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Revista Gaúcha de Enfermagem

versão On-line ISSN 1983-1447

Rev. Gaúcha Enferm. vol.37 no.3 Porto Alegre  2016  Epub 29-Set-2016

https://doi.org/10.1590/1983-1447.2016.03.57321 

Artigos Originais

Mulheres catadoras de materiais recicláveis: condições de vida, trabalho e saúde

Mujeres seleccionadoras de materiales reciclables: condiciones de vida, trabajo y salud

Alexa Pupiara Flores Coelhoa 

Carmem Lúcia Colomé Becka 

Marcelo Nunes da Silva Fernandesb 

Natiellen Quatrin Freitasc 

Francine Cassol Prestesa 

Juliana Zancan Toneld 

aUniversidade Federal de Santa Maria (UFSM), Departamento de Enfermagem, Grupo de Pesquisa Trabalho, Saúde, Educação e Enfermagem. Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil.

bPrefeitura Municipal de Santa Maria. Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil.

cHospital Universitário de Santa Maria. Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil.

dCentro Universitário Franciscano (UNIFRA), Programa de Residência Multiprofissional em Saúde. Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil.


RESUMO

Objetivo

Conhecer elementos relacionados às condições de vida, ao trabalho e à saúde de mulheres catadoras de materiais recicláveis, cooperativadas em um município do estado do Rio Grande do Sul, Brasil.

Método

Estudo qualitativo, exploratório-descritivo, com sete catadoras de uma cooperativa de reciclagem. A produção de dados incluiu observação participante, entrevistas semiestruturadas e grupo focal, de julho a agosto de 2013. Utilizou-se a análise de conteúdo.

Resultados

Emergiram as seguintes categorias temáticas: Trabalho feminino, informalidade e precariedade; Vivências de satisfação no trabalho; e Condições de trabalho e saúde: as experiências com acidentes, adoecimento e serviços de saúde.

Conclusão

Evidenciou-se a precariedade que caracteriza a atividade laboral das catadoras de materiais recicláveis, as quais estão expostas a riscos potenciais à saúde como sobrecarga de trabalho, acidentes, adoecimento e inseguridade social, bem como o papel da enfermagem no sentido de promover ações em prol da saúde e inclusão dessas trabalhadoras.

Palavras-Chave: Saúde do trabalhador; Condições de trabalho; Catadores; Enfermagem; Trabalho feminino

RESUMEN

Objetivo

Conocer los elementos relacionados con las condiciones de vida, trabajo y salud de mujeres recolectora de materiales reciclables, cooperativitas en una ciudad de Rio Grande do Sul, Brasil.

Método

Estudio cualitativo, exploratorio-descriptivo, con siete sujeto de una cooperativa de reciclaje.. La recolección de datos incluyó observación participante, entrevistas semiestructuradas y grupo focal, de julio a agosto de 2013. Para análisis, se utilizó el análisis de contenido.

Resultados

Surgieron las siguientes categorías temáticas: Trabajo femenino, informalidad y precariedad; Experiencias de satisfacción en el trabajo; y condiciones de trabajo y salud: las experiencias con accidentes, enfermedad y los servicios de salud.

Conclusión

Se mostró la precariedad que caracteriza la actividad laboral de los recolectores de materiales reciclables, quienes están expuestas a los riesgos potenciales para la salud, tales como la sobrecarga de trabajo, los accidentes, las enfermedades y la inseguridad social, así como el papel de la enfermería con el fin de promover acciones para la salud y la inclusión de estas trabajadoras.

Palabras-clave: Salud laboral; Condiciones de trabajo; Recolectoras; Enfermería; Trabajo femenino

ABSTRACT

Objective

To know the elements of work, health, and living conditions of women who pick recyclable waste and are members of a waste cooperative in a town of the state of Rio Grande do Sul, Brazil.

Method

This is a qualitative, exploratory and descriptive study with seven subjects. Data were collected through participative observation, semi structured interview, and a focus group from July to August of 2013. The data were subjected to content analysis.

Results

The following thematic categories emerged: Women’s work, informality and precariousness; Experiences of job satisfaction; and Working conditions and health: experiences with accidents, illness and health services.

Conclusion

It was concluded that the women who collect recyclable material are exposed to precarious work conditions and potential health risks, such as work overload, accidents, illness, and social insecurity, and that nurses are responsible for promoting actions that ensure the health and inclusion of these workers.

