SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.10 issue2Division of dentistry work in perspective: the challenge of interpreting technicians' abilities author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

  • On index processCited by Google
  • Have no similar articlesSimilars in SciELO
  • On index processSimilars in Google

Share


Trabalho, Educação e Saúde

On-line version ISSN 1981-7746

Trab. educ. saúde vol.10 no.2 Rio de Janeiro July/Oct. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1981-77462012000200001 

Editorial

 

 

No projeto original da Trabalho, Educação e Saúde, propusemos a inclusão da seção Relato por identificarmos a necessidade de criar espaços onde as experiências de educação profissional em saúde e, em particular, aquelas relacionadas à formação de trabalhadores de nível médio pudessem ganhar visibilidade. Durante alguns anos, a seção atendeu a essa expectativa. Entretanto, a ênfase que a formação foi adquirindo entre as políticas de saúde, com a instituição de diversos programas governamentais, para formação em nível técnico e de nível superior, acarretou um aumento expressivo de experiências nessa área.

Inúmeros textos com a educação superior como objeto têm sido submetidos ao periódico, visando a seção Relato. Tal fato nos sugere ser mais relevante nos situarmos diante da formação em saúde, reconhecendo a importância de aprofundar teoricamente a reflexão sustentada por essas experiências. Assim, a editoria da Trabalho, Educação e Saúde optou por ampliar o número de artigos por fascículo e interrompeu a publicação de textos de relato. Aqueles que já estiverem em processo de avaliação, se aprovados, serão publicados.

Neste número, os dois primeiros textos discutem questões relacionadas ao trabalho em odontologia. O primeiro é o ensaio Divisão do trabalho odontológico em perspectiva: desafio de interpretar as competências dos técnicos, de Carlo Zanetti, José Oliveira e Maria Helena Mendonça. Teoricamente, está balizado pelos referenciais do institucionalismo histórico e regressa a processos significativos para discutir a profissionalização em odontologia. Para tanto, põe em tela cenários internacionais, a fim de posteriormente centrar a análise no contexto brasileiro. Os autores buscam captar o debate político e, dentre as conclusões, sinalizam a insuficiência nas pesquisas e análises que assumem a odontologia no Brasil como fenômeno profissional, e criticam o modo como a divisão social do trabalho em odontologia está incorporada no Sistema Único de Saúde.

O artigo Saúde Coletiva e novas diretrizes curriculares em odontologia: uma proposta para a graduação, de Sérgio Freitas, Maria Cristina Calvo e Josimari Lacerda, centra-se na relação entre a definição de diretrizes curriculares e a configuração da atuação profissional. Os autores indicam a necessidade simultânea de adequar a formação às diretrizes curriculares nacionais e mobilizar recursos pedagógicos que gerem uma aproximação desta formação com a atuação profissional no contexto do Sistema Único de Saúde.

O artigo Promoção da saúde: a concepção dos profissionais de uma unidade de Saúde da Família, de Carol Rodrigues e Kátia Ribeiro, priorizou o diálogo com trabalhadores de nível médio para investigar como a promoção à saúde é entendida em termos conceituais e, também, na formulação da política. Os resultados mostram um descompasso entre a incorporação da concepção ampliada de saúde frente ao conhecimento sistematizado sobre a política de promoção à saúde. A dificuldade de estabelecer e realizar atividades planejadas no âmbito da promoção à saúde do idoso foi outro resultado discutido pela pesquisa. A educação permanente em saúde é apontada pelas autoras como uma das possibilidades para tornar a promoção à saúde uma concepção que oriente o trabalho no setor.

A institucionalização do trabalho do agente comunitário de saúde é o título do artigo de Agleildes Queirós e Luci Lima. Na pesquisa que dá origem ao texto, as autoras buscaram reconhecer as contradições que permeiam a institucionalização do trabalho do agente comunitário de saúde (ACS), em perspectiva histórica, adensada pelos resultados de uma pesquisa qualitativa. O texto nos faz pensar sobre a possível ambiguidade do perfil deste profissional, que tem imbricados em sua identidade os papéis de agente de Estado e mobilizador comunitário. Entre outras reflexões, aborda a repercussão desse processo nas apostas que são feitas em torno de sua formação e regulação profissional e ressalta os saberes populares como componente fundamental do trabalho educativo dos ACS.

O artigo O ensino de biossegurança em cursos técnicos em análises clínicas, de Andrezza Picolli, Mônica Wermelinger e Antenor Amâncio, apresenta um panorama crítico e atual do trabalho técnico em saúde, com ênfase nas análises clínicas. Discute o ensino de biossegurança com base em uma investigação com docentes da rede pública. O núcleo da pesquisa são as práticas de ensino, e as conclusões vão no sentido de indicar a importância de efetivar mudanças no plano curricular, extrapolando a perspectiva biologicista que predomina na abordagem do tema, bem como a necessidade de incorporar estratégias pedagógicas que potencializem a aproximação entre a formação de técnicos em análises clínicas e as necessidades do Sistema Único de Saúde.

As mudanças ocasionadas pela definição das diretrizes curriculares nacionais para graduação na saúde, em 2002, têm gerado estudos em diversas áreas. No artigo O ensino da Saúde Coletiva na Universidade Estadual de Londrina: da análise documental à percepção dos estudantes, as autoras Flávia Gonçalves, Brígida Carvalho e Celita Trelha situam o movimento de aproximação entre a formação e fisioterapia e a saúde coletiva. A discussão do artigo sustenta-se na análise de ementas curriculares e do diálogo direto com estudantes da graduação. As três demarcam os avanços conquistados no currículo prescrito, mas registram a necessidade de promover uma integração mais significativa entre teoria e prática, além de aprofundamentos conceituais.

Em Repercussões do processo de ensinar-aprender em serviços de saúde na qualidade de vida dos usuários, Maria Regina Delfino et al. enfrentam, em primeiro lugar, a discussão teórica e política que marca a reflexão sobre qualidade de vida. Em seguida, propõem uma pergunta bastante original que dá origem ao título do texto e que orienta a investigação. As conclusões indicam uma percepção de acolhimento por parte dos usuários, que atribuem características bastante positivas à relação entre alunos e professores refletidas na avaliação geral sobre a qualidade do atendimento recebido.

O entrevistado deste número é Eduardo Luis Menéndez Spina, antropólogo argentino desde 1976 radicado no México. Realizada por Ana Lúcia Pontes e Renata Cortez, a entrevista trata das principais contribuições de Menéndez para o campo da antropologia médica, com destaque para modelos de atenção, autoatenção e enfoque relacional.

Por fim, a revista publica duas resenhas. Márcia Valéria Morosini elabora a análise do livro O agente comunitário de saúde: práticas educativas, organizado por Fábio Luiz Mialhe. A obra Saúde do trabalhador na sociedade brasileira contemporânea, organizada por Carlos Minayo, Jorge Machado e Paulo Pena, é examinada por Luis Henrique da Costa Leão.

 

Angélica Ferreira Fonseca
Carla Macedo Martins
Marcela Alejandra Pronko

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License