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Revista Gaúcha de Enfermagem

versão On-line ISSN 1983-1447

Rev. Gaúcha Enferm. (Online) vol.31 no.1 Porto Alegre mar. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S1983-14472010000100022 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Absenteísmo na enfermagem: uma revisão integrativa

 

Absentismo en enfermería: una revisión integrativa

 

Absenteeism in nursing: an integrative review

 

 

Michele Cristiene Nachtigall Barboza MartinatoI; Danusa Fernandes SeveroII; Edison Alfredo Araújo MarchandIII; Hedi Crecencia Heckler de SiqueiraIV

IEnfermeira Especialista em Enfermagem do Trabalho, Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil
IIEnfermeira Especialista em Enfermagem em Cardiologia, Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da FURG, Bolsista CAPES, Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil
IIIMestre em Enfermagem/Saúde pela FURG, Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil
IVDoutora em Enfermagem, Docente do Programa de Mestrado e Doutorado em Enfermagem da FURG, Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil

Endereço da autora

 

 


RESUMO

O absenteísmo na enfermagem é um problema de extrema preocupação, o qual interfere no cuidado ao cliente, sobrecarrega os demais integrantes da equipe e pode levar ao adoecimento. Objetiva-se neste estudo conhecer as produções científicas nacionais, resumos de artigos, publicados no período de 2003 a 2008, abrangendo o tema absenteísmo dos profissionais de enfermagem. Realizou-se uma busca on-line, nas bases de dados: LILACS, SciELO, BDENF e Portal CAPES. Da análise emergiram dois temas: Doenças que geram o absenteísmo nos profissionais de enfermagem; e Estratégias criadas para minimizar o absenteísmo. Concluiu-se que os profissionais de enfermagem são acometidos por inúmeros problemas de saúde, sendo uma das causas do absenteísmo. Destacaram-se as estratégias do dimensionamento de pessoal e as ações preventivas como modos de estabelecerem melhores condições de trabalho, minimizando o absenteísmo.

Descritores: Absenteísmo. Enfermagem do trabalho. Saúde do trabalhador.


RESUMEN

El absentismo en la enfermería es un asunto de extrema preocupación, interferir con el cuidado del cliente, abruma a los otros miembros del equipo y puede conducir a la enfermedad. El objetivo de este estudio fue conocer la producción científica nacional, los resúmenes de artículos publicados desde 2003 hasta 2008, que abarca el tema de ausentismo de los profesionales de enfermería. Llevó a cabo una búsqueda en línea, en bases de datos: LILACS, SciELO, BDENF y el Portal de la CAPES. El análisis surgieron dos temas: Las enfermedades que generan en el ausentismo de los profesionales de enfermería, y las estrategias destinadas a reducir el absentismo. Llegó a la conclusión de que las enfermeras se ven afectados por numerosos problemas de salud, una de las causas de ausentismo. Destacó las estrategias para el diseño de las acciones personales y de prevención como la manera de establecer mejores condiciones de trabajo, reduciendo al mínimo el absentismo.

Descriptores: Absentismo. Enfermería del trabajo. Salud laboral.


ABSTRACT

Absenteeism in nursing staff is a matter of great concern. It interferes with client care, overwhelms other staff members and can cause serious diseases. The purpose of this study is to analyze the national scientific production and abstracts of articles published from 2003 to 2008, that cover the theme of absenteeism among nursing professionals. We carried out an online search in four databases: LILACS, SciELO, BDENF and CAPES Portal. Two themes emerged by the end of the analysis: (1) Diseases that generate absenteeism among nursing professionals and (2) strategies designed to reduce absenteeism. We concluded that nurses are affected by a number of health problems, and this is one of the causes of their absenteeism. Staff dimensioning and formulation of preventive actions are highlighted as strategies to improve working conditions and reduce absenteeism.

Descriptors: Absenteeism. Occupational health nursing. Occupational health.


