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Revista da Educação Física / UEM

On-line version ISSN 1983-3083

Rev. educ. fis. UEM vol.24 no.3 Maringá July/Sept. 2013

https://doi.org/10.4025/reveducfis.v24.3.15846 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Influência da ordem de exercícios com pesos sobre a composição corporal em homens idosos

 

Influence of resistance exercises order on body composition in older men

 

 

Fábio Luiz Cheche PinaI; Matheus Amarante do NascimentoI; Renata Selvatici Borges JanuárioI; Aline Mendes GerageII; Arli Ramos de OliveiraIII; Edilson Serpeloni CyrinoIV

IDoutorando do Programa de Pós-Graduação Associado em Educação Física UEM/UEL, Londrina-PR, Brasil. Universidade Estadual de Londrina, Londrina-PR, Brasil
IIDoutorada do Programa de Pós-Graduação em Educação Física da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis-SC, Brasil
IIIDoutor.  Departamento de Ciências do Esporte da Universidade Estadual de Londrina, Londrina-PR, Brasil
IVDoutor. Departamento de Educação Física da Universidade Estadual de Londrina, Londrina-PR, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Este estudo analisa a influência da ordem de exercícios com pesos sobre a composição corporal de idosos. Dezoito homens (69 ± 5 anos) foram separados aleatoriamente em dois grupos, dos quais um grupo realizou a sequência A (SEQ A), estruturada para a execução dos exercícios, iniciando-se dos grandes para os pequenos grupos musculares e outro grupo, a sequência B (SEQ B), ordenada de forma inversa à primeira (SEQ A). A intervenção foi realizada por sete semanas, composta por duas séries de 10 a 15 repetições máximas, três vezes por semana. Antes e após a intervenção, os grupos foram submetidos à avaliação da composição corporal por meio da técnica de bioimpedância elétrica. Nenhuma diferença estatisticamente significante (P > 0,05) foi encontrada entre a SEQ A e SEQ B para nenhuma das variáveis analisadas. Os resultados sugerem que a ordem de execução dos exercícios com pesos não influencia as respostas da composição corporal em homens idosos.

Palavras-chave: Treinamento de resistência. Antropometria. Envelhecimento.


ABSTRACT

This study analyzed the influence of resistance exercises on body composition among elderly males. Eighteen men (69 ± 5 years) were randomly assigned to two groups. One group performed sequence A (SEQ A), starting from large to small muscle groups; the other group performed sequence B (SEQ B), set up in the inverse order as the first (SEQ A). The intervention was carried out for seven weeks, consisting of two sets of 10 to 15 maximum repetitions, three times a week. Before and after the intervention, the groups were submitted to body composition measurements using the bioelectrical impedance technique. No statistically significant differences (P > 0.05) were found between SEQ A and SEQ B for any of the analyzed variables. The results suggest that the order in which the resistance exercises were performed does not influence responses of body composition in older men.

Keywords: Resistance training. Anthropometry. Aging.


 

 

INTRODUÇÃO

Os benefícios associados à prática de programas de treinamento com pesos (TP) têm sido amplamente difundidos na literatura científica e tal treinamento vem sendo utilizado por diversas populações para a manutenção ou melhoria de componentes morfológicos, fisiológicos e neuromotores (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2009a; AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2009b; AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2011). No que diz respeito à população idosa, especificamente, diversas adaptações ao treinamento têm sido observadas, sobretudo, em importantes componentes da composição corporal, como a massa muscular e a massa óssea (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2009a; AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2009b). Vale destacar que a manutenção ou melhoria desses componentes pode auxiliar na estabilidade dinâmica das diferentes articulações, reduzindo o risco de quedas e, consequentemente, de fraturas, além de atenuar a redução da capacidade funcional acarretada pelo processo natural de envelhecimento (SILVA et al., 2006b).

Entretanto, os benefícios proporcionados pelo TP são dependentes da manipulação de diversas variáveis que compõem os programas de treinamento, tais como: o número de exercícios, séries e repetições; a ordem de execução dos exercícios; a velocidade de execução dos exercícios; os intervalos de recuperação entre séries e exercícios; a frequência semanal (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2009a). Nesse sentido, o controle rigoroso dessas variáveis determina grande parte das respostas adaptativas ao TP.

