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Revista Gaúcha de Enfermagem

On-line version ISSN 1983-1447

Rev. Gaúcha Enferm. (Online) vol.32 no.3 Porto Alegre Sept. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1983-14472011000300026 

RELATO DE EXPERIÊNCIA

 

Ateliê de projetos físicos: estratégia para aprendizagem de administração de recursos físicos em enfermagem

 

Taller de diseño físico: estrategia hacia aprendizaje de administración de recursos físicos en enfermería

 

Physical design atelier: strategy for physics resources administration learning on nursing

 

 

Patricia Bover DraganovI; Maria Cristina SannaII

IEnfermeira e Arquiteta, Especialista em Gerenciamento e Administração de Serviços de Enfermagem, Mestranda do Programa de Pós-Graduação Senso Estrito da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, Brasil
IIDoutora em Enfermagem, Orientadora Credenciada junto à Pós-graduação Senso Estrito da UNIFESP, São Paulo, Brasil

Endereço da autora

 

 


RESUMO

O sucesso da aprendizagem envolve estratégias adequadas. Aquelas inspiradas na Andragogia, que é a arte e a ciência de ensinar adultos, parecem ser ideais para o ensino do tema projetos, conteúdo de administração de recursos físicos ministrado na graduação em enfermagem. O objetivo é relatar estratégia de ensino que estimula a aquisição de competências que tornem o enfermeiro capaz de dialogar, com a equipe multiprofissional, sobre projetos. A estratégia envolveu oficina composta por quatro etapas: leitura de projetos, atribuições do estabelecimento assistencial de saúde (EAS), noções de dimensionamento físico e elaboração de glossário de termos. A estratégia, proposta por aluna de disciplina de prática educacional de programa de pós-graduação senso estrito, foi testada, avaliada e aprovada em oficina por alunos e professores. As condições para aplicação dessa estratégia envolvem trabalho com poucos alunos, salas próprias, equipamentos disponíveis e parcerias com EAS.

Descritores: Aprendizagem. Modelos educacionais. Ensino. Educação em enfermagem.


RESUMEN

El éxito de aprendizaje implica estrategias adecuadas. Aquellas inspiradas en la andragogia, que es la arte y la ciencia de enseñar adultos, parecen ser ideales hacia lo enseñanza de los proyectos, contenidos de administración de los recursos físicos ministró en la graduación de enfermería. El objetivo es describir una estrategia de enseñanza que búsqueda la adquisición de competencia que tornen el enfermero capaces de tratar, con el personal multiprofissional, sobre proyectos. El taller consta de cuatro pasos: lectura de proyectos, tareas de los establecimientos de salud, nociones de diseño físico y preparación de un glosario de términos. La estrategia, que fue propuesto por estudiante de la disciplina de la práctica educativa en el programa de postgrado sentido estricto, se puso a prueba en el taller cuando fue evaluado y aprobado por los estudiantes y profesores. Las condiciones para aplicación consiste en trabajar con pocos alumnos, salas propias, equipamientos disponibles y sociedad con establecimiento asistencial de salud.

Descriptores: Aprendizaje. Modelos educacionales. Enseñanza. Educación en enfermería.


ABSTRACT

The success of learning involves adequate strategies. Those inspired on andragogy, which is the science of teaching adults, seem to be ideal for the nursing undergraduate subject "projects", with a focus on the administration of physical resources for nursing. This study reports teaching strategies that try to estimulate the acquisition of competences that make the nurse capable of a dialogue on projects with a multiprofessional team. The strategy involved a workshop composed by four stages: reading of projects, health assistance institute (HAI) attributions, notions on physical scaling strategies and development of a glossary. The strategy, proposed by a graduate student in the subject “Strategies to the teaching of Administration”, was tested through practical application, evaluated and approved by graduate students and teachers. The conditions for its implementation are working with few students, availability of proper classrooms and equipment, and partnership with HAIs.

Descriptors: Learning. Models, educational. Teaching. Education, nursing.


 

 

INTRODUÇÃO

Esse artigo relata aplicação prática de estratégia de ensino, de tema que envolve conhecimentos interdisciplinares, decorrentes da aproximação da enfermagem com a arquitetura. Nomeada "Ateliê de Projetos", a estratégia objetivou estimular a aquisição de competências que tornem o enfermeiro capaz de dialogar sobre projetos físicos, ou seja, desenvolver a capacidade de realizar leitura básica de projetos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS), conhecer atribuições e funções dos compartimentos físicos dos EAS, ter noções de dimensionamento espacial e familiarizar-se com termos próprios de projetos de EAS.

A escolha e elaboração de estratégias de ensino são atividades que exigem percepção e criatividade do professor para despertar, no aluno, sensações ou estados de espírito carregados de vivência pessoal renovadora e profunda(1). Para tanto, o professor deve usar metodologias que facilitem o alcance dos objetivos de ensino.

