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Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia

Print version ISSN 1809-9823On-line version ISSN 1981-2256

Rev. bras. geriatr. gerontol. vol.22 no.6 Rio de Janeiro  2019  Epub July 13, 2020

https://doi.org/10.1590/1981-22562019022.190253 

Artigos Originais

Multimorbidade por doenças crônicas não transmissíveis em idosos: estudo de base populacional

Bruna Cardoso Leite1 
http://orcid.org/0000-0002-0269-6721

Danielle Samara Tavares de Oliveira-Figueiredo1 
http://orcid.org/0000-0001-6513-6257

Fabiana Lucena Rocha2 
http://orcid.org/0000-0003-3183-6663

Matheus Figueiredo Nogueira1 
http://orcid.org/0000-0002-5787-7861

1 Universidade Federal de Campina Grande, Unidade Acadêmica de Enfermagem, Cuité, PB. Brasil.

2 Universidade Federal de Campina Grande, Unidade Acadêmica Escola Técnica de Saúde de Cajazeiras, Cajazeiras, PB, Brasil.


Resumo

Objetivo:

estimar a prevalência de multimorbidade por doenças crônicas não transmissíveis em idosos residentes no Nordeste brasileiro e analisar sua associação com fatores sociodemográficos, comportamentais e antropométricos.

Método:

estudo transversal, com 3.141 idosos, participantes da Pesquisa Nacional de Saúde, 2013. A variável dependente foi multimorbidade e as variáveis independentes foram indicadores sociodemográficos, comportamentais e antropométricos. Realizaram-se análises descritivas, bivariadas e modelos de regressão logística.

Resultados:

A prevalência de multimorbidade foi 23,7%, sendo o estado de Alagoas o que apresentou maior prevalência desse desfecho (27,2%). Associaram-se à ocorrência de multimorbidade: sexo feminino (OR=1,33; p=0,002), idade superior a 80 anos (OR=1,35; p=0,019) e excesso de peso (sobrepeso ou obesidade) (OR=1,37 p=0,001). Foram identificados como fatores de proteção a cor parda (OR=0,79; p=0,013) e o baixo peso (OR=0,71; p=0,017).

Conclusão:

A prevalência de multimorbidade em idosos que vivem em comunidade, na região Nordeste do Brasil, foi de quase um quarto da população do estudo, destacando-se o estado de Alagoas com maior prevalência. O sexo, a faixa etária, a cor de pele e o excesso de peso se associaram ao desfecho. O conhecimento desses fatores pode nortear o cuidado em saúde quanto à prevenção, controle e redução de complicações dessas doenças e agravos, além de sugerir o fortalecimento de estratégias e políticas de educação em saúde.

Palavras-chave: Envelhecimento; Doença Crônica; Multimorbidade

Abstract

Objective:

To estimate the prevalence of multimorbidity arising from chronic noncommunicable diseases among older residents of the northeast of Brazil and to analyze its association with sociodemographic, behavioral and anthropometric factors.

Method:

A cross-sectional study was carried out with 3,141 older participants of the National Health Survey (2013). The dependent variable was multimorbidity, and the independent variables were sociodemographic, behavioral and anthropometric indicators. Descriptive, bivariate analyzes and logistic regression models were applied.

Results:

The prevalence of multimorbidity was 23.7%, with the state of Alagoas having the highest prevalence (27.2%). The occurrence of multimorbidity was associated with the female sex (OR=1.33; p=0.002), age over 80 years (OR=1.35; p=0.019) and being overweight (OR =1.37 p= 0.001). The protective factors were brown skin color (OR=0.79; p=0.013) and low weight (OR =0.71; p=0.017).

Conclusion:

The prevalence of multimorbidity in community-dwelling older adults in the northeast of Brazil was almost one quarter of the study population, with the state of Alagoas having the highest prevalence. Sex, age, skin color and being overweight were associated with the outcome. Knowledge of these factors can guide health care in the prevention, control and reduction of complications of these diseases, and support the strengthening of health education strategies and policies.

