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Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia

Print version ISSN 1809-9823On-line version ISSN 1981-2256

Rev. bras. geriatr. gerontol. vol.9 no.2 Rio de Janeiro May/Aug. 2006  Epub Oct 24, 2019

https://doi.org/10.1590/1809-9823.2006.09026 

Artigos Originais

Sobrepeso e obesidade medidos pelo índice de massa corporal (IMC), circunferência da cintura (CC) e relação cintura/quadril (RCQ), de idosos de um município da Zona da Mata Mineira

Overweight and obesity measured by the body mass index (BMI), waist circumference (CW) and waist-to-hip ratio (W/H), of seniors of a municipal district in Zona da Mata, State of Minas Gerais, Brazil

Adelson Luiz Araújo Tinocoa 

Larissa Froede Britob 

Mônica de Souza Lima Sant’Annac 

Wilson César de Abreud 

Amanda de Carvalho Melloe 

Margarida Maria Santana da Silvaf 

Sylvia do Carmo Castro Franceschinig 

Conceição Angelina dos Santos Pereirah 

aPhD em Saúde Coletiva - University of Kentucky, UK, Estados Unidos, E -mail: altinoco@ufv.br

b Nutricionista, E-mail: larissafroede@yahoo.com.br

c Mestranda em Ciência da Nutrição na Universidade Federal de Viçosa, E-mail: mslsantana@yahoo.com

d Mestre em Ciência da Nutrição, Universidade Federal de Viçosa, E-mail: Wilson.fuom@ig.com.br

eNutricionista, E-mail: amandanutuerj@yahoo.com.br

f Doutora em Alimentos e Nutrição.Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, E-mail: msilva@ufv.br

gDoutora em Nutrição. Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP, E-mail: sylvia@ufv.br

hDoutora em Ciência e Tecnologia de Alimentos. Universidade Federal de Viçosa, UFV, E-mail: casantos@ufv.br


Resumo

Este trabalho teve como objetivo caracterizar o estado nutricional dos idosos cadastrados no Programa Municipal da Terceira Idade (PMTI) situado em Viçosa, Minas Gerais. A população estudada constituiu-se de 183 idosos com idade entre 60 e 90 anos, assistidos pelo PMTI de Viçosa. Os idosos foram avaliados pelo método antropométrico, utilizando-se peso, altura, circunferências da cintura e do quadril para calcular a relação cintura/quadril (RCQ) e o índice de massa corporal (IMC). O perfil nutricional do grupo apresentou uma bipolarização, com alta prevalência de sobrepeso (40,8%) e baixo-peso (15,1%). A freqüência de CC (circunferência da cintura) aumentada e de RCQ inadequada foi alta em ambos os sexos (61,4%), sendo significativamente maior nas mulheres. Os resultados encontrados apresentam uma situação preocupante dessa população, sendo necessário adotar medidas de controle e prevenção do sobrepeso, destacando-se o baixo-peso como importante fator de risco de mortalidade entre idosos.

Palavras-Chave: idoso; estado nutricional; antropometria/métodos; Viçosa, MG

Abstract

This paper aimed to characterize the nutritional state of elders who participate in the Municipal Program of the Third Age (PMTI) in Viçosa, state of Minas Gerais. The study population was 183 elders aged between 60 and 90 years, attended by PMTI of Viçosa. The elders were evaluated through the anthropometric method, using weight, height, waist and hip circumferences to calculate the waist-to-hip ratio (W/H) and the body mass index (BMI). The group’s nutritional profile was bipolarization, with prevalences of high overweight (40,8%) and low weight (15,1%). The frequency of WC (waist circumference) increased and inadequate RCQ was high for both sexes (61,4%), being significantly larger between women. Results presented a preoccupying situation for that population, and pointed to need for taking controlling measures and overweight prevention, highlighting the low-weight as an important risk factor for morbimortality among elderly people.

Key words: aged; nutritional status; anthropometry/methods; Viçosa, MG

INTRODUÇÃO

Em diversos países em desenvolvimento, inclusive no Brasil, o aumento da população idosa vem ocorrendo de forma muito rápida, sem a correspondente modificação nas condições de vida (Sampaio29, 2004; Cervato6et al., 2005).

O envelhecimento vem acontecendo concomitantemente ao surgimento de doenças de caráter crônico-degenerativo, como diabetes, hipertensão, obesidade e hiperlipidemias. Tais doenças surgem devido à influência de diversos fatores, dentre os quais se destaca a alimentação (OMS25, 1990; Chaimowicz8, 1997; Costa9et al., 2000, Sampaio29 2004; Cervato6et al., 2005).

