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Brazilian Journal of Food Technology

On-line version ISSN 1981-6723

Braz. J. Food Technol. vol.14 no.4 Campinas Oct./Dec. 2011

http://dx.doi.org/10.4260/BJFT2011140400039 

Nota científica: perfil bioquímico de ratos alimentados com iogurte contendo extrato de erva-mate (Ilex paraguariensis St. Hil)

 

Scientific Note: biochemical profile of rats fed yogurt containing yerba mate (Ilex paraguariensis St. Hil) extract

 

 

Franciele Taís RilI; Camila Ronsoni LochII; Alice Teresa ValdugaIII; Sandra Manoela Dias MacedoIV, *; Alexandre José CichoskiV

IURI - Campus de Erechim Curso de Farmácia. Erechim - RS - Brasil E-mail: franciril@bol.br
IIURI - Campus de Erechim Curso de Farmácia. Erechim - RS - Brasil E-mail: camy_loch@hotmail.com
IIIURI - Campus de Erechim Curso de Ciências Biológicas. Erechim - RS - Brasil E-mail: valice@uricer.edu.br
IVURI - Campus de Erechim Curso de Farmácia Av. Sete de setembro 1621 99700-000 - Erechim - RS - Brasil E-mail: smdmacedo@yahoo.com.br
VUFSM Departamento de Tecnologia e Ciência dos Alimentos (CCR) Santa Maria - RS - Brasil E-mail: cijoale@gmail.com

 

 


RESUMO

Este estudo teve como objetivo avaliar o efeito do iogurte contendo extrato de erva-mate (Ilex paraguariensis) e com/sem culturas probióticas sobre o perfil lipídico, glicêmico, hepático e renal de ratos alimentados com esses tipos de iogurtes. Ratos da linhagem Wistar (42) foram divididos em três grupos (n=14), e receberam iogurte sem extrato de erva-mate, iogurte com extrato de erva-mate 0,1% e iogurte com extrato de erva-mate 0,1% e culturas probióticas, durante 30 dias. Não foi observado no presente estudo efeito significativo do extrato de erva-mate sobre os níveis de colesterol total, colesterol HDL, triglicerídeos, uréia, ácido úrico, creatinina, glicose e na atividade das enzimas fosfatase alcalina, aspartato aminotransferase e alanina aminotransferase. O extrato de erva-mate, 0,1% no iogurte, não interfere no metabolismo de ratos alimentados por 30 dias.

Palavras-chave: Iogurte; Probiótico; Perfil bioquímico; Ratos; Erva-mate.


SUMMARY

The objective of this study was to evaluate the effect of yoghurt containing yerba-mate extract (Ilex paraguariensis), with and without probiotic cultures, on the lipidic, glycemic, hepatic and kidney profiles of rats fed these types of yoghurt. Wistar rats (42) were divided into three groups (n=14) and for 30 days were fed yoghurt without yerba-mate extract, yoghurt with 0.1% yerba-mate extract and yoghurt with 0.1% yerba-mate extract and probiotic cultures. No significant effect of the yerba mate extract on the levels of total cholesterol, HDL cholesterol, triglycerides, urea, uric acid, creatinine, glucose and the activity of the enzymes alkaline phosphatase, aspartate aminotransferase and alanine aminotransferase was observed in the present study. The addition of 0.1% yerba mate extract to the yoghurt did not interfere with the metabolism of the rats during 30 days.

Key words: Yerba-mate; Yoghurt; Probiotic; Rats; Profile; Biochemical.


 

 

Introdução

A erva-mate (Ilex paraguariensis) é utilizada na medicina popular, sendo recomendada por herboristas para artrite, dor de cabeça, constipação, reumatismo, hemorróidas, obesidade, fadiga, retenção de líquido, hipertensão, digestão lenta e desordens hepáticas, consequentemente encontra-se inclusa em importantes farmacopéias como a Martingdale e a Bristish Herbal Pharmacopeia (ARÇARI, 2009).

