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Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia

On-line version ISSN 1981-2256

Rev. bras. geriatr. gerontol. vol.20 no.4 Rio de Janeiro July/Aug. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1981-22562017020.160181 

Artigos de revisão

Efeito do treinamento resistido tradicional sobre a pressão arterial em idosos normotensos: revisão sistemática de ensaios clínicos aleatórios e metanálises

Durcelina Schiavoni1  3 

Ligia Maxwell Pereira2 

Hugo Maxwell Pereira2 

Edilson Serpeloni Cyrino3 

Jefferson Rosa Cardoso2 

1Universidade Paranaense, Departamento de Ciências Biológicas Médicas e da Saúde, Francisco Beltrão. Cidade, PR, Brasil.

2Universidade Estadual de Londrina, Laboratório de Biomecânica e Epidemiologia Clínica, Grupo de Pesquisa e Intervenção em Fisioterapia (PAIFIT). Londrina, PR, Brasil.

3Grupo de Estudo e Pesquisa em Metabolismo, Nutrição e Exercício (GEPEMENE). Universidade Estadual de Londrina, Centro de Educação Física e Esporte. Londrina, PR, Brasil.


Resumo

O objetivo deste estudo foi analisar a efetividade da prática regular do treinamento resistido (TR) tradicional sobre a pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD) em idosos normotensos. Uma revisão sistemática de Ensaios Clínicos Aleatórios (ECAs) com metanálises foi adotada. A busca dos estudos foi realizada sem restrição por idioma em diferentes bases de dados. ECA sobre os efeitos do TR tradicional sobre o controle da PAS e PAD de repouso ou no tratamento e/ou manutenção da pressão arterial elevada publicados de 1966 a 2016 foram selecionados. Somente estudos com idosos que realizaram o sistema de TR tradicional, independente do número de exercícios, com a presença de grupo controle e com comparações entre grupos foram incluídos. Dos 29 estudos encontrados na literatura somente seis atenderam os critérios estabelecidos. Para a metanálise empregou-se a diferença da média, com intervalo de confiança de 95% e modelo de efeito aleatório. A prática do TR tradicional acarretou redução significante na PAS (-6,63 mmHg; p=0,02) mas não na PAD (-3,34 mmHg; p=0,11). Os resultados sugerem que o TR tradicional pode ser uma estratégia não farmacológica bastante interessante para o controle da pressão arterial em idosos.

Palavras-chave: Treinamento de Resistência; Pressão Arterial; Idoso

Abstract

The objective of the present study was to determine the effectiveness of the regular practice of traditional resistance training (RT) on systolic (SBP) and diastolic blood pressure (DBP) in normotensive elderly persons. A systematic review of randomized clinical trials and meta-analyses was performed. Searches were performed without language restrictions in different databases. Randomized clinical trials published from 1966 to 2010 that assessed the effects of traditional RT on resting blood pressure (BP) and/or for the treatment of high BP were included. Only studies that assessed the effects of traditional RT on elderly adults, regardless of the number of exercises, with the presence of a control group and comparisons between groups, were included. Twenty-nine studies were found, but only six met the inclusion criteria. The mean difference was used for meta-analysis, using a 95% confidence interval and a random effect model. Traditional RT induced a significant decrease in SBP (-6.63 mmHg; p=0.02) but not in DBP (-3.34 mmHg; p=0.11). These results suggest that traditional RT may be a non-pharmacological strategy for the control of BP in the elderly.

Keywords: Resistance Training; Blood Pressure; Elderly

INTRODUÇÃO

A hipertensão arterial (HA) representa um importante fator de risco cardiovascular, visto que é a condição mais comum observada na atenção primária e que pode levar ao infarto do miocárdio, acidente vascular encefálico, insuficiência renal e, consequentemente, à morte, caso não seja detectada precocemente e tratada adequadamente1,2.

A idade é um dos principais fatores de risco não controláveis associados à elevação crônica da pressão arterial (PA), uma vez que o envelhecimento acarreta alterações estruturais e funcionais do sistema cardiovascular como, por exemplo, o enrijecimento das artérias, o declínio na efetividade dos mecanismos de controle da PA, entre outros3, contribuindo para o aumento da prevalência de HA, principalmente, a partir da quinta década de vida4.

