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Motriz: Revista de Educação Física

On-line version ISSN 1980-6574

Motriz: rev. educ. fis. (Online) vol.17 no.3 Rio Claro July/Sept. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1980-65742011000300012 

ARTIGO ORIGINAL

 

Investigação pedagógica em educação física: análise das publicações em um periódico internacional

 

Pedagogical research in physical education: scope analyses in a international journal

 

 

Carlos Henrique Ribeiro

UNISUAM, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo analisar as publicações de um periódico internacional e traçar o seu perfil editorial. A partir desta análise, traça um quadro comparativo com a produção nacional da Educação Física na sua subárea sociocultural. Para tanto, selecionamos um periódico especializado que fosse considerado de alto conceito pela plataforma WEB QUALIS periódicos, base de dados que tem sido utilizada para avaliar, em última instância, a qualidade dos Cursos de Pós-Graduação Stricto Sensu no Brasil. Nossas análises se pautaram em três grandes categorias, a saber: a) a presença constante de pesquisadores advindos das universidades americanas em grande parte dos artigos deste periódico; b) a discussão recorrente do papel da educação física como promotora da atividade física em ambientes formais de educação; c) a ausência de discussão epistemológica sobre a educação física neste periódico. Como conclusão, discutimos acerca da necessidade de ajustes teóricos e metodológicos por parte da comunidade acadêmica da educação física brasileira, para que seja possível publicar neste periódico internacional.

Palavras-chave: Comunicação e divulgação científica. Manuscritos. Educação Física.


ABSTRACT

This paper aims to discuss about an editorial scope of pedagogical journal in physical education field. Our intent is compare some of their pedagogical issues with Brazilian ones. We chose the Journal of Teaching in Physical Education because it is well qualified in the Educational Brazilian Governmental web system. We framed our scope in three big issues: a) the high concentration of American researchers in the most of papers; b) the permanent idea about the Physical Education is the responsible for promote wellness in schools and the related problems; c) the absence of epistemic discussions about the role of physical education in the Educational System. At the end, we discuss the necessity of having many theorical and empirical adjustments in the Brazilian Physical Educational papers, so as to we are able to publish in the international arena.

Key words: Physical Education Research. Papers. Pedagogical Journals. Teaching.


 

 

Introdução

O presente trabalho tem como objetivo analisar as publicações de um periódico internacional e traçar o perfil acadêmico dos artigos selecionados procurando fazer uma análise comparativa com a produção nacional da Educação Física na sua subárea1 sociocultural2. Para tanto, selecionamos uma revista especializada que fosse considerada de alto conceito pela plataforma WEB QUALIS periódicos, conhecida como QUALIS, base de dados que tem sido utilizada para avaliar as publicações dos Cursos de Pós-Graduação Stricto Sensu no Brasil ( SOUZA e PAULA, 2003).

Partimos da premissa que investigar periódicos nacionais e internacionais pode ser uma forma de entendimento dos "meios de produção", ou seja, das condições em que determinados artigos são aceitos ou não para publicação, a forma em que vai se legitimando seu conhecimento e os quais são os aspectos que determinam que uma ou outra revista passe a ser importante para um grupo específico de pesquisadores. Desta condição vão se moldando o discurso e as práticas de uma comunidade científica na formação de um campo específico do saber através da legitimidade de argumentos, hipóteses e verdades contingentes entre os meios específicos por onde circulam este saber legitimado ( BAUMAN , 2003; BOURDIEU , 1983; KHUN , 1997). Publicar significa divulgação do conhecimento, notoriedade e os pesquisadores ficam atentos para onde escoar sua produção. Em relação à escolha dos periódicos para publicação é entendido que

O trabalho do autor começa bem antes: ao pensar em redigir um manuscrito, provavelmente, sua primeira providência será conhecer as instruções dos autores, normas de submissão para publicação, escopo e abrangência do conteúdo de vários periódicos e escolher aquele que mais representa sua área de interesse ( JOB ; MATTOS; TRINDADE, 2009, p. 37).

Os periódicos que foram arbitrados pelo sistema QUALIS periódicos da Capes tendem a hierarquizar, orientar e direcionar novos trabalhados de pesquisadores brasileiros. Reforçamos a questão da tendência, pois algumas críticas já foram feitas (até mesmo de estilo panfletárias) desde que o QUALIS periódicos começou a ser utilizado pelas instâncias governamentais ( DAOLIO , 2006; FREIRE , 2006). Na medida em que a produção de conhecimento necessita dos argumentos de autoridade e competência científica, o capital simbólico que se constrói para uma ou outra revista possibilita que os pesquisadores escoem sua produção selecionando as revistas em que se passa a "valer a pena" publicar. Os indicadores de produção na grande área da saúde focam, em última análise, especificamente no QUALIS periódicos para distinguir corpo discente, corpo docente, grupos de pesquisa e programas de Mestrado e Doutorado como uma das formas mais importantes de avaliação trienal ( CARVALHO ; MANOEL, 2006).

