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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas

Print version ISSN 1981-8122On-line version ISSN 2178-2547

Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciênc. hum. vol.12 no.3 Belém Sept./Dec. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1981.81222017000300015 

NOTAS DE PESQUISA

Museu da Maré: entre educação, memórias e identidades

The Mare Museum: between education, memories and identities

Helena Maria Marques AraújoI  II 

IUniversidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

IIUniversidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

Resumo

Entrelaçando memória, espaços educativos não formais e identidade, a análise da dimensão educativa do Museu da Maré, no Rio de Janeiro, revela a possibilidade de fortalecimento identitário de grupos populares através da valorização e da ressignificação da história, bem como da construção das memórias locais. O Museu da Maré gera visões ‘de nós e dos outros’, estabelecendo um jogo sutil e constante entre identidades e alteridades em suas memórias construídas e em histórias narradas em um museu contra-hegemônico, segundo conceito de Boaventura de Souza Santos.

Palavras-chave Museu da Maré; Espaços educativos não formais; Museologia social

Abstract

Interweaving memory, informal educational spaces and identity, analysis of the educational dimension of the Maré Museum in Rio de Janeiro shows that community identity may be strengthened through appreciation and reinterpretation of the history and construction of local memories. The Maré Museum generates visions ‘of ourselves and others’ by establishing a more subtle and constant dynamic between identities and their constructed memories and narrated stories in Boaventura de Souza Santos’ notion of a counter-hegemonic museum.

Keywords Maré Museum; Educational spaces non-formal; Social museology

UMA LONGA VIAGEM

Quando se pesquisa, empreende-se uma viagem para terras distantes, em que só se sabe o lugar para onde se quer ir. Nem sempre se sabe, ao certo, o que levar na bagagem ou quais são os instrumentos mais adequados a serem usados. Por isso, ao arrumar a bagagem para essa viagem, há que se estudar bem o local de destino e as necessidades pertinentes ao clima e às escolhas feitas, como afirma Duarte (2002), utilizando essa metáfora da viagem em seu artigo.

Assim, convidamos o leitor a enveredar pelo caminho trilhado na busca por nosso objeto de pesquisa: “[...] analisar a dimensão educativa do Museu da Maré através da construção e ressignificação da história e memórias locais e sua relação com o possível fortalecimento identitário de grupos sociais populares [...]” (Araújo, 2012, p. 24) em um museu contra-hegemônico1.

Para fins da pesquisa, enveredamos pelas searas dos espaços educativos não formais, no âmbito das relações entre memória e identidade. Também adentramos atalhos que entrelaçam a Nova Museologia, a Museologia Social com as ideias de pensadores dos Estudos Culturais.

Como e para que as comunidades populares constroem museus? A construção de museus pode fortalecer identidades nas comunidades locais onde se inserem? Estas foram indagações que nortearam a pesquisa que realizei como resultado do Doutorado em Educação, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Ao longo do caminho, outras questões surgiram e foram trabalhadas: o que é um museu comunitário? Museu comunitário e ecomuseu são sinônimos? Como e por que surgem os museus comunitários no Rio de Janeiro? Será que esses museus representam, de fato, a(s) identidade(s) presentes em sua(s) comunidade(s), ou apenas a identidade dominante no local? A(s) comunidade(s) sentem-se representadas nesses museus? Quais são os ‘silêncios’ da história das comunidades não representados nos museus? Como é sua prática pedagógica museal? Esse tipo de prática educativa facilita a democratização do acervo e o fortalecimento de identidades de resistência? (Araújo, 2012).

Museus comunitários e/ou ecomuseus – denominados por nós, na presente publicação, também de contra-hegemônicos – foram criados no Brasil a partir de 1983, mas só surgiram em 2006 no Rio de Janeiro, com o Museu da Maré. Selecionamos este espaço como objeto de estudo, tendo em vista ter sido o primeiro museu de favela2 brasileiro pensado e construído por moradores e ex-moradores da área onde está localizado; em razão de possuir importância local, regional e nacional; por ser um exemplo para outros museus comunitários e ecomuseus; por localizar-se na cidade do Rio de Janeiro; e, na época de nossa pesquisa, por ser passível de investigação.