Key words: Occupational health; Working conditions; Solid waste segregators; Nursing; Women, working

INTRODUÇÃO

O trabalho dos catadores de materiais recicláveis inclui a catação, separação, transporte, acondicionamento e, às vezes, beneficiamento de resíduos sólidos para reutilização ou reciclagem. Estima-se que cerca de 1,5% da população mundial economicamente ativa na Ásia e América Latina obtenham o provimento do sustento a partir dessas atividades. No Brasil, no início desta década, cerca de 400.000 pessoas se declararam como catadores em sua ocupação principal, as mulheres representavam 31,1% do total. Porém, esse percentual pode ter sido subestimado em função de, em muitos casos, as mulheres compreenderem a reciclagem como uma atividade complementar em relação às demais, como as domésticas(1). Nessa direção, em função das condições econômicas e sociais da população brasileira, identifica-se um crescimento do contingente de catadores de materiais recicláveis no país(2).

Este estudo aborda o trabalho de mulheres em atividades de catação de materiais recicláveis, sua relevância se justifica na medida em que essas trabalhadoras comumente exercem sua atividade laboral desprovidas de acesso e da efetivação de direitos sociais, como a saúde. Nessa perspectiva, reitera-se a necessidade de se considerar a ligação entre a precariedade que permeia o trabalho com materiais recicláveis e as questões de gênero. Um dos fatores que configuram a precarização do trabalho de catação realizado por mulheres diz respeito às múltiplas atribuições que essas possuem tanto na esfera pública quanto no espaço doméstico e que causam sobrecarga à mulher/ mãe/ catadora(3).

Apesar de haver estudos sobre o trabalho em atividades de reciclagem(2-4), até o momento não foram identificadas pesquisas que abarcassem as condições de vida, trabalho e saúde de mulheres catadoras; e sua articulação com a prática de enfermagem. Além disso, menciona-se que o universo da catação é heterogêneo em relação à forma como os trabalhadores realizam sua atividade laboral(3), o que remete a necessidade de investigações que possam contemplar tais características e suas possíveis implicações na saúde dos trabalhadores, especialmente das mulheres que desempenham essas atividades laborais.

A produção desse conhecimento poderá contribuir para o atendimento das Diretrizes da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres (PNAISM), especialmente por possibilitar uma percepção ampliada das necessidades de saúde, contexto de vida, singularidades e condições enquanto sujeitos das mulheres catadoras de materiais recicláveis. Da mesma forma, poderá favorecer a atuação do enfermeiro, de maneira que este reafirme seu compromisso com o cuidado às pessoas e coletividade nos diferentes cenários.

Desse modo, o presente artigo foi desenvolvido a partir da seguinte questão de pesquisa: “Quais os elementos relacionados às condições de vida, trabalho e saúde de mulheres catadoras de materiais recicláveis?”. Portanto, tem por objetivo conhecer os elementos relacionados às condições de vida, trabalho e saúde de mulheres catadoras de materiais recicláveis cooperativadas em um município do interior do estado do Rio Grande do Sul, Brasil.

MÉTODO

O presente estudo constituiu-se de uma investigação com abordagem qualitativa, do tipo exploratório-descritivo. Os dados são oriundos do Trabalho de Conclusão de Curso em Enfermagem intitulado “Adoecimento relacionado ao trabalho e estratégias defensivas em mulheres selecionadoras de materiais recicláveis”(5). O cenário da pesquisa foi uma cooperativa de seleção de materiais recicláveis, localizada em um município do interior do estado do Rio Grande do Sul, Brasil, que contava, no período, com nove mulheres.

As participantes foram sete mulheres catadoras de materiais recicláveis que atenderam aos seguintes critérios de inclusão: ser mulher trabalhadora em atividades de seleção de materiais recicláveis vinculada à cooperativa e atuar há, pelo menos, seis meses na atividade em questão. E quanto aos critérios de exclusão, estabeleceu-se: trabalhadoras que estivessem afastadas no período da produção de dados por qualquer motivo. Das nove trabalhadoras da cooperativa, uma teve seus dados excluídos por atuar no cenário de estudo há menos de dois meses e uma por estar trabalhando nos caminhões, longe do galpão de reciclagem, não sendo possível, portanto, seu envolvimento no estudo.

Para a produção de dados, foram utilizadas a observação participante, a entrevista semiestruturada e a técnica do Grupo Focal (GF). A triangulação de ferramentas metodológicas foi importante para conhecer sob diferentes perspectivas o objeto, dada sua singularidade e especificidades.