Europa, Estados Unidos, Síria e Japão importam folhas de erva-mate, e transformam em extrato vegetal, o qual é utilizado em formulações de produtos fitoterápicos, que são empregados no tratamento da obesidade, e como suplemento diário, devido seu conteúdo de vitaminas e minerais (CARDUCCI et al., 2000), e também como energizante e revigorante, decorrente de seu conteúdo de cafeína e teobromina (FILIP et al., 1998).

As bebidas à base de erva-mate (chimarrão e chá-mate) apresentam propriedades antioxidantes, hepatoprotetora, vasodilatadora, digestiva, já comprovadas in vivo e in vitro, e ação hipocolesterolêmica (FILIP et al., 2000; GORZALCZANY et al., 2001; GUGLIUCCI e MENINI, 2002). Muita destas propriedades, notadamente a antioxidante, deve-se à presença dos ácidos fenólicos que estão presentes em altas concentrações nessas bebidas (MAZZAFERA, 1997; FILIP et al., 2001; BASTOS et al., 2005 e 2006). Miranda et al. (2008), mencionam que produtos de erva-mate poderiam contribuir para a prevenção da aterosclerose e do câncer.

Os antioxidantes vitamina C, vitamina E, carotenóides e os flavonóides têm recebido maior atenção, por sua possível ação benéfica na glicemia e prevenção da doença aterosclerótica (RODRIGUES et al., 2003). Pesquisa demonstrou que a erva-mate apresentou atividade antioxidante equivalente ou superior a vitamina C e a vitamina E (ARÇARI, 2009).

Recentemente os iogurtes passaram a incluir linhagens vivas de culturas probióticas como o L. acidophilus e Bifidobacterium, além do emprego da cultura tradicional. Essas culturas probióticas, proporcionam efeitos benéficos à saúde do hospedeiro (VINDEROLA et al., 2000; SHAH, 2001), como o controle de infecções intestinais e dos níveis de colesterol sérico; assim como melhoram a utilização da lactose em indivíduos intolerantes, quando consumidos regularmente.

Os alimentos funcionais se caracterizam por oferecer vários benefícios à saúde, além do valor nutritivo inerente à sua composição química, podendo desempenhar um papel potencialmente benéfico na redução do risco de doenças crônico degenerativas, uma vez que podem atuar no sistema gastrintestinal e cardiovascular, e também como agente antioxidante (SOUZA et al., 2003). Mas o seu papel em relação às doenças estará na maioria dos casos, mais concentrado na redução dos riscos do que na prevenção (MORAES e COLLA, 2006).

Tem-se bastante informação sobre os efeitos benéficos à saúde das bebidas contendo erva-mate (chimarrão e chá mate), mas não sobre o extrato de erva-mate na forma de pó, associado ao iogurte e as culturas probióticas. Essas informações são importantes, uma vez que auxiliarão no possível desenvolvimento de um novo tipo de alimento funcional, e também por que os novos alimentos que serão desenvolvidos deverão trazer em seu rótulo informações, como quais são os benefícios fisiológicos e se reduzem os riscos de certas doenças. Portanto, o objetivo deste estudo foi avaliar o efeito do iogurte contendo extrato de erva-mate e do iogurte contendo extrato de erva-mate e culturas probióticas, sobre o perfil lipídico, glicêmico, hepático e renal de ratos que foram alimentados com esses dois tipos de iogurtes.

 

