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Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano

On-line version ISSN 1980-0037

Rev. bras. cineantropom. desempenho hum. vol.14 no.5 Florianópolis  2012

https://doi.org/10.5007/1980-0037.2012v14n5p507 

ARTIGO ORIGINAL

 

Estudo alométrico da aptidão funcional de crianças e jovens rurais de Moçambique

 

 

Leonardo NhantumboI; Sílvio SarangaI; António PristaI; Luciano BassoIII; José MaiaII

IUniversidade Pedagógica. Faculdade de Educação Física e Desporto, Maputo, Moçambique
IIUniversidade do Porto. CIFID, Faculdade de Desporto. Porto. Portugal
IIIUniversidade de São Paulo. Escola de Educação Física e Esporte. São Paulo. Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Pesquisas em contextos Africanos nas quais se estuda o desempenho motor de crianças através do método alométrica são escassas. O estudo teve como objetivo averiguar a variabilidade da aptidão funcional de crianças e jovens rurais Moçambicanos por meio do contraste entre expoentes alométricos teóricos e empíricos. Foram medidas a altura e o peso, e avaliada a aptidão funcional com base em testes selecionados das baterias AAHPERD, EUROFIT e Fitnessgram. Foi considerada a equação alométrica fundamental, Y=aXb. Para além das estatísticas descritivas habituais, recorreu-se à ANOVA fatorial para determinar o efeito da idade e do sexo nas variáveis somáticas e funcionais. Aplicou-se uma extensão do modelo alométrico a partir da ANCOVA após transformação logarítmica das variáveis de interesse. Os valores médios de altura e peso aumentam em função da idade, interagindo significativamente com idade e sexo. Constatou-se um efeito da idade nas provas físicas, com maiores médias dos meninos. Os coeficientes alométricos encontrados são distintos dos esperados teoricamente, sendo maiores nas meninas do que nos meninos em quase todas as provas. Pode-se concluir que existe um dimorfismo sexual nas diferenças de médias na aptidão funcional ao longo da idade. Os expoentes empíricos encontrados, em ambos os sexos, são antagônicos aos esperados teoricamente, salientando ausência do pressuposto da similaridade geométrica. Nas meninas, os expoentes alométricos são, em todas as provas, maiores do que dos meninos.

Palavras-chave: África; Alometria; Aptidão funcional; Tamanho corporal.


 

 

INTRODUÇÃO

O interesse em torno da importância do tamanho corporal como variável potencialmente "confundidora" em estudos da aptidão funcional tem aumentado nos últimos tempos1-3. Com efeito, os procedimentos alométricos permitem extrair uma variável dependente isenta de qualquer influência dimensional, sendo, por isso, considerados superiores aos métodos de modelação de variáveis fisiológicas para diferenças dimensionais baseados em simples rácios4,5. A utilização da alometria propicia uma interpretação adequada da funcionalidade de sujeitos dimensionalmente distintos, pois permite modelar o efeito das dimensões corporais, bem como o de outras covariáveis1,4,5.

Na região Sub-Sahariana de África, a prevalência de tamanho reduzido, i.e., atraso no crescimento linear, durante a infância e adolescência, é elevada6. A literatura identifica os dois grandes fatores que condicionam o crescimento, nomeadamente a adaptação nutricional e a exposição a doenças infecto-contagiosas7. Por conseguinte, tem sido salientada a eficiência funcional em associação com um reduzido tamanho corporal sob condições de subnutrição proteico-energética crônica, em que a redução no tamanho corporal e na massa muscular são apontados como fatores condicionadores da aptidão funcional em crianças subnutridas8,9. No entanto, quando a aptidão funcional é relativizada à altura ou ao peso do corpo, as diferenças entre crianças subnutridas e normonutridas são substancialmente reduzidas ou desaparecem10,11.

