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Brazilian Journal of Food Technology

On-line version ISSN 1981-6723

Braz. J. Food Technol. vol.14 no.4 Campinas Oct./Dec. 2011

http://dx.doi.org/10.4260/BJFT2011140400034 

Avaliação funcional de bases proteicas desidratadas de anchoita (Engraulis anchoita)

 

Functional evaluation of two dehydrated anchovy (Engraulis anchoita) Protein bases

 

 

Liziane Garcia-TorchelsenI; Eduardo Jacob-LopesII; Maria Isabel QueirozIII, *

IUniversidade Federal do Rio Grande (FURG) Escola de Química e Alimentos Rio Grande - RS - Brasil E-mail: liziane.garcia@riogrande.ifrs.edu.br
IIUniversidade Federal de Santa Maria (UFSM) Departamento de Tecnologia e Ciência de Alimentos Santa Maria - RS - Brasil E-mail: jacoblopes@pq.cnpq.br
IIIUniversidade Federal do Rio Grande (FURG) Escola de Química e Alimentos Rua Eng. Alfredo Huch, 475 96201-900 - Rio Grande - RS - Brasil E-mail: mariaisabel.queiroz@pesquisador.cnpq.br

 

 


RESUMO

Considerou-se neste trabalho a avaliação funcional de bases proteicas desidratadas de anchoita (Engraulis anchoita) foi considerada neste trabalho. A polpa do pescado foi separada mecanicamente e submetida à lavagem com dois solventes, água e ácido fosfórico. A secagem em camada delgada das bases proteicas foi conduzida em temperaturas de 40, 60 e 70°C e espessuras de amostra de 5mm. O produto foi avaliado considerando a determinação de proteínas solúveis, composição centesimal e propriedades funcionais, expressas pela solubilidade protéica, capacidade de retenção de água, capacidade de retenção de gordura e capacidade emulsificante. Os resultados indicaram que a obtenção da base proteica de anchoita usando ácido fosfórico como solvente de lavagem apresentou melhores características, se consideradas as operações de extração de proteínas solúveis, secagem e propriedades funcionais do produto final. Com relação à secagem, verificou-se que esta operação origina um produto com melhores características funcionais quando são empregadas temperaturas de 40 e 60°C.

Palavras-chave: anchoita/Engraulis anchoita, base proteica de pescado, secagem, propriedades funcionais.


SUMMARY

The functional evaluation of two dehydrated anchovy (Engraulis anchoita) protein bases was considered in this work. The fish meat was mechanically separated and subjected to washing with two solvents, water and phosphoric acid, to obtain the protein bases. Thin layer drying of the protein bases was carried out at temperatures of 40, 60 and 70 °C, with a sample thickness of 5mm. The products were evaluated considering the determinations of the soluble proteins, proximate composition and the functional properties such as protein solubility, water holding capacity, fat holding capacity and emulsifying capacity. The results indicated that obtaining the anchovy protein base using phosphoric acid as the washing solvent resulted in better characteristics, when considering the operations of extracting and drying the soluble proteins and the functional properties of the final product. With respect to drying, it was found that this operation led to a product with better functional characteristics when temperatures of 40 and 60°C were used.

Key words: anchovy/Engraulis anchoita, fish protein base, drying, functional properties.


 

 

1 Introdução

A utilização dos recursos pesqueiros exige o conhecimento de seus potenciais e o estabelecimento de limites para a sua exploração, de modo a não comprometer o equilíbrio dos complexos sistemas que garantem a viabilidade ecológica e econômica. A possibilidade da atividade pesqueira afetar as populações de peixes é reconhecida desde o início do século passado (WORM et al., 2009).

