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Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano

On-line version ISSN 1980-0037

Rev. bras. cineantropom. desempenho hum. vol.14 no.4 Florianópolis  2012

http://dx.doi.org/10.5007/1980-0037.2012v14n4p377 

ARTIGO ORIGINAL

 

Fatores individuais e ambientais associados ao uso de parques e praças por adultos de Curitiba-PR, Brasil

 

 

Rogério Cesar FerminoI, II, III; Rodrigo Siqueira ReisI, II, III; Ana Carina CassouIII

IPontifícia Universidade Católica do Paraná. Escola de Saúde e Biociências. Curso de Educação Física. Curitiba, PR. Brasil
IIPontifícia Universidade Católica do Paraná. Grupo de Pesquisa em Atividade Física e Qualidade de Vida. Curitiba, PR. Brasil
IIIUniversidade Federal do Paraná. Programa de Pós-Graduação em Educação Física. Curitiba, PR. Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O objetivo deste estudo foi identificar os fatores individuais e ambientais associados ao uso de parques e praças por adultos de Curitiba-PR. Estudo transversal realizado em 2008, no qual 749 participantes (59,9% homens) foram intencionalmente selecionados em áreas destinadas para a prática de atividade física (AF) em quatro parques e quatro praças. A regressão de Poisson foi utilizada para verificar a associação entre variáveis sociodemográficas (sexo, idade, escolaridade), de saúde (índice de massa corporal, percepção de saúde), companhia para uso do parque/praça, acesso (percepção de distância, acesso e deslocamento até o local) e prática de AF de lazer (caminhada e AF moderada/vigorosa - AFMV) com a frequência habitual aos locais (>1 vez/sem). O uso de parques e praças foi de 68% e fatores como a companhia (RP: 0,74; IC95%: 0,62-0,89) e maiores níveis de caminhada (RP: 1,30; IC95%: 1,03-1,64) e AFMV (RP: 1,39; IC95%: 1,07-1,80) apresentaram associação com o uso dos locais. Estes resultados devem guiar intervenções para disponibilizar serviços e estruturas para a prática de AF em parques e praças.

Palavras-chave: Estudos epidemiológicos; Áreas verdes; Atividade motora; Promoção da saúde.


 

 

INTRODUÇÃO

A prática regular de atividade física (AF) pode reduzir o risco de doenças crônicas não transmissíveis e aumentar a aptidão física e a qualidade de vida da população1,2. Por isso, existe uma crescente preocupação com a elaboração de estratégias para o estilo de vida ativo da comunidade3. As intervenções mais eficazes na promoção da AF são aquelas que atuam em vários níveis para modificar variáveis psicológicas, sociais, políticas e ambientais3,4, sendo as duas últimas as mais promissoras5. Características ambientais como a presença, acesso às áreas de lazer de qualidade no bairro, como parques e praças, podem facilitar a prática de AF3,6.

Neste sentido, os parques são considerados ambientes adequados e valorizados para a prática de lazer e AF7,8. Além disto, a sua utilização está associada ao melhor bem estar físico, psicológico e social além de maiores níveis de AF dos seus usuários6,8. No Brasil, a proximidade e a diversidade de espaços de lazer no bairro estão associadas com a prática de AF da população9-11. Assim, é importante investir e disponibilizar estruturas em parques para a promoção da AF em nível comunitário12.

Nos Estados Unidos, cerca de 50% da população utiliza os parques semanalmente e 1/3 se exercitam regularmente nos locais13,14. Fatores individuais (sexo e idade) e ambientais (proximidade da residência, estética e segurança) estão associados com a prática de AF em parques8,15. As poucas pesquisas sobre o uso de parques no Brasil são limitadas a locais intencionalmente selecionados em poucas cidades, o que dificulta a extrapolação dos resultados. Em geral os locais são frequentados por homens, adultos, fisicamente ativos e fatores como apoio dos amigos, localização, estética e a estrutura presente estimulam a prática de AF nos parques7,16-18.