Na metodologia dialética, o professor deve propor ações que desafiem o aluno com o uso de estratégias que despertem desejo de aprender, por meio do exercício da construção e síntese de novos conteúdos(1). Para escolha da metodologia, teoria e modelos de ensino, o professor também deve levar em consideração as características do aluno pois, à medida que o aluno amadurece, torna-se menos dependente do professor, o que requer adequação do processo de ensino(2).

A formação do enfermeiro tem como foco constante o aluno adulto, e a andragogia, que é arte e ciência de conduzir adultos ao aprendizado(3), favorece esse olhar. A andragogia compartilha pressupostos com a metodologia dialética, por considerar: a disposição, experiências e identidade do aluno.

A Enfermagem é uma área que comporta temas interdisciplinares, como projetos físicos de EAS, ensinado no conteúdo de Administração em Enfermagem, que considera: arquitetura, projeto, decoração, legislação, denominação e função dos compartimentos, segurança do cliente, dos profissionais e riscos ocupacionais(4). Sua abordagem requer seleção cuidadosa de estratégia facilitadora, pois o tema é extenso, detalhado e específico de outra área de conhecimento - Arquitetura. No presente estudo, utilizou-se, como referencial desse conteúdo, a Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº 50/2002, que dispõe sobre o Regulamento técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos de EAS(5).

A motivação para o presente relato partiu do interesse em facilitar a aprendizagem que, fundamentada no modelo andragógico e na metodologia dialética, se desenvolveu na formulação da estratégia "Ateliê de Projetos". Assim, o objetivo do relato de experiência foi descrever o planejamento e aplicação dessa estratégia, desenvolvida com alunos da pós-graduação senso-estrito em Enfermagem, que cursavam a disciplina "Estratégias para o Ensino de Administração em Enfermagem".

 

MÉTODO

Essa estratégia foi concebida e aplicada por aluna da pós-graduação, graduada em arquitetura e em enfermagem, com dez alunos da pós-graduação senso-estrito e dois professores responsáveis pela disciplina, na Escola de Enfermagem da Universidade Federal de São Paulo.

Como recurso metodológico de ensino, se utilizou a técnica de oficina, que estimula a aprendizagem de conceitos por meio de espaços e ferramentas, favorecidos pela horizontalidade, na qual a relação humana se dá e facilita o experimento, em um movimento de reconstrução individual e coletiva, estimulando que os estudantes materializem suas produções(1).

A estratégia elaborada envolveu quatro etapas, descritas a seguir.

Preparo do ambiente e organização dos materiais

A sala de aula foi estruturada como ateliê, disponibilizando música, mesas grandes e bancos, que formaram quatro estações em disposição semicircular para que todos pudessem visualizar os trabalhos. Desenhos arquitetônicos de EAS compuseram a decoração.

Para viabilização da estratégia, foram necessários materiais e equipamentos como: plantas-físicas de EAS, símbolos de equipamentos, mobiliário e instalações, quebra-cabeça com atribuições de EAS e caixa contendo filipetas com descrições dos serviços de cada atribuição. Também se empregou planta-baixa de enfermaria obstétrica, miniaturas tridimensionais de mobiliário, computadores conectados à internet e figuras de projetos.

Os alunos foram divididos em quatro grupos, distribuídos por tarefas, progredindo para a estação seguinte, após o término da atividade anterior.

Orientações sobre a aula

A primeira etapa da aula envolveu técnica de exposição dialogada(1) sobre a atividade, proposta, bem como enunciação de objetivos de aprendizagem, quando se discutiu e decidiu, em conjunto, os detalhes organizacionais da oficina.

Execução da oficina

Leitura de projetos

O projeto arquitetônico é composto por símbolos que garantem o significado da estrutura quanto a fluxos, materiais e conforto, entre outros. Para discutir projetos, é necessário executar a leitura desses desenhos.

Nessa estação, foi oferecido quebra-cabeça com planta-baixa e desenhos proporcionais de símbolos de instalações, mobiliário e equipamentos separados das linhas de contorno do compartimento, no caso, sala de curativos e sala de isolamento (Figura 1). O aluno, por meio de "dicas escritas", foi estimulado a compor um projeto, conectando os desenhos à planta-baixa, favorecendo, assim, o reconhecimento de símbolos arquitetônicos em projetos. Após essa atividade, o grupo recebeu projetos de EAS, para exercitar a leitura.

 

 

Atribuições do estabelecimento assistencial de saúde (EAS)

O espaço físico do EAS é composto por oito atribuições (Figura 2) que reúne grupos de serviços característicos. Essa atividade foi estruturada a partir de quebra-cabeça de oito peças, contendo as atribuições de EAS, formando uma lamparina, símbolo da enfermagem. Após montar a lamparina e compreender o que compõe o EAS, foi entregue uma caixa com filipetas contendo descrições de serviços de cada unidade funcional, para que fossem organizados de acordo com as atribuições. Entre os serviços havia nomes sem relação com o assunto, para estimular reflexões e tornar a atividade lúdica. A Figura 3 exibe os materiais empregados.

