SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.18 número2Padrão de co-ativação dos músculos do tronco durante exercícios com haste oscilatóriaA comunicação dos treinadores de futebol de equipes infanto-juvenis amadores e profissionais durante a competição índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

Artigo

Indicadores

Links relacionados

Compartilhar


Motriz: Revista de Educação Física

versão On-line ISSN 1980-6574

Motriz: rev. educ. fis. vol.18 no.2 Rio Claro abr./jun. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1980-65742012000200005 

ARTIGO ORIGINAL

 

Processo de formação de tenistas talentosos

 

Formation process of talented tennis players

 

 

Rafael Pacharoni; Marcelo Massa

Grupo de Estudo e Pesquisa em Capacidades e Habilidades Motoras (GEPCHAM), Escola de Artes, Ciências e Humanidades, USP, São Paulo, SP, Brasil

Endereço

 


RESUMO

O objetivo do presente estudo foi obter informações a respeito do processo de formação de tenistas talentosos e os consequentes fatores que contribuíram para o alcance do profissionalismo. Para tanto, se utilizou uma amostra de cinco tenistas brasileiros profissionais, caracterizados por terem pontos na ATP (Associação dos Tenistas Profissionais). A pesquisa foi constituída através de um delineamento qualitativo, que utilizou como instrumento uma entrevista composta por três perguntas abertas, elaboradas para explorar o contexto de formação do talento. Para a análise dos resultados foi utilizado o "Discurso do Sujeito Coletivo". De acordo com os resultados, pode-se observar a importância que os professores tiveram no desenvolvimento destes tenistas talentosos, tanto na iniciação como no treinamento. No que se diz respeito ao planejamento dos treinos, o presente estudo demonstra a falta de profissionalismo nas fases iniciais do processo de formação, e a posterior preocupação apenas quando este atleta demonstra possuir algum potencial para seguir carreira profissional.

Palavras-chave: tênis; esportes com raquete; talento.


ABSTRACT

The objective of this study was to obtain information about the formation process of talented players and the factors that contributed to their professionalism. We used a sample of five Brazilian professional tennis players, with significant scores earned at the ATP (Association of Tennis Professionals). The study was conducted using a qualitative research design, which used as an instrument interview consisting of three open-ended questions designed to explore the context of training talent in tennis. For the analysis of the results we used the "Collective Subject Discourse." According to the results, we observed the importance instructors have in developing these talented players during the early and the later training process. With regard to the planning of the training sessions, this study demonstrates the lack of professionalism in the early stages of the training process and the primary concern with the athlete's professional career potential.

Keywords: tennis; racquet sports; sport talent.


 

 

Introdução

O número de praticantes do tênis de campo tem aumentado de maneira considerável no Brasil (BALBINOTTI et al., 2003). Esse aumento ocorreu tanto no âmbito recreacional, como no competitivo, sendo em torno de 11% de 2001 a 2006 (AUGUSTO, 2006; CAMARGO, 2008; FORTI; PEREIRA, 2007). Não obstante, o número de tenistas federados ultrapassa os onze mil e são mais de dez mil quadras espalhadas por todo país (BERTOZZI, 2008), onde se formam microssistemas que possuem como objetivo principal a busca pela promoção de atletas de alto-rendimento.

Ainda, muito se têm discutido na literatura esportiva sobre os processos de treinamento e o ambiente de formação do talento esportivo (ALBUQUERQUE; FARINATTI, 2007; BENTO, 1989; BERGAMO, 2004; BÖHME, 2007a; BÖHME, 2002; BÖHME, 2000; BRITO et al., 2004; CAFRUNI et al., 2006; COLANTONIO, 2007; COSTA; MASSA, 2006; HEBBELINCK, 1989; JOCH, 2005; LANARO FILHO, 2001; MASSA, 2006; MASSA, 1999; SILVA et al., 2003). Porém, quando tais estudos são relacionados com a modalidade esportiva tênis, nota-se uma grande carência de pesquisas e uma visão reducionista do desempenho futuro (MAIA, 1996; MASSA, 2006; RAMOS; NEVES, 2008). Tal observação justifica a problemática desta pesquisa com relação ao processo de formação desses talentos esportivos que chegaram ao profissionalismo.

Predizer o desempenho esportivo futuro através da formação de talentos requer a utilização de procedimentos metodológicos multivariados, pois o diagnóstico da aptidão é considerado o principal problema ao se analisar a formação de talentos esportivos (BERGAMO, 2004).

Nesse sentido, o atleta talentoso só manifestará o seu potencial se profissionais capacitados o ajudarem (COSTA; MASSA, 2006). Ao encontro de tal colocação, o processo de formação de atletas talentosos se relaciona diretamente com alguns saberes do profissional em questão, como estabelecer objetivos, conteúdos, metodologia, além de aplicar avaliações com o intuito de obter informações a respeito da aptidão físico-motora, medidas antropométricas, entre outros itens que se relacionam diretamente com tal processo (ALBUQUERQUE; FARINATTI, 2007; MASSA, 2006; RAMOS; NEVES, 2008; SILVA et al., 2003).

