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Revista Gaúcha de Enfermagem

Print version ISSN 0102-6933On-line version ISSN 1983-1447

Rev. Gaúcha Enferm. vol.40  Porto Alegre  2019  Epub June 10, 2019

https://doi.org/10.1590/1983-1447.2019.20180130 

Revisão Sistemática

Causas de atraso na alta hospitalar no cliente adulto: scoping review

Causas de retraso en el alta hospitalaria en el cliente adulto: scoping review

Diana Andreia Santos Modasa 

Elisabete Maria Garcia Teles Nunesa 

Zaida Borges Charepea 

aUniversidade Católica Portuguesa, Instituto de Ciências da Saúde. Lisboa, Portugal.


Resumo

OBJETIVO

Mapear a evidência existente sobre as causas de atraso na alta hospitalar no cliente adulto.

MÉTODOS

Efetuada revisão da literatura do tipo scoping review. Pesquisou-se na plataforma informática da Ebscohost, na PubMed e na literatura cinzenta, consultando-se as referências bibliográficas desses documentos.

RESULTADOS

Dos 22 artigos analisados verificou-se que o atraso na alta hospitalar se deve a causas relacionadas com os recursos da comunidade, designadamente a falta de vagas em unidades de saúde e motivos sociais; a causas organizacionais relacionadas com os cuidados de saúde; a causas individuais, destacando-se as questões familiares e financeiras; culminando nas causas organizacionais relacionadas com a gestão hospitalar.

CONCLUSÃO

O atraso na alta hospitalar é multifatorial, tornando-se necessário monitorizar o processo de internação, apostando-se num planejamento de alta antecipado.

PALAVRAS Chave: Alta do paciente; Cuidados de enfermagem; Tempo de internação

Resumen

OBJETIVO

Mapear la evidencia existente sobre las causas de retraso en el alta hospitalaria en el cliente adulto.

MÉTODOS

Se realizó una revisión de la literatura del tipo scoping review. Se investigó en la plataforma informática de Ebscohost, en la PubMed y literatura gris, consultando las referencias bibliográficas de estos documentos.

RESULTADOS

De los 22 artículos analizados se verificó que el retraso en el alta hospitalaria se debe a causas relacionadas con los recursos de la comunidad, en particular la falta de vacantes en unidades de salud y motivos sociales; a causas organizacionales relacionadas con la asistencia sanitaria; a causas individuales, destacándose las cuestiones familiares y financieras; culminando en las causas organizacionales relacionadas con la gestión hospitalaria.

CONCLUSIÓN

El retraso en el alta hospitalaria es multifactorial. Es necesario controlar el proceso de internación, centrándose en una planificación de alta anticipada.

PALABRAS Clave: Alta del paciente; Atención de enfermería; Tiempo de internación

Abstract

OBJECTIVE

To map the existing evidence on the causes of hospital discharge delays among adult clients.

METHODS

A scoping review was conducted. We searched in the Ebscohost’ plataform, in PubMed, and in grey literature, consulting the bibliographic references of the documents found.

RESULTS

From the 22 articles analyzed it was verified that the delay in hospital discharge is due to causes related to community resources, namely the lack of vacancies in health units, and social reasons; to organizational causes related to health care; to individual causes, standing out family and financial issues; culminating in organizational causes related to hospital management.

CONCLUSION

The delay in hospital discharge is multifactorial. It’s necessary to monitor the hospitalization process, focusing on early discharge planning.

KEYWORDS: Patient discharge; Nursing care; Length of stay

INTRODUÇÃO

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)1 define tempo de internação como o número médio de dias que o cliente passa no hospital, excluindo-se os casos de admissão e saída no mesmo dia. Designa-se por atraso na alta a permanência da pessoa no hospital após ser dada alta clínica. O tempo de atraso consiste no intervalo de tempo entre o momento em que a pessoa se apresenta em condições de ter alta e sai efetivamente do hospital2. Este atraso na alta com retardo do regresso a casa apresenta consequências para a saúde e bem-estar do cliente e para a instituição ao nível dos custos associados3) e da rentabilidade, dificultando uma prestação de cuidados eficaz e eficiente4.