Estudos da FAO (2008) apontam para um colapso na exploração de espécies costeiras a nível internacional. Os dados revelam que aproximadamente 19% da população total de espécies marinhas está sobre-explorada, 8% esgotada e 1% em recuperação. Na costa brasileira a tendência na disponibilidade de pescado, acompanha o restante do planeta. No que se refere ao limitado potencial pesqueiro, determinado pela prevalência de condições oceanográficas pouco propícias ao suporte de grandes biomassas, o país já coleciona um histórico de sobrepesca, atividade predatória e insuficiência na gestão e fiscalização de seus principais estoques. Em relação aos principais recursos já explorados, constata-se que, na maior parte dos casos, não há possibilidade de aumento da produção, a partir da intensificação do esforço da pesca (BRASIL, 2006). Desta forma, a exploração de novas espécies seria uma alternativa para enfrentar o atual colapso.

Dentre os estoques apontados como promissores, apenas a anchoita (Engraulis anchoita) apresenta potencial significativo de aproveitamento comercial no Brasil. Os modelos de previsão apontados por Pastous Madureira et al. (2009) estimam um potencial de captura de 1 milhão de toneladas por ano nas águas do norte da Argentina, Uruguai e sul do Brasil. Apesar da abundância desta espécie no litoral sul do Brasil, esse potencial pesqueiro ainda permanece sem qualquer exploração industrial. Contribui para isso, o fato de que a indústria pesqueira da região concentra-se tradicionalmente na captura de espécies de fundo e atuns, destinados a produtos frescos e congelados.

Em função da morfologia da espécie, a rápida perda de frescor é a principal barreira tecnológica a ser transposta na inclusão dessa biomassa em linhas industriais de processamento. A fragilidade ao manuseio é consequência do reduzido tamanho dos exemplares capturados em águas brasileiras, com comprimento total variando de 4,5 a 17,5cm (PASTOUS MADUREIRA et al., 2009). Nesse sentido, a elaboração de produtos a partir de base proteica de anchoita seria uma alternativa tecnologicamente viável para o aproveitamento em larga escala deste pescado. O termo base proteica de pescado (BPP) é designado ao concentrado de proteína miofibrilar obtido a partir do despolpamento mecânico da carne de pescado e lavagem com solvente adequado (PARK e MORRISSEY, 2000; PARK, 2000; BENJAKUL et al., 2005).

A base proteica de pescado (BPP) apresenta grande disponibilidade para a diversificação da indústria pesqueira. Importante vantagem seria a oportunidade de incluir no mercado consumidor uma gama maior de novos produtos. Isso poderia significar não somente um produto de alto teor protéico como também estimularia o aumento do consumo de pescado. Assim, o pescado processado como BPP possibilita melhor comercialização dessa matéria-prima como um produto nobre. A sua produção em larga escala permite que outros produtos derivados de pescado possam atingir determinados segmentos de mercado, atendendo à necessidade social de demanda de proteína de origem animal de primeira qualidade (PASTOUS MADUREIRA et al., 2009).

Uma característica inerente à produção de bases proteicas de pescado é a necessidade de operações adicionais para preservação do produto. Entre os processos utilizados destaca-se o congelamento e a secagem. Esta operação é usada para reduzir o conteúdo de água do material a níveis que permitam a estocagem segura por períodos prolongados (FREIRE et al., 2003; JAIN e PATHARE, 2007; KILIC, 2009). A utilização dessa operação na elaboração de produtos alimentícios é tradicional e vem sendo cada vez mais difundida em função da atual demanda de consumo de alimentos pré-prontos ou prontos (SAGUY et al., 2005; KOSUKE et al., 2006; HII et al., 2009).

Apesar da adequacidade e vantagens da secagem da base proteica de pescado, essa operação promove alterações nas características de qualidade do produto seco, expressando-se em alterações físico-químicas (KILIC, 2009), sensoriais (WU e MAO, 2008) e funcionais (GIMENEZ et al., 2005; BINSI et al., 2009; SATHIVEL et al., 2009). As propriedades funcionais do músculo do pescado estão diretamente associadas com a integridade das proteínas, que é alterada mediante a aplicação de forças externas como, por exemplo, trituração, centrifugação, compressão e aquecimento (SGARBIERI e ROMAN, 2005).

Em face disso, o trabalho teve por objetivo avaliar as propriedades funcionais das bases proteicas desidratadas de anchoita.

