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Motriz: Revista de Educação Física

versión On-line ISSN 1980-6574

Motriz: rev. educ. fis. vol.18 no.1 Rio Claro enero/mar. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1980-65742012000100018 

ARTIGO ORIGINAL

 

Livro didático: uma ferramenta possível de trabalho com a dança na Educação Física Escolar

 

Textbook: a possible tool to work with dance at school Physical Education

 

 

Irlla Karla dos Santos Diniz; Suraya Cristina Darido

Laboratório de Estudos e Trabalhos Pedagógicos em Educação Física (LETPEF), Departamento de Educação Física, IB-Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, SP, Brasil

Endereço

 


RESUMO

O presente ensaio propõe algumas reflexões sobre como o livro didático se articula com a Educação Física, apontando algumas discussões sobre o processo de elaboração de um material de dança na perspectiva da Pluralidade Cultural voltado para o professor e para o aluno. O texto traz algumas sugestões de como construir um livro com este objetivo para a área, considerando o contexto deste componente curricular. E, finalmente problematiza algumas questões sobre a importância da autonomia do professor para o processo de ensino-aprendizagem, bem como o uso que o mesmo pode fazer do livro didático.

Palavras-chave: Dança. Livro didático. Educação Física Escolar.


ABSTRACT

This essay proposes some reflections on how the textbook is linked to Physical Education, pointing out some discussions on the process of developing a material constructed specifically about dance from the perspective of cultural diversity focused on the teacher and the student. The text gives some suggestions on how to build a book with this goal for the area, considering the context of this curricular component with regard to this material. And finally discusses some issues about the importance of the teacher's autonomy in the process of teaching and learning as well as the use that he or she can do of the textbook.

Key-words: Dance. Textbook. Physical Education.


 

 

Introdução

A dança é entendida como uma das formas mais antigas de manifestação da expressão corporal humana, traduzindo a manifestação de um povo, sua emoção e comunicação.

Essa prática corporal existe desde as civilizações mais primitivas e sua evolução obedeceu a padrões sociais e econômicos ou à necessidade do homem em expressar seus sentimentos, desejos, interesses, sonhos ou realidade por meio dos diversos tipos de dança (NANNI , 1995). Segundo Mendes (1987, p.75), a dança "é parte da natureza do homem, tão velha quanto ele, talvez expressão primeira do seu obscuro impulso para diferenciar-se dos outros animais".

A Dança faz parte da construção cultural da humanidade e por assim ser, constitui o acervo das práticas corporais que hoje são entendidas como os conteúdos da Educação Física escolar. Neste sentido, integra os elementos pertencentes à cultura corporal, no entanto, ainda possui pouco espaço no ambiente escolar (GASPARI , 2004). Em geral este conteúdo se restringe as datas comemorativas, tornando-se desconexa de todo o projeto político pedagógico da escola e da própria Educação Física.

As aulas desta disciplina ainda carregam fortes características esportivistas deixando os outros elementos da cultura corporal como danças, capoeira, lutas, jogos e brincadeiras e ginásticas, que também deveriam ser tratados, excluídos ou minimamente abordados.

Uma possibilidade para incluir a dança na escola seria relacioná-la com os Temas Transversais, que foram propostos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais em 1998 (BRASIL , 1998). Estes temas são entendidos como grandes problemas da sociedade brasileira que o governo e os próprios cidadãos têm dificuldade em conduzir soluções, e por isso, encaminham para a escola a tarefa de trabalhá-los (DARIDO ; RANGEL, 2005).

Soares et al. (1992) colocam que tratar dos grandes problemas sócio-políticos da atualidade nas aulas de Educação Física pode viabilizar uma leitura mais crítica da realidade estabelecendo laços concretos com projetos políticos envolvidos com mudanças sociais.

Os Temas Transversais apontados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) são: Ética, Saúde, Pluralidade Cultural, Trabalho e Consumo, Meio Ambiente e Orientação Sexual.

