularização, de subjetivação e de profissionalização.

1Diz respeito à relação e à coordenação entre respiração, fonação (produção da voz) e fala (articulação/dicção).

Referências

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Recebido: 02 de Outubro de 2017; Aceito: 30 de Março de 2018

Regina Zanella Penteado

Doutoranda em Educação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP/Rio Claro; doutorado em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo – FSP/USP (2003); mestrado em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo – FSP/USP (2000) e graduação em Fonoaudiologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUC-Campinas (1990). E-mail: rzpenteado@uol.com.br.

Marcia Reami Pechula

Doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP (2001); mestre em Educação pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP (1995) e graduação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUC-Campinas (1987). Docente do Programa de Pós-Graduação em Educação do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP/Rio Claro, São Paulo, Brasil. E-mail: mreami@rc.unesp.br.

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