Em nosso texto queremos trazer como elementos de discussão as seguintes questões:

a) Quais são as temáticas mais freqüentes publicadas na subárea sociocultural da educação física de um periódico internacional?

b) Quais questões de pesquisa (problemas, métodos, resultados) têm norteado as publicações na área pedagógica da educação física na área internacional?

c) As questões teóricas da Educação Física - EF - no Brasil, em específico suas subáreas relacionadas aos estudos socioculturais, podem ser transponíveis para as publicações internacionais?

Em um país que apresenta níveis de desenvolvimento sócio-econômico ainda aquém do razoável, e com realidades sociais bem diferentes, a produção do conhecimento, em específico a produção de educação física em subáreas com foco nos estudos sócioculturais, talvez sejam incompatíveis com a produção do conhecimento de revistas internacionais de nações mais desenvolvidas e, portanto, com questões sociais distintas da nossa.

Um dos elementos de indicadores científicos é a produção de pesquisas, e estas precisam ser publicadas. No caso brasileiro, são as pesquisas advindas dos cursos de Pós-Graduação que tendem a ser a mola-mestra da produção científica da educação física ( DAOLIO , 2007). Em uma visão geral, podemos verificar que, e preferência, estas revistas devem apresentar um impacto internacional. Neste sentido, pesquisadores de nossa área de educação física sustentam que é quase que mandatório publicar para sobreviver e, melhor ainda se estas publicações passarem a ter a avaliação de grupos de arbitragem das revistas internacionais ( TANI , 2007). Ou seja, publicar internacionalmente se torna muito importante para os pesquisadores.

Mas quais são as temáticas, a linha editorial e o tratamento metodológico dos dados de pesquisa de um periódico internacional da subárea sociocultural?

 

A produção acadêmica na área pedagógica da ef: algumas considerações

De maneira geral, a subárea sociocultural da educação física tem em seu breve histórico, a formação de associações científicas que geraram forte influência em sua produção acadêmica ( BRACHT , 2009). Dentre elas, a mais destacada em termos de impacto para a subárea dos estudos sociocultural foi e é sem dúvida o Colégio Brasileiro de Ciência do Esporte - CBCE - fundado em 1978 ( FERON ; SILVA, 2007).

Em sua produção do conhecimento ao longo do tempo é possível verificar, como destacou Molina Neto et al. (2006), que esta está voltada de forma recorrente à sociedade brasileira e suas contradições, os segmentos da população excluídos e o comprometimento ético voltado aos problemas sociais advindos de uma sociedade em plena urbanização e suas conseqüências. Em relação aos gastos com pesquisa, os recursos nos quais a maioria dos pesquisadores brasileiros recebe das agências de fomento advêm de fundos públicos, concentrados em sua maioria no sudeste brasileiro, ou seja, a população brasileira deve ser beneficiada, em um primeiro plano, com tais pesquisas se levarmos em conta que estes estudos possibilitem a melhoria do atendimento educacional de um país marcado por desigualdades sociais e regionais.

Mas se é verdade que as áreas da educação física estão sendo impulsionadas a publicarem mais, este fato não se faz sem a percepção de contradições, interesses e muita discussão. Autores como Carvalho e Manoel (2006); Daolio (2007); Feron e Silva (2007); Lovisolo (2007); Rodrigues (2007) tem demonstrado uma inquietude na forma como suas produções tendem a ser avaliadas e quantificadas, sem que se leve as especificidades da área em consideração, tais como um tempo diferenciado entre a publicação realizada na subárea sociocultural daquela realizada na subárea biodinâmica. Além disso, parece existir uma dicotomia entre o publicar mais e o publicar melhor, entre o uma produção quantificadora e outra qualificadora.

Molina Neto (2006) classifica as críticas aos processos de produção de conhecimento quanto ao produto desta produção na educação física em duas grandes categorias, a) em relação aos meios de produção, ou seja, em que condições e em qual estrutura organizacional esta produção está sendo realizada e b) os efeitos práticos e sociais na EF, bem como seu conteúdo e qualidade.