Identificar os obstáculos que dificultam uma alta no prazo adequado pode ajudar a instituição a direcionar esforços para reduzir tempos de internação desnecessários4. O enfermeiro tem um papel fundamental no processo de alta do cliente, visto encontrar-se numa relação mais próxima com este, sendo da sua responsabilidade a avaliação das necessidades da pessoa. O planejamento da alta deve ser iniciado o mais cedo possível, no sentido de prevenir problemas quando da alta e depois desta, providenciando-se cuidados de qualidade5.

Face a problemática exposta decidiu-se realizar uma revisão de literatura do tipo scoping review com o objetivo geral de descrever a evidência atual disponível sobre as causas de atraso na alta hospitalar no cliente adulto, com consequente aumento do tempo de internação hospitalar.

A relevância deste estudo está no fato de se abordar uma problemática pertinente e relevante, digna de atenção no contexto atual, dado o crescente aumento dos custos associados à saúde, parte destes devido a internações prolongadas evitáveis, sendo esta realidade uma preocupação diária do governo e da sociedade em geral.

Esta revisão urge pela necessidade de análise das diferentes causas, não se tendo encontrado nenhuma revisão que se foque na ação de enfermagem. Apoiar o processo da alta hospitalar é uma das dimensões do papel do enfermeiro, de forma a promover-se a continuidade dos cuidados, um cuidado integrado e comprometido6. Ao se identificarem as causas de atraso na alta hospitalar consegue-se definir medidas que podem contribuir para a diminuição do tempo de internação, otimizando-se o processo de internação do cliente, resultando em benefícios para a sua saúde e bem-estar e vantagens econômico-financeiras para a instituição.

MÉTODOS

Realizou-se uma revisão de literatura do tipo scoping por forma a analisar de forma ampla e abrangente estudos focados nesta problemática. Utilizando a metodologia de Joanna Briggs Institute, definiu-se a seguinte questão de revisão, tendo por base a mnemónica população - conceito - contexto (PCC): quais as causas de atraso na alta hospitalar do cliente adulto internado na enfermaria?

Definiram-se como questões secundárias de revisão: Quais as diferentes tipologias de causas de atraso na alta hospitalar do cliente adulto internado na enfermaria? Em que contextos clínicos se verificam os atrasos na alta hospitalar? E em que populações se verificam os atrasos na alta hospitalar?

No que diz respeito aos critérios de inclusão analisaram-se estudos que abordavam causas de atraso na alta hospitalar, fatores esses que podem estar relacionados com a própria pessoa, a instituição de saúde ou a comunidade. Incluíram-se clientes adultos e idosos internados em contexto hospitalar com atraso na alta, em situação aguda e/ou crónica, das diferentes especialidades médicas: cardiologia, cirurgia, dermatologia, estomatologia, gastrenterologia, ginecologia e obstetrícia, infecciologia, medicina, nefrologia, neurologia, oftalmologia, oncologia médica, ortopedia, otorrinolaringologia, pneumologia, endocrinologia e urologia; de forma a se efetuar uma análise geral sobre as diferentes causas para o retardo da alta. O contexto do estudo abrangeu os serviços de internação dos hospitais. Para a pesquisa efetuada definiu-se como limite inferior no universo temporal o ano de 2001, com a intenção de determinar causas decorrentes no século XXI, resultados relevantes para o sistema de saúde atual, correspondendo a estudos realizados na União Europeia, de forma a ser possível comparar realidades semelhantes. O limite superior data a julho de 2017. Respeitante às fontes de dados incluíram-se estudos que abordavam causas de atraso na alta hospitalar, podendo o tipo de estudo ser primário qualitativo e quantitativo, incluindo revisões da literatura, no sentido de complementar o máximo de evidência existente; com resumo e texto integral disponíveis e nos idiomas português, espanhol e inglês.

Como critério de exclusão definiu-se todo o artigo do gênero artigo de opinião, anúncios publicitários, editoriais ou cartas ao editor.

