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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas

Print version ISSN 1981-8122On-line version ISSN 2178-2547

Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciênc. hum. vol.13 no.3 Belém Sept./Dec. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1981.81222018000300006 

ARTICLE

Os primeiros povoadores do litoral norte do Espírito Santo: uma nova abordagem na arqueologia de sambaquis capixabas

The first settlers on the northern coast of Espírito Santo: a new approach to shell mound (sambaqui) archaeology

Ximena Suarez VillagranI 
http://orcid.org/0000-0001-8630-2015

Luiz Carlos Ruiz PessendaII 

Henrique Antônio Valadares CostaI 

Tiago AtorreI 

Igor da Silva ErlerIII 

André StraussI 

Alberto BarioniI 

Daniela KlöklerIV 

Anderson TognoliI 

Carlos DuarteV 

Paulo Vinicius BonfimVI 

Kita MacarioVII 

IUniversidade de São Paulo. São Paulo, São Paulo, Brasil

IIUniversidade de São Paulo. Piracicaba, São Paulo, Brasil

IIIUniversidade Federal do Espírito Santo. Vitória, Espírito Santo, Brasil

IVUniversidade Federal de Sergipe. São Cristovão, Sergipe, Brasil

VUniversidad de Cantabria. Santander, Cantabria, Espanha

VIInstituto de Pesquisa Arqueológica e Etnográfica Adam Orssich. Vitória, Espírito Santo, Brasil

VIIUniversidade Federal Fluminense. Niterói, Rio de Janeiro, Brasil

Resumo

Os sambaquis do litoral do Espírito Santo foram pouco estudados pelas pesquisas arqueológicas realizadas no estado. Apesar de serem conhecidos desde finais do século XIX, foram recorrentemente considerados uma extensão marginal dos desenvolvimentos culturais que aconteciam no Rio de Janeiro. À escassez de informações sobre as características dos sítios, soma-se a ausência de datações 14C bem referenciadas, as quais impedem o entendimento da profundidade temporal e da evolução da ocupação humana pré-colonial no litoral do estado. Este artigo apresenta as metas e os resultados da retomada das pesquisas arqueológicas nos sambaquis do litoral norte do Espírito Santo, em Linhares. Até o momento, foram escavados dois sambaquis cuja idade recua em quase 2000 anos o registro de presença humana na costa do estado. As novas pesquisas seguem um método padronizado para escavação dos sítios, especialmente desenhado para a primeira caracterização dos sambaquis, o qual envolve a construção de um banco de dados digital e a incorporação de sistemas informatizados para gerenciamento das escavações. As pesquisas revelaram evidências da ocupação humana na região anterior ao máximo transgressivo holocênico (sítio Suruaca 20, datado em c. 6800 cal. AP), momento em que manguezais, restingas e florestas de tabuleiros constituíam o ambiente costeiro.

Palavras-chave Arqueologia costeira; Caçadores-coletores-pescadores; Holoceno; Concheiros

Abstract

The shell mounds (sambaquis) on the coast of Espírito Santo have received little attention in archaeological research. Despite being known to scholars since the end of the nineteenth century, shell mounds were recurrently considered marginal to the cultural developments in the neighboring state of Rio de Janeiro. Scarce information on the contents of the sites and the lack of well-referenced 14C dating prevented a complete understanding of the time-depth and evolution of pre-colonial settlement on this fragment of the Brazilian coast. This paper introduces the aims and preliminary results of renewed archaeological research on the shell mounds of the northern coast of Espírito Santo, in the municipality of Linhares. Two shell mounds have been excavated thus far, pushing the record of human presence on the coast back by almost 2000 years. The new research follows a standardized method of excavation specially designed for initial characterization of shell mound deposits; this method involves creating a digital database and incorporating computerized methods for excavation management. Signs of human presence were seen along the northern coast before the Holocene maximum transgression (Suruaca site, dated c. 6800 cal. BP), when mangroves, restingas, and the Atlantic rainforest comprised the coastal environment.

Keywords Coastal archaeology; Fisher-hunter-gatherers; Holocene; Shell mounds

INTRODUÇÃO

Este artigo apresenta, pela primeira vez, os métodos e os resultados do projeto “Arqueologia do litoral norte do Espírito Santo: sambaquis do município de Linhares”, que visa preencher a lacuna de informações sobre a cronologia e as características da ocupação humana na região, especialmente no que se refere aos sítios sambaquis, pouco documentados no litoral do Espírito Santo.

Até o momento, foram escavados dois sambaquis do município de Linhares (Lagoa Bonita 17 e Suruaca 20), utilizando-se um método de campo padronizado e especialmente desenhado para a primeira caracterização dos sambaquis, que inclui a coleta de amostras com a finalidade de obter diversidade de análises (zooarqueológicas, sedimentológicas, arqueobotânicas, micromorfológicas etc.). Foram obtidas as primeiras idades 14C bem referenciadas para sambaquis do Espírito Santo, que recuaram as cronologias disponíveis de ocupação da costa norte capixaba em aproximadamente 2000 anos, comprovando a presença humana na região antes do máximo transgressivo holocênico (atingido na região possivelmente há 5500 anos cal. AP) (Giannini et al., 2013; Ribeiro et al., 2011).

AS PESQUISAS ARQUEOLÓGICAS NOS SAMBAQUIS DO ESPÍRITO SANTO

Os sambaquis da região de Vitória, no estado do Espírito Santo, são conhecidos desde finais do século XIX (Leonardos, 1938), sendo incluídos na classificação realizada por Serrano (1946) no “Handbook of South American Indians”, que os associou aos sítios do Rio de Janeiro, tanto em termos históricos como culturais. Na década de 1960, informações sobre sambaquis aparecem nos trabalhos pioneiros sobre patologias dentárias realizados por Salles Cunha (1959, 1960, 1963) e nas pesquisas de Orssich (1981 [1964]). Nestes trabalhos, são recorrentes os comentários sobre a extraordinária diferença de volume entre os sambaquis capixabas e os do litoral sul do Brasil (Salles Cunha, 1959; Orssich, 1981 [1964]). Salles Cunha (1963, 1968) também associa os sambaquis do Espírito Santo com os do Rio de Janeiro, baseando-se em seus estudos craniométricos de indivíduos sepultados em ambos os contextos.

As pesquisas arqueológicas no Espírito Santo foram retomadas no final da década de 1960 pelo Programa Nacional de Pesquisas Arqueológicas (PRONAPA), cuja atuação no estado foi coordenada pelo prof. Celso Perota. Na primeira publicação sobre as pesquisas do PRONAPA no Espírito Santo, mencionou-se o achado de quatro sítios-sambaquis no litoral norte do estado, não informando, contudo, de modo preciso a localização dos sítios (coordenadas geográficas) ou a sua cronologia (i.e. sem datações 14C) (Perota, 1971). Em trabalho posterior, Perota (1974) reportou o achado de quase uma centena de sambaquis no litoral central do estado. Segundo o autor, os focos de maior concentração de sítios seriam a baía de Vitória e os vales dos rios Jucu, Reis Magos, Piraquê-Açu, Piraquê-Mirim e Jacaraípe, todos localizados entre Vitória e a desembocadura do rio Doce, com exceção do rio Jucu, que está a sul.

