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Revista Brasileira de Cirurgia Plástica

versión impresa ISSN 1983-5175

Rev. Bras. Cir. Plást. vol.27 no.2 São Paulo abr./jun. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1983-51752012000200028 

RELATO DE CASO

 

Reconstrução de columela após necrose por uso de sonda nasogástrica

 

 

José Octávio Gonçalves de FreitasI; Aymar Edison SperliII; Rinaldo FischlerIII

IMédico-chefe dos Serviços Integrados de Cirurgia Plástica, Serviços Oficiais de Ensino Pós-Graduado, MEC-SBCP, Hospital Ipiranga, São Paulo, SP, Brasil
II
Regente dos Serviços Integrados de Cirurgia Plástica, Serviços Oficiais de Ensino Pós-Graduado, MEC-SBCP, Hospital Ipiranga, São Paulo, SP, Brasil
III
Supervisor de Ensino dos Serviços Integrados de Cirurgia Plástica, Serviços Oficiais de Ensino Pós-Graduado, MEC-SBCP, Hospital Ipiranga, São Paulo, SP, Brasil

Correspondência

 

 


RESUMO

Os autores apresentam o caso de paciente portador de sequela de sonda nasogástrica utilizada para procedimento na infância. A reconstrução foi realizada em dois tempos cirúrgicos. No primeiro tempo cirúrgico, foi realizada reconstrução da neocolumela com retalhos nasogenianos rodados de baixo para cima. No segundo tempo, foram realizados osteotomia e ortosseptoplastia.

Descritores: Rinoplastia. Nariz/cirurgia. Necrose.


 

 

INTRODUÇÃO

"Nós restauramos, reparamos e fazemos um todo das partes... que foram criadas pela natureza e arrancadas pelo destino, não tanto a ponto de trazer deleite aos olhos, mas de forma a enaltecer o espírito e auxiliar a mente dos aflitos."
Gaspare Tagliacozzi

Histórico

A reconstrução do nariz foi um dos primeiros procedimentos a ser executado, desde a Antiguidade. As primeiras referências constam como sendo dos egípcios, em 2.200 a.C., e, posteriormente, dos indianos, em 2.000 a.C. (retalho indiano)

Hipócrates, em 500 a.C., descreveu a redução com imobilização das fraturas. No Renascimento, houve grande surto de hanseníase e sífilis, que afetavam o nariz. Nessa época, foram propostas reconstruções com retalhos de braço (Tagliacozzi/Branca).

Em 1845, Dieffenbach, em seu livro Operative Chirurgie, fez longas referências à reconstrução nasal. Mais recentemente, Gillies e Millard, em 1957, divulgaram o retalho frontal em forma de U, que, em 1959, foi ampliado em sua base pelos trabalhos de Converse.

Desde então, várias técnicas de rinoplastia foram descritas1-8.

Anatomia Cirúrgica

Na reconstrução nasal, devem-se considerar os elementos de irrigação de grande importância na anatomia da região facial, principalmente no que refere à área nasal9,10. Dentre os principais troncos vasculares, salientam-se as artérias esfenopalatina, palatina maior, infraorbitária, artéria angular, labial superior, nasal lateral, etmoidal anterior e posterior, além da artéria dorsal.

 

RELATO DO CASO

Paciente de 24 anos, branco, sexo masculino, nascido e residente em São Paulo, com história de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) há 23 anos, ocasião em que foi submetido a tratamento com sonda nasogástrica, evoluindo com necrose de columela. O paciente apresentava ausência de columela e de ponta nasal, com nariz muito encurtado (Figura 1).

 

 

A reconstrução foi realizada em dois tempos cirúrgicos. No primeiro tempo cirúrgico, foram confeccionados retalhos de rotação nasogenianos, bilaterais, com pedículo superior, rodados de baixo para cima (Figura 2).

 

 

A Figura 3 ilustra o resultado temporário no terceiro dia de pós-operatório.

 

 

No segundo tempo cirúrgico, foi executada osteotomia e ortosseptoplastia, com o objetivo de melhorar a relação dorso/ponta.

A Figura 4 demonstra o resultado final, obtido após os dois tempos cirúrgicos.

 

DISCUSSÃO

Ponderou-se sobre as diversas possibilidades para a reconstrução deste caso, dente elas retalhos de base de nariz, retalho frontal e enxertos compostos. Chegou-se à conclusão de que o melhor seria fazer a reconstrução em dois tempos, sendo a primeira com retalhos nasogenianos para a reconstrução da neocolumela e, posteriormente, com rinoplastia com osteotomia e ortoposicionamento da pirâmide nasal.

O resultado cirúrgico obtido foi bastante compensador sob o ponto de vista de reparação estética, além de preservar as condições de fisiologia nasal.

 

REFERÊNCIAS

1. Schaupp H. Submental hair-bearing skin flap to upper lip. In: Strauch B, Vasconez LO, Hall-Findlay EJ, eds. Grabb's encyclopedia of flaps. Boston: Little, Brown and Company; 1990. p. 647-8.         [ Links ]

2. Tobin GR. Functional lower lip and oral sphincter reconstruction with innervated depressor anguli oris flaps. In: Strauch B, Vasconez LO, Hall-Findlay EJ, eds. Grabb's encyclopedia of flaps. Boston: Little, Brown and Company; 1990. p. 665.         [ Links ]

3. Kernahan DA. Reconstruction of the nose. In: Grabb W, Smiths J, eds. Plastic surgery: a concise guide to clinical practice. 2nd ed. Boston: Little, Brown and Company; 1973.         [ Links ]

4. Metzenbaum M. Replacement of the lower end of the dislocated septal cartilage versus submucous resection of the dislocated end of the septal cartilage. Arch Otolaryngol HNS. 1929;9:282-311.         [ Links ]

5. Seltzer AP. The nasal septum: plastic repair of the deviated septum associated with a deflected tip. Arch Otolaryngol. 1944;40:443-4.         [ Links ]

6. Cottle MH, Loring RM. Surgery of the nasal septum: new operative procedures and indications. Ann Otol Rhinol Laryngol. 1948;57(3): 705-13.         [ Links ]

7. Cottle MH, Loring RM, Fischer GG, Gaynon IE. The maxila-premaxila approach to extensive nasal septum surgery. AMA Arch Otolaryngol. 1958;68(3):301-13.         [ Links ]

8. Cutting C, Grayson B, Brecht L, Santiago P, Wood R, Kwon S. Presurgical columellar elongation and primary retrograde nasal reconstruction in one-stage bilateral cleft lip and nose repair. Plast Reconstr Surg. 1998;101(3):630-9.         [ Links ]

9. Lockhart RD. Anatomia humana. Cidade do México: Editorial Interamericana; 1965.         [ Links ]

10. Sabino Neto M. Anatomia do músculo depressor do ângulo da boca [dissertação de mestrado]. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo, Escola Paulista de Medicina; 1995. p. 71.

 

 

Correspondência para:
Aymar Sperli
Avenida Açocê, 174 – Moema – São Paulo, SP, Brasil – CEP 04075-020
E-mail: aymar.sperli@uol.com.br

Artigo recebido: 22/1/2010
Artigo aceito: 20/5/2010

 

 

Trabalho realizado nos Serviços Integrados de Cirurgia Plástica, Serviços Oficiais de Ensino Pós-Graduado (MEC-SBCP), Hospital Ipiranga, São Paulo, SP, Brasil.
Artigo submetido pelo SGP (Sistema de Gestão de Publicações) da RBCP.

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