A condição de nutrição é aspecto importante nesse contexto, sendo que os idosos apresentam condições peculiares que comprometem seu estado nutricional. Alguns desses condicionantes ocorrem devido às alterações fisiológicas do próprio envelhecimento, enquanto outros são acarretados pelas enfermidades presentes e por fatores relacionados à situação familiar e socioeconômica (Nogués24, 1995; Campos3et al., 2000; Ferriolli11et al., 2000; Mathey22et al., 2000; Sampaio29, 2004).

A manutenção de um estado nutricional adequado é muito importante, pois, de um lado, encontra-se o baixo-peso, que aumenta o risco de infecções e mortalidade, e do outro o sobrepeso, que aumenta o risco de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes (Cabrera e Filho3, 2001; Otero et al., 2002).

A partir de dados obtidos pela Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição (PNSN28, 1989), foi possível descrever o perfil antropométrico da população brasileira, sendo as prevalências de baixo-peso (IMC< 18,5) e sobrepeso (IMC>25), respectivamente, 7,8% e 30,4% para homens e 8,4% e 50,2% para mulheres (Tavares e Anjos31, 1999).

Outro fator de risco apontado para doenças crônicas como hipertensão e diabetes é a localização da gordura corporal. Para avaliar a distribuição da gordura corporal, utiliza-se a circunferência da cintura (CC) ou a relação cintura/quadril (RCQ), isoladamente (WHO35, 1998; Velásquez-Melendez34et al., 2002; Machado e Sichieri21, 2002; Sampaio29, 2004).

Viçosa é uma cidade de médio porte, localizada na Zona da Mata mineira e que possui 64.957 habitantes (IBGE15, 2000). Em 1970, sua população idosa (60 anos e mais) correspondia a 5,56% da população total (1.430 hab) e em 2000 passou a 8,16% (5.296 hab) (IBGE15, 2000). Estudos realizados em âmbito nacional abordam as principais áreas metropolitanas, mas deixam de fora as cidades de pequeno e médio porte (Tinôco33et al., 2001).

As informações contidas neste artigo são oriundas de dissertação de mestrado e tratam de um estudo epidemiológico no qual foram avaliadas as condições socioeconômicas, de saúde e nutrição dos idosos cadastrados no Programa Municipal da Terceira Idade (PMTI) situado em Viçosa-MG, visando a uma possível melhoria na qualidade de vida dessa população (Anderson2, 1998).

OBJETIVOS

É muito importante para a saúde e qualidade de vida dos idosos conhecer seu estado nutricional para, assim, estabelecer ações de monitoramento. Entretanto, no Brasil pouco se conhece sobre o estado nutricional na terceira idade.

O presente trabalho foi elaborado tendo como principal objetivo caracterizar o estado nutricional dos idosos. As informações podem ser úteis para estabelecer ações de monitoramento do estado nutricional na terceira idade, promovendo, através de um processo educativo-preventivo, a melhoria da qualidade de vida dos idosos.

METODOLOGIA

A unidade amostral deste estudo foi o idoso (60 anos e mais) cadastrado no Programa Municipal da Terceira Idade (PMTI). O tamanho da amostra foi definido através da equação proposta por Lwanga e Lemessow20 (1982), a saber: N = p x q/ (E / 1,96)2, onde: N = tamanho mínimo da amostra necessária; p = taxa máxima de prevalência; q = 100 – p; E = margem de erro amostral tolerado. Participaram do estudo 183 idosos com idade entre 60 e 90 anos, selecionados aleatoriamente pelo número de cadastro, correspondendo a 13,1% do número total de indivíduos cadastrados no programa. Para todas as variáveis estudadas, a amostra mínima foi de 163 idosos.

Para classificação do estado nutricional dos idosos participantes do estudo, aferiu-se suas medidas antropométricas primárias (peso, altura, circunferências da cintura e do quadril) para calcular a relação cintura/quadril e o índice de massa corporal. Estas variáveis foram coletadas no Ambulatório Nutricional do Núcleo de Saúde Pública do Departamento de Nutrição e Saúde da Universidade Federal de Viçosa.

O peso e a estatura foram verificados e avaliados segundo os procedimentos preconizados por Jelliffe16 (1966). O IMC foi obtido pela divisão do peso (em quilogramas) pelo quadrado da altura (em metros) e o resultado, avaliado utilizando-se os pontos de corte propostos por Lipschtz19 (1994), onde foram considerados: baixo-peso, IMC< 22; eutrófico, IMC 22-27; e sobrepeso, IMC> 27 Kg/m2.