O PRONAPA estabelece duas categorias para classificar os sítios litorâneos: a fase Macaé, que inclui todos os sambaquis, e a tradição Itaipu, posterior à fase Macaé, sendo dividida em fase Potiri, no Espírito Santo, e Itaipú A e B, no Rio de Janeiro (Brochado et al., 1969; Dias Jr., 1976-1977, 1975; Gaspar, 2000; Perota, 1971, 1974; Prous, 1992). A fase Potiri é definida unicamente para o Espírito Santo e caracteriza-se pela presença de indústria lítica polida e de lascas expedientes, associadas a depósitos de terra preta onde predominam os ossos de peixe (Perota, 1971, 1972).

A primeira cronologia baseada em idades absolutas nos sambaquis do Espírito Santo apareceu no trabalho de Suguio et al. (1982) sobre a evolução da planície costeira do rio Doce durante o Quaternário. Este era o único trabalho, até hoje, a fornecer idades absolutas publicadas para quatro sambaquis do Espírito Santo e serviu de base para estabelecer cronologias relativas de sítios arqueológicos em todas as pesquisas posteriores. Fora da área de estudo, existem mais quatro datações absolutas para sambaquis do Espírito Santo (Quadro 1). Segundo o modelo evolutivo de Suguio et al. (1982), durante a transgressão marinha holocênica – que teria alcançado o seu máximo na região entre 6500 e 5500 anos AP – o rio Doce desembocava em um estuário. Durante este período, a formação de ilhas-barreira provocou o isolamento de um sistema lagunar a retaguarda.

Após 5100 anos, teria começado o rebaixamento do nível relativo do mar, com a formação dos cordões arenosos e com o progressivo assoreamento do sistema lagunar. Três sambaquis localizados acima dos cordões mais internos (a oeste da planície costeira) foram datados para oferecer uma idade máxima para os cordões. As idades obtidas para estes sambaquis (Martin et al., 1997) indicaram que a cronologia para ocupação humana da área apresenta-se em torno dos 4500 a 3000 anos AP (Quadro 1).

Quadro 1 Datações 14C disponíveis para os sambaquis do litoral do Espírito Santo. Unicamente as primeiras quatro encontram-se na área de estudo deste projeto. O sambaqui classificado como s/d e datado em 4200 ± 150 AP, reportado no trabalho de Suguio et al. (1982), somente é mencionado no corpo do artigo (p. 101), mas não está localizado nos mapas nem na lista de datações que aparece ao final do artigo (p. 113). O sítio ES-VI-10 ou Campus 2 não seria um sambaqui, e sim um sítio pré-cerâmico composto de ossos e de restos líticos misturados em matriz de sedimentos pretos. As duas datações do sítio Campus 2, pertencente à Tradição Itaipu, aparecem nas publicações com o mesmo código de laboratório. Legenda: s/d = sem dados. 

Sítio Idade 14C (anos AP) Código de laboratório Contexto Coordenadas Material datado Fonte
PP-0358 4400 ± 200 SPC-027 Sobre a primeira geração de cordões holocênicos 19° 12,8' S
39° 48,8' W
Conchas Suguio et al. (1982);
Martin et al. (1997)
PMX ou PP-0347 4240 ± 150
2970 ± 180
SPC-034
SPC-035
Base (PMX) e topo (PP-0347) de sambaqui situado sobre a primeira geração de cordões holocênicos 18° 52,0' S
39° 48,2' W
Conchas Suguio et al. (1982);
Martin et al. (1997)
RD-23 3550 ± 150 Bah-951 Sobre a primeira geração de cordões holocênicos 19°09,0' S
39° 50,3' W
Conchas Suguio et al. (1982);
Martin et al. (1997)
ES-39 2930 ± 200 Bah-1722 A norte da baía de Vitória 20° 12,3' S
40° 19,2' W
Lucina sp. Macoma sp. Martin et al. (1997)
s/d 4200 ± 150 SPC-020 Sobre os cordões holocênicos s/d s/d Suguio et al. (1982)
ES-VI-46 ou Areal 1 2850 ± 60
2840 ± 60
2970 ± 60
s/d A norte da baía de Vitória, bacia do rio Santa Maria, a 750 m do rio Jacuí s/d s/d Assis (1992);
Perota et al. (1987)
ES-VI-10 ou Campus 2 1435 ± 80
515 ± 80 AD
SI-831
SI-831
A norte da baía de Vitória, dentro da área ocupada pelo campus universitário da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) 20° 18' S
40° 17' 50" W
s/d Assis (1992);
Perota (1972, 1974)
Rio Novo do Sul 3030 ± 170
2380 ± 170
Bah-1590
Bah-1591
Entre Piúma e Rio Novo do Sul, nas proximidades da divisa com Anchieta s/d s/d Machado (2007);
Lima (1999-2000)

Após o completo assoreamento das lagunas, o rio Doce passaria a desembocar no oceano, como acontece atualmente (Suguio et al., 1982; Martin; Suguio, 1992). As atuais lagunas de Zacarias, Doutor, Bonita etc., ao redor das quais existem numerosos sambaquis, representam remanescentes do sistema lagunar holocênico (Figura 1).

Figura 1 Sistemas deposicionais identificados por Suguio et al. (1982)na costa norte do Espírito Santo. Mapa elaborado por XimenaVillagran (2017) e adaptado de Suguio et al. (1982)

Após a atuação do PRONAPA, trabalhos arqueológicos no litoral capixaba, especificamente no município de Linhares, foram realizados exclusivamente por empresas de arqueologia de contrato, os quais permitiram cadastrar dezenas de sambaquis ao longo da faixa costeira. Devido à intensa atuação da indústria petroleira no litoral norte do Espírito Santo, esta região concentra cerca de 60% dos sítios inseridos no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA) no estado. No entanto, a grande maioria das atividades reduz-se à prospecção de sítios e ao diagnóstico arqueológico, com escassas ocorrências de trabalhos de resgate e de monitoramento (Machado, 2010).

Assim, apesar do longo histórico de pesquisas arqueológicas no estado e das extensivas prospecções realizadas pelas empresas de arqueologia, os dados disponíveis sobre a ocupação sambaquieira do Espírito Santo se reduzem a: poucos trabalhos realizados pelo PRONAPA; coordenadas de localização dos sítios cadastrados pelas empresas de arqueologia; e cronologia estabelecida na década de 1980 pelo trabalho de Suguio et al. (1982). No próximo tópico, apresentar-se-á uma síntese dos dados disponíveis sobre a arqueologia do litoral norte do estado, dando ênfase ao município de Linhares, a partir da revisão dos relatórios elaborados pelas empresas de arqueologia que atuaram na região.

OS SAMBAQUIS DO LITORAL NORTE

Na primeira publicação do PRONAPA sobre a arqueologia do norte do Espírito Santo, Perota (1971) mencionou a existência de três sambaquis a cerca de 2 km da atual linha da costa, nas proximidades do rio Mariricu, afluente do rio São Mateus. Os sítios seriam principalmente compostos de Ostrea sp., e um deles alcançaria os 3 m de altura (nenhuma informação sobre a localização exata dos sítios foi fornecida na publicação e não se achou registro deles no CNSA). No mapa sobre a localização dos sítios e as fases arqueológicas da região central do Espírito Santo, Perota (1974) identificou mais um sambaqui a norte da desembocadura do rio Doce, sem indicar a sua localização precisa.