Não obstante, entende-se que para o atleta jovem alcançar o esporte de alto nível faz-se necessário sua participação no treinamento realizado de forma sistemática e planejada (BERGAMO, 2004; BÖHME, 2000). Alguns estudos (BLOOM, 1985; COLANTONIO, 2007; CSIKSZENTMIHALYI et al., 2007; MASSA, 2006; VIEIRA; VIEIRA, 2000) mostram a relação direta entre o treinamento a longo prazo e o talento esportivo, no qual a elaboração e o planejamento de programas para o desenvolvimento das potencialidades observadas podem garantir no futuro um melhor desempenho.

Entretanto, existe ainda o ceticismo por parte daqueles que passam mais tempo no "terreno" (CSIKSZENTMIHALYI et al., 1997; MASSA, 2006), e que acabam tomando decisões embasadas na consciência empírica. Ademais, o indivíduo que apresenta os melhores resultados naquele determinado momento, não garante necessariamente a manutenção desse mesmo posto durante a carreira como um todo, quando comparados aos indivíduos da mesma faixa etária, especialmente se estiverem em momentos diferentes de maturação. Com isso, poder-se-ia estar perdendo um talento esportivo por desconsiderarem-se as relações entre o desempenho esportivo e a idade biológica do atleta (BERGAMO, 2004; MASSA, 2006). Colaborando com tal interesse, alguns estudos (BALBINOTTI et al., 2003; BERGAMO, 2004; BRITO et al., 2004; CAFRUNI et al., 2006) apresentam dados que demonstram que o sucesso nas primeiras etapas do treinamento não está relacionado ao êxito posterior.

Por sua vez, algumas investigações demonstram que, inseridos no ambiente de treinamento destes jovens atletas, devem estar presentes objetivos e competições que tenham como finalidade despertar o interesse estável e o conhecimento da modalidade esportiva escolhida por parte do praticante (BÖHME, 2004; MASSA, 2006). Dessa forma, a integração de jovens nas formas de competição adulta deve ser gradativa, de maneira que sejam consideradas, simultaneamente, a capacidade de realização e a predisposição para a participação em uma perspectiva de formação a longo prazo (MASSA, 2006).

Sendo assim, o presente estudo tem como objetivo verificar e analisar o processo de formação de tenistas talentosos e os conseqüentes fatores que contribuíram para o alcance do profissionalismo.

 

Método

Amostra

O presente trabalho possuiu um delineamento qualitativo e contou com a descrição e análise do processo de formação de cinco tenistas profissionais caracterizados por terem pontos na ATP (Associação dos Tenistas Profissionais), todos do sexo masculino, com idade entre 18 e 30 anos. Neste sentido, o projeto seguiu as normas referentes ao Comitê de Ética em Pesquisa da UPM (CEP/UPM nº 1091/10), sendo que os atletas envolvidos tomaram conhecimento dos documentos relacionados ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e a Carta de Informação ao Sujeito de Pesquisa para a participação no estudo.

Instrumentos

Com o objetivo de verificar quais os critérios utilizados no processo de formação de atletas no tênis masculino, foi utilizado como instrumento de pesquisa o roteiro de entrevista adaptado de Massa (2006) composto por três perguntas:

1. Fale um pouco sobre os seus professores e/ou técnicos e o papel deles na sua formação.

2. O seu treinamento era planejado ou não: fale sobre ele.

3. Como foram as competições no seu treinamento? Você se destacava logo no começo ou o destaque veio com o tempo?

Procedimentos

Os depoimentos foram gravados em um gravador digital e, posteriormente, transcritos de modo a recuperar a integridade dos mesmos, servindo de matéria prima para a construção dos DSC.

Dessa maneira, de acordo com discursos individuais obtidos através da técnica de entrevista estruturada, pretendeu-se construir metodologicamente a expressão do pensamento coletivo (DSC).

Análise dos discursos

Para análise dos discursos obtidos foi utilizado o método do "Discurso do Sujeito Coletivo" (DSC) (Lefèvre & Lefèvre, 2003). O DSC permitiu uma abordagem qualitativa acerca do processo de desenvolvimento do talento. Conforme Lefèvre e Lefèvre (2003), o pensamento é algo essencialmente discursivo e só poderá ser obtido numa escala coletiva a partir de perguntas abertas elaboradas para um conjunto de indivíduos de alguma forma representativos dessa coletividade e deixar que esses indivíduos se expressem mais ou menos livremente, ou seja, que produzam discursos. Neste sentido, a questão fechada é insuficiente diante dessa perspectiva, pois não enseja a expressão de um pensamento, mas a expressão de uma adesão (forçada) a um pensamento preexistente.