 

 

INTRODUÇÃO

O consumismo, o individualismo, a competitividade e a agressividade do mercado atual de trabalho são algumas das características do mundo capitalista que o trabalhador vivencia, podendo interferir diretamente na sua saúde, gerando prejuízo para o profissional. O ambiente competitivo exige elevado dinamismo, grande esforço físico e psicológico, ultrapassando, muitas vezes, o limite da capacidade do trabalhador. Porém, para manter-se nesse mercado e garantir o emprego, o trabalhador se submete às exigências da instituição na qual se encontra. Assim, as reivindicações por produtividade e qualidade são intensas e crescentes, como também, são elevadas a inconstância e incerteza do emprego.

Seguindo nessa perspectiva, a competitividade expressa pelas exigências institucionais, aliada à insegurança no mercado de trabalho e associada à ausência de condições salubres do ambiente de trabalho, pode afetar a saúde do trabalhador, predispondo-o ao adoecimento e, por conseqüência, ao absenteísmo.

O absenteísmo caracteriza-se pela ausência do profissional ao emprego(1). Os motivos do absenteísmo podem ser inúmeros, entre eles, o adoecimento e o acidente de trabalho(2) devido as possíveis condições inseguras e inadequadas no trabalho(3) e/ou agentes estressantes que provocam desequilíbrio psicológico(4) e físico(5).

O absenteísmo é um fator causador de problemas para a equipe de enfermagem, visto que abrange a ausência de um profissional na equipe, sobrecarregando o trabalho dos demais, exigindo um ritmo mais acelerado, e responsabilizando-o por um volume maior de trabalho no processo de cuidar ao cliente. Essa sobrecarga poderá prejudicar a saúde do trabalhador, ocasionando desgaste físico, psicológico, social e espiritual; e, como consequência, o adoecimento. Evidencia-se que o problema do absenteísmo pode desencadear em cascata o adoecimento dos trabalhadores de enfermagem, gerado não apenas pela falta de alguns profissionais na equipe, mas impulsionado também pelo empenho dos demais em manter a qualidade do cuidado ao cliente.

A fim de contribuir com a investigação sobre a temática do absenteísmo na enfermagem objetiva-se conhecer as produções científicas nacionais que abordaram o absenteísmo dos profissionais de enfermagem, publicadas no período de 2003 a 2008.

 

MÉTODO

A pesquisa é do tipo revisão integrativa, a qual tem a finalidade de reunir e sintetizar resultado de pesquisa sobre um delimitado tema, de maneira sistemática e ordenada, sendo um instrumento para o aprofundamento do conhecimento a respeito do tema investigado, permitindo a síntese de múltiplos estudos publicados e conclusões gerais a respeito de uma particular área de estudo(6). Para a operacionalizar essa revisão, foram utilizadas as seguintes etapas: estabelecimento do objetivo da revisão integrativa, estabelecimento dos critérios para a seleção da amostra, definição das informações a serem extraídas dos artigos selecionados, análise dos resultados, apresentação e discussão dos resultados(7).

O estudo foi realizado por meio de busca on-line das produções científicas nacionais sobre o absenteísmo dos profissionais de enfermagem, no período de 2003 a 2008. A captura dessas produções foi processada por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), sendo utilizadas as bases de dados: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Bases de Dados em Enfermagem (BDENF), e o levantamento no portal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES). Estabeleceram-se como critérios para a seleção da amostra: artigos publicados no Brasil, no período de 2003 a 2008 e apresentar de maneira explicita os descritores absenteísmo e enfermagem no resumo. Os descritores utilizados na busca nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) foram "absenteísmo" e "enfermagem". Limitou-se a esses, pois, ao associar um terceiro descritor os artigos eram escassos, impossibilitando uma pesquisa aprofundada.

