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Motriz: Revista de Educação Física

versão On-line ISSN 1980-6574

Motriz: rev. educ. fis. (Online) vol.17 no.3 Rio Claro jul./set. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1980-65742011000300014 

ARTIGO ORIGINAL

 

Proposta de avaliação do comportamento tático de jogadores de futebol baseada em princípios fundamentais do jogo

 

Proposal for tactical assessment of soccer player's behaviour, regarding core principles of the game

 

 

Israel Teoldo da CostaI; Júlio GargantaIII,IV; Pablo Juan GrecoII;Isabel MesquitaIII,IV

INúcleo de Pesquisa e Estudos em Futebol, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG, Brasil
IIUniversidade Federal de Minas Gerais, UFMG, Belo Horizonte, MG, Brasil
IIIFaculdade de Desporto da Universidade do Porto, FADEUP, Porto, Portugal
IVCentro de Investigação, Formação, Inovação e Intervenção em Desporto, Portugal

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Os instrumentos disponíveis para a avaliação do conhecimento tático processual em Futebol têm resultado de uma abordagem vaga, no que respeita à especificidade do jogo. O presente artigo tem por objetivo fundamentar conceitualmente a construção de um modelo de avaliação dos comportamentos táticos de jogadores, com base em princípios táticos fundamentais do jogo. A proposta aqui detalhada busca evidenciar a essencialidade tática do jogo e estabelecer um vínculo entre a informação proveniente da avaliação do jogador e suas implicações na transformação positiva do processo de ensino e treino.

Palavras-chave: Futebol. Princípios táticos. Avaliação. Tática. Conhecimento tático processual.


ABSTRACT

The tactical procedural knowledge assessment has displayed scarce approach concerning characteristics of Soccer game, specially, in the teaching context. This paper aims to show a proposal of tactical behavior evaluation of soccer player which takes account fundamentals tactical principles of Soccer game. This proposal tries to reflect specificity of the Soccer context and to establish a connection between the contents of training sections and assessment of the tactical development of players in all formations stages.

Key words: Soccer. Tactical Principles. Evaluation. Tactics. Tactical procedural knowledge.


 

 

Introdução

A avaliação tática no âmbito do Futebol tem sido objeto de estudo de muitos pesquisadores que objetivam construir instrumentos capazes de avaliar adequadamente os constrangimentos relacionados com o desempenho dos jogadores durante o jogo ( TENGA et al., 2009). Os instrumentos para a avaliação do comportamento tático, descritos na literatura, se distinguem com base em dois tipos de conhecimento avaliados: o conhecimento declarativo e o conhecimento processual. O conhecimento declarativo refere-se à capacidade do praticante em declarar de forma verbal e/ou escrita qual a melhor decisão a ser tomada em uma determinada situação de treino ou de jogo e o porquê desta decisão ( TENENBAUM ; LIDOR, 2005). Já o conhecimento processual está relacionado à capacidade do jogador em operacionalizar respostas apropriadas aos problemas advindos das situações de treino e jogo, estando intimamente ligado a ação motora ( WILLIAMS ; DAVIDS, 1995; KIRKHART , 2001).

Os estudos realizados para avaliar o conhecimento tático declarativo do praticante se consubstanciam, principalmente, na apresentação de diapositivos com situações pré-definidas de jogo e na utilização de questionários e entrevistas ( FRENCH ; THOMAS, 1987; MANGAS ; GARGANTA; FONSECA, 2002). A realização de estudos com este cariz tem contribuído para a avaliação do conhecimento que suporta a realização da ação em situações de jogo ( BARD ; FLEURY, 1976). Todavia, as limitações desses instrumentos decorrem da dificuldade de simular com fidedignidade o comportamento do jogador em cenários reais de jogo ou de treino, nos quais os aspectos ambientais influenciariam as suas decisões. Por esse motivo, alguns autores têm considerado que os testes de conhecimento declarativo, recorrentemente utilizados, não permitem obter informação representativa acerca da capacidade de pensamento e de tomada de decisão do praticante em função de uma situação real de jogo ( BLOMQVIST ; VÄNTTINEN; LUHTANEN, 2005).