Em idosos, a prática regular de exercícios físicos tem sido recomendada para atenuar ou reverter inúmeros efeitos deletérios associados ao envelhecimento sobre variáveis morfológicas, neuromusculares, metabólicas, fisiológicas e psicológicas5. Assim, o exercício físico pode exercer um importante papel para a prevenção ou tratamento da HA, por ser uma estratégia não-farmacológica que pode contribuir, adicionalmente, para a melhoria da capacidade funcional e, consequentemente, qualidade de vida de idosos.

Nesse sentido, embora a eficácia dos exercícios físicos com características predominantemente aeróbias seja comprovada para a melhoria da PA6-8, esse tipo de exercício físico é bastante limitado em relação aos ganhos de força e potência muscular, massa muscular e densidade mineral óssea, adaptações fundamentais para a estabilidade estática e dinâmica, equilíbrio, coordenação e marcha, sobretudo, em idosos. Por outro lado, os exercícios resistidos e, em particular, o treinamento resistido (TR) é reconhecidamente o modelo de exercício físico mais apropriado para induzir tais adaptações9,10, podendo refletir positivamente na redução do número de quedas e fraturas, prevenção contra o desenvolvimento de doenças crônico-degenerativas, melhoria da autonomia e independência funcional, fatores que contribuem sobremaneira para a melhoria da qualidade de vida da população idosa11.

Entretanto, a efetividade da adoção do TR para o controle da PA, ainda, é controversa, uma vez que as respostas produzidas parecem ser em grande parte, protocolo-dependentes12,13. Assim, a escolha dos exercícios e do sistema de treinamento e a manipulação adequada das variáveis que compõem os programas de TR, tais como a ordem de execução, o número de séries e repetições, a carga utilizada, a velocidade de execução, os intervalos de recuperação entre as séries e os exercícios e a frequência semanal são aspectos fundamentais para o alcance dos benefícios desejados14,15.

Portanto, apesar do Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM)16 recomendar a prática regular do TR para a prevenção e controle da HA e das evidências produzidas até o momento sobre o possível impacto positivo da adoção dessa conduta, confirmadas em importantes revisões sistemáticas com metanálises17-21, os resultados disponíveis na literatura sobre essa temática merecem ser analisados de forma mais consistente, considerando a diversidade dos sistemas de TR disponíveis na literatura (tradicional, piramidal, circuito, super-set, pré-exaustão, drop set, etc.) e as características dos protocolos de treinamento utilizados (volume vs. intensidade).

Vale destacar que os sistemas de TR permitem a manipulação do volume e da intensidade de treinamento de diferentes maneiras, fornecendo estímulos mecânicos e metabólicos de diferentes magnitudes. O sistema de TR tradicional é o mais frequentemente utilizado em estudos de médio e longo prazo que visam investigar modificações na manifestação da força. Tal sistema tem como princípio a utilização de cargas fixas em cada exercício, com o número de séries e repetições sendo definidos de acordo com os objetivos estabelecidos para o treinamento (força, resistência muscular, hipertrofia, potência, emagrecimento, entre outros)22.

Considerando a popularidade do sistema de TR tradicional e a sua eficácia para a melhoria, sobretudo, da força e massa muscular, variáveis fundamentais para um envelhecimento saudável, torna-se importante investigar a efetividade ou não desse sistema de treinamento para a melhoria da PA em idosos. Portanto, o objetivo deste estudo foi analisar o efeito da prática regular do TR tradicional para o controle ou redução da PA em indivíduos idosos normotensos.

MÉTODO

Uma revisão sistemática de ensaios clínicos aleatórios com metanálises foi realizada, de acordo com as recomendações do Grupo de Hipertensão da Colaboração Cochrane23 e do PRISMA Statement24. A estratégia de busca dos estudos foi elaborada pelos autores deste estudo, sem restrição por idioma. As bases de dados investigadas foram: CENTRAL (The Cochrane Central Register of Controlled Trials Database); MEDLINE (Medlars Online); EMBASE (Excerpta Medica Database); LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde); SCIELO (Scientific Eletronic Library Online), Web of Science, Scopus and DARE (Database of Abstracts of Reviews of Effects). Os descritores utilizados foram: weight training, resistance training, strength training, blood pressure, hypertension, resistive exercise, randomized controlled trial, systematic review, elderly, older adults and meta-analysis. Buscas manuais também foram realizadas a partir de análise das referências bibliográficas de artigos previamente selecionados.