 

2 Material e métodos

2.1 Matéria-prima

A matéria-prima utilizada, Engraulis anchoita, foi resultante de dois cruzeiros realizados pelo Navio Oceanográfico Atlântico Sul da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Rio Grande, RS, Brasil. Exemplares com tamanho e peso médio de 11,5cm e 8g, respectivamente, foram capturados na costa do Rio Grande do Sul, próximo à divisa Brasil-Uruguai (34° 40'S), entre os meses de agosto e setembro. Após a captura, foram armazenados a bordo em gelo e água do mar na razão 1:1, conforme metodologia indicada por Garcia-Torchelsen et al. (2008). Após o desembarque, o pescado foi transportado para uma indústria pesqueira local onde foi lavado em tambor rotativo e a polpa obtida por separação mecânica. A despolpadeira utilizada para obtenção da polpa foi da marca High Tech, com caracol de separação do tipo duplo, capacidade de 150 kg.h-1 e lâminas separadoras com espessura de 2,0 mm.

2.2 Elaboração da base proteica de pescado (BPP)

As bases proteicas de pescado foram elaboradas a partir da polpa de pescado resfriado, em câmara de resfriamento, na temperatura de 5°C. A lavagem da polpa foi realizada utilizando como solventes água e ácido fosfórico aquoso (0,05%). A lavagem com água teve como objetivo ser um fator de comparação para a lavagem com ácido fosfórico. Nessa operação foram utilizados 3 ciclos de extração com duração de 6 minutos, agitação constante de 2000rpm em agitador magnético e temperatura mantida entre 5 e 7°C, pela adição de polpa e solventes refrigerados. Ao final de cada ciclo foi realizada a separação dos sólidos por peneiramento, conforme indicado por Simões et al. (2004).

2.3 Secagem da base proteica de pescado

A secagem em camada delgada da base proteica foi conduzida em secador descontinuo de bandejas, com escoamento de ar paralelo (1,5 m.s-1) nas condições de 40, 60, 70ºC e espessura de amostra de 5mm.

2.3.1 Cinética da secagem

A constante de secagem (k) foi obtida através do modelo empírico proposto por Henderson e Pabis (1961), a partir das curvas experimentais do adimensional de água livre em função do tempo, conforme indica a Eq. 1.

onde x - xe/x0 - xe: adimensional de água livre; A: parâmetro de ajuste da equação; k: constante de secagem (min-1); t: tempo de secagem (h).

O cálculo da difusividade efetiva de umidade (Def) foi realizado por analogia da Eq.1 com o modelo de difusão de Fick. Considerou-se lâmina infinita, encolhimento do material desprezível, tempo longo de secagem e condição de equilíbrio na superfície, conforme indica a Eq. 2.

onde Def: difusividade efetiva de umidade (m2.s-1); k: constante de secagem (min-1); L: espessura da amostra (mm).

2.4 Avaliação da qualidade do produto

2.4.1 Determinação de proteínas solúveis

Nas soluções de lavagem, resultantes da separação por peneiramento, foram determinadas as concentrações de proteínas solúveis pelo método de Biureto, utilizando-se uma curva de referência com albumina de soro bovino com 95% de pureza, segundo metodologia proposta por Martelli e Panek (1968).

2.4.2 Determinação da composição centesimal

A composição centesimal (umidade, proteína, lipídios e cinzas) do músculo, da polpa e da base proteica de pescado foi caracterizada segundo A.O.A.C. (2000).

2.4.3 Avaliação das propriedades funcionais

As propriedades funcionais avaliadas foram capacidade de retenção de água (CRA), solubilidade das proteínas (SP), capacidade de emulsificação (CE) e capacidade de retenção de gordura (CRG).

2.4.3.1 Capacidade de Retenção de Água (CRA) e Solubilidade Protéica (SP)

A CRA e SP foram avaliadas segundo Regenstein e Regenstein (1984), com modificações, na faixa de pH compreendida entre 2 e 10. O pH foi ajustado com ácido clorídrico e/ou hidróxido de sódio e então tamponado ao pH correspondente. Posteriormente, as soluções foram homogeneizadas e centrifugadas (16000g) por 15 min. O volume de cada sobrenadante resultante foi medido usando uma proveta graduada e usado para determinar a capacidade de retenção de água, segundo a Equação 3.