Respeitante à estratégia de pesquisa, numa primeira fase pesquisou-se nas bases de dados eletrônicas Medline with full text, Cinahl with full text e na PubMed, assim como na plataforma Descritores em Ciências da Saúde, efetuando-se uma pesquisa flutuante sobre o assunto, no sentido de identificar as palavras-chave mais comuns usadas nos artigos relacionados com o atraso na alta hospitalar, adaptando-os para termos MeSH, Headings e Descritores. Posteriormente, identificados os descritores a usar na pesquisa de artigos construiu-se a equação de pesquisa e investigou-se nas seguintes bases de dados da plataforma eletrônica da Ebscohost: Medline with full text, Cinahl with full text, MedicLatina, Cochrane Data Base of Systematic Reviews; e na PubMed.

No sentido de complementar esta análise por estudos primários e revisões pesquisou-se na literatura cinzenta, consultando-se os sites The Grey Literature Report, Open Grey, Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal, Veritati - Repositório Institucional da Universidade Católica Portuguesa, MedNar Search; e WorldWideScience.org - The Global Science Gateway.

Consultaram-se as referências bibliográficas dos documentos selecionados, averiguando-se se existiam mais estudos que fossem importantes de analisar. A pesquisa na literatura decorreu durante o mês de agosto de 2017.

Na base de dados PubMed resultou a seguinte sintaxe de pesquisa:

((((delay) OR length of delay)) AND (((("Patient Discharge"[Mesh]) OR "Patient Discharge Summaries"[Mesh]) OR Transfer, Discharge) OR Hospital Discharge)) AND "Length of Stay"[Mesh]

Sintaxes semelhantes foram adotadas para as restantes bases de dados.

Identificados os estudos iniciou-se o processo de seleção, eliminando os que se encontravam repetidos. Os restantes foram selecionados de acordo com os critérios de inclusão, sendo o processo de seleção efetuado inicialmente através do título, depois pelo resumo, seguido da leitura integral do artigo, verificando-se se este respondia à questão de investigação. O processo de seleção dos artigos deve ser conduzido de forma criteriosa e transparente, pelo que esta pesquisa foi efetuada por dois revisores de forma independente.

Decorrido este processo constituiu-se o corpus da análise, procedendo-se à colheita de dados para posterior comparação de evidência científica. A informação recolhida englobou: identificação do artigo, título, autor, ano de publicação, país, objetivo, participantes, população, tamanho da amostra, características metodológicas, desenho do estudo, resultados obtidos e principais conclusões relevantes para a scoping review. No que diz respeito à apresentação dos resultados as causas foram subdivididas em grupos, tendo-se realizado uma análise descritiva e comparativa dos resultados com uma síntese narrativa.

RESULTADOS

Da totalidade dos artigos obtidos, após a remoção dos seus duplicados, obtiveram-se 381 artigos para seleção inicial pela leitura do título. Desta primeira análise selecionaram-se 58 artigos, eliminando-se assim, 323 documentos. Posteriormente, eliminaram-se 25 artigos pela leitura do resumo, dado não responderem aos critérios de inclusão, visto 13 artigos apresentarem estudos realizados fora da União Europeia, 1 incluir clientes pediátricos no estudo e 11 não se focarem nas causas de atraso na alta hospitalar. Dos 33 artigos selecionados procedeu-se à leitura integral dos documentos, selecionando-se 17 para análise. Consultando as referências bibliográficas dos 17 artigos finais obtiveram-se mais 5 artigos para se adicionar à análise, visto responderem à questão de pesquisa. Deste modo, resultaram 22 artigos para analisar e incluir na revisão.

Figura 1 Prisma do processo de seleção dos artigos 

Analisando os resultados obtidos, a maioria dos estudos sugere a existência de múltiplos fatores contribuintes para o atraso na alta hospitalar, designadamente relacionados com os serviços sociais, os serviços hospitalares de cuidados agudos e da comunidade, incluindo questões pessoais e familiares. Dada esta linha orientadora designaram-se três tipos de causas ou fatores para o atraso na alta hospitalar relacionados com as características da instituição prestadora de cuidados, das pessoas e do sistema de saúde: causas organizacionais, ou intra-hospitalares; causas individuais, também denominadas por pessoais; e causas da comunidade, ou seja, relacionadas com os recursos existentes na comunidade ao serviço do cliente.