 

Resultados

Com o objetivo de analisar o papel de professores e/ ou técnicos no processo de desenvolvimento do talento no tênis, é que foi elaborada a pergunta - Fale um pouco sobre os seus professores e/ou técnicos e o papel deles na sua formação -. Desta forma, seguem apresentadas na Tabela 1 as ICs (Idéias centrais) captadas, a freqüência das respostas e o percentual referente a cada IC.

 

 

Conforme as respostas na íntegra e as ICs captadas (Tabela 1) para as somas dos discursos, seguem abaixo os DSCs construídos (1 e 2) para cada IC:

DSC1: IC - A - Iniciação (S1, S2, S3, S4, S5):

O primeiro técnico que eu tive me ensinou a dar os primeiros passos, foi muito importante, me ajudou bastante. Ensinou-me a gostar, a jogar e a técnica.

DSC2: IC - B - Treinamento (S2, S3, S4, S5):

Depois da iniciação tive alguns técnicos que me ajudaram a entrar no mundo do tênis profissional; a entender o tênis profissional e a diferença para o juvenil. Mostraram-me o que eu tinha de fazer, como tinha de lidar dentro da quadra, como eu tinha que pensar para jogar. Colocaram-me para pensar sobre o que eu queria para minha vida, de querer jogar tênis e fazer uma carreira com isso. Além disso, esses treinadores ajustaram meus golpes, parte biomecânica; me ajudaram muito taticamente a melhorar meu estilo de jogo; jogar pensando mais no objetivo final da partida que é vencer o jogo; focando muito também na parte física.

Por sua vez, com o objetivo de verificar a presença de métodos fundamentados de treinamento durante os distintos períodos do TLP, é que foi elaborada a pergunta - O seu treinamento era planejado ou não: fale sobre ele -. Sendo assim, seguem apresentadas na Tabela 2 as ICs captadas, a freqüência das respostas e o percentual referente a cada IC.

 

 

Conforme as respostas na íntegra e as ICs captadas (Tabela 2) para as somas dos discursos, seguem abaixo os DSCs construídos (1, 2 e 3) para cada IC:

DSC1: IC- A- Não era planejado (S1, S3, S4, S5):

No início nada era planejado. Não havia plano nenhum. O planejamento era horário, se treinava duas horas por dia e o treino físico era antes ou depois.

DSC2: IC - B - Atualmente sim (S1, S2, S3, S4, S5):

O planejamento começou a existir mais quando passou a ser uma carreira mesmo. Aí as coisas começaram a ficar mais sérias. Com isso, os treinadores começaram a planejar meus treinamentos e viram o que eu precisava fazer, buscavam treinos para que eu aperfeiçoasse o que eu já tinha de bom e melhorasse o que eu precisava ou tinha dificuldade.

DSC3: IC - C - Era planejado (S2):

Obs: o discurso abaixo se refere exclusivamente ao sujeito S2, pois apenas ele apresentou a IC era planejado, não caracterizando, portanto, um discurso coletivo.

Sempre treinei com planejamento, treinava pra jogar tal torneio, o planejamento de treino era para aquele torneio, com objetivo específico.

Não só, com o objetivo de absorver informações a respeito do ambiente competitivo e seus reflexos no processo de desenvolvimento de tenistas brasileiros talentos, é que foi elaborada a pergunta: - Como foram as competições no seu treinamento? Você se destacava logo no começo ou o destaque veio com o tempo? -. Assim, seguem apresentados na Tabela 3 as ICs captadas, a freqüência das respostas e o percentual referente a cada IC.

 

 

Conforme as respostas na íntegra e as ICs captadas (Tabela 3) para as somas dos discursos, seguem abaixo os DSCs construídos (1, 2, 3 e 4) para cada IC:

DSC1: IC -A - Destaque com o tempo (S1, S3, S5):

O destaque veio com o tempo. Acho que eu comecei ali, abaixo do padrão em relação a muita gente; eu era muito ansioso, queria ganhar sem perder um ponto; mas fui lutando, acreditando, insistindo, superando muita coisa e aí comecei a me destacar. Mas o destaque foi depois de tudo.

DSC2: IC - B - Competição como parte do treinamento (S1, S4):

Acho que dentro dos treinamentos é importante sempre competir, as competições são boas. A competição lhe traz experiência... porque aí eu via o que acontecia no jogo, e jogava pra dentro dos treinos; treinava, aí depois jogava para que melhorasse aquilo. E com isso fui evoluindo tanto dentro, como fora dos treinos. Além do que a competição cria uma rivalidade entre a galera e isso ajuda a melhorar porque cada um entra com vontade de ganhar do outro e faz com quem todos elevem o nível de jogo.