O objetivo principal de nossa investigação foi analisar o Museu da Maré como um espaço de educação não formal, onde se dá o empoderamento de identidades locais, por meio da construção de memórias e de história local. Em paralelo, também estudamos o contexto histórico no qual museus comunitários e ecomuseus surgiram a partir dos anos 1980, bem como identificamos os motivos e as tensões que levam comunidades subalternizadas a criarem museus contra-hegemônicos e qual sua funcionalidade no território. Além disso, procuramos diferenciar os conceitos de museu comunitário e de ecomuseus.

A atuação dos moradores locais nos museus contrahegemônicos foi analisada por Araújo (2012, p. 33), para quem: “O protagonismo das comunidades populares nos museus comunitários permite que estes se façam e se transformem ao longo de sua própria história e do movimento social no qual estão envolvidos.” Ainda de acordo com Chagas (2011 apud Araújo, 2012, p. 33),

[...] é importante não apenas democratizar o acesso aos museus, mas democratizar o próprio museu, a própria concepção de museu, exemplificado pelo Museu da Maré, que foi fundado por um grupo de moradores ou ex-moradores da região da Maré.

RELACIONANDO OS TEÓRICOS E A METODOLOGIA ESCOLHIDA AO MUSEU DA MARÉ

No caminho metodológico percorrido, optamos por trabalhos de campo calcados na história oral e na análise documental. Para isto, fizemos observações, realizamos entrevistas e nos debruçamos sobre os livros de assinaturas e de depoimentos referentes aos visitantes que o Museu da Maré recebeu entre os anos de 2010 e 2011. Nesse mesmo período, também verificamos a frequência de pessoas ao Museu, observando suas ações e inserção neste espaço cultural. Acompanhamos visitas de grupos escolares, de pescadores e do público em geral. Além disso, nos ‘divertimos’ um pouco ao ver crianças brincando3 no pátio do Museu da Maré (Figura 1); dialogamos com as costureiras que trabalham em uma lojinha localizada no Museu, chamada de Marias Maré; estivemos presentes em reuniões com os pescadores dos núcleos de pesca da região da Maré; fomos a algumas atividades culturais realizadas no local, como “Maré do samba”, “Chás de memória”, entre outras. Em todas essas atividades havia sempre constante e fiel presença de moradores da região da Maré.

Foto: Helena Araújo, 2011.

Figura 1 Pátio e prédio vermelho, onde há a exposição permanente do Museu da Maré. 

As entrevistas envolveram dois grupos diferenciados: os pescadores e os funcionários do Museu da Maré, incluindo diretores. Também entrevistamos um antigo morador do local e frequentador assíduo do Museu, que foi o primeiro presidente de uma das primeiras associações de moradores surgida na Maré.

A escolha de entrevistados se deu a partir da configuração física da região da Maré. Assim, a atividade da pesca, a localização às margens da baía de Guanabara e a relação das pessoas com o entorno marítimo foram aspectos considerados para a identificação dos atores sociais. Como diz Araújo (2012, p. 37):

Um dos motivos de escolha do grupo de entrevistados dos pescadores foi, primeiramente, o fato de a Maré ter se desenvolvido como um lugar também ligado à pesca, já que vai se expandindo à beira da baía de Guanabara. Em segundo lugar, é importante ter presente que o Museu da Maré tem parte de sua exposição dedicada à pesca, narrando a história do lugar.

Em uma primeira etapa, a amostra considerou um total de 12 pescadores, que revelaram durante as entrevistas elementos da memória do Museu. Posteriormente, envolvemos outros atores cujos depoimentos foram relevantes ao estudo: funcionários, dirigentes e um “[...] antigo morador da região, ex-ativista político na comunidade e um dos colaboradores na criação do Museu da Maré” (Araújo, 2012, p. 39).

Foram feitas 12 entrevistas com pescadores da Maré, cujas memórias se constituem como parte “viva” do Museu da Maré. Visitei três núcleos de pesca, são eles: Núcleos de Pesca da Vila do Pinheiro e do Parque União – esses dois na Maré – e da Vila Residencial da UFRJ, na Ilha do Fundão. [...] O segundo bloco de entrevistas foi composto pelos funcionários e diretores do Museu da Maré. Os dirigentes foram escolhidos tendo em vista terem sido os fundadores do Museu e do CEASM [Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré], ao qual ele ainda está relacionado diretamente [...]