 

 

 

 

Noções de dimensionamento

Para segurança e conforto do paciente, o dimensionamento, fluxos e medidas dos ambientes devem ser observados.

Para essa estação, se ofereceu planta-baixa de quarto de enfermaria obstétrica, em escala 1:25, e mobiliários tridimensionais, a serem dispostos, respeitando-se as normas estabelecidas pelo referencial teórico utilizado - RDC50(5) (Figura 4).

 

 

Elaboração de glossário de termos de EAS

Para discussões acerca de projetos arquitetônicos, é fundamental reconhecer termos técnicos da área. Dessa forma, foram oferecidos computadores conectados à internet, para elaboração do glossário. Os estudantes acessaram o endereço eletrônico da RDC50, buscaram termos desconhecidos, identificaram seus significados e, por fim, confeccionaram o glossário.

Avaliação

A avaliação envolveu discussão dirigida ou técnica de socialização para solução conjunta de problemas(1). Os alunos foram estimulados a apresentar seus produtos e discuti-los. A avaliação da aprendizagem deu-se por meio da auto-avaliação, por pares(6) e pelo professor, com uso de roteiro.

Os participantes da oficina verbalizaram aquisição de novos conhecimentos e necessidade de desenvolverem habilidades com dimensões espaciais. Também indicaram que o uso de dois ou mais kits das estações permitiria atender mais alunos, a disponibilidade de duas horas-aula facilitaria experenciar as quatro estações, a visita monitorada à EAS, para que os espaços físicos reais pudessem ser cotejados com o exercício teórico-prático proposto, complementaria a aprendizagem do tema, e o uso de computadores móveis conectados à internet, cedidos e compartilhados pelos alunos, seria alternativa para concluir a última etapa, caso a escola não oferecesse essa ferramenta.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A metodologia dialética propõe o emprego de operações mentais com uso de estratégias que despertem desejo de apreender, por meio do exercício de análise e síntese de novos conteúdos, e a simulação de sua aplicação prática. A formação do enfermeiro tem como foco constante o aluno adulto e a andragogia corrobora com a metodologia dialética, por considerar: disposição, experiências e identidade do aluno, estimulando o desenvolvimento de profissionais seguros, flexíveis, que conhecem, têm habilidades e atitudes para lidar com a diversidade de situações, preparando o indivíduo para viver em sociedade.

A estratégia "Ateliê de Projetos", voltada ao ensino de conteúdo que requer o trânsito interdisciplinar entre arquitetura e enfermagem, foi uma oficina fundamentada na andragogia e na metodologia dialética que favoreceu a aprendizagem, como diagnosticado na avaliação efetuada por aqueles que dela participaram.

 

REFERÊNCIAS

1. Anastasiou LGC, Alves LP. Processos de ensinagem na universidade: pressupostos para as estratégias de trabalho em aula. 3ª ed. Joinville: Univelle; 2004.         [ Links ]

2. Timmins F. Take time to facilitate self-directed learning. Nurse Educ Pract. 2008;8(5):302-5.         [ Links ]

3. Knowles MS, Holton III, Swanson RA. Aprendizagem de resultados: uma abordagem para aumentar a efetividade da educação corporativa. Rio de Janeiro: Elsevier; 2009.         [ Links ]

4. Sanna MC. A estrutura do conhecimento sobre administração em enfermagem. Rev Bras Enferm [Internet]. 2007 [citado 2009 nov 23];60(3):336-8. Disponível: http://www.scielo.br/pdf/reben/v60n3/a17.pdf.         [ Links ]

5. Ministério da Saúde (BR), Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC50, de 21 de fevereiro de 2002: dispõe sobre regulamento técnico para planejamento, programação, avaliação, elaboração de projetos físicos de EAS [Internet]. Brasília (DF); 2002 [citado 2010 nov 23]. Disponível: http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/2002/50_02rdc.pdf.         [ Links ]

6. Domingues RCL, Amaral E, Zeferino AMB. Auto-avaliação e avaliação por pares: estratégia para o desenvolvimento profissional médico. Rev Bras Educ Med [Internet]. 2007 [citado 2010 jun 23];31(2):173-5. Disponível: http://www.scielo.br/pdf/rbem/v31n2/07.pdf.         [ Links ]

 

 

Endereço da autora:
Patricia Bover Draganov
Av. Rudge Ramos, 1501
09636-000, São Bernardo do Campo, SP
E-mail: patricia.bover@ig.com.br

Recebido em: 11/02/2011
Aprovado em: 31/08/2011

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