Ensaios clínicos aleatórios sobre os efeitos do TR tradicional no controle da PA de repouso ou no tratamento e/ou manutenção da PA elevada publicados de janeiro de 1966 a junho de 2016 foram selecionados para esta investigação. Os critérios de inclusão dos estudos para análises foram: (1) amostras compostas por idosos clinicamente saudáveis e sem relato de uso de medicação hipertensiva, sedentários ou moderadamente ativos; (2) presença de grupo controle; (3) dados comparativos entre os grupos informados; (4) mínimo de quatro semanas de intervenção; (5) adoção do sistema de TR tradicional, independentemente do número de exercícios. O período de busca dos estudos e coleta de dados pelos autores deste estudo foi de janeiro a julho de 2016.

Para avaliar a qualidade dos estudos incluídos nesta investigação, adotou-se a análise dos riscos de vieses. Para tanto, os critérios do Cochrane Back Review Group25 foram utilizados nas avaliações, de acordo com o desenho experimental utilizado. Vale destacar que a escala indicada para análise é composta por 12 perguntas que devem ser respondidas com sim, não ou não está claro (Quadro 1). Para ser considerado com baixo risco de viés o estudo precisa alcançar pontuação mínima na ordem de seis pontos25. O risco de viés para cada um dos estudos foi avaliado por dois autores independentes e cada um atribuiu uma pontuação, de acordo com o critério estabelecido. Quando houve discordância entre os dois, um terceiro revisor com experiência nesse tipo de análise foi convocado para se pronunciar sobre a decisão.

Quadro 1 Avaliação do risco de viés. Paraná, 2016. 

As análises foram agrupadas, de acordo com o tempo de duração do treinamento (até 12 semanas e acima de 12 semanas). Para variáveis contínuas, empregou-se a diferença da média (DM), com intervalo de confiança de 95% e modelo de efeito aleatório. Para examinar o efeito de sensibilidade de cada estudo sobre os resultados globais, as análises também foram realizadas removendo os estudos um a um do modelo. Para avaliar a percentagem de concordância dos resultados dos riscos de vieses dos estudos analisados entre dois avaliadores foi utilizado o coeficiente Kappa.

RESULTADOS

Inicialmente, foram encontrados e consultados 562 artigos na forma de resumos. Deste total, 533 estudos foram excluídos, uma vez que não estavam relacionados ao assunto (outros tipos de treinamentos ou população) ou não eram ensaios clínicos aleatórios. Dos 29 estudos completos que restaram, 23 foram excluídos por apresentarem informações inadequadas ou inexistentes sobre aleatorização ou por apresentarem desfechos que não atendiam os objetivos específicos deste estudo (Figura 1). Assim, seis estudos foram incluídos nesta revisão26-31.

Figura 1 Algoritmo da seleção dos estudos. Paraná, 2016 

As principais informações dos estudos incluídos para análise dos efeitos do TR tradicional sobre a PA em idosos são apresentadas no quadro 2. O número total de participantes investigados foi de 187 idosos. O tamanho da amostra em cada estudo variou de 17 a 40 participantes. Em três estudos os participantes eram de ambos os sexos26,27,29, enquanto os demais utilizaram apenas indivíduos do sexo feminino28,30,31. O tempo de duração da intervenção variou de oito a 24 semanas, com frequência de três sessões semanais. Todos os estudos utilizaram o método auscultatório para avaliação da PA de repouso.

Ex = Exercícios; GC = Grupo Controle; GTR = Grupo Treinamento Resistido; N = Número de participantes; Rep = repetições; Rp = repouso; Sem. = semanas; int = intensidade.

Quadro 2 Características dos estudos selecionados para avaliação do impacto do treinamento resistido tradicional sobre a pressão arterial em idosos. Paraná, 2016. 

Na avaliação dos riscos de vieses a partir da tabela de pontuação de Furlan et al.25 (Quadro 1), apenas os estudos de Cononie et al.26 e Wood et al.28 foram considerados com alto risco de viés, visto que atingiram somente cinco pontos nos critérios da avaliação. Um estudo atingiu a pontuação mínima exigida (seis pontos para baixo risco de viés)27, ao passo que os demais estudos alcançaram sete pontos. Todavia, somente o estudo de Vicent et al.29 atendeu as regras da Colaboração Cochrane para a aleatorização dos participantes. Nenhum estudo ocultou a alocação dos sujeitos incluídos e/ou mascarou os avaliadores. A concordância entre os revisores sobre a avaliação do risco de viés de estudos foi considerada alta (Kappa =0,81).