(Araújo, 2012, p. 37-38).

Atuando em instâncias da comunidade, como o próprio Museu e o Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM)4, fossem eles funcionários ou dirigentes, tinham papel importante nas ações educativas do Museu:

Os dois funcionários foram escolhidos por desempenharem funções importantes na instituição [...]. Um deles foi responsável durante um bom tempo pelo preparo dos guias da exposição permanente e das temporárias, era do grupo de Contadores de Histórias do Museu e representava peças dentro do mesmo para os visitantes, e a outra pessoa por ser também do grupo dos Contadores de Histórias, da biblioteca, da secretaria e pertencer ao grupo de Memória do Museu [...]

(Araújo, 2012, p. 38).

O surgimento do Museu da Maré está ligado à água e à pesca, tendo em vista estar próximo à baía de Guanabara. Sendo assim, a região da Maré cresceu, configurando-se como uma área pesqueira; somente após a poluição da baía, este cenário foi mudando. Mesmo assim, ainda existem muitos pescadores na região e dois núcleos de pesca neste território. A Figura 2 mostra a palafita montada em tamanho natural dentro do Museu da Maré, bem como o barquinho com uma imagem de São Pedro, que foi doada por um dos pescadores mais conhecidos da região. Esta era a imagem que guiava a procissão dos pescadores, ainda quando ocorria.

Foto: Helena Araújo, 2011

Figura 2 A emblemática palafita na entrada da exposição permanente do Museu da Maré e o barco com a imagem de São Pedro. 

Entrar no Museu e se deparar com a palafita – ou barraco, como chamam carinhosamente alguns funcionários do Museu e moradores – provoca emoção, em razão de tudo o que esses elementos evocam, trazendo à tona lembranças para o tempo dos alagados, principalmente em Nova Holanda, Baixa do Sapateiro, entre outros lugares da região. Quando os Paralamas do Sucesso, grupo de rock nacional, estouraram com o sucesso da música “Alagados”, a Maré tornou-se um mote contra os governos militares, denunciando a miséria e a desigualdade socioeconômica existentes no Brasil nos idos dos anos 1980.

A Figura 3 mostra parte do interior da palafita (mobiliário da cozinha), permitindo-nos também ter uma percepção do ‘lado de fora do barraco’, onde há um banner, utilizado para remeter à visão da favela, para quem vivia lá dentro, naquela época das palafitas (anos 1960, 1970 e início de 1980).

Foto: Helena Araújo, 2011.

Figura 3 Parte do interior da palafita e 'visão' da favela pela janela (banner externo com foto de época). 

No campo teórico da memória, dialogamos especialmente com Ricoeur (2007) e Sarlo (2007). Segundo estes autores, história e memória são campos de tensão e de conflito, embora uma se alimente da outra. Esta tensão permaneceu visceral em toda a nossa investigação.

No Museu da Maré – e com certeza em outros museus contra-hegemônicos –, é muito forte a presença de testemunhos e da história oral, seja na existência dos objetos doados pelos moradores ao Museu, seja nos depoimentos ou na participação da comunidade, não apenas na criação, como no cotidiano do mesmo. Segundo Sarlo (2007), o testemunho é relevante, pois dá credibilidade ao que está sendo mostrado e/ou narrado. A autora acrescenta que, quanto mais o testemunho for duradouro através do tempo, mais valioso será, na medida em que resiste à crítica no decorrer da sucessão temporal.

Sabemos que, em décadas anteriores, o ‘eu’ levantava suspeitas enormes. No entanto, atualmente, pode-se usar o testemunho em primeira pessoa, contanto que se exercite o método crítico. Conforme Sarlo (2007 apud Araújo, 2012, p. 41),

A memória é relacional e afetiva, já a história costuma ser mais distante e inteligível [...]. Porém, nas últimas décadas assistimos a um crescimento da micro-história e das histórias orais mostrando que a história se aproximou da memória.

Encontramos, em distintos estudos de autoria de Hall (2001), Cuche (1999), Castells (1999), Candau (2002, 2006, 2009) e Silva (2000), semelhanças e diferenças sobre o conceito de identidade. Em Hall (2001), por exemplo, as identidades são fragmentadas e descentradas, sendo que a mudança dos conceitos de sujeito e de identidade ocorre a partir de 1960.