A observação participante possibilita a aproximação do pesquisador com o contexto observado, no intuito de conhecer a realidade e as singularidades de um grupo de pessoas. Foi realizada a observação do tipo ativa, na qual o pesquisador procura fazer o que os participantes fazem com o objetivo de se aproximar, se nivelar e conhecer, de maneira mais profunda e intensa, a realidade com a qual está interagindo(6).

A observação participante foi realizada no mês de julho de 2013, durante cinco dias, totalizando, aproximadamente, vinte e cinco horas. O cenário de observação foi o galpão de reciclagem, sendo que foi utilizado um roteiro de observação, além de um diário de campo. Conforme o referencial proposto(6), a pesquisadora se integrou às trabalhadoras, a fim de compartilhar de algumas de suas atividades e conhecer suas experiências cotidianas no trabalho. Foi valorizado o contato interpessoal com as catadoras, a escuta das mesmas, o compartilhamento de algumas de suas experiências, movimento importante para a formação de vínculo e consequente abertura das participantes à pesquisa. Ainda, os principais elementos observados foram: as condições de trabalho, a organização das tarefas, o relacionamento entre elas e as experiências cotidianas na cooperativa.

A entrevista semiestruturada foi guiada por um roteiro composto por perguntas fechadas (idade, cor, escolaridade, existência ou não de filhos e suas idades, existência ou não de companheiro, tempo de trabalho na seleção de materiais recicláveis, atuação profissional prévia, jornada de trabalho semanal). As perguntas abertas incluíam aspectos de vida e trabalho das mulheres. Sete catadoras participaram da entrevista. As trabalhadoras foram identificadas nas transcrições pela letra T (que inicia a palavra “trabalhadora”), seguida pelo número correspondente à ordem de preenchimento do instrumento. Portanto, a primeira a responder à pesquisa foi a T1; a segunda foi a T2; a terceira a T3 e, assim, sucessivamente. Esta etapa foi realizada em julho de 2013.

O GF constitui uma técnica de coleta de dados em pesquisa qualitativa por meio da qual os participantes, em uma discussão grupal, trocam ideias e confrontam suas opiniões, negociam questões construídas coletivamente e podem construir novas ideias a partir das reflexões balizadas no grupo(7). Esta etapa foi realizada no mês de agosto de 2013, em três sessões, com a participação de cinco mulheres no primeiro encontro, cinco no segundo e seis no terceiro. Houve menor participação nas sessões de GF devido ao trabalho externo das mulheres nos caminhões e em atividades administrativas. Cada sessão de GF teve duração média de uma hora. As trabalhadoras foram identificadas, nas transcrições das falas, por pseudônimos escolhidos e assinalados pelas mulheres em crachás.

Todas as etapas de produção de dados foram realizadas na sede da cooperativa. As entrevistas e as sessões de GF foram audiogravadas, no intuito de possibilitar análise integral e fidedigna dos dados. Em relação à análise dos dados, foi utilizada a técnica da análise temática de conteúdo, a qual foi desenvolvida em três fases: pré-análise; exploração do material; tratamento dos dados e interpretação(8).

Este estudo atendeu aos preceitos éticos das pesquisas envolvendo seres humanos, conforme a Resolução n. 466/12 do Conselho Nacional de Saúde. Todas as participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e a pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria (CEP/UFSM), sob número do Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE) 16195113.9.0000.5346.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Em relação às características sociodemográficas e laborais, as catadoras possuem, no geral, mais de 40 anos de idade, são casadas ou possuem companheiro. A maioria possui três filhos ou mais. A maior parte das catadoras se declarou morena ou negra e referiu a não conclusão do ensino médio. Estes dados convergem com outras pesquisas realizadas nacional e internacionalmente com esta população(2,4,9).

Todas as catadoras trabalham informalmente na cooperativa. A jornada de trabalho semanal das catadoras é de 45 horas semanais. A maior parte das trabalhadoras atua há mais de três anos na cooperativa. Esses dados convergem com encontrados em outra pesquisa(2). No que tange aos empregos anteriores, três mulheres não referiram história profissional prévia, ou seja, afirmaram ter começado a sua vida profissional com a seleção de materiais recicláveis e não ter atuado em outras profissões. As demais citaram as seguintes experiências laborais: embaladora em supermercado; acompanhante de crianças em um transporte particular; babá; trabalhadora doméstica; diarista; cuidadora de idosos e atendente em padaria de supermercado. Estes resultados aproximam-se de pesquisa realizada com catadores de materiais recicláveis a qual evidenciou que quase a totalidade das catadoras já havia atuado como empregada doméstica, profissão culturalmente precarizada e exercida predominantemente por mulheres(4).