Em relação aos produtos, segundo o estudioso (MOLINA NETO, 2006, p.152), é possível destacar que:

a) caráter ensaísta, especulativo, discursivo, subjetivista e revisionista da produção com pouco embasamento epistemológico resultando em baixo índice de artigos originais de pesquisa e uma considerável produção de livros e capítulos de livros; b) predominância na ênfase cientificista que implica objetivismo e fragmentação do conhecimento produzido; c) insuficiência de referências éticas, políticas e contextuais na construção dos problemas de investigação, excessos de preconceitos teóricos e disciplinares, falta de rigor metodológico e pouca atividade hermenêutica; d) baixo impacto no campo de ação pedagógica.

Se a definição de uma base epistemológica é necessária para que uma política de publicação para a área seja mais clara e objetiva, ela ainda se faz com muita controvérsia ( TANI , 2007). A criação de uma necessidade de submeter seus manuscritos às revistas internacionais pode levar os pesquisadores a conseqüências ainda pouco compreendidas, tais como um novo ajuste conjectural que corresponda à associação entre temas pertinentes ao contexto brasileiro e o contexto aqui no caso investigado, americano. Nossa questão é perceber como uma área que tem uma tradição histórica de privilegiar questões nacionais e regionais voltadas ao desenvolvimento social e à escola pública pode vir a se adaptar às temáticas internacionais.

Nas próximas páginas analisaremos o conteúdo dos artigos publicados na revista Journal of Teaching in Physical Education - JTPE - procurando relacionar os artigos publicados com as temáticas brasileiras. Queremos perceber como será possível se adaptar com questões mais externas e amplas forçando nossos colegas internacionais (através do processo de avaliação mais conhecido como o de referee system) a considerarem nossos artigos aprovados para publicação.

 

Nossa aproximação com o JOURNAL OF TEACHING IN PHYSICAL EDUCATION: questões metodológicas

Primeiramente consultamos a plataforma WEB QUALIS para verificar os periódicos que eram mais bem conceituados, a partir de uma ordem decrescente de estratos. Consideramos aqueles que são de fato de interesse de nosso campo de pesquisa, ou como afirma Lovisolo (2007) com "campo potencial de publicação" sobre aqueles periódicos em que cada pesquisador possa recorrer com maior possibilidade e freqüência se desejar enviar seus artigos para ser avaliado (op. cit., p.28).

Nos estratos A1 e A2 não encontramos nenhum periódico que pelo nome ou missão pudesse estar classificado nas áreas de nosso interesse e estudo. Descobrimos no estrato B1 quatro jornais que poderiam estar em nosso "campo potencial de publicação", são eles: Journal of Teaching in Physical Education (ISSN 273-5024), Journal of Phylosophy of Sport (ISSN 0094-8705), Leisure Studies (ISSN 0261-4367), Revista Portuguesa de Ciências do Desporto (ISSN 1645-0523). Mantivemos nossa escolha neste estrato porque gostaríamos de investigar como seria se um pesquisador quisesse "subir o seu próprio sarrafo" ( LOVISOLO , 2007) de publicações, principalmente de uma publicação internacional próxima dos estratos mais altos, visto que se escolher as principais publicações no Brasil alcançará o estrato máximo de B2. Além disso, os agentes federais de avaliação (CAPES e CNPq) bem como as agências estaduais de fomento à pesquisa (FAPERJ, FAPESP, entre outras) têm demonstrado preferência para as publicações de alto impacto, ou seja, periódicos que façam parte da base de dados em particular da Thompson e do Institute for Scientific Information - ISI ( CARVALHO e MANOEL, 2006). Tal fato faz com que os pesquisadores tendam a ousar mais na questão de enviar para cada vez mais periódicos a sua produção, visto que apenas uma publicação desta pode "garantir" para o triênio o status de boa produtividade principalmente se este pesquisador faz parte de grupos de pesquisa em programas de Pós-Graduação Stricto Sensu.

O periódico selecionado foi o Journal of Teaching in Physical Education (ISSN 273-5024) de avaliação B1 na plataforma QUALIS para o triênio 2007-2009 para área 21. Consideramos que a missão deste periódico, bem como o tipo de publicação encontrada, faz correlação as áreas de estudo da formação e interesse do pesquisador desta investigação.

O JTPE (ISSN 273-5024) tem como missão "to communicate research and stimulate discussion, study, and critique of teaching, teacher education, and curriculum as these fields relate to physical activity in schools, communities, higher education, and sport" ( JOURNAL OF TEACHING IN PHYSICAL EDUCATION , 2009)3. A revista é recomendada pela associação internacional de educação física no ensino superior e também pela associação americana de esporte e educação física. Além disso, o jornal é considerado o primeiro a publicar questões pedagógicas na área da educação física nos Estados Unidos ( KULLINA et al., 2009). Seus editores e editorial board são todos membros de universidades americanas.