Curitiba é internacionalmente reconhecida por adotar estratégias de planejamento urbano, priorizando a construção e o acesso a espaços de lazer como parques, praças, pistas de caminhada e ciclovias19,20. Entre as estruturas disponíveis, parques e praças são as mais utilizadas21. As praças diferem dos parques pela localização central, menor área total e maior número de áreas para a prática de AF22. Algumas características podem explicar a maior utilização dos locais por homens, além de diferenças no padrão de AF's realizadas nos locais22. Por exemplo, o maior uso por homens pode ser explicado pela disponibilidade de áreas para esportes estruturados (>51%), assim como a prática de caminhada nos parques pode ser explicada pela disponibilidade de pistas, quando comparados ambos os locais (parques: 13% vs. praças: 6%)22.

Embora não existam evidências sobre os fatores individuais e ambientais associados com a frequência habitual a parques ou praças, acredita-se que tais fatores possam estar diferentemente associados a este comportamento. Estas informações são importantes para direcionar intervenções para aumentar o uso dos locais. O objetivo deste estudo foi identificar os fatores individuais e ambientais associados ao uso de parques e praças por adultos de Curitiba-PR.

 

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Curitiba, capital do Paraná, lozaliza-se no Sul do Brasil, possui uma população de 1.746.896 habitantes (52,3% mulheres) é a 8ª cidade mais populosa do país (100% urbana). Atualmente 17 bosques, 22 parques, 16 eixos de animação, 31 núcleos ambientais, 454 praças e 114 km de ciclovias estão dispersos por 75 bairros e auxiliam para o índice de 64,5 m2 de área verde por habitante, um dos maiores do país. Também, 29 centros de esporte e lazer oferecem atividades estruturadas para a comunidade. As intervenções em AF e outros hábitos saudáveis são coordenados pela Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Juventude (SMELJ) e a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e parte das ações ocorrem em alguns dos locais supracitados19.

Seleção de parques e praças

Apesar do elevado número de parques e praças, alguns locais não são destinados para a prática de AF. Foram selecionados locais com potencial para a prática de AF em bairros com diferentes condições ambientais e econômicas, para melhor representar a população. Em uma primeira etapa, os 75 bairros foram classificados em nove estratos com base no nível socioeconômico (NSE) e em um escore de ambiente social e construído (AMB) para a prática de AF19,22. Foram selecionados os bairros dos quatro agrupamentos extremos (alto AMB e alto NSE; alto AMB e baixo NSE; baixo AMB e alto NSE; baixo AMB e baixo NSE). Os parques e as praças presentes nestes bairros foram listados e a relação apresentada aos coordenadores da SMELJ e SMS, que deveriam indicar um parque e uma praça em cada bairro onde havia intervenções de suas secretarias. Após três rodadas de consultas, quatro parques e quatro praças foram selecionados para a avaliação, mediante o consenso obtido na consulta.

Participantes

A coleta de dados ocorreu em 2008, em duas fases com climas semelhantes (março-abril e outubro-novembro). Na primeira, as entrevistas foram realizadas durante duas semanas, em seis dias da semana (exceto sexta-feira), em três períodos do dia (7:00-8:00 hrs, 11:00-12:00 hrs, 17:00-18:00 hrs), com adultos que estivessem nas áreas alvos destinadas à prática de AF22. Os participantes foram intencionalmente selecionados e os entrevistadores deveriam realizar duas entrevistas por período do dia. Caso não houvesse indivíduos nas áreas, os entrevistadores permaneceriam 30 minutos no local na tentativa de realizar a entrevista.

Com base nas informações da primeira etapa, foi possível calcular o tamanho da amostra para a segunda fase. Nos locais de alto AMB e alto NSE 75,7% dos entrevistados, foram classificados como "frequentadores habituais" (> 1 vez/sem). Por outro lado, nos locais de baixo AMB e baixo NSE essa proporção foi de 58,9%. Assim, estabeleceu-se a hipótese que locais com melhores condições ambientais para a prática de AF são mais frequentados.

Para o cálculo da amostra foi utilizada a equação abaixo, considerando um erro padrão de 3%, α=0,05 e poder de 80%23. As proporções de frequentadores habituais incluídas na equação foram àquelas obtidas na primeira fase do estudo

Onde:

A equação permitiu estimar amostra mínima de 28 indivíduos a serem entrevistados em cada local. Foram adicionados 10% para eventuais perdas e 15% para aumentar o poder das análises multivariáveis, sendo, portanto, necessários 35 indivíduos em cada local. Optou-se por entrevistar 40 indivíduos para aumentar o poder da amostra (parques: n=303; P=0,59; RP=1,2; Beta=0,8 / praça n=446; P=0,74; RP=1,15; Beta=0,8).