No que reporta a avaliação do conhecimento tático processual destacam-se três instrumentos que estão diretamente relacionados com o processo de ensino e treino: o Game Performance Assessment Instrument - GPAI ( OSLIN ; MITCHELL; GRIFFIN, 1998), o Team Sports Performance Assessment Procedure - TSAP ( GRÉHAIGNE ; GODBOUT; BOUTHIER, 1997) e a bateria de testes KORA ( MEMMERT , 2002). O GPAI, apropriado especificamente para ser utilizado em níveis mais elementares de prática, permite identificar os comportamentos dos jogadores no jogo, incluindo não só os indicadores de natureza técnica, mas prioritariamente os de natureza tática. O TSAP foi desenvolvido para providenciar informações sobre o desempenho dos jogadores no que refere aos comportamentos realizados durante a fase ofensiva do jogo. Já o KORA centra as suas análises em dois parâmetros táticos comuns as modalidades esportivas nas quais as estruturas do jogo se caracterizam pela invasão do campo adversário (oferecer-se e orientar-se, reconhecer espaços de jogo); sendo a avaliação realizada sob as perspectivas convergente e divergente, que se relacionam com a inteligência e a criatividade de jogo. Os dois primeiros instrumentos (GPAI e TSAP), no sentido de obter um índice de desempenho, têm recorrido a variáveis compostas na tentativa de ponderar as ações realizadas em função do contexto e das especificidades do jogo.

A utilização desses instrumentos para a avaliação do comportamento tático do praticante tem contribuído para a aproximação dos resultados obtidos no teste com o desempenho apresentado no jogo ( LEE ; WARD, 2009). Além disso, dois dos instrumentos apresentados (KORA e GPAI) representam avanços ao nível da avaliação do comportamento tático do jogador no jogo, no que diz respeito às interações de jogo e a consideração das movimentações de todos os jogadores envolvidos, com e sem posse de bola. Não obstante a essas contribuições, estes dois instrumentos não são sensíveis à identificação de variáveis nucleares que representam a especificidade do jogo de Futebol. Já o TSAP apresenta uma avaliação mais próxima aos comportamentos desempenhados pelos jogadores de Futebol, devido considerar os próprios ambiente e espaço de jogo e o estatuto posicional dos jogadores. Entretanto a sua debilidade recai sobre a ausência de consideração das interações de jogo e de avaliação dos comportamentos relacionados a fase defensiva.

Em face destas limitações, torna-se evidente a necessidade de se conceber instrumentos de avaliação capazes de retratar a essencialidade do jogo e de estabelecer uma conexão entre a avaliação do jogador e os conteúdos desenvolvidos no processo de ensino e treino ( GRÉHAIGNE ; GODBOUT, 1998; TENGA et al., 2009). Diante deste contexto, o presente artigo tem por objetivo fundamentar conceitualmente a construção de um modelo de avaliação dos comportamentos táticos desempenhados pelos jogadores de Futebol, com base nos princípios táticos fundamentais de jogo.

 

Necessidade de confluência entre a especificidade do jogo e a estrutura do processo de ensino e treino no Futebol

O Futebol se caracteriza pela existência simultânea de cooperação e oposição que a cada momento induz uma dinâmica relacional coletiva. A singularidade e a diversidade do fluxo de acontecimentos de jogo, que permitem a marcação de gols na baliza adversária e o seu impedimento na própria baliza, são construídas a partir das ações e das interações dos jogadores ( JÚLIO ; ARAÚJO, 2005). Para além dessas características, os constrangimentos gerados pelo acaso1( GARGANTA ; CUNHA E SILVA, 2000) e as variáveis caóticas2( LEBED , 2006) presentes no jogo também contribuem para a evolução da sua dinâmica e do seu resultado ( WERNER , 1995).