Keywords: Aging; Chronic Disease; Multimorbidity

INTRODUÇÃO

Embora envelhecer não seja sinônimo de adoecimento, no grupo de idosos, ocorre um aumento da vulnerabilidade clínico-funcional e da predisposição à doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), as quais estão associadas à incapacidades, o que pode elevar os encargos econômicos sociais e ampliar os custos e a utilização de serviços de saúde¹,2.

As DCNT constituem a principal causa de morbimortalidade no mundo2. Dentre elas, se destacam quatro grupos: as doenças cardiovasculares, responsáveis por 29,7% da mortalidade no Brasil; as neoplasias, responsáveis por 16,8%; as doenças respiratórias crônicas, com 5,9% e o diabetes cuja prevalência de óbitos é de 5,1%3.

Cerca de 80% dos casos dessas patologias poderiam ser evitados com mudanças de fatores comportamentais. Assim, é fundamental o investimento em estratégias para a reversão do quadro alarmante de mortalidade e incapacidades por essas condições, sendo indispensáveis estudos acerca dos fatores associados à ocorrência desses desfechos4,5.

Frequentemente os idosos apresentam ocorrência simultânea de duas ou mais doenças, aspecto denominado “multimorbidade”, que constitui a principal causa de morte e incapacidade nessa população6. Por outro lado, a maioria dos estudos prévios com essa população, propuseram avaliar os fatores associados a cada doença crônica isoladamente7,8.

Além disso, há poucos estudos com amostras distribuídas em todos os estados do Nordeste brasileiro e, dentre as pesquisas existentes, a maioria apresentou pouca validação externa, pois se concentram em apenas um único estado ou município9,10. Em sua maioria, as pesquisas realizadas com idosos se concentram nas regiões Sul e Sudeste9,10, e sabe-se que as desigualdades sociais existentes entre as regiões do Brasil, podem resultar em diferenças entre desfechos desfavoráveis de saúde, inclusive na multimorbidade11.

Nessa perspectiva, tornam-se necessárias investigações que observem a ocorrência de multimorbidade por DCNT e seus fatores associados, em uma amostra de idosos distribuída em todos os estados do Nordeste brasileiro, a fim de subsidiar conhecimentos acerca de sua distribuição na região, bem como, os fatores modificáveis que poderão ser alvos de intervenção de profissionais, gestores de saúde e políticas públicas. Assim, o objetivo deste estudo foi estimar a prevalência de multimorbidade por DCNT em idosos residentes no Nordeste brasileiro e analisar sua associação com fatores sociodemográficos, comportamentais e antropométricos.

MÉTODO

Trata-se de um estudo transversal, que utilizou dados secundários da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada entre 2013 e 2014, cujos dados estão disponíveis para acesso público e gratuito no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE): http://www.ibge.gov.br. A PNS consiste em um inquérito epidemiológico de base domiciliar, cujo objetivo geral foi obter informações das condições de saúde e o estilo de vida da população brasileira12.

A população que participou do inquérito da PNS foi composta pelos moradores dos domicílios particulares permanentes de todo o território nacional, o qual, foi dividido em setores censitários. Foram excluídas as áreas como: aldeias indígenas, quarteis, bases militares, alojamentos, acampamentos, embarcações, penitenciárias, colônias penais, presídios, cadeias, asilos, orfanatos, conventos e hospitais13,14.

A amostragem por conglomerados ocorreu em três estágios: os setores censitários se constituíram nas Unidades Primárias de Análise (UPA); os domicílios compuseram as unidades secundárias (USA) e as unidades de terceiro estágio (UTA) foram compostas pelos moradores de 18 anos ou mais de idade12.

No primeiro estágio, os setores censitários que formaram as UPAs foram obtidos por meio de uma Amostra Mestra, que é utilizada para atender a diversas pesquisas que compõem o Sistema Integrado de Pesquisas Domiciliares do IBGE14. Foram selecionadas aleatoriamente 6.069 UPAs em todo o território nacional13.

No segundo estágio, foi selecionado por Amostragem Aleatória Simples um número fixo de domicílios em cada UPA. A seleção dos domicílios foi feita com base no Cadastro Nacional de Endereços para fins estatísticos na última versão disponível no ano de 2013, antes da conclusão dessa etapa do plano amostral, sendo ao todo visitados 64.348 domicílios em todo o Brasil13. Por fim, no terceiro estágio, somente o morador selecionado podia participar da entrevista individual, não sendo permitido que outro membro respondesse aos questionamentos14.