Para tratar a dança no ambiente escolar selecionou-se o tema Pluralidade Cultural, pautado principalmente na diversidade que este conteúdo possui, objetivando uma articulação entre valores, como respeito com o diferente e a apreciação destas manifestações culturais.

A Pluralidade Cultural ou Multiculturalismo foi o tema dedicado para abordar questões relacionadas à diversidade étnico-cultural, social, religiosa e política que caracteriza a sociedade (BRASIL , 1997). Esse "caldeirão plural" no convívio em grupo acaba provocando um choque entre os mais variados esteriótipos que compõem o povo.

O Multiculturalismo exalta a heterogeneidade característica dos seres humanos, no entanto, historicamente "o diferente" sempre foi alvo de discriminação e preconceito. Atualmente isto ainda faz parte da configuração social, mesmo que de forma mascarada e/ou reprimida, e este Tema Transversal coloca em discussão mais uma das urgências sociais que precisa ser refletida no interior das instituições escolares.

O choque entre culturas se torna bem visível no ambiente escolar, que é compartilhado por milhares de crianças, adolescentes e jovens. Portanto, constitui-se em um local em que a diversidade faz parte do dia-a-dia, colocando indivíduos que apresentam origens, preferências, estilos, valores e costumes distintos para compartilhar o mesmo meio. São estas condições que podem caracterizar a escola como um espaço propício para o surgimento de preconceitos, discriminação, desrespeito e inclusive atos extremos de violência (DINIZ , 2011).

De acordo com Daolio (1995) historicamente a escola, e particularmente a Educação Física, possui dificuldades em tratar de assuntos como a manifestação e a valorização da diversidade, buscando sempre uma padronização e homogeneização de seus alunos. Todavia esta disciplina não pode fechar os olhos para estes problemas, e o professor precisa munir-se de estratégias para lidar com estes entraves.

No entanto, tratar a dança isoladamente já se apresenta, muitas vezes, como uma dificuldade para o professor de Educação Física, desta forma, como articulá-la com um Tema Transversal?

Seria importante do ponto de vista pedagógico, discutir alternativas que auxiliassem o professor a lidar com algumas dificuldades e barreiras para inserir a dança sob a ótica do Multiculturalismo em suas aulas. Para Rodrigues e Darido (2011) a falta de materiais didáticos para dar suporte às práticas pedagógicas se coloca como um dos empecilhos que limitam o trabalho do professor. Neste sentido, o livro didático se apresenta como um material que pode auxiliar este profissional a refletir sobre estes desafios e sugerir propostas para desenvolver na escola trabalhos nesta perspectiva.

Contudo a Educação Física escolar possui uma nítida falta de tradição no trato com os livros didáticos, não existindo grandes reflexões acerca desta temática dentro das principais discussões desta área de conhecimento (RODRIGUES , 2009; DARIDO et al., 2010). Desta forma destaca-se a necessidade desta disciplina discutir a produção, implementação e avaliação dos livros didáticos, visto que estes são considerados como uma das principais estratégias metodológicas do processo de escolarização (BITTENCOURT , 2004).

O estudo do livro didático considerando o espectro histórico, político, econômico, social, linguístico e ideológico, evidencia que os seus problemas fazem parte de um contexto mais amplo, perpassando o sistema educacional e envolvendo estruturas globais da sociedade brasileira, como o Estado, o mercado e a indústria cultural (FREITAG et al., 1989). Para tanto, discutir suas interfaces requer estudos em outras instâncias, para que o mesmo possa ser entendido de maneira contextualizada com a realidade da qual faz parte.

Durante o período da ditadura militar, o livro didático recebeu um incentivo considerável e após esse período diversas críticas foram disparadas contra estes materiais, proliferando-se discursos que incitavam os professores a abandonarem estas "muletas", em prol de uma educação mais crítica (MUNAKATA , 2003). Desde então as críticas a estes materiais se desenvolveram, principalmente no que se refere ao seu caráter político-ideológico.