A partir de 1999, numerosos trabalhos de arqueologia de contrato foram realizados no litoral norte do Espírito Santo, vinculados principalmente a empreendimentos da Petrobrás na região compreendida entre os municípios de Linhares e de Conceição da Barra. Em pesquisa realizada no acervo da superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Espírito Santo (IPHAN-ES), encontraram-se 95 relatórios produzidos entre 1999 e 2012, tanto em formato digital como em papel, entre os quais treze possuem informação sobre sítios arqueológicos, destes somente sete contêm dados sobre a localização e uma breve descrição de sambaquis e/ou de sítios com conchas na sua composição. Embora tal diferenciação não seja feita nos relatórios, nesta pesquisa consideramos como sambaquis os sítios com formato monticular contendo mais de 50% de conchas na sua composição. Os sítios com conchas seriam rasos, com matriz terrígena e conchas, equivalentes aos acampamentos litorâneos, a sambaquis sujos, a sítios de pesca e de coleta não construídos ou a concheiros definidos para o litoral sul/sudeste por diversos autores (Prous, 1992, 2006). Como será discutido mais adiante, não consideramos ambos os tipos de sítio como necessariamente produtos de grupos étnicos diferentes. O Quadro 2 reúne dados sobre os 36 sítios sambaquis e/ou sítios com conchas que foram identificados no litoral norte do Espírito Santo por empresas de contrato entre 1999 e 2012 (Figura 2).

Quadro 2 Nome e coordenadas Universal Transversa de Mercator (UTM) dos 35 sítios descritos como sambaquis ou como sítios com conchas identificados no litoral norte do Espírito Santo por empresas de arqueologia de contrato. O sítio nomeado como Lagoa Bonita 1 nesta pesquisa está cadastrado no CNSA como Lagoa Bonita 06 – Morro do Mutum (ES00317). Os sítios Lagoa Bonita 19, 20, 22 e 23, descritos como sítios separados no relatório da empresa Ambiental Norte (2005b), são considerados no CNSA como um único sítio. A localização e o conteúdo dos sítios em fonte vermelha foram corroborados nesta pesquisa. Os sítios em fonte cinza escura são aqueles cuja existência foi questionada após etapa de campo de verificação realizada por esta pesquisa. Legendas: s/ref. = sem referência; s/c = sem cadastro; * = sítios identificados no CNSA como um único sítio; MO = matéria orgânica. 

Sítio Coordenadas UTM Município Referência CNSA Tipo de sítio
x y
Areal 1 7931686 419098 Conceição da Barra Ambiental Norte (2001b) ES00173
Areal 2 7931786 419148 Conceição da Barra Ambiental Norte (2001b) ES00174
Fazenda Furado 7933585 417449 Conceição da Barra Ambiental Norte (2001b) ES00177
Fazenda Morcego 7934185 417149 São Mateus Ambiental Norte (2001b) ES00178
Ilha Preta 7916490 417998 São Mateus Ambiental Norte (2001b) ES00095
Ranchinho 7920489 418848 São Mateus Ambiental Norte (2001b) ES00144
Fazenda Rio Doce 7873953 409944 Linhares Ambiental Norte (2001a) ES00149
Zacarias 1 7849049 418713 Linhares Ambiental Norte (2005a) s/c
Zacarias 2 7846730 417032 Linhares Ambiental Norte (2005a) s/c
Suruaca 13 7880418 414938 Linhares Ambiental Norte (2005b) s/c
Suruaca 19 7876559 415277 Linhares Ambiental Norte (2005b) s/c Ossos, areia e MO
Suruaca 20 7873742 410101 Linhares Ambiental Norte (2005b) ES00314 Sambaqui
Lagoa Bonita 1 – Morro do Mutum 7882137 412095 Linhares s/ref. ES00317 Sambaqui
Lagoa Bonita 2 7881072 413153 Linhares s/ref. s/c Sambaqui
Lagoa Bonita 6 7878098 413149 Linhares Ambiental Norte (2005b) s/c Sambaqui
Lagoa Bonita 7 7876598 414166 Linhares Ambiental Norte (2005b) s/c Sambaqui
Lagoa Bonita 8 7881207 405557 Linhares Ambiental Norte (2005b) s/c
Lagoa Bonita 9 7876257 414413 Linhares Ambiental Norte (2005b) s/c Sem material
Lagoa Bonita 10 7875883 414545 Linhares Ambiental Norte (2005b) s/c
Lagoa Bonita 11 7873784 415717 Linhares Ambiental Norte (2005b) s/c
Lagoa Bonita 12 7875074 414423 Linhares Ambiental Norte (2005b) s/c
Lagoa Bonita 13 7876662 413545 Linhares Ambiental Norte (2005b) s/c Ossos, areia e MO
Lagoa Bonita 14 7876214 415859 Linhares Ambiental Norte (2005b) s/c Sem material
Lagoa Bonita 15 7876097 413899 Linhares Ambiental Norte (2005b) s/c
Lagoa Bonita 16 7871454 413338 Linhares Ambiental Norte (2005b) s/c Ossos, areia e MO
Lagoa Bonita 17 7876980 410659 Linhares Ambiental Norte (2005b) s/c
Lagoa Bonita 18 7873524 413407 Linhares Ambiental Norte (2005b) s/c Sem material
Lagoa Bonita 19* 7870979 412348 Linhares Ambiental Norte (2005b) ES00316 Ossos, areia e MO
Lagoa Bonita 20* 7871097 412371 Linhares Ambiental Norte (2005b) ES00316 Ossos, areia e MO
Lagoa Bonita 21 7866817 400955 Linhares Ambiental Norte (2005b) s/c
Lagoa Bonita 22* 7871350 412295 Linhares Ambiental Norte (2005b) s/c Ossos, areia e MO
Lagoa Bonita 23* 7871208 412426 Linhares Ambiental Norte (2005b) ES00316
Lagoa Bonita 24/25 7870464 411389 Linhares Ambiental Norte (2005c) ES00315 Sambaqui
Lagoa Bonita 26 7871023 408677 Linhares Ambiental Norte (2005c) s/c
Barro Novo 1 7866525 409020 Linhares Ambiental Norte (2005c) s/c Sambaqui
Ponte da Suruaca 7883166 42367 Linhares Fundação Seridó (2006) ES00206 Sambaqui

Figura 2 Imagem satélite feita por meio do site Google Earth, ilustrando o litoral norte do Espírito Santo, com localização dos sítios arqueológicos mencionados no trabalho e listados noQuadro 2. A imagem 1 apresenta um detalhe da área de estudo com as áreas, pontos e transetas onde foram realizadas prospecções por parte de empresas de arqueologia. As imagens 2 e 3 são detalhes com a localização de sítios em áreas onde há maior concentração. Mapas elaborados por Ximena Villagran (2017). 

Segundo Machado (2010), os relatórios fornecidos pelas empresas contêm carências maiores, que dificultam a elaboração de sínteses sobre a arqueologia da região. Entre os problemas mencionados pela autora estão a falta de informação de campo e de laboratório, a ausência de dados precisos sobre a localização dos sítios e a brevidade das descrições. A autora interpreta estas carências como resultantes da pouca preocupação pela proteção do patrimônio ou da omissão deliberada das informações para inibir a atuação de outro arqueólogo na região.

