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Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia

Print version ISSN 1809-9823On-line version ISSN 1981-2256

Rev. bras. geriatr. gerontol. vol.19 no.2 Rio de Janeiro Mar./Apr. 2016

https://doi.org/10.1590/1809-98232016019.140228 

Artigos Originais

Existe associação entre massa e força muscular esquelética em idosos hospitalizados?

Bruno Prata Martinez1 

Isis Resende Ramos2 

Quézia Cerqueira de Oliveira2 

Roseane Araújo dos Santos2 

Mônica Diniz Marques2 

Luiz Alberto Forgiarini Júnior3 

Fernanda Warken Rosa Camelier1 

Aquiles Assunção Camelier1 

1Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Ciências da Vida I, Curso de Fisioterapia. Salvador, BA, Brasil.

2Hospital da Cidade, Departamento de Fisioterapia. Salvador, BA, Brasil.

3Centro Universitário Metodista, Curso de Fisioterapia. Porto Alegre, RS, Brasil.


Resumo

Introdução:

Massa e força muscular esquelética são variáveis que contribuem para o diagnóstico de sarcopenia.

Objetivo:

Avaliar a associação entre força e massa muscular esquelética em idosos hospitalizados.

Método:

Estudo transversal, realizado em hospital privado na cidade de Salvador-BA. Foram incluídos idosos ≥60 anos, entre o 1o e o 5o dia de internação hospitalar e que estivessem sem sedação e/ou drogas vasoativas. A massa muscular foi obtida por meio de equação antropométrica e a variável força por meio da força de preensão palmar. Fraqueza muscular foi identificada se <20 kgf para mulheres e <30 kgf para homens e a massa muscular reduzida quando o índice de massa muscular foi ≤8,9 kg/m2 para homens e ≤6,37 kg/m2 para mulheres. A correlação de Pearson foi utilizada para avaliar a relação entre massa e força e a acurácia para avaliar a capacidade da massa predizer força.

Resultados:

Entre os 110 idosos avaliados, houve moderada correlação entre massa e força (R=0,691; p=0,001). Entretanto, a acurácia foi fraca da massa para predizer força muscular (acurácia=0,30; IC 95% = 0,19-0,41; p=0,001). Os idosos com fraqueza eram mais velhos que os sem fraqueza, sem diferença nas outras variáveis.

Conclusão:

Existe uma relação linear entre massa e força muscular esquelética, porém a massa não prediz força, o que sugere que as duas medidas continuem sendo realizadas de forma independente.

Palavras-chave: Força Muscular; Músculo Esquelético; Idosos e Hospital

Abstract

Introduction:

The variables mass and skeletal muscle strength contribute to the diagnosis of sarcopenia.

Objective:

To evaluate the association between strength and skeletal muscle mass in hospitalized elderly persons.

Method:

A cross-sectional study was carried out in a private hospital in the city of Salvador in Bahia. The study included individuals ≥60 years during their first and fifth day of hospitalization and who were neither sedated nor had taken vasoactive drugs. Muscle mass was calculated using an anthropometric equation and force was measured through handgrip strength. Muscle weakness was identified as <20 kgf for women and <30 kgf for men, and reduced muscle mass was when the muscle mass index was ≤8.9 kg/m2 for men and ≤6.37 kg/m2 for women. The Pearson correlation was used to evaluate the relationship between mass and strength and the accuracy of using mass to predict strength.

Results:

In 110 patients included, there was a moderate correlation between mass and strength (R=0.691; p=0.001). However, the accuracy of using mass to predict muscle strength was low (accuracy=0.30; CI 95% = 0.19-0.41; p=0.001). The elderly patients with muscle weakness were older than those without muscle weakness, with no differences between the other variables.

Conclusion:

There is a linear relation between skeletal muscle mass and strength, but mass did not predict strength, which suggests that the two measures continue to perform independently.

Key words: Muscle Strength; Muscle Skeletal; Elderly and Hospital.

INTRODUÇÃO

O músculo esquelético tem grande importância para a realização das atividades de vida diária. Dentre as principais variáveis que compõem a função muscular estão massa e força muscular, além do desempenho físico, os quais contribuem para o diagnóstico de sarcopenia.1 A redução gradual e generalizada dessa massa e força muscular esquelética estão associadas a desfechos negativos como incapacidade física, pior qualidade de vida e maior mortalidade.2,3

Massa muscular pode ser definida como a quantidade ou o volume de músculo esquelético, diferentemente da força que está relacionada à capacidade de contração do músculo. Essa força muscular pode ser obtida a partir da força de preensão palmar mensurada com um dinamômetro portátil, que é uma ferramenta de fácil utilização e serve como método substituto a mensuração de força muscular global.4 Para avaliação da massa muscular em idosos, a utilização de equações de predição antropométrica é uma alternativa mais acessível quando comparada com os métodos de ressonância magnética e tomografia computadorizada.5,6

Estudos longitudinais já avaliaram que a redução da força muscular apresentou mais importância para predizer mortalidade ao longo dos anos do que a redução do volume muscular.7,8 Isto demonstra que provavelmente não exista relação linear entre essas variáveis, sendo necessário compreender a associação entre a massa e a força muscular. Desta forma, o presente estudo teve como objetivo avaliar a associação entre a massa e força muscular esquelética em idosos hospitalizados.