No site do JTPE (2009) é possível ler os títulos e resumos das suas publicações quadrimestrais (janeiro, abril, julho e outubro) desde seu volume 0, issue 1 iniciado no ano de 1981. Para se ter acesso aos artigos completos é necessário fazer a assinatura da revista, que custa anualmente sessenta e cinco dólares americanos para professores ou quarenta e nove dólares americanos para estudantes, em sua versão online. Para se obter acesso a qualquer artigo da revista individualmente, nos casos dos interessados não quererem assinar a revista, é preciso pagar cerca de vinte dólares americanos. Para pesquisadores que estejam preparando seus papers para envio à revista, é obrigatório que os autores sigam o manual intitulado Publication Manual of the American Psychological Association (2001) que orienta em termos gerais forma e conteúdo para as futuras publicações. Para se obter este manual é necessário pedi-lo por correio e este custa vinte e oito dólares e noventa e cinco centavos americanos.

Construímos um instrumento em que constava: 1. Fonte de informação (JTPE); 2. Ano/Volume/Número da Revista; 3. Título do artigo; 4. Autores; 5. Natureza da pesquisa; 6. Instrumentos; 7. Palavras-chave; 8. Autores e conceitos utilizados; 9. Foco do artigo; 10. Tema da investigação (de interesse local, regional, nacional ou internacional); 11. Observações complementares do artigo; 12. Referências.

A pesquisa é de natureza qualitativa captando o fenômeno estudado a partir de suas múltiplas facetas, com a intervenção direta e proposital do pesquisador que tenta compreender seu objeto de estudo contaminado de preconceitos, leituras e de sua estória pessoal ( CHIZZOTTI , 1998).

Utilizamo-nos da análise do conteúdo ( BARDIN , 1977) para proceder à seleção do material de nossa pesquisa. Esta técnica de análise nos pareceu mais apropriada, pois permite que através de procedimentos sistemáticos analisemos nosso objeto de pesquisa com a compreensão e esclarecimentos dos significados de nossa amostra.

Foram analisados aqui os títulos, resumos e corpo de texto dos artigos no triênio 2007-2009, fazendo uma análise que mostrasse o "estado do conhecimento" ao qual tratavam os temas abordados pela revista. Compreender o conhecimento produzido de uma revista internacional, verificando o "estado-da-arte" articula os conhecimentos produzidos e nos mostram quais são os temas "publicáveis" e "quentes" dentro deste veículo de pesquisa ( MEDEIROS e GODOY, 2009).

 

Análise dos Resultados

Analisamos aqui os artigos publicados nos anos de 2007, 2008 e 2009, totalizando sessenta e nove artigos. Verificamos as temáticas, a natureza das pesquisas (qualitativa, quantitativa), a população investigada, o referencial teórico e os resultados encontrados. A leitura exaustiva dos artigos se concentrou em identificar as similitudes e diferenças das pesquisas publicadas na área pedagógica da educação física em relação à produção brasileira. Durante a leitura dos artigos percebemos que a maioria dos temas pode ser identificada como específica a sociedade americana e que merece ser discutida aqui para uma melhor compreensão. Grande parte dos assuntos abordados tem a competência motora, o fitness, a participação do aluno em atividade física e sua auto-percepção na adesão destas aulas.

Nosso objetivo não é analisar a qualidade ou relevância dos artigos publicados. Focaremos no que identificamos como diferente, nos utilizando do olhar de fora, do estranhamento de um pesquisador brasileiro com artigos publicados por uma revista estrangeira, apesar de sabermos que os artigos produzidos na área pedagógica da EF nos últimos anos focam em três grandes áreas: ensino (teaching), formação profissional (teacher education) e currículo (curriculum) conforme Kullinna et al. (2009) demonstraram. Ou seja, o que difere, de maneira geral, é como estas temáticas são tratadas por cada comunidade científica.

A primeira categoria da análise se pauta no elevado número de artigos por pesquisadores pertencentes às universidades americanas. Dos sessenta e nove artigos analisados, cinqüenta e oito deles tinham pesquisas que contavam com autores advindos delas ou eram colaboradores nos artigos publicados. Ou seja, cerca de 85% dos artigos advêm de trabalhos realizados exclusivamente por americanos ou por professores que estão nos departamentos de ensino dos EUA.