A relação cintura/quadril (RCQ) foi obtida dividindo-se o valor numérico da circunferência da cintura pelo do quadril, ambos em centímetros, e o resultado avaliado segundo os pontos de corte para RCQ da World Health Organization35 (1998), de acordo com o quadro 1.

Quadro 1 : Pontos de corte para RCQ segundo a World Health Organization (1998). 

Sexo Favorável Desfavorável
Homens < 1,0 ≥ 1,0
Mulheres < 0,85 ≥ 0,85

A circunferência da cintura (CC) também foi utilizada para classificar os idosos com relação ao risco para doenças crônicas e complicações metabólicas associadas à obesidade tendo também como ponto de corte a World Health Organization35 (1998), conforme o quadro 2.

Quadro 2 : Pontos de corte para circunferência da cintura, segundo World Health Organization (1998). 

Sexo Aumentado Muito aumentado
Homens ≥ 94 cm ≥ 102 cm
Mulheres ≥ 80 cm ≥ 88 cm

Os dados sobre o estado nutricional foram inseridos em banco de dados criado utilizando-se o software Microsoft Access 2000. Para a análise estatística foram utilizados os softwares Epiinfo versão 6.02 (Dean10et al., 1990) e Sigma Stat versão 2.0 (Fox13et al., 1994). O teste do Qui-quadrado (x2) foi aplicado para analisar as variáveis categóricas. Para o cálculo da odds ratio (razão de chances), utilizou-se a tabela da contingência para avaliar a probabilidade de risco em relação a algum fator, sendo que o nível de significância adotado foi inferior a 5%.

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de Viçosa, onde foram cumpridos os princípios éticos contidos na declaração de Helsinque, além do atendimento da legislação vigente.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Dos idosos cadastrados no Programa Municipal da Terceira Idade (PMTI) de Viçosa-MG, que participaram do estudo, 55 (30,1%) eram do sexo masculino e 128 (69,9%) do sexo feminino. Segundo o IBGE15 (2000), dos 14,5 milhões de idosos brasileiros, 55% são mulheres e 45% homens. Tal fato pode ser explicado com base em vários fatores, tais como a maior preocupação com o estado de saúde, maior longevidade e maior solidão. Diante disso, é comum predominar o sexo feminino em vários estudos (Carvalho5et al., 1998; Anderson2, 1998; Filho e Ramos12, 1999; Almeida1et al., 1999; Lamy17et al., 1999; Silva e Fernandes30, 2001; Teixeira e Lefévre32, 2001; Cervato6et al., 2005).

No PMTI, a distribuição por faixa etária foi semelhante entre homens e mulheres, sendo que mais da metade dos idosos tinham idade inferior a 70 anos e apenas 7,7% apresentaram mais de 80 anos. A idade variou de 60 a 90 anos e a mediana foi igual a 68 anos (tabela 1).

Tabela 1 : Idosos do PMTI, de acordo com sexo e faixa etária, Viçosa-MG, 2002. 

Faixa Etária (anos) Sexo
Masculino Feminino Total
n % n % n %
60 a 69 28 50,9 73 57,0 101 55,2
70 a 79 22 40,0 46 35,9 68 37,1
803 5 9,1 9 7,0 14 7,7
Total 55 100 128 100 183 100

Utilizando-se os pontos de corte propostos por Lipschtz19 (1994), nos quais se considera como o baixo-peso o IMC<22, eutrófico o IMC 22-27 e como sobrepeso o IMC>27 Kg/m2, observa-se que mais da metade dos idosos avaliados (59,2%) classificavam-se como eutróficos, 40,8% apresentavam sobrepeso e 15,1% baixo-peso. Cinco idosos não foram avaliados, devido à incapacidade de assumir a posição ereta (tabela 2).

Tabela 2 : Medidas antropométricas por sexo e faixa etária em idosos do PMTI, Viçosa-MG, 2002. 

Variáveis Masculino Feminino Total
n n Média ± DP Média ± DP
Altura (cm)
60 69 27 163,7 ± 7,5 72 150,5 ± 6,1 154,1 ± 8,8
70 79 20 164,1 ± 5,2 46 150,8 ± 7,4 154,9 ± 9,1
80 ou mais 5 157,3 ± 8,7 8 150,8 ± 7,7 154,6 ± 6,6
Total 52 163,3 ± 6,9 126 150,8 ± 6,5 154,4 ± 8,7
Peso (Kg)
60 a 69 27 70,6 ± 15, 72 62,2 ± 10,1* 64,5 ± 12,2
70 a 79 20 63,1 ± 14,1 46 62,8 ± 14,8 62,9 ± 14,5
80 ou mais 5 61,2 ± 17,1 8 49,1 ± 11,7 53,4 ± 13,8
Total 52 66,8 ± 15,2 126 61,8 ± 12,3 63,3 ± 13,4
IMC (Kg/m2)
60 a 69 27 25,6 ± 5,3 72 27,4 ± 4,0* 27,0 ± 4,4 *
70 a 79 20 23,5 ± 5,5 46 27,7 ± 5,3 26,4 ± 5,7
80 ou mais 5 24,6 ± 5,9 8 21,6 ± 5,4 23,0 ± 5,6
Total 52 24,9 ± 5,5 126 27,2 ± 4,8 26,5 ± 5,1