Foram realizadas 60.202 entrevistas individuais com o morador selecionado no domicílio, dessas 11.177 foram com idosos do Brasil. A amostra utilizada nesta investigação foi de 3.394 idosos residentes nos estados da região Nordeste, a saber: Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Sergipe, Bahia, Piauí, Maranhão, Ceará. Devido a presença de valores faltantes nas variáveis que compuseram o desfecho, a amostra final foi de 3.141. As entrevistas que não foram respondidas pelo próprio idoso, mas sim, pelo chefe do domicílio ou morador que respondeu ao segundo estágio de seleção, não foram incluídas.

A aplicação do questionário foi executada por agentes de coleta do IBGE, com auxílio de microcomputadores de mão14. Neste estudo, foram utilizados dados dos módulos de características gerais dos moradores (módulo C), Características de educação das pessoas com 5 anos ou mais de idade (módulo D), Estilo de vida (módulo P) e Doenças crônicas (módulo Q).

A variável desfecho foi a ‘multimorbidade’, definida como a simultaneidade de duas ou mais DCNT6,15, as quais, foram incluídas como diagnóstico autorreferido das seguintes afecções: diabetes, doenças do coração (infarto, angina e insuficiência cardíaca congestiva), hipertensão arterial sistêmica, acidente vascular cerebral, câncer, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal crônica e asma. A multimorbidade foi construída a partir da criação de uma variável soma dessas oito doenças crônicas e, após, categorizou-se de forma dicotômica em: 0-nenhuma ou até uma doença crônica e 1- duas ou mais doenças crônicas.

Como variáveis de exposição sociodemográficas foram utilizadas: sexo (0- masculino; 1- feminino); faixa etária: (0- 60 a 69; 1- 70 a 79; 2- 80 ou mais); o nível de escolaridade em anos de estudo (0 - 12 ou mais; 1- 9 a 11 anos e, 2- 0 a 8 de estudo); recebimento de aposentadoria (0-sim; 1-não); cor de pele autorreferida (0-branca; 1-parda; 2-preta; 3- outras [amarelos e indígenas]); situação conjugal: (0- com companheiro; 1-sem companheiro).

Quanto ao estilo de vida foram analisadas as seguintes variáveis: consumo regular de frutas, saladas e legumes cozidos (0- consome 5 ou mais vezes por semana; 1- consome menos de 5 vezes por semana); prática de atividade física na atualidade (0- sim; 1- não); tabagismo atual (0- não ; 1- sim); consumo de bebida alcoólica atual (0- não ; 1- sim)16.

A antropometria foi avaliada pelo IMC, o qual foi calculado como sendo o peso em Kg, dividido pela altura aferida em centímetros, ao quadrado17. Para o IMC, foram utilizados os pontos de corte estabelecidos por Lipschitz18, que leva em consideração as alterações fisiológicas decorrentes da senescência. Foi considerado eutrófico o idoso com IMC entre 22 e 27Kg/m2, foi considerado com baixo peso o idoso cujo IMC foi menor ou igual a 22Kg/m2 e com sobrepeso aqueles com IMC maior que 27 Kg/m218.

Para análise dos dados foi realizada uma etapa descritiva e exploratória das variáveis de exposição e desfecho. Foram empregadas as medidas de frequência simples e percentual com respectivos intervalos de 95% de confiança. Foram realizadas análises bivariadas. As associações das variáveis independentes com o desfecho foram verificadas por meio do teste qui-quadrado de Pearson, e a medida de associação por meio das razões de chances não ajustadas (OR). No teste qui-quadrado de Pearson, as variáveis que apresentaram um p-valor <0,20, foram selecionadas para análise múltipla.

A análise múltipla foi realizada por meio de regressão logística múltipla, para tanto, foi utilizado o critério forward, no qual todas as variáveis selecionadas na etapa bivariada foram inseridas uma a uma no modelo. Para a introdução das variáveis iniciou-se pelo desfecho e após as exposições de interesse. As variáveis que permaneceram significativas, com um p<0,05, conforme o teste de Wald, compuseram o modelo final (ajustado). A magnitude de associação foi medida por meio da razão de chances ajustadas por fatores de confusão.