De uma forma sucinta, da análise efetuada verificou-se que o atraso na alta hospitalar se deve significativamente devido a causas relacionadas com os recursos da comunidade, especialmente com a falta de vagas em lares e unidades de cuidados de saúde, designadamente nos cuidados continuados2-3,7-18 e por motivos sociais3,7,9,12,14,17,19-21; a causas organizacionais relacionadas com os cuidados de saúde, com maior incidência na espera por avaliações de saúde, tratamentos ou resultados de exames4,7,14-15,17-18,22; a causas individuais, com destaque para as questões familiares7,8,14-15,17,21) e financeiras7,14,16; e a causas organizacionais relacionadas com a gestão hospitalar, onde se destaca a falta de recursos humanos7,14-15,23.

Quadro 1  Principais causas de atraso na alta hospitalar 

Causas Subtipo de causas
Organizacionais Relacionadas com os cuidados de saúde Aguarda avaliação de saúde, tratamento ou resultados de exames4,7,14-15,17-18,22
Queda19
Gestão da dor19
Cuidados de reabilitação intra-hospitalar10,24
Número de procedimentos realizados2
Necessidade de cateterização vesical24-25
Necessidade de transfusão sanguínea20,24-25
Utilização de analgesia controlada pelo paciente25
Preparação da alta4
Referenciação pelo enfermeiro3,9
Erros da equipe profissional4,15,17
Infecção associada aos cuidados de saúde3,19-20
Organizacionais Gestão Hospitalar Falta de recursos humanos7,14-15,23
Internação em duas ou mais especialidades médicas10
Dia da admissão15,23
Trabalho da assistente social9
Pessoais / Individuais Patologia associada2,10,19
Aumento do nível de dependência10,19
Questões familiares7-8,14-15,17,21
Questões financeiras7,14,16
Da comunidade Causas sociais3,7,9,12,14,17,19-21
Falta de vaga em lares e unidades de cuidados2,3,7,8-18
Aguarda tratamento na comunidade4,9,11,14,18,22,25
Necessidade de cuidados no domicílio7,10,14,22
Condições de segurança em casa3,11,13

Fonte: Dados da pesquisa, 2018.

DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

O atraso na alta hospitalar e as suas repercussões ao nível do cliente, da própria instituição e dos sistemas de saúde são problemáticas vivenciadas e abordadas em vários países. Focando a União Europeia, da análise efetuada, o Reino Unido é o que tem dado mais importância e atenção a este assunto.

Os 22 artigos analisados foram publicados entre os anos 2001 e 2016, com especial destaque para os anos de 2006 e 2012, cada um com 3 publicações; e realizados especialmente no Reino Unido (n=14)3,4,7,9-11,13-14,16,18,20,22-23,25, em Espanha (n=3)15,17,21, na Itália (n=2)8,19, em Portugal (n=1)12, na Noruega (n=1)2 e na Dinamarca (n=1)24.

Relativamente ao tipo de estudo, um estudo14 corresponde a uma revisão da literatura realizada no Reino Unido que foca o cliente idoso; e 21 estudos correspondem a estudos observacionais, entre os quais transversais2,8,11,18, estudos de coorte prospetivos3,4,9,12-13,15,17,19-25) e retrospetivos7,10,16. Respeitante ao nível de evidência científica por tipo de estudo, seguindo Melnyk e Fineout-Overholt classifica-se a grande maioria dos estudos com nível IV3,4,7,9-10,12-13,15-17,19-25, 4 estudos com nível VI2,8,11,18 e um estudo com nível V14.

No que diz respeito à especialidade médica, 8 artigos incluem clientes cirúrgicos4,8,11,13,18,20,24, 7 abrangem clientes de medicina8-10,13,15,19,21, 6 analisam clientes da especialidade de ortopedia-traumatologia3,8,10,12,24-25, incluindo cirurgia ortopédica24, 2 focam-se em clientes da especialidade de cardiologia10,23, 2 em clientes da especialidade de gastroenterologia9-10, 2 em clientes de reabilitação8,16, 1 em clientes do foro psiquiátrico10 e 1 em clientes do serviço de geriatria8. Dos 22 artigos analisados, 42,7,17,22 não especificam especialidades médicas e 114 aborda diferentes especialidades.

