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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas

Print version ISSN 1981-8122On-line version ISSN 2178-2547

Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciênc. hum. vol.11 no.3 Belém Sept./Dec. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/1981.81222016000300005 

ARTIGOS

De Senhora de Nazaré a ‘Nazinha’: singularidades na expressão do afeto à padroeira do Pará

From Nazaré to ‘Nazinha’: singularities in the expression of affection of the patron saint of Pará

Maria do Socorro Furtado VelosoI 

Maria Angela PavanI 

IUniversidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil


Resumo

Este estudo parte do pressuposto de que existe um modo particular de relação devocional do povo paraense com a figura mítica de Maria de Nazaré, mãe de Jesus. ‘Naza’, ‘Nazica’, ‘Nazinha’ são diminutivos do nome original que comunicam o afeto à Santa, contribuindo para o fortalecimento de laços de identidade e pertencimento evidenciados nas festividades em homenagem à padroeira do Estado do Pará, no Norte do Brasil. Essas manifestações marcadas pela informalidade são continuamente mobilizadas por meio de conexões entre linguagem, religiosidade, cultura e mídia. O percurso teórico toma por referência as concepções de Muniz Sodré (2006), que, ao sinalizar para a urgência de novos mecanismos de interpretação para o campo da comunicação, defende a necessidade de se atentar para “a diversidade da natureza das trocas” e seus “poderosos dispositivos do afeto”. Depoimentos coletados em sites, blogues e redes sociais, além de duas letras de músicas e um videoclipe, compõem o conjunto de objetos analisados pelas autoras.

Palavras-chave Comunicação; Cultura; Identidade; Afeto; Círio de Nazaré

Abstract

This study stems from the premise that there is a particular mode of devotional relationship for the people of Pará to the mythical figure of Maria de Nazaré, mother of Jesus. Also known as ‘Naza’, ‘Nazica’, ‘Nazinha’, these diminuitives of the original name, express affection for the Saint, and contribute to the strengthening of ties of identity and belonging, evidenced in the many festivals in honor of this Patron Saint of Pará, in the North of Brazil. These manifestations, marked by their informality, are continually mobilized through connections between language, religiosity, culture and media. The theoretical basis for this work relies on the concepts of Muniz Sodré (2006), who, flagging the urgency for adopting new interpretive mechanisms in the field of communication, defends the need to attempt to “the diversity of the nature of exchanges” and their “powerful devices for affection”. Depositions collected on sites, blogs and social network pages, as well as in the lyrics of two songs and a video clip, comprise the set of objects analyzed by the authors.

Keywords Communication; Culture; Identity; Affection; Círio of Nazaré

INTRODUÇÃO

“A Santa tá online!”, comemora com estardalhaço o personagem Tuco, de A Grande Família (TV Globo), ao ver Nenê, sua mãe, acertar uma sequência de respostas num quiz show televisivo. A frase espirituosa proferida no episódio ‘Ou vai ou racha’ da série, que foi ao ar em 9 de agosto de 2012, ilustra as alterações cada vez mais evidentes, e surpreendentes, no discurso daqueles que têm uma relação de devoção ou apenas de afinidade cultural, em maior ou menor grau, com a figura mítica representada por Maria de Nazaré, a mãe de Jesus. Essas alterações discursivas exprimem, no geral, um esforço que se caracteriza pela busca por formas de aproximação com a divindade.

Na fala de Tuco, a marca da proximidade reside na habilidade com aparatos tecnológicos atribuída à mulher escolhida para gerar o novo Messias, segundo a tradição cristã: a Santa está online, conectada, em rede. Em on, pode atender aos pedidos dos devotos com mais agilidade, como sugere o personagem.

Pois é da percepção dessa comunicação afetiva entre humanos e divindades, cuja marca é a presença da linguagem coloquial, que se constitui a matéria-prima do presente estudo. Essa percepção se consolidou desde que as duas autoras, uma paraense e outra paulista, voltaram suas atenções, ainda que informalmente, para os modos de tratamento dispensado por seus conterrâneos às Santas que simbolizam seus respectivos estados – Nazaré, no Pará, e Aparecida, em São Paulo, sendo a última padroeira do Brasil. No primeiro caso, notou-se um tipo de intimidade construída pela linguagem oral, cada vez mais presente na maneira do paraense de se referir à Santa.