Por outro lado, Cuche (1999) considera que as identidades estão diretamente relacionadas à cultura, por isso este autor utiliza a denominação de identidades culturais. No entanto, ele chama nossa atenção para a possível suposição quanto a certa prevalência da cultura sobre a identidade, tendo em vista que um sistema cultural pode existir sem uma consciência de identidade, mas uma identidade não subsiste sem uma ancoragem cultural.

Também percebemos o dinamismo do conceito de identidade quando seres humanos, em diversas situações sociais, identificam-se de formas diferentes, ou seja, eles manipulam variadas estratégias identitárias para sobreviver. Um exemplo disso encontrado em nossa pesquisa foi quando perguntávamos aos pescadores: ‘Qual sua profissão?’. A maioria respondia ‘pescador’. Mas, durante a conversa, diziam-nos que sobreviviam trabalhando como garçons, pedreiros, técnicos de computadores etc. Porém, enquanto identidade cultural, identificavam-se como pescadores. Cabe lembrar que, devido à Maré estar situada à beira de um trecho da baía de Guanabara, a poluição da mesma dificulta enormemente a sobrevivência baseada somente na atividade pesqueira. Muitos dos pescadores entrevistados só pescavam aos finais de semana; outros, por lazer; outros alugavam seus barcos e nem pescavam mais. Era unânime a queixa sobre a quase inexistência de pesca na baía de Guanabara, devido à poluição dela. Esses pescadores praticavam uma pesca artesanal.

Como podemos perceber no exemplo ora mencionado, as identidades são mutáveis e se alteram conforme fatores e contextos sociais, políticos e econômicos, sendo, por isso, dinâmicas. Relatamos outro exemplo encontrado em nosso trabalho de campo: alguns dos entrevistados narraram que, dependendo da situação social em que estão ou que precisam enfrentar, dizem morar em Bonsucesso (bairro próximo à Maré e de maior status quo) ou na Maré (que, embora também seja considerada atualmente um bairro5, não goza do mesmo prestígio social de acordo com a ideologia dominante, já que sua origem está ligada a uma favela).

Segundo Silva (2000), existe uma relação intrínseca entre identidade e diferença. A identidade e a diferença não são independentes, uma interage com a outra, gerando produtos sociais que envolvem relações de poder. Elas são construções sociais, parte de um todo, apresentando sempre uma relação binária (Araújo, 2012).

Candau (2006) nos alerta sobre a existência de um dinamismo nas culturas que permite hibridização e tensão constante entre desigualdade e diferença. Em relação a Castells (1999), não concordamos plenamente com seu pensamento sobre os papéis sociais, pois entendemos que estes podem constituir identidades culturais próprias. Já Hall (2001), que estudou as representações sociais na vida cotidiana e os papéis sociais, os interpretou como um processo de descentração do conceito essencialista de identidade cultural. Diferentes papéis sociais podem, muitas vezes, significar múltiplas identidades culturais.

AS MEMÓRIAS DA MARÉ

Retomaremos as interrogações colocadas na introdução, à luz da teoria e dos dados encontrados no trabalho de campo.

Com relação à similitude ou à diferenciação entre museu comunitário e ecomuseu, deparamo-nos com os diferentes conceitos dispostos pelos autores consultados. Para Varine (2006 apud Araújo, 2012, p. 216), “[...] ecomuseu e museu comunitário são a mesma coisa [...]”, contudo, Chagas (2000 apud Araújo, 2012, p. 216) e outros autores entendem o assunto de forma diferente, pois, para eles, “[...] o ecomuseu envolve além do patrimônio e protagonismo comunitário, a existência do território físico propriamente dito”.

