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Trabalho, Educação e Saúde

Print version ISSN 1678-1007On-line version ISSN 1981-7746

Trab. educ. saúde vol.16 no.1 Rio de Janeiro Jan./Apr. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1981-7746-sol00120 

EDITORIAL

Ciência aberta, dados abertos: desafio e oportunidade

Paula Xavier dos Santos1 

Paulo Guanaes2 

1Coordenadora de Informação e Comunicação, Fundação Oswaldo Cruz.

2Editor executivo da revista Trabalho, Educação e Saúde, Fundação Oswaldo Cruz.

Hoje, uma das principais narrativas da ciência é tornar universal o acesso a dados de pesquisa, sobretudo aquela financiada com recursos públicos, motivação comum que está na base do movimento pelo acesso aberto à informação científica, iniciado no final dos anos 1990. Sem perder de vista que a abertura de dados de pesquisa no Brasil se insere numa discussão ainda recente, sua implementação é necessária, não apenas por se tratar de oferecer acesso aberto ao que resulta de financiamento público, mas também de cumprir com o compromisso de fazer ciência sob a inspiração de uma filosofia aberta, apoiada nas infinitas possibilidades das tecnologias da informação e comunicação, que estimulam produção colaborativa e compartilhada entre pesquisadores, especialmente pelo reuso dos dados.

Em dezembro de 2017, após a realização da 8ª Conferência Luso-Brasileira de Acesso Aberto (Confoa) em suas dependências, no Rio de Janeiro, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deu mais uma demonstração inequívoca de seu compromisso com a Ciência Aberta ao apresentar o relatório Ciência aberta e dados abertos: mapeamento e análise de políticas, infraestruturas e estratégias em perspectiva nacional e internacional (Santos, Henning e Almeida, 2017) acerca de uma análise de iniciativas internacionais sobre políticas, governança e infraestruturas de dados abertos, fruto da pesquisa realizada pelo Grupo de Trabalho em Ciência Aberta, vinculado à vice-presidência de Educação, Informação e Comunicação, em parceria com o Centro de Integração de Dados e Conhecimento em Saúde (Cidacs).

O Cidacs, com sede na Fiocruz Bahia, integra uma das estratégias da instituição para subsidiar a formulação e a implantação de uma política que oriente a abertura de dados científicos. Realiza pesquisas, desenvolve novas metodologias investigativas e promove capacitação profissional e científica com base em projetos interdisciplinares fundados na integração de grandes bases de dados (big data), a fim de ampliar o entendimento dos problemas de saúde da população e de fornecer evidências para apoiar a tomada de decisões em políticas públicas.

O estudo apresentado sistematiza a experiência de oito países – Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, Estados Unidos, Holanda, Portugal e Reino Unido – e as iniciativas promovidas pela Comissão Europeia por meio do seu Programa de Pesquisa Horizonte 2020 em abertura de dados à sociedade, visando ao avanço de uma ciência aberta, colaborativa e compartilhada, fiadora da integridade da pesquisa e articulada com a sustentabilidade social e econômica das nações.

O relatório Ciência aberta e dados abertos: mapeamento e análise de políticas, infraestruturas e estratégias em perspectiva nacional e internacional é uma parte da pesquisa “Ciência Aberta: o que, para quem, como e por quê? Recomendações estratégicas para a Política de Dados Abertos da Fiocruz”, que tem como objetivo específico criar um conjunto de diretivas para a elaboração de uma proposta de arcabouço geral de uma política de dados abertos para a Fiocruz, em conexão com a Política de Acesso Aberto ao Conhecimento1 e observância da legislação nacional sobre o tema. As recomendações ali contidas, no entanto, ainda não expressam um posicionamento conclusivo da Fiocruz, constituindo-se em uma visão autônoma do Grupo de Trabalho que o concretizou para contribuir com a formulação coletiva da Política.

A elaboração de uma política de dados abertos, conforme demonstrou a análise, é uma ação que vem sendo efetivada pelas principais agências de fomento internacionais, entre elas o National Institutes of Health, The Wellcome Trust e a Fundação Bill e Melinda Gates. O tema também é tratado como prioridade por governos e instituições de pesquisa que atuam de forma integrada no desenvolvimento de um ecossistema de gestão e avaliação da pesquisa, em suas várias dimensões, como formulação de políticas, infraestruturas e capacitação, entre outras. Os desafios para a implantação de práticas da ciência aberta são enormes, como, por exemplo, a resistência de pesquisadores em ceder seus dados por medo de perder a prioridade de descobertas.

O movimento da Fiocruz em direção à abertura de dados de pesquisa – atenta à proteção dos dados sigilosos e sensíveis – representa ainda uma natural evolução da sua Política de Acesso Aberto ao Conhecimento, que se soma a iniciativas como a criação do repositório institucional Arca, do repositório institucional de recursos educacionais abertos (Arca/REA), a parceria da Editora Fiocruz na SciELO Livros, o lançamento do Portal de Periódicos Científicos da Fiocruz, que abriga as sete revistas científicas produzidas pela instituição, além do Observatório em Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (Santos, 2014).

Sem dúvida, estamos diante de um grande desafio, que implica não somente a adoção de novas práticas como também a necessidade de revisão do modo estabelecido de fazer ciência. Contudo, o momento é de oportunidade para se criar novos mecanismos que fortaleçam a inserção da ciência brasileira nos fluxos globais da informação científica.

Referências

SANTOS, Paula X. et al. Política de Acesso Aberto ao Conhecimento: análise da experiência da Fundação Oswaldo Cruz/Fiocruz. RECIIS: Revista Eletrônica de Comunicação, Informação & Inovação em Saúde, Rio de Janeiro, v. 8, n. 2, p. 210-226, 2014. [ Links ]

SANTOS, Paula X; HENNING, Patrícia; ALMEIDA, Bethânia A. (orgs.). Ciência aberta e dados abertos: mapeamento e análise de políticas, infraestruturas e estratégias em perspectiva nacional e internacional. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2017. 125 p. [ Links ]

Nota

1 A Política de Acesso Aberto ao Conhecimento da Fiocruz foi instituída em 2014 e tem caráter mandatório para dissertações, teses e artigos. Ver mais em: https://portal.fiocruz.br/pt-br/acessoaberto.

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