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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas

Print version ISSN 1981-8122

Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciênc. hum. vol.1 no.2 Belém May/Aug. 2006

https://doi.org/10.1590/S1981-81222006000200001 

Apresentação

 

 

O conteúdo deste volume temático remete para um tema agregador dos artigos nele presentes, cujos assuntos levam o leitor a uma viagem pelas águas continentais do rio Amazonas, do estuário e da zona litorânea do estado do Pará. Nossa proposta é apresentar recortes teóricos do modo de viver dos povos das águas nesses três grandes domínios aquáticos da Amazônia, em seqüência a estudos anteriores que desvelam a vida desses povos da região.

Relações de trabalho, construção do tempo, gênero e sustentabilidade, recursos naturais e uso social, alimentação e nutrição, etnicidade e processos identitários, são abordagens que marcam os recortes escolhidos por seus respectivos autores neste volume. São reveladores de uma ciência contemporânea engajada e comprometida com a sociedade, suas demandas e sua dinâmica. Por isso, certamente uma ciência transformadora e colaboradora na revisão e construção de políticas públicas setoriais efetivas, visando ao desenvolvimento justo e ético para as populações regionais.

Em 'Pescadores de sonhos: um olhar sobre as mudanças nas relações de trabalho e na organização social entre famílias dos pescadores diante do veraneio e do turismo balnear em Salinópolis, Pará', Denize Adrião dirige seu olhar para os impactos sobre a vida tradicional de uma comunidade de pescadores, enfatizando o trabalho e suas mudanças, fato recorrente nas áreas pesqueiras que estão sob a mira dos programas de turismo.

Ainda enfocando atividades turísticas, Helena Doris de A. Barbosa Quaresma e Raul Ivan Raiol de Campos, analisam a prática das atividades turísticas e seus impactos em comunidades pesqueiras do litoral paraense, anotando as transformações correntes nas sociedades haliêuticas, especificamente a forma como a prática do turismo implanta-se nessas áreas de ocupação humana tradicional.

Ivete Nascimento, na linha do 'tempo' cotidiano dos pescadores tradicionais ou artesanais de Fortaleza do Mocooca, município de Maracanã, faz um contraponto entre 'tempo de fartura' e 'tempo de famitura' ou da escassez, iniciativa crucial para a análise sobre a perda de valores de uma sociedade em mudança.

Lígia Simonian discute a relação entre gênero, mobilização social e sustentabilidade no contexto insular de Trambioca, município de Barcarena, a partir da experiência de mulheres pescadoras de camarão, gerando dados para uma economia política e indicando demandas para o aprimoramento de políticas públicas de crédito, capacitação e inovação tecnológica adequadas ao meio e à cultura locais.

Em 'Pescadores insulares e mercados: aspectos das relações de reciprocidade no comércio de pescado no Pará', Wilma Marques Leitão e Isabel de Sousa, a partir das águas estuarinas da ilha do Capim, em Barcarena, e das águas marítimas da costa de Viseu, Nordeste paraense, examinam o comércio de pescado pelos nativos, mostrando a complexidade e diversificação na organização social das populações pesqueiras, contrariando concepções que as imaginam como sociedades muito simples.

Elio de Jesus Pantoja Alves retoma em seu artigo o sistema de aviamento no âmbito da pesca artesanal e suas implicações no que tange à permanência e mudança nas relações de troca, mostrando que esse sistema está presente no fluxo de trocas e comercialização dos produtos do mar.

Adriana de Aviz traz 'A pesca artesanal e a empresa pesqueira no município de Óbidos' para avançar na compreensão das características do 'tempo disciplinado' no setor de beneficiamento da empresa pesqueira, na qual a mão-de-obra feminina é básica.

Ivan Furtado Júnior, Márcia Cristina da Silva Tavares e Carla Suzy Freire de Brito apresentam grande contribuição às estatísticas de produção pesqueira por espécie, em volume de desembarque, nas áreas estuarinas e marítimas do estado do Pará, tema tão caro a quem se ocupa das sociedades haliêuticas no Brasil e na Amazônia. Destacam Belém, Bragança e Vigia como os maiores pontos de desembarque de pescado, na área por eles estudada.

Em 'Ainda um rio: afastamento e aproximação entre dois povos indígenas', Maria Helena Barata reflete sobre as relações entre os povos indígenas Tenetehara (Tupi-Guarani) e Pükob'gateyé (Jê-Timbira), tendo em vista o acesso a territórios em busca de bens materiais e simbólicos, em que o rio Buriticupu se apresenta como o marco sócio-simbólico para a definição de territórios e suas respectivas identidades.

Lourdes Gonçalves Furtado, em 'Origens pluriétnicas no cotidiano da pesca na Amazônia - contribuições para projeto de estudo plurudisciplinar', enfatiza a relevância dos povos primevos que ocuparam a Amazônia na cultura pesqueira da região e evoca as origens pluriétnicas da sociedade e cultura que se formaram na região, visando preencher lacunas sobre as relações entre os primeiros contingentes formadores da sociedade amazônica e os segmentos sociais contemporâneos que praticam a pesca na região.

Com tal conteúdo pretende-se oferecer dados de campo a todos que se interessam pelos povos amazônicos, particularmente aqueles que têm sua vida material e simbólica estreitamente ligada ao mundo das águas.

 

Lourdes Gonçalves Furtado

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