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Alfa: Revista de Linguística (São José do Rio Preto)

Print version ISSN 0002-5216On-line version ISSN 1981-5794

Alfa, rev. linguíst. (São José Rio Preto) vol.59 no.1 São Paulo Jan./Apr. 2015

https://doi.org/10.1590/1981-5794-1502-0 

Apresentação

APRESENTAÇÃO

Roberto Gomes Camacho


Em 2012, a Alfa celebrou 50 anos de sua heroica resistência como periódico científico, num mercado editorial nem sempre especialmente propício a esse tipo de publicação. Este número, que abre o volume 59/2015, é uma verdadeira amostra da plenitude acadêmica que a revista atingiu. Essa longa linha de continuidade, muito longe de mostrar conservadorismo e estagnação, acaba por representar também um processo de ruptura e inovação. Se o volume 58 inaugurou uma nova periodicidade que, de semestral, passou para quadrimestral, o volume 59, que este número introduz, representou a conversão da Alfa para uma publicação bilíngue, editada tanto em português quanto em inglês.

Essa inovação, não apenas põe a Alfa em rota de internacionalização, mas também representa uma abertura significativa do conteúdo da revista para um público muito mais amplo, especialmente os pesquisadores do exterior que se interessam pela estrutura do português, especialmente da variedade brasileira.

Considerando, agora, o conteúdo deste número, basta um rápido olhar nos textos, para perceber que, além de certa diversidade temática, estão contemplados os diferentes níveis de análise linguística. A ordenação dos artigos se apoia numa perspectiva nitidamente descendente de gramática, que incorpora as motivações discursivas, passando pelas unidades morfossintáticas em si mesmas, para chegar ao léxico e, finalmente, desaguar nas unidades fônicas.

Pode-se notar outro aspecto revelador na diversidade dos temas. Com efeito, o texto de Machado traz uma reflexão teórica sobre uma leitura estruturalista de Benveniste, que se preserva saussuriana, embora abra uma janela para o discurso, e para a análise psicanalítica freudiana. A sintaxe funcionalista, com um pé na linguística cognitiva, faz-se presente no texto de Carrascossi e no de Ferrari & Almeida, enquanto Menuzzi & Teixeira se apoiam na teoria gerativa para aplicá-la à análise dos chamados efeitos de exaustividade, que, envolvendo vários tipos de inferências, sugerem um novo ponto de vista sobre a semântica e a pragmática das sentenças clivadas. O léxico especializado do domínio médico, um ramo da Terminologia, recebe um olhar computacional na contribuição de Orellana.

Reduzindo um pouco mais o escopo do objeto, Britto Leite assume um olhar variacionista para os róticos no falar compineiro, enquanto Alves & Zimmer postulam uma concepção dinâmica da aquisição de L2, avaliando a percepção e a produção, por crianças brasileiras, de padrões de Voice Onset Time das plosivas iniciais do inglês. Fechando o número, Neuschrank, Matzenauer et alii focalizam o comportamento fonético da palatal líquida, buscando formalizar a relação de assimetria mediante a qual, nas posições de onset, esse segmento mostra estabilidade fonética e, na posição de coda, certo grau de variação.

Como pode testemunhar o leitor, o presente número apresenta um conjunto expressivamente relevante de contribuições, especialmente em função da diversidade teórica das propostas, da variedade dos fenômenos envolvidos e dos diferentes níveis de análise. Como editor, deixo registrada a esperança de que a leitura dos artigos aqui publicados estimule um debate com outras propostas e com outras posições teóricas, que forneça as sementes para uma reflexão sempre crítica e fecunda.

Roberto Gomes Camacho

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