Os dados submetidos à análise temática de conteúdo foram organizados nas seguintes categorias: Trabalho feminino, informalidade e precariedade; Vivências de satisfação no trabalho; e Condições de trabalho e saúde: as experiências com acidentes, adoecimento e serviços de saúde.

Trabalho feminino, informalidade e precariedade

Na investigação dos aspectos de vida e trabalho que se articulavam a saúde das catadoras, emergiram as questões referentes à divisão do trabalho doméstico entre os membros da família. Como mostram os dados sociolaborais, a maioria das catadoras possuem companheiro e filhos. Porém, apesar de algumas participantes apontaram para o compartilhamento das tarefas domésticas, outras encontram dificuldades para isso, como mostram as falas:

Se eu chego e lavo a roupa, ele [companheiro] faz a comida. Se eu vou fazer comida, ele vai botar a roupa na máquina. [...] Eu faço um serviço e ele faz outro. (T6)

Eu trabalho mais. Tem coisas que ele [companheiro] não faz. A minha roupa ele não lava (T2)

Quando ele [companheiro] está de acordo, ele arruma o quarto pra mim, mas isso é quando ele está de acordo, porque senão é só eu. [...] E quando ele está sozinho, porque se eu estiver em casa, aí nada feito. (T3)

Existe uma dissonância entre os avanços femininos no mercado de trabalho e a permanência da mulher como responsável majoritária pelas tarefas domésticas. Isto se deve ao fato de que os avanços da mulher no campo profissional não vieram acompanhados, em igual escala, de um processo de “desnaturalização” do tradicional papel feminino em torno do nascimento dos filhos e da desconcentração do trabalho reprodutivo (aquele circunscrito ao âmbito doméstico) na figura da mãe(10).

O conceito de dupla jornada de trabalho advém do movimento feminista francês, datado dos anos de 1970, e se refere à responsabilização da mulher trabalhadora pelas tarefas domésticas. A discussão acerca da divisão sexual do trabalho resultou da tomada de consciência de que a maior parte do trabalho doméstico era efetuada gratuitamente pelas mulheres, e de que este trabalho era realizado não para si mesmas, mas para outros, sempre em nome do amor e do dever materno(11). Portanto, as mulheres convivem com a soma do trabalho produtivo (o trabalho remunerado, pertencente ao âmbito da vida pública) ao doméstico, o que representa um elemento potencializador para a sobrecarga e adoecimento.

A isso, somam-se trajetórias de vida marcadas pela exclusão do mercado de trabalho e falta de oportunidades. As falas mostram que, dentre os motivos que levaram as catadoras a trabalhar com reciclagem, o mais destacado foi a necessidade de renda associada à dificuldade em conseguir trabalho.

Primeiro foi a necessidade. Eu tinha 15 anos quando eu comecei aqui. Eu tinha que ajudar os meus pais [...] (T1)

[...] Era pra fazer curso e eu não me especializei. [...] Minha idade também já não ajudava muito, porque eles querem só gurias novas. (T5)

[...] O desemprego e a falta de conhecimento em alguma área. Eu não tinha estudo. Eu era analfabeta quando eu entrei aqui. Eu só sabia ser dona-de-casa, lavar, passar, cozinhar. Aí foi uma oportunidade que eu tive de aprender outra coisa. (T6)

A feminização do trabalho está acompanhada da precariedade. Nesse sentido, a atividade de catação de materiais recicláveis surge como uma alternativa para a mulher frente ao desemprego e a exclusão do mercado de trabalho formal. Portanto, a falta de oportunidades e de qualificação profissional tem conduzido homens e, em maior número, mulheres para o trabalho com resíduos sólidos, representando uma possibilidade de promover sustento para a família(12). Além disso, o fato da maior parte das catadoras terem atuado em empregos tipicamente femininos e de baixo reconhecimento social, como mostram os dados sociolaborais, reforça a interface entre a feminização do trabalho e a precariedade.

No entanto, emergiram outros elementos motivadores do ingresso na seleção de materiais recicláveis, como: o trabalho cooperativado como oportunidade para aquelas que exerciam a seleção de materiais nas vias públicas; a curiosidade em conhecer o trabalho de reciclagem e, a partir disso, a identificação com a dinâmica de trabalho e a influência de familiares que já exerciam a profissão. Pesquisa(13) menciona que os catadores de materiais recicláveis visualizam no trabalho cooperado uma possibilidade de realização, segurança, estabilidade, geração de renda e possibilidades de obter maior reconhecimento.

