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Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia

versión impresa ISSN 1809-9823versión On-line ISSN 1981-2256

Rev. bras. geriatr. gerontol. vol.19 no.2 Rio de Janeiro marzo/abr. 2016

https://doi.org/10.1590/1809-98232016019.140212 

Artigos Originais

O envelhecimento, a velhice e o significado de ser avô(ó) na perspectiva de atores profissionais idosos

Ana Cláudia Becker1 

Deusivania Vieira da Silva Falcão1 

1Universidade de São Paulo, Escola de Artes, Ciências e Humanidades. São Paulo, SP, Brasil.


Resumo

O presente estudo objetivou investigar a percepção de atores profissionais idosos sobre o envelhecimento, a velhice e o significado de ser avô(ó). Trata-se de uma pesquisa exploratória, descritiva e transversal. Aplicou-se entrevista aberta com roteiro semiestruturado, sendo os dados analisados a partir da análise de conteúdo proposta por Bardin. A maioria dos atores idosos apresentou discurso revelando um envelhecimento desfavorável e a negação desse processo na vida pessoal. Todavia, no meio artístico, os entrevistados apresentaram uma imagem favorável do idoso e da juventude, destacando influência favorável da profissão ao próprio envelhecimento e à velhice. A maioria indicou uma percepção favorável sobre o significado de ser avô(ó) na vida familiar e uma postura neutra em relação à interpretação desse papel no campo profissional. Conclui-se que a profissão de ator influenciou as reflexões acerca dos diversos aspectos do envelhecimento e que a arte e as habilidades desse ofício favoreceram aos atores idosos a tendência de negar a própria velhice e de ter uma visão desfavorável sobre o envelhecimento.

Palavras-chave: Idoso; Envelhecimento; Velhice; Avós; Atores.

Abstract

The present study aimed to investigate the perception of elderly professional actors regarding aging, old age and the meaning of being a grandfather or grandmother. An exploratory, descriptive, cross-sectional study was performed. An open interview with a semi-structured script was used, and the data was analyzed with the Bardin technique. The discourse of the elderly actors revealed an unfavorable view of aging and the denial of this process in their personal lives. From an artistic perspective, however, the respondents had a favorable image of old age and youthfulness, highlighting the favorable influence of the profession on their own aging and old age. Most showed a favorable perception of the meaning of being a grandmother or grandfather in family life, and had a neutral stance on the interpretation of this role in the professional field. It can be concluded that the profession of acting influenced discussions on the various aspects of aging and that the skills of the actor's craft encouraged elderly actors to tend to deny their old age and to have an unfavorable view of aging.

Key words: Elderly; Aging; Older Adults; Grandparents; Actors.

INTRODUÇÃO

O aumento da expectativa de vida e o envelhecimento como um fenômeno biopsicossocial merecem atenção, à medida que a rápida diminuição das taxas de natalidade observadas nos últimos anos, o que sinaliza um crescente número de pessoas na velhice. Estudos voltados para essa fase do desenvolvimento humano tornam-se relevantes, objetivando favorecer a melhoria da qualidade de vida dos indivíduos dessa faixa etária.1

Neste contexto, a Arte é considerada uma influência positiva, sendo o teatro um fator que auxilia na vitalidade, especialmente, quando relacionado ao tempo de atuação do ator.2 A origem da palavra "Arte" está no latim agere, que significa agir; ação ou atividade. O artista é o agente e o ator é alguém que age, em cena ou fora dela.3 Portanto, a profissão de ator exige da pessoa habilidades sociais, físicas e psicológicas, no que diz respeito à expressão vocal e corporal e a sua preparação. Contudo, é próprio do envelhecimento a ocorrência de limitações que podem afetar o desenvolvimento das atividades necessárias ao ato de representar.