Inicialmente, ao utilizar o descritor absenteísmo obtiveram-se 213 resumos de artigos na base de dados LILACS, 43 no SciELO e 38 na base de dados BDENF. Posteriormente, refinando-o com o descritor Enfermagem, encontraram-se 42 resumos de artigos no LILACS, 14 no SciELO e 31 na BDENF. Em relação à busca realizada no portal CAPES a trajetória necessitou ser diferenciada devido à maneira de realizar o levantamento no site. Por isso foi utilizado o descritor absenteísmo em cada ano, acrescido da categoria pesquisa, estruturada em mestrado e doutorado, obtendo-se o total de uma tese e seis dissertações. Para facilitar a organização dos resumos de artigos encontrados realizou-se cópia.

A seguir, procedeu-se a leitura do material por inúmeras vezes, a fim de evidenciar e delimitar o que se faz indispensável para a obtenção de um estudo aprofundado. Para isso, considerou-se a temática apresentada no seu enquadramento dos critérios previamente estabelecidos, e a aderência ao objetivo proposto.

Notou-se que dos 42 resumos de artigos presentes no LILACS, um deles era igual à dissertação encontrada no portal CAPES, 12 eram iguais aos do SciELO, dois eram pesquisas internacionais, 17 estavam fora do período pesquisado, três não apresentavam associações com a temática, e um possuía o resumo incompleto. Perante o exposto, foram selecionadas seis pesquisas da base de dados LILACS para a análise. Já na BDENF, dos 31 resumos de artigos encontrados, três eram iguais as do SciELO, quatro eram iguais as do LILACS, 23 pesquisas não contemplavam o período pesquisado, e um resumo de artigo estava incompleto. Portanto, nesse banco de dados nenhuma pesquisa foi selecionada. No SciELO, dos 14 resumos de artigos encontrados, três foram excluídos pois dois não estavam associados à temática e o outro estava fora do período pesquisado; sendo assim, permaneceram para a análise 11 pesquisas do SciELO. No portal CAPES foram inseridos na pesquisa seis resumos de artigos, e excluído um por não conter informações suficientes sobre a temática. Portanto, dos 94 resumos de artigos encontrados, 23 foram incluídos na pesquisa, pois estavam relacionados à temática, ao objetivo desse estudo e contemplavam os critérios de inclusão estabelecidos.

No seguimento, para facilitar a visualização estrutural e lógica do estudo, fez-se a confecção de fichas de leitura, com o intuito de destacar as unidades de registro para agrupar os diferentes temas(8).

 

APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Em relação aos locais de realização das 23 pesquisas analisadas, obteve-se o seguinte resultado: 13 (56,52%) pesquisas foram realizadas no estado de São Paulo, três (13,04%) no Paraná, três (8,04%) no Rio de Janeiro, dois (8,69%) em Minas Gerais, e uma (4,34%) no estado do Rio Grande do Sul, assim como, uma (4,34%) no Amazonas. Quanto às instituições em que foram desenvolvidas as pesquisas: 22 (95,65%) foram realizadas em instituições hospitalares, tanto privadas quanto públicas, e somente uma (4,34%) em unidade básica de saúde no estado de São Paulo.

Ao analisar as metodologias utilizadas, 16 (69,56%) estudos empregaram a abordagem quantitativa, três (13,04%) a revisão bibliográfica, três (13,04%) a qualitativa e um (4,34%) quanti-qualitativa. As análises realizadas da tese e das dissertações do portal CAPES possibilitou identificar as estratégias para minimizar o absenteísmo, enquanto os estudos selecionados na BVS evidenciaram a doença como motivo desencadeador do absenteísmo. A análise dos resumos dos artigos também evidenciou que a principal causa do absenteísmo na enfermagem são as doenças que acometem os profissionais de enfermagem, seguida da licença maternidade.

O método de análise temática possibilitou analisar, interpretar e agrupar os dados semelhantes. Desse agrupamento emergiram dois temas: Tema 1 – Doenças que geram o absenteísmo nos profissionais de enfermagem; Tema 2 – Estratégias encontradas para minimizar o absenteísmo.