Como estratégia para garantir a representatividade de frequentadores, foram entrevistados 10 sujeitos pela manhã e 10 à tarde, aos sábados e domingos, em dois finais de semana seguidos.

Instrumento

O instrumento foi baseado em um questionário traduzido do original e adaptado para o contexto brasileiro13. Existiam questões sobre utilização dos locais, distância da residência, acesso, companhia e motivos para utilização. Foram adicionadas informações sociodemográficas e prática de AF de lazer. Doze entrevistadores receberam treinamento teórico-prático sobre critérios de seleção e inclusão, abordagem dos participantes, condução da entrevista e preenchimento dos formulários. Foi computado o número de pessoas abordadas e a taxa de recusa.

Variável dependente

O uso dos locais foi avaliado com a questão: Com que frequência você vem ao parque/praça? A escala apresentava sete opções de resposta: "primeira vez", "poucas vezes/ano", "1 vez/mês", "algumas vezes/mês", "1-2 vezes/sem", "3-4 vezes/sem" e "diariamente". As três últimas opções de resposta foram agrupadas para caracterizar a variável "frequência habitual" (>1 vez/sem).

Variáveis independentes

  • Variáveis sociodemográficas

A idade foi agrupada em três faixas etárias (18-39; 40-59 e >60 anos) e a escolaridade, obtida em questão sobre o grau de instrução pessoal, agrupada em três categorias ("ensino fundamental", "ensino médio completo" e "ensino superior completo").

Variáveis de saúde

O índice de massa corporal (IMC) foi calculado com os dados da massa corporal e estatura autorreportados e classificado em "<24,9 kg/m2" e ">25 kg/m2"24. A percepção de saúde foi avaliada com a questão: "Como você considera a sua saúde?", tendo com opção de resposta uma escala Likert de cinco pontos ("muito ruim", "ruim", "boa", "muito boa" e "excelente")25. As opções de resposta "ruim" e "muito ruim", assim como as opções "muito boa" e "excelente" foram agrupadas para a análise.

Companhia

A companhia para a utilização dos locais foi avaliada com a resposta dicotômica (sim/não) para a questão: "Quando você vem ao parque/praça, você geralmente vem acompanhado?".

Acesso

A distância percebida da residência até o local foi avaliada com a questão: "Qual a distância da sua residência até este parque/praça?" e os indivíduos poderiam escolher quatro opções ("<500 m", "500 m-1 km", "1-2 km" e ">2 km"). As respostas "1-2 km" e ">2 km" foram agrupadas para as análises.

A facilidade de acesso até o local foi avaliada com a questão: "É fácil para você chegar até este parque/praça?" a qual apresentava cinco opções de resposta ("muito fácil", "fácil", "difícil", "muito difícil" e "impossível"). As opções "difícil", "muito difícil" e "impossível" foram agrupadas para as análises.

O meio de transporte até o local foi avaliado com a questão: "Geralmente, como você vem para o parque/praça?" e os indivíduos poderiam escolher quatro opções de resposta ("ônibus ou outro transporte público", "carro", "bicicleta" e "caminhando"). As opções "bicicleta" e "caminhando" foram agrupadas para caracterizar o transporte ativo até o local.

Atividade física de lazer

A prática de AF foi avaliada com o módulo de lazer do International Physical Activity Questionnaire, versão longa, traduzido e validado para a população brasileira26. Os indivíduos reportaram a frequência semanal e o tempo despendido em caminhada e em atividades com intensidade moderada e vigorosa em uma semana habitual. O escore de AF moderada/vigorosa (AFMV) foi computado adicionando os minutos por semana de caminhada, AF moderada e AF vigorosa (*2)19. A prática de caminhada e AFMV foi avaliada em três níveis: "0 min/sem", "1-149 min/sem" e ">150 min/sem"1. Acredita-se que diferentes padrões de AF possam estar associados ao uso dos locais. Por exemplo, os parques apresentam um maior número de pistas de caminhada, enquanto nas praças o número de áreas para esportes estruturados como futebol, basquete e volei é maior. Assim, optou-se por analisar a prática de caminhada e AFMV de maneira independente.