No entanto, defende-se aqui um recurso que possa complementar o espaço de ensino-aprendizagem de maneira construtiva e enriquecedora, que estimule a criatividade dos alunos e principalmente garanta a autonomia do professor.

Pensando nestas problemáticas e nas dificuldades do professor em abordar a dança no ambiente escolar, realizou-se uma análise em um material didático construído para o professor e para o aluno envolvendo estas questões. Assim o objetivo deste artigo é propor algumas reflexões sobre como o livro didático se articula com a Educação Física, bem como discutir sobre o processo de elaboração destes materiais, conectando alguns questionamentos a respeito das possibilidades que eles poderiam significar para esta disciplina, em particular sobre a dança na perspectiva do multiculturalismo.

 

Análise e discussão sobre a construção de material didático

Construir um livro didático para a Educação Física de imediato já se coloca como um grande desafio, uma vez que, como já expresso anteriormente, não existe um suporte teórico que embase esta produção voltada especificamente para a área (RODRIGUES e DARIDO, 2011; DARIDO et al., 2010).

É justamente a falta de tradição desta disciplina no encaminhamento de estudos e trabalhos sobre o livro didático que tornou a estruturação e construção do livro de dança um processo complexo.

Estas dificuldades da área não impediram que diversos livros fossem utilizados com propósitos didáticos sem, na realidade, possuírem este objetivo. Darido et al. (2010) enfatizam que o livro do Professor Hudson Ventura Teixeira (TEIXEIRA , 1983) um dos poucos produzidos para a Educação Física na escola, a princípio, dirigido aos alunos, foi utilizado substancialmente pelo professor na sua prática pedagógica.

Quando se pensa em livro didático logo se destacam questões relacionadas à organização curricular na Educação Física, um antigo problema que já foi estudado por alguns estudiosos da área como Freire e Scaglia (2004) e Kunz (1994). Escrever um livro implica em selecionar os conhecimentos que devem ser tematizados pela escola (FORQUIN , 1993).

Neste sentido Kunz (1994) defende a organização curricular para por fim à "bagunça interna" que existe na Educação Física enquanto disciplina escolar, pautado na premissa de que não existe um programa de conteúdo numa hierarquia de complexidade, nem objetivos claramente definidos para cada série de ensino.

González (2006) também defende uma organização curricular, e parte de alguns eixos de conhecimentos, para desenvolver esta estruturação, sendo: conhecimentos sobre o corpo, esporte, luta, ginástica, atividades expressivas e jogos motores. Sistematização similar àquela proposta pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), apesar de algumas nomenclaturas diferentes.

Em 1997 os PCNs (BRASIL , 1997) propõem o desenvolvimento de três blocos de conteúdos ao longo do Ensino Fundamental (esportes, jogos, lutas e ginásticas; atividades rítmicas e expressivas; e conhecimentos sobre o corpo), o que proporcionou minimamente definições mais objetivas sobre como a Educação Física deveria se organizar nas escolas brasileiras.

Palma et al. (2008) afirmam que os professores enfrentam diversas dificuldades para sistematizar os conteúdos, possuindo dúvidas que vão desde quais conhecimentos ensinar até o momento que os mesmos deveriam ser abordados dentro do currículo escolar.

Entretanto, construir um livro didático não está relacionado diretamente com a sistematização dos conteúdos da Educação Física, mas propõe discussões que estão associadas à organização de quais conhecimentos seriam relevantes para um material voltado para este componente curricular.

Para selecionar o conteúdo que seria abordado no livro, dentro da riqueza de ritmos e possibilidades que existem na dança, tomou-se como ponto de partida o Tema Transversal que embasou o material, e assim o Bumba-meu-boi, foi a manifestação selecionada, já que possui grande importância cultural para o país. Este processo de escolha foi complexo, contudo priorizou-se uma manifestação que deve ser conhecida, vivenciada e valorizada pelos alunos na escola enquanto um patrimônio da cultura nacional.