Os aspectos negativos do envelhecimento e a baixa representação dos idosos foram exibidos e enfatizados durante anos nos programas e comerciais de televisão, provavelmente, devido à ênfase dada à juventude e à beleza nas sociedades ocidentais. Pesquisa realizada nos Estados Unidos mostrou que a imagem negativa da velhice na televisão era uma constante e os poucos personagens idosos representavam papéis de menor visibilidade e menor importância.4 Na década de 1980, Moore & Cadeau5 analisaram, ao longo de oito semanas, 1.733 comerciais de televisão em três estações de TV de Toronto, Canadá; dentre estes, somente 2% dos comerciais destacavam personagens idosos, sendo que havia uma baixa representatividade de mulheres mais velhas em relação aos homens. Dail,6 por sua vez, identificou que os idosos eram o grupo social mais retratado na mídia de forma desagradável e negativa, principalmente, no que se refere aos aspectos de saúde, sociabilidade, capacidade de trabalho, personalidade e habilidades físicas. Já na década de 1990, Tupper7 realizou estudo objetivando averiguar se a sub-representação dos idosos e a imagem negativa da velhice na televisão constatados nos anos 1970 e 1980, ainda podiam ser identificados. Detectou que, se por um lado foram reduzidos os estereótipos sobre a velhice na televisão, por outro, reduziram-se as oportunidades para os idosos, pouco presentes nas propagandas.

No Brasil, pesquisas acerca desta temática também têm sido realizadas pautadas em mídias sociais, mas, em sua maioria, de metodologia qualitativa e não quantitativa. Outrossim, observa-se a ocorrência de mudanças nas formas como as propagandas comerciais se referem ou se dirigem aos idosos. Atualmente, não são mais caracterizados de maneira negativa como já o foram no passado, porém, este segmento continua sendo pouco representativo nas propagandas, considerando-se a totalidade veiculada.8 Para os atores profissionais brasileiros, um fato que merece atenção se deu a partir da inauguração das transmissões de TV, na década de 1950, com a TV Tupi (extinta em 1980). Os jovens, que estiveram presentes na fundação da primeira emissora brasileira de TV e ajudaram na afirmação da televisão como principal veículo de comunicação do país, hoje, são idosos. No meio artístico, são ícones que influenciam e inspiram novos atores, telespectadores e o público em geral.

A formação de artista é um processo duradouro e contínuo. Acredita-se que somente na maturidade ou ao longo do envelhecimento, após anos de estudo, o ator está apto a desenvolver todos os papéis. Além disso, o ator é uma pessoa que, em seu trabalho, possui um contato intergeracional, contracenando sempre com pessoas de diferentes idades, encenando por meio de seus personagens várias fases da vida e papéis familiares, tais como, os de avós.

São vários os significados acerca dos papéis a serem desempenhados pelos avós no meio social, histórico-cultural e familiar. No final da década de 1960, os avós tinham papéis tradicionais, tais como: provedores de presentes, narradores de histórias infantis e cuidadores de bebês durante a ausência dos pais. Nas décadas de 1970 e 1980, o papel dos avós foi enfocado como parte de um processo grupal da família, envolvendo o relacionamento entre as gerações, considerando o poder, controle na estrutura parental, focalizando modelos de ajuda e manutenção da família. Na década de 1990, o papel dos avós centralizou-se em oferecer muito afeto aos netos e pouca repreensão; como mediadores entre os pais e os netos; como fonte de carinho e compreensão em momentos tempestuosos da criança; em falar sobre os acontecimentos de sua própria infância e da infância de seus filhos; em transmitir a história da família.9,10

Além de atuarem profissionalmente no papel de avós, muitos dos atores idosos também exercem essa função na vida pessoal. Nesse contexto, é preciso considerar que o envelhecimento deles, em sua maioria, é marcado pela dificuldade de manter os laços familiares, especialmente, com filhos e netos, devido aos horários de trabalho e frequentes viagens, podendo ocorrer, em alguns casos, uma desvinculação familiar. Observa-se ainda que, como a profissão de ator não exigia registro profissional, o não pagamento da previdência social pode ter feito com que muitos atores idosos ficassem dependentes da ajuda financeira de membros da sua rede de suporte social e familiar após encerrarem suas carreiras.11

Nesse contexto, o presente estudo objetivou investigar a percepção de atores profissionais idosos sobre o envelhecimento, a velhice e o significado de ser avô(ó) na família e na atuação profissional (palco teatral, dublagem, rádio e televisão), bem como examinar as percepções sobre a influência da profissão de ator na trajetória de vida e na velhice.