A maior parte dos trabalhos de contrato no litoral norte do Espírito Santo (65 relatórios no total) foi realizada pela empresa Ambiental Norte, sob coordenação de João Luiz Teixeira. Em 2003, J. L. Teixeira defendeu uma dissertação de mestrado, na qual incluíram-se os sítios prospectados pela sua empresa em trabalhos de contrato (28 sítios dos 36 que aparecem no Quadro 2), além de vários outros sítios sem precisar a localização. Teixeira (2003) identificou cinco categorias de sítios na área compreendida entre os municípios de Linhares e de Conceição da Barra: 1) sambaquis; 2) acampamentos conchíferos; 3) sítios cerâmicos; 4) sítios líticos; e 5) sítios históricos.

Os primeiros três grupos representam 99% do total de sítios identificados. O grupo mais representado é formado pelos sítios cerâmicos (88 no total), localizados sempre afastados da linha de costa, próximos à planície de tabuleiros ou sobre os terraços arenosos pleistocênicos. Além do componente cerâmico, estes sítios apresentariam camadas de ‘terra preta’ de 20 a 80 cm de profundidade, restos de fogueiras, lítico lascado e polido, sepultamentos humanos e acumulações de conchas (Teixeira, 2003).

Um total de 18 sambaquis foi prospectado por Teixeira (2003), sendo todos compostos por conchas de molusco em sedimento escuro, com lítico lascado e polido, sepultamentos e ocasionais fragmentos de cerâmica no topo. Segundo o autor, as alturas variam de 2 até 12 m. A categoria de acampamentos conchíferos (15 sítios identificados) é definida em oposição aos sambaquis pela ausência de destaque na paisagem (alturas de 20 a 75 cm) e por se concentrar principalmente nos terraços holocênicos. Estes sítios apresentam alta densidade de moluscos e de artefatos em osso, lítico lascado e polido e, na camada superior, fragmentos cerâmicos e material europeu (Teixeira, 2003). Apesar dos mapas que aparecem na dissertação de Teixeira (2003), não foram disponibilizadas informações sobre as coordenadas dos sítios. Além disso, não há datações absolutas para nenhum dos sítios mencionados no trabalho.

Dos quatro tipos de depósitos sedimentares que caracterizam a planície costeira na área de estudo (Figura 1), os depósitos lagunares e os cordões arenosos contêm a maior quantidade de sambaquis e/ou de sítios com conchas (Figura 2). Atualmente, esta área é alagável, pantanosa e, inclusive, contém concheiros naturais compostos de Ostrea sp.,Anomalocardia sp. e Lucina sp. a 50 cm de profundidade (Suguio et al., 1982; Martin; Suguio, 1992).

No município de Linhares, a nossa pesquisa detectou discrepâncias nas informações contidas nos relatórios das empresas de arqueologia, especialmente no que se refere às coordenadas de localização dos sítios – que poucas vezes coincidem com a realidade observada em campo – e à identificação, à descrição e ao cadastro de sítios que não existem. O IPHAN-ES já tinha detectado essas inconsistências, trabalhando hoje na atualização do cadastro de sítios da região no CNSA.

Além das dificuldades relativas à ausência e/ou à ambiguidade de informação nos relatórios de empresas de contrato, a arqueologia do litoral capixaba enfrenta também a necessidade de atualizar os marcos teóricos das pesquisas. É comum encontrar explicações sobre mudanças estratigráficas como resultados de diferentes estratégias adaptativas motivadas pelas oscilações do nível relativo do mar durante o Holoceno. O mesmo tipo de explicações foi adotado nas décadas de 1970 e 1980, em pesquisas sobre sambaquis e mudanças do nível relativo do mar em estados do sul do Brasil (Fairbridge, 1976), por exemplo. Assim, seguindo o modelo explicativo vigente na época, camadas de diferente composição em um mesmo sítio eram tomadas como evidência da ocupação de grupos étnicos distintos no mesmo local (e.g. sítio Dunas de Itaúnas) (Perota et al., 1992).

Perota et al. (1992) colocam as flutuações do nível relativo do mar como disparadoras de mudanças culturais, principalmente no que se refere às duas oscilações do Holoceno Tardio, defendidas no modelo de Suguio et al. (1982, 1985, 1992), Martin et al. (1986) e Martin e Suguio (1992), que teriam acontecido entre 3900-3600 anos AP e 2700-2500 anos AP. Assim, durante os momentos de regressão marinha, a escassez de recursos teria forçado os grupos a abandonarem a pesca e a intensificarem as atividades de caça. Durante a transgressão marinha, também era retomada a coleta, a qual, por sua vez, era favorecida pela proliferação dos manguezais. Exemplo disso seriam as mudanças estratigráficas descritas para o sítio Areal I (Perota et al., 1987). No entanto, estudos recentes mostram consistentemente que as oscilações do nível relativo do mar durante o Holoceno Tardio nunca teriam acontecido (Angulo et al., 1999, 2006; Angulo; Lessa, 1997).

No litoral do Espírito Santo, ainda é frequente a tradicional separação entre sambaquis e acampamentos litorâneos como sítios produzidos por diferentes grupos étnicos, estando os últimos vinculados à denominada tradição Itaipu. Esta diferenciação baseia-se nas variações em relação à altura e ao contexto geológico-geomorfológico de localização dos sítios, apesar de os conteúdos faunístico e artefatual serem frequentemente idênticos. Os mesmos critérios de forma e de localização foram usados nas costas sul e sudeste para fundamentar a diferenciação entre sambaquis e acampamentos litorâneos (Beck, 1971, 1972; Schmitz et al., 1992; Lima, 1999-2000). Isso pode ser visto no trabalho de Teixeira (2003), que descreve a mesma composição para acampamentos litorâneos e sambaquis, mas coloca como únicas diferenças a altura dos acampamentos (entre 20 e 72 cm de altura) e a sua localização (a maioria encontrar-se-ia nos terraços holocênicos). O autor até menciona a existência de dois acampamentos no sistema lagunar, terreno onde ocorre a maioria dos sambaquis (Figura 1) (Teixeira, 2003). Ele conclui, porém, que os sítios seriam sambaquis erodidos pelas duas transgressões marinhas do Holoceno Tardio, cuja existência está hoje desacreditada.

UMA NOVA ABORDAGEM NA ARQUEOLOGIA DE SAMBAQUIS CAPIXABAS

A partir do exposto no tópico anterior, é possível definir quatro temas fundamentais a serem superados na arqueologia do litoral norte do Espírito Santo, para dialogar com a arqueologia de sambaquis realizada em outros estados do Sudeste: escassez de datações 14C; associação entre camadas de diferente composição em um mesmo sítio como evidência de grupos étnicos distintos; modelos explicativos sobre a influência das mudanças do nível relativo do mar nos grupos costeiros criados antes da constatação de que as duas oscilações do Holoceno Tardio não teriam existido; caracterização dos sítios entre sambaquis e acampamentos litorâneos como vestígios de culturas diferentes, sem embasamento apropriado para tanto. É nesse contexto que surge a necessidade de consolidar uma pesquisa arqueológica que, do campo até o laboratório, permita avançar sobre estes problemas.