MÉTODO

Trata-se de estudo analítico realizado no hospital da Cidade, localizado na cidade de Salvador-BA, no período de agosto de 2013 a janeiro de 2014. Os critérios de inclusão foram indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos; tempo de internação entre o primeiro e quinto dia de hospitalização; relato de independência funcional prévia para locomoção (deambular sem auxílio externo); liberação médica para deambular e não utilização de drogas vasoativas, inotrópicas e nem sedativos. Os critérios de exclusão foram queda de saturação periférica de oxigênio para menos de 90% durante a avaliação, aumento da frequência cardíaca para mais ou menos 30% ao basal (antes do início do teste) e aqueles com dispneia ou desconforto durante realização dos testes. Entretanto, nenhum paciente enquadrou-se nesses critérios de exclusão. A seleção dos indivíduos para a inclusão no estudo foi feita pelos fisioterapeutas, por meio da checagem diária dos prontuários via sistema eletrônico. O cálculo amostral foi baseado no objetivo principal do projeto inicial, ou seja, descrever a frequência de sarcopenia em idosos hospitalizados, tendo-se adotado uma proporção esperada de sarcopenia de 15% e uma margem de erro de 7%.9

As variáveis primárias foram medidas antropométricas (peso corporal em quilogramas, estatura em metros, dobras cutâneas e perimetria de membros), estado cognitivo avaliado pelo miniexame do estado mental (MEEM), força de preensão palmar e índice de Charlson. Os avaliadores foram os próprios fisioterapeutas participantes da pesquisa, os quais foram previamente treinados com os instrumentos de avaliação para minimização dos vieses de aferição.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, sob protocolo nº 336.469/13. Todos os participantes da pesquisa assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Mensuração

A massa muscular esquelética foi obtida a partir da equação antropométrica de Lee, a qual teve alta correlação com a ressonância magnética6 e com densitometria radiológica de dupla energia.5

A equação utilizada para os idosos com IMC<30 kg/m2 para estimar a massa muscular esquelética foi baseada no peso e estatura: [estatura (metros) x (0,244 x massa corporal) + (7,8 x estatura) + (6,6 x sexo) - (0,098 x idade) + (etnia - 3,3)].6

Para os idosos com IMC≥30 kg/m2 foi utilizada equação antropométrica específica:6 [estatura x (CCB2 x 0,007444 + 0,00088 x CCC2 + 0,00441 x CCP2) + 2,4 x sexo - 0,048 x idade + etnia + 7,8]. Onde: CCB= circunferência corrigida de braço; CCC= circunferência corrigida de coxa; CCP= circunferência corrigida de panturrilha.

As medidas de dobras cutâneas (S) foram realizadas por avaliadores treinados no braço, coxa e parte medial da panturrilha; e as circunferências dos membros (Climb) também foram avaliadas na parte medial do braço, coxa e panturrilha, com aproximação de 1 mm, de acordo com a normalização antropométrica.10 Foi utilizado o adipômetro Lange (EUA) para medir a espessura das dobras cutâneas. Três medições foram realizadas, obtendo-se a média das aferições. Para remover o componente de gordura foi calculado o valor corrigido da circunferência (Cm= Climb - π x S).6

Posteriormente, a massa muscular esquelética foi dividida pela estatura ao quadrado para obtenção do índice de massa muscular esquelética. O critério utilizado para identificar redução da massa muscular esquelética baseou-se nos valores do índice de massa muscular ≤6,37 kg/m2 para mulheres e ≤8,90 kg/m2 para homens, os quais são equivalentes a 20% do percentil inferior encontrado por Alexandre et al.,11 seguindo estudos de Newman et al.12 e Delmonico et al.13

Para avaliação da força muscular utilizou-se a medida da força de preensão palmar, na qual os indivíduos na posição sentada em uma cadeira, com os cotovelos a 900, realizaram uma força máxima no dinamômetro manual Saehan (Saehan Corporation, 973, Yangdeok-Dong, Masan 630-728, Korea), o qual apresenta alta correlação com o dinamômetro Jamar, considerado padrão-ouro.14 Essa mensuração foi efetuada três vezes com intervalo de um minuto entre elas, sendo considerada a maior medida. Os valores de referência para sexo e idade na identificação de fraqueza muscular foram valores inferiores a 20 kgf nas mulheres e inferiores a 30 kgf nos homens.4

A função cognitiva foi mensurada por meio do MEEM, cuja variação é de 0 a 30 pontos e serve como parâmetro de caracterização da amostra.15 Já para avaliação da presença de comorbidades dos idosos hospitalizados, foi utilizado o índice de comorbidades de Charlson,16 já que a maioria dos indivíduos avaliados não estava na unidade de terapia intensiva, o que inviabilizou a mensuração de outros escores de gravidade.