Quando escrevemos a tese de doutoramento, utilizamos a classificação cientificamente referenciada de tipologias de museu e alcançamos o entendimento de ser o Museu da Maré um espetacular exemplo de um museu comunitário, uma vez que a sua criação ocorreu por meio de moradores e ex-moradoes do local. Usamos o termo comunitário de forma positiva, entendendo ser aquilo que é feito por vários habitantes do local, pelas comunidades do lugar ou território e para todos usufruírem. Compreendemos ser este um sentido maior de bem público. Posteriormente, percebemos que o termo comunitário, fora da tipologia museológica de museu comunitário, pode gerar ambiguidade de interpretação, ao ser entendido de acordo com classificação e qualificação menor, desfavorável, preconceituosa e pejorativa. Desse modo, hoje em dia passamos a usar outra denominação, que é a de museu contra-hegemônico, já que esses museus – como o Museu da Maré – surgem no e com o movimento social, denunciando desigualdades sociais, políticas e econômicas, clamando pela construção de memórias mais felizes, como nos coloca Ricoeur (2007), ou seja, mais justas. Acima de qualquer classificação, não importa, o Museu da Maré é um significativo exemplo de um museu contra-hegemônico, como assim o denominou Boaventura de Sousa Santos, em novembro de 2015.

Compreendemos que os museus comunitários e os ecomuseus surgem quando comunidades populares passam a se organizar em prol da luta por acesso a direitos básicos e a bens culturais, como ocorreu na favela da Maré. O trecho a seguir elucida melhor essa afirmação:

Tais museus surgem num contexto brasileiro de maior democratização da luta social e política a partir da década de 80 pelos acessos aos bens básicos do cidadão, inclusive as práticas culturais. [Os ecomuseus, museus de percurso, de território, museus comunitários etc.] [...] surgem na esteira das reivindicações dos movimentos sociais liderados pelo protagonismo comunitário

(Araújo, 2012, p. 217).

Com relação à participação da comunidade, no caso do objeto deste estudo, nos deparamos com várias provas disso durante nossa investigação. Primeiramente, já durante a sua criação, houve a participação de diversos jovens moradores das comunidades da Maré que participaram da constituição do CEASM, de onde se origina o Museu da Maré, especialmente de sua Rede de Memória. Além disso, os moradores da região doaram objetos para a criação do museu, conforme já afirmamos anteriormente. Por fim, e não menos importante, os frequentadores do Museu, quer nos cursos oferecidos, quer nas atividades culturais, são, em geral, moradores da área da Maré.

Como já escrevemos anteriormente, a singularidade deste espaço não está restrita ao fato de ele ser o primeiro museu brasileiro de favela, pois, no próprio Rio de Janeiro, já havia sido criado anteriormente outro de natureza semelhante, pela prefeitura da cidade – o Museu da Limpeza Urbana, chamado Casa de Banhos Dom João VI, situado no bairro-favela do Caju (Chagas; Abreu, 2007). Tal especificidade se dá “[...] por ser o primeiro museu de favela criado pela população local, onde há de fato um protagonismo comunitário [...]” (Araújo, 2012, p. 217).

Chagas e Abreu (2007, p. 131-132) abordam tal primogenitura do Museu da Maré e o efeito de sua criação na mídia da época:

O que a imprensa de modo singelo sublinhava não era a primogenitura de um museu dentro de uma favela, mas a primogenitura de um museu sediado numa megafavela, construído e administrado pela comunidade local, que trataria de temas locais e universais.

Paralelamente, confirmamos uma de nossas hipóteses a respeito da ressignificação da história local e da construção de memórias contra-hegemônicas, que envolvem as lutas por uma vida mais justa e digna daquelas populações, muitas vezes invisibilizadas pelo poder público e pela mídia local e nacional. Encontramos esses ‘achados’ de nossa pesquisa na exposição museológica, bem como nos depoimentos das entrevistas com diretores e funcionários do Museu da Maré, e com pescadores. Todos narram histórias de luta pela sobrevivência, pelo acesso aos bens básicos e cidadãos, exemplificando isso no esforço por transformar seu ‘barraco’ de tábuas – ou palafita – em casa de alvenaria, ou se escondendo da polícia para aterrar os alagados etc.