O que antes poderia soar como blasfêmia, desrespeito ou apenas provocação, aos poucos passou a significar um tipo muito particular de relação devocional com Maria de Nazaré. ‘Naza’, ‘Nazica’, ‘Nazinha’ são diminutivos do nome original, hoje associados à figura que, como nenhuma outra, traduz a ligação do povo do Pará com a fé cristã. ‘Poderosa’, ‘soberana’, ‘linda’ são adjetivos presentes em postagens escritas por paraenses residentes dentro ou fora do estado, em sítios na internet consultados para este estudo. Esses adjetivos fazem referência ao esplendor da imagem que, adornada por um manto bordado com fios de ouro e pedras preciosas, anualmente deixa a sacristia da Basílica de Nazaré para uma série de peregrinações, a cada festividade do Círio. Sobre essas peregrinações, não é incomum se dizer, em tom de chiste, que a Santa chegou ‘cansadíssima’ a seu destino.

Não se tem conhecimento, ao contrário, de que os devotos de Nossa Senhora Aparecida tenham por hábito tratá-la por ‘Cida’, ‘Cidinha’ ou ‘Cidoca’ – epítetos costumeiramente atribuídos a mulheres registradas com o nome da Santa paulista.

O pitoresco modo do paraense de se referir à divindade evidencia uma forma de comunicação caracterizada pela afetividade, em contraponto à ausência do ‘medo de pecar pela palavra’, tão característico da relação que os cristãos mantêm com os elementos da devoção. Manifestações oriundas da indústria cultural também reiteram esse modo de afeto. Como se verá adiante, para a Santa já foi composta música em ritmo caribenho – ‘Nazaré’ (Zouk da Naza), de Almirzinho Gabriel -, e sua figura sacra é personagem em um videoclipe essencialmente profano – ‘Xirley’, de Gaby Amarantos.

A música de Gabriel, o videoclipe de Amarantos e oito mensagens coletadas na internet são objetos deste artigo, que se utiliza de pesquisa documental com ênfase qualitativa, a partir da seleção de conteúdos em jornais impressos e na internet, e de análise fílmica.

Neste estudo, optou-se por percorrer o “caminho teórico” proposto por Muniz Sodré na obra “As estratégias sensíveis” (2006). Ao sinalizar para a urgência de novos mecanismos de interpretação para o campo da comunicação, o autor defende a necessidade de se atentar para “a diversidade da natureza das trocas, em que se fazem presentes os signos representativos ou intelectuais, mas principalmente os poderosos dispositivos do afeto” (Sodré, 2006, p. 12-13). Buscando uma “dimensão primordial que tem mais a ver com o sensível do que com a medida racional”, o autor nos ajuda a refletir sobre a experiência do corpo no entorno comunicacional:

Por exemplo, a dimensão da corporeidade nas experiências de contato direto, em que se “vive”, mais do que se interpreta semanticamente, o sentido: sentir implica o corpo, mais ainda, uma necessária conexão entre espírito e corpo. Ou então, a dimensão da imagem, em que o afeto e a tatilidade se sobrepõem à pura e simples circulação de conteúdos. Trata-se finalmente de reconhecer a potência emancipatória contida na ilusão, na emoção do riso e no sentimento de ironia, mas também na imaginação [...] (Sodré, 2006, p. 13).

É um olhar que se encaminha para leituras que podem estar “aquém e além do conceito”, diz Sodré (2006, p. 13), ao privilegiar emoções, sentimentos e elementos míticos. Trata-se, em suma, da decisão de assumir outra “atitude epistemológica”, “mais compreensiva, menos intelectualracionalista, capaz de apreender os fenômenos fora da medida universal” (Sodré, 2006, p. 14). Esse olhar proposto por Sodré conduz o presente estudo, que nasceu da percepção de que dispositivos do afeto são continuamente mobilizados por meio de conexões entre linguagem, religiosidade, cultura e mídia, no caso da singular atitude devocional dos paraenses frente à sua Santa padroeira.

Esta pesquisa tem natureza qualitativa, por valer-se de amostras de caráter intencional. Nas amostras intencionais, os elementos “são selecionados conforme critérios que derivam do problema de pesquisa, das características do universo observado e das condições e métodos de observação e análise” (Fragoso; Recuero; Amaral, 2011, p. 78) – em contraposição às seleções de amostras de caráter probabilístico ou estatístico. Como observa Minayo (1994, p. 21), a pesquisa qualitativa “trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis”.

A metodologia incluiu, ainda, análise fílmica, que foi realizada em duas etapas: primeiro descrevemos a construção fílmica, todas as cenas e cortes, e em seguida interpretamos os dados. Como orienta Penafria (2009, p. 1), a “decomposição recorre pois a conceitos relativos à imagem (fazer uma descrição plástica dos planos no que diz respeito ao enquadramento, composição, ângulo [...]) ao som (por exemplo, off e in) e à estrutura do filme (planos, cenas, sequências)”. O objetivo, enfatiza a pesquisadora, é lançar luz sobre o funcionamento de determinada produção audiovisual e propor uma interpretação.