A dança folclórica do Bumba-meu-boi integra a cultura brasileira, e caracteriza principalmente a região Nordeste. Esta manifestação surgiu no século XVIII, como uma forma de criticar a situação social dos negros e índios daquele período (CARVALHO , 1995). O bumba-meu-boi reúne elementos de comédia, tragédia, drama e sátira, tentando demonstrar a fragilidade do homem diante da força do boi. Neste sentido, ela apresenta diversas possibilidades para ser abordada na Educação Física escolar, enriquecendo o ambiente de ensino aprendizagem.

A elaboração do livro evidenciou a necessidade de pensar em dois materiais distintos, o do professor e do aluno, já que os mesmos possuem particularidades que deveriam ser abordadas com objetivos distintos.

 

Livro do Professor e do aluno

O processo de elaboração dos livros didáticos mostrou-se complexo e com muitos entraves, contudo é preciso deixar claro que antes de iniciar a construção de um material com esta finalidade, é preciso possuir uma concepção de Educação Física bem definida, bem como metas traçadas acerca do que se deseja atingir com ele. Corroborando com o que propõe Lajolo (1996) que aponta a necessidade do livro didático possuir objetivos relacionados às características da escola a qual se destina, bem como de seus alunos, para que possa assumir um papel significativo para cada contexto de aprendizagem.

Entende-se que este componente curricular possui o papel de proporcionar conhecimento e vivência da cultura corporal, e neste sentido, a dança recebeu um tratamento a partir das três dimensões dos conteúdos, objetivando que o material proporcionasse ao professor enxergar possibilidades para trabalhar com os conceitos, procedimentos e atitudes, de acordo com a concepção apresentada por Coll et al., (2000).

Inicialmente o material trazia alguns textos que apresentavam ao professor algumas questões que envolviam a dança e a Educação Física, bem como uma contextualização sobre os Temas Transversais, e especificamente sobre a Pluralidade Cultural. Assim, apresentou-se conceitos e problematizações que objetivavam proporcionar algumas sugestões para tratar este conteúdo.

No livro do professor deve conter elementos textuais, figuras, sugestões de leituras, sites, vídeos, curiosidades e atividades práticas relacionando o tema ao conteúdo. Para Martins (2006) "[...] o texto do livro didático é organizado a partir de uma diversidade de linguagens, a saber, verbal (texto escrito), matemática (equações, gráficos, notações), imagética (desenhos, fotografias, mapas, diagramas)" (MARTINS , 2006, p. 126-127). Desta forma, cada um destes elementos representa maneiras diferentes para lidar com as demandas comunicativas e as relações que podem ser estabelecidas entre elas.

Colocar o professor diante destas formas de leitura proporciona a este profissional contato com outras maneiras de interpretar os conteúdos, o que fornece mais sugestões para o professor lidar com os temas que ele possui dificuldades em abordar na escola.

Estas estratégias podem contribuir para estimular múltiplas áreas, bem como tornar o material mais atrativo e desafiador para os alunos e professores. Martins (2006) reitera ainda que estes procedimentos estimulam práticas de leitura de textos multimodais, ou seja, oferecem tanto para os alunos quanto para os professores muitas possibilidades de aprendizado. Contudo, isto não se constitui em um processo linear, e desta forma pode alcançar graus divergentes dentro de cada realidade em que seja implementado um trabalho com estes materiais.

Corroborando com esta premissa, Sacristán (2000) aponta que um livro-texto, deveria trazer tópicos que abrangessem informações diversas, abordando temas de diferentes pontos de vista, contextualizando e desenvolvendo os conhecimentos, exemplificando conceitos que trata e ilustrando-os graficamente. No entanto, isto às vezes é deixado de lado simplesmente por encarecer o produto final, e tornando o material desinteressante para o mercado editorial.