Com relação à ordem de execução dos exercícios com pesos, embora o número de investigações seja ainda reduzido, informações preliminares têm indicado que os grandes grupamentos musculares devem ser solicitados antes dos pequenos grupamentos, em todas as situações de treinamento, tanto para jovens como para a população idosa (SFORZO; TOUEY, 1996; SIMÃO et al., 2005; SPREUWENBERG et al., 2006; SIMÃO et al., 2007; ASSUMPÇÃO et al., 2013). Todavia, essas informações devem ser analisadas com cautela, uma vez que a maioria dos estudos disponíveis na literatura sobre a influência da ordem de execução dos exercícios com pesos tem adotado delineamentos transversais (SFORZO; TOUEY, 1996; MONTEIRO; SIMÃO; FARINATTI, 2005; SIMÃO et al., 2005; SPREUWENBERG et al., 2006; GENTIL et al., 2007; SIMÃO et al., 2007; SILVA; MONTEIRO; FARINATTI, 2009; SIMÃO et al., 2012), o que não possibilita uma análise das possíveis respostas adaptativas induzidas pelo treinamento crônico.

Além disso, os estudos que têm adotado delineamento longitudinal têm se limitado a investigar algumas respostas adaptativas neuromusculares (DIAS et al., 2010; SIMÃO et al., 2010; ASSUMPÇÃO et al., 2013), fisiológicas e metabólicas (FARINATTI et al., 2009). Vale ressaltar que as investigações descritas anteriormente foram realizadas com adultos jovens e nenhuma delas analisou a influência da ordem de execução dos exercícios com pesos sobre componentes da composição corporal.

Considerando que, embora a prática do TP possa ser bastante benéfica para idosos, existe um único estudo disponível na literatura até o presente momento sobre a importância da ordem de execução de exercícios com pesos nessa população (SILVA; MONTEIRO; FARINATTI, 2009). Além disso, esse estudo se limitou somente à análise do número de repetições executadas e a percepção de esforço, por meio de um delineamento transversal. Assim, acreditamos que outras investigações com base nessa população, a partir de delineamentos longitudinais, podem contribuir sobremaneira para a determinação da ordem de posicionamento dos exercícios em um programa de TP em idosos, de modo que as diversas respostas adaptativas a esse tipo de treinamento possam ser mais favoráveis.

Portanto, o objetivo do presente estudo é analisar a possível influência da ordem de execução de exercícios com pesos sobre a composição corporal em homens idosos. A nossa hipótese é de que a ordem de execução de exercícios com pesos dos grandes para os pequenos grupos musculares resultará em melhores respostas adaptativas aos diferentes componentes da composição corporal.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Sujeitos

Para a realização deste estudo, foram selecionados, voluntariamente, 18 homens aparentemente saudáveis, de 60 a 80 anos. Os idosos participantes do presente experimento já faziam parte de um programa de exercícios com pesos nos últimos quatro meses anteriores ao início do estudo. Como critérios iniciais de inclusão, os idosos não deveriam ser fumantes, etilistas e não poderiam apresentar histórico de disfunções crônico-degenerativas não controladas. Antes do início do treinamento, todos os participantes foram submetidos a exames cardiológicos e apresentaram atestado médico, informando estarem aptos à prática de exercícios físicos. Todos os participantes, após serem devidamente esclarecidos sobre a proposta do estudo e procedimentos aos quais seriam submetidos, assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido. O projeto foi aprovado pelo comitê de ética local (Processo: 21750/2006), de acordo com as normas da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde sobre pesquisas envolvendo seres humanos.

Antropometria

A massa corporal foi mensurada em uma balança de leitura digital (Filizola, modelo ID 110, São Paulo, Brasil), com escala de 0,1 kg, ao passo que a estatura foi determinada em um estadiômetro de madeira com escala de 0,1 cm, de acordo com os procedimentos descritos por Gordon, Chumlea e Roche (1988). A partir dessas medidas, o índice de massa corporal (IMC) foi calculado pela razão entre a massa corporal (kg) e o quadrado da estatura (m).