Estudos realizados em países desenvolvidos têm recorrido à alometria para estudar a aptidão funcional, sobretudo, o consumo máximo de oxigênio (VO2max) de crianças e jovens12,13, em que a influência das dimensões corporais na capacidade aeróbia dos sujeitos é documentada. Por outro lado, a condição de residir em uma área urbana ou rural nestes países parece não influenciar o desempenho motor de crianças e jovens, quando estudado através da alometria14.

Contudo, pesquisas com crianças e jovens Africanos em que se estuda a sua aptidão funcional através do método da escala alométrica são escassas. Até agora, os únicos estudos centrados nesta temática realizados com crianças e jovens Africanos disponíveis na literatura são de Corlett15,16. Este autor investigou o efeito das variáveis dimensionais nas provas físicas de crianças do Botswana, de ambos os sexos, dos 7-12 anos de idade, tendo constatado diferenças entre os expoentes dimensionais teóricos e empíricos, as quais foram explicadas pela ausência de variação substancial na composição corporal15. E, ao comparar a força de preensão daquelas crianças em função da área de residência, encontrou melhores desempenhos das crianças urbanas em relação às do meio rural, em ambos os sexos, mesmo após o ajustamento dimensional para diferenças de tamanho16.

Estes estudos cobrem apenas a faixa etária pré-púbere, o que espelha a pequena quantidade de pesquisas desta natureza em contextos africanos e, consequentemente, a necessidade de mais estudos neste âmbito.

Moçambique é um país com fortes assimetrias socioeconômicas e de pressão ambiental entre as suas áreas urbana e rural, fato que potencia a presença de indivíduos com dimensões corporais distintas entre o campo e a cidade; tanto quanto julgamos saber, estudos que avaliem a aptidão funcional a partir de um posicionamento alométrico realizados com a população infanto-juvenil deste país são inexistentes. Neste contexto, o presente estudo pretende averiguar a variabilidade da expressão da aptidão funcional de crianças e jovens rurais Moçambicanos por meio do contraste entre expoentes alométricos teóricos e empíricos.

 

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Amostra

A amostra consistiu em 840 crianças e jovens, de ambos os sexos (456 meninos e 384 meninas), dos 7 aos 16 anos de idade residentes em Calanga, uma localidade rural situada a 75 Km a norte da capital de Moçambique, Maputo, com uma superfície de 2.373Km2 e uma população de 9.451 pessoas, sendo 3361 crianças e jovens com idades compreendidas entre os 6-20 anos de idade17.Toda a amostra frequentava o ensino primário e secundário do Sistema Nacional de Educação e representa 23,62% da população de Calanga com idade compreendida entre os 6-20 anos.

O método e os objetivos do estudo foram antecipadamente explicados aos pais e encarregados de educação, bem como às direções das escolas e líderes comunitários. Os pais e/ou responsáveis de educação foram solicitados para que lessem e assinassem o termo de consentimento que detalhava os objetivos e procedimentos essenciais do estudo como prova do seu consentimento e anuência à pesquisa. O estudo foi aprovado pelas autoridades nacionais de saúde e de educação de Moçambique e pelo Comitê Nacional de Bioética para a Saúde.

Antropometria

A altura e o peso foram medidos com um estadiômetro de marca Harpender® (Holtain, Crymych, United Kindom) e uma balança de marca Secca® (M 01-22-07-245; Secca Germany), respectivamente, de acordo com a padronização descrita por Lohman et al.18.

Aptidão Funcional

A Aptidão Funcional foi avaliada com base nos protocolos das seguintes baterias: 1) AAHPERD19: corrida da milha; 2) EUROFIT20: impulsão horizontal, tempo de suspensão na barra e corrida de velocidade 10x5 metros e dinamometria manual e 3) Fitnessgram21: teste de força abdominal. À exceção das provas de corrida da milha, força abdominal, suspensão na barra e velocidade, foram concedidas duas repetições a cada sujeito em todas as provas funcionais. Nestas, foi considerado o melhor resultado. Em ordem a minimizar a variância erro nas medições, tanto nas medidas antropométricas, quanto em todas as provas físicas, os sujeitos foram sempre avaliados pelos mesmos observadores.