Análise estatística

Os dados das variáveis numéricas foram descritos em médias e desvios-padrão e as categóricas descritas em proporções, com o respectivo intervalo de confiança. A correlação entre massa e força muscular foi obtida por meio da correlação de Pearson. Para avaliação da concordância entre fraqueza e massa muscular reduzida foi utilizado o índice de concordância de Kappa. Quanto à avaliação da capacidade preditora da massa em relação à força muscular, foram mensuradas a sensibilidade, especificidade e a acurácia por meio da curva ROC (Receiver Operator Characteristic). Em relação à comparação dos pacientes com e sem fraqueza, foi utilizado o teste t Student para amostras independentes. As análises foram realizadas no SPSS versão 14.0.

RESULTADOS

Na amostra de 110 idosos avaliados, a média de idade foi 71,0(±8,5) anos e o índice de Charlson 5,4(±1,8), com predomínio do sexo masculino (58,2%) e do perfil admissional clínico (59,1%). Cirurgias abdominais (34,5%), problemas cardíacos (20,0%) e pneumonias (13,6%) foram os motivos mais frequentes das admissões, sendo que o tempo médio de realização das mensurações foi 2,7 dias (tabela 1). Nos idosos estudados, 30,9% apresentaram massa muscular reduzida e 36,4% tiveram fraqueza muscular.

Tabela 1 Dados descritivos da amostra de 110 idosos hospitalizados. Salvador-BA, 2013-2014. 

Variáveis Média/dp n (%)
Idade (anos) 71,0(±8,5)
IMC (kg/m2) 25,4(±4,7)
Baixo peso 3 (2,7)
Normal 51 (46,4)
Sobrepeso/obesidade 56 (50,9)
Sexo
Masculino 64 (58,2)
Feminino 46 (41,8)
Tempo de internação (dias) 2,7(±1,6)
Perfil admissional
Clínico 65 (59,1)
Cirúrgico 45 (40,9)
Índice de Charlson 5,4(±1,8)
MEEM 23,7(±5,0)
Massa muscular esquelética (kg) 21,9(±5,4)
Força de preensão palmar (kgf) 27,9(±9,4)

IMC= índice de massa corporal; MEEM= miniexame do estado mental; dp= desvio-padrão.

Houve moderada correlação entre massa e força muscular esquelética (R=0,691; p=0,001), como mostra a figura 1. Na análise da massa muscular reduzida e fraqueza muscular foi observada fraca concordância (K=0,45; p=0,001). Em relação à capacidade da massa muscular predizer a força também foi observada fraca acurácia (acurácia=0,31; IC 95%=0,19-0,41; p=0,001) (figura 2).

Figura 1 Correlação entre a massa muscular esquelética apendicular e a força muscular. Salvador-BA, 2013-2014. 

Figura 2 Acurácia da massa muscular esquelética para predizer fraqueza muscular. Salvador-BA, 2013-2014. 

Na comparação entre os pacientes com e sem fraqueza muscular, foi observado que os idosos com fraqueza eram mais velhos, sem diferença significativa nas outras variáveis (tabela 2).

Tabela 2 Comparação intergrupos dos idosos com e sem fraqueza muscular. Salvador-BA, 2013-2014. 

Com fraqueza (n=40) Sem fraqueza (n=70) p
Idade 75,2(±9,8) 68,7(±6,7) 0,002
Charlson 5,9(±1,9) 5,1(±1,7) 0,638
MEEM 21,4(±5,3) 25,2(±4,2) 0,058
IMC 24,2(±4,9) 26,1(±4,4) 0,528
TIDC (dias) 3,0(±1,5) 2,5(±1,7) 0,088

MEEM= miniexame do estado mental; IMC= índice de massa corporal; TIDC= tempo de internação durante a coleta.

DISCUSSÃO

No presente estudo, observou-se moderada correlação entre força e massa muscular esquelética, corroborando outros estudos,17,18 apesar da baixa concordância entre massa muscular reduzida e fraqueza muscular. Esse estudo também identificou fraca acurácia da massa muscular para predizer fraqueza muscular, o que demonstra a necessidade da mensuração das duas variáveis de forma independente, mesmo quando o paciente tem massa muscular normal. Isto ocorre porque, apesar da massa muscular ser considerada a variável fundamental para o diagnóstico da sarcopenia, alguns idosos podem ter dinapenia, que é a redução da força muscular e esta não está associada à massa reduzida.

