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Revista Gaúcha de Enfermagem

versão On-line ISSN 1983-1447

Rev. Gaúcha Enferm. vol.39  Porto Alegre  2018  Epub 02-Jul-2018

https://doi.org/10.1590/1983-1447.2018.2017-0184 

ARTIGO ORIGINAL

Vulnerabilidades, depressão e religiosidade em idosos internados em uma unidade de emergência

Vulnerabilidades, depresión y religiosidad en ancianos internados en una unidad de emergencia

Bruno Leonardo Soares Nerya 

Keila Cristianne Trindade da Cruzb 

Andréa Mathes Faustinob 

Carla Targino Bruno dos Santosb 

1 Escola Superior de Ciência da Saúde (ESCS). Brasília, Distrito Federal, Brasil.

b Universidade de Brasília (UnB), Faculdade de Ciências da Saúde, Departamento de Enfermagem. Brasília, Distrito Federal, Brasil.


Resumo

OBJETIVOS

Identificar vulnerabilidades e a associação entre religiosidade e a presença de sinais depressivos presentes em idosos internados em uma unidade de urgência e emergência.

MÉTODOS

Estudo transversal, realizado com 140 idosos internados em um hospital público do Distrito Federal, entre o mês de maio a outubro 2016, realizado por meio de questionário semiestruturado sobre dados de saúde, escala de religiosidade de DUREL e de depressão geriátrica.

RESULTADOS

Os idosos estudados são vulneráveis em relação a escolaridade, local de residência, a hábitos de vida, 37,3% dos idosos apresentavam sinais depressivos, e que existe uma associação fraca de proteção entre religiosidade e desenvolvimento de sinais depressivos (p ≤ 0,00 r = 0.12) e (p =0,02 e r = 0,06).

CONCLUSÃO

Observou-se a religiosidade isolada não apresenta fator protetor eficaz, mas apresenta papel importante no desenvolvimento de resiliência diante da enfermidade e uma fonte construtora de rede de apoio ao idoso.

Palavras-chave: Idoso; Religião; Depressão; Vulnerabilidade em saúde; Espiritualidade

Resumen

OBJETIVOS

Identificar vulnerabilidades y la asociación entre religiosidad y la presencia de signos depresivos presentes en ancianos internados en una unidad de urgencia y emergencia.

MÉTODOS

Estudio transversal, realizado con 140 ancianos internados en un hospital público del Distrito Federal, entre el mes de mayo a octubre de 2016, realizado por medio de un cuestionario semiestructurado sobre datos de salud, escala de religiosidad de DUREL y de depresión geriátrica.

RESULTADOS

Los ancianos estudiados son vulnerables en relación a la escolaridad, lugar de residencia, a hábitos de vida, el 37,3% de los ancianos presentaban signos depresivos, y que existe una asociación débil de protección entre religiosidad y desarrollo de signos depresivos (p ≤ 0 , 00 r = 0.12) y (p = 0,02 er = 0,06).

CONCLUSIÓN

Se observó la religiosidad aislada no presenta un factor protector eficaz, pero presenta un papel importante en el desarrollo de resiliencia ante la enfermedad y una fuente constructora de red de apoyo al anciano.

Palabras clave: Anciano; Religión; Depresión; Vulnerabilidad en salud; Espiritualidad

Abstract

OBJECTIVES

To identify vulnerabilities and the association between religiosity and depressive signs in the elderly hospitalised in an emergency unit.

METHODS

This cross-sectional study was conducted with 140 elderly patients admitted to a public hospital in the Federal District, Brazil, between May and October 2016. Data were collected using a semi-structured health questionnaire, the Duke University Religion Scale (DUREL), and the Geriatric Depression Scale (GDS).

RESULTS

The elderly patients were vulnerable in terms of schooling, place of residence, and life habits, and 37.3% exhibited signs of depression. A weak association was found between religiosity and the development of depressive signs (p ≤ 0, R = 0.12; p = 0.02 and r = 0.06).

CONCLUSION

The results showed isolated religiosity is not an effective protective factor, but it strengthens resilience in the face of disease and serves as a support network for the elderly.