AS MÚLTIPLAS DIMENSÕES DO CÍRIO

Compreender os sentidos múltiplos da procissão que, anualmente, sempre no mês de outubro, louva a padroeira dos paraenses, demanda a necessidade de se permitir testemunhá-la, ainda que por uma vez e ainda que nem tão de perto. Isso porque o Círio de Nazaré é um fenômeno singular, cujas particularidades incluem desde a própria dimensão física da romaria até aspectos mais sutis, como a relação de humana intimidade com a figura divina.

A romaria católica que acontece há 223 anos na capital do Pará, no segundo domingo de outubro, é uma das maiores do mundo em número de pessoas. O percurso começa na Catedral de Belém, no centro velho da cidade, e se estende por quatro quilômetros até a Basílica de Nazaré, no bairro do mesmo nome. A condução da Santa entre esses dois extremos, a Catedral e a Basílica, é caracterizada por situações que expressam duas dimensões evidentes da festividade, a devocional e a informal, como aponta Alves (2005a, p. 330-331):

O Círio caracteriza-se, em todo o seu trajeto, de um lado, pelas situações que expressam um profundo respeito, com os atos correspondentes, e, de outro, por uma alegria festiva demarcada pelo ritmo das músicas e das bandas que se distribuem ao longo da procissão. O drama social, no caso do Círio, é uma combinação de situações que vão do sacrifício mais doloroso de um devoto que, de joelhos ou se arrastando, paga a sua promessa, até um desregrado comportamento de quem apela para a gargalhada, a conversa amena, os votos de uma feliz festa, o estardalhaço dos jovens ou o despojamento no vestir (a camisa de um clube de futebol, por exemplo) e no andar descalço, além da expressão de uma alegre convivência com a Santa que se torna, ao descer dos altares, uma personagem familiar.

No conjunto, trata-se de uma celebração hiperbólica: a quantidade de devotos que acompanha a imagem; o número e tipos de procissões, feitas a pé, de barco, de carro, de motocicleta; a comensalidade, caracterizada pela fartura de comidas típicas à mesa e pelo consumo elevado de bebidas alcoólicas; os modos sobre-humanos de agradecer pelas graças alcançadas, como cumprir o percurso da procissão de joelhos ou agarrando-se à corda que conduz a berlinda, por exemplo; as expressões de profunda adoração e crença em milagres patrocinados pela padroeira, marcadas por choro, gritos, aplausos e milhares de mãos espalmadas para o alto, à primeira visão da imagem; as manifestações de rua profanas, como o Arraial do Pavulagem - uma banda que valoriza elementos da musicalidade local, entre eles o boi-bumbá e o carimbó - e a Festa da Chiquita - que na noite de sábado reúne gays, travestis e drag queens na Praça da República, local por onde, apenas algumas horas depois, passará a imagem da Santa em direção à Basílica de Nazaré.

Não basta, pois, presenciar o espetáculo. Como observa Figueiredo (2005, p. 35), a festa é também para ser vivida e percebida pelos vários sentidos, “que ficam sobrecarregados das sensações de experiências do Círio de Nazaré”. Por meio de dispositivos variados, os paraenses compartilham experiências que conjugam fé, alegria e afeto durante as festividades de outubro, sedimentando um forte traço da cultura local na imbricação permanente entre o sagrado e o profano. A partir das concepções de Sahlins (1974), pode-se pensar no Círio e em sua personagem central como expressões por meio das quais uma coletividade de devotos reafirma seu poder, exibindo ao máximo sua crença na amplitude da romaria, nas festas de rua, no vestuário e nos adornos, e também na tessitura de afetos que unem não só crentes e divindade, mas o próprio conjunto dos devotos, entre si.

Disso decorrem várias proposições corolárias encontradas na Antropologia moderna: que as crenças espirituais espelham a estrutura da sociedade; que os deuses, mitos e práticas rituais simbolizam os valores e relações sociais básicos, de que tudo isso funciona para integrar a sociedade, prover coesão, promover solidariedade e manter a continuidade. (Sahlins, 1974, p. 150).

Emprestada do mundo do sagrado por diferentes processos de mediação, a Santa adquire um tipo de reconhecimento antes reservado a artistas de televisão, cantores e jogadores de futebol. É o que se depreende de entrevista concedida pela cantora paraense Fafá de Belém ao jornal Diário do Pará (2011): “Vejam bem que não é um camarote de celebridades. A única celebridade aqui é ela, a ‘Nazica’”, tenta esclarecer Fafá, ao ser questionada sobre a presença de um grupo de nomes famosos em seu camarote na Estação das Docas - famoso ponto turístico de Belém, de onde, naquele momento, tinha-se uma visão privilegiada da procissão em homenagem à Senhora de Nazaré.