MÉTODO

Trata-se de pesquisa exploratória, descritiva e transversal, realizada entre os meses de fevereiro e dezembro de 2014. Foram entrevistados seis atores, finalizando a amostra por saturação teórica.12 Como critérios de inclusão, os participantes deveriam: a) ter 60 anos de idade ou mais; b) ser ator profissional; c) ter pelo menos 30 anos de profissão ou mais da metade da vida dedicada à arte teatral e televisiva.

Utilizou-se uma entrevista aberta com roteiro semiestruturado (quadro 1). A entrevista foi dividida em quatro blocos: 1) identificação do participante; 2) questões relativas ao ofício de ator e início da carreira; 3) questões acerca da velhice e do envelhecimento e; 4) percepções sobre as relações familiares com foco na questão do ser avô(ó).

Quadro 1 Roteiro utilizado para as entrevistas. São Paulo-SP, 2014. 

O estudo foi realizado com atores idosos pioneiros filiados à Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da Televisão Brasileira (Pró-TV), localizada na cidade de São Paulo-SP. Esta instituição foi fundada em 1995 por iniciativa da atriz Vida Alves e de outros atores e tem como meta preservar a memória da TV e servir de ponto de encontro sobre o tema.

Inicialmente, a pesquisadora teve autorização da diretoria da referida instituição. Contactou-se o ator idoso, adotando-se a técnica de snowball para realizar as demais entrevistas. A coleta de dados foi feita individualmente na associação supracitada ou na residência do idoso sem a interferência de outras pessoas. As entrevistas foram gravadas, transcritas e analisadas. Para garantir o anonimato, os nomes utilizados nesse estudo são fictícios.

A técnica usada para a análise das entrevistas foi a de análise de conteúdo proposta por Bardin.13 São critérios desta técnica: a) Exaustividade - esgotou-se a totalidade de comunicação, não omitindo nenhuma informação; b) Representatividade - as categorias foram obtidas por técnicas iguais e colhidas por meio de indivíduos semelhantes; c) Homogeneidade - os dados se referiram ao mesmo tema e foram obtidos por técnicas iguais e colhidos por indivíduos semelhantes; d) Pertinência - as entrevistas foram adaptadas ao conteúdo e aos objetivos da pesquisa. A referenciação dos índices e elaborações de indicadores foram efetuadas em função dos objetivos. Realizaram-se as operações de recorte do texto em unidades comparáveis de categorização para análise temática e de modalidade de codificação para o registro dos dados; e) Exclusividade - um elemento não foi classificado em mais de uma categoria.

A partir da exploração e análise do material coletado, foram criadas categorias, codificando-se os itens de acordo com os critérios citados acima, escolhendo-se as categorias pelos núcleos de sentido das falas dos participantes. Estas categorias foram criadas para abranger os conteúdos das falas em sua totalidade, sendo criados eixos temáticos. A análise qualitativa dessas informações codificadas auxiliou no que diz respeito à verificação da ocorrência das falas em cada categoria, identificando as subcategorias e extraindo trechos relevantes e correspondentes a ela (quadro 2).

Quadro 2 Categorias e subcategorias temáticas. São Paulo-SP, 2014. 

O material foi organizado de acordo com um significado comum que foi expresso por códigos, o que permitiu que fosse possível transformar os dados brutos do texto em uma representação do conteúdo, explanada na forma de unidades de análise. A ponderação da frequência simples de cada unidade de análise traduziu um caráter quantitativo (dimensão) ou qualitativo (direção). A direção dos conteúdos analisados foi favorável (aspectos positivos das afirmações), desfavorável (aspectos negativos das informações) ou neutra (conteúdo indefinido, vago, indeterminado, indiferente ou imparcial, não expressando partido nem a favor nem contra). Neste sentido, foi realizada uma análise qualitativa e quantitativa das entrevistas.

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade de São Paulo (USP), CAAE: 17469813.7.0000.5390. Os atores que participaram do estudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

RESULTADOS

Foram entrevistados seis atores idosos, três do sexo feminino e três do sexo masculino, com idade média de 74,2 anos. Destes, todos ainda trabalhavam na área, tinham pelo menos 45 anos de profissão, com média de 56,66 anos de atuação profissional. Dos participantes da pesquisa, três eram viúvos, dois casados e um divorciado. Quanto à religião, três dos seis atores entrevistados se diziam espiritualizados ou holísticos, dois católicos e um messiânico. Todos os participantes tinham dois filhos e uma média de três netos e 1,2 bisnetos.