Procedimentos alométricos

A aptidão funcional foi analisada de acordo com a respectiva relação teórica esperada para a variável dimensional mais utilizada, a altura22. Segundo Astrand & Rodahl23, para as provas de impulsão horizontal, força de preensão e velocidade; Jaric et al.24, para força abdominal e suspensão na barra e Rowland25, para a corrida da milha, é de esperar que os coeficientes alométricos (b) sejam os seguintes: impulsão horizontal, (b = 1); dinamometria manual, (b = 2); provas de velocidade, (b = 0); força abdominal e suspensão na barra, (b = -0.33) e provas de corrida de duração, (meninos, b = -1.60; meninas, b = -1.17).

Genericamente, é utilizada uma função potência bem conhecida, Y = aXb, que pode ser facilmente linearizada se tomarmos os logaritmos de cada membro da equação, tal que Log Y = log a + b log X. O parâmetro mais relevante desta equação é b, interpretado como coeficiente alométrico, ou coeficiente de regressão fenotípico.

Procedimentos estatísticos

Foi calculada a estatística descritiva padrão (média e desvio padrão). O teste de Kolmogorov-Smirnov foi aplicado, tendo confirmado a normalidade dos dados. Uma análise da variância a dois fatores (ANOVA II) foi usada para determinar o efeito da idade e do sexo nas variáveis somáticas e funcionais. Uma extensão do modelo alométrico geral sugerido por Nevill et al.1 para a análise da covariância (ANCOVA) foi aplicada para examinar o efeito dimensional nas provas funcionais. Antes desta análise, as variáveis de tamanho corporal e de aptidão funcional foram logaritmicamente transformadas. A análise estatística foi realizada com o software SPSS, 14.0, e o nível de significância foi fixado em 0.05.

 

RESULTADOS

Os resultados descritivos de altura e peso, juntamente com os valores da ANOVA fatorial da comparação das médias entre os sexos em função da idade são apresentados na tabela 1. Conforme esperado, os valores médios de altura e peso aumentam em função da idade, sendo evidente uma interação significativa entre a idade e o sexo. Porém, o efeito do sexo foi apenas evidente no peso.

 

 

A tabela 2 apresenta os resultados médios e da ANOVA das diferentes provas de aptidão funcional por sexo, ao longo da idade. É nítido um efeito da idade em todas as provas físicas, evidenciando aumentos das médias com o avanço da idade. Os meninos apresentaram valores médios mais elevados em todas as provas e em quase todas as idades. A interação entre a idade e o sexo foi significativa na maioria dos testes, à exceção da preensão e da velocidade.

A tabela 3 mostra os expoentes empíricos obtidos. Os coeficientes alométricos encontrados são, na sua totalidade, distintos dos esperados teoricamente. Na prova de suspensão na barra, o sinal alométrico é contrário em meninos e meninas. Na prova de força abdominal, a diferença é muito elevada para o expoente teórico e muito distinto entre meninos (b = 0,44) e meninas (b = 2,67). Este padrão também acontece na prova de dinamometria. Há uma diferença notória entre o expoente teórico (b = 0) e os encontrados na prova de velocidade (meninos, b = -0,13; meninas, b = -0,44). Na prova da milha, os sinais alométricos obtidos pelos dois sexos (meninos, b = - 0,42 e meninas, b = -0.25) são maiores que os expoentes teóricos (meninos, b = -1,60 e meninas, b = -1,17).

 

 

DISCUSSÃO

Considerando que o objetivo central deste estudo foca-se na averiguação da variabilidade da aptidão funcional de crianças e jovens rurais Moçambicanos mediante o contraste entre expoentes alométricos teóricos e empíricos, os resultados da estatística descritiva e da análise da variância das medidas somáticas e da aptidão funcional serão discutidos de forma sucinta e com propósito meramente ilustrativo.