Outra preocupação que tivemos em nossa investigação foi perceber se, de fato, as histórias narradas e contadas pela exposição permanente do Museu da Maré empoderavam identidades subalternizadas, e se as comunidades da Maré se sentiam representadas no Museu. Logo percebemos que tais perguntas poderiam nos cercear, tendo em vista seu caráter unilateral e a opção por respostas binárias de sim ou não, que não explicam e nem agregam valores à complexidade do tecido social. Evidentemente, o Museu da Maré não dá conta de representar todas as identidades da área onde está situado, pois nenhum museu consegue dar conta de uma totalidade de identidades, sejam locais, nacionais ou internacionais. Não há também a intenção, por parte do Museu, de dar conta disso. Portanto, este espaço permite a cada visitante interpretação e narração possíveis da história da Maré, “[...] assim como poderíamos afirmar que o Museu Nacional também não representa todo o Brasil, mas uma narrativa possível [de Brasil], entre outras” (Araújo, 2012, p. 218).

A exposição museológica divide-se em 12 tempos6 temáticos, que nos remetem a temas universais para as populações subalternizadas e a suas lutas em prol da valorização da vida, por menos desigualdade social e econômica e por mais justiça social. Os fundadores e atuais diretores do Museu da Maré reafirmam a todo tempo a intenção de provocar reflexões nos visitantes sobre tais questões. Esses temas universais, como a luta pela terra, pela iluminação elétrica, por saneamento básico, por escolas com qualidade nas comunidades, entre outros, perpassam todas as comunidades, mesmo que em cada uma delas tenham se desenrolado com suas particularidades históricas. Araújo (2012, p. 218-219), mencionando Vieira (2008), fala que, ao estudarmos a história de cada comunidade da Maré, são perceptíveis:

[...] [as diferentes nuances que compõe o bairro da Maré desde a origem de sua formação]. Portanto, seria impossível representar todas as identidades locais, ou fixá-las numa identidade dominante na região. [Um dos diretores do Museu da Maré afirma, em sua entrevista], que os objetos do Museu são como “as palavras geradoras” de Paulo Freire, dinamizadoras de lembranças e sentimentos de busca de si e do outro. O Museu entrosa identidades e alteridades num jogo contínuo e transformador de identidades, capaz de emocionar seus visitantes [...].

O Museu da Maré deseja dialogar com esferas que vão do micro ao macro, vislumbrando fazer uma possível narrativa sobre a região da Maré. Buscando comunicar-se com todo o Brasil e o mundo, o Museu visa a dialogar com todos, os diferentes e os iguais. Presenciamos isto não só nas ocasiões de visitas de escolas locais e de estrangeiros, como também de intelectuais e de professores universitários, bem como de diferentes moradores locais, situações nas quais percebemos como a grande maioria desses visitantes se identifica com algo ali narrado ou materializado, independentemente de sua condição econômica ou intelectual. Nos livros de assinaturas e de depoimentos dos visitantes, encontramos declarações de muitos alunos da Maré e de estrangeiros, com relatos de identificação com as memórias ali construídas e com várias peças da exposição permanente.

Pollak (1989) e Ricoeur (2007) escrevem sobre lembranças e esquecimentos. A memória envolve sempre o seu duplo – que é paradoxalmente o esquecimento –, pois, em geral, lembramos daquilo que queremos, ou do que as sociedades quiseram registrar para lembrarmos. Nesta dialética, existem os silêncios, permitindo que a história seja sempre reescrita.

Acompanhamos alguns pescadores ao Museu da Maré, em sua primeira visita ao espaço. A maioria ficou muito emocionada ao ver fotos da época das palafitas e dos alagados da Maré, de quando eles também moravam lá, dos objetos antigos expostos no Museu etc. Os pescadores e outros visitantes emocionam-se ao lembrar de partes de suas vidas. No entanto, em alguns relatos no livro de depoimentos do Museu, encontramos escritos de moradores pedindo mais fotos de sua comunidade ou reportando a ausência de fotos de outras. De acordo com Araújo (2012, p. 219), “[...] é dialeticamente isto o que permite a sua própria renovação, a sua reinvenção, o seu dinamismo, a sua recriação [a construção de novas memórias!]”.