Cercada por figuras vinculadas ao show business, como o cantor-padre Fábio de Melo, o ex-jogador Raí e o lutador Lyoto Machida, a artista quis sugerir, como devota, que naquele momento abria mão da condição de personagem célebre para reservá-la unicamente à padroeira local que, no ano de 2015, de acordo com estimativas dos organizadores, levou às ruas de Belém cerca de dois milhões de pessoas.

Do mesmo modo que Fafá de Belém, outro nome local de expressão nacional, a atriz Dira Paes, comparou a Santa a uma ‘miss’ ao comentar os preparativos para o Círio.

A preparação para a procissão começa alguns dias antes da festa. Minha irmã faz parte da diretoria do Círio de Nazaré. Como ela é uma das pessoas que organiza a berlinda, tive a oportunidade nos últimos anos de pegar no manto que envolve a Santa. [...] É uma riqueza, é como se estivéssemos preparando uma ‘miss’ para o grande dia. (Paes, 2005, p. 95).

A relação de proximidade com a padroeira é visível em todas as épocas do ano, em Belém, mas se intensifica no período do Círio – que não se resume aos 15 dias de festa, a partir do segundo domingo de outubro, mas começa muito antes, no fim do primeiro semestre, quando os organizadores (que incluem mandatários da Igreja e representantes da sociedade civil) anunciam preparativos, divulgam eventuais mudanças ou novidades no percurso, e tratam de questões que vão do cartaz oficial a eventos relativos ao calendário da festa.

MARCAS DA IDENTIDADE E DO PERTENCIMENTO

As expressões da cultura do Pará, como se observa, estão fortemente centradas na Santa e no Círio. Ambos tecem sentidos com os quais os paraenses podem reforçar os laços do pertencimento e manter sua identidade por meio das histórias e dos produtos midiáticos e culturais que transcendem a festa. Criar e recriar a identidade através dessas histórias e produtos podem representar um gesto de resistência da comunidade visando a manter a noção de pertencimento. Para Halbwachs (1990, p. 19), a vivência do coletivo é essencial, pois o homem se define e se constrói pela cultura, já que se encontra inserido em ambiente social:

Quando dizemos que o indivíduo se conduz com a ajuda da memória do grupo, é necessário entender que essa ajuda não implica na presença atual de um ou vários de seus membros. Com efeito, continuo a sofrer a influência de uma sociedade ainda que tenha me distanciado: basta que carregue comigo em meu espírito tudo o que me capacite para me posicionar do ponto de vista de seus membros, de me envolver em seu meio e em seu próprio tempo, e de me sentir no coração do grupo.

A festa religiosa de clara noção identitária tem outras peculiaridades, como a de ser considerada o ‘Natal dos paraenses’. Às vésperas ou no dia da grande procissão, é comum que as pessoas se cumprimentem umas às outras com beijos, abraços e votos de ‘feliz Círio’ ou ‘bom Círio’. A esse respeito, Alves (2005a) aponta para o “sentimento de pertencimento” presente na troca de cumprimentos, outra marca dessa celebração contida em um tempo particular.

Uma das características da Festa de Nazaré é que ela é um ponto nodal (fim e início) de um ciclo no calendário regional que compreende um tempo muito particular [...]. O cumprimento ritual atualiza a passagem de um ciclo a outro, revela os desejos comunitários e o sentimento de pertencimento e a renovação de relações socialmente estabelecidas. Por isso mesmo, em seus desdobramentos, a realização da Festa durante a quinzena vai mostrar esses aspectos valorativos que lhes são próprios. (Alves, 2005a, p. 317).

Maués (1999, p. 7 apud Alves, 2012, p. 43) reitera a dimensão identitária das festividades do Círio, ao situá-las como celebração de um modo de ser típico do povo do Pará: “É uma maneira de mostrar ‘eis a nossa festa, esses são os paraenses, vejam nossa culinária, nossos hábitos, somos nós’. Não estamos simplesmente festejando a Santa, estamos festejando nossa própria sociedade”.

No eixo desses sentidos está Maria, ‘mãe’ e ‘rainha’ da Amazônia, a padroeira ‘poderosa e milagrosa’, com quem os devotos mantêm uma relação estreita. Deste modo, como observa Alves (2005b, p. 323), a Santa cumpre “no plano da representação religiosa, um poder feminino pouco correspondente no plano do mundo cotidiano. [...] Não é sem razão que no Brasil os grandes padroeiros são Santas, Virgens Marias, cultuadas e reverenciadas, isso só para falar no catolicismo popular”.