Neste contexto, os valores médios de altura e peso das crianças e jovens da presente amostra são inferiores aos valores normativos de CDC/NCHS/WHO26, um cenário já constatado na população moçambicana em idade escolar residente na cidade de Maputo27. Os valores inferiores de altura e peso dos africanos em comparação com crianças e jovens europeus e americanos devem-se a insuficiências nas condições do envolvimento, nomeadamente, as precárias condições higiênicas, deficiências nutricionais e ausência de cuidados primários de saúde27.

Por outro lado, e como era esperado, os valores médios da aptidão física revelam um padrão incremental ao longo da idade. Estes resultados são semelhantes com os de estudos anteriores realizados com crianças e jovens Moçambicanos de Maputo em idade escolar27,28, bem como em crianças do Botswana15.

Os resultados da análise da variância salientaram um diferencial no padrão de comportamento das médias entre os sexos, ao longo da idade, em que predominam médias mais elevadas dos meninos em todas as provas e na maioria dos intervalos etários. As meninas apresentam, a partir dos 13 anos, na maioria das provas, uma estabilização e/ou declínio do seu desempenho. Estes resultados corroboram os encontrados em outros estudos realizados em áreas urbanas de Moçambique27,28.

Uma vantagem dos sujeitos de classes socioeconômicas desfavorecidas foi evidenciada em estudos anteriores realizados com crianças e jovens da cidade de Maputo em muitas provas funcionais28. Os melhores desempenhos da classe desfavorecida foram explicados pelo fato das crianças e jovens que crescem em condições desfavorecidas se engajaram em tarefas domésticas diárias que contemplam atividades físicas de duração, frequência e intensidade consideráveis. No caso concreto da presente amostra, tratando-se de uma população caracteristicamente rural, em que as atividades de subsistência familiar não mecanizadas são incontornáveis para a sua sobrevivência cotidiana, o estilo de vida ativo imposto por esse envolvimento parece refletir-se de forma particular nos seus níveis de aptidão funcional.

Não obstante a literatura documentar, suficientemente, o recurso à processologia analítica do efeito da escala, baseada no pressuposto da similaridade geométrica para esclarecer aspectos essenciais relacionados com os efeitos do tamanho do corpo em vários testes de desempenho motor1,4,6; pesquisas com este enquadramento realizadas na África são quase inexistentes, o que limitará o alcance interpretativo dos resultados deste estudo.

Os coeficientes de regressão fenotípicos encontrados no presente estudo divergem, na sua globalidade, dos postulados pela teoria da similaridade geométrica. Esta constatação parece indicar que, para o caso concreto das crianças e jovens desta amostra, os coeficientes alométricos teóricos não descrevem a relação entre o tamanho corporal e a aptidão funcional. Na verdade, enquanto os meninos apresentam, na maioria das provas, expoentes alométricos empíricos menores que os teóricos, já os evidenciados pelas meninas são maiores em todas as provas, à exceção da velocidade.

Expoentes empíricos maiores que os postulados pela teoria da similaridade geométrica também foram encontrados por Corlett15,16 em crianças do Botswana, de ambos os sexos, em que os maiores valores foram, também, evidenciados pelas meninas. Para este autor, os maiores valores de coeficientes alométricos revelados por crianças africanas devem-se ao fato dos modelos alométricos se basearem em pressupostos que não tomam em consideração um conjunto de fatores maturacionais. Por outro lado, os modelos assumem que a forma e composição do corpo são constantes ao longo do processo de crescimento, o que para o caso concreto do crescimento das crianças e jovens não parece correto, sobretudo, na África.

Nos meninos, os coeficientes alométricos encontrados no presente estudo indicam que, à exceção da corrida da milha e da força abdominal, em que superam os teóricos respectivos, o aumento da aptidão funcional ao longo da idade atribuído aos ganhos nas dimensões corporais é bem menor. Contrariamente, os maiores coeficientes evidenciados pelas meninas em quase todos os testes motores, excetuando-se a suspensão na barra, denotam evidências de maiores aumentos do desempenho em função de incrementos das medidas de tamanho corporal. Esta relação entre as aquisições de aptidão funcional em função de aumentos nas medidas de tamanho corporal, durante o crescimento, bem como o diferencial nos seus padrões por sexo parece, no contexto desta amostra, marcada por uma forte pressão ambiental.