A análise dos desfechos PAS e PAD dos seis estudos selecionados é apresentada nas Tabelas 1 e 2, respectivamente. Quatro estudos apresentaram tempo de treinamento de até 12 semanas27,28,30,31 e dois estudos apresentaram tempo de treinamento superior a 12 semanas26,29. Dois estudos foram separados de acordo com intensidade utilizada (baixa e alta intensidade)27,29, embora esta estratégia tenha gerado duplicidade no número total de participantes do Grupo Controle (n=94) nesses estudos (Tabelas 1 e 2). Considerando que os estudos foram separados em dois subgrupos pelo tempo de duração, a participação real total foi de 123 indivíduos no grupo treinamento e 64 no grupo controle.

Tabela 1 Resultado dos estudos que avaliaram a Pressão Arterial Sistólica em idosos, de ambos os sexos, submetidos a programas de treinamento resistido tradicional (até 12 semanas e acima de 12 semanas). Efeito aleatório. Paraná, 2016. 

DM
Estudo Treino Controle Peso Efeito Aleatório,
N Média N Média (%) IC (95%)
Treino Tradicional até 12 sem
Gerage (2013) 15 120 ± 7 14 126 ± 7 18,2 -6,00 (-11,10;-0,90)
Gurjão (2013) 10 117,4 ± 9,2 7 126 ± 13,3 11,5 -8,60 (-19,98; 2,78)
Tsutsumi Alta Int (1997) 14 103,7 ± 17,4 14 125,4 ± 14,1 11,1 -21,70 (-33,43; -9,97)
Tsutsumi Baixa Int (1997) 13 110,15 ± 15 14 125,4 ± 14,1 11,8 -15,25 (-26,23; -4,27)
Wood (2001) 11 124,1 ± 16,3 6 127,7 ± 16,56 7,7 -5,60 (-17,01; -4,72)
Subtotal 63 55 60,3 -10,87 (-17,01; -4,72)
Heterogeneidade = χ2=7,24; GL=4 (p=0,12); I2=45%
Teste de Efeito Global Z=3,47 (p=0,0005)
Treino tradicional acima de 12 sem
Cononie (1991) 14 122 ± 11 7 129 ± 7 15,3 -7,00 (-14,75; 0,75)
Vicent Alta Int (1997) 24 129,7 ± 9 16 129,3 ± 19 12,8 0,40 (-9,58; 10,38)
Vicent Baixa Int (1997) 22 138,9 ± 15 16 129,3 ± 19 11,6 9,60 (-1,62; 20,82)
Subtotal 60 39 39,7 0,32 (-9,10; 9,74)
Heterogeneydade = χ2=5,80; GL=2 (p=0,05); I2=66%
Teste de Efeito Global Z=0,07 (p=0,95)
Total 123 94 100 -6,63 (-12,29; -0,97)
Heterogeneidade = χ2=18,82; GL=7 (p=0,0009); I2 =63%
Teste de Efeito Global Z=2,30 (p=0,02)

Tabela 2 Resultado dos estudos que avaliaram a Pressão Arterial Diastólica em idosos, de ambos os sexos, submetidos a programas de treinamento resistido tradicional (até 12 semanas e acima de 12 semanas). Efeito aleatório. Paraná, 2016.  

DM
Estudo Treino Controle Peso Efeito Aleatório,
N Média N Média (%) IC (95%)
Treino Tradicional até 12 sem
Gerage (2013) 15 80 ± 6 14 82 ± 5 16,1 -2,00 (-6,01; 2,01)
Gurjão (2013) 10 75,2 ± 8,5 7 71,4 ± 6,6 12,1 3,80 (-3,39; 10,99)
Tsutsumi Alta Int (1997) 14 62,3 ± 9,9 14 76 ± 9,8 11,9 -13,70 (-21,00; -6,4)
Tsutsumi Baixa Int (1997) 14 75,5 ± 9,1 14 76 ± 9,81 12,1 -8,50 (-15,63; -1,37)
Wood (2001) 11 72,6 ± 10,6 6 80,3 ± 8,8 9,6 -7,70 (-17,12; 1,72)
Subtotal 63 55 61,8 -5,33 (-11,01; 0,34)
Heterogeneidade = χ2=14,35; GL=4 (p=0,006); I2=72%
Teste de Efeito Global Z=1,84 (p=0,07)
Treino tradicional acima de 12 sem
Cononie (1991) 14 75 ± 10 7 81 ± 5 13,0 -6,00 (-12,42; 0,42)
Vicent Alta Int (1997) 24 81,1 ± 10,1 16 79,5 ± 12 12,1 1,60 (-5,53; 8,73)
Vicent Baixa Int (1997) 22 83,4 ± 6 16 79,5 ± 12 13,1 3,90 (-2,49; 10,29)
Subtotal 60 39 38,2 -0,21 (-6,26; 5,83)
Heterogeneydade = χ2=5,80; GL=2 (p=0,05); I2=66%
Teste de Efeito Global Z=0,07 (p=0,95)
Total 123 94 100 -3,34 (-7,49; 0,80)
Heterogeneidade = χ2=22,62; GL=7 (p=0,002); I2=68%
Teste de Efeito Global Z=1,58 (p=0,11)

