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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas

Print version ISSN 1981-8122On-line version ISSN 2178-2547

Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciênc. hum. vol.13 no.3 Belém Sept./Dec. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1981.81222018000300001 

CARTA DA EDITORA

Territórios e espaços simbólicos

Territories and symbolic spaces

Jimena Felipe Beltrão1 

1Museu Paraense Emílio Goeldi. Belém, Pará, Brasil

Ciência, cultura e arte são territórios férteis de conhecimento. O Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas neste número oferece uma diversidade de temas que serve para a informação de muitos e para formação de tantos outros. Que o BMPEG. Ciências Humanas é um território de conhecimento é sabido, pois que é da natureza da revista científica. O que é necessário, no entanto, é preservar a sustentabilidade do periódico e a qualidade dos conteúdos que oferece ao público leitor, aos professores, aos pesquisadores e àqueles que estão em formação. Das artes, da antropologia, da arqueologia, da linguística, da história e de muitas outras disciplinas você vai encontrar, nesta edição, informação relevante. É do fazer científico oferecer visões de mundo para alimentar o diálogo no campo da pesquisa.

Com o ano que se encerra e mais três edições circulando, cabe agora pensar adiante e no que será possível oferecer em termos de conteúdo para aqueles que no BMPEG. Ciências Humanas publicam, que do BMPEG. Ciências Humanas usufruem e que o BMPEG. Ciências Humanas divulga. Há três dossiês temáticos planejados para 2019 para os quais o processamento editorial segue avançado: são dois de Linguística e um de Arqueologia. Portanto, 2019, além de ser de muito trabalho, será de muita informação de qualidade para cativar ainda mais leitores para o universo de conhecimento que a revista científica do Museu Paraense Emílio Goeldi tem oferecido em sua trajetória de 125 anos a serem comemorados no próximo ano.

Para essa edição do BMPEG. Ciências Humanas, destacam-se estudos que cobrem de um extremo ao outro da América do Sul. O artigo “Tobacco visions: shamanic drawings of the Wauja Indians”, de Barcelos Neto (2018), apresenta a análise de desenhos xamânicos feitos pelos Wauja, durante seus transes e sonhos induzidos pelo consumo do tabaco. Narrativas de mitos e sonhos expressam o seu entendimento sobre as formas corporais que os apapaatai – seres espíritos – assumem. Outro artigo sobre cultura indígena analisa bebidas fermentadas da América do Sul: em “Cauim: entre comida e ebriedade”, Barghini (2018) mostra que essas bebidas eram alimentos líquidos ricos em elementos minerais, pré-bióticos e pró-bióticos. Além de suas características narcóticas e intoxicantes, a bebida tem propriedades contra doenças intestinais.

O BMPEG. Ciências Humanas também traz estudos relativos à cultura indígena, mais especificamente ligados ao “Licenciamento ambiental de grandes empreendimentos: quais os limites para avaliação de impactos diretos e indiretos em saúde? Estudo de caso na terra indígena Wajãpi, Amapá”. O artigo de Moreno et al. (2018) apresenta análises espaciais de desmatamento, curvas de variações climáticas e cronologia de impactos dos empreendimentos de usinas hidrelétricas e por projetos de mineração industrial no Amapá. Tais variáveis indicam surtos de malária e de leishmaniose tegumentar americana (LTA) na terra indígena Wajãpi e em outros assentamentos na região central do estado.

Uma língua indígena pertencente à família Aruák, falada no sudeste do Amazonas, é tema de “Considerações sobre a posse nominal em Apurinã (Aruák)”. No artigo, Freitas e Facundes (2018) procuram classificações para os nomes em Apurinã em termos de alienabilidade de posse. Os autores identificaram que nomes inalienáveis ocorrem mais frequentemente como possuídos, não sendo marcados em construções de posse e, como tal, se apresentam mais econômicos. Já nomes alienáveis ocorrem mais frequentemente como não possuídos, sendo notoriamente marcados em construções de posse por um conjunto de sufixos, o que os faz menos econômicos.