Os laços de identidade que unem os paraenses em torno da divindade incluem um momento histórico marcante para a Igreja Católica, em Belém: o ano de 1969, ocasião em que a imagem original - uma peça barroca de 28 cm de altura, esculpida em madeira -, foi substituída, nas procissões, por outra imagem. Encomendada pelo então vigário local, Miguel Giambelli, ao escultor italiano Giacomo Mussner, a imagem que hoje é chamada de ‘peregrina’ tem os cabelos soltos caindo em cachos sobre o ombro direito, a exemplo da original. O tom do cabelo é castanho escuro, em contraponto ao castanho claro da ‘autêntica’ – como os paraenses costumam chamar a imagem que, reiterando a mitologia do achado de Santas como Guadalupe, Aparecida e Fátima (Alves, 2005b), foi encontrada por um pescador de nome Plácido, no ano de 1700, às margens do igarapé Murucutu, onde depois seria erguida a Basílica de Nazaré. Os traços fisionômicos da peregrina são mais joviais e próximos da mulher amazônica.

É na figura do menino Jesus - sentado no braço direito de ambas as imagens e com um globo nas mãos -, que reside, contudo, a maior diferença: enquanto, na escultura original, o filho de Deus é representado por um bebê de cabelos loiros e fisionomia europeia, na ‘peregrina’ o menino é tipicamente nativo - os cabelos são negros, e o rosto e o nariz, arredondados, a exemplo de tantas crianças com traços indígenas vistas nas ruas de Belém.

A Santa que anualmente protagoniza um longo circuito de procissões com seu pequeno Jesus amazônico nos braços é, portanto, mãe sagrada e cabocla ao mesmo tempo. Como na música do compositor Gabriel ([2010]), ‘Nazaré’ (Zouk da Naza), é a personificação da mulher paraense, amazonense, acreana, aquela que vive na periferia das capitais ou no interior, às margens dos rios, no meio da imensa floresta. É aquela que prepara o peixe, colhe o açaí, cuida da palha que vai cobrir a casa humilde. Segundo a letra da música:

Nazaré chegou por aqui já era Santa/E aqui já era aqui no mesmo lugar/Se acocorou pra beber água a chuva caiu/Resolveu ficar/Tirou palha, envira, cipó, galinho de pau/Fez uma casinha arrumou cozinha e quintal/Assou peixe, fez avoado, tirou açaí/Sem nada magoar/Naza, Nazarezinha, Nazaré rainha/ Nazaré, mãe da terra, mãezinha me ajuda a cuidar. (Gabriel, [2010]).

Aqui, também, a Santa humanizada pode ser ‘Naza’, ‘Nazarezinha’. Mas é ‘rainha’, é ‘mãe da terra’, e o povo a ela devoto recorre para que ajude “a cuidar”.

Outro exemplo colhido para este estudo é o videoclipe ‘Xirley’, da cantora Gaby Amarantos. Disponível no Youtube, ‘Xirley’ mostra simbolicamente como Maria de Nazaré está presente no imaginário e no cotidiano dos paraenses. No clipe, Gaby representa uma moradora da periferia de Belém que tem uma modesta casa tomada por elementos do hiperconsumo. A casa denota um ambiente transgressor, onde funciona uma fábrica de CDs falsificados.

Xirley circula no espaço com total desenvoltura. Público e privado são tecidos na mesma ambiência. Tudo está conectado circularmente: o passeio da câmera em plano sequência é feito de dentro para fora e de fora para dentro. O cenário antes modesto vai se modificando a cada instante, com a incorporação de objetos de cena e de uso mais sofisticados. Essa sofisticação está claramente associada à transgressão da pirataria, motor da ascensão econômica da personagem ‘Xirley Xarque’.

No plano sequência, são apresentados símbolos do consumo relacionados a símbolos de devoção: além da imagem da padroeira, estão lá Buda, Mickey Mouse, Minnie Mouse, pedras preciosas, automóvel, televisores ligados. Tudo fica centrado no conteúdo significativo gerado pela colisão dos planos internos e externos à casa. A montagem prioriza a evolução dos aparatos de consumo.

O que não muda é o lugar de destaque reservado à imagem da Virgem Maria e a maneira amorosa como Xirley reverencia a Santa (Figura 1). Ao longo do videoclipe, a personagem saúda a divindade quatro vezes, sempre usando vestimentas diferentes. Xirley ascende socialmente, e a Santa ascende com ela, adquirindo novos adornos a cada passagem da câmera (Figuras 2 e 3). No quarto movimento de edição, no momento da reverência, o que transparece é irreverência: o manto de Nazaré aparece adornado com luzes de neon (Figura 4).

