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Revista Gaúcha de Enfermagem

versão On-line ISSN 1983-1447

Rev. Gaúcha Enferm. vol.36 no.3 Porto Alegre jul./set. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/1983-1447.2015.03.58243 

Editorial

Processo de comunicação científica em enfermagem

Francisco Carlos Félix Lana a  

aUniversidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Escola de Enfermagem, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil


"A comunicação científica pode ser entendida como o conjunto de esforços, facilidades, processos dinâmicos e complexos, consensual e socialmente compartilhados, por meio dos quais o conhecimento científico é criado, compartilhado e utilizado. Tais processos também oferecem meios e condições para a interação social entre membros de comunidades científicas, contribuindo, portanto, para a produção, disseminação e uso do conhecimento e, consequentemente, para o avanço da ciência"( 1 ).

As novas possibilidades tecnológicas com a introdução em larga escala das redes eletrônicas na comunicação científica e a busca da legitimação de novas formas de comunicação científica na internet desencadearam uma reconfiguração dos elementos da comunicação afetando diretamente a geração, disseminação e uso da informação científica.

No processo de comunicação científica, o artigo científico (e seu veículo, a revista), principalmente, a partir da institucionalização da ciência e a especialização dos saberes, configurou-se como principal marco na constituição da estrutura científica ao atender a finalidade de maior eficiência e eficácia na transferência da informação em larga escala. Entretanto, cabe ressaltar que, na atualidade, o artigo científico vem se constituindo mais um recurso de regulação das atividades científicas (dos pesquisadores e das instituições) do que uma forma universal de comunicação do desenvolvimento da ciência.

Desse modo, deve-se atentar para as criticas que se fazem aos modelos tradicionais de análise que conferem aos artigos científicos o privilégio para examinar a atividade científica e realizar inferências sobre o estado da ciência; isto é, "não se pode reduzir a atividade científica à produção, à circulação e ao consumo de artigos de periódicos e, muito menos, confundir o crescimento quantitativo de artigos com o desenvolvimento cognitivo da ciência. Trata-se de não apenas quantificar e constatar, mas de atribuir sentido aos dados, qualificando-os para que possam ter melhor uso em políticas de ciência e tecnologia, por cada especialidade ou grupo de pesquisa, ou em contextos culturais, políticos, ideológicos e econômicos mais abrangentes tanto nacionais como internacionais( 2 ).

Analisar o processo de comunicação científica em enfermagem implica em: a) mapear as fontes de informação (quem, o que e onde); b) identificar as estratégias que possibilitam a recuperação ou a aquisição das informações (acesso ao conhecimento produzido); c) armazenagem ou organização do conhecimento; d) compartilhamento (meios de comunicação e difusão) e; e) criação (pesquisa científica)( 1 ).

Faz-se imperativo entender como cada um dos elementos mencionados acima estão organizados ou priorizados nos distintos espaços institucionais que tratam da produção/criação, sistematização e difusão do conhecimento da área de Enfermagem. Essa compreensão é vital para o desenvolvimento de estratégias que favoreçam o desenvolvimento do conhecimento de enfermagem enquanto ciência e por conseguinte, amplifique sua visibilidade e difusão de modo a alcançar patamares superiores de influência na qualidade do cuidado e das práticas de saúde.

Nesse sentido, é necessário fortalecer iniciativas e ações estratégicas que se dirigem para o desenvolvimento do campo da comunicação científica em enfermagem, com destaque para a iniciativa BVS Enfermagem e o Portal de Revista REV@ ENF, o Fórum de Editores de Revistas, a Rede Ibero-americana de Editoração Científica em Enfermagem, dentre outras.

Esforços devem ser feitos para se avançar em uma nova arquitetura temática e de terminologia em enfermagem de modo a proporcionar estratégias bibliográficas para a sistematização do conhecimento e ampliar as possibilidades de recuperação da informação, bem como sua consequentemente visibilidade. Também, esforços devem convergir para a criação e desenvolvimento de estratégias e ações que identifiquem novos fluxos e relações de compartilhamento entre pesquisadores, instituições e editores.

Um outro aspecto que merece reflexão é a qualidade da comunicação científica. A adoção dos consensos internacionais para a comunicação científica por parte das Revistas pode contribui de sobremaneira para melhorar a comunicação e difusão, além, obviamente das desejada repercussão no campo das evidências para a fundamentação do cuidado.

Enfim, o campo da comunicação científica em enfermagem deve ser capaz de sensibilizar e mobilizar instituições e lideranças nacionais e internacionais de modo a construir sustentabilidade técnica e política necessária para proteger e desenvolver o patrimônio técnico científico da enfermagem.

References

. Leite FCL, Costa SMS. Gestão do conhecimento científi co: proposta de um modelo conceitual com base em processos de comunicação científi ca. Ci Inf [Internet]. 2007 [citado 2015 ago. 28];36(1):92-107. Disponível em: https://www.sct.embrapa.br/publicacoes/FernandoLeite_CI.pdfLinks ]

. Santos RNM, Kobashi NY. Bibliometria, cientometria, infometria: conceitos e aplicações. Pesq Bras Ci Inf. 2009;2(1):155-72. [ Links ]

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