A SP foi calculada por comparação entre a quantidade de proteína no sobrenadante (determinado por Kjeldahl) e o teor de proteína na amostra original, usando a Equação 4.

2.4.3.2 Capacidade de Emulsificação (CE)

A CE foi avaliada de acordo com Regenstein e Regenstein (1984), com modificações. Foram preparadas dispersões de proteína em NaCl, as quais foram agitadas, com adição de óleo de soja, até a quebra da emulsão. A CE foi calculada a partir da quantidade de óleo emulsificado por grama de proteína usando a Equação 5.

2.4.3.3 Capacidade de Retenção de Gordura (CRG)

A CRG foi avaliada de acordo com Ozimek et al. (1981), com modificações. Suspensões obtidas de amostra em óleo de soja foram agitadas por 10 min e centrifugadas (16000g), sendo o sobrenadante desprezado. A CRG foi calculada usando a Equação 6.

2.5 Tratamento estatístico

Os dados foram avaliados por análise de variância (ANOVA), teste de comparação de médias de Tukey e teste "t" de Student, utilizando o software Statistica for Windows versão 6.0.

 

3 Resultados e discussão

3.1 Elaboração da base proteica de pescado

A lavagem é uma das principais operações na obtenção de base proteica, atuando na remoção de componentes naturais da carne do pescado, resultando na descoloração da polpa e na redução dos agentes deteriorantes do produto (BENTIS et al., 2005; LIN et al., 2005). Nesse sentido, a Tabela 1 apresenta os resultados de proteínas solúveis nos extratos resultantes da lavagem do músculo de pescado a partir de três ciclos de extração.

 

 

A análise dos dados demonstra maior capacidade de extração das proteínas solúveis quando é utilizado ácido fosfórico, se considerado os três ciclos de extração, não havendo, entretanto, diferenças significativas, entre os solventes, para o primeiro ciclo de lavagem, quando a maior concentração de proteínas é extraída. A superioridade extrativa do ácido fosfórico em relação à água é notoriamente observada, se considerarmos o efeito somatório dos ciclos de extração, onde o percentual de extração é 42,5% maior na utilização do ácido fosfórico em relação à água, considerando o teor de proteínas no músculo de 16,46% (Tabela 2). Percentuais de extração de proteínas solúveis de pescado por lavagem na faixa de 18 a 45% são reportados por Maldonado (1994). Por outro lado, Simões et al. (2004) relatam valores de extração de 30,5 e 19,5% usando ácido fosfórico e água, respectivamente, na lavagem da base proteica de pescada (Macrodom ancilodom). A eficiência de extração do ácido fosfórico com relação à água é atribuída à maior força iônica da solução. Esse fato tem sido observado por diferentes autores, os quais demonstraram que o aumento da força iônica da solução em um sistema carneo permite que as proteínas sejam cercadas com íons com cargas opostas. Isso reduz a energia eletrostática livre, levando ao aumento da atividade do solvente e resultando em maior solubilidade das proteínas (MALDONADO,1994; STEFANSSON e HULTIN, 1994; LIN et al., 1995; SIMÓES et al., 2004; BAXTER e SKONBERG, 2008).

 

 

3.2 Caracterização da base proteica de pescado

Na Tabela 2 são apresentadas às composições químicas do músculo de anchoita e das bases proteicas obtidas a partir de lavagem com água e ácido fosfórico.

Esses valores possuem reduzida representatividade em termos de caracterização absoluta do músculo, principalmente, no que se refere a relação lipídio/umidade. Uma vez que a espécie em estudo é migratória e significativas variações são observadas na caracterização da sua composição química. A literatura reporta valores máximos e mínimos de lipídios, os quais são registrados entre os meses de janeiro a agosto e entre agosto e dezembro, respectivamente (BERTOLOTTI e MANCA, 1986; YEANNES e CASALES, 1995). Ainda de acordo com Yeannes e Casales (1995), para a composição química da anchoita avaliada durante o período de um ano, verificaram a redução do teor de lipídios ao longo desse período, variando entre 9,4%, para o mês de maio, e 1,6% para o mês de novembro. Encontrando para o mês de setembro teores de umidade de 75,7% e gordura de 3,9%, corroborando os resultados obtidos visto que o pescado em estudo foi capturado entre os meses de agosto e setembro.