Análise estatística

As análises foram realizadas de maneira específica pela estrutura avaliada (parque vs. praça) e agrupada a ambos os locais (parques+praças). Foi utilizada a distribuição de frequência absoluta e relativa e a proporção entre as categorias comparadas com o teste de qui-quadrado (c2) para heterogeneidade e tendência linear. A associação entre as variáveis independentes com a variável dependente foi testada com a regressão de Poisson. Foi realizada a análise bivariada e as variáveis com p<0,20 foram selecionadas para ajuste no modelo multivariável como possível fator de confusão. Na análise multivariável foi utilizado um modelo múltiplo elaborado a partir de estrutura hierárquica com os seguintes níveis e variáveis: nível 1 - sociodemográficas; nível 2 - saúde; nível 3 - companhia; nível 4 - acesso e nível 5 - prática de AF. As análises foram realizadas no software STATA 11 e o nível de significância mantido em 5%.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da PUCPR (n. 1762/08) e os protocolos seguiram as recomendações do Sistema Nacional de Ética em Pesquisa.

 

RESULTADOS

Foram entrevistados 749 indivíduos (59,9% homens) e a taxa de recusa foi de 9,5%. A maioria dos participantes apresentava idade entre 18-39 anos, ensino médio completo, IMC normal e percepção positiva de saúde (tabela 1). De um modo geral, sete em cada 10 participantes referiram frequentar os locais habitualmente. Três e seis a cada 10 entrevistados praticavam >150 min/sem de caminhada e AFMV, respectivamente. Maior proporção de homens, pessoas com 18-39 anos, com perceção de saúde "muito boa/excelente" e que frequentam os locais acompanhado foi entrevistada em parques (p<0,05). Os usuários de praças relataram maior proximidade da residência, facilidade de acesso, deslocamento ativo e frequência habitual aos locais quando comparados aos usuários de parques (p<0,05).

Na análise bivariada (tabela 2), a frequência habitual a parques e praças foi inversamente associada com a distância relatada da residência e facilidade de acesso aos locais, mas apresentou associação positiva com o deslocamento ativo e maiores níveis de caminhada e AFMV no lazer. A companhia esteve inversamente associada com a frequência habitual aos parques e na análise agrupada a ambos os locais (p<0,05).

Após o ajuste para as possíveis variáveis de confusão (tabela 3) a companhia manteve a associação inversa da análise bivariada (p<0,05). A prática de caminhada entre 1-149 min/sem e de AFMV >150 min/sem associaram-se ao uso de parques e praças, respectivamente (p<0,05). Maiores níveis de caminhada e AFMV também estiveram associadas com frequência habitual aos locais na análise agrupada (p<0,05).

 

DISCUSSÃO

Este é um dos primeiros estudos que analisou a associação entre fatores individuais e ambientais com a frequência habitual a parques e praças no Brasil. A metodologia utilizada permitiu representar os locais, considerando os atributos sociais e ambientais das comunidades, sendo este um dos pontos fortes da pesquisa. Os resultados mostraram que a companhia e a prática de AF estão associadas com o uso dos locais. A frequência habitual foi de 68% o que pode ser atribuído, em parte, aos programas de promoção da AF desenvolvidos na cidade os quais se caracterizam por ações realizadas em parques e praças19,21.

O apoio de amigos e familiares pode favorecer a prática de AF16,18,27. Contudo, alguns autores destacam a inconsistência de associação entre as variáveis do ambiente social com o uso e a prática de AF em parques28. Embora 65,9% dos participantes tenham reportado companhia para o uso dos parques e praças, esta variável foi inversamente associada com a maior frequência aos locais. A associação inversa pode ser explicada pela necessidade e/ou dependência de companheiro para frequentar o parque/praça. Entre os que frequentam os locais acompanhados, 70% relatam companhia de amigo ou cônjuge (dados não apresentados). Um estudo de base populacional realizado em Pelotas-RS mostrou a falta de companhia como uma das principais barreiras associadas com a prática de AF29. Ainda, barreiras como falta de tempo e percepção de cansaço foram frequentemente relatadas e associadas com a AF29. Estes motivos, entre outros, podem dificultar a disponibilidade do companheiro para o uso e a prática de AF em parques e outros espaços públicos de lazer.