Tema 1: Doenças que geram o absenteísmo nos profissionais de enfermagem

A doença tem como significado a falta ou perturbação da saúde(9) enquanto o absenteísmo é a ausência dos trabalhadores ao trabalho(1). Essa ausência, geralmente ocorre por motivo de doença. Esse fato pode provocar no trabalhador mal estar, indisposição e a não execução da sua atividade de trabalho. Dos 23 resumos de artigos selecionados 15 (65,21%) associaram o absenteísmo a um motivo de doença específica, enquanto seis (26,08%) não tipificaram a doença mais expressiva causadora do afastamento do trabalhador, mas, indicaram o agravo à saúde como causador do absenteísmo. Ao somar as pesquisas que apresentaram de forma explícita o tipo de doença que causa o absenteísmo, com as que simplesmente atribuíram a algum agravo o percentual de absenteísmo ocasionado por doença, abrangeu 91,30% delas.

Quatro resumos de artigos (17,39%) apontaram o adoecimento da saúde mental dos trabalhadores de enfermagem como causa do absenteísmo(3,5,10,11). O profissional de enfermagem necessita lidar cotidianamente com a angustia e sofrimento dos pacientes assistidos por ele, os quais se encontram em processo de morte(12). Dessa forma, o risco mental ocasionado por pressões psicológicas é característico do próprio objeto de trabalho dos profissionais de enfermagem, a doença e/ou o ser doente.

A doença osteomuscular é um problema no cotidiano dos profissionais de enfermagem, é identificado pelos pesquisadores como decorrência do risco ergonômico que os profissionais estão expostos no seu ambiente de trabalho. Foram identificadas três (13,04%) pesquisas que citam, entre outras doenças, as osteomusculares como causa do absenteísmo nos trabalhadores de enfermagem(4,11,13). A exposição contínua e prolongada do corpo aos fatores de risco, no ambiente de trabalho inadequado, favorece o surgimento das doenças ocupacionais e osteomusculares(14). Sendo assim, o próprio ambiente de trabalho pode ser o causador do adoecimento, e por consequência, do afastamento do profissional. Portanto, os trabalhadores tendem a adoecer quando as condições de trabalho não são favoráveis.

As doenças do aparelho respiratório foram consideradas em quatro (17,39%) pesquisas como motivo desencadeador do absenteísmo. As doenças respiratórias são caracterizadas como moléstias de grande frequência causadora do absenteísmo(13,15,16). Podem ser causadas tanto por risco químico devido aspirações de elementos químicos, por elementos biológicos presentes no ambiente de trabalho, ou por doenças não relacionadas ao ambiente de trabalho, como uma gripe, pneumonia ou outra doença respiratória.

As doenças do aparelho geniturinário foram citadas por duas (8,69%) pesquisas(13,16). Esse problema possivelmente está relacionado à categoria profissional estudada ser tipicamente feminina.

E finalmente, foi citada por cada uma (4,34%) pesquisa as seguintes doenças: mal definidas e infecto-parasitárias(16), órgãos dos sentidos(13), aparelho reprodutor(13), relacionadas ao trabalho(17), cardiovasculares(11) e os acidentes de trabalho(2) como causadoras do absenteísmo na enfermagem.

Os profissionais de enfermagem são os trabalhadores mais susceptíveis aos acidentes em ambiente de trabalho, isso ocorre, porque suas atividades estão direcionadas ao fazer em saúde, prestando a assistência direta ao paciente(18). Sendo assim, os acidentes de trabalho possuem uma relação direta com o absenteísmo na enfermagem.

As patologias relacionadas ao trabalho são patologias crônicas e recidivas, de difícil tratamento, possibilitando gerar incapacidade para a vida. Além disso, possuem associação direta com as condições e a organização do trabalho(19). Assim sendo, os profissionais de enfermagem por executarem suas atividades em condições desfavoráveis estão predispostos ao desenvolvimento dessas doenças.

Enfim, perante a análise dos resumos dos artigos foi possível identificar as inúmeras doenças que podem levar ao absenteísmo dos profissionais de enfermagem. Além disso, ficou evidenciado o ambiente de trabalho como causa de adoecimento. Portanto, o absenteísmo pode ocorrer pelo desencadeamento de riscos existentes no local de trabalho que predispõem esse trabalhador a problemas de saúde ou, até mesmo, incapacidades permanentes.