Uma redução estatisticamente significante (p=0,02) na PAS na ordem de -6,63 mmHg (IC 95% = -12,29; -0,97) foi associada a prática do TR (Tabela 1), com as maiores reduções sendo identificadas nos estudos que empregaram um tempo de até 12 semanas de intervenção (-10,87 mmHg; IC: -17,01; -4,72). Para a PAD, a metanálise apresentou uma redução de -3,34 mmHg (IC 95% = -7,49; 0,80) (p=0,11) (Tabela 2).

DISCUSSÃO

O principal achado do presente estudo é que o sistema de TR tradicional pode reduzir de forma significativa a PAS em idosos até mesmo em períodos relativamente curtos de intervenção (< 12 semanas). Este é o primeiro estudo que promoveu uma análise do impacto do TR sobre o comportamento da PA na população idosa, com base em um sistema de TR específico. As informações produzidas são relevantes, uma vez que a efetividade do sistema de TR tradicional ainda não havia sido analisada criteriosamente pela literatura com relação às possíveis adaptações hemodinâmicas produzidas ao longo do tempo, apesar de se tratar de um dos sistemas mais utilizados por praticantes de exercícios resistidos em diferentes faixas etárias, com eficácia comprovada para a melhoria de diversos componentes da aptidão física.

Vale ressaltar que o sistema de TR tradicional é considerado um dos mais conhecidos internacionalmente, sendo muito utilizado por iniciantes, idosos ou por aqueles que estão retornando à prática após período de destreino22. Adicionalmente, o sistema de TR tradicional permite treinar o corpo inteiro em uma única sessão de treinamento, no qual os exercícios são realizados em sequência, em séries simples ou múltiplas, com cargas fixas. Além disso, a ordem de execução dos exercícios pode ser estruturada por meio de uma montagem alternada por segmento ou localizada por articulação, de acordo com tempo disponível para o treinamento ou o nível de condicionamento físico do praticante.

A prática regular de TR tem sido amplamente recomendada, principalmente, para a população idosa, uma vez que é de fácil aplicação; permite a estruturação individual dos programas de exercícios, de acordo com as necessidades e objetivos de cada praticante5; pode ser executado com segurança, em virtude da ausência de movimentos rápidos e desacelerações, apresentando baixo risco para o desenvolvimento de lesões32. O TR tem sido adotado, também, para a prevenção ou controle de doenças cardiovasculares, como a HA33. Neste sentido, as reduções na PA em idosos identificadas neste estudo, quando analisadas em números totais, são maiores do que as encontradas em estudos que descreveram os mesmos desfechos em indivíduos adultos normotensos34-37 e hipertensos38.

Alguns ensaios clínicos aleatórios mais recentes que investigaram o efeito do exercício resistido sobre a PA em idosos adotaram o modelo de treinamento isométrico, por meio de dinamometria de preensão manual (handgrip), identificando desde nenhuma alteração39 até reduções entre -5mmHg40 e -19mmHg41. Apesar de alguns pesquisadores19,21,42 defenderem esse modelo de exercício para a redução da PA, em diferentes populações, tal modelo apresenta aplicação restrita e bastante limitada43, visto que de forma diferente do TR, não agrega adaptações adicionais nos diferentes segmentos corporais como ganhos de massa muscular, aumento de força, resistência e potência muscular, aumento da densidade e conteúdo mineral ósseo, entre outros benefícios considerados fundamentais para a saúde do idoso.

Com relação ao tempo de duração dos protocolos de TR, os resultados das metanálises identificaram maiores reduções na PA em protocolos de até 12 semanas. Acredita-se que as diferenças na magnitude das respostas hipotensoras crônicas ao TR acarretadas pelo tempo, podem estar relacionadas tanto as adaptações ao treinamento influenciadas pelo estado individual, bem como à manipulação das variáveis que compõem os programas de TR e que garantem o volume e a intensidade necessária para induzir respostas adaptativas.