Com relação às bases proteicas de pescado, a análise comparativa dos resultados da composição centesimal, com o músculo do pescado, revela uma redução nos conteúdos de proteínas e lipídios, independente do solvente utilizado. Esse comportamento é esperado, uma vez que a técnica de obtenção de bases proteicas fundamenta-se na eliminação de proteínas solúveis, sais inorgânicos, gorduras, pigmentos e compostos responsáveis pelo odor, mediante lavagens sequenciais da polpa de pescado (MALDONADO, 1994; ÁLVAREZ-PARRILHA et al., 1997). Em adição, o aumento no conteúdo de cinzas, quando comparado com o músculo da anchoita, pode ser atribuído ao fato das bases proteicas serem elaboradas a partir do despolpamento mecânico do músculo. Nessa operação, uma fração de espinhas do pescado pode ser triturada e misturada à polpa, aumentando o teor de minerais, apesar da sua previsível redução pela ação dos solventes aquosos.

Comparativamente, a composição das bases proteicas obtidas com os solventes usados, indicou um produto com 10,5% de umidade inferior quando ácido fosfórico é usado na operação de lavagem, o que é atribuído ao efeito osmótico de desidratação obtido nessas condições. Assim, o uso do ácido fosfórico como solvente na lavagem de bases proteicas de pescado contribuiu para a desidratação do produto. Segundo Raoult-Wack et al. (1994) a desidratação osmótica tem sido associada a diferentes tipos de processamento na forma de um pré-tratamento, sendo que seus efeitos refletem-se, positivamente, nas propriedades sensoriais, nutricionais e funcionais do produto seco.

3.3 Secagem da base proteica de pescado

A Figura 1 apresenta as curvas de secagem da base proteica de anchoita nas diferentes condições avaliadas.

Analisando-se as curvas do adimensional de umidade em base seca em função do tempo, verificam-se comportamentos distintos em relação às fases da secagem em função das variáveis avaliadas. A primeira fase, correspondente à variação mais acentuada da umidade com o tempo, refere-se ao período de taxa constante. A primeira fase da taxa decrescente de umidade foi observada em todas as condições experimentais. Os valores de umidade crítica observados situaram-se entre 0,59 e 1,89g.g-1 (Tabela 3). Entretanto, a fase que corresponde à variação menos pronunciada da umidade, caracterizada pela segunda fase da taxa decrescente, somente foi observada ao utilizar como solvente ácido fosfórico e temperatura de secagem de 40°C. Esses resultados são melhor elucidados na Tabela 3, que apresenta a caracterização da secagem das bases proteicas de anchoita em camada delgada.

 

 

A partir da análise dos dados verifica-se que o período de taxa constante de secagem (tC) possui maior representatividade na secagem das bases proteicas lavadas com água em comparação com o ácido fosfórico, o que é atribuído ao maior teor de umidade inicial (85,8%) nessas condições. Segundo Chirife (1983), o período de taxa constante de secagem somente possui importância em situações em que o conteúdo de umidade do material é elevado. Para as bases proteicas lavadas com ácido fosfórico (76,8% de umidade inicial), em temperaturas de secagem de 70°C, não foi evidenciado período de taxa constante de secagem. Perry e Green (1986) relatam que o período de taxa constante de secagem é caracterizado pela localização da resistência as transferências de calor e massa somente na corrente de ar, não havendo alteração da taxa de evaporação com o tempo de secagem.

As umidades de equilíbrio obtidas variaram entre 2,0 a 14,0% (base úmida). Esses valores são considerados particularmente importantes na operação de secagem, pois representam o valor limite para a redução de umidade do material em uma determinada condição atmosférica. Segundo Pinto e Tobinaga (2006), produtos alimentícios, a base de pescado desidratado, devem possuir um teor de umidade entre 10 a 15%, de forma que todas as condições de secagem consideradas atingem a faixa de umidade sugerida.