Tema 2: Estratégias encontradas para minimizar o absenteísmo

O absenteísmo dos profissionais de enfermagem é um fato presente em qualquer outro grupo de trabalhadores. Entretanto, especificamente na enfermagem as consequências do absenteísmo podem interferir, diretamente, nas ações relacionadas com o cuidado do cliente, prejudicando-o no seu atendimento e consequentemente em sua saúde como um todo.

Nessa perspectiva, o absenteísmo representa um problema importante na enfermagem, necessitando ser minimizado, para melhorar o cuidado ao cliente e, ao mesmo tempo, tornar o trabalhador mais saudável.

Ao analisar as 23 pesquisas a respeito do absenteísmo na enfermagem, 13 (56,52%) delas sugeriram estratégias para minimizar esse problema. Ficaram evidenciadas duas idéias ou duas maneiras como soluções possíveis de implementação, a fim de diminuir o absenteísmo na enfermagem: a utilização de instrumentos de dimensionamento de pessoal de enfermagem e o uso de ações preventivas, para tornar as condições de trabalho mais adequadas. Essas soluções poderiam, segundo os autores, diminuir os índices elevados de absenteísmo na categoria profissional estudada.

Das 13 pesquisas que abordavam estratégias para diminuir o absenteísmo, oito (61,53%) pesquisas sugeriram as ações preventivas como maneira de melhorar as condições de trabalho e torná-las adequadas ao seu desenvolvimento. Enquanto cinco (38,46%) pesquisas indicavam o dimensionamento de pessoal como forma de minimizar o absenteísmo na enfermagem.

As condições inadequadas de trabalho vivenciadas pelos profissionais de enfermagem podem acarretar em inúmeros problemas de saúde: transtornos alimentares, de sono, de eliminação, fadiga, estresse, diminuição do estado de alerta, desorganização no meio familiar e neuroses(16). Além disso, a equipe de enfermagem encontra-se exposta a todos os tipos de riscos, físicos, biológicos, ergonômicos, psicológicos e de acidentes em seu ambiente de trabalho. Sendo assim, esses problemas podem afetar diretamente a saúde dos trabalhadores, desencadeando o adoecimento e, consequentemente, provocar o absenteísmo.

O uso de ações preventivas para tornar adequadas as condições de trabalho dos profissionais de enfermagem são citadas pelos autores das pesquisas(10,11,13,17,20-22),os quais propõem a sua implementação com o propósito de minimizar os efeitos nefastos do absenteísmo.

Dessa forma, o adoecimento pode ser reduzido com adoção de políticas preventivas(11,21), enfatizando o suporte administrativo, relacionamento interpessoal, e divisão adequada de trabalho com número suficiente de profissionais de enfermagem(10), possibilitando assim, a redução ou eliminação dos riscos existentes(11,13,20,22). Ao elaborar programas e ações preventivas para melhoria das condições de trabalho, promove-se assim, sua saúde, respeitando o trabalhador e proporcionando-lhe um ambiente saudável(11,13,17,20). Entretanto, essas estratégias devem ser apoiadas pelo gerenciamento para possibilitar a redução de estresse laboral e implementar um programa de saúde do trabalhador(10). Desta forma, percebemos que para promover a saúde do trabalhador necessita-se utilizar políticas preventistas que propiciam um ambiente saudável, melhorando as condições de trabalho, nas quais, poderão diminuir o absenteísmo na enfermagem.