Composição corporal

A água corporal total (ACT), massa corporal magra (MCM), gordura corporal relativa (%G) e massa gorda (MG) foram determinadas antes e após sete semanas de intervenção por meio de bioimpedância elétrica (Biodynamics Body Composition Analyzer, modelo 310, Biodynamics Corporation, Seattle, USA). Esse método é de fácil aplicação e apresenta alta reprodutibilidade quando utilizado em idosos (LIMA; RECH; PETROSKI, 2008).

Os participantes foram posicionados em decúbito dorsal, em uma maca isolada de condutores elétricos, na posição supinada, com as pernas abduzidas em um ângulo de 45o. Após a limpeza da pele com álcool, quatro eletrodos foram fixados na superfície da mão e do pé direito, de acordo com os procedimentos descritos por Sardinha et al. (1998). Os valores de MCM foram estimados por meio da equação de regressão, proposta por Gray et al. (1989).

Protocolo de treinamento com pesos

O programa de TP foi estruturado com base nas recomendações vigentes para a prática de TP em idosos (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2009b; AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2011), sendo composto por oito exercícios, que foram realizados com uma frequência de três sessões semanais (segundas, quartas e sextas-feiras) durante sete semanas consecutivas.

O mesmo programa de TP foi prescrito em duas sequências. Na sequência A (SEQ A), os exercícios foram executados na seguinte ordem: supino em banco horizontal (SH), puxada articulada (PA), tríceps no pulley (TP), rosca bíceps na barra (RB), cadeira extensora (CE), mesa flexora (MF), cadeira abdutora (CAB) e cadeira adutora (CAD). Na sequência B, (SEQ B) adotou-se a ordem RB, TP, PA, SH, CAD, CAB, MF e CE.

Ambas as sequências de treinamento foram executadas em duas séries de 10 a 15 repetições máximas (RM) com cargas fixas. As cargas utilizadas foram compatíveis aos intervalos de repetições estipulados para cada exercício, sendo determinadas após o desempenho de cada idoso nas sessões de familiarização, e ajustadas, individualmente, ao longo do período experimental sempre que o limite superior de repetições pré-determinadas para cada exercício fosse atingido nas duas séries. Assim, incrementos na ordem de 2 a 5% para os exercícios de membros superiores e 5 a 10% para os exercícios de membros inferiores foram utilizados (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2009a) para que a intensidade inicial do treinamento fosse preservada ao longo de todo o período de intervenção. Ao final de cada sessão, aproximadamente cinco minutos foram destinados à realização de exercícios de alongamento para os grupamentos musculares trabalhados na sessão de TP.

Durante a execução dos movimentos, os participantes foram orientados para inspirar na fase excêntrica e expirar na fase concêntrica, mantendo a velocidade de execução dos movimentos na razão 1:2 na fase concêntrica e excêntrica, respectivamente. Vale destacar que o intervalo de recuperação entre as séries foi de 60 a 90 segundos e entre os exercícios, de dois a três minutos.

Delineamento do estudo

Inicialmente, a amostra foi dividida aleatoriamente em dois grupos (SEQ A e SEQ B). Tanto a SEQ A quanto a SEQ B foram aplicadas durante sete semanas consecutivas, totalizando 21 sessões de treinamento para cada sequência de treinamento. Avaliações antropométricas e da composição corporal foram realizadas na linha de base (semana anterior ao início do estudo) e na semana posterior às sete semanas de TP. A frequência às 21 sessões de TP foi ≥ 94%.