Quando indagados acerca dos principais eventos da vida durante a trajetória profissional, verificou-se que, cinco idosos atuavam na profissão desde criança e tiveram sua primeira contratação por rádio, televisão ou companhias de teatro ainda na juventude. Quatro deles mostraram mudanças na área de atuação ao longo da carreira, além de uma influência positiva e/ou negativa da ditadura militar nesse percurso. Dos entrevistados, a maioria dos papéis representados ao longo da vida foi o de protagonista; dois sinalizaram uma influência negativa em suas carreiras profissionais devido ao incêndio das emissoras de São Paulo-SP, ocorrido em 1969.

Todos os participantes disseram que não se sentiam velhos. Todavia, sobre a autopercepção acerca do envelhecimento e da velhice, a maioria apresentou discurso que revelava aspectos desfavoráveis, com 54 unidades de análise. Observou-se uma negação desse processo em suas falas de forma constante (tabela 1).

Tabela 1 A autopercepção sobre o envelhecimento e a velhice dos atores idosos diante do exercício da profissão e suas respectivas frequências. São Paulo-SP, 2014. 

Autopercepção sobre o envelhecimento e a velhice diante do exercício da profissão Frequência das unidades de análise
Absoluta Percentual
Envelhecimento e velhice desfavorável 54 40,3
Envelhecimento e velhice favorável 45 33,6
Envelhecimento e velhice neutra 35 26,1
Total 134 100,0

Sobre a percepção que os entrevistados apresentavam em relação ao idoso e à juventude no meio artístico, identificou-se uma imagem favorável do idoso, com 11 unidades de análise, ressaltando-se uma supervalorização do idoso (oito unidades), e uma visão favorável da juventude (12 unidades), como ilustra a tabela 2.

Tabela 2 A imagem da juventude e da pessoa idosa no meio artístico na perspectiva dos atores idosos e suas respectivas frequências. São Paulo-SP, 2014. 

Imagem no meio artístico Frequência das unidades de análise
Absoluta Percentual
Imagem da juventude
Imagem favorável da juventude 12 63,2
Imagem desfavorável da juventude 4 21,0
Imagem neutra da juventude 3 15,8
Total 19 100,0
Imagem da pessoa idosa Imagem favorável da pessoa idosa 11 39,3
Imagem de supervalorização da pessoa idosa 8 28,6
Imagem desfavorável da pessoa idosa 5 17,8
Imagem neutra da pessoa idosa 4 14,3
Total 28 100,0

A profissão de ator foi tida pelos idosos como uma influência favorável ao próprio envelhecimento e à velhice, com 23 unidades de análise, não se mostrando desfavorável no discurso de nenhum dos entrevistados, como mostra a tabela 3.

Tabela 3 A influência da profissão no envelhecimento e na velhice dos atores idosos e suas respectivas frequências. São Paulo-SP, 2014. 

Influência da profissão no envelhecimento e na velhice Frequência de unidades de análise
Absoluta Percentual
Influência favorável da profissão 23 82,1
Influência neutra da profissão 5 17,9
Influência desfavorável da profissão - -
Total 28 100,0

Os atores idosos foram questionados a respeito de como era interpretar os papéis de avós na atuação profissional. A maioria das unidades de análise mostrou uma postura neutra em relação a essa interpretação com 11 unidades de análise, conforme tabela 4.

Tabela 4 A interpretação de papéis de avós na atuação profissional e suas respectivas frequências. São Paulo-SP, 2014. 

Interpretação dos papéis de avós Frequência das unidades de análise
Absoluta Percentual
Interpretação dos papéis de avós neutra 11 52,4
Interpretação dos papéis de avós favorável 9 42,8
Interpretação dos papéis de avós desfavorável 1 4,8
Total 21 100,0

Constatou-se que a maioria dos atores idosos revelou uma percepção favorável sobre o significado de ser avô(ó) na vida familiar, com 30 unidades de análise, como mostra a tabela 5. Cabe ressaltar que apenas um, dos seis participantes, não era avô.