Por outro lado, o dimensionamento de pessoal foi considerado outra estratégia pelos pesquisadores estudados(23-27), por tratar-se de um método gerencial que permite uma adequação dos recursos humanos às reais necessidades de assistência(28). Ou seja, o dimensionamento de pessoal avalia de maneira sistemática as ausências dos profissionais das equipes de saúde, gerando a identificação dos índices de absenteísmo, especificando-os por unidade de serviço, subsidiando a avaliação do quadro de pessoas na organização de saúde(25) e, assim, auxiliando no (re)planejamento dos recursos humanos na enfermagem(24). Além disso, o dimensionamento fundamenta e enriquece o poder de argumentação do enfermeiro frente à administração, defendendo a melhoria das condições de trabalho, visando o cuidado de enfermagem com qualidade(26,27), de modo seguro, inovador, autônomo e participativo(23).

O dimensionamento de pessoal na enfermagem é um importante instrumento de auxilio e suporte para o enfermeiro prover o quantitativo e qualitativo, suficiente de trabalhadores para a realização das atividades de enfermagem. Esse instrumento projetado com base nas reais necessidades a serem oferecidas numa determinada unidade, promove a melhoria da qualidade na assistência de enfermagem e não sobrecarrega o trabalhador.

O dimensionamento de pessoal, visto sob essa ótica, representa um instrumento/estratégia que pode minimizar o absenteísmo na enfermagem. Além da função de proteção ao cliente/usuário, aumenta a segurança do trabalhador porque ao prever o índice de segurança, parte do planejamento desse instrumento, realiza o acréscimo necessário para cobrir os imprevistos que podem ocorrer com a equipe de enfermagem ao longo das 24 horas de trabalho.

 

CONCLUSÕES

Essa pesquisa evidencia que os profissionais de enfermagem são acometidos por inúmeras doenças, como mentais, do aparelho respiratório, reprodutor, geniturinário, osteomuscular, acidentes de trabalho, entre outras. Esses problemas de saúde, geralmente, apresentam associação com as condições inadequadas de trabalho, vivenciadas pela equipe de enfermagem. Os profissionais de enfermagem expostos a essas condições de trabalho estão susceptíveis a desenvolver doenças que predispõem ao absenteísmo.

Constatou-se que a elaboração de estratégias para minimizar os índices de absenteísmo é necessária, pois visam à promoção da saúde dos trabalhadores. Essas estratégias realizadas por meio de programas e ações preventivas buscam além da melhoria nas condições de trabalho, oferecer formas positivas de enfrentamento das adversidades no ambiente de trabalho e dessa maneira favorecer tanto a qualidade na assistência prestada ao usuário, como também, a saúde dos profissionais de enfermagem.

Evidenciou-se também nesse estudo que o dimensionamento adequando de pessoal é um importante instrumento para minimizar o absenteísmo na enfermagem. Tal fato ocorre pelo estabelecimento de recursos humanos suficientes para prestar de forma adequada o cuidado à clientela. Esse recurso repercute diretamente na qualidade da assistência prestada porque a dimensão quantitativa e qualitativa em relação aos recursos humanos devem estar de acordo com as necessidades do grupo de clientes a ser atendido. Sendo assim, o dimensionamento de pessoal na enfermagem está relacionado tanto com a promoção da saúde dos trabalhadores como com a saúde dos clientes, pois oportunizam condições favoráveis de trabalho, respeitando o trabalhador e o cliente.

Os resultados da produção científica a respeito do absenteísmo na enfermagem subsidiam a área gerencial, assistencial e de ensino. Entretanto, é necessário sensibilizar a própria instituição para compreender a importância do dimensionamento da equipe de enfermagem para cada unidade assistencial. Essa sensibilização pode beneficiar o cliente/usuário, pois facilitaria uma enfermagem mais presente no processo de cuidar, a instituição pela qualidade de serviço prestado à comunidade e, principalmente, favoreceria a saúde dos trabalhadores contribuindo para prevenir a sobrecarga de atividades, e a diminuição de patologias desnecessárias, e consequentemente o absenteísmo.

 

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Endereço da autora:
Michele Cristiene Nachtigall Barboza Martinato
Rua Barão de Santa Tecla, 213, ap. 202
96010-140, Pelotas, RS
E-mail: michelenachtigall@yahoo.com.br

Recebido em: 27/10/2009
Aprovado em: 09/03/2010

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