Com relação à questão referente à educação, eixo fundamental em nossa pesquisa – o objeto de nosso estudo são espaços educativos não formais construindo memórias e histórias locais, a fim de empoderar comunidades subalternizadas –, nos deparamos com a ausência de um programa educacional clássico de museu. Isto não quer dizer, embora possa parecer paradoxal, que não tenhamos encontrado forte dimensão educativa em toda a proposta do Museu da Maré, em sua exposição permanente, nas exposições temporárias, nos cursos oferecidos para as comunidades, nas lembranças e narrativas ali enaltecidas, como Araújo (2012, p. 220) afirma no trecho a seguir:

Além disso, o Museu da Maré apresenta uma linguagem museológica com referências da história local e permite que seus visitantes reflitam sobre as mesmas, se envolvam e construam memórias [...], possibilitando fortalecimentos identitários. [...] Se através de todas essas atividades seus visitantes e usuários transformam suas subjetividades e modificam suas identidades (Silva, 1999), o Museu cumpre mais uma vez essa dimensão fundamental como um espaço não formal de educação por excelência. Entendemos que também é, muitas vezes, um espaço [educativo] informal através das redes educativas do cotidiano que perpassam todo aquele universo cultural.

Outro ponto de tensão é a relação entre gestão democrática e o fato de o Museu da Maré ter sido construído por moradores ou ex-moradores das comunidades. Essa particularidade, por si só, não garante que ele seja democrático, sendo fundamental, para isso, que se garanta o acesso ao espaço, bem como a gestão democrática, porque foi um museu criado pelos moradores locais (Chagas, 2000). A memória pode aprisionar ou libertar o sujeito, dependendo da utilização da mesma. Para que possamos afirmar que o Museu da Maré é democrático, é preciso que os moradores se sintam parte daquela história e daquelas narrativas, como vimos acontecer tantas vezes nas visitas dos moradores à exposição permanente, na relação estabelecida pelas crianças com aquele espaço, onde brincavam na casinha (palafita), entre outros exemplos.

Em nossa pesquisa, percorremos o tempo todo um território de fronteira entre memória, identidade, educação e museologia social. Esta última faz-nos repensar, a respeito das funções social e política dos museus, sobre quais são suas memórias referenciadas e quais silêncios não são mostrados, ou ainda sobre o tipo de museus que queremos, a quem servem tais museus, que tipo de concepções de museus desejamos, entre outras questões.

Os museus contra-hegemônicos, por definição, fortalecem memórias e histórias locais que possibilitam o auxílio a comunidades, além de estabelecerem narrativas, favorecendo o empoderamento identitário, conforme Araújo (2012, p. 221):

Enquanto o Museu da Maré atuar nessa tensão entre o “nós e o outro”, ele se faz cotidianamente [...] [de todos] e referenciado na coletividade como um importante “lugar de memória”, possibilitando a reconstrução do passado e a transmissão de valores, práticas sociais e culturais, logo de identidades por extensão.

Um dos grupos que nos causou mais encantamento foi o de pescadores da Maré, demonstrando como sobrevivem no cotidiano a sua sabedoria e os valores agregados em sua prática de vida. Segundo Araújo (2012), as memórias esquecidas desses trabalhadores devem ser contadas e, mais do que isso, a memória poderá ser um instrumento de luta contra diferentes opressões: “Construir as memórias muitas vezes esquecidas desses pescadores [e de outros trabalhadores], é um dever, uma necessidade jurídica, moral e política [...]” (Sarlo, 2007 apud Araújo, 2012, p. 221). As redes educativas do cotidiano constroem-se no universo cultural do próprio Museu da Maré, o qual é representado de forma positiva pelos visitantes, como pode ser verificado na maior parte dos escritos do livro de depoimentos, havendo raramente algum relato negativo. Nos livros institucionais, percebemos claramente como alguns visitantes – a maioria composta por crianças – tornam-se usuários do Museu da Maré. Neste sentido, podemos afirmar que essas crianças estão expostas ao trabalho sutil, porém constante, desafiador e sensível, de educação, que modifica identidades e constrói outras subjetividades (Silva, 1999).

Finalizamos reforçando a concepção de que o Museu da Maré é um ‘lugar de memória’, já que se caracteriza como um museu contra-hegemônico, originado em movimento social. Como um espaço não formal de educação, o Museu é um local de ensinamento de história e de construção de memórias locais, visando o empoderamento identitário das diversas comunidades da Maré. Segundo Vieira (2007 apud Araújo, 2013, p. 13), “[...] o Museu da Maré é um ‘lugar de memória’ num local que insiste em resistir e fazer parte da cidade do Rio de Janeiro a despeito da grande exclusão social e econômica que sofre [...]”.