Quatro dos estudos analisados realizaram a intervenção por 12 semanas27,28,30,31 e apenas em dois estudos a intervenção foi superior a esse período26,28, com destaque para os estudos de Tsutsumi et al.27 e Vicent et al.29 que apesar de delinearem igualmente grupos de baixa e alta intensidade, encontraram resultados contraditórios. Portanto, parece que somente a manipulação das características do treinamento dos estudos dessa metanálise não foi suficiente para explicar as maiores reduções encontradas nos estudos que utilizaram menor tempo de treinamento. Uma possível explicação poderia ser o padrão de treinamento encontrado em indivíduos não treinados, onde maiores adaptações, tanto neuromotoras, quanto cardiovasculares, ocorrem nas primeiras semanas de intervenção14.

Quanto aos possíveis mecanismos envolvidos na alteração da PA diante do TR, ensaios clínicos aleatórios em diferentes populações atribuíram a redução da PA a mecanismos, tais como: redução do débito cardíaco e da resistência vascular periférica36, alterações na atividade nervosa simpática e em substâncias vasodilatadoras33,36, sensibilização de mecanismos barorreceptores e parassimpáticos44,45. Todavia, na população idosa as alterações na PA podem agregar todos ou boa parte desses fatores21. Em nossa revisão, o estudo de Tsutsumi et al.27 revelou redução da PAS e PAD enquanto o conduzido por Gerage et al.30 encontrou redução somente na PAS. Entretanto, os autores não atribuíram seus achados a algum mecanismo de controle da PA, limitando-se apenas a inferir que o TR está associado a benefícios fisiológicos com a redução da PA. É importante salientar que a maioria dos estudos revisados não avaliou possíveis mecanismos de controle da PA.

Cononie et al.26 reportaram redução não significativa nos valores de PA com o TR ao investigar possíveis mecanismos de controle da PA. Entretanto, não foram encontradas alterações nos valores de norepinefrina e epinefrina plasmática e mecanismos de angiotensina I e II nos grupos controle e treinamento, o que pode sugerir uma possível adaptação ou falha dos mecanismos de controle da PA na população idosa com ou sem a realização de exercícios.

Um aspecto que merece ser destacado na presente revisão é que todos os estudos incluídos passaram por avaliações de qualidade. Entretanto, o número reduzido de investigações que atenderam aos critérios estabelecidos indica a necessidade de novas pesquisas, bem controladas, que venham confirmar ou refutar os resultados encontrados até o momento, na população idosa. Por outro lado, principais limitações deste estudo estão diretamente relacionadas às informações encontradas nos ensaios clínicos avaliados, principalmente o reduzido número de estudos e o tamanho das amostras. Outra limitação foi a impossibilidade de verificar o efeito do TR em idosos hipertensos, visto que a literatura apresenta somente três ensaios clínicos aleatórios para essa população26,38,39, contudo com tipos diferenciados de treinamento, o que dificulta as comparações entre os achados.

Com isso, fica evidente a necessidade de novos estudos para investigar a efetividade do TR na PA de repouso a partir de diferentes sistemas de treinamento, em idosos normotensos e hipertensos. Para tanto, sugere-se a condução de ensaios clínicos aleatórios segundo as orientações do CONSORT46. Esses estudos devem ter respostas livres de vieses e contribuir para a tomada de decisão na prática profissional.

Apesar das limitações descritas quanto aos vieses encontrados nesta revisão, faz-se importante o conhecimento dos resultados apresentados, principalmente para a prática clínica e/ou profissional, uma vez que as reduções na PA destacadas na presente investigação indicam uma possível alternativa não farmacológica para o tratamento ou manutenção da PA elevada em idosos, já que a literatura tem demonstrado que a redução de 2 mmHg na PA pode reduzir em até de 6% risco de morte por AVE ou 4% por doenças coronarianas e, ainda, uma redução de 5 mmHg na PA pode representar uma redução de 14% no risco de morte por AVE ou 9% por doenças coronarianas47.

CONCLUSÕES

Este estudo demonstrou informações quanto à efetividade do TR no sistema tradicional, quando comparada com a não realização de exercícios físicos sistematizados, para redução de valores de PAS de repouso para indivíduos idosos normotensos.

Essas informações podem auxiliar profissionais na prática clínica sobre direcionamento de estratégia não farmacológica para a prevenção e controle da PA em indivíduos idosos.

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Recebido: 14 de Outubro de 2016; Revisado: 12 de Junho de 2017; Aceito: 22 de Junho de 2017

Correspondência/Correspondence Durcelina Schiavoni E-mail: dudaschiavoni@prof.unipar.br

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