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Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia

Print version ISSN 1809-9823On-line version ISSN 1981-2256

Rev. bras. geriatr. gerontol. vol.18 no.3 Rio de Janeiro July/Sept. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/1809-9823.2015.0146 

EDITORIAL

Garantir a saúde e o bem-estar dos idosos: desafios de hoje e amanhã

Renato Veras, Editor

A Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia (RBGG) entra em uma nova fase, assumindo seu protagonismo na produção e difusão do conhecimento científico no campo do envelhecimento humano. Desejamos ampliar nosso diálogo com os pesquisadores de outros países - já fazemos parte do seleto grupo das revistas brasileiras pertencentes ao SciELO.

A partir deste número, estamos inaugurando um site exclusivo para a revista, que também passa a ser editada em inglês. Mas não vamos parar por aqui. A RBGG continuará a crescer. Já no próximo ano, passará a ser publicada bimestralmente. Tudo isso sem descuidar do papel indutor das propostas científicas desafiadoras e contemporâneas, sempre em busca da ampliação da qualidade de vida daqueles com mais idade.

Consideramos que a prestação de serviços de saúde para a população idosa está defasada. Fragmenta-se a atenção ao idoso, com multiplicação de consultas de especialistas, exames e outros procedimentos. Isto sobrecarrega o sistema, provoca forte impacto financeiro em todos os níveis e não gera benefícios significativos para a qualidade de vida.

Paramos no tempo em que ainda éramos um país jovem e de doenças agudas. Mas hoje o cenário é outro: o Brasil tornou-se um país envelhecido e de doenças crônicas. A projeção demográfica para os próximos anos aponta que esse envelhecimento se intensificará. A permanecer a lógica atual, portanto, teremos mais custos e menos bem-estar.

A Agência Nacional de Saúde e a Organização Mundial da Saúde destacam a urgência de mudanças nos paradigmas de atenção à terceira idade, com estruturas criativas e inovadoras, acompanhadas de ações diferenciadas para que os anos a mais proporcionados pelo avanço da ciência sejam bem aproveitados.

A identificação e o tratamento de doenças continuam sendo objetivos para o geriatra moderno, mas isso não basta. Conhecer como o idoso está exercendo suas tarefas diárias e seu grau de satisfação exige que o médico investigue funções básicas - como independência para alimentar-se, banhar-se, movimentar-se e higienizar-se - e outras mais complexas - como trabalho, lazer e espiritualidade. É prioritário utilizar esse conhecimento para efetuar a necessária transição do modelo assistencial clínico para outro com ênfase na prevenção.

Busca-se orientar os formuladores de políticas de saúde sobre os modelos contemporâneos e resolutivos, com uma relação custo-benefício favorável. O propósito basilar é oferecer bom padrão de saúde e qualidade para os idosos e seus familiares, mesmo reconhecendo que nessa fase da vida as enfermidades levam à perda da qualidade, devido à ampliação dos anos de vida, e sua consequente ampliação da fragilidade.

Espera-se que três fatores também aumentem o número de idosos que necessitam de cuidados de longo prazo. Em primeiro lugar, o expressivo crescimento do número de pessoas muito idosas, nos próximos 30 anos, resultará em maior número absoluto de idosos fragilizados. Em segundo, a mudança de status das mulheres e dos valores sociais e familiares continuará afetando a disponibilidade de apoio familiar para essa parcela da população (projeções para o Brasil estimam que o número de pessoas sendo cuidadas por não familiares - ou seja, cuidadores formais - será duplicado até 2020 e cinco vezes maior em 2040, em comparação com 2010). Em terceiro lugar, fatores de risco que alcançavam majoritariamente o homem, sobretudo o consumo de álcool e tabaco, além do estresse no trabalho, passarão a atingir também as mulheres.

Assim sendo, qualquer política contemporânea para o setor deve valorizar o envelhecimento saudável, com manutenção e melhoria da capacidade funcional, prevenção de doenças, recuperação da saúde e das capacidades funcionais. Por isso convidamos nossos leitores, pesquisadores e profissionais que transitam por contextos e práxis diversos no campo gerontológico, a enveredar por estes novos desafios contemporâneos, de modo a viabilizar um modelo assistencial de qualidade e que seja factível e sustentável para a sociedade. A RBGG convida-os para este diálogo, atual e relevante, sobre as questões expostas nestas reflexões, como também os demais desafios relacionados com o campo do envelhecimento humano.

Renato Veras
Editor

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