Diante de todos esses atributos, pode-se considerar o jogo de Futebol como um macro-sistema constituído por diferentes subsistemas (funcional, formal, organizacional, etc) que são influenciados e dependentes das condições de oposição, pressão temporal, adaptabilidade e cooperação ( GARGANTA , 2001b). Nesse macro-sistema as ações dos jogadores são integradas em uma estrutura que segue um determinado modelo, de acordo com certos princípios e regras que se concretizam em duas fases opostas, a saber, o ataque e a defesa ( TEODORESCU , 1984).

No que respeita ao subsistema organizacional, admite-se que os jogadores devem ser capazes de reconhecer as variáveis de jogo (jogadores, bola, balizas, árbitros, demarcações físicas, etc.) e movimentarem-se em função de uma estratégia e organização tática coletiva. Acresce que o baixo número de ações realizadas pelos jogadores com a bola suscita que as capacidades táticas e os processos cognitivos subjacentes à tomada de decisão sejam frequentemente solicitados, uma vez que, as situações de jogo mudam constantemente ao longo do tempo e as ações necessitam ser continuamente geradas, recriadas e reconstruídas através da auto-organização da equipe ( MCPHERSON , 1994).

Ao assumir essa necessidade de auto-organização coletiva, passa-se a entender que a preocupação dos jogadores de Futebol se centra, em larga medida, na gestão do espaço de jogo. Essa preocupação é legítima porque poderá exercer influência sobre outros componentes de jogo como o tempo, a tomada de decisão e a execução da ação ( BUSCÀ ; RIERA, 1999).

Desta forma, pode-se afirmar que, no plano coletivo, a equipe que estiver mais bem organizada e posicionada no campo de jogo3 terá melhores condições de conquistar os seus objetivos, já que poderá "manipular" a velocidade e a precisão das ações através da gestão do espaço de jogo. Isso significa que a equipe que conseguir coordenar as ações coletivas de ocupação dos espaços de jogo poderá reduzir o tempo de reação da equipe adversária em uma determinada situação, obrigando a que a mesma jogue em "crise de tempo", ou seja, diminuindo-lhe a precisão nas ações. Esta conduz ao aumento dos erros cometidos pelos jogadores e, portanto, pela equipe, possibilitando a recuperação da posse de bola com maior facilidade. Subsequentemente, ao ter a posse de bola, a equipe que conseguir ampliar o espaço de jogo efetivo, terá maior probabilidade de chegar ao seu objetivo e, conseqüentemente, dificultará a tarefa de reconquista da bola pela equipe adversária.

Essa forma de conceber a dinâmica do jogo de Futebol confere destaque aos aspectos táticos que implicam na disposição e na movimentação efetiva dos jogadores no campo de jogo, com relação direta na unidade de movimentação da equipe, em função dos acontecimentos da partida, do modelo de jogo da equipe e da compreensão de jogo por parte dos jogadores.

Por sua vez, o processo de ensino e treino do Futebol deve tomar em conta essas características de forma a propiciar melhorias no desempenho dos jogadores e a proporcionar níveis superiores de organização coletiva. Para favorecer esse desenvolvimento torna-se fundamental que os jogadores consigam reconhecer com celeridade e facilidade as situações de jogo, no sentido de emitir respostas rápidas e eficazes as solicitações da partida ( GRÉHAIGNE ; GODBOUT; BOUTHIER, 1997).

Devido a essa necessidade de execução de respostas rápidas e eficazes, associada à impossibilidade de padronizar seqüências de ações, que podem ser utilizadas nas sessões de treino, parece ser importante e coerente que o processo de ensino e o treino do Futebol seja baseado em princípios de jogo. Os princípios de jogo decorrem da construção teórica a propósito da lógica do jogo e se operacionalizam nos comportamentos dos jogadores ( CASTELO , 1994). Por isso, eles podem ser estabelecidos com base na dinâmica do jogo e em fatores relacionados ao rendimento individual e coletivo. Desta forma, faz todo sentido que o processo de ensino e treino tenha como orientação os princípios táticos do jogo de Futebol ( HOLT ; STREAN; BENGOECHEA, 2002).