Pouco significativo foi o número de artigos pertencentes às universidades estrangeiras, onze no total. Se contarmos aqueles pertencentes às universidades estrangeiras de língua não inglesa, restam apenas cinco artigos, a saber: dois na Bélgica ( CARDON et al., 2009; VERSTRAETE et al., 2007); um realizado na Bélgica e Suécia ( LENZEN , THEUNISSEN e CLOES, 2009); um na Holanda ( KOEKOEK , KNOPPERS e STEGEMAN, 2009) e um na Grécia ( PAPAIOANNOU et al., 2007).

Não foi encontrado nenhum artigo pertencente às universidades brasileiras ou latino-americanas durante o triênio 2007-2009. O único artigo publicado por uma instituição brasileira encontrado em nossa pesquisa estava fora do período de tempo escolhido por nós para analisarmos a revista, mas por curiosidade, procuramos qual artigo tinha possibilitado à revista ganhar o estrato B1 do QUALIS periódicos. O artigo encontrado foi publicado pela professora Nadia Valentini (UFRGS) em conjunto com a professora Mary Rudissil (Auburn University, Alabama) (2004, p. 216-234). Ainda assim, este artigo pode ser classificado com advindo da subárea do desenvolvimento motor e não propriamente da subárea sociocultural.

Fazemos uma ilação de que as presenças destes pesquisadores de universidades fora dos EUA acabam por participar de grupos de pesquisas. Os acordos bilaterais entre universidades facilitam a presença dos estrangeiros no cotidiano dos departamentos das universidades americanas. A publicação de pesquisas em periódicos internacionais depende da presença de pesquisadores em um fluxo contínuo de intercâmbios. Sem investimentos pessoais (por parte do pesquisador, como por exemplo, o domínio da língua inglesa) e públicos (Estágio pós-doutoral, Doutorado pleno no exterior, Doutorado sanduíche) fica difícil o estabelecimento de parcerias, redes de pesquisas e todo o desenvolvimento interpessoal necessário para que pesquisas sejam publicadas em ambientes fora do contato do pesquisador.

Se o processo de classificação da produção acadêmica brasileira aponta para uma internacionalização, ela não se faz sem contradições e muita divergência. Se para Tani (2007) a internacionalização é um caminho a ser percorrido nos próximos anos, outros acreditam que este fato levaria ainda mais a uma dificuldade de acesso à informação por parte dos profissionais da área, aqueles que não "publicam" ( CUNHA-MELO ; SANTOS; ANDRADE, 2006; RODRIGUES , 2007).

Acreditamos que para além do domínio da língua inglesa, é o fato de dominarmos o que chamamos aqui de inglês técnico da área, que neste aspecto, faz a diferença entre aqueles que poderão publicar ou não. Independente dos altos custos de tradução da língua portuguesa para inglesa, uma solução, talvez para aqueles que escreveram seus artigos em português e desejam ver seus trabalhos publicados em revistas internacionais, é a possibilidade de dominar um inglês que facilita aceitação dos pareceristas, que diferencia o pertencimento ou não entre o nativo e o estrangeiro. Talvez por isso o grande número de publicações em que os pesquisadores advindos de universidades fora dos EUA sejam vistos junto com os das americanas. Temos apenas três publicações advindas exclusivamente de universidades onde o inglês não é a primeira língua ( LENZEN ; THEUNISSEN; CLOES, 2009; PAPAIOANNOU et al., 2007; VERSATRAETE et al., 2007). Ou seja, publicar para nós, originários da língua portuguesa é, para dizer o mínimo, complicado.

Dominar o idioma é fundamental, mas argumentamos que este domínio se faz em conjunto com outras formas objetivas e não objetivas, tais como as possibilidades de viagens internacionais que os pesquisadores brasileiros devem ser capazes de fazer e que a partir delas sejam estabelecidos laços de amizade que ao longo dos anos viabilize o aceite de artigos em revistas internacionais. Com este tipo de iniciativa individual e com a ajuda governamental seria possível melhorar a tão esperada qualificação internacional necessária aos nossos pesquisadores e aos cursos de Pós-Graduação Stricto Sensu que de sua maioria estes participam.

Investigando mais profundamente o JTPE, identificamos dois volumes dedicados exclusivamente às temáticas desenvolvidas em instituições de ensino americanas, a saber:

a) Um volume dedicado ao acompanhamento dos padrões de atendimento e eficiência das aulas de educação física nos EUA, o National Physical Education Standards. Nas palavras dos editores do volume 26, issue 4 (2007) "The purpose of this monograph is to present data from a large-scale, multifocal investigation that assessed relationships between and among motor competence, fitness, physical activity participation, and the self-perceptions of elementary-aged children"4.
b) Outro volume é dedicado ao modelo de ensino adotado por uma universidade americana. Segundo os editores deste special issue (2008, v. 27, issue 4): "Models-based instruction is the foundation of pedagogical knowledge and pedagogical content knowledge for Georgia State University's undergraduate physical education teacher education" (PETE) program5.