A nova abordagem proposta pela nossa pesquisa envolve a escavação sistemática dos sítios, seguindo um método padronizado, e a construção de uma cronologia para a ocupação humana da área. Esta pesquisa segue três objetivos teóricos e metodológicos maiores: 1) elaboração de um modelo evolutivo para a ocupação sambaquieira no município de Linhares (onde foi prospectada a maior quantidade de sambaquis do litoral norte do Espírito Santo), baseado em dados cronométricos, que complemente os modelos de evolução geológica e ecológica da área iniciados no trabalho de Suguio et al. (1982) e aprofundados pelas pesquisas do projeto “Estudos paleoambientais interdisciplinares na costa do Espírito Santo” (PROJES) (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP 2011/00995-7); 2) caracterização da ocupação sambaquieira nesta porção do litoral brasileiro a partir da escavação sistemática e padronizada de diversos sítios, que contemple a realização de análises estratigráficas, zooarqueológicas, sedimentológicas, arqueobotânicas, micromorfológicas e artefatuais; 3) atualização dos marcos teóricos utilizados na arqueologia pré-colonial da região para explicar a ocupação sambaquieira do Espírito Santo no contexto dos avanços teóricos e metodológicos da arqueologia de sambaquis que se realiza em outros estados (especialmente das regiões Sul e Sudeste).

MÉTODOS

Para alcançar os objetivos propostos, até o momento dois sambaquis foram escavados utilizando-se um método que maximiza a quantidade de informação recuperada em campo e que permite construir um acervo bem documentado de amostras para cada sítio estudado. Este método aponta também para a coleta de amostras bem referenciadas no que concerne à datação dos sítios, não somente para identificar o início e o fim da ocupação, mas também para auxiliar no entendimento do processo de formação dos sambaquis, por meio de uma perspectiva espacial e temporal. Para datação, foi feita a extração do CO2 no Laboratório 14C do Centro de Energia Nuclear na Agricultura, da Universidade de São Paulo (CENA/USP), em Piracicaba. A grafitização foi realizada no Laboratório de Espectrometria de Massa com Aceleradores, da Universidade Federal Fluminense (AMS/LACUFF), em Niterói, e a medição no AMS da Universidade da Georgia (UGA), em Athens.

Foram visitados 16 sítios descritos nos relatórios da empresa Ambiental Norte para o município de Linhares, cujas coordenadas foram cadastradas originalmente usando-se o referencial South American Datum 1969 (SAD 69). Quando os sítios foram detectados, realizou-se o seu registro por meio do Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas (SIRGAS) 2000. No Quadro 2, estão agrupados os 36 sítios descritos no litoral norte, com identificação daqueles cujas coordenadas e composição foram verificadas nesta pesquisa.

As escavações arqueológicas realizadas pelo projeto tiveram como meta a caracterização primária dos sítios com a mínima intervenção. O método de escavação é padronizado para favorecer a comparação inter-sítio (Gaspar; Mendonça de Souza, 2013) e tem como foco a coleta de amostras para datação 14C e para análises estratigráficas, zooarqueológicas, sedimentares, arqueobotânicas, micromorfológicas e artefatuais. Todas as escavações seguiram o mesmo protocolo, que consiste em:

  • Abrir escavações de 1 x 0,5 m em pelo menos duas áreas distintas do sítio: uma na parte mais alta (geralmente na parte central) e outra na periferia, próxima ao declive lateral que assinala o contato do sambaqui com os depósitos naturais. Esta estratégia visa coletar dados cronológicos e estratigráficos para aportar também informação quanto à direção de crescimento dos sambaquis;

  • A escavação utiliza um sistema de registro totalmente informatizado, para garantir a precisão e a velocidade de documentação dos dados arqueológicos;

  • Realização de plotagem com estação total de todos os baldes de sedimento extraído (cada balde plotado deve conter 8 L de sedimento), para ter controle do volume de material escavado;

  • Escavação de acordo com as fácies sedimentares que aparecerem. Uma fácies sedimentar é definida como um corpo que compartilha características semelhantes de textura (granulometria), cor, forma e composição. As fácies são identificadas durante a escavação do sítio, e não necessariamente nos perfis estratigráficos. Pode-se mencionar como termos análogos na literatura ‘unidade estratigráfica’ ou ‘unidade sedimentar’;

  • Peneira-se a seco em campo, em malha de 3 mm, o conteúdo de cada balde extraído da escavação, e todo o material retido na peneira é guardado;

  • Não se realiza triagem de materiais durante a escavação (e.g. osso, concha etc.). Só no laboratório (que também pode ser criado em campo) é realizado o peneiramento com água, onde se faz a triagem e a curadoria do material;

  • A planta da escavação é fotografada a cada 10 cm, usando-se pontos para fotogrametria e sempre que aparecer uma nova fácies (os pontos devem ser plotados com estação total);

  • Todo achado superior a 3 cm de tamanho (com exceção de conchas) e que seja de destaque em comparação com o restante de materiais que sai da escavação é plotado;

  • Todos os carvões que aparecerem durante a escavação são plotados com estação total, e todos os carvões que aparecem na peneira são guardados separadamente;

  • A coleta de amostras para datação prioriza exemplares da base e o topo de cada uma das escavações, com pelo menos uma amostra em partes intermediárias do perfil. É dada ênfase para a coleta de amostras de carvão e de osso humano, seguido de coleta de conchas, em caso de ausência dos dois primeiros;

  • Amostragem para flotação é feita sempre em um canto da escavação de 25 x 25 x 10 cm de profundidade (Scheel-Ybert, 2013; Scheel-Ybert et al., 2005-2006). A base da amostra na escavação sempre é plotada;

  • A descrição dos perfis estratigráficos é realizada segundo a análise de arqueofácies (Villagran, 2013, 2010; Villagran et al., 2009), sendo esta entendida como a descrição e a classificação de uma sucessão vertical ou de um perfil estratigráfico, seguida da interpretação dos processos antrópicos ou da sucessão de atividades de deposição. Esta análise permite a descrição padronizada das sucessões verticais e auxilia no estabelecimento de relações entre as diferentes arqueofácies identificadas;

  • Amostras de sedimento são coletadas de cada uma das fácies identificadas durante a escavação e das arqueofácies indicadas nos perfis estratigráficos para: análise sedimentológica (geoquímica e mineralogia) (~50g); análise de fitólitos (~10g); análise zooarqueológica (Klökler, 2013; Scheel-Ybert et al., 2005-2006);

  • São coletadas amostras de blocos inalterados para micromorfologia de cada uma das arqueofácies identificadas, tentando abranger sempre que possível o contato entre camadas;

  • Trincheiras são abertas fora dos sítios, nos depósitos naturais circundantes, para: coleta de amostras de referência e/ou controle para análises sedimentológicas e botânicas; entender os sistemas deposicionais da área de localização dos sambaquis a partir da descrição detalhada das sucessões estratigráficas observadas.

OS SAMBAQUIS LAGOA BONITA 17 E SURUACA 20

A escolha dos sambaquis Lagoa Bonita 17 e Suruaca 20 foi feita segundo critérios geológico-geomorfológicos de localização e também quanto ao estado de preservação. Acompanhando o modelo evolutivo elaborado por Suguio et al. (1982), o foco foi dado, em princípio, a sítios localizados próximo ou acima dos terraços pleistocênicos, seguidos de sítios no sistema lagunar e nos cordões marinhos do Holoceno. Esta estratégia visa estudar sítios que envolvam toda a cronologia de evolução natural da área de estudo.