Estatística: Análise de Variância complementada com teste de Tukey.

*60 a 69 e 70 a 79 > 80 ou mais.

As mulheres apresentaram percentual de sobrepeso 19,5% maior que os homens, enquanto estes apresentaram percentual de baixo-peso 11,2% maior que as mulheres (tabela 2).

Os resultados da Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição (PNSN, 1989) mostram uma prevalência de sobrepeso e obesidade maior entre mulheres e uma prevalência de baixo-peso semelhante entre homens e mulheres (Chaar7, 1996; Frank14, 1996; Pereira27, 1998; Campos3et al., 2000).

Mais importante que o excesso de peso, a desnutrição tem sido apontada como fator de risco para mortalidade em idosos (Landi18et al., 1999; Moriguti23et al., 2001; Otero26et al., 2002). Contudo, a obesidade aumenta o risco de co-morbidades, como hipertensão, diabetes, artrites e hiperlipidemias (tabela 3).

Tabela 3 : Estado Nutricional dos idosos do PMTI de acordo com sexo e faixa etária, Viçosa-MG, 2002. 

Estado Nutricional Masculino Feminino2 Total
N % n % n %
Baixo-peso
60 a 69 (a) 4 14.8 4 5.5 8 8.1a
70 a 79 (b) 6 30.0 7 15.2 13 19.7
80 ou mais (c) 2 40.0 4 44.4b 6 42.8
Total 12 23.0 15 11.8 27 15.1
Eutróficos
60 a 69 14 51,8 33 45.8 47 47.5
70 a 79 10 50,0 16 34.7 26 39.4
80 ou mais 2 40,0 4 44.4 6 42.8
Total 26 50,0 53 41.7 79 59,2
Sobrepeso
60 a 69 9 24,3 35 48,6 44 44,4 d
70 a 79 4 20,00 23 50,0 27 40,9
80 ou mais 1 20,00 1 11,1 c 2 14,4
Total 14 27,00 59 46,5 73 40,8

a- 60 a 69 < 70 a 79 < 80 ou mais (p<0,05)

b- 80 ou mais>60 a 69 e 70 a 79 (p<0,01)

c- 80 ou mais <60 a 69 e 70 a 79 (p<0,05)

d- 60 a 69 > 80 ou mais (p<0,05)

1- n 60-69 = 27, n 70-79 = 20 e n 80 + = 5

2- n 60-69 = 73, n 70-79 = 46 e n 80 + = 9

3- n 60-69 = 100, n 70-79 = 66 e n 80 + = 14

Os resultados da PNSN, analisados por Tavares e Anjos31 (1999), mostraram uma prevalência de baixo-peso (IMC<18,5 Kg/m2) igual a 7,8% e 8,4% para homens e mulheres, respectivamente. O sobrepeso (IMC>25 kg/m2) atingiu 30,4% dos homens e 50,2% das mulheres; e a obesidade (IMC>30Kg/m2), 57% dos idosos e 18,2% das idosas. Este estudo, tendo como base os pontos de corte utilizado na PNSN, aponta uma situação preocupante, segundo a qual 44,2% e 17,3% dos idosos e 63,1% e 29,2% das idosas apresentaram sobrepeso e obesidade, respectivamente. Em relação ao baixo-peso, os homens apresentaram prevalência igual a 9,6% e as mulheres, apenas 3,9%, o que é condizente com os achados da PNSN (1989).

Dos idosos estudados, o diabetes e a hipertensão só obtiveram aumento significativo a partir do IMC>27 – ou seja, em indivíduos com sobrepeso (tabela 4), mostrando mais uma vez que o excesso de peso está diretamente relacionado aos aparecimento de doenças crônicas não-transmissíveis.

Tabela 4 : RCQ E CC em idosos do PMTI, de acordo com o IMC, Viçosa-MG, 2002. 