Tabela 5 A percepção sobre o significado de ser avô(ó) para os atores idosos e suas respectivas frequências. São Paulo-SP, 2014. 

A percepção sobre o significado de ser avô(ó) Frequência das unidades de análise
Absoluta Percentual
Percepção favorável sobre o que é ser avô(ó) 30 88,2
Percepção desfavorável sobre o que é ser avô(ó) 2 5,9
Percepção neutra sobre o que é ser avô(ó) 2 5,9
Total 34 100,0

Os resultados qualitativos são apresentados no quadro 2.

DISCUSSÃO

Eventos marcantes na trajetória profissional dos atores idosos

Muitos dos atores idosos iniciaram suas carreiras no teatro, na dança ou no rádio ainda durante a adolescência e a juventude. Emerson & Souza14 relacionaram o início de trabalho na infância e na adolescência na população em geral a ganhos menores na fase adulta, principalmente no que diz respeito ao impacto da escolaridade, considerando que a escolha de trabalhar desde jovem é espontânea, mesmo que por necessidade familiar. Na presente pesquisa, muitos dos atores não seguiram seus estudos até a graduação, devido à dedicação ao ofício do ator ainda na adolescência por necessidade econômica familiar. Outro fator que pode ter sido decisivo para o início precoce na carreira dos atores foi o histórico familiar de profissionais atores e a influência da família na escolha profissional, conforme demonstraram outros estudos.15-17

A mudança da área de atuação de alguns dos atores entrevistados deveu-se principalmente a dois acontecimentos: o golpe militar de 1964 e a ocorrência de incêndios em importantes emissoras de televisão de São Paulo-SP. Com a instituição do Ato Institucional 5 (AI-5), a censura aumentou muito e dificultou a montagem das peças teatrais de cunho crítico, assim como o estilo agressivo, provocador do novo estilo teatral, de modo que quem fosse contra o Regime, mesmo por meio da arte, deveria ser perseguido e eliminado.18 Assim sendo, vários atores migraram para outros ofícios de artes, como a dublagem ou optaram pela formação em outras áreas do conhecimento. Em 1969, em um período de quatro dias, três das seis emissoras de televisão de São Paulo-SP foram vítimas de incêndios que destruíram quase todos os estúdios e arquivos. Esse fato, unido a um incêndio posterior na TV Cultura e a falência das emissoras Tupi e Excelsior, fez com que o movimento televisivo migrasse de São Paulo-SP para o Rio de Janeiro-RJ.19 Desse modo, vários atores que não puderam ou não quiseram mudar de cidade ou se manter entre essas capitais, optaram por continuar em São Paulo e dar outro rumo às suas carreiras.

A autopercepção do envelhecimento e da velhice dos atores idosos diante do exercício da profissão e a sua influência nesse processo

Sobre a percepção do envelhecimento e da velhice, a pesquisa de Kole20 indicou que nenhum estudo tratou especificamente sobre como a participação em uma performance teatral pode afetar, positiva ou negativamente, a percepção dos atores idosos.

No que se refere à autopercepção de envelhecimento, Neri21 identificou que a relação entre a idade cronológica e o envelhecimento é apenas um elemento indicador nesse processo. A percepção da velhice normalmente acontece de "fora para dentro" e não é reconhecida de imediato pela própria pessoa, mas parte do outro ou de uma situação do cotidiano,22 como observado no relato de Lara (atriz de voz):

"Eu não tenho muito essa percepção, como eu tô fora ... quando eu trabalhava na televisão ficava mais fácil, porque você vai se vendo, né?".

Estudo de Puffal et al.,23 que avaliou o efeito da arte na forma de arteterapia para idosos, confirmou que a expressão artística pode levar os indivíduos a se perceberem com mais propriedade no "aqui e agora" e que a arte contribui para o processo de reconstrução da vida. A título de ilustração, sinaliza-se a fala de Marina:

"Há lados positivos no meu entender e, principalmente, trabalhando com arte, você não percebe muito que o envelhecimento externo chegou ao fundo... e não chegou! Primeiro, eu tenho saúde e segundo, eu tenho a principal coisa da vida que é o sonho, a vontade de fazer alguma coisa, a necessidade de acordar animada porque tem alguém me esperando para uma gravação".