A adoção de princípios táticos no processo de ensino e treino é importante porque proporciona aos jogadores a possibilidade de conseguirem soluções táticas eficazes para as situações de jogo ( COSTA et al., 2009). Coletivamente, a forma e a dinâmica das interações desses princípios e as suas aplicações no contexto de jogo operacionalizam e caracterizam o modelo de jogo de cada equipe. Por esse motivo, o preceito do ensino e do treino baseado nos princípios táticos do Futebol revela implicações positivas para o desempenho do jogador e a organização da equipe. A transmissão e operacionalização dos conceitos, assim como o desenvolvimento da conscientização dos jogadores sobre esses princípios através do processo de ensino e treino, ajudam na seleção e na execução da ação tática necessária à situação de jogo ( KIRK , 1983).

O desenvolvimento de tais princípios táticos no processo de ensino e no treino pode ser obtido por intermédio da alteração da estrutura formal e funcional do jogo ( LEE ; WARD, 2009). Através dessas alterações pode-se manipular a complexidade do jogo de acordo com o conhecimento tático dos praticantes e com os seus níveis de desempenho ( MESQUITA , 2006). Isso acontece quando o treinador ou professor promove modificações na estrutura do exercício, sejam elas para facilitar o fluxo de jogo, designada de modificação por representação, ou para induzir a ocorrência de ações relacionadas com as capacidades táticas, denominada de representação por exagero ( HOLT ; STREAN; BENGOECHEA, 2002).

 

Fundamentos da Avaliação do Comportamento Tático de Jogadores

Segundo Veal (1993) as avaliações dos comportamentos dos jogadores geralmente ocorrem com base em testes que estão dissociados dos aspectos que retratam o sucesso no jogo. Por causa dessa incongruência, a principal desvantagem está associada à fraca relação dos seus resultados com a capacidade do praticante em realizar a ação no local certo e no tempo apropriado, quando confrontado com a idêntica situação no jogo.

Por esse motivo, pesquisadores têm referido que os instrumentos de avaliação do comportamento tático no Futebol devem procurar retratar os aspectos essenciais do jogo e do processo de ensino e treino, quando o objetivo desse processo é propiciar melhorias no desempenho dos jogadores ( GRÉHAIGNE ; GODBOUT, 1998; BLOMQVIST ; VÄNTTINEN; LUHTANEN, 2005). Tentando apontar sugestões nesse caminho, Blomqvist , Vanttinen e Luhtanen (2005) sustentam que a avaliação realizada através do jogo é a forma mais válida de avaliar o conhecimento dos praticantes, onde o desempenho pode ser inferido por meio dos registros dos comportamentos apresentados durante o jogo e/ou através dos resultados das ações.

Essa forma de avaliação também tem sido advogada por outros pesquisadores que remetem para a importância da contextualização dos testes ( ANASTASI , 1988; WIGGINS , 1993; OSLIN ; MITCHELL; GRIFFIN, 1998). Segundo Anastasi (1988), a percepção de relevância do teste facilita a participação efetiva dos praticantes e influencia a qualidade da informação, uma vez que os avaliados estão empenhados em demonstrar o seu repertório de habilidades.

Ao ter em conta essas necessidades de retratação da especificidade do jogo e da conexão da avaliação com os conteúdos desenvolvidos no processo de ensino e treino, afigura-se plausível afirmar que os instrumentos de avaliação no Futebol devem assumir um caráter mais heurístico, de forma a suprir as exigências e conseguir retratar o desenvolvimento e o desempenho do jogador no jogo ( TENGA et al., 2009). Adicionalmente a essa característica, Gréhaigne , Godbout e Bouthier (1997) destacam a importância da objetividade da medida, de forma que o teste consiga manter a sua capacidade de avaliação a partir do contexto de jogo.