2. Material e métodos

2.1 Extrato de erva-mate

As folhas de erva-mate empregadas na preparação do extrato foram sapecadas a 180ºC, durante 5 minutos, em sapecador piloto de bancada (marca Intecnial), seguindo para a secagem das mesmas em secador de bancada de leito fixo, com circulação de ar quente a uma temperatura de 70ºC, até umidade inferior a 5%, e trituradas em moinho de facas (marca Walita), posteriormente a erva-mate foi peneirada, utilizando-se a fração retida entre as peneiras da série Tyler de 35 e 42 malhas, sendo o diâmetro médio aritmético das partículas de 0,384 mm. Para a obtenção do extrato foram utilizadas 22 g das folhas secas trituradas, sendo submetidas à extração através de um extrator (marca Bialetti) com capacidade para 40 g de erva-mate triturada, em leito fixo com percolação de 350 mL de solvente (água), sob aquecimento. O extrato de erva-mate foi secado por atomização em "Spray dryer", (Lab Plant SD-05), nas condições atmosféricas de Erechim-RS, sendo o equipamento calibrado para uma vazão média de 340 mm.h-1 e a temperatura de 190ºC, onde o extrato de erva-mate foi bombeado por uma bomba peristáltica até um atomizador. O ar aquecido é admitido no interior da câmera de secagem onde ocorre evaporação instantânea da umidade contida nas gotículas de solução de erva-mate, como resultado da secagem são produzidas partículas sólidas solúveis de erva-mate, conforme descrito por Valduga (2002).

2.2. Elaboração do iogurte

Trinta litros de leite com 2,5% de gordura foram colocados em um tanque inox, e aquecidos a 90°C durante 5 minutos, e após se adicionou 2,0% de leite em pó desnatado e 0,2% de gelatina (pré-misturada antes com o leite em pó). Procedeu-se o resfriamento até atingir 65°C, quando se adicionou 0,3% de fibra insolúvel de trigo (Clariant WF 600), e 60% de sacarose. Deu-se continuidade ao resfriamento até 42°C, quando então foram adicionados 0,2% de culturas puras tradicionais (Streptococcus thermophillus e Lactobacillus bulgaricus) empregadas na elaboração de iogurtes. Nos iogurtes com culturas probióticas foi adicionado ainda 0,2% da mistura das culturas Lactobacillus acidophillus e Bifidobacterium bifidum. Nesse ponto iniciou-se a fermentação que ocorreu durante 4 horas, sendo acompanhada a variação de pH. Quando o pH atingiu 4,5 iniciou-se o resfriamento da massa até 20°C, e adicionou-se 0,1% de sorbato de potássio (preparado com água esterilizada), e 0,1% de extrato de erva-mate em pó. A massa dos iogurtes foi acondicionada em potes plásticos (200 g), vedados com tampa de alumínio, e armazenados a 5°C.

2.3 Animais

Foram utilizados 42 ratos Wistar, machos, adultos, com peso médio inicial de 220 g, provenientes do Biotério da URI, Campus de Erechim-RS. Durante o período experimental de 30 dias a temperatura foi de 23ºC (±2), com período claro-escuro de 12 horas, e a dieta foi basal (Nuvital®) e água ad libitum. O estudo foi realizado de acordo com as normas éticas da Sociedade Brasileira de Ciência em Animais de Laboratório.

2.3.1 Tratamento dos ratos

Os ratos foram divididos em três grupos (n=14/grupo). O grupo A foi considerado o controle e os ratos receberam iogurte sem erva-mate e sem cultura probiótica, no grupo B receberam iogurte com 0,1% de extrato de erva-mate, e no grupo C os que receberam iogurte com 0,1% de extrato de erva-mate e com culturas probióticas. Iogurtes com 30 dias de armazenamento a 5ºC foram administrados diariamente, por via oral (gavage), em dose única de 1 mL. Nessa dose a quantidade de extrato de erva-mate administrada correspondeu, em média, a 4,5 mg.kg-1 de peso. A razão da quantidade de extrato dada nesse trabalho deve-se ao fato, que esses dois tipos de iogurtes receberam as melhores notas em painel sensorial, composto por 30 pessoas habituadas ao consumo desse tipo de produto, e também por que durante 60 dias de armazenamento a 5°C, essa quantidade de extrato de erva-mate presente no iogurte (0,1%), apresentou efeito antioxidante frente às gorduras presente no produto (dados não mostrados).