Por sua vez, o ator Bernardo revelou acerca de seu envelhecimento:

"Eu me mantenho ativo, eu trabalho, faço meus filmes, gravo minhas coisinhas aqui em casa, participo de comerciais, testes, continuo fazendo muita coisa... Até mais do que quando eu tinha 20 anos

[risos]!".

Segundo Debert,24 existe uma tendência contemporânea de rever os estereótipos associados à velhice. A ideia de perdas e degenerescência dá lugar à ideia de que a velhice pode ser uma etapa de prazer, conquistas e realizações de sonhos que haviam sido postos de lado em outros momentos da vida.

Todos os atores entrevistados afirmaram não se sentir velhos. Pesquisa realizada por Santos,25 que estudou as representações sociais de velhice e a identidade do sujeito idoso, mostrou que os idosos consideraram que chegar à velhice é triunfo, que as mudanças corporais podem ser vividas sem revolta na medida em que são frutos de sua história. Porém, não se caracterizaram como velhos, o velho é o outro, aquele mais velho que caracteriza a velhice num grupo específico, distinto daquele de que faz parte.

No estudo de Magnabosco-Martins et al.26 sobre o idoso e a velhice, os participantes idosos não se consideravam vivendo essa fase, uma vez que realizavam muitas atividades e se declaravam felizes. Consideraram que ser velho ou estar na velhice dependia da cabeça de cada um e do comportamento de cada pessoa, pois, aquele que tinha um espírito jovem, que fosse ativo, se relacionasse bem com a família e tivesse uma religião diante das dificuldades não estava nessa indesejável fase da vida.

É comum nos discursos dos velhos, expressões como: "velhice não existe", ou "é um estado de espírito".27 Araújo et al.28 indicaram que os componentes ideológicos intrínsecos à comunicação intra e intergrupos na sociedade contemporânea sobre a velhice expressos de forma negativa refletem-se desejabilidade social dos idosos de demonstrarem que são independentes, ativos e autônomos como justificativa para negação do seu próprio envelhecimento.

Lopes & Park29 afirmaram que, entender como a velhice, o velho e o envelhecimento são percebidos e representados dá oportunidade à compreensão de comportamentos e sentimentos para com estes, seja por parte da sociedade ou dos próprios velhos. Apesar de a maioria dos entrevistados ter demonstrado uma autopercepção de envelhecimento desfavorável em seus discursos, observou-se como a influência da profissão repercutiu de uma forma positiva em suas vidas. Como expressou Marina sobre o envelhecer na profissão de ator:

"É uma sorte que nem todos têm, porque envelhecer dizem que é muito ruim, é claro que há pontos negativos (...), mas há lados positivos no meu entender".

Para um envelhecimento bem-sucedido torna-se vital reforçar atitudes positivas, ser capaz de se adaptar a circunstâncias sociais caracterizadas por mudanças, aprender continuamente, ter a capacidade de adquirir novas habilidades incorporando novos conceitos e tecnologias e ter acesso à informação para tomar decisões.30 Com a fala dos entrevistados identificou-se que a profissão e a atuação ao longo da vida e na velhice tiveram uma importância ímpar para eles. Os atores mencionaram que o trabalho é fundamental para que as pessoas se desenvolvam pessoalmente e sejam reconhecidas socialmente.

Na sociedade atual, veem-se muitos idosos retornando ao trabalho após a aposentadoria por serem os provedores principais e mantenedores de suas famílias.31 O fato de estarem trabalhando pode ser apontado como um potente e independente fator de sobrevida.32 Os entrevistados se mostraram satisfeitos e engajados em seus trabalhos, declarando a vontade de trabalhar até quando puderem.