 

Proposta de Avaliação do Comportamento Tático no Futebol baseada nos Princípios Táticos Fundamentais de jogo

A partir do conjunto de sugestões apresentadas pela literatura em relação à concessão de instrumentos de avaliação, admite-se que a inclusão dos princípios táticos de jogo, em instrumentos de avaliação do comportamento tático do jogador no Futebol, comporta benefícios no que refere à especificidade do jogo, à avaliação do desempenho do praticante em contexto de jogo, à sintonia com conteúdos desenvolvidos no processo de treino, à objetividade da medida, à consideração da oposição e à avaliação de jogadores de diferentes níveis de formação.

Com base nessas considerações, sugere-se que a avaliação dos comportamentos táticos dos jogadores de Futebol tenha como variáveis latentes4 os dez princípios táticos fundamentais da fase ofensiva e defensiva5 que são apresentados no Quadro 1. A contemplação de todos esses princípios fundamentais na avaliação do comportamento tático dos jogadores Futebol se justifica devido às suas normatizações e referências espaciais permitirem aos jogadores a gestão de todo o espaço de jogo, tanto para a fase ofensiva, quanto para a fase defensiva (vide Figura 1).

A partir da conjunção entre a operacionalização dos princípios fundamentais do jogo de Futebol e a gestão do espaço de jogo, algumas ações táticas podem ser observadas no jogo e descritas, permitindo que tais princípios sejam identificados e possam fazer parte da avaliação do comportamento tático do jogador de Futebol. O Quadro 2 mostra, em função das categorias, sub-categorias e variáveis latentes, quais ações táticas podem ser consideradas como variáveis observadas em situações de jogo.

Na justa medida que o comportamento dos jogadores se adequada às sucessivas alterações produzidas no jogo ou no treino, alguns indicadores de desempenho6 também podem ser concebidos, na tentativa de ponderar e compreender a eficiência7 e a eficácia das respostas em função das exigências da situação. Os indicadores de desempenho para as ações táticas características dos princípios táticos fundamentais do jogo de Futebol foram descritos e podem ser consultadas no Anexo 1. Estes indicadores contribuem para a compreensão da eficiência de realização da ação tática, assim como as informações qualitativas advindas da sua localização no campo de jogo podem fornecer informação adicional sobre a eficiência do comportamento desempenhado pelo jogador (vide Quadro 3). No que refere à eficácia do comportamento, dez possibilidades de resultados foram organizadas em função das fases de jogo e dos seus objetivos e foram apresentadas no Quadro 3. Essas possibilidades compreendem as variáveis observadas em função das suas categorias, sub-categorias e variáveis latentes que compõem o instrumento de avaliação do comportamento tático do jogador de Futebol.

 

Considerações Finais

O objetivo desse trabalho conflui na proposta de novas categorias e variáveis baseadas nos princípios táticos fundamentais do jogo de Futebol para a avaliação dos comportamentos dos jogadores ( WORTHINGTON , 1974; QUEIROZ , 1983; CASTELO , 1994). Esse conceito visa atender a demanda por um instrumento específico e voltado para o processo de ensino e treino do Futebol ( GRÉHAIGNE ; GODBOUT, 1998; BLOMQVIST ; VÄNTTINEN; LUHTANEN, 2005). Adicionalmente, a adoção dessa proposta também poderá ser útil para complementar outros tipos de avaliações de desempenho de jogadores que estão focadas nos aspectos técnicos e fisiológicos ( TESSITORE et al., 2006; JONES ; DRUST, 2007; KELLY ; DRUST, 2009) ou nos eventos de jogo (TAYLOR; MELLALIEU; JAMES, 2005; FRENCKEN; LEMMINK, 2009).

Acresce que as categorias e variáveis presentes na proposta aqui apresentada têm também por objetivo suprir algumas das limitações evidenciadas pela literatura para os instrumentos de avaliação do comportamento tático, nomeadamente: a avaliação integrada do jogador ao contexto de jogo ( BLOMQVIST ; VÄNTTINEN; LUHTANEN, 2005), a consideração da interação dos oponentes ( TENGA et al., 2009), a capacidade de avaliação do progresso do praticante durante vários estágios do período de formação ( MEMMERT , 2002) e a conexão com os conteúdos ministrados no processo de ensino e treino ( GRÉHAIGNE ; GODBOUT, 1998).