Com efeito, um estudo recentemente realizado com esta população29 permitiu constatar prevalências nos meninos e nas meninas, respectivamente, de 24,2% e 21,3% na condição de stunted, 11,4% e 7,0% na de wasted e 7,1% e 4,2% na condição simultânea de stunted e wasted, bem como valores médios de altura e de peso desta população abaixo do percentil 25 das normas de CDC/NCHS/WHO26. Por outro lado, o padrão destas prevalências em função do sexo revelou uma maior frequência nos meninos em relação às meninas, fato que parece explicar, parcialmente, a predominância de maiores expoentes empíricos encontrados no seio destas. Foi possível concluir que este quadro de resultados espelhava claramente um efeito negativo de um surto nutricional sob o qual o processo de crescimento destas crianças se processava, com repercussões impeditivas de expressão do potencial genético das medidas do seu tamanho corporal, para além da sua influência determinante no desempenho motor.

A disparidade observada entre os valores dos coeficientes alométricos encontrados nesta amostra parece atestar, de forma implícita, a presença de um diferencial na dinâmica do crescimento entre os dois sexos. Por outro lado, as interações significativas constatadas entre o sexo e a idade nas medidas somáticas parecem consubstanciar este fato. Note-se que, as meninas, ao evidenciarem expoentes maiores que os teóricos na maioria das provas físicas, sugerem a presença de outros fatores a governarem os níveis de performance nessas provas, para além do simples incremento no tamanho corporal. Por seu turno, os meninos, ao apresentarem expoentes empíricos menores em quase todas as provas, denotam um claro atraso no ritmo de aquisição de ganhos no desempenho motor ao longo do crescimento em função dos aumentos no tamanho corporal.

De qualquer modo, convém reter que os expoentes teóricos propostos pela teoria da similaridade geométrica encerram uma especificidade referenciada tão somente a cada teste e não a cada sujeito, para além de que é referido que o termo alométrico deriva do pressuposto de que o parâmetro alométrico empírico não tem, necessariamente, que ser igual ao postulado teoricamente30. Assim, um tratamento mais integrado desta temática em contextos rurais pode ajudar a entender melhor a praticabilidade da análise alométrica nas comparações de variáveis funcionais inter e intragrupos que vivem nessa realidade contextual específica.

 

CONCLUSÕES

Dentro dos limites conceituais e metodológicos deste estudo e, tendo em consideração os resultados apresentados, sobressaem as seguintes conclusões: (i) os expoentes empíricos encontrados nos dois sexos são antagônicos aos teóricos, revelando a ausência do pressuposto da similaridade geométrica; (ii) é evidente um dimorfismo sexual no padrão de ganhos de desempenho motor ao longo do crescimento, em função dos aumentos do tamanho corporal, com as meninas a evidenciar expoentes de regressão fenotípicos predominantemente maiores do que os teóricos em todas as provas de aptidão funcional em relação aos meninos.

Embora os expoentes empíricos serem maiores nas meninas para a maioria das provas funcionais, os meninos têm médias mais elevadas de aptidão funcional em quase todas as provas, o que sugere a presença de outros fatores a condicionarem os níveis de aptidão funcional no seio desta amostra rural, para além do simples incremento no tamanho do corpo. É bem provável que tais fatores estejam associados às exigências das atividades diárias de sobrevivência e da riqueza lúdica dos jogos impostas pelo meio rural em que a presente amostra vive.

 

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Endereço para correspondência:
Doutor Leonardo Nhantumbo
Faculdade de Educação Física e Desporto da Universidade Pedagógica
Av. Eduardo Mondlane, 955, Cidade de Maputo Moçambique
C.P. 2107, Maputo, Moçambique
E-mail: leonhantumbo@gmail.com

Recebido em 13/04/12
Revisado em 01/05/12
Aprovado em 12/05/12

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