Esta pesquisa utilizou dados secundários da PNS, os quais se encontram disponíveis em domínio público. Como foram mantidos o sigilo e o anonimato dos participantes, não foi possível identificá-los por meio da manipulação dos dados. Dessa forma, esta pesquisa atende aos requisitos da Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde. A PNS recebeu aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa, sob número de parecer 328.159.

RESULTADOS

A Tabela 1 mostra que houve predomínio de idosos do sexo feminino (60,7%), na faixa etária de 60 a 69 anos (54,7%), com cor de pele parda (55%), com escolaridade de 0 a 8 anos (80,5%) e aposentados (79,5%).

Tabela 1 Caracterização sociodemográfica dos idosos participantes (n=3.394). Estados da região Nordeste, Brasil, 2013. 

Características Sociodemográficas n (%) Intervalo de 95% de Confiança
Sexo
Masculino
Feminino
1.335 (39,3)
2.059 (60,7)
37,7 - 41,0
59,0 - 62,3
Faixa etária (anos)
60-69
70-79
80 ou mais
1.858 (54,7)
1.075 (31,7)
461 (13,6)
53,0 - 56,4
30,1 - 33,2
12,5 - 14,8
Aposentadoria
Sim
Não
2.699 (79,5)
695 (20,5)
78,1 - 80,8
19,1 - 21,9
Situação conjugal
Com companheiro
Sem companheiro
1.464 (43,2)
1.930 (56,8)
42,3 - 44,0
55,9 - 57,7
Cor de pele autorreferida
Branca
Parda
Preta
Outros
1.118 (32,9)
1.866 (55,0)
375 (11,0)
35 (1,1)
31,4 - 34,5
53,3 - 56,6
10,0 - 12,0
0,07- 0,14
Escolaridade (anos)
12 ou mais
9 a 11
0 a 8
297 (9,0)
366 (10,8)
2.731 (80,5)
8,0 - 10,0
10,0 - 11,9
79,1 - 81,8

Fonte: Pesquisa Nacional de Saúde, PNS, 2013.

A Figura 1 evidencia que a prevalência de multimorbidade em idosos na região Nordeste foi 23,7% e Alagoas foi o estado que apresentou maior proporção do desfecho (27,2%) e, em segundo lugar, os estados de Pernambuco e Rio Grande do Norte, ambos com prevalência de 25,8% (Figura 1).

Fonte: Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), 2013.

Figura 1 Prevalência de multimorbidade em idosos (n=3.141), Estados da região Nordeste, Brasil, 2013. 

De acordo com a Tabela 2 a maior prevalência de multimorbidade foi observada no sexo feminino (26,7%), nos idosos com 80 anos ou mais (28,0%), naqueles com baixa escolaridade (24,4%) e com sobrepeso (28,1%). Por outro lado, foi constatada maior prevalência do desfecho nos idosos que não consumiam tabaco (24,8%) e álcool (25,6%). Na análise bivariada, o sexo, a faixa etária, o recebimento de aposentadoria, a situação conjugal, a cor de pele autorreferida, o índice de massa corporal, o tabagismo e o etilismo foram associados à ocorrência de multimorbidade por doenças crônicas em idosos (Tabela 2).

Tabela 2 Associação dos fatores sociodemográficos, antropométricos e de estilo de vida com multimorbidade em idosos (n=3.141). Estados da região Nordeste, Brasil, 2013. 