Durante o período experimental os ratos foram avaliados em relação aos sinais clínicos de toxicidade (piloereção, sialorréia, diarréia, convulsão, tremor, perda de pelos e comportamento). Ao final do experimento, foi realizada a anestesia dos ratos com Zoletil 50®, na dose de 50 mg.kg-1 de peso corporal, via intraperitoneal. O sangue foi coletado pela aorta abdominal, centrifugado a 3500 rpm por 10 minutos para obtenção do soro, e este foi utilizado para avaliar os parâmetros bioquímicos.

2.3.2 Parâmetros bioquímicos

O perfil lipídico foi avaliado pelas determinações de colesterol total, colesterol HDL, e triglicerídeos. O perfil hepático foi avaliado pela determinação das atividades das enzimas fosfatase alcalina, aspartato aminotransferase (AST) e alanina aminotransferase (ALT); enquanto que o perfil renal foi avaliado pela determinação dos níveis séricos de uréia, ácido úrico e creatinina, e determinou-se também a glicemia. Para determinação destes parâmetros bioquímicos foram utilizados kits da Labtest®, e os ensaios foram realizados em aparelho semi-automatizado Bio plus 2000.

Os resultados foram expressos como média e desvio padrão, que posteriormente foram analisadas estatisticamente por análise de variância (ANOVA), seguido do teste de Tukey ao nível de 95% (p<0,05), com auxílio do programa Graph Pad Prism versão 4.0.

 

3 Resultados e discussão

Na Tabela 1 são apresentados os perfis lipídico, glicêmico, hepático e renal dos ratos alimentados com as três formulações de iogurtes. Durante todo o período de estudo nenhum sinal clínico de toxicidade ou morte foi observado em todos os ratos.

Os resultados do perfil lipídico mostraram que a presença somente do extrato de erva-mate ou conjuntamente com as culturas probióticas nos iogurtes não promoveram diferenças significativas (p > 0,05) nos níveis de colesterol total, colesterol HDL, e nos triglicerídeos (Tabela 1).

Chá mate tem sido estudado no processo de perda de peso (HECK e MEJIA, 2007). O consumo de chá mate por humanos obesos produz diminuição no quociente respiratório, indicando aumento da oxidação de gorduras (MARTINET et al., 1999). Infusão de erva-mate, guaraná e damiana produz desaceleração do esvaziamento gástrico e antecipação da sensação de plenitude gástrica (ANDERSEN e FOGH, 2001). O efeito da erva-mate na perda de peso está relacionado com seu conteúdo de cafeína que tem propriedades lipolíticas e de saponinas que tem propriedades hipocolesterolêmicas (GNOATTO et al., 2005; DICKEL et al., 2007). Em indivíduos dislipêmicos, o consumo de chimarrão por dois meses melhorou o perfil lipídico comparado a indivíduos controles; pacientes tratados com estatina apresentaram redução mais acentuada nos níveis de colesterol LDL (de MORAIS et al., 2009).

Estudos com animais de experimentação mostraram que chá mate reduz o ganho de peso de camundongos submetidos à dieta hiperlipídica (ARÇARI et al., 2009); ratos expostos ao extrato aquoso de erva-mate apresentaram menor conteúdo de gordura abdominal e níveis de colesterol total sérico (PEDROSO et al., 2010). Porém, a infusão de erva-mate não alterou o perfil metabólico de ratos alimentados com dieta hiperlipídica (MELO et al., 2007). Por outro lado, no estudo de Przygodda et al. (2010) a ingestão de chá de erva-mate, por 60 dias, produz redução do peso corpóreo, gordura visceral e nas taxas de glicose, colesterol e triglicerídios em ratos que receberam dieta hiperlipídica. Camundongos que receberam dieta hiperlipídica e chá-mate na dose de 1,0 g.kg-1 e 2,0 g.kg-1, após 120 dias apresentaram melhora de fatores relacionados à obesidade: peso corpóreo, glicemia, colesterol, triglicerídios, LDL, além de excelente atividade antioxidante demonstrada pelo teste cometa (ARÇARI, 2009).