Apesar dos benefícios do trabalho cooperado, evidenciou-se a influência negativa do trabalho informal em relação à proteção social e aos direitos trabalhistas. As participantes deste estudo trabalhavam sem vínculo empregatício formal e, portanto, excluídas dos benefícios e da seguridade social. Uma preocupação presente na fala das mulheres foi em relação à aposentadoria e fundo de garantia. As catadoras referiram preocupação em relação ao futuro, com a possibilidade do adoecer, do não mais poder trabalhar e, portanto, com o fim da renda mensal. Por este motivo, havia a tentativa de manter a contribuição mensal ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), que, no entanto, era prejudicada por elementos como o baixo rendimento mensal, o qual ocasionava dificuldades para manter a continuidade das contribuições, conforme ilustrado a seguir:

Eu nem comecei a pagar ainda. Tem que começar, mas falta tempo também. Tem que faltar um dia só pra isso. Não dá, quem tem criança não dá [...] (T2)

Pago, mas estou atrasada. Falta pagar uns meses, parei de pagar porque fiquei meio apertada [...] (T4)

Pesquisa realizada na Colômbia(9) evidenciou que os catadores estão expostos a condições de trabalho precárias que afetam diretamente sua saúde e de suas famílias. Nesse sentido, a realidade encontrada neste estudo converge com a evidenciada no cenário latino-americano, no que tange a precariedade do trabalho com materiais recicláveis.

O trabalho informal, dadas as dinâmicas econômicas e transformações no cenário trabalhista brasileiro, é heterogêneo e apresenta, portanto, conceitos polissêmicos(14). No entanto, assume-se aqui o conceito que se utiliza do termo processo de informalidade, o qual compreende duas dimensões: de um lado, o autoemprego, correspondente às estratégias de sobrevivência alternativas às dificuldades de ingresso no mercado de trabalho; e os vínculos empregatícios informais (legais ou consensuais), que incluem as cooperativas, os quais são reflexos da reorganização capitalista do trabalho assalariado. Estas dimensões apresentam em comum a característica da vulnerabilidade, que inclui: insegurança/instabilidade, ausência de regulamentação, flexibilização e baixos rendimentos resultantes(15).

O processo de informalidade tem abrangido de maneira particular as mulheres; esse fenômeno está relacionado a implicações de gênero, que conduzem o trabalho feminino a empregos, muitas vezes, precarizados e sub-remunerados. No caso de trabalhadoras com mais idade e de baixa escolaridade (como são caracterizadas as participantes deste estudo), a inserção na informalidade é maior, e implica em prejuízos ao seu bem-estar social, como o não acesso à proteção do Estado e à aposentadora(14). Essas considerações vão ao encontro dos resultados que compõem esta categoria, mostrando que a realidade das mulheres catadoras contribui para o entendimento da articulação entre trabalho feminino e processos de informalidade.

Vivências de satisfação no trabalho

A respeito da relação subjetiva das catadoras com seu trabalho, os resultados mostram que as trabalhadoras estavam satisfeitas e gostavam do que faziam. Seguem alguns relatos que evidenciam esses achados:

Eu me sinto realizada. Porque tudo o que eu tenho hoje, eu conquistei graças a esse trabalho. O meu estudo, a minha vida, a minha parte em casa, tudo o que eu tenho, eu consegui por esse trabalho aqui. (T6)

Eu me sinto realizada porque o que eu posso fazer eu faço, ajudar as gurias, fazer comida, tudo o que eu puder. E ter compromisso (Patrícia)

A realização pessoal proporcionada pelos ganhos da atividade laboral atua como agente promotor de satisfação. Da mesma maneira, a sensação proporcionada pelo trabalho coletivo, pela possibilidade de cooperar com o outro, proporciona sentimentos de utilidade e solidariedade.

Os processos de informalidade no âmbito do trabalho feminino, apesar de representarem, na maior parte das vezes, a precarização e o subemprego, também se tornaram um meio pelo qual mulheres de diferentes idades, de baixa escolaridade e excluídas do mercado formal encontraram para incrementar a renda familiar(14), no sentido, portanto, de melhorar sua qualidade de vida. Isso mostra que, apesar das condições adversas, a atividade laboral em si pode representar uma via de realização pessoal e material para a mulher.

