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Trabalho, Educação e Saúde

On-line version ISSN 1981-7746

Trab. educ. saúde vol.12 no.3 Rio de Janeiro Sept./Dec. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/1981-7746-sip00035 

Editorial

Editorial

Angélica Ferreira Fonseca

Carla Macedo Martins

Marcela Alejandra Pronko

A ergologia, referencial teórico cada vez mais presente nos estudos sobre o trabalho em saúde, comparece neste número da Trabalho, Educação e Saúde no ensaio Contribuições epistemológicas da ergologia para a regulação em saúde, de Tatiana Gamarra, fomentando a discussão de questões implicadas na gestão pública.

Sob um enfoque bastante distinto, a articulação entre a política de Estado e a gestão da saúde é objeto do estudo de Maria de Fátima Siliansky e Maria Inês Bravo em Privatização da gestão e organizações sociais na atenção à saúde. A análise das autoras sinaliza que a terceirização da gestão é parte de um processo de privatização coerente com a contrarreforma do Estado, que, em última instância, mantém-se alinhado à preservação dos interesses do capital.

Um conjunto importante de noções como participação, autonomia e diálogo permeia frequentemente os textos de educação em saúde. O artigo de Aline Silva e Kátia Souza, Educação, pesquisa participante e saúde: as ideias de Carlos Rodrigues Brandão, nos oferece uma base teórica consistente para refletir sobre esses conceitos e suas articulações com as práticas de 'educações'. A partir de uma análise bibliográfica de obras selecionadas de Carlos Brandão, o texto nos ajuda a resgatar a dimensão política do trabalho em saúde.

As várias formas de elaborar e implementar a formação em saúde são temas recorrentes de estudos publicados na Trabalho, Educação e Saúde. No artigo de Hedi Daniel, Juliana Sandri e Luciana Grillo, Implantação de política de educação permanente em saúde no Rio Grande do Sul, as autoras dialogam com gestores e técnicos e entre os diversos resultados que pontuam o impulso dado à educação permanente em saúde, tendo por base o financiamento federal e a ampla necessidade de qualificação de trabalhadores de nível médio, em especial aqueles inseridos na Estratégia Saúde da Família (ESF).

Concepções de enfermeiros sobre a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, artigo de Daiane Cristina Teixeira et al., nos traz uma preocupação: é possível que essa política possa proporcionar o alcance de objetivos mais amplos da política de gênero, sem que seja ultrapassada uma visão restrita de prevenção de doenças? Os resultados do estudo apresentam diversas indagações construídas após um estudo na ESF e nos indicam a necessidade de aprofundar e diversificar os ângulos com base nos quais se discute a integralidade da atenção.

A supervisão é uma atividade que busca a qualificação do trabalho em saúde, mas que, historicamente, é tensionada por uma dimensão de controle que pode reduzir a autonomia dos profissionais. No artigo de Aline Lima et al., Supervisão de trabalhadores de enfermagem em unidade básica de saúde, com base em uma pesquisa qualitativa, são discutidas as características dessa atividade, buscando-se entender as circunstâncias por meio das quais a supervisão fortalece a qualidade da atenção e o processo de trabalho.

No estudo que dá origem ao artigo O papel do trabalho e da formação acadêmica no projeto profissional do trabalhador da saúde, de Rosimeire Aparecida Manoel et al., foram entrevistados profissionais de nível superior da ESF para se entender que elementos influenciaram sua inserção na atenção básica. A ampliação de postos de trabalho na ESF constituiu-se como uma alternativa profissional concreta, o que em grande parte definiu o percurso desses trabalhadores. A atenção básica mostra-se também como um espaço de atuação menos valorizado para médicos e odontólogos, o que limita o interesse destes trabalhadores por cursar especialização na área.

Duas categorias - o cotidiano do trabalho de limpeza hospitalar e os reflexos da terceirização na vida do trabalhador - sintetizam os resultados da pesquisa Repercussões da ambiência hospitalar na perspectiva dos trabalhadores de limpeza, de Elen Petean, Aldenan da Costa e Rosa Ribeiro. Tais resultados mostram, por exemplo, que os trabalhadores de limpeza consideram-se individualmente responsáveis pela própria saúde e entendem a doença como uma falha pessoal. Nas situações de doença, a terceirização lança o trabalhador em um contexto de maior vulnerabilidade, pois é quando se revelam as dificuldades para o atendimento, o que gera um sentimento de desvalorização.

A dupla face do trabalho, desestruturante e estruturante do sujeito, é discutida no artigo A saúde mental dos profissionais da saúde e o programa de educação pelo trabalho, de Eloísa Martellet, Roberta Motta e Adriana Carpes, cuja pesquisa foi desenvolvida com trabalhadores de nível médio e superior de unidades de atenção básica. As autoras destacam a importância de discutir o processo de produção e as relações sociais estabelecidas no âmbito do trabalho em saúde, apontando a necessidade de 'cuidar de quem cuida'.

Comprometimento organizacional de trabalhadores da vigilância sanitária em municípios do estado de Goiás, artigo de Maria Aparecida Melo et al., desenvolve uma pesquisa quantitativa. Os resultados, que indicam o comprometimento dos trabalhadores da vigilância sanitária municipais, servem de exemplo no sentido de que, mesmo diante das adversidades enfrentadas pelos servidores, eles se comprometem com as políticas, objetivos e metas institucionais.

A compreensão de que a interação da universidade com a comunidade é uma base para a construção de projetos educativos que beneficiam universitários e os membros da comunidade sustentou a experiência analisada no artigo Extensão universitária e inclusão social de estudantes do ensino médio público, de Liliane Lins et al. O artigo mostra que houve uma crescente apropriação de conhecimentos por parte dos alunos de ensino médio que fizeram parte do projeto, bem como contribuiu para situar o estudante de medicina ante a saúde e a doença como um processo social, escapando do reducionismo biológico que ainda marca esta formação.

Este número apresenta ainda o relato Programa de formación y capacitacion laboral em salud mental, no qual Luis Ernesto Chaura aborda uma experiência de qualificação de trabalhadores não inseridos no mercado de trabalho e com vulnerabilidade psicossocial, ocorrida na cidade de Buenos Aires.

A primeira resenha deste número é de autoria Ramón Peña Castro, sobre a obra de Marcio Pochmann, intitulada O mito da grande classe média: capitalismo e estrutura social, e a segunda, de Elenice M. Cunha, é sobre o livro Diálogos paradigmáticos sobre informação para a área da saúde, organizado por Virgínia Bentes Pinto e Henry de Holanda Campos.

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