Características Multimorbidade
Não Sim
n (%) n (%) p-valor
Sexo
Masculino 953 (81,2) 220 (18,8) <0,001
Feminino 1443 (73,3) 525 (26,7)
Faixa etária (anos)
60 a 69 1344 (78,4) 371 (21,6) 0,006
70 a 79 744 (74,5) 254 (25,4)
80 ou mais 308 (72,0) 120 (28,0)
Aposentadoria
Sim 1883 (75,4) 615 (24,6) 0,019
Não 513 (79,8) 130 (20,2)
Situação conjugal
Com companheiro 1056 (78,3) 292 (21,7) 0,019
Sem companheiro 1340 (74,7) 433 (25,3)
Cor de pele
Branca 780 (73,6) 280 (26,4) 0,006
Parda 1336 (78,7) 362 (21,3)
Preta 257 (73,6) 92 (26,4)
Outros 23 (67,6) 11 (32,3)
Escolaridade (anos)
12 ou mais 235 (79,4) 61 (20,6) 0,180
9 a 11 284 (78,7) 77 (21,3)
0 a 8 1877 (75,6) 607 (24,4)
IMC
Eutrófico 1024 (78,1) 287 (21,9) <0,001
Baixo peso 419 (83,1) 85 (16,9)
Sobrepeso 953 (71,9) 373 (28,1)
Tabagismo
Não 2058 (75,2) 679 (24,8) <0,001
Sim 338 (83,7) 66 (16,3)
Etilismo
Não 1907 (74,4) 657 (25,6) <0,001
Sim 489 (84,7) 88 (15,2)
Atividade física
Sim 492 (77,5) 143 (22,5) 0,427
Não 1904 (76,0) 602 (24,0)
Consumo regular (salada, frutas e legumes)
Regular 2112 (76,2) 660 (23,8) 0,743
Irregular 284 (77,0) 85 (23,0)

Fonte: Pesquisa Nacional de Saúde, PNS, 2013.

A Tabela 3 mostra que no modelo ajustado, os fatores associados à multimorbidade em idosos foram: o sexo, a faixa etária, a cor de pele, o IMC e o etilismo. As mulheres apresentaram chance 33% maior de apresentar multimorbidade quando comparadas aos homens (OR ajustada= 1,33; p=0,002), independentemente da faixa etária, da cor de pele, do IMC e de ser etilista.

Tabela 3 Razões de chance (OR) não ajustadas e ajustadas para ocorrência de multimorbidade de acordo com características sociodemográficas, antropometria e estilo de vida em idosos (n=3.141). Estados da região Nordeste, Brasil, 2013. 

Características Multimorbidade
Odds Ratio não ajustada (IC 95%)* p-valor Odds Ratio ajustada (IC 95%)** p- valor
Sexo
Masculino Ref.*** Ref
Feminino 1,57 (1,31-1,88) <0,001 1,33 (1,10-1,61) 0,002
Faixa etária
60 a 69 Ref. Ref.
70 a 79 1,23 (1,02- 1,48) 0,023 1,17 (0,97-1,42) 0,083
80 ou mais 1,41 (1,11- 1,79) 0,005 1,35 (1,05- 1,73) 0,019
Aposentadoria
Sim Ref. Ref.
Não 0,77 (0,62- 0,95) 0,019 - -
Estado civil
Com companheiro Ref. Ref.
Sem companheiro 1,22 (1,03- 1,44) 0,019 - -
Cor de pele
Branca Ref. Ref.
Parda 0,75 (0,63-0,90) 0,002 0,79 (0,66- 0,95) 0,013
Preta 0,99 (0,75- 1,31) 0,984 1,05 (0,80-1,40) 0,685
Outros 1,33 (0,64- 2,76) 0,442 1,31 (0,62-2,75) 0,469
Escolaridade (anos)
12 ou mais Ref. Ref.
9 a 11 1,04 (0,71- 1,52) 0,821 - -
0 a 8 1,24 (0,92-1,67) 0,146 - -
IMC
Eutrófico Ref. Ref.
Baixo Peso 0,72 (0,55- 0,94) 0,018 0,71 (0,54- 0,94) 0,017
Sobrepeso 1,39 (1,16- 1,66) <0,001 1,37 (1,15- 1,65) 0,001
Tabagismo
Não Ref. Ref.
Sim 0,59 (0,44- 0,78) <0,001 - -
Etilismo
Não Ref. Ref.
Sim 0,52 (0,40- 0,66) <0,001 0,60 (0,43- 0,78) <0,001

Fonte: Pesquisa Nacional de Saúde, PNS, 2013.

* Razões de chance de multimorbidade segundo a variável explicativa individualmente com respectivo Intervalo de 95% de Confiança; **Razões de chance de multimorbidade ajustadas por todas as variáveis explicativas, com respectivo Intervalo de 95% de Confiança; ***Categoria de referência para comparações.