Os dois specials issues citados acima fazem parte de uma política de publicação da revista que oferece espaço do tipo call for monograph proposals onde autores podem mandar sugestões para que um grupo de pesquisadores publique assuntos relacionados a uma temática, com regularidade anual.

Em relação às questões metodológicas das pesquisas, é preciso dizer que as populações investigadas são classificadas por sua etnia, classe social, gênero e raça. Como exemplo, destacamos os estudos de Gao , Lodewyk e Zhang (2009) que classificam suas populações como "The majority of the participants (84.1%) were Caucasian. The remainder was African-American (11.1%), Asian American (2.4%), and Hispanic American (2.4%)" 6. Ou ainda os estudos de oliver , Hamzeh e McCaughtry (2009) que afirmam que "At the time of the study, Mexican-American girls there were approximately 366 students — 94.3% were Hispanic, 2.6% were Caucasian, and 2.6% were African American"7. Em relação a outras etnias, encontramos um estudo que era específico à minoria árabe nos Estados Unidos da América - EUA tal como segue abaixo em martin , McCaughtry, e Shen (2008)

Despite literature on African American ( MARTIN et al., 2005), Hispanic American ( MARTIN , OLIVER e MCCAUGHTRY, 2007) and Native American ( BAGLEY et al., 1995) children, we could find no research on physical activity and the determinants of physical activity among Arab American children8. (2008, v. 27, issue 2).

O uso recorrente das classificações das populações etnia e raça partem de um modo peculiar de se fazer pesquisa. É preciso um pouco de entendimento da cultura americana9 para perceber que etnia e raça contam e muito nas pesquisas produzidas por lá, fazendo com que existam classificações que são difíceis até mesmo de serem traduzidas tais como "Native American". Ou seja, alguém que pertence originalmente ao território americano, que tanto pode ser considerado um indígena ou até mesmo alguém de origem caucasiana.

Percebe-se o grande número de artigos que visam combater um dos maiores problemas sociais nos Estados Unidos: a obesidade10. Dezoito artigos têm como temática a questão das aulas de educação física em um ambiente destinado a combater a obesidade ou a falta de prática de atividade física. Uma das formas que a prática da educação física recebe é vista como "One way to combat inactivity in children is to utilize physical education programs as a means to promote active lifestyles" 11. ( BRYAN e SOLMON, 2007, p. 260).

Em diversos artigos como os de Blais (2008); Borraco et al. (2008); Cardon et al. (2009); Chow ; McKenzie; Louie (2008); Gao ; Lodewyk; Zhang (2009); Gao e Xiang (2008); Gurvitch et al. (2009); Trout e Graber (2009); Kulinna et al. (2008); Nye (2008); Ward et al. (2008) lemos que as problemáticas começam com a questão da inatividade física e como aulas podem ser mais dinâmicas, mais apropriadas e devem escutar os alunos para que as aulas práticas sejam mais adequadas. O foco é combater a inatividade física através de testes de aptidão física, avaliações sobre interesse / motivação dos alunos sobre as aulas de educação física e esportes. Aliás, a palavra motivação é recorrente nos estudos supracitados, e confere aos estudos caminhos para que sejam realizadas propostas interessantes de apoio às aulas de educação física. Em caráter comparativo na produção teórica brasileira, a concepção da temática saúde nas aulas de educação física, tem, grosso modo, suscitado críticas em relação às concepções de saúde adotadas pelo professor e pelas escolas (ou a sua ausência de debate), aos interesses dominantes das classes dirigentes e o fraco poder agregador de suscitar o interesse dos alunos, principalmente os mais escolarizados, na aplicação de políticas de práticas cotidianas saudáveis. Porém, são raros os estudos nesta área que ofereçam uma proposta metodológica, indicando como tratar a temática saúde no cotidiano escolar ( DARIDO , RODRIGUES e NETO, 2007).