DSC3: IC -C- Destaque desde cedo (S2):

Obs: o discurso abaixo se refere exclusivamente ao sujeito S2, pois apenas ele apresentou a IC destaque desde cedo, não caracterizando, portanto, um discurso coletivo.

Eu acho que desde o começo. Nos treinamentos, eu sempre treinava com o pessoal acima de mim; com nível, idade acima da minha; e nos torneios também, tanto que com 16 anos quando eu comecei a jogar profissional, eu parei de jogar o juvenil de 16 anos e comecei a jogar um pouco de 18 anos; e eu estava lá sempre entre os primeiros; eu não tinha um ranking bom, porque eu jogava poucos torneios, mas quando eu perdia era sempre pro número 1, número 2, jogo sempre duro; então eu estava sempre 1 passo a frente de todo mundo, seja nos treinos, nos jogos.

DSC4: IC - D - Oscilações nos períodos de destaque (S4):

Obs: o discurso abaixo se refere exclusivamente ao sujeito S4, pois apenas ele apresentou a IC oscilações nos períodos de destaque, não caracterizando, portanto, um discurso coletivo.

No começo eu me destaquei; no meio eu não me destacava tanto e comecei a me destacar mais agora. Mas no início eu ia bem, depois dei uma relaxada, não levava tão a sério; então teve um pessoal que me passou e desta forma voltei a fazer o meu melhor e a me destacar novamente.

 

Discussão

Capacidade profissional

Para que o atleta talentoso possa manifestar seu potencial, faz-se necessário a sua inclusão em um sistema que lhe seja capaz de oferecer um ambiente favorável de desenvolvimento. Desta forma, a importância do treinador, ou profissional em questão e seus saberes, tais como estabelecer objetivos, conteúdos, metodologia, além de aplicar avaliações com o intuito de obter informações a respeito da aptidão físico-motora, medidas antropométricas, entre outros itens, relacionam-se diretamente com tal processo formativo (ALBUQUERQUE; FARINATTI, 2007; COSTA; MASSA, 2006; MASSA, 2006; RAMOS; NEVES, 2008; SILVA et al., 2003).

Ademais, segundo alguns estudos (ALBUQUERQUE; FARINATTI, 2007; BLOOM, 1985; MASSA, 2006) os professores e treinadores fazem parte das forças de apoio, caracterizadas por exercerem influência motivacional direta nesse processo de formação. Não obstante, algumas pesquisas (MASSA, 2006) destacam o papel dos técnicos esportivos, sobre os quais os atletas olímpicos norte americanos citaram a habilidade para ensinar e a habilidade para motivar como as principais qualidades que estes devem possuir.

Com base nos resultados dos DSCs apresentados, pode-se verificar conforme a Tabela 1, que o DSC1 trata sobre os treinadores da fase de iniciação no tênis, enquanto o DSC2 aborda os treinadores da fase posterior, ou seja, de treinamento para o alto rendimento na modalidade.

Em relação ao DSC1 (iniciação), foi possível perceber a grande importância que os atletas atribuem aos seus treinadores nesta fase (80%). É comum neste discurso nos depararmos com a expressão "me ensinou a gostar". Logo, tal expressão vai ao encontro a outros estudos (BLOOM, 1985; MASSA, 2006), no qual o professor aparece como força de apoio essencial para gerar o prazer pela prática, fornecer reforços afetivos positivos às necessidades inerentes ao período da infância e, consequentemente, contribuir para a permanência deste na modalidade. O trabalho em fases iniciais tem avançado constantemente com a unificação metodológica proposta pela ITF (Federação Internacional de Tênis), através da metodologia "Play and Stay", que possui como objetivos centrais que o tênis se torne mais fácil, mais divertido e consequentemente mais prazeroso. Para alcançar tais objetivos foram desenvolvidos materiais adaptados a cada faixa etária, permitindo um trabalho mais qualitativo e especializado.

Ademais, outros estudos (CSIKSZENTMIHALYI et al., 1997) relevam a importância do apoio dos treinadores capacitados para que os atletas não desistam da modalidade ao longo de seus confrontos, fortalecendo assim os valores que regem o esporte.

Por sua vez, o DSC2 (treinamento) revelou a fundamental importância que os treinadores possuem nas fases posteriores e finais da aprendizagem (100%). Visto, o DSC2 demonstra o grande valor que o profissional em questão possui para os seus atletas nessa fase, onde foi possível visualizar ao longo do discurso as mais diferentes atribuições de valores, como "ajudou-me a melhorar a técnica, a tática, a parte física, mostrou-me os caminhos e as diferenças entre o circuito juvenil e profissional".