Além disso, um elemento marcante na fala das mulheres foi o papel que as mesmas se atribuem em relação ao meio ambiente. As trabalhadoras reconhecem que sua atividade laboral na seleção de materiais recicláveis contribui para o meio ambiente e para a sociedade. Esse aspecto também foi identificado nas observações participantes, na medida em que se constatou que as catadoras se envolviam constantemente com palestras em escolas acerca da importância da reciclagem e da coleta seletiva. Os fragmentos a seguir ilustram esse pensamento:

[...] A gente iria viver em um “chiqueiro de porco”, por causa de todo esse material. Então é importante para nós e para natureza também. (Patrícia)

[...] É isso que nós fazemos, limpar o mundo para os nossos filhos, para um mundo melhor. (Nina)

Observa-se que as catadoras vislumbram os sentidos positivos do trabalho que realizam. Pode-se supor que as trabalhadoras, mesmo desprovidas de grande parte de seus direitos sociais, vislumbram a importância de seu trabalho, o que pode representar um dos motivos que influencia a permanência destas pessoas na profissão.

Os resultados demonstram que as participantes entendem a satisfação a partir da retribuição financeira pelo trabalho realizado. Das sete mulheres entrevistadas, uma referiu que o salário está aquém dos esforços despendidos diariamente para o exercício do trabalho. Pesquisas apontam para um baixo rendimento mensal no trabalho com materiais recicláveis(2). Ainda, sabe-se que os rendimentos do trabalho informal são relativamente baixos em comparação ao formal, o que se agrava no recorte do trabalho feminino(14). No entanto, as falas pouco demonstraram insatisfação e desconforto em relação aos ganhos mensais. Pode-se supor que, apesar de haver a consciência de que a retribuição financeira é modesta, a possibilidade de inserção para além do espaço doméstico seja um estímulo positivo, contribuindo para a satisfação das catadoras.

Condições de trabalho e saúde: as experiências com acidentes, adoecimento e serviços de saúde

Algumas questões evidenciadas pela análise de conteúdo foram as experiências com acidentes e agravos oriundos do trabalho e com o atendimento nos serviços de saúde. Em relação aos acidentes de trabalho, uma mulher referiu nunca ter sofrido acidente de qualquer natureza. As demais trabalhadoras narraram episódios variados incluindo quedas, entorses de articulações e acidentes com materiais perfurocortantes, os quais foram relatados por seis trabalhadoras.

Durante as observações participantes se identificou no ambiente de trabalho um conjunto de elementos potenciais para acidentes, principalmente materiais como vidros, agulhas e resíduos biológicos misturados aos resíduos recicláveis. Outros elementos observados foram a precariedade das máquinas e os riscos físicos e mecânicos relacionados à sua utilização.

[...] Eu quase perdi o braço. Eu fiquei presa no picador. Faz uns quatro anos. [...] Levou quase um mês para cicatrizar por dentro e ainda me dói. Não chegou a quebrar, mas ficou dolorido por dentro. (T2)

[...] E aquilo ali [o fardo], tu não tem como deixar um lado cair. Tu pode até machucar um. Cai um fardo desses, tu mata um. (Manoela)

Os trabalhadores informais estão expostos a condições de trabalho precárias, falta de segurança e se encontram, muitas vezes, inseridos em ambientes laborais que colocam em risco cotidianamente sua saúde(16). Isso aponta para uma importante característica dos processos de informalidade: a vunerabilidade dos trabalhadores ao adoecimento. Os riscos, na realidade das participantes deste estudo, podem ser agravados pela extensa jornada de trabalho semanal, evidenciada nos dados sociolaborais. Observou-se, entretanto, na fala das mulheres, uma relativa banalização dos riscos aos quais estavam expostas. Além disso, algumas catadoras relataram resistência em relação à imunização, como mostra o relato a seguir:

[...] Um arranhãozinho, um esfolão, um cortezinho, coisinha assim, mas coisas leves, não graves. (T3)

Doença, doença mesmo, como eu digo, é um câncer [...]. (Julinha)

Eu tenho mas eu não sou acostumada a tomar isso aí [vacinas]. A última que eu tomei foi meio obrigada, me deram à força e foi agora quando ele [o filho] nasceu. E me deram as [vacinas] atrasadas. Me castigaram. Mas eu não tomo de novo. (T2)

Pode-se inferir que as trabalhadoras não visualizem riscos nas lesões que sofrem, talvez por não conhecerem a incidência, a gravidade e as complicações que podem surgir em consequência destes agravos. Pesquisa(2) evidenciou que os catadores de materiais recicláveis concebiam por acidentes de trabalho apenas eventos com repercussões sérias à sua saúde. A fala das trabalhadoras indica que os acidentes de trabalho, quando não incapacitantes, são banalizados pelas mesmas e desconsiderados em relação à sua gravidade. O fato de algumas mulheres não estarem com quadro vacinal atualizado pode indicar a falta de acesso, recursos ou falta de informação, por não se considerarem seriamente expostas ao tétano ou a outras doenças.