Especificamente, a capacidade de estabelecer conexão com os conteúdos ministrados nas sessões de treino afigura-se importante, uma vez que estudos realizados recentemente têm evidenciado diferenças de conhecimento tático e de tomada de decisão entre os jogadores para as situações de jogo com a posse de bola e para as situações de jogo sem a posse de bola ( BLOMQVIST ; VÄNTTINEN; LUHTANEN, 2005; LEE ; WARD, 2009).

A pesquisa realizada por Blomqvist , Vänttinen e Luhtanen (2005) mostrou que os resultados de conhecimento tático e de tomada de decisão dos jogadores em situações com a posse de bola foram superiores aos resultados obtidos pelos jogadores em situações sem a posse de bola. Em função destes resultados os pesquisadores argumentaram que parecia haver uma focalização do processo de ensino e treino no desenvolvimento de habilidades específicas para as situações que se desenvolvem em contato com a bola e que o ensino dos movimentos sem bola era muito raro durante as sessões de treino.

Lee e Ward (2009) também destacaram essa debilidade no ensino da tática ao afirmarem que as sessões de treino parecem estar mais focadas no ensino dos aspectos gerais da tática em detrimento dos específicos. Em adição, esses pesquisadores se reportaram à importância da avaliação do comportamento do jogador ser realizada "in loco", reforçando a importância ecológica dos instrumentos de avaliação, isto é, da sua desejável afinidade com os conteúdos ministrados nas sessões de treino.

Diante desta constatação parece plausível inferir que o acesso a instrumentos de avaliação que permitam registrar resultados fidedignos sobre o comportamento tático e a progressão dos praticantes pode permitir a valorização do processo de ensino e treino. Além disso, a existência de instrumentos dessa natureza potencializaria a realização de avaliações periódicas e permitiria aos professores/treinadores a focalização dos conteúdos das sessões de treino no desenvolvimento dos comportamentos táticos necessários para a formação do praticante.

Outro aspecto importante a referir diz respeito à flexibilidade de utilização das categorias e variáveis que compõem a proposta aqui apresentada. Segundo Oslin , Mitchell e Griffin (1998) esse é um aspecto positivo e importante a ser considerado em instrumentos dessa natureza, porque permite aos pesquisadores, treinadores e/ou professores a sua utilização, tanto em situações de avaliações "in loco" como em situações de avaliações por videotapes. Além disso, a utilização de algumas ou de todas as categorias do instrumento também é válida para avaliar os comportamentos desempenhados pelos jogadores, consoante os conteúdos desenvolvidos nos treinos, os critérios de desempenho estabelecidos pelo professor/treinador e os objetivos da avaliação.

Por apresentar essas vantagens, a avaliação baseada nos princípios táticos fundamentais do jogo de Futebol pode auxiliar os professores e treinadores a melhorar e adequar a capacidade de diagnóstico, presunção e avaliação da orientação didático-metodológica conferida no processo de ensino e treino. Além do mais, esse tipo de instrumento permite a esses profissionais avaliarem jogadores em diferentes equipes e categorias, proporcionando a emergência de ilações sobre o modelo de jogo adotado por cada uma delas a partir da dinâmica de interação dos princípios táticos de jogo expressados nas ações desempenhadas pelos jogadores.

Essa proposta visa ainda reduzir a subjetividade implícita nos indicadores de desempenho presentes em outros instrumentos de avaliação do comportamento tático, especialmente no que concerne a avaliação do jogador sem a posse de bola ( MEMMERT ; HARVEY, 2008). A adoção dos dez princípios fundamentais do jogo de Futebol permite maior especificidade na observação e identificação das ações táticas desempenhadas pelos jogadores no campo de jogo, uma vez que a sua normatização e referências espaciais permitem a identificação objetiva de todas as variáveis táticas relacionadas com a gestão do espaço de jogo feita pelos jogadores.