Portanto, são essas significativas histórias de resistências de comunidades subalternizadas pelos governos e pelos poderes públicos ao longo de décadas e séculos, de memórias de lutas e de sobrevivência, que são narradas no Museu da Maré.

Não podemos deixar de abordar e reafirmar a brava luta que o Museu da Maré tem travado nos últimos tempos para sobreviver, em uma heroica resistência, tendo em vista que a Companhia Libras pediu o galpão e o terreno onde o Museu foi construído, no Timbau, na Maré. Diversos manifestos, abaixo-assinados e manifestações têm sido feitos em prol da continuidade do Museu, com apoio de vários movimentos sociais e políticos realizados por moradores locais, associações, entidades acadêmicas, universidades públicas, intelectuais etc., em apoio à permanência do Museu da Maré naquele local. Também pleiteia-se – nada mais justo – que os governos, municipal, estadual ou federal, doem aquele terreno para o Museu, comprando-o da Companhia Libras, dado o caráter de bem cultural e de patrimônio histórico já ocupado pelo Museu na cidade do Rio de Janeiro e no nosso país.

Fazemos eco a Sarlo (2007), quando assegura que a memória não é só um direito, é um dever, uma necessidade moral, jurídica e política, como já dito anteriormente. E é essa busca por construção de narrativas e de memórias mais equânimes, justas, necessárias e urgentes – memórias mais felizes (Ricoeur, 2007) – que encontramos no Museu da Maré.

Salve o Museu da Maré, salve! Vida longa ao Museu da Maré!!

1Museu contra-hegemônico foi a expressão utilizada por Boaventura de Souza Santos, em visita por meio da qual conheceu o Museu da Maré, no Rio de Janeiro, em outubro de 2015. No evento “Roda de Conversa”, no próprio Museu – do qual tive o privilégio de participar –, foi assim que se referiu à importância e à natureza da instituição no contexto da sociedade carioca, brasileira e do mundo atual. Este estudioso é sociólogo português, professor da Universidade de Coimbra. Tem trabalhos publicados sobre globalização, sociologia do direito, epistemologia, democracia e direitos humanos.

2Utilizamos a palavra favela sob a perspectiva de empoderamento positivo que ela pode apresentar, como o fazem os idealizadores do Museu da Maré que foram entrevistados durante a pesquisa.

3No Museu da Maré, diversas crianças participavam do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, do Governo Federal.

4O Museu da Maré tem suas origens no CEASM e na Rede de Memória da Maré, criada para narrar a história local e construir as memórias daquelas comunidades populares.

5A Maré tornou-se bairro em 1994. Envolve um total de 17 localidades: Conjunto Esperança, Vila do João, Vila do Pinheiro, Salsa e Merengue, Conjunto Pinheiros, Bento Ribeiro Dantas, Morro do Timbau, Baixa do Sapateiro, Parque Maré, Nova Maré, Nova Holanda, Rubens Vaz, Parque União, Roquete Pinto, Praia de Ramos, Marcílio Dias e Mandacaru. Alguns consideram 15, outros, de 16 a 17 localidades, tendo em vista Salsa e Merengue e Mandacaru, para alguns estudiosos, não se constituírem ainda espécies de sub-bairros. A esse respeito, ver, por exemplo, Silva (2006).

6O Museu da Maré tem sua exposição permanente pensada em 12 temas, em ciclos, como ocorre em relação aos tempos do relógio ou aos meses do ano. São eles: Tempo da Água, Tempo da Resistência, Tempo da Feira, Tempo da Fé, Tempo da Casa, Tempo da Criança, Tempo do Trabalho, Tempo da Migração, Tempo da Festa, Tempo do Cotidiano, Tempo do Medo e o Tempo do Futuro.

AGRADECIMENTOS

A autora agradece à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), pela bolsa de estudo para pós-doutoramento.

REFERÊNCIAS

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Recebido: 01 de Setembro de 2016; Aceito: 10 de Abril de 2017

Autora para correspondência: Helena Maria Marques Araújo. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rua Santa Alexandrina, 288 – Rio Comprido. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. CEP 20550-900 (hmaraujo@ig.com.br)

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