Focando a faixa etária destes clientes verifica-se que a grande maioria se destaca no cliente idoso, ou seja, pessoa com idade igual ou superior a 65 anos (n= 16)2,3,7-12,14,17-19,21-22,24-25, seguido de 4 estudos4,13,16,20 que se focam no cliente adulto. No entanto, 2 artigos15,23 não referem a faixa etária dos clientes analisados.

No que concerne ao tamanho da amostra a sua dimensão varia desde 50 a 23.390 pessoas, sobressaindo o gênero feminino, excluindo-se 5 estudos2-4,7,23 que não diferenciam o gênero na contabilização dos clientes e 1 estudo14 que não menciona o número de clientes dos diferentes estudos investigados.

A admissão e a alta hospitalar correspondem a momentos de estresse para o indivíduo, família, cuidadores e prestadores de cuidados19. Perante uma situação de doença a pessoa vê-se muitas vezes, mais dependente e vulnerável, requerendo mais apoio e suporte de ordem psicológica, física e social26. A transferência do hospital para o domicílio com necessidade de cuidados corresponde também, a uma mudança de vida significativa, tanto para o próprio cliente, como para a sua família7.

O atraso na alta hospitalar aumenta a ocupação de leitos, ou seja, o leito está ocupado por uma pessoa que já não necessita de cuidados agudos, impossibilitando a entrada de novos clientes em situação aguda. Como consequência diminui o número de admissões e a rotatividade de clientes no serviço, mantendo-se os custos associados a uma internação.

Especificando às diferentes especialidades clínicas verificou-se que as especialidades de medicina e de ortopedia são as que apresentam maior número de causas para o atraso na alta hospitalar, seguidas dos clientes do foro cirúrgico, de gastrenterologia e de cardiologia. O tempo de atraso nos clientes cirúrgicos representou desde 9.48%8 (valor igualmente idêntico nos clientes de ortopedia, de reabilitação e de geriatria), 19.2%4, 35%18 a 41.9%11 do tempo de internação total. No cliente ortopédico o intervalo variou entre 9.48%8 e 11.49%12 do tempo de internação total, ao passo que nos clientes de medicina interna e de gastrenterologia correspondeu a 20.7%9.

São diversos os fatores que podem ser apontados como causadores de atraso na alta hospitalar. É importante conhece-los, no sentido de melhorar o cuidado, diminuindo a ocupação de leitos23. Analisando em detalhe as causas verifica-se que a grande maioria deve-se a causas da comunidade, por falta de vaga em unidades de cuidados continuados e de reabilitação2,7-9,12-17, seguida da falta de vaga em lares2,3,8-11,13,17-18 e por causas sociais. Estas causas sociais estão relacionadas com a falta de providência de apoio social7,9,21, ou situações de fragilidade social3,14,17,19-20, mencionando um estudo situações de isolamento social12, fortemente condicionadoras do regresso a casa.

Concretamente sobre a falta de vaga nos cuidados continuados e de reabilitação, esta situação tende a agravar, dado o aumento da esperança média de vida da população, associado a um maior nível de dependência e necessidade de cuidados de saúde27. Estes aspetos estão congruentes com o relatório da OCDE28 que refere que Portugal deve continuar a expandir a capacidade de resposta de cuidados de saúde ao nível da comunidade, diminuindo a carga e pressão sobre os hospitais, promovendo a efetividade dos cuidados e segurança do cliente, melhorando a qualidade do cuidado prestado a nível nacional. Um estudo italiano abrangendo diferentes especialidades médicas, refletiu esta necessidade, constatando que os clientes internados nas unidades de cuidados de longa duração/reabilitação e ortopedia/traumatologia sofriam mais atrasos na alta. Comparando o serviço de cirurgia com o de medicina, os clientes deste último tinham mais atrasos8.

Ainda no âmbito das causas da comunidade, aguardar tratamentos na comunidade4,9,11,14,22, incluindo tratamentos de reabilitação9,11,14,18,25 ocupam ambos lugar de destaque nas causas para atraso na alta hospitalar, seguidos pela necessidade de cuidados no domicílio7,10,14,22 e assegurar condições de segurança em casa3,11,13 para se proceder à transferência da pessoa para a sua residência. Face os dados apresentados pode-se concluir que a União Europeia ainda não possui suporte comunitário suficiente para o cliente com alta.