Logo, tal discurso vai ao encontro à literatura (BLOOM, 1985; MASSA, 2006), no qual dentro de um processo sistêmico, os atletas talentosos passam a ter acesso a treinamentos e ambientes competitivos que promovam desafios crescentes, permitindo assim, o desenvolvimento destes para que se obtenha o sucesso futuro. Sendo assim, o treinador apresenta-se principalmente como um direcionador, ajudando os atletas a enfrentar de maneira menos desgastante os embates inerentes ao longo caminho esportivo.

Portanto, o estudo corrobora com a literatura (BLOOM, 1985; COLANTONIO, 2007; COSTA; MASSA, 2006; CSIKSZENTMIHALYI et al., 1997; MASSA, 2006) ao demonstrar a fundamental importância de termos professores e treinadores capacitados e especializados ao longo das fases do processo de treinamento, podendo assim contribuir para maximizar o potencial de performance do talento esportivo.

Planejamento e controle

Entende-se que para o atleta jovem alcançar o esporte de alto nível faz-se necessário sua participação no treinamento realizado de forma sistemática e planejada (BERGAMO, 2004; BÖHME, 2000).. Corroborando, alguns estudos (BLOOM, 1985; COLANTONIO, 2007; CSIKSZENTMIHALYI et al., 1997; MASSA, 2006; VIEIRA; VIEIRA, 2000). mostram a relação direta entre o treinamento de longo prazo e o talento esportivo, no qual a elaboração e o planejamento de programas para o desenvolvimento das potencialidades observadas podem garantir no futuro um melhor desempenho.

Ademais, o melhor desempenho futuro se relaciona diretamente com o período de infância e adolescência, onde os fundamentos importantes para os mesmos são desenvolvidos, o que pressupõe um planejamento sistêmico de longo prazo (BÖHME, 2002; BÖHME, 2000; LANARO FILHO, 2001; MASSA, 2006; VASCONCELLOS et al., 2005).

Não obstante, alguns estudos (COUTINHO, 2008; MASSA, 2006; MASSA, 1999) afirmam que a falta de padrão ou qualquer procedimento fundamentado faz com que o processo de formação desses talentos esteja relacionado à consciência empírica de cada técnico, resultando naqueles que são chamados de "experts", possuidores de um grande conhecimento sobre a modalidade esportiva que atuam, ou então, naqueles que realizam intervenções simples, com um fim em si próprio e conseqüentemente perigoso, pois é suscetível a interpretações equivocadas.

Conforme podemos observar na Tabela 2, a maioria dos atletas (80%) não tinha o seu treinamento planejado, e este só ocorreu posteriormente como podemos ver na idéia central "atualmente sim" (100%). Ademais foi possível notar que apenas um atleta (20%) possuiu um treinamento planejado desde as idades iniciais.

O DSC1 (não era planejado) corrobora com um estudo (MASSA, 2006) aplicado com judocas olímpicos, no qual os atletas não possuíram nenhum tipo de planejamento sistêmico de longo prazo. Visto, é possível verificar nos discursos termos que ratificam essa carência, tais como: "o planejamento era o horário do treino", "se o físico seria antes ou depois", "não havia plano nenhum".

Por sua vez, o DSC2 (atualmente sim), corrobora com a discussão da Tabela 1, na qual, os tenistas transitaram para sistemas melhores de treinamento, onde encontraram um ambiente favorável para o desenvolvimento do seu talento (BLOOM, 1985; COLANTONIO, 2007; CSIKSZENTMIHALYI et al., 1997; MASSA, 2006). Ademais, podemos notar nos discursos que essas estruturas proporcionaram um planejamento individualizado, o que se difere de outras modalidades investigadas (MASSA, 2006), nas quais o planejamento era feito para todo o grupo.

Se aproveitando de tal discussão, pode-se agregar a esta o pensamento a respeito dos atletas que não chegaram ao profissionalismo. O momento percebido no qual os tenistas talentosos não possuíam planejamento dos seus treinamentos e o momento em que passaram a tê-los em fases posteriores ou finais caracteriza uma limitação do estudo em relação ao saber como estes atletas foram direcionados a melhores estruturas. Não obstante, aqueles atletas que não chegaram ao profissionalismo teriam tido posteriormente acesso a estes mesmos sistemas capacitados? Fica aqui um convite a novos estudos que possam analisar este delicado momento no processo de formação de talentos, que seria a transição dos atletas de estruturas mais simples para estruturas mais sistêmicas e capacitadas.

Corroborando com tal idéia, existe ainda o ceticismo por parte daqueles que passam mais tempo no "terreno" (COUTINHO, 2008; MASSA, 2006;), que como já discutido em outro momento neste artigo, acabam tomando decisões embasadas na consciência empírica. Ademais, o indivíduo que apresenta os melhores resultados naquele determinado momento, não garante necessariamente a manutenção deste mesmo posto durante o período da vida, quando comparados aos indivíduos da mesma faixa etária, especialmente se estiverem em momentos diferentes de maturação. Com isso, poder-se-ia estar perdendo um talento esportivo por desconsiderar-se as relações entre o desempenho esportivo e a idade biológica do atleta (BERGAMO, 2004; MASSA, 2006).