A estratégia de abrir duas escavações, embora pequenas, em dois locais diferentes do mesmo sítio foi extremamente positiva para a identificação e a documentação de diferentes áreas de atividade em um mesmo sambaqui. Igualmente, ela permitiu identificar diferentes processos tafonômicos afetando os depósitos, o que, em última instância, também pode estar vinculado a variações composicionais nos diferentes locais escavados.

Em ambos os sítios estudados, ficou evidente a diferença estratigráfica e composicional das duas áreas de escavação abertas (Figuras 4 e 6). No sítio Lagoa Bonita 17, isto é especialmente visível no que se refere à alteração pós-deposicional do sambaqui. A escavação 1, aberta na parte mais alta do montículo (Figura 3), apresentou uma concreção carbonática decimétrica a cerca de 50 cm de profundidade, e que se estende até o contato do sambaqui com o depósito natural subjacente (~90 cm). A concreção, de altíssima dureza, teve de ser escavada com um equipamento especial (do tipo vibro corer) capaz de quebrar o material cimentado. Foram observados diversos fragmentos de osso, carvões e algumas conchas inteiras (inclusive, um desses carvões foi retirado para datação) imersos no cimento carbonático (fácies 6, Figura 4). A presença da concreção levantou a dúvida quanto aos processos tafonômicos que afetam alguns sambaquis da região.

Figura 3 Sambaqui Lagoa Bonita 17: A) vista do sítio em direção norte; B) planta da escavação 1 no início da fácies 6 concrecionada; C) planta da escavação 1 após perfuração comvibro corer através da fácies 6 para alcançar o substrato natural do sítio; D) ortofoto do sambaqui com localização das duas escavações (escavação 1 = E1; escavação 2 = E2); E) modelo digital de superfície com curvas de nível a intervalos de 10 cm. Fotos: Ximena Villagran (2015). Ortofoto e modelo digital de superfície: Tiago Atorre (2016). 

Figura 4 Sucessão estratigráfica das escavações 1 e 2 do sambaqui Lagoa Bonita 17, com identificação das fácies apresentadas durante a escavação e a descrição das arqueofácies identificadas no estudo dos perfis. Fotos: Ximena Villagran (2015)

Figura 5 Sambaqui Suruaca 20: A) vista do sítio em direção leste; B) planta da escavação 1 com exposição do leito de ostras no quadrante oeste (fácies 7); C) planta da escavação 2 com exposição da fácies 5, avermelhada e rica em concreções de óxido de ferro; D) ortofoto do sambaqui com localização das duas escavações (escavação 1 = E1; escavação 2 = E2); E) modelo digital de superfície com curvas de nível a intervalos de 10 cm. Fotos: Ximena Villagran (2016). Ortofoto e modelo digital de superfície: Tiago Atorre (2016). 

Figura 6 Sucessão estratigráfica das escavações 1 e 2 do sambaqui Suruaca 20, com identificação das fácies apresentadas durante a escavação e a descrição das arqueofácies identificadas no estudo dos perfis. Fotos: Ximena Villagran (2016). 

Debaixo da concreção carbonática, e após uma camada transicional de areia acinzentada com carbonatos (fácies 7, Figura 4), encontra-se o substrato natural do sítio, composto por sedimentos arenosos de cor amarelo-castanho. Pela localização do depósito e pelas suas coloração e textura (areia fina e média), é possível tratar-se de um terraço arenoso de idade pleistocênica que teria resistido à erosão provocada pelo máximo transgressivo holocênico (Martin et al., 1997). Este depósito natural foi também descrito na base do sítio na escavação 2 (fácies 5, Figura 4) e nas treze sondagens abertas para delimitação dele. O feixe de cordões pleistocênicos ao qual pode pertencer o substrato do sambaqui teria uma idade aproximada de 98 ka AP (Mafra, 2014).

Na escavação 2 do sítio Lagoa Bonita 17, a somente 14,5 m a sudeste da escavação 1, a concreção carbonática não se manifesta com a mesma intensidade, aparecendo na forma de uma camada de cerca de 10 cm de espessura com concreções dispersas (fácies 4, Figura 4).

As duas escavações abertas no sítio Suruaca 20 revelaram diferenças composicionais bem definidas (Figura 5). A escavação 1, aberta na parte mais alta do sambaqui, revelou alguns bolsões com concentração de ostras nos primeiros 50 cm, onde o sedimento é mais friável, com nódulos de óxido de ferro e fragmentos de concha, ossos, carvões e pinças de crustáceo. Após uma camada concrecionada de cerca de 10 cm de espessura (fácies 6, Figura 5), aparece uma camada de ostras inteiras, imbricadas e bem preservadas, mas sem cimentação carbonática. A partir dos 80 cm de profundidade, a frequência de ostras diminui, aumentando a quantidade de pinças de crustáceo (cerca de 20% de ostras e 80% de sedimento, pinças e ossos de peixe). A camada de ostras inteiras e de pinças de crustáceo se estende até o contato abrupto do sítio com o substrato natural (a cerca de 95 cm), o que sugere a existência de um possível ‘leito de ostras’ na base do sambaqui. Os sedimentos naturais debaixo do sítio são areias médias amarelo-alaranjadas, semelhantes às descritas para o sítio Lagoa Bonita 17.

Já a escavação 2, a 27 m a oeste da escavação 1, revelou maiores incidências de cimentação por óxido de ferro e frequência de pinças de crustáceo (possivelmente o dobro do achado na escavação 1). O contato desta porção do sítio com o sedimento natural é gradual e irregular (diferentemente do contato abrupto e reto descrito para a escavação 1), tendo início entre 70-80 cm de profundidade. Esse contato indica a presença de diferentes frentes de alteração do depósito arqueológico ingressando no depósito arenoso natural subjacente. Pela natureza do contato, os restos arqueológicos (principalmente ossos) continuam aparecendo, embora de maneira esparsa, até 1,2 m de profundidade. O substrato do sambaqui seria diferente do observado na escavação 1, sendo composto por areia argilosa-média, castanho-acinzentado.

Assim, a estratégia de escavação adotada revelou situações bem diferentes para porções distintas de cada sambaqui analisado. Estas diferenças são especialmente mais marcantes no sítio Suruaca 20, onde, inclusive, o substrato de cada área de escavação não seria o mesmo, o que indica distintos processos de formação em áreas próximas do mesmo sítio. Estas diferenças se fazem evidentes também nas idades 14C obtidas para as diversas áreas de escavação, como descrito no tópico a seguir.

CRONOMETRIA PARA SAMBAQUIS DO ESPÍRITO SANTO E RELAÇÃO COM AS FLUTUAÇÕES DO NÍVEL RELATIVO DO MAR DURANTE O HOLOCENO

De acordo com a estratégia de coleta de amostras para datação descrita no tópico de métodos, foram enviadas cinco amostras de cada sítio para datação 14C por AMS. O Quadro 3 reúne as idades obtidas para cada amostra. O sítio Suruaca 20 é, até o momento, o mais antigo do litoral norte do Espírito Santo, com cerca de 6800 anos cal AP. Esta idade foi obtida para uma amostra de carvão proveniente da escavação 2, aberta na periferia do sítio. A base da escavação 1, aberta na parte mais alta do depósito, corresponderia ao ‘leito de ostras’ descrito no tópico anterior, e resultou ser aproximadamente 3000 anos mais jovem do que a primeira ocupação do local (idade obtida em ostra coletada no contato do depósito natural com o sambaqui).