Nossa produção nas questões relativas à temática saúde nas aulas de educação física tende a focar no gosto, no prazer, na prática da atividade física que agradem o aluno para hábitos de higiene e prevenção de doenças, mas não vemos que estas iniciativas sejam avaliadas através de testes ou faça parte de uma política nacional. Esta perspectiva conhecida como "saúde renovada" encontra pontos de resistência pela falta de diálogo entre as correntes pedagógicas e biológicas ( DARIDO , 2003). Aliás, as políticas nacionais para as aulas de educação física tendem a focar em temáticas sobre diversidade regional, ludicidade, socialização e a dicotomia esporte de rendimento / esporte na escola ( STIGGER e LOVISOLO, 2009).

Neste sentido identificamos uma tendência a avaliar em números, tabelas e gráficos o recorte descrito da realidade. Há uma forte tradição quantificadora nos trabalhos publicados. Testes, programas e modelos são fundamentais em 24 artigos, ou seja, em mais de um terço dos trabalhos analisados ( STANEC , 2009; KEATING et al., 2009; KULINNA et al., 2009; CHEN ; LIU, 2009; STRAN ; CURTNER-SMITH, 2009; GURVITCH ; LUND; METZLER, 2008; METZLER ; LUND; GURVITCH, 2008; LUND ; VEAL, 2008; METZLER ; McCULLICK, 2008; GURVITCH ; BLANKENSHIP, 2008; LUND ; METZLER; GURVITCH, 2008a; LUND ; GURVITCH; METZLER, 2008b; GAO ; XIANG, 2008; WRIGHT ; BURTON, 2008; LI et al., 2008; CUNNINGGHAM ; XIANG, 2008; MEMMERT ; e HARVEY, 2008; CULLICK et al., 2008; AYERS ; HOUSNER, 2008; MARTIN et al., 2008; McCAUGHTRY et al., 2008; PAPAIOANNOU et al., 2007; FERGUSON et al., 2007).

Terminamos nossa análise sobre a revista por aquilo que ali quase não se encontra: a ausência de uma discussão epistemológica sobre a educação física e seus conteúdos. Tal estranhamento pode começar a revelar o diferente e a aproximação com o distante. Apenas um artigo aborda explicitamente esta questão ( LIGHT , 2008). Na grande maioria dos trabalhos publicados se lê que os conteúdos das aulas é o esporte. E ponto. Mas esta ausência de discussão sobre o papel da educação física é uma tradição acadêmica da área no Brasil que por sua história recente passou, e nos arriscamos a dizer que ainda passa, a questionar-se a si mesma, elaborando textos sobre os objetos de suas práticas, de seus grupos, de suas tribos ( MOLINA NETO e col., 2006). O esporte figura como uma área privilegiada de nossos textos, aparecendo entre o bem e o mal, entre o correto e o inadequado, ou seja, a discussão teórica sobre a presença do esporte é figura e não fundo dos trabalhos produzidos aqui.

Este tipo de discussão passa ao largo dos trabalhos lidos na JTPE, visto que o esporte está intimamente associado à cultura americana. Já para nós, a teoria crítica do esporte no Brasil tem um espaço importante, sobretudo por nossa tradição da formação de mestres e doutores na área da educação a partir da década de 1980. É compreensivo que desde então o esporte surja entre nós como algo elitista e sua abordagem competitivista seja tomada de forma crítica no nível escolar. Em nível de História Nacional, o período de tempo da formação dos primeiros mestres doutores coincide com a anistia política, o retorno dos exilados e o que se chamou de período redemocratização. Contextualizando, lembramos que a formação desses mestres e doutores teve em termos de influência social e acadêmica toda uma literatura da época que pode ser vista como de vanguarda e também engajada com os movimentos sociais. Desde então, a crítica ao esporte, principalmente aquele praticado no espaço escolar, vem junto com uma crítica maior relacionada à sociedade, aos sistemas de produção, à exclusão social de milhões de brasileiros e a uma necessidade recorrente de fomentar teorias que dêem conta desta realidade.

Verificamos que é ausente uma discussão no que se refere ao papel do professor de educação física e das suas aulas.

 

Considerações Finais

Esperamos ter contribuído no entendimento do fluxo de publicações de um periódico internacional de língua inglesa publicado nos E.U.A. Mostramos suas particularidades e as temáticas mais discutidas em um período de três anos (2007-2009). Em diversos momentos foi preciso comparar as questões que envolvem a produção acadêmica daqui com o que líamos neste periódico internacional. Ao tomarmos como estudos os artigos publicados no JTPE, tentamos discutir nossas especificidades enquanto comunidade científica, nossas temáticas e questões. Parafraseando Da Matta (1979), discutir o que faz o Brasil, Brasil. O que está perto de nós como pesquisadores, incorporado ao nosso cotidiano o que tendemos a não perceber. Principalmente nesta tradição fazer pesquisa no Brasil, sobretudo no eixo Sudeste-Sul.