Entretanto, o DSC3 (era planejado), nos apresenta uma perspectiva mais promissora para os processos de TLP (treinamento de longo prazo) no tênis. O discurso em questão revela que o atleta sempre treinou com planejamento, mesmo que esse aparente pelo discurso ser resumido a um curto período de tempo. Ademais, o sujeito em questão foi o que mais se destacou posteriormente no circuito profissional, obtendo resultados de alta relevância para um tenista, como por exemplo, ter figurado entre os 100 melhores tenistas do mundo. Tal fato confirma todos os estudos e discussões apresentadas até aqui (BENTO, 1989; BERGAMO, 2004; BLOOM, 1985; BÖHME, 2007b; BÖHME, 2000; COLANTONIO, 2007; COSTA; MASSA, 2006; LANARO FILHO, 2001; MASSA, 2006; VIEIRA; VIEIRA, 2000; WEINECK, 1999), no qual um treinamento sistemático e planejado por profissionais capacitados desde idades iniciais promove o alcance do êxito posterior.

Não obstante, com os programas de capacitação profissional oferecidos pelas entidades máximas do tênis, a perspectiva é que tenhamos em um curto período de tempo, mais sistemas capacitados espalhados por todo território nacional. Sendo assim, com o conhecimento difundido, metodologias atualizadas, registros científicos, a boa formação do profissional de educação física e esporte e profissionalismo, as chances de possuirmos mais jogadores inseridos em um processo de TLP aumentam, e, consequentemente, a chance de termos mais tenistas manifestando seus talentos também. Sendo assim, o resultado será fruto de um processo explicado (MAIA, 1996).

Ambiente competitivo e o destaque no circuito

De acordo com a literatura, a integração de jovens nas formas de competição adulta deve ser gradativa, de maneira que sejam consideradas, simultaneamente, a capacidade de realização e a predisposição para a participação, em uma perspectiva de formação de longo prazo (MAIA, 1996). Não obstante, inserido no ambiente de treinamento destes jovens atletas devem estar presentes objetivos e competições que tenham como finalidade despertar o interesse estável e o conhecimento da modalidade esportiva escolhida por parte do praticante (BÖHME, 2004; MASSA, 2006).

Desta forma, o desempenho esportivo se relaciona profundamente com o processo de treinamento esportivo e com a competição (BÖHME, 1999).

Visto, de acordo com os resultados dos DSCs apresentados, pode-se verificar conforme a Tabela 3, que a maioria dos tenistas apenas se destacou em competições com o passar do tempo (60%), ao passo que alguns tenistas citaram o papel das competições durante o treinamento (40%); 1 tenista se destacou desde o início na modalidade (20%), enquanto outro sofreu oscilações ao longo do período de destaque (20%).

Em relação aos DSC 1 (destaque com o tempo), DSC3 (destaque desde cedo) e DSC4 (oscilações nos períodos de destaque) é possível notar que os resultados corroboram com alguns estudos (MASSA, 2006), nos quais casos como o de Gustavo Kuerten demonstram que ele, sempre teve facilidade para a prática do tênis; porém, nunca foi um dos destaques principais durante o período de formação; sobretudo se nos basearmos em rankings.

Não obstante, o DSC1 (destaque com o tempo) corrobora com o pressuposto de que o resultado em competições foi progressivo de acordo com a evolução do processo de treinamento de longo prazo. Ou seja, quanto maior a dedicação aos treinamentos, maior a evolução nas competições. Ademais, o DSC1 acrescenta que o destaque foi depois de tudo, onde a evolução nas competições se manifestava de maneira consistente e crescente, associada à exigência do treinamento de longo prazo (MASSA, 2006).

Por sua vez, o DSC2 (competições como parte do treinamento) indica que a competição era mais um momento de aprendizado, onde o tenista visualizava o que acontecia no jogo, e transportava o fato para o ambiente de treinamento, com o objetivo de melhorar aquele aspecto. Conseqüentemente, é presente em tal discurso frases como "e com isso fui evoluindo tanto dentro, como fora dos treinos". Ademais, inserido neste contexto de treinamento apresenta-se o fator motivacional, onde a competição de maneira positiva fazia com que ambos os jogadores, devido ao desafio, elevassem o nível de jogo, ocorrendo aprendizado.