Keywords: Aged; Religion; Depression; Health vulnerability; Spirituality

INTRODUÇÃO

A população mundial assim como a brasileira apresentam um rápido processo de envelhecimento, e essa transição demográfica representa segundo projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS), um salto populacional de pessoas idosas. Estima-se que a população de idosos com mais de 60 anos no mundo seja de 1, 2 bilhões de pessoas em 2025, e cerca de 2 bilhões em 20501.

A chegada da senescência geralmente vem acompanhada de uma série de modificações orgânicas, que podem levar ao declínio das capacidades funcionais e alterações no funcionamento fisiológico dos órgãos e sistemas. Desta forma, predispõem os idosos ao desenvolvimento de doenças crônicas, vulnerabilidades e consequentemente baixo desempenho dos sistemas orgânicos em desempenhar suas funções diante das alterações do meio interno. Com o passar dos anos o desgaste natural do organismo tenderia a apresentar falhas à medida que seu tempo de utilização aumenta (2.

A senilidade, associada a diversas doenças próprias do envelhecimento, podem provocar o aumento da frequência de incapacidades. Umas das doenças que podem acometer as pessoas idosas, é a depressão, cujo quadro depressivo quando instalado pode muitas vezes ser subdiagnosticado e subtratado3-4.

Os sintomas depressivos podem levar os idosos ao desenvolvimento de maior vulnerabilidade e agravamento de doenças crônicas, expondo-o ao risco aumentado de morbidade, e consequente necessidade de apoio de profissionais de saúde que efetivamente minimizem ou previnam os agravos decorrente da sua instalação3.

Diante de um processo de internação, os idosos podem encontrar-se mais sensíveis e vulneráveis, e muitas vezes, acabarem recorrendo a sua religiosidade para o enfrentamento da doença, procurando a busca da confiança de que estão protegidos e a cura para os males que lhe afetam5.

A religiosidade e espiritualidade são fenômenos presentes nas vidas dos brasileiros principalmente na velhice, onde ocupam um papel de destaque, explicando-lhes o significado da vida. Nos idosos a religiosidade e espiritualidade contribuem para a sensação de bem-estar, reduzem os níveis de angústia, inutilidade e proporciona o desenvolvimento de resiliências, as situações problemáticas e dificuldades encontradas inerentes ao envelhecimento, como perdas e limitações físicas e emocionais, levando ao entendimento que o processo de doença é algo positivo pelo qual eles deveriam passar, entendendo de forma mais consciente o significado da sua vida e os aspectos positivos vivenciados ao longo da sua existência5-7.

A espiritualidade é tida como um guia de cunho filosófico que resulta na produção de comportamentos e comiserações, como a esperança, o amor e a fé, e que fornece um significado para sua existência e dá um sentindo a vida das pessoas. Religião é o credo na existência de um poder superior que teria a capacidade sobrenatural de criar e controlar o Universo5-6. Ela serviria como veículo pelo qual o indivíduo expressaria sua espiritualidade, a partir de valores, crenças e práticas de rituais, permitindo ao homem a busca da transcendência, reflexões sobre si mesmo e suas relações existenciais para o além do mundo objetivo6-7.

Nesse sentido, a religião muitas vezes, acaba adotando um lugar de refúgio para o caos instalado pela doença, e conforto para os medos e inseguranças desencadeados pela sensação de morte. Por meio da religião os pacientes conferem sentido à situação de adoecimento, possibilita uma explicação a impossibilidade de controlar a situação. Assim, a religião assume um papel de controle ilusório sobre o imponderável, representado pela situação de adoecimento7.

Portanto, a presente pesquisa teve como hipótese que a presença de religiosidade contribuiu como um fator protetor que possibilite aos idosos serem mais resilientes. Está definida como capacidade de adequação a desafios estressores ou adversidades, possibilitando a pessoa lutar e interagir traços de personalidades com fatores ambientais para aumentar ou diminuir a resiliência por toda a vida, possibilitando o enfrentando das vulnerabilidades inerentes ao processo de envelhecimento e o contexto social ao qual está inserido8.