Maiores níveis de AF foram associadas com a frequência habitual aos locais na análise agrupada. De fato, estudos de revisão evidenciam a associação positiva entre as variáveis6,8,28. No presente estudo, a proporção de indivíduos que atingiam >150 min/sem de caminhada e AFMV foi superior ao encontrado em amostra representativa de Curitiba9 (caminhada: 29,5% vs. 16,3%; AFMV: 61,3% vs. 32,7%). A maior disponibilidade de parques, praças, pistas de caminhada e outros espaços de lazer no bairro estão associados com um maior nível de AFMV na população de Curitiba9,10. Pesquisas anteriores já haviam identificado que os espaços públicos de lazer da cidade são frequentemente utilizados pela comunidade para a prática de AF21,22 e que a maioria dos usuários eram ativos7.

Foi verificada associação específica da prática de caminhada entre 1-149 min/sem com o uso de parques, assim como a prática de AFMV >150 min/sem com o uso de praças. Esta diferença pode, em parte, ser explicada pela infraestrutura presente nos locais. Por exemplo, nos parques as pistas de caminhada representam 13% das áreas disponíveis para a prática de AF, enquanto nas praças esta proporção é de apenas 6%22. Também, as praças avaliadas apresentam maior número de áreas para esportes estruturados como futebol, vôlei e basquete (praças: média de 9 locais vs. parques: média de 5 locais)22. Estas atividades são mais intensas que a caminhada e podem ter favorecido para a associação encontrada entre AFMV e frequência habitual a praças.

Embora na literatura tenha sido verificada associação entre sexo, idade e proximidade da residência com o uso de parques15,28, esta hipótese não foi confirmada no presente estudo. Estes resultados indicam a necessidade da realização de mais pesquisas para compreensão deste comportamento. Em Curitiba, devido à elevada quantidade de espaços públicos de lazer, 77% da população relata a existência de local próximo a residência para a prática de AF30. Esta característica pode, em parte, explicar a ausência de associação entre proximidade, acesso e uso dos locais.

Os resultados do presente estudo devem ser analisados tendo em vista algumas limitações. A seleção intencional de adultos em áreas específicas para a prática de AF, não permite a extrapolação dos resultados para os jovens ou para adultos que utilizam os parques e as praças para atividades contemplativas como leitura e piquenique. A coleta foi realizada nos meses de clima ameno, o que dificulta a generalização dos resultados a outras épocas do ano. Por fim, o delineamento transversal não permite estabelecer a relação causal entre as variáveis.

 

CONCLUSÃO

Companhia e prática de AF estão associadas com a frequência habitual a parques e praças. Os gestores devem investir em intervenções para aumentar as redes sociais nos locais, além de incentivar o uso da infraestrutura para a prática de AF de diferentes intensidades. Disponibilizar atividades em grupo aproveitando as estruturas existentes poderia ser uma importante estratégia para aumentar a frequência aos locais, além de aumentar o nível de AF da população. Futuros estudos devem analisar a associação entre a qualidade e a utilização de parques e praças com a prática de AF da população.

 

AGRADECIMENTOS

RC Fermino é bolsista de Doutorado da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Os autores agradecem a colaboração dos coordenadores da Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Juventude (SMELJ) e da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Assim como a colaboração dos membros do Grupo de Pesquisa em Atividade Física e Qualidade de Vida (GPAQ) pelo auxílio na coleta de dados.

 

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Endereço para correspondência
Rogério César Fermino
Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR
Escola de Saúde e Biociências - Curso de Educação Física
Grupo de Pesquisa em Atividade Física e Qualidade de Vida - GPAQ
Rua Imaculada Conceição, 1155 - Prado Velho - 80215-901 - Curitiba-PR - Brasil
E-mail: rogeriofermino@hotmail.com

Recebido em 26/12/11
Revisado em 26/01/12
Aprovado em 01/02/12