Este estudo submeteu ratos à ingestão de iogurte contendo extrato de erva-mate na dose de 4,5 mg.kg-1 diariamente, durante 30 dias, e não houve alteração nos níveis de glicemia. A infusão de erva-mate (110 g.L-1) também não alterou a glicemia de ratos alimentados com dieta hiperlipídica (MELO et al., 2007). Porém, a exposição ao extrato aquoso de erva-mate (1,0 mg.kg-1) por 8 semanas determinou diminuição nas taxas de glicose em ratos submetidos a dieta hiperlipídica (ARÇARI et al., 2009). de Oliveira (2008) não observou influência do extrato de erva-mate (1,0 mg.kg-1) na glicemia de ratos diabéticos e não diabéticos, mas observou diminuída expressão gênica do transportador de glicose SGLT1, sugerindo redução da absorção de glicose determinado pelo extrato.

O consumo de 4,5 mg.kg-1 de extrato de erva-mate, por 30 dias, não determinou variação no perfil hepático dos ratos, a atividade da fosfatase alcalina, alanina aminotransferase e aspartato aminotransferase foram semelhantes ao grupo que recebeu iogurte sem extrato. Da mesma forma, no estudo de Melo et al. (2007) a ingestão da infusão de erva-mate (110 g.L-1) por duas semanas não alterou o perfil hepático de ratos.

No perfil renal os índices de ácido úrico, uréia e creatinina também não apresentaram variação determinada pelo extrato de erva-mate (Tabela 1). A infusão de erva-mate (110 g.L-1) também não alterou o nível de creatinina sérica de ratos alimentados com dieta hiperlipídica (MELO et al., 2007).

Considerando os dados apresentados, o iogurte com extrato de erva-mate pode ser um potencial alimento funcional para a dieta humana. Os efeitos da erva-mate no perfil lipídico são evidentes em estudos onde os animais são submetidos à dieta hiperlipídica ou em humanos dislipêmicos. Em um próximo estudo, o iogurte com erva-mate poderia ser administrado juntamente com uma dieta hiperlipídica, para então verificar sua influência no perfil lipídico. Os resultados apresentados aqui demonstram que ratos normolipêmicos não sofrem alterações no metabolismo com a ingestão de iogurte com erva-mate durante 30 dias consecutivos. Então o iogurte suplementado seria uma importante ferramenta para auxiliar no tratamento das dislipidemias. Mosimann et al. (2006) realizaram um estudo com 32 coelhos divididos em dois grupos controles, recebendo dieta padrão, dos quais um ingeriu mate e outro água e dois grupos hipercolesterolêmicos alimentados com dieta padrão acrescida de 1% de colesterol. No decorrer do estudo, os coelhos receberam 100 g.dia-1 de cada dieta e tiveram livre acesso a água ou extrato aquoso de erva-mate. Após dois meses concluíram que a ingestão de mate não alterou o perfil hepático dos quatro grupos. Entretanto, a lesão aterosclerótica foi consideravelmente menor no grupo hipercolesterolêmico-mate. Os resultados mostraram que o extrato aquoso pode inibir a progressão da aterosclerose em coelhos, porém não houve diminuição das concentrações séricas de colesterol, das substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico e enzimas antioxidantes.

Cabe ressaltar a importância deste estudo no sentido de determinar uma dose do extrato de erva-mate e relacionar seus efeitos. Fator relevante para o desenvolvimento de aditivos alimentares é o conhecimento da relação dose-resposta e sua composição química.

 

4 Conclusão

A ingestão de iogurte contendo extrato de erva-mate, na dose de 4,5 mg.kg-1 diariamente por 30 dias, não altera o perfil metabólico de ratos, quando comparado a animais que receberam somente iogurte ou iogurte com culturas probióticas. Dados da literatura indicam o uso do extrato de erva-mate como fator protetor nas dislipidemias, portanto o iogurte com erva-mate pode representar um promissor alimento funcional.

 

Referências

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Recebido em: 04/11/2010
Aprovado em: 01/06/2011

 

 

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