O estudo teve como objetivo identificar vulnerabilidades e a associação entre religiosidade e a presença de sinais depressivos presentes em idosos internados em uma unidade de urgência e emergência.

MÉTODOS

Trata-se de uma pesquisa descritiva, exploratória, transversal com abordagem quantitativa, realizada em um hospital público no Distrito Federal-DF.

A amostra foi de conveniência alcançada por meio de coleta de dados realizada num período de seis meses. Os critérios de inclusão foram constituídos por idosos, ou seja, pessoas com 60 anos ou mais, internados por um período superior a 24 horas na unidade de urgência e emergência da instituição, com grau cognitivo e de comunicação que possibilitou a compreensão e a participação no estudo, e que não estivesse em instabilidade clínica ou risco iminente de morte.

O estudo teve como local de pesquisa o Pronto Socorro (PS), por essa ser uma unidade de cuidados às urgências e emergências com característica mista de observação: pronto atendimento e internação. Foram excluídas da pesquisa, pacientes com alterações cognitivas ou qualquer outra situação que o impedisse de responder à entrevista.

Foi realizada uma entrevista com idosos entre maio a outubro de 2016, após concordância dos mesmos e assinaturas de consentimento de livre esclarecido. O roteiro semiestruturado era composto por variáveis sociodemográficas (nome, sexo, idade, estado civil, escolaridade, renda familiar, local de residência) e dados de saúde (classificação de Manchester, consumo de fumo, bebida alcoólica, práticas de atividade física, e medicamentos de uso habitual ou contínuo).

O rastreamento dos sintomas depressivos foi realizado por meio da Escala de Depressão Geriátrica, versão reduzida (EDG-15). A escala foi validada para a população brasileira em 19999. Apresenta questões com respostas dicotômicas (sim ou não), com a pontuação total máxima de 15, sendo que "0 a 5 pontos" significa ausência de depressão, "6 a 10 pontos" representam depressão leve a moderada e "11 a 15 pontos" indicam quadro de depressão grave9-10.

O instrumento escolhido para avaliar o índice de religiosidade dos pacientes idosos foi a Escala de Religiosidade DUREL (Duke Religious Index) que foi validada para a população brasileira. A escala compreende três dimensões de religiosidade: a religiosidade organizacional (RO) com uma pergunta, a religiosidade não organizacional (RNO) com uma pergunta, e religiosidade intrínseca (RI) com três perguntas em três níveis6,11.

A fim de possibilitar associações e correlações entre a escala de religiosidade de DUREL com a escala de depressão geriátrica EDG, os itens da escala de religiosidade foram divididos em itens com associação positivas a religiosidade e itens com baixa associação seguindo o modelo do fluxograma apresentado a seguir (Figura 1).

Fonte: Os autores. RO: Religião organizacional, RNO; Religião não organizacional, RI: Religião intrínseca

Figura 1 Fluxograma de associação positiva e negativa entre religiosidade e depressão 

A religiosidade organizacional diz respeito a frequência que a pessoa se desloca para uma atividade religiosa desenvolvidas em templos, igrejas, e outras repartições, a qual foi associada as respostas dos itens um, dois e três da religiosidade organizacional classificados como associação positiva, já as respostas nos itens quatro, cinco e seis da escala significaram ausência ou baixa associação.

A religiosidade não organizacional se refere a dedicação da pessoa as atividades religiosas e também foi classificada como positivas as respostas um, dois e três e para as respostas dos itens quatro, cinco e seis, ausência de associação.

A dimensão da religiosidade intrínseca é dividida em três níveis, que foram analisados individualmente e separadamente, o primeiro nível avalia a sensação da presença de Deus na vida, o segundo como as crenças que regem em sua maneira de viver e o último, o esforço dedicado para viver a religião em todos seus aspectos. Dessa forma os itens com resposta um e dois foram classificados como uma associação positiva a religiosidade, e as respostas aos itens três, quatro e cinco para baixa ou ausência de associação.