Em “Territorios y fronteras: procesos de apropiación del espacio simbólico y geográfico en las comunidades indígenas de Pampa del Indio, Chaco”, de Castilla (2018), foram analisadas as fronteiras geofísicas e simbólicas em área do atual território da República Argentina. Ao identificar as relações construídas em torno dessas fronteiras por parte das comunidades indígenas do país e dos representantes coloniais, dos diferentes funcionários do Estado (de 1880 até o presente) e das políticas públicas implantadas pelo governo, a autora indica territorialidades marcadas por uma assimetria nas relações de poder.

Estudos em sambaqui no Sudeste e em sítios na região Sul compõem o conjunto de artigos sobre arqueologia nesta edição. “Os primeiros povoadores do litoral norte do Espírito Santo: uma nova abordagem na arqueologia de sambaquis capixabas”, de Villagran et al. (2018), trata de descobertas feitas a partir do final do século XIX, que se constituem em “[...] uma extensão marginal dos desenvolvimentos culturais que aconteciam no Rio de Janeiro” (Villagran et al., 2018, p. 573).

Com área de estudo na região serrana de Santa Catarina, no Alto Vale do Itajaí do Sul, entre o litoral e o planalto, em “Entre ‘estruturas e pontas’: o contexto arqueológico do Alto Vale do Itajaí do Sul e o povoamento do Brasil meridional”, Reis et al. (2018, p. 597) apresentam discussão sobre a ocupação da região a partir da comparação de distintos cenários arqueológicos e da diversidade de artefatos e da cronologia, entre outros aspectos.

Já “Uma deposição funerária Guarani no alto rio Uruguai, Santa Catarina: escavação e obtenção de dados dos perfis funerários e biológicos”, de Carbonera et al. (2018), faz análise tipológica de um recipiente cerâmico utilizado como urna funerária e de remanescentes ósseos humanos em unidade arqueológica Guarani, na margem do rio Uruguai, no munícipio de Águas de Chapecó.

De Santa Catarina, há ainda nesta edição, artigo sobre a história do território do Contestado sobre os limites territoriais entre os estados do Paraná e de Santa Catarina. Em “Um vasto celeiro: representações da natureza no processo de colonização do oeste catarinense (1916-1950)”, Radin e Silva (2018) discutem as representações de natureza e ambiente no território, que, ao final da Guerra do Contestado (1912-1916), passou a pertencer ao domínio catarinense, onde empresas colonizadoras comercializaram terras, em lotes destinados à agricultura de âmbito familiar, em especial àqueles vindos da Europa e que viviam nas colônias do Sul do Brasil.

Finalmente, da região Norte, notadamente do estado do Pará, artigos trazem temas das artes plásticas e das incursões do botânico e naturalista no rio Capim, João Barbosa Rodrigues. Estudos geográficos, hidrográficos, botânicos e zoológicos, resultados de viagem patrocinada pelo então Governo Imperial e que o botânico brasileiro João Barbosa Rodrigues (1842-1909) empreendeu pelo rio Capim entre os anos de 1874-1875, são tema do artigo “O botânico João Barbosa Rodrigues no vale do Amazonas: explorando o rio Capim (1874-1875)”, de Ximenes e Coelho (2018).

Uma historiografia é o que Vieira Costa (2018) apresenta em “Estela Campos e os momentos iniciais do abstracionismo no Pará (1957-1959): hipóteses sobre invisibilidades na história da arte”, onde destaca a consolidação do papel da artista Estela Campos, representante do abstracionismo, ao analisar exposições realizadas em Belém e no Rio de Janeiro.

A edição traz ainda resenha de autoria de Sartori (2018) sobre “Une autre science est possible! Manifeste pour un ralentissement des sciences”, de Isabelle Stengers.

A todos, uma boa leitura, com votos de um 2019 de contínuas produção e disseminação de conhecimento.