Relativamente às causas organizacionais estas podem ser subdivididas em relação aos cuidados de saúde e à gestão hospitalar, ou seja, atrasos na alta que estejam relacionados com a prestação de cuidados e resultados junto do cliente, ou segundo questões mais direcionadas para procedimentos de gestão e administração. Assim, relacionando com os cuidados de saúde há a salientar o atraso por aguardar avaliações do estado de saúde, tratamentos ou resultados de exames4,7,14-15,17-18,22, seguidos da má prática profissional4,15,17, da infecção associada aos cuidados de saúde3,19-20 e da necessidade de transfusões sanguíneas20,24-25. Causas menos incidentes, mas igualmente importantes são a necessidade de cuidados de reabilitação intra-hospitalar10,24, a necessidade de cateterização vesical24-25, o atraso na referenciação por parte do enfermeiro3,9, as quedas19, a gestão da dor19, a necessidade de ventilação pós-operatória20, o número de procedimentos realizados2, a utilização de analgesia controlada pelo paciente25 e a preparação da alta4. Estudo inglês sugere intervenções promotoras de internações mais curtas, através de melhorias na analgesia, na monitorização de perdas hemáticas e na diminuição do número de clientes que necessitam de transfusões ou cateterização vesical25.

No que concerne às quedas, um estudo italiano com clientes de medicina foca este problema, verificando-se em 5% dos casos de atraso na alta hospitalar19. Nesta problemática o enfermeiro desenvolve um papel fundamental na identificação de clientes de risco de sofrerem quedas, providenciando as medidas preventivas de segurança necessárias.

Respeitante às infecções associadas aos cuidados de saúde, um estudo no Reino Unido verificou que em 28% da amostra a causa de atraso na alta foi devido a sepse. Destes 28% quase 50% tinham infecções associadas aos cuidados de saúde, com especial destaque para a infecção do trato urinário (12%) e a pneumonia (10%)3. Noutro estudo inglês com clientes cirúrgicos, situações relacionadas com a infecção da ferida cirúrgica geraram mais 11.7 dias de internação. Os autores sugerem que deve ser preocupação da equipe cirúrgica desenvolver medidas que previnam esta complicação, assim como complicações urinárias e de perdas hemáticas intraoperatóriamente20. Segundo dados da OCDE28 estas infecções têm uma prevalência significativa em Portugal comparativamente com a média da União Europeia (prevalência relatada de 10,7% em 2011/12, em comparação com a média da União Europeia de 6,0%).

Focando o papel do enfermeiro, um estudo com clientes internados num serviço de medicina geral de gastrenterologia, constatou que 3.5% dos casos de atraso na alta hospitalar deviam-se a atrasos na referenciação por parte do enfermeiro, o que se traduziu num custo total adicional de 22.628,49€, que corresponde a 22,15€ por cliente. No sentido de resolver esta problemática, os autores sugerem soluções efetivas, como um plano de alta cuidado, o mais precoce possível, por forma a evitar atrasos na internação, poupando-se a nível financeiro, demonstrando-se também, que o cliente é prioritário9.

Relativamente à gestão hospitalar, o fator mais preocupante é a falta de recursos humanos7,14-15,23. Mais recursos humanos e materiais contribuem para uma redução do tempo de internação e de atraso2. Segundo a opinião de profissionais de saúde para as causas de atraso na alta hospitalar de clientes idosos, estas convergem para a falta de profissionais para o apoio no domicílio e para a prestação de cuidados, assim como a falta de apoio aos cuidadores informais; e limitações no financiamento7.

No que concerne às causas individuais, as questões familiares7,8,14-15,17,21) são as que sobressaem mais, seguidas das questões financeiras7,14,16 e do estado de saúde da pessoa, mais concretamente as patologias associadas2,10,19 e o seu nível de dependência elevado10,19.

Analisando as questões familiares um estudo espanhol, com clientes de medicina, verificou que os casos de atraso na alta correspondiam a clientes tendencialmente mais idosos, com problemas de consumo de álcool e benzodiazepinas ou acidentes vasculares cerebrais. 51.8% destes atrasos eram devidos a sobrecarga e/ou incapacidade dos familiares para o cuidado, por impossibilidade de conciliar o trabalho com a prestação de cuidados; e 21.8% devido a carência de familiares disponíveis ou falta de apoio da rede social21.