IMC Masculino Feminino
n RCQ Inad. % CCA % CCMA % n RCQ Inad. % CCA % CCMA %
<22 kg/m2 10 - - - -16 25.0b 18.7b -
22 a 27 kg/m2 26 26,9a 23.0a 3.8a 53 69.8a 79.2a 35.8a
> 27 kg/m2 14 85.7 100.0 71.4 58 82.7 100 93.1
Total 50 38.0 40.0 22.0 12 70.7 81.7 57.9

a - 22 a 27 < 27 ou mais

b – menor que 22 < 22 a 27 e 27 ou mais

a e b ( p < 0,05 )

Segundo os pontos de corte para relação cintura/quadril (RCQ) da World Health Organization35 (1998), mais da metade dos idosos apresentaram RCQ inadequada (61,4%). As mulheres apresentaram uma chance 3,92 vezes maior de ter uma RCQ inadequada. A circunferência da cintura (CC) também foi estatisticamente diferente entre os sexos, sendo maior entre as mulheres.

O aumento do IMC parece estar associado à RCQ e à CC (tabela 4), uma vez que nos idosos com IMC>27 Kg/m2 a freqüência de RCQ e CC inadequada foi maior. Também é possível associar esse fato à maior freqüência de morbidades, sendo que a freqüência de hipertensão, hipercolesterolemia, artrite e diabetes é maior em indivíduos com a CC aumentada. Já em relação à RCQ houve diferença significativa para hipercolesterolemia e diabetes (tabela 5). Segundo Cabrera e Jacob Filho3 (2001), os idosos com RCQ e CC fora do padrão apresentam maiores freqüências de diabetes e hipertensão.

Tabela 5 : Morbidades em idosos do IPMTI de acordo com o sexo, RCQ eCCAM, Viçosa – MG, 2002. 

Masculino Feminino
Morbidade RCQ Inad. % CCAM % RCQ Inad. % CCMA % RCQ Adequ. % CCMA %
Sim Não Sim Não Sim Não Sim Não Sim Não Sim Não
Hipercol. 30.0 10.0 36.4 12.0 39.8 34.2 41.7 32.7 38.0* 23.5 41.0** 23.7
Hipertensão 50.0 56.6 72.7 48.8 75.0 63.1 77.8* 61.8 70.4 60.3 77.1** 55.7
Diabetes 25.0 6.7 45.5** 4.9 27.2* 10.5 27.8 14.5 26.8* 8.8 30.1** 10.3
Artrites 20.0 10.0 27.3 14.6 19.3 26.3 23.6 18.2 20.4 19.1 24.1 16.5

*p < 0, 05, **p<0,01.

Nota: Hipercol = Hipercolesterolemia

As mulheres apresentam proporções maiores de RCQ e CC inadequadas, obesidade e morbidades. Neste estudo, o perfil do estado nutricional aponta para uma situação precária de saúde dos idosos, na qual predomina o desequilíbrio.

A situação nutricional da população geriátrica brasileira e da amostra estudada sinaliza a necessidade de buscar conhecer e compreender todas as peculiaridades que afetam o consumo alimentar do idoso, buscando melhorar a qualidade de vida desse grupo (Campos4et al, 2000).

CONCLUSÃO

Existe uma bipolarização do perfil nutricional dessa população, na qual ocorre alta prevalência de sobrepeso (40,8%) e de baixo-peso (15,1%). O IMC e a RCQ inadequada associam-se positivamente à alta freqüência de morbidades. Neste sentido, as mulheres, por apresentarem maiores freqüências de RCQ inadequada, apresentam situação mais preocupante. Assim, faz-se necessário adotar medidas de controle e prevenção do sobrepeso entre idosos; em contrapartida, destaca-se a importância do baixo-peso como fator de risco para a morbi-mortalidade entre idosos.

Apesar dos resultados encontrados, pode-se acrescentar dignidade e qualidade de vida aos anos vividos, bem como aumentar a longevidade desse grupo, através da integração de ações (médicas e nutricionais) de socialização do idoso no decurso de oficinas de trabalho e lazer, que são desenvolvidas pelo Programa Municipal da Terceira Idade.

Sugere-se que estudos semelhantes sejam realizados periodicamente, em diversas cidades, para o conhecimento do estado nutricional dos indivíduos, para que se possa intervir na prevenção de enfermidades e consequentemente na melhoria da qualidade de vida da população.

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Recebido: 06 de Março de 2006; Aceito: 29 de Maio de 2006

a Correspondência / Correspondence Adelson Luiz Araújo Tinoco Universidade Federal de Viçosa – Departamento de Nutrição Av. PH Rolfs s/nº - 36570-000 Viçosa, MG – Brasil E-mail: altinoco@ufv.br

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