Por pretender ser objetiva e rigorosa esta proposta de avaliação também pode propiciar maior fiabilidade nas avaliações que, por ventura, sejam feitas por pares ou realizadas em períodos temporais distintos. Essa é uma característica importante para um instrumento que permite realizar avaliações longitudinais, uma vez que o uso sistemático de avaliações ajuda a aumentar o controle e o conhecimento sobre o processo de ensino e o desenvolvimento do praticante ( RICHARD ; GODBOUT; GRIFFIN, 2002). Por sua vez, esse controle auxilia na obtenção de informações para a orientação metodológica do processo de ensino e treino, permitindo (i) a planificação e a organização do treino com maior especificidade atendendo a natureza das tarefas; (ii) a regulação da aprendizagem dos comportamentos tático-técnicos de acordo com a dinâmica das interações dos princípios táticos e o modelo de jogo da equipe; e (iii) a interpretação da organização das equipes e das ações que concorrem para a qualidade do jogo ( GARGANTA , 2001a). Em adição, essa proposta também pode auxiliar os praticantes no desenvolvimento dos seus conhecimentos e comportamentos, aumentando as suas capacidades em reconhecer as situações de jogo e ajudando na transferência do seu aprendizado para os contextos que exijam tomada de decisão e execução motora condizentes com os problemas típicos e atípicos do jogo.

Em síntese, pretende-se que a proposta de inclusão dos dez princípios táticos fundamentais do jogo de Futebol, em instrumentos de avaliação do comportamento tático de jogadores, se afigure pertinente e útil para ser utilizada no processo de ensino e treino Tal pode ser justificado pelo fato dos seus atributos e contributos terem em conta: (i) a especificidade da modalidade; (ii) a avaliação integrada do jogador ao contexto de jogo; (iii) a presença do adversário; (iv) a redução da subjetividade das medidas; (v) a conexão com os conteúdos ministrados no treino; e (vi) a avaliação do progresso dos jogadores em todas as categorias de formação.

 

Referências

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Endereço para correspondência:
Israel Teoldo da Costa
DEF-Universidade Federal de Viçosa
Av. PH Rolfs, s/n - Campus Universitário
Viçosa MG Brasil
36570-000
Telefone: (031) 3899.4394
Fax: (31) 3899.2249
e-mail: israel.teoldo@ufv.br

Recebido em: 10 de dezembro de 2009.
Aceito em: 21 de julho de 2011.

 

 

1 O acaso é designado por «sorte» quando nos é favorável e por «azar» quando nos é desfavorável (EIGEN; WINKLER, 1989).
2 Variáveis caóticas são circunstâncias através das quais se pode atingir o objetivo (gol) de forma não planificada, casual ou imprevisível (LEBED, 2006).
3 De acordo com Gréhaigne e Godbout (1995) a organização da equipe pode processar-se a dois níveis (de jogo e de equipe) e em função das suas características estruturais e funcionais. Em relação ao nível de jogo ela se estabelece em função das relações de oposição e das linhas de força ofensiva e defensiva. Ao nível da equipe, ela se materializa por meio da distribuição formal dos jogadores no campo de jogo, de forma a permitir redes de comunicações e interações. Já em relação às características, enquanto as estruturais se associam a aspectos espaciais do campo de jogo, as funcionais reportam-se às trocas, regulações e reorganização dos elementos de jogo.
4 Para Pasquali (2007), a variável latente está relacionada ao constructo do teste e se posiciona como o objeto que o teste quer medir.
5 Mais informações sobre as definições e aplicações dos princípios táticos fundamentais do jogo de Futebol podem ser obtidas no trabalho publicado por Costa et al. (2009). Princípios Táticos do Jogo de Futebol: conceitos e aplicação. Revista Motriz, 15(3), 657-668.
6 De acordo com Hughes e Bartlett (2002) um indicador de performance é uma seleção ou combinação de variáveis de ação que objetivam definir alguns ou todos os aspectos da performance.
7 Segundo Mesquita (1998) o conceito de eficiência está relacionado com a execução do movimento e o conceito de eficácia com resultado obtido.

 

 

Anexo 1