Particularizando ao cliente idoso, este tem maior probabilidade de vir a sofrer atraso na alta, não só pelas comorbilidades associadas e elevados níveis de dependência10, presentes já antes da agudização da situação, como pela maior probabilidade de vir a necessitar de cuidados de reabilitação, de curta ou longa duração ou no domicílio, não sendo muitas vezes possível disponibilizá-los logo no momento da alta clínica8,19.

Através desta análise verificou-se que muitos fatores estão interrelacionados, no sentido em que com o avançar da idade, as comorbilidades tendem a ser em maior número, assim como o nível de dependência nas atividades de vida diárias, o que pode aumentar o risco de aumento do tempo de internação e de atraso. De igual forma, a necessidade de institucionalização implica estados de saúde com morbilidades associadas, o que depreende uma maior necessidade de consumo de serviços de saúde.

O atraso na alta hospitalar é evitável se estratégias adequadas forem implementadas no prazo adequado. É importante desenvolver programas que visem dar resposta às necessidades dos clientes, diminuindo o seu tempo de estadia no hospital, otimizando o processo de internação e de alta. É neste contexto que a cooperação entre serviços de saúde e de apoio social se demonstra crucial11,14, aperfeiçoando a articulação entre os diferentes profissionais para melhorar o percurso do cliente9,19, devendo-se providenciar serviços completos 7 dias por semana para uma mais rápida avaliação23. É importante reorganizar os serviços para serviços especializados, melhorando o cuidado e a eficiência do serviço de saúde13,15.

É fundamental identificar logo no momento da admissão os clientes com risco de atraso na alta, que necessitem de um planejamento de alta complexo, monitorizando-se situações consideradas de risco21,23. Este planejamento de alta cuidado e o mais precoce possível deve ser realizado3,8-9,11,21,23, comunicando-se com a equipe de gestão de altas e rede de cuidados, implementando-se intervenções, no sentido de prevenir atrasos na alta hospitalar11.

Um estudo da Noruega realça a importância da existência de mais recursos2. Focando os recursos humanos um estudo inglês destaca a relevância do enfermeiro na orientação do processo de alta do cliente4. Deve ser preocupação deste profissional de saúde a preparação da pessoa e sua família para a alta e para os cuidados pós-alta, cumprindo-se o papel de educador e orientador29.

CONCLUSÃO

O estado da arte mostra que o atraso na alta hospitalar é multifatorial. Pode resultar devido a fatores hospitalares internos, fatores externos e pessoais, causas estas muitas vezes interdependentes e previsíveis. As principais causas de atraso são semelhantes entre os vários estudos dos diversos países, assim como as características clínicas dos clientes, maioritariamente idosos, com acentuada fragilidade e nível de dependência aumentada por deterioração da capacidade funcional.

São várias as limitações a apresentar decorrentes desta análise, das quais temos consciência. Antes de mais, estamos cientes do risco de omissão de estudos relevantes não abrangidos pelos descritores e palavras-chave empregados na pesquisa inicial. Contudo, no sentido de diminuir este risco optou-se por consultar as referências bibliográficas dos estudos obtidos na pesquisa, de forma a complementar este processo de análise. Também a limitação linguística é uma realidade, excluindo-se estudos noutros idiomas que não o Português, o Inglês e o Espanhol, possivelmente importantes de incluir nesta revisão.

Depois, as diferentes definições adotadas para considerar atraso na alta hospitalar, com base na decisão clínica ou na definição do próprio autor, podem influenciar esta análise, o que pode subjetivar os resultados e a possibilidade de comparação entre estes. Isto, porque o tempo estipulado pelo autor como limite para se considerar atraso diverge em alguns estudos.

Esta scoping review permite concluir que é necessário investir em metodologias resolutivas do atraso na alta hospitalar. Deve-se investir no planejamento da alta, criando-se modelos e protocolos para implementação nas práticas de enfermagem, logo no momento da admissão do cliente, que permitam identificar potenciais casos do atraso na alta.

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Recebido: 29 de Junho de 2018; Aceito: 16 de Novembro de 2018

Autor correspondente:Diana Andreia Santos Modas diana.modas@gmail.com

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