Figura 1 Personagem Xirley reverencia imagem da padroeira. Fonte: Youtube. 

Figura 2 Primeiros sinais da ascensão social da personagem. Fonte: Youtube. 

Figura 3 Nova mudança de cenário, no terceiro movimento de edição do videoclipe. Fonte: Youtube. 

Figura 4 Na sequência final, o manto da imagem aparece adornado com luzes de neon . Fonte: Youtube. 

Diante da delicadeza de Xirley nos gestos de respeito à Santa, o paradoxo com a reprodução ilegal de CDs é evidente. A letra da música e a edição confirmam esse paradoxo entre transgressão e devoção, visto que o sinal de respeito à imagem se dá exatamente no momento em que Gaby canta: “[...] café coado na calcinha, só pra te enfeitiçar” (Xirley, 2011). A letra da música, que incorpora marcas da oralidade típica dos moradores da região Norte do Brasil, também alude à pirataria ao brincar com a palavra samplear

- “Eu vou samplear, eu vou te roubar” (Xirley, 2011):

Saia vermelha, camisa preta/Chegou pra abalar/ Quando tu for na casa dela, lhe buscar, ela vai preparar/Café coado na calcinha, só pra lhe enfeitiçar/E se tu for na aparelhagem/Tu vai ver só o que ela vai aprontar/Saia vermelha, camisa preta/ Chegou pra abalar/Quando tu for na casa dela, lhe buscar, ela vai preparar/Café coado na calcinha, pra te enfeitiçar/E se tu for na aparelhagem/Tu vai ver só.../Eu vou samplear, eu vou te roubar! (Roubar! Roubar! Roubar!)/Eu vou samplear, eu vou te roubar!/Eu vou samplear, eu vou te roubar!

Ao seguir a dinâmica narrativa, conforme proposto por Penafria (2009), e observando o sentido visual e sonoro das cenas construídas, notamos que, apesar da repetição do refrão “Eu vou samplear, eu vou te roubar” (Xirley, 2011) ao longo do videoclipe, a centralidade das imagens está no altar da Virgem de Nazaré.

Nos créditos finais, a diretora Priscilla Brasil, mais uma vez, reúne crença e transgressão ao posicionar uma voz over que, associada a uma imagem de Cristo, faz jocosa advertência sobre a reprodução ilegal de músicas: “A prática da pirataria é pecado, de acordo com a palavra de Deus, e a violação de quaisquer direitos acarretará sanções previstas na lei 9.610 do Código Penal. A pirataria é crime e pecado. Não transgrida a lei de Deus”.

‘NOSSO POVO, DELA, É TÃO ÍNTIMO’

Este estudo reúne, também, oito depoimentos coletados na internet (em seis blogues, uma página em rede social e um site) que evidenciam a relação de intimidade dos devotos com a Santa por meio da linguagem escrita. Os depoimentos estão reproduzidos exatamente do modo como foram registrados, sem ajustes de ordem gramatical. Os autores estão identificados por iniciais.

Sou alucinada pelo Círio e pela Nossa Senhora, eu ensinei meus amigos a chamarem de ‘Nazica’. O cartaz do Círio é pregado em uma porta da minha casa e tenho uma imagem dela na minha estante. Sempre rezo pra ela me proteger e amenizar a saudade que sinto principalmente da família. Toda vez que ouço qualquer música do Círio, eu choro muito, conforme B., em entrevista ao jornal Diário do Pará, reproduzida em blogue. (Gonzaga, 2011).

Já faz três anos que acompanho a trasladação. No primeiro ano, fui romeira da corda. Posso garantir que a dor física não é nada comparada com a satisfação de se sentir parte da corda. Ver a ‘Nazica’ de perto é o ápice! Uma mistura de fé, emoção, felicidade e cumplicidade, que só quem é devoto sabe. Tudo nesse momento se resume em um ato simples: as lágrimas escorrendo pelo rosto, diz P., em blogue. (Rodrigues, 2011).

Nosso povo é dela tão íntimo que se atreve a chamá-la de ‘Nazinha’, ‘Nazica’, ‘Naza’, é a grande convidada e homenageada no tradicional almoço do círio, onde não pode faltar a maniçoba, a feijoada amazônica e o pato, trazido pelo nosso interiorano, com bastante tucupi, encomendado desde cedo no ver-o-peso, diz W., em blogue. (Cardoso, 2010).