Para análise estatística foi utilizado o Microsoft Excel versão 2013 para apresentação dos dados sociodemograficos e dados de saúde, descritivamente por meio de distribuição de frequências absoluta e porcentagem. O software STATA versão 12, foi utilizado para análise de associação entre sinais depressivos e religiosidade. A escala de depressão geriátrica foi sumarizada por meio da frequência absoluta, porcentagem, média, e desvio padrão. A medida de associação utilizada foi a razão de prevalência (RP), e teste do qui-quadrado, para análise das variáveis dicotômicas entre Escala de Religiosidade de DUREL e Escala de Depressão Geriátrica, onde se adotou como nível de significância (p=0,05) e intervalo de confiança de 95%, e adotou-se a correlação de Pearson (r) (quanto mais perto de um, maior a associação entre as variáveis, quanto mais perto de zero menor a associação) para análise entre os resultados do rastreamento de sinais depressivos e o grau de religiosidade dos participantes12.

A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (FEPECS) do Distrito Federal e aprovada sob o número protocolo CAAE 54603216.3.0000.5553.

RESULTADOS

Foram entrevistados 140 idosos internados que demonstraram possuir perfil sociodemográfico homogêneo em relação ao sexo, com 50% dos participantes do sexo masculino e outros 50% do sexo feminino. A distribuição por faixa etária apresentou maior concentração de idosos com idades entre 60-64 anos (25,7%), ressaltando um número considerável de idosos octogenários, o que representou 20% da amostra (Tabela 1).

Em relação ao estado civil, (34,3%) eram de casados, seguidos pelos viúvos (28,6%). A maior parte dos idosos apresentou grau de escolaridade de até quatro anos de estudo (80,7%), sendo que destes 36,4% eram analfabetos. Apenas nove (6,4%) deles apresentaram oito ou mais anos de estudo, o que representa ter cursado no mínimo o ensino fundamental (Tabela 1).

Quanto a situação previdenciária a maioria 82,9% eram de aposentados, com renda familiar de um salário mínimo (54,3%), sendo em muitos casos a renda proveniente da aposentadoria, a única fonte de sustento para o núcleo familiar (Tabela 1).

Quanto ao local de residência desses idosos, observou-se que 76.4% eram procedentes da região de abrangência da cobertura hospitalar já definida pelo governo do Distrito Federal, e 14,3% deles eram procedentes de outros estados fora da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno RIDE-DF, como por exemplo provenientes do sudeste da Bahia e o nordeste do estado de Goiás.

Tabela 1 Frequência absoluta e percentual dos dados sociodemográficos dos pacientes idosos participantes da pesquisa, Distrito Federal, 2016 (n=140) 

Perfil Sociodemográfico n %
Sexo
Masculino 70 50
Feminino 70 50
Faixa etária
60-64 36 25,7
65-69 35 25
70-74 21 15
75-79 16 11,4
80-84 20 14,3
85-89 8 5,7
90-95 4 2,9
Estado cível
Casado 48 34,3
Solteiro 17 12,1
Viúvo 40 28,6
Separado 21 15
Outros 14 10
Escolaridade
Analfabeto 51 36,4
Até 4 anos de estudo 62 44,3
4 a 8 anos de estudo 18 12,9
8 anos ou mais de estudo 9 6,4
Aposentados
Não 24 17,1
Sim 116 82,9
Renda Familiar
1 salário mínimo 76 54,3
2 salários mínimos 40 28,6
3 salários mínimos 16 11,3
4 salários mínimoso 4 2,9
5 ou mais salário mínimo 4 2,9
Local de Residência
Planaltina-DF 107 76,4
RIDE-DF* 13 9,3
Outros 20 14,3

Fonte:Dados da pesquisa, 2016.

*RIDE-DF:Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno, É constituída pelo Distrito Federal, pelos municípios de Abadiânia, Água Fria de Goiás, Águas Lindas de Goiás, Alexânia, Cabeceiras, Cidade Ocidental, Cocalzinho de Goiás, Corumbá de Goiás, Cristalina, Formosa, Luziânia, Mimoso de Goiás, Novo Gama, Padre Bernardo, Pirenópolis, Planaltina, Santo Antônio do Descoberto, Valparaíso de Goiás e Vila Boa, no Estado de Goiás, e de Unaí, Buritis e Cabeceira Grande, no Estado de Minas Gerais.