Idosos mais longevos, com 80 anos ou mais, tiveram chance 35% maior de apresentar o desfecho (OR ajustada=1,35; p=0,019), quando comparados aos idosos mais jovens, com 60 a 69 anos (Tabela 3). Além disso, ser de cor parda foi fator de proteção para multimorbidade, quando comparado a ser de cor branca (OR ajustada= 0,79; p=0,013). O excesso de peso aumentou em 37% a chance de ter multimorbidade (OR ajustada=1,37; p=0,001). Por outro lado, o baixo peso (OR ajustada=0,71; p=0,017), e a ingestão de álcool na atualidade (OR=0,60; p<0,001), foram tidos como fatores de proteção para multimorbidade (Tabela 3).

DISCUSSÃO

Neste estudo, observou-se que a prevalência de duas ou mais doenças crônicas entre os idosos da região Nordeste foi de 23,7%. Em outras pesquisas nacionais, foi evidenciada uma variação de prevalências entre 30,7% a 98%. Essa variação na prevalência de multimorbidade pode ser devido a definição adotada para esse desfecho. Por exemplo, alguns estudos definiram a multimorbidade como sendo a ocorrência de três ou mais doenças. Além disso, há grandes variações nas amostras utilizadas e contextos investigados6,19,20.

O estado que apresentou maior prevalência de multimorbidade em idosos no Nordeste foi Alagoas (27,22%), fato que pode estar relacionado as questões socioeconômicas, visto que esse estado detém o pior Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil, a segunda menor renda domiciliar per capita. Ademais, 96,1% dos municípios classificam-se em condição de alta ou muito alta vulnerabilidade social21.

Também observou-se neste estudo, diferenças significativas na prevalência de multimorbidade de acordo com o sexo, faixa etária, aposentadoria, situação conjugal, cor de pele, IMC, tabagismo e etilismo, corroborando com estudos prévios22,23. Por outro lado, no modelo múltiplo, apenas o sexo, a faixa etária, a cor de pele, o IMC e o etilismo, permaneceram associados à multimorbidade.

As mulheres apresentaram maior chance de desenvolver multimorbidade, em relação aos homens. Esse achado também foi observado em estudos anteriores realizados com populações e regiões distintas22,23. Diversos fatores podem justificar esse fato. Primeiramente, o aspecto biológico, que se relaciona com a redução do estrogênio pós menopausa, período em que as mulheres se tornam mais vulneráveis às DCNT, como câncer de colón e de mama, acidente vascular cerebral, tromboembolismo e diabetes mellitus tipo II24. Em segundo lugar, importantes aspectos de gênero, a despeito da crescente ocupação das mulheres no mercado de trabalho, que quando associados aos serviços atribuídos ao lar, podem gerar uma rotina três vezes maior quando comparada aos homens. Essa realidade pode contribuir para uma maior carga dessas doenças no sexo feminino25. Adicionalmente, as mulheres acessam mais frequentemente os serviços de saúde. Dessa forma, pode haver maior notificação de casos das DCNT, enquanto que para homens pode haver subnotificação, pois acessam menos os serviços de saúde, por influência cultural e de gênero22,26.

Também foi evidenciada associação da faixa etária com ocorrência de multimorbidade. Os idosos longevos, apresentaram maiores chances de multimorbidade, quando comparados aos idosos com 60 a 69 anos. Estudos prévios, evidenciaram que idosos longevos podem sofrer mais impactos das alterações fisiológicas, morfológicas, bioquímicas e psicológicas que ocorrem com o envelhecimento, o que pode predispor de forma linear ao declínio funcional e a maior susceptibilidade a doenças6,13,27.

Neste estudo, foi identificado que ser de cor parda pode reduzir a chance de multimorbidade, quando comparado a ser de cor branca. Estudos prévios mostram que indivíduos brancos possuem maior prevalência de adiposidade abdominal e maior perímetro abdominal, principalmente aqueles do sexo masculino6,28. Além disso, investigações anteriores mostram que na população de cor de pele branca há maior consumo de produtos derivados do tabaco, associado ao menor consumo de frutas, verduras, legumes e menor dispêndio calórico em funções laborais, quando comparada aos indivíduos pardos e pretos6,28.