Hoje minha amada cidade de Belém do Pará vive nas suas ruas centenárias a maior festa religiosa do Brasil, são mais de dois milhões de fiéis que caminham lado a lado na principal das onze romarias acompanhando a berlinda que conduz MARIA DE NAZARÉ, nossa mãe e padroeira da Amazônia, carinhosamente chamada por nós de ‘Naza’, ‘Nazinha’ ou ‘Nazica’ dependendo da intimidade que cada um de nós com ela estabeleça durante cada dia do ano, comenta E., em rede social. (Freitas, 2011).

Viva Nossa Senhora de Nazarééééé [mais de dois milhões de pessoas respondendo] VIVAAAAA! ‘Nazaré’, ‘Nazinha’, ‘Nazica’, nós paraenses que temos intimidade com a rainha da amazonia podemos chamá-la assim, rsrsrs, diz T., em blogue. (Paixão, 2009).

Não há quem não se comova ao ver a ‘Nazica’ passar, envolta em seu manto, escândalo, ‘poderosa’, ‘soberana’, ‘linda’... e olha que ela roda horrores, é tanta procissão, que ela chega a ficar tonta, vai de carro pra lá, vem de barco pra cá, vai pra Sé, vem pra Basílica, ufa!!! Eu canso só de imaginar o tanto que a ‘Naza’ roda mana... esse ano, até pro Rio ela foi a ‘poderosa’... sem falar nas visitas que ela faz em vários órgãos de governo e sedes de empresas um mês antes do Círio.

É só uma vez por ano, mas a bichinha deve ficar exausta depois de tanto rodar por aí, o pior é que, a ‘Nazinha’ não tem nem tempo de cuidar da maniçoba e do pato no tucupi dela!!! Brincadeiras à parte... essa é a forma carinhosa com a qual boa parte dos paraenses trata sua mãezinha, comenta A., em blogue. (Ela, 2009).

Outubro para o Pará é como Dezembro para o resto do mundo, comemoramos o Círio de Nazaré, não sou adoradora da ‘Nazica’ (‘Naza’, ‘Nazinha’ e etc. é como a chamamos carinhosamente, porque somos muito íntimos com ela) mas adoro o sentimento de união que ela trás neste momento, diz M., em blogue. (Fernandes, 2010).

Lindo vê a ‘Nazica’ passando e sendo adorada cheia de amor e muito carinho. Não é a imagem e a fé, o poder que ela tem de remover as nossas montanhas. A gente crer tanto na Nazinha que é de emocionar, de chorar e de confiar, conforme J. V., em blogue. (Vieira, 2010).

Em quatro dos oito depoimentos colhidos, a relação de intimidade com a padroeira do Pará está explícita no discurso. Seu poder como divindade nunca é questionado, mas ao ser humanizada pela linguagem, é como se a Santa estivesse agora partilhando com os devotos também no ambiente terreno. “Ver a ‘Nazica’ de perto é o ápice!”, ilustra P., remetendo ao significado da proximidade física com a imagem, sempre tão desejada por parte dos que acompanham as romarias e demais eventos protagonizados pela Santa. A proximidade é tão sentida que parece tratar-se, a padroeira, de alguém da família, ou uma convidada. “Nosso povo é dela tão íntimo que se atreve a chamá-la de ‘Nazinha’, ‘Nazica’, ‘Naza’, é a grande convidada e homenageada no tradicional almoço do círio [...]”, diz W.

A impressão da ‘presença’ da Santa encontra eco no modo com os devotos enfeitam seus lares no período de festividades. As imagens da padroeira que muitos paraenses abrigam em casa ganham novos adornos, como fitas, flores e terços: “A Santa tem um lugar na festa da casa e, muitas vezes, esse lugar é na sala que acontece o almoço. Nesse sentido, simbolicamente, é como se ela estivesse ‘presidindo’ o almoço do (seu) Círio, em que ela seria (ou é) a homenageada principal” (Maués, H.; Maués, A., 2005, p. 49).

O tom de chiste também é notado em alguns depoimentos reunidos neste artigo, especialmente de A., que adjetiva a Santa como “poderosa”, “soberana” e “linda”, e brinca com a quantidade de romarias realizadas durante as festividades: “[...] olha que ela [a Santa] roda horrores, é tanta procissão, que ela chega a ficar tonta, vai de carro pra lá, vem de barco pra cá, vai pra Sé, vem pra Basílica, ufa!!” Os gracejos prosseguem na mensagem, como a falta de tempo da Santa para cuidar dos afazeres do tradicional almoço, diante dos compromissos com as peregrinações. Ao final, amenizando o tom de brincadeira, A. chama a padroeira de “mãezinha”. Chistes como esses são costumeiramente seguidos de recuos, possivelmente porque o temor e o respeito permanecem como pressupostos da relação que devotos mantêm com os santos da Igreja Católica: “O medo da ira do santo, ou de ser abandonado por sua proteção, é constante”, explica Figueiredo (2005, p. 30).