Quadro 3 Idades 14C convencionais e calibradas de dez amostras provenientes dos sambaquis Lagoa Bonita 17 e Suruaca 20. A calibração das datações foi feita com software Oxcal 4.3, os carvões foram calibrados com SHCal13 e as conchas com Marine 13 δR 32 ± 44 (Ramsey, 2009; Hogg et al., 2013; Reimer et al., 2013; Alves et al., 2015). A amostra 107 corresponde a um carvão coletado dentro de um fragmento de concreção da fácies 6. A amostra 182 foi coletada do início da fácies 5 (arqueofácies 1), no contato do sedimento arenoso natural com a base do sambaqui. As idades em negrito são as mais antigas para escavação em cada sítio. As alturas ortométricas das amostras de Lagoa Bonita 17 foram corrigidas usando-se os valores da ortofoto para um ponto conhecido. Este procedimento foi necessário, já que os valores de z coletados durante a escavação não eram ortométricos. Legendas: AF = arqueofácies; m.s.n.m. = metros sobre o nível do mar. 

Código da amostra Idade C14
(anos AP)
Idade calibrada
(anos cal AF? 95,4%)
Material Código do laboratório Proveniência e altura ortométrica das amostras
Lagoa Bonita 17 – Escavação 1
88 707 ± 53 684-547 Carvão LACUFF-160050 Fácies 5 (AF3)
3,76 m.s.n.m. (13,31)
107 5437 ± 60 6295-6002 Carvão LACUFF-160054 Fácies 6 (AF2)
3,73 m.s.n.m. (13,28)
144 5514 ± 60 6408-6027 Carvão LACUFF-160036 Fácies 6 (AF2)
3,60 m.s.n.m. (13,15)
Lagoa Bonita 17 – Escavação 2
134 174 ± 50 281-moderna Carvão LACUFF-160040 Fácies 2 (AF4)
3,68 m.s.n.m. (13,22)
182 5521 ± 59 6410-6029 Carvão LACUFF-160044 E2 – fácies 5 (AF1)
3,23 m.s.n.m. (12,77)
Suruaca 20 – Escavação 1
261 118 ± 21 253-moderna Carvão LACUFF-160266 E1 – fácies 2 (AF4)
4,68 m.s.n.m.
285 814 ± 23 729-669 Carvão LACUFF-160267 E1 – fácies 4 (AF3)
4,56 m.s.n.m.
412 3892 ± 25 3969-3671 Ostrea sp. LACUFF-160270 E1 – fácies 8 (AF1/A)
3,79 m.s.n.m.
Suruaca 20 – Escavação 2
355 6092 ± 26 6987-6795 Carvão LACUFF-160268 E2 – fácies 5 (AF1)
3,76 m.s.n.m.
382 4234 ± 26 4842-4615 Carvão LACUFF-160269 E2 – fácies 6 (AF1/B)
3,40 m.s.n.m.

A idade obtida para o sambaqui Suruaca 20 é pouco posterior à evidência mais antiga de ocupação humana no interior do estado. O sítio Santa Maria, localizado no município de Santa Leopoldina, foi datado em 8042-7320 anos cal AP (6880 ± 200 anos AP)1 e ocupado por caçadores-coletores com indústria lítica de pontas foliáceas e pedunculares (Perota, 1995). Segundo Perota (1995), estes grupos teriam migrado, seguindo a bacia do rio Doce, e habitaram a região serrana no centro e no sul do estado. Não há registro de sítios líticos com idade tão recuada no litoral. Um sítio lítico foi descrito no trabalho de Teixeira (2003), sendo, todavia, associado pelo autor à uma ocupação ceramista próxima, embora sem datação 14C que confirme tal associação. Assim, o sítio Suruaca é, até o momento, a evidência mais antiga de ocupação humana na costa do estado.

O sambaqui Lagoa Bonita 17 teria sido ocupado, pela primeira vez, aproximadamente 500 anos depois do sítio Suruaca 20. Nele, as idades obtidas das amostras coletadas da base de ambas as escavações são quase contemporâneas. Isso significa que ambas porções do sítio teriam sido ocupadas possivelmente ao mesmo tempo e que é plausível considerar a base do sítio todo como sendo contemporânea (diferente do constatado para o Suruaca 20). A idade da base do sítio, obtida de amostras de carvão recuperadas da concreção carbonática, sugere que a concreção se formou pela influência das águas marinhas que cobriam o entorno dele, e que atingiram a sua máxima extensão pouco mais de mil anos após o início da ocupação humana no local.

As idades 14C indicam que a ocupação de ambos os sítios teria acontecido em momento anterior ao máximo nível relativo do mar do Holoceno, atingido no Espírito Santo há cerca de 5500 anos cal AP, com elevação de 4 ± 1 m, segundo dados obtidos para a região de Guarapari (Giannini et al., 2013). Após 5500 AP, teria acontecido o declínio progressivo do nível relativo do mar, até atingir a situação atual. Nos trabalhos de Lorente (2015) e Lorente et al. (2015), em testemunho coletado do fundo da Lagoa Bonita, foi constatada a presença de Mata de Tabuleiros, manguezais e vegetação de restinga na região no intervalo entre ~7860 e 4727 anos cal AP, ou seja, durante a primeira ocupação dos sítios. Após o início da regressão marinha (há cerca de 5000 AP), os estudos indicam que houve migração dos manguezais em direção ao mar, e a vegetação herbácea de pântanos passou a colonizar as antigas áreas ocupadas por manguezais (Lorente, 2015; Lorente et al., 2015). A presença de manguezais na região desde o começo do Holoceno Médio (~7500 AP) é igualmente confirmada para outros locais da região da desembocadura do rio Doce mais distantes ainda da atual linha de costa (Buso Jr. et al., 2013; Cohen et al., 2014; França et al., 2015). Por exemplo, na lagoa do Macuco, localizada a cerca de 23 km da atual linha de costa, evidências da influência marinha durante a transgressão holocênica foram reveladas pela presença de pólen de espécies de manguezais em sedimento lacustre coletado do meio da lagoa (Buso Jr. et al., 2013).

As idades obtidas para amostras coletadas próximas ao topo das duas escavações na área mais alta de ambos os sítios indicam possíveis reocupações há cerca de 700 anos cal AP (Quadro 3). Consideramos que estas idades seriam reocupações e não o momento final de uma ocupação contínua de 6000 anos, já que, no sítio Lagoa Bonita 17, a amostra de 700 anos está somente a 3 cm acima de uma amostra datada em cerca de 6200 anos cal AP. Carvões ainda mais modernos foram também recuperados do topo da escavação 2 do Lagoa Bonita 17 e de uma concentração de carvões a aproximadamente 10 cm de profundidade da escavação 1 do Suruaca 20.

Uma inversão nas idades 14C foi detectada na escavação 2 do Suruaca 20, onde a amostra de cerca de 6800 anos cal AP (amostra 355) encontra-se 36 cm acima da amostra de 4650 anos cal AP (amostra 382) (Quadro 3). Esta inversão pode ser explicada pelo fato de a amostra 382 se tratar de um carvão pequeno, recuperado da fácies de transição entre o sambaqui e o depósito natural. Este depósito contém mistura de sedimentos arqueológicos e naturais com bioturbações e frentes de alteração, ou seja, a amostra de carvão seria claramente intrusiva. A amostra 355, pelo contrário, encontra-se na camada basal do sambaqui que está bem preservada.