Tratamento estatístico

Inicialmente, o teste de Shapiro Wilk foi utilizado para a análise da distribuição dos dados. A partir daí, as variáveis foram expressas em valores de média e desvio-padrão. O teste t de Student para amostras independentes e com o mesmo número de elementos foi utilizado para as comparações entre as características gerais da amostra (idade, massa corporal, estatura e índice de massa corporal) no momento inicial do estudo. O teste de Mauchly foi utilizado para análise da esfericidade. Análise de variância (ANOVA two-way) para medidas repetidas foi realizada para as comparações intra e intergrupos na composição corporal (ACT, MCM, %G e MG). Nas variáveis cujos valores no momento inicial diferiram significativamente entre os grupos (MG), foi aplicada a análise de covariância (ANCOVA two-way), com os valores iniciais sendo utilizados como covariáveis. O teste post hoc de Tukey foi empregado para a identificação das diferenças específicas nas variáveis cujos valores de F encontrados foram superiores ao critério de significância estatística estabelecida (P < 0,05). Os dados foram processados no pacote estatístico SPSS versão 20.0. A magnitude das diferenças foi calculada a partir do tamanho do efeito (effect size). Um tamanho do efeito de 0,20-0,49 foi considerado pequeno, 0,50-0,79 como efeito moderado e ≥ 0,80 como efeito de grande magnitude (COHEN, 1988).

 

RESULTADOS

A Tabela 1 apresenta as características gerais dos participantes do estudo, de acordo com as sequências de TP estabelecidas para as sete semanas de intervenção (SEQ A e SEQ B), no momento pré-treinamento. Nenhuma diferença estatisticamente significante foi identificada para as variáveis idade, massa corporal, estatura e IMC (P > 0,05).

O comportamento de indicadores da composição corporal dos participantes do estudo, de acordo com as sequências de TP estabelecidas (SEQ A e SEQ B), antes e após sete semanas de intervenção, é apresentado na Tabela 2. Nenhuma interação grupo vs. tempo significante foi encontrada nas variáveis analisadas (P > 0,05).

 

DISCUSSÃO

Os principais resultados deste estudo foram: (1) a ordem de execução dos exercícios com pesos não proporcionou diferentes respostas nos componentes da composição corporal investigados; (2) o período de sete semanas de TP não foi suficiente para desencadear mudanças significantes na ACT, MCM, MG e %G. Em termos de aplicação prática, os resultados do nosso estudo indicam que provavelmente seja mais importante definir a ordem de execução dos exercícios com base nas principais necessidades de cada praticante (ordem de prioridade) do que simplesmente estruturar o programa dos grandes para os pequenos grupamentos musculares ou vice-versa.

Embora estudos anteriores tenham investigado as respostas de diferentes ordens de execução de exercícios com pesos sobre o desempenho físico por meio de delineamentos longitudinais (FARINATTI et al., 2009; DIAS et al. 2010; SIMÃO et al., 2010; ASSUMPÇÃO et al., 2013), este é o primeiro estudo que analisou o impacto de diferentes ordens de execução de exercícios com pesos sobre a composição corporal. Além disso, a maioria das investigações dessa natureza, tanto em nível transversal quanto longitudinal, tem analisado as respostas em amostras compostas por indivíduos adultos. Portanto, o nosso estudo tentou ampliar essa abordagem, investigando o efeito crônico da manipulação dessa variável em idosos.

Considerando as importantes modificações morfológicas e estruturais observadas com o avançar da idade, tais como aumento da gordura corporal e a redução da massa muscular e do conteúdo mineral ósseo, a adoção de medidas profiláticas para a atenuação ou reversão em parte desse quadro podem ter importantes implicações para a saúde e qualidade de vida do idoso. Assim, apesar de o TP utilizado nesta investigação não ter contribuído para a melhoria da composição corporal da amostra investigada, a simples estabilização do comportamento dos componentes da composição corporal analisados pode ser considerada um importante benefício para a população idosa, uma vez que o aumento da gordura corporal e a redução da massa muscular estão associados à incidência de doenças crônico-degenerativas (ADES et al., 2005) e redução da capacidade funcional dessa população (LOVELL; CUNEO; GASS, 2010).

Vale destacar que nenhuma modificação significante na MCM foi identificada neste estudo, apesar de o aumento da massa muscular após dois meses de TP em idosos ter sido documentado anteriormente na literatura (TRACY et al., 1999). É possível que esse fato possa estar atrelado à condição física prévia dos participantes do nosso estudo, visto que os sujeitos selecionados estavam envolvidos com a prática de TP há, pelo menos, quatro meses antes do início do experimento.