"O ator é um privilegiado, porque ele pode começar como eu, criança, e terminar quando o homem lá em cima puxar a ficha. Então, não tem prazo!". (Lara)

Destarte, o ator tem a função de representar personagens e viver outras vidas nos seus trabalhos. A representação do idoso em cena tem a função de tornar familiar para os idosos que representam algo que não lhes é familiar (o envelhecimento), constituindo suas práticas e saberes sobre o mundo.33 Com a expansão mundial do teatro com atores idosos, mais performances e textos apropriados fazem-se necessários, assim como a exploração de temas que promovam desafios interessantes para pessoas dessa faixa etária.20

A imagem da pessoa idosa e da juventude no meio artístico na perspectiva dos atores idosos

A mídia é um dos canais que influenciam as crenças, os valores e as representações sobre a velhice, contribuindo para manter os estereótipos acerca do velho e da velhice. Observou-se na fala dos entrevistados que, a imagem da pessoa idosa é favorável no meio artístico, tidos frequentemente como referência para os iniciantes na profissão e como os verdadeiros protagonistas e peças-chave para uma boa trama, conforme citou Marina:

"você percebe que, não por serem idosos, mas por serem experientes, se mantêm firmes, porque eles são, se não as luzes, são a base. Então você observa que sempre os personagens mais velhos... os atores mais velhos é que fazem a base das histórias. É nesses atores, é que a novela se impõe, o resto são enfeites que vão acontecendo. É claro os jovens são mais bonitos, são mais falantes, são mais próprios pra enfeitar, mas são os adultos e os velhos é que dão esta firmeza ao texto".

Notou-se que a entrevistada supervalorizou o ator idoso, passando uma imagem negativa da juventude, também reforçada na fala de Miguel:

"um ator jovem, fazendo um personagem tão difícil, que é o Ricardo III, e ele faz de uma forma magistral, quer dizer, então às vezes tem ator jovem que consegue te encantar!".

De certo modo, alguns dos atores idosos supervalorizaram seus trabalhos e de seus colegas, alegando experiência e vivência artística, sobressaindo-se aos atores jovens e em início de carreira.

Na publicidade, quando se constata a presença de idosos, existe uma tendência para o uso da imagem exagerada, evidenciando apenas estereótipos, tais como: "doente, infeliz, improdutivo, necessitado de ajuda, sofrendo de isolamento e de solidão".34 Alguns atores idosos apresentam certas limitações, advindas do envelhecimento, como a questão cognitiva e física:

"Às vezes o ator mais idoso tem certas dificuldades de decorar, de movimento. Tinha uma atriz, eu trabalhei com ela, e uma vez ela falou assim 'O próximo contrato que eu fizer de teatro, eu vou exigir que o meu personagem tenha apenas duas trocas de roupa e que suba apenas dois degraus". (Miguel)

Debert24 afirmou que a nova imagem do idoso não oferece instrumentos capazes de enfrentar a decadência de habilidades cognitivas e controles físicos e emocionais que são fundamentais, na nossa sociedade, para que um indivíduo seja reconhecido como um ser autônomo, capaz de um exercício pleno dos direitos de cidadania. Oliveira & Rabot,35 por sua vez, referiam algumas vantagens de utilizar a imagem do idoso na publicidade: mostra o interesse da marca publicitária em causas sociais; valoriza a imagem e a função social do idoso na sociedade; aumenta a autoestima do idoso, bem como a vontade de estar de bem com a vida; transmite confiança ao consumidor e credibilidade ao produto. Em seu discurso, Lara mostrou-se satisfeita com a profissão e com a visão do idoso no meio artístico:

"Nós somos privilegiados, a nossa profissão não tem... não é proibido maiores (risos), né?".

O significado de ser avô(ó) na família e na atuação profissional

A família, como um sistema, enfrenta desafios importantes diante das demandas advindas da velhice. Cada família vivencia essa fase do ciclo de vida influenciada por vínculos e padrões familiares anteriores. A maneira pela qual a família e seus membros lidam com esse período relaciona-se ao tipo de sistema que criaram ao longo dos anos e da capacidade e formas de ajustar-se às novas exigências e às perdas decorrentes desse processo.36 Em relação ao significado do que é ser avô(ó) na família verificou-se que, para os entrevistados, é algo favorável, especialmente, devido ao aprendizado que tiveram na criação dos filhos. Como exemplo, cita-se Bernardo:

"É um prazer! Teus netos, você trata melhor que os teus filhos. Você já tem um conhecimento maior, e você dá a eles em troca de um sorriso. Tenho paixão pelos meus netos".