É neste e em outros pontos que o livro didático recebe críticas pertinentes no que diz respeito ao seu caráter ideológico, mercadológico e político. Munakata (2003) aponta que os livros didáticos foram de certa forma, sustentadores da ideologia oficial durante a ditadura militar, fazendo inclusive apologia ao regime. Zabala (1998) intensifica este pensamento quando afirma que a maior parte dos livros didáticos trata os conteúdos de modo unidirecional, principalmente por sua estrutura não oferecer linhas de pensamento divergentes.

Munakata (2003) apresenta ainda reflexões sobre o sentido de mercadoria carregado por estes materiais, uma vez que eles possuem um objetivo exacerbadamente voltado para lucro dentro da indústria cultural. No entanto, é necessário que esta condição que lhe atribui caracterização de produto, não interfira em sua função enquanto um material importante para o trabalho do professor, perdendo qualidade em todos os seus aspectos e atropelando o processo de ensino aprendizagem.

Zabala (1998) ressalta que outro problema pode ser encontrado no modo como este material é utilizado nas aulas, estimulando uma atitude passiva por parte dos alunos, já que impossibilita a participação efetiva deles em diversos momentos da aprendizagem, bem como na escolha dos conteúdos.

Sobre esta temática Sacristán (2000) afirma que

O fato de que poucos materiais - os livros-texto - tenham que abordar todo o currículo, sendo a base das informações a partir das quais os alunos obterão as aprendizagens necessárias, devido às condições de sua produção, induz a que os livros-texto abordem os conteúdos em forma muito pobre e esquemática. Daí que, do ponto de vista cultural, sejam produtos estereotipados e, em muitos casos, bastante deficientes (SACRISTÁN , 2000, p. 152,).

Apesar destas críticas, entende-se o livro como um apoio didático para o professor desenvolver os conteúdos da cultura corporal, do modo que considerar mais adequado ao seu contexto e as necessidades de seus alunos, multiplicando as possibilidades de ensino-aprendizagem.

É claro que este tipo de proposta pode significar um risco no que diz respeito à utilização destes materiais como "receitas prontas". Darido et al. (2010) lembram que o conteúdo das aulas não pode ser prescrito, se tornando algo descontextualizado da realidade dos alunos. Estes materiais devem ser entendidos como instrumentos que proporcionarão ao professor e aos alunos novas possibilidades de aprendizado, fornecendo algumas sugestões no que se refere aos critérios avaliativos e metodológicos, bem como no planejamento de ações para serem implementadas, construídas e transformadas no ambiente escolar.

Sacristán (2000) destaca que o professor pode usufruir de quantos recursos didáticos achar necessário para auxiliá-lo, no entanto a dependência exacerbada dos mesmos pode significar uma desqualificação técnica em sua atuação profissional, deixando de serem meios para serem os sustentadores da prática pedagógica.

Contudo, Darido et al. (2010) defendem que este risco não deve impedir que novas iniciativas, que não retirem a autonomia dos professores, sejam colocadas em prática, respeitando o contexto pedagógico. Fundamentados nestas reflexões entende-se que o livro didático contribui com a prática do professor, sem se tornar o próprio currículo, desde que este profissional faça um uso crítico do material que possui em mãos. Angulski (2007) defende este posicionamento quando afirma que a utilização de livros como um material de apoio é importante para que o conteúdo das aulas seja de qualidade, no entanto, devem passar por uma visão crítica, pois qualquer material educativo, que receba este tratamento pode se constituir em um bom recurso didático.

Do mesmo modo, Lajolo (1996) afirma que

O livro do professor precisa interagir com seu leitor-professor não como a mercadoria dialoga com seus consumidores, mas como dialogam aliados na construção de um objetivo comum: ambos, professores e livros didáticos, são parceiros em um processo de ensino muito especial, cujo beneficiário final é o aluno (LAJOLO , 1996, p. 5).

É importante que o livro do professor deixe claro que ele funciona como mais uma ferramenta que pode contribuir com a prática pedagógica deste profissional. É um material que proporciona novas leituras sobre a dança, discutindo-a na perspectiva da Pluralidade Cultural e desta maneira se apresentando como mais uma possibilidade.

O livro precisa manter a conexão com a Educação Física, para que a especificidade da disciplina não seja perdida, bem como apontar ao professor as possibilidades para a formação do cidadão crítico. Logo, as atividades práticas precisariam atender as necessidades da faixa etária a qual o livro se destina, e, a partir disso o professor teria a liberdade para adaptá-las ao contexto e características específicas de seus alunos. O próprio livro pode fornecer algumas sugestões no que se refere à adaptação das tarefas propostas, proporcionando ao professor um leque maior de atividades. Lajolo (1996) enfatiza que

Nenhum livro didático, por melhor que seja, pode ser utilizado sem adaptações. Como todo e qualquer livro, o didático também propicia diferentes leituras para diferentes leitores, e é em função da liderança que tem na utilização coletiva do livro didático que o professor precisa preparar com cuidado os modos de utilização dele, isto é, as atividades escolares através das quais um livro didático vai se fazer presente no curso em que foi adotado (LAJOLO , 1996, p. 8-9).

Contudo, pensar em livro didático compreende questionamentos direcionados não apenas ao professor, mas também aquele que aprenderá com esta material em mãos: o aluno. Munakata (2003) e Lajolo (1996) afirmam que trabalhar com o livro didático implica pelo menos em dois leitores permanentes o professor e o aluno. Assim, também foi preocupação deste estudo refletir sobre as especificidades do material destinado aos alunos.

Embora o livro do aluno deva ser diferente do material professor, ambos possuem estreitas relações. O material do aluno também deve trazer textos iniciais que envolvem a Educação Física, a dança e o multiculturalismo, incluindo a relação que estes elementos mantêm entre si, todavia aparecem com outra linguagem e profundidade, de fácil compreensão e com elementos atrativos. A linguagem utilizada nestes textos deve ser direta, evitando que os alunos percam o interesse na leitura, como afirma Molina (1988, p. 94) "o vocabulário empregado é simples, para não dificultar a tarefa do aprendiz".

A mesma autora coloca ainda que as atividades presentes no livro didático designadas aos alunos permeiam diversas instâncias, e sofrem ações de múltiplas variáveis, como defendem alguns estudos desenvolvidos na área. Assim, textos didáticos podem ter o seu nível de compreensão aumentado, a partir de algumas estratégias, como a explanação dos objetivos, sumários, pré-testes, questões variadas, e as avaliações que serão desenvolvidas durante e ao final do processo (MOLINA , 1988).

O material elaborado considera estas variáveis na medida em que traz atividades de compreensão sobre um conteúdo que precisa ser anteriormente abordado pelo professor, logo estas tarefas vêm com o intuito de complementar o que foi desenvolvido em aula, ajudando este profissional a acompanhar o progresso de seus alunos.

Molina (1988) defende que ao colocar um aprendiz diante de um texto didático é preciso garantir que as atividades não sejam totalmente desconhecidas para eles, sendo função do professor situá-los sobre os conhecimentos abordados no material. Neste sentido, reafirma-se a importância do professor no processo de formação, uma vez que ele é o detentor das ferramentas para selecionar os textos e atividades pertinentes ao grupo de alunos com qual trabalha, o que constantemente falta em alguns profissionais (MOLINA , 1988).

As atividades propostas no livro são diferentes do conteúdo tradicional, propondo alguns desafios como análise imagens, pesquisas em grupo, entrevistas, palavras cruzadas, entre outros. Isto permite avaliar os alunos em diversas esferas e conhecer outras formas de proporcionar acesso a alguns conteúdos da cultura corporal.

O livro propõe leituras complementares, objetivando instigar o aluno a levar o que aprendeu na escola para fora dela, e assim, sugestões de sites, filmes e atividades diversas, podem auxiliar em uma maior transposição dos conhecimentos para o seu cotidiano.

