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Revista Brasileira de Cirurgia Plástica

versión impresa ISSN 1983-5175

Rev. Bras. Cir. Plást. vol.27 no.2 São Paulo abr./jun. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1983-51752012000200026 

IDEIAS E INOVAÇÕES

 

Modelo prático para treinamento de anastomose microvascular

 

 

Murillo Francisco Pires FragaI; Luis Fernando PerinII; Alexandra Conde GreenIII; Rafael ZacariasIV; José Carlos FaesIV; Thiago TenórioIV; Américo Helene Jr.V

IDoutor em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), professor associado da FCMSCSP, São Paulo, SP, Brasil
II
Mestre em Medicina pela FCMSCSP, professor associado da FCMSCSP, São Paulo, SP, Brasil
III
Membro especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), cirurgiã plástica da Universidade de Maryland, Baltimore, Estados Unidos
IV
Cirurgião plástico, membro especialista da SBCP, médico associado da Disciplina de Cirurgia Plástica da FCMSCSP, São Paulo, SP, Brasil
V
Doutor em Medicina pela FCMSCSP, chefe da Disciplina de Cirurgia Plástica da FCMSCSP, São Paulo, SP, Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

A técnica de anastomose microcirúrgica é desafiadora e requer treinamento extenso, dedicação e tempo. Os autores descrevem um modelo de treinamento acessível, prático e fácil, que utiliza retalho abdominal proveniente de abdominoplastias. O calibre dos vasos epigástricos superficiais encontrados nos retalhos abdominais excisados variou de 1,2 mm a 2 mm, dependendo do índice de massa corporal da paciente no pré-operatório. Esse retalho permitiu o treinamento de anastomoses microcirúrgicas em vasos de diferentes calibres. Esses vasos permaneciam com pequena quantidade de sangue em seu lúmen, o que permitia testar a qualidade e a patência das anastomoses. Esse modelo de treinamento em vasos abdominais humanos, quando comparado aos modelos animais ou inanimados, permite transição mais rápida e real aos pacientes. A prática de dissecção e de anastomoses terminoterminais e terminolaterais de uma maneira efetiva e prática aperfeiçoa a destreza cirúrgica.

Descritores: Anastomose cirúrgica. Microcirurgia. Abdome/cirurgia. Capacitação.


 

 

INTRODUÇÃO

A técnica de anastomose microcirúrgica é desafiadora e requer treinamento extenso, dedicação e tempo. A microcirurgia tem ampliado as possibilidades de reconstrução de tumores, em traumas e, inclusive, na cirurgia estética. É imperativo que aqueles que desejam realizar esses procedimentos estejam bem preparados para enfrentar cirurgias de alta complexidade no futuro1.

As experiências clínicas para a prática das anastomoses microcirúrgicas são limitadas para aqueles que estão em processo de treinamento, ainda que existam diversos modelos animais (ratos, frangos e porcos). As estritas leis dos Comitês Institucionais de Cuidados e Utilização de Animais também dificultam o processo de educação médica. Isso faz com que haja necessidade de desenvolvimento de alternativas aos modelos de treinamento existentes. Materiais artificiais (tubos de silicone, luvas), simuladores e robôs têm sido descritos como métodos auxiliares no processo de treinamento de habilidades básicas em anastomoses microvasculares2,3. No entanto, cada uma dessas modalidades pode ser aprimorada em termos de acessibilidade, reprodutibilidade e custo-efetividade.

 

O MODELO PROPOSTO

Descrevemos um modelo de treinamento microcirúrgico acessível, prático e fácil, que utiliza o retalho abdominal proveniente de abdominoplastias4. A cirurgia inicia-se com uma incisão curvilínea suprapúbica (incisão de abdominoplastia convencional), com a identificação dos vasos epigástricos superficiais. A dissecção progride em direção ao ligamento inguinal até a origem dos vasos. Nesse ponto, realiza-se a ligadura dos vasos e o retalho abdominal é descolado de forma habitual (Figuras 1 e 2).

 

 

 

 

O retalho ressecado é dividido e os vasos dos hemirretalhos justapostos, possibilitando a realização de anastomoses terminoterminais e terminolaterais com o auxílio do microscópio e dos materiais específicos para esse fim (Figuras 3 e 4).

 

 

 

 

O calibre dos vasos epigástricos superficiais encontrados nos retalhos abdominais excisados variou de 1,2 mm a 2 mm, dependendo do índice de massa corporal da paciente no pré-operatório. Esse retalho permitiu o treinamento de anastomoses microcirúrgicas em vasos de diferentes calibres, simulando a realidade numa sala de cirurgia. Esses vasos permaneciam com pequena quantidade de sangue em seu lúmen, o que permitia testar a qualidade e a patência das anastomoses.

A utilização do retalho abdominal como modelo de treinamento permite que os cirurgiões em fase de treinamento desenvolvam suas habilidades cirúrgicas de forma muito realística. O custo é extremamente baixo quando comparado à utilização de animais ou simuladores e permite transição mais rápida e real aos pacientes. A prática de dissecção e de anastomoses terminoterminais e terminolaterais de uma maneira efetiva e prática aperfeiçoa a destreza cirúrgica.

 

REFERÊNCIAS

1. Cigna E, Bistoni G, Trignano E, Tortorelli G, Spalvieri C, Scuderi N. Microsurgical teaching: our experience. J Plast Reconstr Aesthet Surg. 2010;63(6):e529-31.         [ Links ]

2. Kligman BE, Haddock NT, Garfein ES, Levine JP. Microsurgery trainer with quantitative feedback: a novel training tool for microvascular anastomosis and suggested training exercise. Plast Reconstr Surg. 2010; 126(6):328-30e.         [ Links ]

3. Mutoh T, Ishikawa T, Ono H, Yasui N. A new polyvinyl alcohol hydrogel vascular model (KEZLEX) for microvascular anastomosis training. Surg Neurol Int. 2010;1:74.         [ Links ]

4. Esteban D, Fraga MF, Shimba LG, Kikuchi W, Junior AH. Basic plastic surgery training using human skin. Plast Reconstr Surg. 2009;123(2):90-2e.         [ Links ]

 

 

Correspondência para:
Murillo Fraga

Av. Lineu de Paula Machado, 738 – Cidade Jardim – São Paulo, SP, Brasil – CEP 05601-000
E-mail: murifraga@ig.com.br

Artigo recebido: 29/3/2012
Artigo aceito: 21/4/2012

 

 

Trabalho realizado na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.
Artigo submetido pelo SGP (Sistema de Gestão de Publicações) da RBCP.