Esses significados confirmam a literatura ao mostrar que ser avô(ó) pode contribuir para a resolução dos conflitos familiares e psicossociais, formar novos vínculos afetivos, sendo uma chance de atuar melhor do que quando foram pais; uma oportunidade de reavaliar a vida e rever os erros do passado, além de exercerem uma influência positiva para os netos.37,38

No geral, as unidades de análise mostraram que, para os atores idosos, não é positivo nem negativo interpretar papéis de avós no exercício profissional. Para a maioria, eles têm garantia nas tramas, uma vez que existem personagens e papéis que só eles podem representar, como os avós, apoiado na fala de Henrique:

"No nosso caso, nós somos necessários, independente de ser bem ou mal aceitos."

Conforme apontou Bianca:

"Ah, é delicioso! Porque tem muito afeto... tem aquela frase: Os netos são um doce sem a responsabilidade de ser pai, sabe? É isso aí, ser avó é ótimo na vida real e na ficção!"

Vassileva-Karagyozova39 analisou como os avós foram retratados numa seleção de novelas polonesas cujos narradores lembravam sua infância e adolescência no final da Polônia comunista. Na ficção, os avós foram representados como cuidadores que ofereciam conforto emocional e psicológico; transmissores da fé católica e de valores religiosos; guardiões da moralidade tradicional; repositórios de conhecimento sobre história nacional e familiar e; amortecedores de estresse nos confrontos morais entre pais e filhos.

Os personagens avós em novelas infantis tendem a ser representados como sendo indivíduos fortes, em vez de serem personagens secundários e ineficazes. A força dos avós é amiúde construída sobre a fraqueza dos outros (ex.: os próprios filhos). De certa forma, isso fortalece estereótipos e não reflete a velhice como sendo heterogênea.40 Ocorre que não há apenas uma forma de vivenciar a velhice; há várias velhices e maneiras de envelhecer; essa é uma fase da vida tão diversificada quanto as outras.9

Como limitações deste estudo, menciona-se o fato de ter sido uma amostra por conveniência e, portanto, não se pode generalizar os dados e resultados obtidos para toda a classe de atores idosos. Também, a maioria dos atores idosos contatados ainda estava trabalhando e com agendas sobrecarregadas, dificultando o acesso às entrevistas. Vale ainda salientar a escassez de estudos sobre esse tema no prisma gerontológico, dificultando a discussão deste estudo.

CONCLUSÃO

Neste trabalho, foram identificados figurativos referentes à percepção da velhice, do envelhecimento e do significado de ser idoso na família e na atuação profissional. Os atores idosos expressaram aspectos positivos, negativos e neutros acerca dessa temática sinalizando a complexidade do assunto no âmbito do senso comum. Constatou-se que a profissão de ator influenciou as reflexões acerca dos diversos aspectos do envelhecimento. Deste modo, a arte e as habilidades acerca do ofício do ator, que envolvem cognição, habilidades físicas e motoras, favoreceram aos atores idosos a tendência de negar a própria velhice e de ter uma visão desfavorável sobre o envelhecimento.

Observa-se que, a mídia, os tratamentos "anti-aging" e o culto pela beleza e juventude no meio social preconizam, na maioria das vezes, uma visão estereotipada dessa etapa da vida. Em contrapartida, no meio artístico, os entrevistados apresentaram uma imagem favorável do idoso e da juventude, destacando a importância dos papéis de idosos nas tramas novelísticas e teatrais. A maioria revelou uma percepção favorável sobre o significado de ser avô(ó) na vida familiar e uma postura neutra em relação à interpretação desse papel no campo profissional.

Para futuras pesquisas, sugere-se investigar as relações familiares de atores idosos, os estereótipos e preconceitos vivenciados e observados nos campos sociofamilar e profissional.

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Recebido: 15 de Dezembro de 2014; Revisado: 14 de Novembro de 2015; Aceito: 10 de Dezembro de 2015

Correspondência / Correspondence Ana Cláudia Becker E-mail: becker.anac@gmail.com

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