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REMHU: Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana

Print version ISSN 1980-8585

REMHU, Rev. Interdiscip. Mobil. Hum. vol.22 no.42 Brasília Jan./June 2014

http://dx.doi.org/10.1590/S1980-85852014000100001 

EDITORIAL

 

 

Até poucos anos atrás, o tema das crianças e adolescentes migrantes não era objeto de amplas investigações acadêmicas. As teorias migratórias de cunho economicista não estavam muito interessadas num grupo humano pouco envolvido no mundo do trabalho.

No entanto, mais recentemente, vários estudos têm ressaltado como crianças e adolescentes podem protagonizar uma jornada migratória com vistas à reunificação com os próprios parentes ou, mais simplesmente, para seguir as pegadas de amigos ou conhecidos (veja-se o artigo de Capote). Os dados estatísticos confirmam o crescimento do número de crianças e adolescentes que emigram no mundo inteiro.

Esta nova realidade apresenta importantes e complexos desafios, entre os quais cabe destacar a questão dos assim chamados "menores migrantes não acompanhados", cuja presença interpela as sociedades de chegada de um ponto de vista político, jurídico (López Ulla), assistencial (Giordano), psicológico (De Micco), sanitário, educacional (Lamaire), entre outros. Nestas abordagens interdisciplinares, a preocupação de fundo é a promoção dos direitos dos menores migrantes (Senovilla Hernández), levando em conta princípios básicos, entre os quais cabe destacar o do "superior interesse da criança e do adolescente", que antecede ou deveria anteceder qualquer outra ponderação de política migratória ou de cunho econômico (Ceriani Cernadas/García/Gómez Salas).

Nos EUA, a questão das crianças e dos adolescentes migrantes tem sido focada, nas últimas décadas, principalmente na ótica da assimilação dos estrangeiros na sociedade norte-americana. As assim chamadas "segundas gerações" têm sido objeto de pesquisas e análises a fim de identificar, principalmente, o grau e o tipo de integração na sociedade de acolhida. Na Europa o debate mais recente, além de questionar determinadas categorias analíticas - como, por exemplo, o conceito de "segunda geração" (a partir de qual geração a pessoa deixa de ser "migrante"?) -, tem focado sua reflexão sobre os menores não acompanhados e sobre a integração dos filhos dos migrantes na sociedade de acolhida, destacando as complexas relações intergeracionais, os desafios decorrentes da inserção no mundo educacional e, de forma mais geral, sobre a construção identitária em espaços intersticiais (Padilla/Ortiz).

Nesta complexa realidade, crianças e adolescentes migrantes passam, com frequência, por situações de discriminação ou outras violações de direitos fundamentais. No entanto, não faltam também as boas práticas no âmbito da assistência social (Giordano) e, sobretudo, no âmbito da educação, um espaço privilegiado enquanto espelho da realidade e, ao mesmo tempo, caminho de emancipação (Colombo).

Na América Latina, a reflexão é ainda mais recente. Mediante abordagens interdisciplinares tem-se analisado a presença de filhos de estrangeiros, principalmente no âmbito da educação (Domenech, Gavazzo/Beheran/Novaro, Oliveira) e do trabalho (Freitas). A "naturalização" das representações sociais negativas - ou positivas - acerca dos imigrantes e os estereótipos decorrentes de algumas práticas culturais ou, mais simplesmente, do sotaque e do fenótipo - mesmo em relação a crianças e adolescentes que nasceram e são cidadãos do país de chegada - atestam o complexo processo de busca pelo reconhecimento social. É neste contexto que essas pessoas "em desenvolvimento" vivem o embate entre as exigências e as expectativas da família e, por outro lado, as pressões por uma maior integração em um ambiente externo que os "extranjeriza" (Domenech).

A secção Artigos desta revista apresenta dois preciosos textos sobre a intelecção teórica da questão migratória contemporânea a partir da Espanha (Yufra) e sobre a costrução de habitações "wasted" em Equador com a utilização das remessas dos migrantes, enfatizando as consequências em termos sociais e de paisagem (Mata Codesal). A secção Relatos e Reflexões, por sua vez, debruça-se sobre a proteção das crianças refugiadas no Brasil (Martuscelli) e sobre a ação profética junto a crianças migrantes órfãs da Bem-aventurada Assunta Marchetti (Ir. Erta Lemos, mscs).

A secção de Resenhas, Teses e Dissertações encerra o volume.

Desejamos a todos e todas uma boa leitura!

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