CONCLUSÕES

As pesquisas desenvolvidas pelo projeto “Arqueologia do litoral norte do Espírito Santo: sambaquis do município de Linhares” trouxeram novas informações referentes à antiguidade da ocupação humana na área e às características dos sambaquis da região. Os dados atuais evidenciam que o litoral norte do Espírito Santo teria sido ocupado pela primeira vez em momento em que a planície costeira atual estava sob influência das águas marinhas, durante o máximo transgressivo holocênico. Ao redor dos sítios existia uma vegetação de manguezais e de restinga, com florestas tropicais a escassos 10 km de distância (sobre a atual planície de tabuleiros). A influência da transgressão marinha na região fica evidente no sítio Lagoa Bonita 17, que apresenta uma espessa camada concrecionada na base, cuja formação deve ter sido provavelmente favorecida pelo alagamento dos terrenos próximos ao sambaqui e pela elevação do nível freático.

São poucos os sítios documentados para o litoral sul e sudeste que oferecem cronologias contemporâneas ao máximo transgressivo holocênico, momento crucial da história geológica e ecológico-ambiental da costa brasileira. O sambaqui mais antigo do litoral sudeste, localizado no estado do Rio de Janeiro (sambaqui do Algodão) (Lima et al., 2002), evidencia a presença humana na costa brasileira há cerca de 8700 anos cal B.P., cerca de 2000 anos antes do reportado no litoral capixaba. Outro sítio anterior e/ou contemporâneo à transgressão marinha holocênica é o Caipora, em Santa Catarina, datado em cerca de 7400 anos cal AP (Giannini et al., 2010). Estes sítios, junto com outros contextos costeiros do final do Pleistoceno na América do Sul (Dillehay, 1999; Dillehay et al., 2012; Sandweiss, 2003), podem ser tomados como testemunhas de uma antiga rota de migração litorânea de povoamento do continente2. Porém, o modelo de povoamento da costa atlântica sentido norte-sul (Hubbe et al., 2011; Rothhammer; Dillehay, 2009) é de difícil comprovação, devido às flutuações do nível relativo do mar durante o Holoceno que apagaram grande parte do registro arqueológico anterior ao máximo transgressivo do Holoceno Médio.

Enquanto grande parte da faixa costeira era inundada pela transgressão marinha, que teria erodido o registro de ocupações humanas anteriores, os terraços pleistocênicos da desembocadura do rio Doce se mantiveram sempre emersos, continuamente disponíveis para ocupação. Isso torna os sambaquis capixabas testemunhos únicos da pré-história da costa brasileira, capazes de oferecer, pelo seu alto potencial de preservação, informação sobre os momentos iniciais da cultura sambaquieira. Assim, existe a probabilidade de contar com sítios ainda mais antigos nesta região, possivelmente assentados sobre os depósitos pleistocênicos próximos à planície de tabuleiros. A localização e a datação destes contextos serão algumas das próximas metas a serem atingidas pela pesquisa.

Diferentemente dos sambaquis de Santa Catarina ou do Rio de Janeiro, os capixabas possuem dimensões consideravelmente menores, com alturas que não ultrapassam os 4 m. A única exceção no município de Linhares é o sambaqui Lagoa Bonita 1, com cerca de 12 m de altura e grande destaque na paisagem. Baseado unicamente na sua dimensão, já que nunca foi escavado nem datado, o sítio Lagoa Bonita 1, na margem da lagoa do mesmo nome, poderia representar um lugar persistente e núcleo de agregação social no litoral norte do Espírito Santo. As lagoas costeiras têm sido propostas como epicentros da ocupação sambaquieira para sítios no litoral centro-sul de Santa Catarina e do Rio de Janeiro (Gaspar, 1991; Kneip, 2004; Guimarães, 2007; Deblasis et al., 2007). Todos os sambaquis próximos à Lagoa Bonita e localizados até a desembocadura do rio Doce, inclusive o Lagoa Bonita 17 e o Suruaca 20 a 5,5 e 8,5 km de distância, respectivamente, são menores do que o Lagoa Bonita 1 em altura e em diâmetro. Nenhum sambaqui foi descrito na planície de cordões a norte do Lagoa Bonita 1, o que se deve possivelmente à falta de prospecções sistemáticas.

As escavações nos sítios Lagoa Bonita 17 e Suruaca 20 revelaram a existência de áreas de atividade diferencial no mesmo sítio, assim como o crescimento diacrônico das estruturas, independentemente do tamanho menor destes sambaquis, em comparação com outros sítios do Sudeste. A heterogeneidade da formação dos sambaquis corrobora modelos sobre a formação de concheiros que se opõem à visão tradicional de simples montículos de acumulação de resíduos, cujo crescimento vertical seria paralelo ao tempo de uso. O consumo de espécies de Mata Atlântica e o alto consumo de crustáceos que vem sendo revelado nas análises zooarqueológicas, inclusive com uma área de descarte específica para crustáceos identificada no Suruaca 20 (escavação 2), também atestam um modo de vida distinto do descrito para outros sambaquis do Sudeste.

Trabalhos futuros envolverão a escavação de mais sítios seguindo o método aqui descrito, priorizando a coleta de amostras para datar e caracterizar os sítios do ponto de vista faunístico, sedimentar, botânico e artefatual. Estudos micromorfológicos estão em andamento e permitirão refinar e aprofundar a interpretação sobre os processos de formação e de alteração dos sítios, como demonstrado no estudo de sambaquis do litoral sul e sudeste (Villagran, 2014, 2010; Villagran et al., 2015). Estudos zooarqueológicos nos dois sambaquis escavados também estão em andamento e serão essenciais para conhecer a subsistência dos grupos, a extensão da área de captação de recursos e como esta foi se acomodando às mudanças geográficas e ecológicas que afetaram a região. Recentemente, estudos de DNA antigo têm sido incorporados na pesquisa, com análise de remanescentes humanos disponíveis no acervo do IPHAN-ES, provenientes do sambaqui do Limão, localizado no município da Serra. Estes trabalhos permitirão identificar a afinidade genética das populações costeiras com outros grupos do litoral e do interior do país.

As pesquisas desenvolvidas pelo projeto vêm a preencher a lacuna de informação existente sobre a ocupação humana pré-colonial do litoral norte do Espírito Santo. A nova abordagem introduzida pelo projeto dará o passo inicial até a inserção e o diálogo dos estudos acadêmicos na área com a pesquisa arqueológica realizada em outros estados do Sul e do Sudeste.

1Celso Perota, comunicação pessoal, Vitória, jan. 2018.

2Modelo de Fladmark (1979).

AGRADECIMENTOS

Esta pesquisa surgiu como um desdobramento do projeto temático apresentado à FAPESP, intitulado “Estudos paleoambientais interdisciplinares na costa do Espírito Santo (PROJES)” (processo 2011/00995-7), coordenado pelo prof. Dr. Luiz C. R. Pessenda. Atualmente, a pesquisa conta com o apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (processo 402947/2016-9), sob coordenação da profa. Dra. Ximena S. Villagran.

REFERÊNCIAS

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Recebido: 17 de Janeiro de 2018; Aceito: 26 de Junho de 2018

Autora para correspondência: Ximena Suarez Villagran. Universidade de São Paulo. Av. Prof. Almeida Prado, 1466. São Paulo, SP, Brasil. CEP 05508-070 (villagran@usp.br)

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