Em relação à ACT, programas de exercícios físicos sistematizados podem promover aumento significante da hidratação (CAMPBELL et al., 1999), contudo o processo de envelhecimento per si induz perdas de fluidos intracelulares (HEYWARD; STOLARCZYK, 2000). Nesse sentido, o presente estudo não identificou alterações significantes na ACT, independentemente da ordem de execução dos exercícios (SEQ A = + 1,9% e SEQ B = - 2,4%). Vale destacar que a água corporal intracelular é o maior componente da massa muscular e seu declínio durante o envelhecimento pode ser considerado um indicador de diminuição da MCM. No estudo conduzido por Campbell et al. (1999), os pesquisadores sugeriram que o aumento encontrado na ACT poderia ser fruto de um acréscimo no volume de fluidos extracelulares ou, ainda, de um aumento na quantidade de água no tecido muscular, provavelmente pela elevação dos depósitos de glicogênio muscular. Todavia, a ausência de informações sobre o comportamento da ACT a partir da análise dos compartimentos intra e extracelular não permitiu a confirmação ou rejeição dessas hipóteses no presente estudo, assim como no estudo de Campbell et al. (1999).

No que diz respeito ao método de avaliação da composição corporal utilizado em nosso estudo (bioimpedância elétrica), apesar de ser reconhecido internacionalmente, não se pode desprezar que se trata de um método de análise bicompartimental com reconhecidas limitações, sobretudo, quando comparado a métodos mais robustos como absortometria radiológica de dupla energia (DEXA), tomografia computadorizada, ressonância magnética e métodos de diluição (deutério ou brometo). Entretanto, vale destacar que a sua boa reprodutibilidade, o baixo custo e a rapidez no processamento das informações tornam a bioimpedância elétrica um dos métodos mais atraentes e de ampla aplicação no campo profissional e em estudos epidemiológicos, sobretudo em idosos (SILVA et al., 2006a; TREVISAN; BURINI, 2007; LIMA; RECH; PETROSKI, 2008; LING et al., 2011).

O presente estudo, contudo, apresenta algumas limitações. O curto período de acompanhamento (sete semanas) pode não ter sido suficiente para a manifestação de importantes modificações na composição corporal e diferenças entre as ordens de execução analisadas, uma vez que a amostra utilizada foi composta por sujeitos treinados previamente. Isso pode ser confirmado pelos valores de interação encontrados, particularmente, para as variáveis ACT e %G, em que os valores de significância parecem indicar tendência (P ≤ 0,10). A adoção de um período de acompanhamento mais longo poderia confirmar ou rejeitar tal hipótese. Adicionalmente, não se pode desprezar a importância dos hábitos alimentares para as modificações nos diferentes componentes da composição corporal, variável esta que não foi controlada do presente estudo. Da mesma forma, o acompanhamento da evolução da força muscular poderia auxiliar, pelo menos em parte, o entendimento dos achados, visto que importantes modificações nessa direção têm sido relatadas por alguns pesquisadores de idosos engajados em programas de TP (SILVA et al., 2006a; FAHLMAN  et al., 2007). Por fim, um delineamento na forma de cross-over poderia oferecer um contributo às análises, pelo controle da individualidade biológica (todos os sujeitos seriam submetidos às duas condições experimentais).

 

CONCLUSÃO

Os resultados do presente estudo sugerem que a ordem de execução dos exercícios com pesos parece não influenciar, positiva ou negativamente, as respostas da composição corporal em homens idosos treinados e com experiência prévia em TP.

 

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem a todos os participantes que se dedicaram ao desenvolvimento deste estudo, ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelas bolsas de produtividade em pesquisa (A.R.O. e E.S.C.) e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelas bolsas de doutorado (A.M.G e M.A.N.) outorgadas.

 

REFERÊNCIAS

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Endereço para correspondência:
Fábio Luiz Cheche Pina - Avenida Maringá, 478 – Apto 106

CEP: 86060-000 - Londrina, PR - Brasil
e-mail: fabiocheche@hotmail.com

Recebido em 26/01/2013
Revisado em 20/06/2013
Aceito em 21/07/2013

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