Em relação aos procedimentos tomados em ocasião de alguns danos relacionados ao trabalho, as participantes referiram recorrer ao Pronto-Atendimento ou a uma Unidade Básica de Saúde para fins de cuidados e orientação. Em relação à efetividade do atendimento fornecido pelos serviços, as falas das mulheres variaram da satisfação à total insatisfação. No entanto, prevaleceram a insatisfação e o desalento em relação aos serviços públicos de saúde, conforme exemplificado abaixo:

[...] Eu fui no PA. Péssimo [o atendimento]. A doutora muito estúpida [...]. (T5)

No postinho não dá pra ir! Tem que ir no particular. Tu tem que amanhecer lá, duas, três horas da manhã pra poder tirar uma ficha, então eu fui e paguei uma consulta para poder fazer um exame. (Patrícia)

Os dados confirmaram que o Sistema Único de Saúde (SUS) é a rede de saúde de referência para essas trabalhadoras, pois as unidades de Pronto Atendimento e de Atenção Básica são os principais serviços procurados em ocasião de algum agravo relacionado ao trabalho. No entanto, o serviço privado, muitas vezes, é visto como única alternativa viável e resolutiva. Ainda, os dados mostram que nem sempre as trabalhadoras procuram uma instituição ou profissional de saúde quando sofrem algum acidente de trabalho, realizando o cuidado em casa ou no próprio ambiente de trabalho.

[...] Ou em casa mesmo, daí eu lavo bem, passo um remedinho, uma pomada, uma coisa assim (T4)

[...] Eu puxei pra fora [perfurocortante], arranquei aqui. E daí estava me latejando, estava me doendo. Então eu comecei a lavar com salmoura e vinagre e lavei, lavei... Cuidei tudo, limpei, daí melhorou. [...] Já cortei esse dedo aqui, ficou pendurado. Aí eu só atei com uma meia, aí como eles iam dar ponto no PA, eu não quis, trabalhei com o dedo daquele jeito. Atei bem atado com uma meia de nylon [...]. (T5)

A rede de atenção à saúde do trabalhador encontra dificuldades para alcançar todos os extratos laborais e promover, de fato, a saúde e o bem-estar das pessoas. Problemas como a subnotificação de agravos relacionados ao trabalho, a fragmentação das ações e a carência de profissionais capacitados restringem o campo de atuação da política da saúde do trabalhador(17), o que resulta no desamparo de inúmeros indivíduos que vivenciam a precariedade e o adoecimento relacionado ao trabalho.

Quanto à ocorrência de adoecimento e afastamentos, quatro das sete mulheres informaram já ter se afastado do trabalho por algum problema de saúde. Os motivos referidos: depressão; abortamento com sintomas iniciados durante as atividades laborais; hipertensão arterial sistêmica e câncer. Além disso, houve a identificação de presenteísmo no modo como as mulheres lidam com o adoecimento, definindo-se presenteísmo como a continuidade do trabalho em situações nas quais o sujeito vivencia o adoecimento(18). Portanto, pelas falas das mulheres, transluz uma manutenção da ida ao trabalho, mesmo em situações em que a saúde está fragilizada.

[...] Eu sempre trabalho doente. Se eu ficar doente, eu trabalho igual. [...] Até com ameaça de pontada [pneumonia] eu já trabalhei [...] (T4)

[...] Depois começou a quimioterapia, eu trabalhava os dias que não tinha quimioterapia e quando eu tinha quimioterapia eu vinha pra cá, chegava na hora de baixare e eu ia baixar. Quando eu saía eu ia pra casa, porque naquele dia não podia retornar, e no outro dia eu ia trabalhar, normal, como todo mundo, sem parar nunca [...] (T6)

Na experiência do trabalho informal, as mulheres estão destituídas de benefícios e auxílios no caso de adoecimento. Isso significa que qualquer afastamento por motivo de doença resulta na diminuição da renda mensal, o que as impele, muitas vezes, a seguir comparecendo ao trabalho, mesmo que em situação de adoecimento.