Portanto, mais uma vez, os resultados encontrados parecem se aproximar da literatura relacionada aos processos de desenvolvimento de talentos no que se refere à possibilidade do talento se desenvolver diante de um processo de treinamento de longo prazo (BALBINOTTI et al., 2003; BERGAMO, 2004; BÖHME, 2007b; BÖHME, 2004; BÖHME, 1999; CAFRUNI et al., 2006; COLANTONIO, 2007; HEBBELINCK, 1989; MASSA, 2006).

Contudo, faz-se importante que tais dados sejam utilizados no dia-a-dia destes sistemas de treinamento; estes que por sua vez são, em sua maioria, dirigidos por profissionais sem formação em educação física ou esporte, oriundos da prática e em grande parte céticos por conhecimentos científicos. Resultado de tal ceticismo, é a baixa formação de tenistas profissionais, quando nos comparamos a outros países vizinhos, como a Argentina. Desta forma, perde-se ou deixa-se de desenvolver um talento por falta de conhecimento, como por exemplo, em relação aos dados acima, dos quais a maioria dos tenistas teve destaque com o tempo.

Sendo assim, o presente estudo alcançou no seu decorrer, os objetivos propostos em seu início, no qual podemos observar a fundamental importância de termos profissionais de educação física e esportes capacitados e especializados ao longo das fases do processo de treinamento. Desta forma, um treinamento sistemático e planejado em longo prazo (TLP), por profissionais capacitados desde idades iniciais corrobora a manifestação do talento e o consequente alcance do êxito posterior.

 

Referências

ALBUQUERQUE, P. A.; FARINATTI, P. T. V. Desenvolvimento e validação de um novo sistema de seleção de talentos para a ginástica olímpica feminina: a bateria PDGO. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, São Paulo, v. 13, n. 3, 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbme/v13n3/v13n3a06.pdf>. Acesso em: 10 set. 2010.         [ Links ]

AUGUSTO, H. A relação do nível de motivação intrínseca e o resultado da competição em atletas juvenis praticantes de tênis de campo. 2006. Monografia (Bacharelado em Educação Física) - Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2006.         [ Links ]

BALBINOTTI, M.; BALBINOTTI, C.; MARQUES, A.; GAYA, A. Estudo descritivo do inventário do treino técnico-desportivo do tenista: resultados parciais segundo o sexo. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, Porto, v. 3, n. 3, p. 7-17, 2003.         [ Links ]

BENTO, J. O. Detecção e fomento de talentos. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Taguatinga, v. 3, n. 3, p. 84-93, 1989.         [ Links ]

BERGAMO, V. R. Estabilidade: aspecto significativo na previsão do talento no basquetebol feminino. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Taguatinga, v. 12, n. 2, p. 51-56, 2004.         [ Links ]

BERTOZZI, P. Eu sou a lenda. Revista Máquina do Esporte: a revista do marketing esportivo. São Paulo, v. 6, n. 1, 2008.         [ Links ]

BLOOM, B. S. Developing talent in young people. New York: Ballentine, 1985.         [ Links ]

BÖHME, M. T. S. A contribuição do curso de pós-graduação em Educação Física da Escola de Educação Física e Esporte no desenvolvimento da linha de pesquisa em esporte infanto-juvenil, treinamento a longo prazo e talento esportivo. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 21, p. 115-130, 2007a.         [ Links ]

BÖHME, M. T. S. O tema talento esportivo na ciência do esporte. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Taguatinga, v. 15, n. 1, p. 119-126, 2007b.         [ Links ]

BÖHME, M.T.S. Talento esportivo. In: GAYA, A.; MARQUIES, A.; TANI, G. (Ed.) Desporto para Crianças e Jovens: razões e finalidades. Porto Alegre: UFRGS, 2004. p. 235-249.         [ Links ]

BÖHME, M. T. S. O talento esportivo e o processo de treinamento a longo prazo. In: ROSE JUNIOR, D. de. (Ed.) Esporte e atividade física na infância e na adolescência: uma abordagem multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2002. p. 109-122.         [ Links ]

BÖHME, M. T. S. O treinamento a longo prazo e o processo de detecção, seleção e promoção de talentos esportivos. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Porto Alegre, v. 21, n. 2/3, p. 4-10, 2000.         [ Links ]

BÖHME, M. T. S. Aptidão física de jovens atletas do sexo feminino analisada em relação a determinados aspectos biológicos, idade cronológica e tipo de modalidade esportiva praticada. 1999. Tese (Livre Docência) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 1999.         [ Links ]

BRITO, N.; FONSECA, A.; ROLIM, R. Os melhores atletas nos escalões de formação serão igualmente os melhores atletas no escalão sénior?: Análise centrada nos rankings femininos das diferentes disciplinas do Atletismo ao longo das últimas duas décadas em Portugal. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, Porto, v. 4, n. 1, p. 17-28, 2004.         [ Links ]