Entretanto, materiais didáticos de nenhuma natureza substituem a boa formação do professor, fator que permite a este profissional uma leitura crítica das ferramentas que possui, bem como atingir uma reflexão sobre a sua prática cotidiana, como propostos pelos estudos de Schon (1995).

O livro didático de Dança e Multiculturalismo

Para construir este material optou-se por selecionar o sétimo ano do ensino fundamental, uma vez que foi este nível de ensino que participou de estudos anteriores à elaboração do material, com a dança e o multiculturalismo.

O conteúdo abordado foi a dança principalmente pela falta de espaço que este conteúdo possui na escola e mais especificamente na Educação Física, incluindo as dificuldades que os professores apresentam em tratar este tema. A dança foi relacionada ao multiculturalismo devido sua ampla relação com este Tema Transversal, multiplicando as possibilidades de trabalho.

Existiram algumas dificuldades no que diz respeito à seleção e organização dos conteúdos já que faltam referenciais para embasar produções, como esta, bem como uma sistematização para orientar quais seriam os conhecimentos sobre a dança mais relevantes para este nível de ensino. Todavia, apesar destas limitações, o material foi elaborado a partir de algumas leituras, reflexões e discussões a respeito da temática.

Inicialmente o livro do professor faz uma contextualização sobre a perspectiva de Educação Física assumida pelo material, e depois apresenta textos sobre a dança e a pluralidade cultural e o Bumba-meu-boi.

O Livro traz ainda sugestões de leituras complementares (Figura 1), dicas e orientações para os professores enriquecerem seus conhecimentos, acerca do Bumba-meu-boi, para que ele não possua uma visão unidirecional do assunto, podendo ampliar e construir novos conhecimentos, não se constituindo, portanto, em uma perspectiva engessada, tal como descrito no quadro.

Uma das atividades do material propõe a realização de um festival em que o enredo do Bumba-meu-boi seja construído e vivenciado pelos alunos, após a contextualização sobre esta manifestação realizada pelo professor. Inclui-se o desenvolvimento de outras atividades introdutórias que são apresentadas no livro. Sugerem-se alternativas para a construção de algumas indumentárias com materiais alternativos para enriquecer a realização desta atividade.

O material traz explícito no corpo do texto que o professor possui nele apenas algumas sugestões que podem ser adaptadas à realidade de cada contexto sócio-cultural, e inclusive indica algumas modificações e estratégias que podem ser realizadas nas atividades (Figura 2).

Atividades do livro do aluno

O livro do aluno apresenta-se de maneira diferente, considerando principalmente o público para qual se destina, sua faixa etária e também os objetivos.

O material traz atividades de compreensão sobre um conteúdo anteriormente abordado pelo professor, logo estas tarefas vêm com o intuito de complementar o que foi desenvolvido em aula, ajudando o professor a acompanhar o progresso dos alunos. São atividades que fogem ao tradicional, propondo novos desafios como análise imagens, pesquisas em grupo, entrevistas, palavras cruzadas, sugestões de leituras, entre outras. Isto permite avaliar os alunos em diversas esferas e conhecer outras formas de atingi-lo de maneira positiva e mais atraente.

Sugestões de Tarefas

1. O Bumba-meu-boi é uma dança importante para a cultura nacional. Pelo país ela acabou recebendo diversos nomes diferentes e curiosos. Leia abaixo e depois procure no caça-palavras estas variações.

I. No Maranhão, Rio Grande do Norte, Alagoas e Piauí chama-se BUMBA-MEU-BOI.

II. No Pará e Amazonas é BOI-BUMBÁ.

III. Em Pernambuco é BOI-CALEMBA.

IV. No Ceará é BOI-DE-REIS, BOI-SURUBIM e BOI-ZUMBI.

V. No Paraná e em Santa Catarina, é BOI-DE-MOURÃO ou BOI-DE-MAMÃO.

VI. Em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, é BUMBA ou FOLGUEDO-DO-BOI.

VII. No Espírito Santo é BOI-DE-REIS.

VIII. Em São Paulo é BOI-DE-JACÁ ou DANÇA-DO-BOI.

(CAVALCANTI , 2006).