Os discursos coletados para este estudo também reiteram percepção de Maués, H. e Maués, A. (2005), que já haviam apontado para o hábito recente, entre os paraenses, de eleger ‘apelidos carinhosos’ para a Santa. Naquele momento, atribuiu-se o hábito, porém, apenas a um grupo de intelectuais ou artistas.

De uns tempos para cá, as pessoas chamam-na de “Naza”, “Nazica”. “Reparaste como a Naza estava linda?”. Comumente se diz “Santa”, mas esses ares de modernidade [...] parecem ter adotado também o apelido da Santa. De alguns anos para cá, eu tenho ouvido certa categoria de pessoas falar dessa forma. Mas penso que isso se restringe a um grupo de intelectuais, de artistas que, como que trazendo a Santa para seu próprio nível pela irreverência ou intimidade do apelido, tangenciam a “devoção” de que, na verdade, todos partilham – como paraenses, mesmo que não religiosos. (Maués, H.; Maués, A., 2005, p. 50).

Nota-se, nos oito depoimentos reunidos acima, que o tratamento informal à Santa parece já não se resumir a um grupo específico; pelo contrário, permeia diferentes discursos, o que é facilmente notado também empiricamente, em rodas de conversas com paraenses.

Pesquisadores que mais recentemente se debruçaram sobre as potencialidades de significados do Círio de Nazaré também apontam para esse modo singular de tratamento da Santa padroeira dos paraenses. É o caso de Silva (2015), Frugoli (2014) e Alves (2012), cujos estudos, ainda que de modo secundário e pontual, sublinham o afeto e a intimidade constituintes da relação entre devotos e divindade.

Alves (2012, p. 48) entende que o hábito de nominar a Santa por apelidos familiares, como ‘Naza’, ‘Nazinha’ ou ‘Nazica’, denota a “relação direta e afetiva que com ela mantêm seus fiéis, típica do catolicismo popular”. Frugoli (2014, p. 105) chama atenção para o papel da comensalidade no reforço desses laços de afeto: “É o dia da Nazinha. É o dia do almoço do Círio de Nazaré. É o dia do banquete amazônico, que na festa se manifesta tradicionalmente. É o dia de dividir a mesa com o outro”. Para Silva (2015, p. 35), que analisou a virtualização do Círio de Nazaré nas redes sociais, essa proximidade não é um fenômeno tão recorrente em outras devoções populares no Brasil, o que combina com a percepção das autoras deste artigo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS: A SANTA EM REDE

A despeito de sua grandiosidade, o Círio de Nazaré ainda é um evento mantido à distância para quem reside fora do Pará. Somente no segundo domingo de outubro, por ocasião da festa, o assunto recebe tratamento mais detido em noticiários de televisão. Por outro lado, hoje se ouve falar dos paraenses e de sua cultura em telenovelas, documentários e programas de auditório. A música, especialmente o ‘tecnobrega’, e o modo de falar típico se popularizam por meio da divulgação promovida por artistas locais de expressão nacional, como Fafá de Belém, Joelma e Gaby Amarantos.

Com as novas tecnologias, a Virgem de Nazaré, por sua vez, ganha espaço no ambiente online, onde os internautas podem manifestar sua crença afetuosa na padroeira, como é o caso das mensagens citadas neste artigo. A Santa é desmitificada e agora, nominada de ‘Naza’, ‘Nazinha’ ou ‘Nazica’, apresenta-se como companheira fiel do cotidiano. Não há mais lugar demarcado para o exercício da devoção: com as redes sociais e os produtos da indústria cultural, para ficar em dois exemplos, a devoção à Santa ganha dimensão e intensidade que extrapolam os cortejos de outubro.

A aliança forjada historicamente entre os devotos e a padroeira permitiu desenvolver uma proximidade singular, por meio de linguagem própria, íntima, só perceptível entre os paraenses; é um tratamento que se coloca à margem da ritualística cultivada pelo chamado ‘catolicismo oficial’. ‘Naza’, como celebridade, é hoje figura central do espetáculo midiático, no Pará. Se a divindade mantém seus poderes – o que se depreende do número de promessas cumpridas a cada romaria –, ela também se apresenta humanizada por mecanismos de comunicação do afeto, e, nesta condição, parece cada vez mais próxima de seu povo.

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Recebido: 18 de Dezembro de 2015; Aceito: 01 de Agosto de 2016

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