Quanto aos dados relacionados à saúde dos idosos participantes da pesquisa foi possível verificar que 48,6 % dos idosos atendidos na unidade de emergência não haviam realizado classificação de risco para atendimento; 24,2% apresentaram classificação de risco na cor laranja, o que caracteriza situação de muita urgência de atendimento e risco significativo de evoluir para morte. A clínica médica apresentou o maior índice de internação após a avaliação no PS, com 68,6% dos casos, caracterizado principalmente pelos quadros de agudizações de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) (Tabela 2).

Em relação aos hábitos dos idosos, 47,1 % relataram o hábito de fumar, sendo que 16,4% não faziam o uso do fumo atualmente. Dentre os fumantes, 17,1% indivíduos fumam há mais de 40 anos, e 30% fumavam uma média de 10 cigarros por dia. O consumo de bebida alcoólica foi relatado por 35% dos idosos, 9,3% bebiam há mais de 40 anos, sendo as bebidas fermentadas a de maior preferência 10,7% (Tabela 2).

Cerca de 55,7% dos idosos apresentavam alguma dificuldade para dormir, sendo que 35,7% relatou demorar para adormecer e 19,3% referiu acordar pelo menos uma vez durante a noite. Destaca-se que 26,6% dos idosos faziam uso de cinco ou mais medicamentos por dia e 12,8% não faziam uso de medicamentos diariamente (Tabela 2).

O hábito de praticar atividade física foi relatado por 14,3% dos idosos, sendo a caminhada a prática mais relatada. A dificuldade de locomoção foi declarada por 48,6% dos idosos, sendo que 26,5%, não necessitavam de auxílio para deambular (Tabela 2).

Tabela 2 Frequência absoluta e relativa dos dados relacionados a saúde dos idosos participantes do estudo. Distrito Federal. 2016 (n=140) 

Perfil dos Dados de Saúde n %
Manchester*
Não realizado 68 48,6
Azul 0 0
Verde 4 2,9
Amarelo 29 20,7
Laranja 34 24,2
Vermelho 5 3,6
Fuma
Não 74 52,9
Sim 66 47,1
Frequentemente 29 20,7
Raramente 14 10
Parou de Fumar 23 16,4
Bebida alcoólica
Não 91 65
Sim 49 35
Frequentemente 19 13,6
Raramente 13 9,3
Parou de beber 17 12,1
Dificuldades em dormir
Não 62 44,3
Sim 78 55,7
Demora 50 35,7
Acorda a noite 27 19,3
Acorda cedo 0 0
Sonolento 1 0,7
Dificuldades de locomoção
Não 72 51,4
Sim 68 48,6
Auxílio de ajuda humano 8 5,7
Bengalas ou muletas 11 7,9
Andador 1 0,7
Cadeiras de Rodas 3 2,1
Mais de uma opção 8 5,7
Não necessita 37 26,5
Atividades Físicas
Não 120 85,7
Sim 20 14,3
Clínica de internação
Clínica médica 96 68,6
Clínica Cirúrgica 26 18,6
Clinica ortopédica 18 12,8
Número de medicamentos uso contínuos
Nenhum 18 12,8
Um medicamento 17 12,1
Dois medicamentos 25 17,8
Três medicamentos 23 16,4
Quatro medicamentos 20 14,3
Cinco ou mais medicamentos 37 26,6

Fonte:Dados da pesquisa, 2016.

*Classificação de Risco - Protocolo de Manchester.

Em relação aos sinais e sintomas depressivos analisados por meio da Escala de Depressão Geriátrica foi possível verificar que 62,7% dos idosos apresentaram ausência de sinais depressivos, com uma média de pontuação de 3,09 pontos, já 33,6% deles apresentaram sintomas depressivos leves, com uma média de 7,51 pontos, 3,6%, sintomas depressivos severos, com média de 11,2 pontos (Tabela 3),

Destaca-se que a relação de prevalência da religiosidade organizacional foi de 0,31 e intervalo de confiança (IC95% 0,05-1,80). Não foi possível realizar associações com as outras variáveis da escala de religiosidade em idosos com sinais e sintomas de depressão severa devido não ter havido controle positivo na amostra para essa variável (Tabela 3).