As curvas experimentais do adimensional de água livre em função do tempo foram utilizadas para o cálculo das constantes de secagem. Na Tabela 4 são apresentados os resultados da regressão não linear, utilizando o método dos mínimos quadrados, para os coeficientes do modelo predito empiricamente a partir das características das curvas de secagem.

 

 

Os dados demonstraram bom ajuste da correlação exponencial para o cálculo da constante de secagem, o que é evidenciado pelos valores dos coeficientes de correlação. As constantes de secagem obtidas evidenciaram o efeito da lavagem com ácido fosfórico e da temperatura de secagem na remoção de umidade da base proteica de pescado, havendo um incremento da constante de secagem à medida que se eleva a temperatura do ar e utiliza-se ácido fosfórico na lavagem da base proteica. Esses resultados podem ser corroborados pelo comportamento sugerido anteriormente, uma vez que de acordo com RAOULT-WACK et al. (1994), materiais submetidos à pré-tratamento osmótico têm suas taxas de remoção de umidade aumentadas durante a secagem convectiva.

Os valores da difusividade efetiva média de umidade confirmam o efeito da temperatura e do solvente, usado na lavagem, na taxa de difusão de água da base proteica. A determinação das propriedades de transporte de materiais biológicos é considerada de importância na secagem desses produtos. Panagiotou et al. (2004) reportam para secagem de pescado valores de difusividade efetiva de umidade na faixa de 10-11 a 10-9 m2.s-1. Produtos alimentícios que apresentam elevados valores de difusividade efetiva média de umidade durante a secagem ocasionarão maior facilidade na remoção de umidade do material, reduzindo com isso o tempo de secagem e consequentemente os gastos energéticos. Embora esses parâmetros devam ser considerados de relevância, as características de qualidade do produto final irão definir a adequacidade das condições empregadas na preservação.

3.4 Avaliação das propriedades funcionais da base proteica de pescado

Um fator fundamental na secagem de alimentos é a qualidade final do produto desidratado. Elevadas temperaturas e longos tempos de secagem usualmente reduzem a qualidade do produto. A avaliação das propriedades funcionais é um parâmetro usado para esse propósito (GARAU et al., 2006). Na Tabela 5 estão expressos os resultados de solubilidade das bases proteicas de pescado obtidas através das diferentes condições consideradas.

As maiores solubilidades proteicas foram obtidas na faixa de pH alcalino, independente da temperatura de secagem e solvente usado na lavagem. O aumento da solubilidade em pH fortemente alcalino ocorre devido à predominância de cargas negativas que geram forças de repulsão eletrostáticas capazes de promover a dissociação dos complexos e consequente solubilização da proteína (SGARBIERI, 1998). Os menores valores de solubilidade protéica foram observados em pH igual a 2, o que sugere que o ponto isoelétrico das proteínas da base proteica de anchoita está situado em torno desse valor de pH.

Em relação à influência das condições de secagem no percentual de proteína solúvel, observou-se que as maiores solubilidades foram obtidas para as bases proteicas secas à temperatura de 60°C, independente do solvente utilizado. No entanto, a maior solubilidade é registrada quando se utiliza o ácido fosfórico (63,30g.100g-1). Esse dado é importante porque, ao se comparar com o valor encontrado por Queiroz et al. (2007) de 71,24g.100g-1, para o músculo in natura da anchoita, constata-se que a redução da solubilidade por desnaturação foi de 11,15%. Isso pode ser justificado pelo menor tempo de secagem (Tabela 3) necessário para a BPP obtida com ácido fosfórico atingir a umidade de equilíbrio, quando comparado com a temperatura de 40ºC. Por outro lado, na temperatura de 70ºC foram observados valores de solubilidade protéica reduzidos se comparados a 60ºC. A desnaturação térmica que, provavelmente, ocorreu na temperatura de 70ºC, fez com que os grupos hidrofóbicos interagissem entre si, reduzindo a associação da proteína com a água e, consequentemente, a solubilidade da base proteica. O decréscimo da solubilidade em função do tratamento térmico ocorreu devido ao efeito da temperatura nas ligações não covalentes (pontes de hidrogênio, eletrostáticas e hidrofóbicas) envolvidas na estabilização das estruturas secundárias e terciárias da proteína. O desdobramento dessas estruturas favoreceu a interação entre os grupos hidrofóbicos, que levam à agregação, através da coagulação e precipitação, reduzindo a interação proteína-água (KIM, 1998, LANGERDORFF et al. 1999).