Depois que você achou os vários nomes que o bumba-meu-boi recebe pelo país, levante hipóteses sobre os motivos que provocam estas variações.

2. Analise a imagem abaixo e discuta considerando as perguntas que seguem:

a) O Bumba-meu-boi pode ser desenvolvido na escola?

b) Caso a resposta seja afirmativa, cite algumas possibilidades para que isto ocorra.

 

 

Todas as atividades descritas problematizam algumas questões que o professor pode desenvolver em aula, e assim, proporcionam que o mesmo entre em contato com a aprendizagem dos alunos, abraçando os conteúdos nas dimensões conceituais, atitudinais e procedimentais.

Estas são apenas algumas possibilidades e sugestões para o professor abordar a dança no meio escolar sob uma perspectiva multicultural, além destas existem outras atividades que fornecem um suporte para a prática pedagógica deste profissional.

 

Considerações Finais

A dança possui ainda muitas dificuldades para ser desenvolvida na escola, e assim seria importante pensar em estratégias para auxiliar o professor de Educação Física a lidar com estas limitações, proporcionando a este profissional tratar de conteúdos com os quais possui barreiras para desenvolver.

Os Temas Transversais também se constituem em fatores que apresentam dificuldades para serem implementados na escola, e assim necessitam de estratégias que incentivem o seu desenvolvimento. Para tanto, um trabalho diferenciado pode articular a dança com estes temas, e, desta forma, a Pluralidade Cultural apresenta-se como uma possibilidade rica para o trabalho com este conteúdo.

A Educação Física possui ainda muitos problemas no ambiente escolar no que diz respeito à falta de orientação do que lhe é próprio, bem como abordar os conteúdos da cultura corporal, que vão além do esporte. Assim, entende-se o livro didático como uma ferramenta importante para o professor em sua prática pedagógica, e para o aluno como mais um auxiliar para o processo de aprendizagem.

Entende-se que é importante discutir estratégias para contribuir com o trabalho do professor em sua prática educativa, principalmente daqueles componentes que são negligenciados, assim o livro mostra-se como uma destas possibilidades, como encontrado nos estudos de Rodrigues (2009); Darido et al., (2010).

Destaca-se que o professor deve possuir autonomia suficiente para entender o livro didático como um material importante para processo de ensino aprendizagem da dança, fornecendo alguns subsídios para que ele possa conseguir abordar este conteúdo, e, além disso, contribuir com sua prática pedagógica. Entretanto, ainda é necessário que outros estudos que envolvam a relação que o livro didático mantém com a Educação sejam realizados, viabilizando reflexões sobre as possibilidades que este material pode significar para este componente curricular, incluindo avaliar as concepções e aprendizagens dos alunos.

Estas reflexões iniciais parecem contribuir para elaboração de um livro didático para a Educação Física, que ainda apresenta defasagens no que se refere a estas questões. Contudo, cabe ressaltar que escrever um material didático deste nível requer experiência e pesquisas na área, ampliando as discussões. Desta forma, a ideia não foi encontrar uma solução imediata para os problemas da Educação Física, mas sim propor discussões que contribuam para a melhoria deste componente curricular no meio escolar.

 

Referências

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Endereço:
Irlla Karla dos Santos Diniz
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13506-720- Rio Claro - SP, Brasil
e-mail: irllakarla@yahoo.com.br

Recebido em: 21 de setembro de 2011.
Aceito em: 26 de setembro de 2011.
Apoio Financeiro: Pibic/CNPQ

 

 

Esse trabalho foi apresentado e premiado em Sessão Temática no VII Congresso Internacional de Educação Física e Motricidade Humana e XIII Simpósio Paulista de Educação Física, realizado pelo Departamento de Educação Física do IB/UNESP Rio Claro, SP de 26/5 a 29/5 de 2011.