Em todos as dimensões da escala da religiosidade, a Razão de Prevalência (RP) foi relativamente baixa, o que demonstrou baixo fator protetor entre os idosos que possuíam forte associação com a religião em relação aos que tinham baixa ou ausência de religiosidade (Tabela 3).

Tabela 3 Relação entre a média, desvio padrão e razão de prevalência entre escala de depressão geriátrica EDG e escala de religiosidade de DUREL. Distrito Federal, 2016 (n=140) 

EDG n(%) M DP Escala de Religiosidade de DUREL
RO RNO RI
RP (IC95%) RP (IC95%) RP (IC95%) RP (IC95%) RP (IC95%)
Normal 88 (62,7%) 3,09 1,26 0,93 (0,71-1,21) 0,75 (0,55-1,02) 0,61 (0,54-0,70) 0,65 (0,53-0,81) 0,93 (0,63-1,37)
Leve 47 (33,7%) 7,51 1,47 0,75 (0.55-1.02) 1,91 (0,53-6,87) 0,43 (0,31-0,59) 1.74 (0,61- 4,93) 1.00 (0,47 a 2,14)
Severa 5 (3,6%) 11,2 0,44 0,31 (0,05-1,80) x x x x

Fonte:Dados da pesquisa, 2016.

Dados:EDG - Escala de Depressão Geriátrica, DUREL- Duke Religious Index, RO- Religiosidade organizacional, RNO- Religiosidade não organizacional, RI- Religiosidade intrínseca, n(%) número de participantes e porcentagem, M- média, DP-Desvio padrão, RP- Razão de Prevalência, IC- Intervalo de confiança.

A associação entre sinais depressivos e religiosidade foi realizada por meio da análise estatística da distribuição de qui-quadrado ( χ2 )para um nível descritivo de valor-p significativo de ≤ 0,05 onde foram verificadas diferenças significativas em relação a depressão e o nível de religiosidade em duas associações, entre a ausência de sinais depressivos e a presença de religiosidade intrínseca em seu segundo nível (p=0,02) e a presença de sinais depressivos e a ausência de religiosidade intrínseca no seu primeiro nível (p = 0,00) (Tabela 4).

Tabela 4 P-valor (Qui-quadrado) e coeficiente de correlação de Pearson (r) entre escala de depressão geriátrica EDG e escala de religiosidade de DUREL, Distrito Federal, 2016 (n=140) 

Nível Escala de Religiosidade de DUREL Questões Escala de depressão geriátrica EDG-15
Normal Leve Severa
p* r** p* r** p** r**
RO Com que frequência você vai a uma igreja, templo ou outro encontro religioso? 0,62 0,13 0,18 0,13 0,50 0,12
RNO Com que frequência você dedica o seu tempo a atividades religiosas individuais, como preces, rezas, meditações, leitura da bíblia ou de outros textos religiosos? 0,18 0,00 0,26 0,01 0,50 0,00
RI-1 Em minha vida, eu sinto a presença de Deus (ou do Espírito Santo)? 0,11 0,11 ≤0,00 0,12 0,69 0,12
RI-2 As minhas crenças religiosas estão realmente por trás de toda a minha maneira de viver? 0,02 0,06 0,24 0,05 0,43 0,07
RI-3 Eu me esforço muito para viver a minha religião em todos os aspectos da vida? 0,74 0,02 0,98 0,05 ´x 0,03

Fonte:Dados da pesquisa, 2016.

Dados:DUREL - Duke Religious Index, RO - Religiosidade organizacional, RNO- Religiosidade não organizacional, RI-1 - Religiosidade intrínseca nível 1, RI-2 - Religiosidade intrínseca nível 2, RI-3 - Religiosidade intrínseca nível 3.

*valor_p= Teste do X² (Qui- Quadrado).