REFERÊNCIAS

BARCELOS NETO, Aristoteles. Tobacco visions: shamanic drawings of the Wauja Indians. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v. 13, n. 3, p. 501-517, set.-dez. 2018. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1981.81222018000300002. [ Links ]

BARGHINI, Alessandro. Cauim: entre comida e ebriedade. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v. 13, n. 3, p. 561-571, set.-dez. 2018. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1981.81222018000300005. [ Links ]

CARBONERA, Mirian; SILVA, Sérgio Francisco Serafim Monteiro da; LOURDEAU, Antoine; HERBERTS, Ana Lucia; KUCZKOVSKI,Francieli; HATTÉ, Christine; FONTUGNE, Michel; ONGHERO, André Luiz; BRIZOLA, Jéssica Pedroso; SANTOS, Marcos César Pereira. Uma deposição funerária Guarani no alto rio Uruguai, Santa Catarina: escavação e obtenção de dados dos perfis funerário e biológico. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v. 13, n. 3, p. 625-644, set.-dez. 2018. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1981.81222018000300008. [ Links ]

CASTILLA, Malena Inés. Territorios y fronteras: procesos de apropiación del espacio simbólico y geográfico en las comunidades indígenas de Pampa del Indio, Chaco. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v. 13, n. 3, p. 541-560, set.-dez. 2018. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1981.81222018000300004. [ Links ]

FREITAS, Marília Fernanda Pereira de; FACUNDES, Sidney da Silva. Considerações sobre a posse nominal em Apurinã (Aruák). Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v. 13, n. 3, p. 645-662, set.-dez. 2018. DOI: http://dx.doi. org/10.1590/1981.81222018000300009. [ Links ]

MORENO, Eduardo Stramandinoli; OLIVEIRA, Joana Cabral; SHIMABUKURO, Paloma Helena Fernandes; CARVALHO, Luciana. Licenciamento ambiental de grandes empreendimentos: quais os limites para avaliação de impactos diretos e indiretos em saúde? Estudo de caso na Terra Indígena Wajãpi, Amapá. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v. 13, n. 3, p. 519-540, set.-dez. 2018. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1981.81222018000300003. [ Links ]

RADIN, José Carlos; SILVA, Claiton Marcio da. ‘Um vasto celeiro’: representações da natureza no processo de colonização do oeste catarinense (1916-1950). Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v. 13, n. 3, p. 681-697, set.-dez. 2018. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1981.81222018000300011. [ Links ]

REIS, Lucas Bond; ALMEIDA, Fernando Silva de; BUENO, Lucas Reis. Entre ‘estruturas e pontas’: o contexto arqueológico do Alto Vale do Itajaí do Sul e o povoamento do Brasil meridional. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v. 13, n. 3, p. 597-623, set.-dez. 2018. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1981.81222018000300007. [ Links ]

SARTORI, Lecy. Outra ciência? Conhecimento, experimentos coletivos e avaliações. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v. 13, n. 3, p. 721-724, set.-dez. 2018. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1981.81222018000300013. [ Links ]

VIEIRA COSTA, Gil. Estela Campos e os momentos iniciais do abstracionismo no Pará (1957-1959): hipóteses sobre invisibilidades na história da arte. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v. 13, n. 3, p. 699-717, set.-dez. 2018. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1981.81222018000300012. [ Links ]

VILLAGRAN, Ximena Suarez; PESSENDA, Luiz Carlos Ruiz; VALADARES COSTA, Henrique; ATORRE, Tiago; ERLER, Igor daSilva; STRAUSS, André; BARIONI, Alberto; KLÖKLER, Daniela; TOGNOLI, Anderson; DUARTE, Carlos; BONFIM, Paulo Vinicius; MACARIO, Kita. Os primeiros povoadores do litoral norte do Espírito Santo: uma nova abordagem na arqueologia de sambaquis capixabas. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v. 13, n. 3, p. 573-596, set.-dez. 2018. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1981.81222018000300006. [ Links ]

XIMENES, Cláudio L. M.; COELHO, Alan Watrin. O botânico João Barbosa Rodrigues no vale do Amazonas: explorando o rio Capim (1874-1875). Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v. 13, n. 3, p. 663-680, set.-dez. 2018. DOI: http:// dx.doi.org/10.1590/1981.81222018000300010. [ Links ]

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