Os resultados de capacidade de retenção de água (CRA) nas condições avaliadas são apresentados na Tabela 6. Analisando os dados obtidos, verifica-se comportamento similar no que se refere ao efeito do pH na capacidade de retenção de água quando comparado à solubilidade protéica. Em relação às condições de secagem, temperaturas de 60°C proporcionaram a obtenção de bases proteicas de pescado com maiores capacidades de retenção de água, se ácido fosfórico é usado como solvente de lavagem, o que se aproxima ao relatado para as solubilidades proteicas. Por outro lado, no uso de água como agente de lavagem da base proteica, as maiores CRA são observadas em temperaturas de 40°C, com reduzido efeito diferenciativo do pH na faixa compreendida entre 6 e 10.

Em termos absolutos, os maiores valores obtidos (12,76gágua.gproteína-1) são superiores aos reportados por Queiroz et al. (2007), avaliando o músculo in natura da anchoita, Engraulis anchoita, que relata capacidade de retenção de água de 6,49gágua.gproteína-1 em pH 10. Aquele valor pode ser atribuído à desnaturação sofrida pelas proteínas durante o processo de secagem. Durante a desnaturação, ocorre o enfraquecimento e ruptura de algumas interações responsáveis pela manutenção da estrutura terciária das proteínas, expondo sítios para a ligação das moléculas de água aumentando, assim, a capacidade de absorção da água (DONADEL e PRUDENCIO-FERREIRA, 1999).

Finalmente, a Tabela 7 apresenta os valores de capacidade de retenção de gordura (CRG) e capacidade de emulsificação (CE) obtidos nas diferentes condições de secagem. Similar ao ocorrido anteriormente, o uso do ácido fosfórico como solvente proporcionou maior capacidade de retenção de gordura e capacidade emulsificante, independente da temperatura de secagem. Deve-se considerar, no entanto, que para ambas as propriedades funcionais, temperaturas de secagem de 40°C ocasionaram maior valor absoluto dos parâmetros. Estes resultados, se comparados como os obtidos para o músculo da anchoita in natura são inferiores aos reportados por Queiroz et al. (2007), independente do solvente e temperatura usados, demonstrando a sensibilidade dessas propriedades funcionais em relação ao processamento. De acordo com Guo et al. (1996), a degradação da estrutura da proteína, ocasionada pelo processamento dos alimentos, pode ocasionar reduções em propriedades funcionais como CRG e CE, como resultado do decréscimo na concentração de proteína disponível para emulsificação e retenção de gordura.

 

4 Conclusões

A obtenção da base proteica de anchoita usando ácido fosfórico como solvente de lavagem apresentou melhores características no processo e produto. A base proteica lavada com ácido fosfórico, na temperatura de 70°C, apresentou valores de difusividade efetiva de umidade aproximadamente 25% superiores, se comparadas às lavadas com água. Com relação às propriedades funcionais do produto obtido utilizando ácido fosfórico, a temperatura de 40°C deve se empregada para não prejudicar a capacidade emulsificante e capacidade de retenção de gordura, enquanto a solubilidade protéica e a capacidade de retenção de água são favorecidas pela secagem a 60°C e pH alcalino, de forma que a escolha da temperatura de secagem irá depender da formulação do produto em específico.

 

Referências

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Recebido em: 13/04/2010
Aprovado em: 11/07/2011

 

 

* Autor Correspondente | Corresponding Author