Outro resultado importante deste estudo foi que os idosos com sobrepeso, podem aumentar em 37% a chance de apresentar multimorbidade, quando comparados aos eutróficos. A obesidade e o sobrepeso são condições predisponentes para DCNT, como: diabetes mellitus tipo II, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e câncer4,5,29. Dentre os fatores relacionados a essas condições, encontra-se o estilo de vida5,29.

A alimentação irregular somada ao sedentarismo pode aumentar a concentração crônica de tecido adiposo visceral que junto as alterações moleculares associadas à obesidade são fatores que desencadeiam síndrome metabólica e comprometem a homeostase de diversos sistemas. Somado a isso, quando associadas ao envelhecimento podem predispor ao surgimento de incapacidades e reduzir a qualidade de vida4,5,29.

Neste estudo também foram encontrados alguns fatores de proteção para ocorrência do desfecho, como ter baixo peso e o consumo atual de álcool. O baixo peso pode estar relacionado a outras condições, dentre elas dependência funcional e incapacidade28. Por outro lado, o sobrepeso e a obesidade estão fortemente associados às DCNT, tais como: hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e cardiopatias11,22.

O consumo de álcool, investigado neste estudo, foi referente ao consumo no momento da pesquisa e não no passado. Também não se considerou a frequência e a quantidade ingerida pelo idoso, o que pode ter influenciado na associação encontrada. Contudo, estudos prévios, mostram que o consumo de álcool em doses baixas e em baixas frequências pode ser um fator de proteção para doenças cardiovasculares28,29. Em contraponto, a redução da chance de multimorbidade com o consumo de álcool evidenciada neste estudo, pode ser devido a um fenômeno que sofre influência do recorte temporal, uma vez que estudos transversais têm a limitação de obter informações referentes a um único momento. Sabe-se que o surgimento de doenças pode influenciar na redução ou cessação do consumo de bebida alcóolica. Por outro lado, o idoso pode ter consumido álcool e ter tido exposição previamente no passado22,30.

Reconhecidamente, o consumo de álcool em doses nocivas é fator de risco para multimorbidade7. Diante disso, a meta nacional existente é de redução dos 18% de prevalência para 12% até o ano de 20225. O consumo de álcool estabelece relação com acometimento por diversas DCNT, como neoplasias, doenças hepáticas, doença renal crônica, doenças cardiovasculares4,7.

Os resultados deste estudo possuem algumas limitações. Em primeiro lugar, utilizou-se uma métrica de multimorbidade autorreferida, o que pode subestimar ou superestimar as prevalências. Por outro lado, essa forma de aferição vem sendo usada pelos inquéritos nacionais e internacionais, permitindo comparações6,7. Outrossim, o estudo transversal impossibilita estabelecer relações do tipo causa-efeito.

CONCLUSÃO

A prevalência de multimorbidade em idosos que vivem em comunidade, na região Nordeste do Brasil, foi de quase um quarto da população participante deste estudo, e Alagoas foi o estado da região com maior proporção de idosos com duas ou mais doenças crônicas. Os fatores associados à ocorrência de multimorbidade foram: o sexo, a faixa etária e o excesso de peso.

O conhecimento desses fatores é necessário para fortalecer e ampliar as ações de promoção, prevenção e vigilância em saúde, bem como, as políticas públicas, de forma a proporcionar um olhar voltado aos grupos prioritários (mulheres, octogenários e pessoas com excesso de peso) e aos estados da região Nordeste com maiores prevalências de multimorbidade, a exemplo de Alagoas.

É necessário ampliar a atenção à saúde do idoso de maneira transversal de forma a atender as faixas etárias mais jovens, os quais serão os idosos das gerações futuras. Por fim, sugere-se que estudos subsequentes adotem metodologias longitudinais as quais reduzem a condição de causalidade reversa e, assim, possam ratificar e ampliar o escopo de conhecimento acerca de fatores de risco para multimorbidade em idosos.

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Não houve financiamento na execução deste trabalho.

Recebido: 30 de Outubro de 2019; Aceito: 15 de Maio de 2020

Correspondência/Correspondence Bruna Cardoso Leite brucardosoleite1301@gmail.com

Os autores declaram não haver conflito na concepção deste trabalho.

Editado por:

Ana Carolina Lima Cavaletti

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