O presenteísmo é um reflexo do medo que muitos trabalhadores possuem de perder o emprego em decorrência de um afastamento por motivo de doença. O trabalhador desenvolve mecanismos de negação psicológica dos sintomas, a ponto de sequer identificar ou reconhecer que estão doentes. Muitos destes trabalhadores permanecem sem procurar ajuda por muito tempo, de maneira que os agravos se acentuam e cronificam(19). Portanto, é necessário reconhecer que o presenteísmo tem sua raiz na precarização do trabalho da catadora de materiais recicláveis. Sem uma rede de apoio e incapaz de manter-se sem os rendimentos provenientes da reciclagem, ela não vê outra opção a não ser continuar trabalhando, ainda que em situação de doença.

A saúde dos trabalhadores necessita ser contemplada nas agendas de política social e de saúde. No entanto, as abordagens tradicionais não têm se mostrado efetivas, até o momento, para reduzir as lacunas nessa área. Nesse sentido, a necessidade de abordagens inovadoras deve ser considerada, com foco especial para os trabalhadores em processo de informalidade, os quais estão, por vezes, privados da proteção social e do acesso à saúde(16).

Neste contexto, destaca-se a posição do trabalho enquanto um determinante do processo saúde e doença e, consequentemente, a necessidade de que a enfermagem amplie seus campos de pesquisa e assistência em direção às necessidades dos trabalhadores. O enfermeiro assume o compromisso de incorporar em seu fazer cotidiano (na pesquisa, na assistência, na gestão, nas políticas públicas) ações que se voltem às necessidades de saúde e de cuidado dos trabalhadores, contribuindo para melhorias nos indicadores de saúde(20). Nesse sentido, reflexões do núcleo da enfermagem são necessárias no que tange à equidade e à efetividade da assistência prestada aos trabalhadores e, em especial, às trabalhadoras inseridas em processos de informalidade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo possibilitou conhecer elementos relacionados às condições de vida, trabalho e saúde de mulheres catadoras de materiais recicláveis. Estes elementos se mostraram relacionados, principalmente: à interface trabalho feminino, informalidade e precariedade, mostrando que a feminização do trabalho veio acompanhada pelo subemprego da mulher no mercado de trabalho e persistência de desigualdades; à satisfação e identificação com o trabalho, que representam atuar como amenizadoras; e experiências com acidentes, danos físicos e precário atendimento nos serviços de saúde, que sinalizam para importantes riscos à saúde destas mulheres. Os dados desta pesquisa, portanto, auxiliaram na compreensão de que são incisivos os fatores que ameaçam a saúde, segurança e bem-estar de catadoras.

Esta pesquisa reiterou, ainda, a precariedade que caracteriza essa atividade laboral que, além da exposição a riscos ocupacionais, insere-se em um contexto de informalidade e inseguridade social. Os riscos evidenciados na relação das catadoras com seu trabalho mostram a necessidade de novas abordagens em saúde e enfermagem. Considera-se que estas abordagens inovadoras devem incluir a participação do enfermeiro em ações ligadas aos Centros Regionais de Saúde do Trabalhador, aos núcleos de pesquisa e extensão, aos serviços de atenção primaria à saúde e aos demais cenários implicados com a proteção e promoção à saúde das pessoas.

Em se tratando da dimensão do trabalho feminino, ressaltam-se as possibilidades (e necessidade) da promoção do protagonismo das mulheres, auxiliando-as na tomada de consciência de suas necessidades e direcionando-as a espaços onde possam lutar por políticas públicas. Estas ações também estão no escopo das ações de enfermagem e podem concretizar-se por intermédio de estudos participativos, instrumentalizados com metodologias emancipatórias. Assim, tem-se uma direção para a construção de redes de intervenção e transformação da realidade destas pessoas.

Algumas dificuldades limitaram a amplitude deste estudo. Entre elas, o fato das catadoras obterem seus rendimentos mensais por produção, e, portanto, a necessidade de interrompê-la para poder participar da produção dos dados. No entanto, a realização dessa pesquisa foi possível, principalmente, devido à cortesia e colaboração das catadoras, apesar de suas dificuldades. A apresentação desses dados abre possibilidades para estudos interventivos e participativos, no sentido de preencher lacunas e propor medidas de melhoria na qualidade de vida e trabalho destas mulheres trabalhadoras, na perspectiva do trabalho educativo do enfermeiro.

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e O termo “baixar” é utilizado para designar internação hospitalar temporária para infusão de medicação quimioterápica.

Recebido: 25 de Julho de 2015; Aceito: 12 de Julho de 2016

Autor correspondente: Alexa Pupiara Flores Coelho. E-mail: alexa.p.coelho@hotmail.com

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