**r= Correlação de Pearson.

A correlação de Pearson (r) demonstrou uma correlação ínfima positiva (r=0,06) em relação ao segundo questionamento da Religiosidade Intrínseca, e ausência de sinais depressivos, e uma correlação fraca positiva (r=0,12) para a presença de sinais depressivos leves e religiosidade intrínseca em seu primeiro questionamento, os dados corroboram com os resultados obtidos com as Razões de Prevalência (RP) apresentadas na Tabela 3, nas mesma associações onde o valor-p foi significativo, apresentaram razoes de associação fracas (RP 0,43 IC 0,31-0,59) e (RP 0,65 IC 0,53 a 0,81) demonstrando que a religiosidade dos idosos tem baixo efeito benéfico sobre o aparecimento de sinais depressivos nos idosos que fizeram parte da presente pesquisa.

DISCUSSÃO

O resultado do estudo demonstrou que aproximadamente 50% dos idosos atendidos na unidade, não realizaram classificação de risco, muito em virtude da não realização do protocolo no período das 24 às 7 horas, salientando que os pacientes com guia de atendimento em unidades de ortopedia e cirurgia usualmente não passam pela classificação de risco, pela característica da instituição em que foi realizada a pesquisa.

A classificação de risco surgiu a partir da Política Nacional de Humanização (PNH) do Ministério da Saúde para que os hospitais implantassem o sistema de acolhimento com classificação de risco, direcionando sua atenção ao grau de gravidade do caso e não a lógica de ordem de chegada13. Desta forma o estudo demonstrou concordância entre a classificação, e o desfecho de internação do paciente, demonstrando a eficácia do protocolo.

A clínica médica da unidade de emergência é caracterizada como a clínica com maior número de idosos internados, principalmente pelos quadros de agudizações de doenças crônicas não transmissíveis. Dados semelhantes foram apresentados por outras pesquisas que revelaram, que idade, o grau de escolaridade e as multimorbidades crônicas, além do local de residência longe dos centros urbanos, aumenta o grau de vulnerabilidade dessa população que acaba acarretando aumento da prevalência de internações e reinternações hospitalares14-15.

Internações e reinternações podem estar associadas ao processo de senilidade, que leva a diminuição ou perda de mobilidade, consequentemente baixa aptidão física, e o desenvolvimento de sarcopenia e síndromes de fragilidades, que tornam esses idosos, mais vulneráveis a problemas de agudizações de doenças crônicas, consequentemente a internações, muitas dessas sensíveis a intervenções de enfermagem na atenção primária15.

A enfermagem desenvolve papel importante na prevenção das reinternações hospitalares, ao ser disseminadora de cuidados em saúde e possibilitar uma educação em saúde que oriente o paciente em seu tratamento e acompanhamento ambulatorial.

Estudos apontam que o aumento da religiosidade está associado com o número de morbidades incapacitantes presentes nos idosos, que podem estar impulsionadas pela necessidade de conforto e compensação religiosa16. Esta associação positiva entre a presença de religiosidade demonstrou em estudos, que leva os idosos a ter melhor bem estar físico, mental e consequentemente diminuições de agudizações de morbidades15-16.

No presente estudo 47,14% dos idosos foram expostos aos efeitos deletérios do fumo e 35%, foram expostos a álcool. Em geral os estudos demonstram quem as crenças religiosas agenciam a adoção de um estilo de vida saudável, com regras rígidas sobre o uso de álcool, tabaco, drogas, dieta e comportamentos sexuais, levando ao desencorajamento os comportamentos de risco, que são fatores de risco importantes para a morbidade e a mortalidade, e que na ausência de religiosidade pode os torna as pessoas mais propícias a práticas nocivas à saúde16.

Um fator relevante entre os idosos em situação de vulnerabilidades é a presença de sinais depressivos, que muitas vezes estão associadas a idade avançada, baixa escolaridade, uso de tóxicos, insônia e a presença de DCNT. Essas vulnerabilidades mostram elevado grau deletério na vida desses idosos, também visível nos dados encontrados na presente pesquisa que revelou uma prevalência de sinais depressivos em 37,57% dos idosos com sintomas leves e 4,79% com sinais severos, totalizando 42.36% de prevalência de sintoma depressivos na amostra.