Quanto às perguntas feitas no início deste trabalho, esperamos as tê-las respondido, na medida em que se verifica que o que é tratado como saber pedagógico aqui, difere do que é tratado como pedagógico lá. Diferentes sociedades tendem a produzir diferentes questões, principalmente aquelas relacionadas ao seu desenvolvimento sócio-econômico. Se a sociedade americana precisa resolver suas questões relacionadas à inatividade física e parece estar se utilizando da educação física para tal, estamos voltados para uma educação física escolar que ainda supervaloriza o pedagógico em detrimento aos conhecimentos didático-metodológicos ( CAPARROZ e BRACHT, 2007).

Se quisermos alcançar o que agora se criou como necessidade, ou seja, conseguir publicar em revistas internacionais de maior circularidade, prestígio e com maior valoração no QUALIS periódicos, será preciso nos adaptar às temáticas, o modo de fazer pesquisa e ao vocabulário de uma comunidade científica diferente da nossa. Vale lembrar mais uma vez que nenhum artigo advindo de grupos de pesquisa brasileiros publicou no período compreendido entre 2007-2009. Para os menos desavisados, consideramos que publicar em um jornal como o JTPE, sem as devidas adaptações àquela cultura acadêmica analisadas aqui, tais como o aumento de intercâmbio internacional através de acordos entre universidades, estágios pós-doutorais, doutorados-sanduíches e a participação de congressos no exterior podem trazer ganhos futuros.

 

Referências

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Endereço para correspondência:
Carlos Henrique Ribeiro
Centro Universitário Augusto Motta
Av. Paris, 72 Bonsucesso Rio de Janeiro RJ Brasil
22041-020
Email: c.henriqueribeiro@ig.com.br

Recebido em: 16 de maio de 2010.
Aceito em: 20 de junho de 2011.

 

 

1 Termo utilizado por Bracht (2003).
2 Utilizamos o termo sociocultural para designar as produções relacionadas à educação física com interface com as ciências humanas e sociais. Para maiores entendimentos ver Daolio (2007).
3 Uma tradução livre sobre o texto em inglês seria: "divulgar pesquisas e estimular a discussão, o estudo e a critica sobre o ensino, a formação profissional e o currículo como áreas relacionadas à atividade física em escolas, comunidades, no ensino superior e esporte".
4 Uma tradução livre do texto correspondente em inglês seria: "O objetivo deste artigo é apresentar dados quantitativos em larga escala, com uma abordagem multidisciplinar que faça correlações entre competência motora, atividade física, adesão e autopercepção de crianças nos primeiros anos de escolarização".
5 Uma tradução correspondente ao texto em inglês seria: "Modelos de ensino são a base do conhecimento pedagógico dos cursos de formação profissional em educação física da Georgia State University".
6 A tradução correspondente ao texto inglês seria: "A maioria dos participantes eram de origem caucasiana (84.1). Os demais participantes eram americanos afrodescendentes (11.1%), americanos de origem asiática (2.4%) e americanos de origem latina (2.4%).
7 A tradução livre compreendida por nós seria: "Durante a realização da pesquisa, garotas americanas de origem mexicana eram aproximadamente 366. 94.3% eram latinas, 2.6% eram caucasianas e 2.6% eram americanas afrodescendentes.
8 Uma tradução livre sobre o texto em inglês seria: "Apesar de existirem estudos sobre crianças americanas de origem afrodescendentes, latinas e nativas, não foi possível encontrar estudos sobre a atividade física e seus determinantes entre crianças americanas de origem árabe".
9 A aproximação com a cultura americana está entre nós, mas compreender seus processos históricos de desenvolvimento econômico e social, a segregação racial e os movimentos civis durante a década de 1960/70 ajudam um pouco mais.
10 Segundo Usdhhs (2005), citado por Trout & Graber (2009, v. 28 Issue 3, p. 2) "Overweight and obesity have reached epidemic proportions in the United States (...) there are twice as many overweight children and nearly three times as many overweight adolescents today as there were in 1980". Uma tradução livre do texto seria: "Sobrepeso e obesidade têm alcançado proporções endêmicas nos Estados Unidos (...) existem atualmente duas vezes mais crianças com sobrepeso e quase três vezes mais adolescentes acima do peso se comparados à década de 1980".
11 Uma tradução livre sobre o texto seria: "Uma forma de combater a inatividade física em crianças é utilizar os programas de educação física como um meio de promover estilos de vida ativos".