Orsatti et al.19 também encontraram uma relação direta entre massa e força muscular em pessoas com idade superior a 40 anos, sendo que a força muscular foi avaliada nos grupos musculares dos membros, por meio da utilização do teste de 1 repetição máxima (1RM) e não por meio da força de preensão palmar como no presente estudo. Apesar da não avaliação da força muscular global, a força de preensão palmar reflete a força muscular periférica, o que justifica o seu uso na prática diária para rastreio de fraqueza muscular.3 Já Clark & Manini20 relataram que a perda de força muscular relacionada à idade tem fraca associação com a perda de área de secção transversa muscular. No presente estudo, não se avaliou a redução de massa e força ao longo do tempo, visto tratar-se de estudo transversal; porém, concluiu-se que a massa de forma isolada não é um bom preditor de força, devido a fraca acurácia obtida.

Estudos que avaliaram essas variáveis ao longo dos anos mostram que a fraqueza muscular tem maior influência do que a redução de massa muscular para desfechos negativos como mortalidade.7,8 Cawthon et al.21 descreveram que a fraqueza muscular (RR=1,52; IC 95%=1,3-1,78), densidade muscular diminuída (RR=1,47; IC 95%=1,24-1,73) e baixa velocidade de marcha (RR=1,70; IC 95%=1,45-1,98) aumentaram o risco de hospitalização ao longo de acompanhamento por cinco anos, o que não foi visto em relação a massa muscular. Neste sentido, sugere-se que o foco das intervenções deva ser principalmente sobre as variáveis força e desempenho físico, em vez da massa muscular de forma isolada.

Com o passar do tempo, observa-se que o declínio da força se dá de forma mais acentuada do que a redução da massa muscular esquelética, devido aos fatores associados à qualidade muscular estarem relacionados a esse quadro.22-25 A geração de força muscular é influenciada por diversos fatores morfológicos, os quais estão relacionados a tensão por unidade de massa, capacidade ótima de ativação do sistema neuromuscular, deteriorização das fibras contráteis, acréscimo na porcentagem de infiltração muscular por tecido gorduroso, diminuição da rigidez tendínea, além da própria redução de massa muscular.22,23,25 Estes fatores citados podem justificar, em parte, a baixa acurácia da massa para predição de força visualizada no estudo.

Ainda sobre os resultados encontrados neste estudo, observou-se maior fraqueza muscular nos indivíduos mais velhos, conforme estudo anterior.25 O fator causal pode estar relacionado a menor ativação voluntária dos tecidos contráteis que é observada nos indivíduos ao longo dos anos e com idade avançada.20 Outra informação do presente estudo que assemelha-se a estudos prévios foi a pior função cognitiva encontrada nos idosos identificados com fraqueza muscular em relação aos sem fraqueza.2,3

No que se refere às duas variáveis estudadas e seu impacto nas atividades de vida diária, estudos apontam que a força é mais importante para ser rastreada nos idosos quando comparada a massa muscular, devido a sua associação significativa com desempenho físico.23,26 Neste contexto, a dinamometria manual se mostra como um arsenal útil para identificação dos pacientes com fraqueza muscular, pois apresenta correlação com a força muscular global, além de ter correlação com mortalidade.2,3,27 É importante salientar que o déficit de força não é o único determinante da piora da performance física, já que existem outros sistemas envolvidos.22

O estudo apresenta algumas limitações como o fato de ser transversal, não sendo possível a avaliação da associação dessas variáveis ao longo do tempo. Outra limitação foi a utilização de instrumento de menor acurácia para quantificação da massa muscular, já que os instrumentos considerados padrão-ouro apresentam alto custo. Entretanto, a equação antropométrica apresenta boa correlação com instrumentos de alta acurácia, além do menor custo e maior facilidade operacional. Outra limitação foi que a equação antropométrica utilizada para pacientes com IMC ≥30 kg/m2 apresenta menor acurácia para estimativa da massa muscular e esta foi utilizada em 12 pacientes na amostra total.

CONCLUSÃO

Apesar da relação linear entre massa e força muscular na amostra de idosos hospitalizados avaliados, não houve concordância entre massa muscular reduzida e fraqueza muscular, além de a massa ter tido baixa acurácia para predizer força. Esses dados reafirmam a necessidade da avaliação da massa e força de forma independente para construção do diagnóstico de sarcopenia. Novos estudos são necessários para identificar a relação temporal da massa e força muscular em idosos ao longo da estadia hospitalar.

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Recebido: 10 de Dezembro de 2014; Revisado: 29 de Outubro de 2015; Aceito: 30 de Novembro de 2015

Correspondência / Correspondence Bruno Prata Martinez E-mail: brunopmartinez@hotmail.com

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