Esses dados são divergentes de outras pesquisas, nas quais foram utilizados o mesmo instrumento para rastreio de depressão. As prevalências observadas no estudo realizado no município de Bagé, Rio Grande do Sul, foi 18%, já no estudo da cidade de Montes Claros, Minas Gerais, demonstrou uma prevalência de 34,8% para pessoas muito idosas e 26,3% para a população na faixa etária de 60 a 79 anos. Já no outro estudo realizado na cidade de Alfenas, Minas Gerais foi observado que 88% dos idosos apresentavam sinais depressivos leves e 5% sinais depressivos severos, porém os três estudos foram realizados com idosos da comunidade, o que pode explicar essa divergência com a presente pesquisa, que teve como amostra, idosos hospitalizados e fragilizados pelo processo de doença17-19.

Quanto aos aspectos religiosos, o presente estudo demonstrou valores de associação significativas (p=0,02) entre a Religiosidade Intrínseca no seu segundo nível que infere uma busca da internalização da crença religiosidade como objetivo pleno em sua vida e a ausência de sintomas depressivos, os índices apresentaram associação positiva de religiosidade com uma correlação de Pearson infimamente associada.

Nos idosos que apresentaram grau de religiosidade elevado, a religiosidade não se mostrou fortemente ligada a ausência de sinais depressivos, a associação foi positiva, mais a correlação de Pearson foi fraca na religiosidade intrínseca, e a sensação da presença de Deus. Em estudos semelhantes no qual foi utilizada a escala de Religiosidade de DUREL, foram demonstrados a ausência de associação entre a presença de religiosidade e ausências de sinais depressivos (p=0,522)20.

O estudo apresenta limitações no que tangencia a percepção da espiritualidade pelos idosos, a escala de religiosidade não engloba aspectos importantes do domínio existencial e a essência do ser humano, a fraca associação entre religiosidade e ausência de sinais depressivos podem esta correlacionadas ao entendimento de religiosidade pelos idosos, alguns autores afirma que esperança e espiritualidade são fatores mais forte constituintes de um eu resiliente, e engloba significados mais amplo que religiosidade8 . As limitações inerentes ao próprio levantamento dos dados, como a real percepção de religiosidade relatada com a praticada, além do ambiente hospitalar, do processo de hospitalização, e os processos de complicações de enfermidades como fatores potencializadores dos sinais depressivos ou de despertar uma percepção de finitude e aproximação com Deus.

A espiritualidade é algo inato que promove bem-estar, saúde e estabilidade, e uma percepção individual do indivíduo que desperta sentimentos de esperança amor e fé, possibilita a transcendência e explicações de fatos pessoais, abrindo a possibilidade de reestruturação da vida20

CONCLUSÃO

Constatamos com este estudo que as vulnerabilidades inerentes ao processo de envelhecimento levam os idosos a fragilidade e muitas vezes ao desenvolvimento de sintomas depressivos.

Observou-se que a religiosidade, contribuiu para a bem-estar social e pessoal, contudo não se observa uma associação entre os níveis de religiosidade e ausências de sinais depressivos na população estudada, apesar disso, a religiosidade deve ser estimulada uma vez que idosos tendenciam ao isolamento, e o processo de internalização de sua religiosidade podem proporcionar maior resiliência ao enfrentamento das adversidades da vida.

Dentre os benefícios da pesquisa para a enfermagem, incluem estratégias de adesão a religiosidade dos idosos, como ferramenta de construção redes de apoio, bem como desenvolver estratégias de otimização do atendimento e melhora de protocolos internos de acolhimento do paciente idosos, e diminuição das vulnerabilidades nos idosos, possibilitando os profissionais de saúde a intervirem em determinantes de saúde sensíveis a medidas educativas de saúde.

Nesse contexto a pesquisa serve como subsídios para enfermagem entender os aspectos de vulnerabilidades nas pessoas idosas e o contexto da religiosidade como ferramenta de apoio, despertando o interesse para o desenvolvimento de novas pesquisas sobre aspectos de religiosidade e espiritualidade no contexto de saúde da pessoa idosa.

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Recebido: 07 de Setembro de 2017; Aceito: 27 de Fevereiro de 2018

Autor correspondente: Bruno Leonardo Soares Nery. brunoneryenfermagem@gmail.com

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