CAFRUNI, C.; MARQUES A.; GAYA, A. Análise da carreira desportiva de atletas das regiões sul e sudeste do Brasil: estudo dos resultados desportivos nas etapas de formação. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, Porto, v. 6, n. 1, p. 55-64, 2006.         [ Links ]

CAMARGO, V. L. A. Organização e planejamento na gestão das academias de tênis de campo na cidade de Londrina/PR. 2008. Monografia (Bacharelado em Esporte) - Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2008.         [ Links ]

COLANTONIO, E. Detecção, seleção e promoção de talento esportivo: considerações sobre a natação. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Taguatinga, v. 15, n. 1, p. 127 -135, 2007.         [ Links ]

COSTA, J. MASSA, M. O processo de detecção e seleção de talentos no handebol. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, Barueri, v. 5, n. 2, p. 85-93, 2006.         [ Links ]

COUTINHO, C. Sucesso no tênis: a ciência por trás dos resultados. Lisboa: [S.n.], 2008.         [ Links ]

CSIKSZENTMIHAL, Y. I. K.; RATHUNDE, K.; WHALEN, S. Talented teenagers: the roots of success and failure. United States: Cambridge University, 1997.         [ Links ]

FORTI, D.; PEREIRA, J. S. Aspectos lesionais do comprometimento osteomioarticular em praticantes amadores de tênis: estudo preliminar. Revista Fitness & Performance Journal, Rio de Janeiro, v. 6, n. 1, p. 53-56, 2007.         [ Links ]

HEBBELINCK, M. Identificação e desenvolvimento de talentos no esporte: relatos cineantropométricos. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Taguatinga, v. 4, n. 1, p. 46-62, 1989.         [ Links ]

JOCH, W. O talento esportivo: identificação, promoção e as perspectivas do talento. Rio de Janeiro: Publishing House Lobmaier, 2005.         [ Links ]

LANARO FILHO, P. Referenciais para detecção, seleção e promoção de talentos esportivos em GRD. 2001. Dissertação (Mestrado) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001.         [ Links ]

LEFÈVRE, F.; LEFÈVRE, A. M. C. O discurso do sujeito coletivo: um novo enfoque em pesquisa qualitativa (Desdobramentos). Caxias do Sul: EDUCS, 2003.         [ Links ]

MAIA, J.A.R. O prognóstico de desempenho do talento esportivo: uma análise crítica. Revista Paulista de Educação Física, São Paulo, v. 10, n. 2, p. 179-193, 1996.         [ Links ]

MASSA. M. Desenvolvimento de judocas brasileiros talentosos. 2006. Tese (Doutorado) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.         [ Links ]

MASSA. M. Seleção e promoção de talentos esportivos em voleibol masculino: análise de aspectos cineantropométricos. 1999. Dissertação (Mestrado) - Universidade de São Paulo, São Paulo, 1999.         [ Links ]

RAMOS, A. M.; NEVES, R. L. R. A iniciação esportiva e a especialização precoce á luz da teoria da complexidade: notas introdutórias. Revista Pensar a prática, Goiânia, v. 11, n. 1, p. 1-8, 2008.         [ Links ]

SILVA, L. R. R.; BÖHME, M. T. S.; UEZU, R.; MASSA, M. A utilização de variáveis cineantropométricas no processo de detecção, seleção e promoção de talentos no voleibol. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Taguatinga, v. 11, n.1, p. 69-76, 2003.         [ Links ]

VASCONCELLOS, D. I. C.; ANDRADE, A.; LIMA, M. B. N.; VIANA, R. P. M. S. Determinantes na transição de carreira no tênis: o caminho para o circuito profissional. Efdeportes.com: Revista Digital, Buenos Aires, v. 10, n. 91, 2005. Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd91/tenis.htm>. Acesso: 02 set. 2010.         [ Links ]

VIEIRA, L. F.; VIEIRA, J. L. L. A relação entre timing vital e social de talentos esportivos: um estudo com atletas paranaenses do atletismo. Revista da Educação Física/ UEM, Maringá, v. 11, n. 1, p. 119-128, 2000.         [ Links ]

WEINECK, J. Treinamento ideal. São Paulo: Manole, 1999.         [ Links ]

 

 

Endereço:
Marcelo Massa
USP - Escola de Artes, Ciências e Humanidades, EACH
Rua Arlindo Bettio, n. 1000, Sala 40 (Prédio A1)
03828-000 São Paulo SP Brasil
e-mail: pacharoni_rp@yahoo.com.br

Recebido em: 5 de fevereiro de 2011.
Aceito em: 3 de outubro de 2011.

 

 

Resumo anteriormente apresentado no III Congresso de Ciência do Desporto - II Simpósio Internacional de Ciência do Desporto. Dezembro de 2009. Campinas, São Paulo, Brasil.

Creative Commons License Todo o conteúdo deste periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons